RESUMO
Este estudo investiga como as contribuições da Psicanálise, fundamentadas principalmente nas teorias de Sigmund Freud, auxiliam na compreensão das dificuldades de aprendizagem articuladas ao desenvolvimento psicossocial dos estudantes. Por meio de uma pesquisa de natureza bibliográfica, o trabalho analisa o aprendizado para além das limitações cognitivas, destacando a influência do inconsciente, das emoções e do desejo no ambiente escolar. São discutidos conceitos como a transferência nas relações entre professor e aluno, a sublimação como canalização de impulsos para o saber e a importância do desenvolvimento psicossocial e da
afetividade no rendimento acadêmico. Os resultados indicam que a abordagem psicanalítica não oferece soluções prontas, mas ressignifica a prática pedagógica ao transformar o educador em um mediador sensível à singularidade e à totalidade do sujeito.
Palavras-chave: Psicanálise. Educação. Dificuldades de Aprendizagem. Desenvolvimento Psicossocial. Relação Professor-aluno.
ABSTRACT
This study investigates how the contributions of Psychoanalysis, primarily grounded in Sigmund Freud's theories, aid in understanding learning difficulties linked to students' psychosocial development. Through literature-based research, this work analyzes learning beyond cognitive limitations, highlighting the influence of the unconscious, emotions, and desire within the school environment. Concepts such as transference in teacher-student relationships, sublimation as the channeling of impulses toward knowledge, and the importance of psychosocial development and affectivity in academic performance are discussed. The results indicate that the psychoanalytic approach does not offer ready-made solutions, but reframes pedagogical practice by transforming the educator into a mediator sensitive to the subject's uniqueness and totality. [1]
Keywords: Psychoanalysis. Education. Learning Difficulties. Psychosocial Development. Teacher-Student Relationship.
INTRODUÇÃO
Entender as dificuldades de aprendizado representa um dos grandes desafios da educação na atualidade, principalmente porque esse fenômeno abrange mais do que apenas aspectos cognitivos. O ato de aprender é uma jornada complexa, que também depende de elementos emocionais, sociais e das experiências de vida de cada aluno. Por isso, é fundamental adotar estratégias que vejam o indivíduo de maneira integral, reconhecendo que cada estudante carrega consigo uma trajetória, vivências e modos únicos de se relacionar com o saber.
Nesse cenário, a escola moderna, ao enfrentar uma variedade crescente de perfis, deve ir além das avaliações superficiais. É crucial perceber que o processo de aprendizado se relaciona profundamente com as conexões que o aluno estabelece consigo mesmo, com os outros e com o ambiente que o cerca. Dessa forma, adotar uma visão mais sensível e abrangente em relação ao aluno é um passo vital para entender suas dificuldades e potenciais.
A Psicanálise emerge, nesse contexto, como uma contribuição significativa para a educação, ao enfatizar a relevância do inconsciente e das emoções no desenvolvimento humano. Com base nas teorias de Freud, compreende-se que o comportamento e a assimilação de conhecimento são moldados por desejos, conflitos internos e experiências vividas ao longo da existência. Assim, o estudante não é visto apenas como um receptáculo de informações, mas sim como um sujeito com sua própria história e subjetividade.
Essa abordagem amplia a perspectiva sobre as dificuldades de aprendizado, que deixam de ser vistas somente como restrições intelectuais. Fatores como falta de motivação, insegurança e baixo desempenho acadêmico podem estar atrelados a conflitos emocionais e experiências não trabalhadas. Por isso, cabe ao educador adotar uma escuta mais cuidadosa e empática, capaz de identificar esses aspectos que, muitas vezes, não são imediatamente perceptíveis.
Ademais, o desenvolvimento psicossocial desempenha um papel crucial nesse processo. Segundo Erikson, o indivíduo atravessa várias etapas ao longo da vida, lidando com conflitos que têm impacto direto em sua identidade e autoestima. Quando esses conflitos não são resolvidos adequadamente, podem gerar inseguