RESUMO
O tratamento endodôntico em pacientes idosos com comorbidades sistêmicas representa um desafio clínico devido às alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento e às condições de saúde associadas, como cardiopatias, doenças respiratórias e histórico de acidente vascular cerebral. Nesse contexto, a laserterapia de baixa intensidade tem sido utilizada como recurso adjuvante, contribuindo para a desinfecção do sistema de canais radiculares, controle da dor e reparo tecidual. O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico de tratamento endodôntico associado à laserterapia em um paciente idoso sistemicamente comprometido. Trata se de um relato de caso realizado em um paciente do sexo masculino, 81 anos, portador de cardiopatia, doença respiratória crônica e histórico de AVC, diagnosticado com necrose pulpar e periodontite apical assintomática no elemento 12. O tratamento envolveu preparo biomecânico, irrigação química, medicações intracanais, aplicação de laserterapia com azul de metileno e utilização de materiais biocerâmicos intracanais. Observou-se melhora clínica e radiográfica progressiva da lesão periapical, além de adequado controle infeccioso e ausência de complicações sistêmicas durante o tratamento. Conclui-se que a associação da laserterapia ao tratamento endodôntico convencional demonstrou resultados favoráveis no manejo clínico de pacientes idosos com comorbidades sistêmicas, contribuindo para o reparo tecidual e para a previsibilidade terapêutica.
Palavras-chave: Tratamento do Canal Radicular; Terapia com Luz de Baixa Intensidade; Doença respiratória; Cardiopatias; Acidente Vascular Cerebral.
ABSTRACT
Endodontic treatment in elderly patients with systemic comorbidities represents a clinical challenge due to physiological changes associated with aging and health conditions such as heart diseases, chronic respiratory diseases, and history of stroke. In this context, low-level laser therapy has been used as an adjunctive resource, contributing to root canal disinfection, pain control, and tissue repair. The aim of this study was to report a clinical case of endodontic treatment associated with laser therapy in a systemically compromised elderly patient. This is a case report of an 81-
year-old male patient with heart disease, chronic respiratory disease, and previous stroke, diagnosed with pulp necrosis and asymptomatic apical periodontitis in tooth 12. The treatment involved biomechanical preparation, chemical irrigation, intracanal medications, laser therapy with methylene blue, and the use of bioceramic intracanal materials. Progressive clinical and radiographic improvement of the periapical lesion was observed, as well as adequate infection control and absence of systemic complications during treatment. It was concluded that the association of laser therapy with conventional endodontic treatment showed favorable results in the clinical management of elderly patients with systemic comorbidities, contributing to tissue repair and therapeutic predictability.
Keywords: Root Canal Therapy; Low-Level Light Therapy; Asthma; Aspirin Induced; Heart Diseases; Stroke.
1. INTRODUÇÃO
De acordo com Cassel (2000), o crescimento da longevidade e a maior manutenção dos dentes naturais na terceira idade têm gerado uma procura cada vez maior por tratamentos endodônticos nesse grupo populacional. Entretanto, as condições bucais e sistêmicas dos pacientes idosos, associadas à complexidade inerente aos procedimentos endodônticos, impõe diversos desafios e particularidades que devem ser considerados pelos cirurgiões-dentistas.
O processo de envelhecimento promove alterações importantes na cavidade bucal dos idosos, incluindo a redução do fluxo salivar, maior fragilidade dos dentes e dos tecidos moles, reabsorção óssea e, frequentemente, a necessidade de reabilitação com próteses dentárias (Duarte & Leonel 2024).
Muitos idosos apresentam dificuldades para manter uma higiene bucal adequada, seja em decorrência de limitações físicas, como artrite e alterações na coordenação motora, ou de condições cognitivas, como as demências (Alves et al. 2018).
Doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e enfermidades cardiovasculares, mais frequentes na população idosa, influenciam negativamente a saúde bucal, estando associadas ao aumento da prevalência de doenças periodontais e infecções orais (Lopes et al. 2019).
As afecções bucais não se limitam à dor e ao desconforto, podendo também desencadear complicações mais severas, como infecções sistêmicas e agravamento de condições crônicas preexistentes, a exemplo do diabetes e das doenças cardiovasculares (Petersen & Yamamoto 2015).
Segundo Ricucci e Siqueira (2010), com o avanço da idade, diversas modificações anatômicas e fisiológicas passam a influenciar diretamente a condução do tratamento endodôntico.
Entre as alterações mais frequentes destaca-se a calcificação dos canais radiculares, que dificulta o acesso, prejudicando sua identificação e adequada instrumentação. Além disso, a diminuição do calibre canalicular eleva o grau de complexidade do procedimento, uma vez que os canais podem apresentar-se parcialmente ou totalmente obliterados, ou ainda extremamente estreitos, exigindo técnicas mais refinadas e maior tempo clínico para sua execução (Ricucci & Siqueira 2010).
Com o avanço da idade, a cavidade bucal sofre diversas alterações fisiológicas, como a redução da resposta imunológica, diminuição da vascularização pulpar, calcificação dos canais radiculares e mudanças na estrutura dentária, fatores que tornam o tratamento endodôntico mais complexo. Além disso, pacientes idosos frequentemente apresentam múltiplas comorbidades e fazem uso de diversos medicamentos, o que pode dificultar tanto o diagnóstico quanto a condução do tratamento endodôntico (Feller 2002).
De acordo com Dash, G. & Mishr, L. (2022) dentes submetidos à terapia endodôntica podem continuar apresentando sinais de inflamação quando o preparo químico mecânico e a obturação não atingem padrões técnicos adequados. Dessa forma, a persistência de microrganismos no sistema de canais radiculares pode manter um estado inflamatório crônico, especialmente relevante em indivíduos sistemicamente comprometidos.
Em pacientes com fatores de risco cardiovascular, os autores sugerem que a atenção deve ser redobrada, uma vez que a manutenção de focos infecciosos pode representar um fator adicional de sobrecarga inflamatória sistêmica, reforçando a importância da qualidade técnica e da abordagem multidisciplinar no cuidado ao paciente cardiopata (Dash et al. 2022).
De acordo com Simões e Catão (2021), o laser de baixa potência é um recurso adjuvante ao tratamento endodôntico convencional, evidenciando resultados positivos no controle da dor pós-operatória, na desinfecção do sistema de canais radiculares e no processo de reparo tecidual.
A laserterapia de baixa intensidade emprega o laser como fonte de luz de baixa potência para interagir com os tecidos biológicos, promovendo efeitos
bioestimuladores que favorecem a cicatrização e o reparo tecidual, além de acelerar a regeneração celular por meio do estímulo à produção de ATP pelas mitocôndrias (Barros & Catão 2022).
O objetivo deste estudo foi relatar um caso clínico de tratamento endodôntico convencional associado ao uso da laserterapia de baixa intensidade em um paciente idoso cardiopata, portador de doença respiratória crônica e com histórico de acidente vascular cerebral, avaliando a condução clínica, os cuidados adotados frente às comorbidades sistêmicas e os resultados observados no controle da infecção, da dor pós-operatória e no processo de reparo tecidual.
2. RELATO DE CASO
O paciente de 81 anos, sexo masculino, compareceu à clínica odontológica do Centro Universitário São Lucas para atendimento odontológico. Na consulta inicial, foram realizados anamnese, exame clínico e exame radiográfico. Durante a anamnese, o paciente relatou histórico de acidente vascular cerebral, além de apresentar doença respiratória crônica, cardiopatia e fazer uso contínuo de medicamentos controlados. Na análise radiográfica do dente 12 (Figura 1), observou-se a necessidade de tratamento endodôntico em decorrência do tamanho da lesão de cárie. Adicionalmente, foi realizado o teste de sensibilidade térmica por meio da técnica do frio, o qual apresentou resposta negativa. Diante dos achados clínicos e radiográficos, estabeleceu-se o diagnóstico pulpar de necrose pulpar e o diagnóstico periapical de periodontite apical assintomática.
Figura 1 - Radiografia inicial do dente 12
Fonte: Autor.
Antes de iniciar o tratamento endodôntico, foi enviado uma carta ao médico cardiologista responsável pelo paciente, em virtude de sua condição sistêmica, com o objetivo de obter uma avaliação atualizada do seu estado de saúde, mediante parecer médico, acerca da possibilidade de realização dos procedimentos odontológicos propostos. Adicionalmente foi realizada profilaxia antibiótica com Clindamicina 300mg, administrada a cada 8 horas, iniciada 48 horas antes do procedimento e mantido por 5 dias após a sua realização.
Na primeira sessão do tratamento endodôntico, procedeu-se inicialmente à profilaxia do dente 12. Em seguida, com base na radiografia inicial, determinou-se o comprimento aparente do dente (CAD) de 22 mm. Posteriormente, realizou-se a técnica anestésica infiltrativa em fundo de vestíbulo, utilizando a solução anestésica prilocaína 3% com felipressina 0,03 UI/mL. Na sequência, foi realizado o acesso coronário com o uso das brocas 1011 e 3080. Após essa etapa, procedeu-se ao isolamento absoluto com dique de borracha, utilizando grampo nº 211, seguido do vedamento do lençol de borracha com barreira gengival (FGM), a fim de assegurar adequado selamento do campo operatório. Deu-se início à primeira fase da instrumentação do canal radicular no comprimento provisório de trabalho (CPT), utilizando limas manuais K File de 1ª série (Dentsply Sirona), associadas aos instrumentos rotatórios Protaper Gold (Dentsply Sirona). A irrigação foi realizada com hipoclorito de sódio a 2,5% (Asfer) a cada troca das limas #10, #15, #20, #25, Sx e S1, visando à adequada desinfecção do sistema de canais radiculares. Para a segunda fase do preparo biomecânico, realizou-se a odontometria eletrônica com o auxílio de localizador apical (MKLife), obtendo-se o comprimento real de trabalho (CRT) de 18 mm. A partir desse valor, deu-se continuidade ao preparo com as limas #10, #15, #20, #25, S1 e S2, sendo a instrumentação finalizada na terceira fase com as limas F1 e F2. Ao término da terceira fase do preparo biomecânico, foi realizada a irrigação final com hipoclorito de sódio, seguida da aplicação de EDTA a 17%, mantido no interior do canal por 3 minutos, e, posteriormente, irrigação com soro fisiológico a 0,9%, com o objetivo de promover a remoção da smear layer e favorecer a limpeza do conduto radicular. Após a irrigação, foi feita a secagem do canal com papel absorvente e capilar tips. Ademais, foi colocado a medicação Formocresol (biodinâmica), com o auxílio de uma bolinha de algodão no interior do canal, e depois uma bolinha de algodão com isotape para vedamento do canal, e por fim, foi feito o selamento coronário com resina flow (maquira).
Na consulta subsequente, foi realizada a aplicação da pasta de Holland, composta por 1 medida de iodofórmio, 2 medidas de hidróxido de cálcio P.A. e 6 gotas de propilenoglicol, como medicação intracanal (Figura 2). Após o período de ação da medicação, foi observada persistência da lesão periapical, não apresentando redução significativa. Dessa forma, optou-se pela reaplicação da pasta de Holland, mantendo acompanhamento clínico e radiográfico periódico (Figura 3), porém não houve regressão da lesão, então foi recolocado novamente a pasta de Holland no interior do canal. (Figura 4).
Figura 2 - 1º MIC com Pasta de Holland no dente 12
Fonte: Autor.
Figura 3 - 2º MIC com Pasta de Holland no dente 12
Fonte: Autor.
Figura 4 - 3º MIC com pasta de Holland do dente 12
Fonte: Autor.
Na seguinte sessão, previamente à troca da medicação intracanal, foi realizada laserterapia intracanal, com o objetivo de potencializar a ação antimicrobiana, bioestimuladora e anti-inflamatória, favorecendo o reparo dos tecidos periapicais. A terapia fotodinâmica (PDT), cuja técnica se deu a partir do preenchimento do conduto por agente fotossensibilizador azul de metileno 0,005% (manipulado em farmácia) com auxílio de uma seringa de 5ml Ultradent (Salt Lake City, Utah, EUA), aguardou-se, então, a solução em repouso no interior do conduto por aproximadamente dois minutos, visando adequada difusão do agente pelos túbulos dentinários. Após os dois minutos, a ativação do laser de baixa potência se deu pelo aparelho do fabricante MMO (São Carlos, SP, Brasil) com comprimento de onda de 660nm e auxílio da fibra óptica MMO (São Carlos, SP, Brasil) realizando movimentos elípticos durante 90 segundos (Figura 5 e Figura 6).
Figura 5 e 6 - Aplicação da Laserterapia com azul de metileno
Fonte: Autor.
Imediatamente após a aplicação do laser, procedeu-se à inserção de medicação intracanal à base de biocerâmico, Bio-C® Temp – Angelus (Figura 7),
aplicada no interior do canal radicular, seguida de selamento provisório. O material foi inserido inicialmente com a própria seringa do fabricante, utilizando a ponta aplicadora específica, de forma lenta e contínua, até a observação de extravasamento apical, garantindo o completo preenchimento do canal radicular. Em seguida, com o objetivo de promover melhor adaptação da medicação às paredes do canal, o Bio-C® Temp foi complementado com auxílio de um instrumento Lentulo, acoplado à caneta de baixa rotação, respeitando o comprimento de trabalho previamente estabelecido (Figura 8). Após a inserção da medicação intracanal, foi realizada radiografia periapical de controle, a fim de confirmar o adequado preenchimento do canal radicular (Figura 9). O dente foi então selado provisoriamente com resina flow (Maquira), mantendo-se o acompanhamento clínico e radiográfico periódico, até a observação de regressão progressiva da lesão periapical.
Figura 7 - MIC BIO-C® TEMP
Fonte: Autor.
Figura 8 - MIC BIO-C® TEMP sendo aplicada com lentulo
Fonte: Autor.
Figura 9 - dente 12 com MIC BIO-C® TEMP
Fonte: Autor.
Na última sessão de medicação intracanal, a reavaliação clínica e radiográfica demonstrou que a lesão periapical ainda não apresentava regressão suficiente para a realização da obturação do sistema de canais radiculares. Diante disso, optou-se pela reaplicação da medicação intracanal Bio-C® Temp (figura 10), mantendo o acompanhamento clínico e radiográfico periódico até que fossem observadas condições biológicas favoráveis para a etapa de obturação.
Figura 10 - dente 12 com a segunda aplicação de MIC BIO-C® TEMP
Fonte: Autor.
Na obturação, utilizou-se a técnica do cone único com o cimento endodôntico biocerâmico MTA-FILLAPEX (Angelus). Inicialmente, realizou-se o teste do cone, acompanhado de radiografia periapical para avaliar sua adaptação ao comprimento real de trabalho do dente. Posteriormente, procedeu-se à manipulação do cimento com auxílio de espátula 24 e placa de vidro. Finalizada essa etapa, o cone foi inserido no interior do canal juntamente com o cimento. Em seguida, executou-se nova radiografia digital periapical, na qual se constatou sucesso na obturação. Logo após, realizou-se o corte do cone com calcador de Paiva e a limpeza da cavidade com bolinhas de algodão e álcool 70%. Por fim, efetuou-se o selamento final do elemento 12.
Figura 11 - Radiografia digital da obturação
Fonte: Autor.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O presente relato de caso demonstrou a condução clínica de um tratamento endodôntico associado à laserterapia de baixa intensidade em um paciente idoso sistemicamente comprometido, portador de cardiopatia, doença respiratória crônica e histórico de acidente vascular cerebral. Durante a avaliação clínica e radiográfica inicial, observou-se extensa lesão cariosa no elemento 12, ausência de resposta ao teste de sensibilidade térmica e presença de lesão periapical radiográfica, estabelecendo-se o diagnóstico de necrose pulpar associada à periodontite apical assintomática.
Em razão das condições sistêmicas apresentadas pelo paciente, houve necessidade de avaliação médica prévia, além da adoção de cuidados específicos, incluindo profilaxia antibiótica e escolha criteriosa da solução anestésica. Esses cuidados estão de acordo com Feller (2002), que destaca que pacientes idosos frequentemente apresentam múltiplas comorbidades e utilizam medicações contínuas, exigindo planejamento individualizado e abordagem multidisciplinar durante o tratamento odontológico. No presente caso, as condutas adotadas foram fundamentais para garantir maior segurança clínica durante o procedimento endodôntico.
Durante o preparo biomecânico, foram observadas dificuldades técnicas compatíveis com alterações anatômicas frequentemente encontradas em pacientes idosos, como estreitamento e calcificação dos canais radiculares. Ricucci et al. (2010) relatam que o envelhecimento favorece alterações estruturais dentinárias e presença de biofilmes associados às infecções periapicais persistentes, dificultando a instrumentação e comprometendo a descontaminação do sistema de canais radiculares. Tais achados foram semelhantes aos observados neste caso clínico, no qual houve persistência inicial da lesão periapical mesmo após as primeiras sessões clínicas e utilização da pasta de Holland como medicação intracanal.
Diante da persistência da lesão, optou-se pela associação da laserterapia intracanal utilizando azul de metileno, seguida da utilização da medicação intracanal biocerâmica Bio-C® Temp. Após acompanhamento clínico e radiográfico periódico, observou-se regressão progressiva da lesão periapical e melhora significativa do reparo tecidual, possibilitando posteriormente a obturação definitiva do sistema de canais radiculares.
Os resultados observados corroboram Silva et al. (2011), que destacam a efetividade da terapia fotodinâmica antimicrobiana associada à instrumentação endodôntica na eliminação de biofilmes bacterianos em canais radiculares. Segundo os autores, a terapia fotodinâmica contribui para maior descontaminação em regiões de difícil acesso à instrumentação convencional, potencializando o controle microbiológico da infecção endodôntica. No presente caso, a associação da laserterapia ao tratamento convencional demonstrou resultados clínicos favoráveis, especialmente pela regressão radiográfica da lesão periapical observada durante o acompanhamento.
Além disso, a utilização do Bio-C® Temp apresentou comportamento clínico satisfatório, principalmente pela sua capacidade bioativa e potencial de estimular o reparo periapical. Esses resultados concordam com Ordinola-Zapata et al. (2021), que afirmam que materiais biocerâmicos à base de silicato de cálcio apresentam elevada biocompatibilidade, capacidade de biomineralização e estímulo à formação de tecidos mineralizados nos tecidos periapicais. No presente estudo, a associação entre laserterapia e medicação intracanal biocerâmica mostrou-se relevante para o sucesso terapêutico, sugerindo efeito complementar entre descontaminação antimicrobiana e bioestimulação tecidual.
Apesar dos resultados favoráveis observados, algumas limitações devem ser consideradas. Por tratar-se de um relato de caso único, não é possível generalizar os resultados para toda a população. Além disso, o acompanhamento clínico e radiográfico ocorreu em período limitado, sendo necessários estudos clínicos longitudinais e com maior número de participantes para comprovar a efetividade da associação entre laserterapia e materiais biocerâmicos em pacientes idosos sistemicamente comprometidos.
Dessa forma, os achados deste estudo sugerem que a associação da laserterapia de baixa intensidade ao tratamento endodôntico convencional pode representar uma alternativa promissora no manejo clínico de pacientes idosos com comorbidades sistêmicas, contribuindo para redução da infecção, estímulo ao reparo tecidual e maior previsibilidade terapêutica.
4. CONCLUSÃO
A partir do caso clínico, fica evidente que o tratamento endodôntico em pacientes com comorbidades sistêmicas exige uma conduta individualizada, cuidadosa e baseada em literatura científica. As alterações sistêmicas comuns no envelhecimento deixam o manejo mais desafiador, pedindo um planejamento minucioso e seguimento a longo prazo. O uso da laserterapia de baixa intensidade como coadjuvante se mostrou útil no controle da infecção, na modulação do processo inflamatório e no auxílio ao reparo dos tecidos. Além disso, a aplicação de materiais biocerâmicos ajudou a manter um ambiente mais favorável à cicatrização periapical. A resposta ao tratamento foi progressiva, o que reforça a necessidade de respeitar o tempo biológico de cada paciente. O acompanhamento clínico e radiográfico se mostrou fundamental para ajustar a condução do caso. Nesse cenário, combinar técnicas tradicionais com recursos tecnológicos surge como uma alternativa eficiente. Portanto, o manejo individualizado, aliado ao acompanhamento clínico e radiográfico, mostra-se fundamental para obtenção de resultados satisfatórios e para a manutenção da saúde periapical.
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Acadêmica do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas - Afya, Porto Velho/Ro. E-mail: carolineamandareis@hotmail.com ↑
Acadêmica do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas - Afya, Porto Velho/Ro. E-mail: laurasofiareis1@gmail.com ↑
Acadêmica do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas - Afya, Porto Velho/Ro. E-mail: Keissyhelem@gmail.com ↑
Acadêmica do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas - Afya, Porto Velho/Ro. E-mail: iveterelvaskb@gmail.com ↑
Professor do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas - Afya, Porto Velho/Ro. E-mail: leonardo.fiori95@gmail.com ↑
Orientador e professor do Curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas – Afya e Professor do Curso de Especialização em Endodontia - SOEP, Porto Velho/Ro. E-mail: joao.relvas@afya.com.br ↑

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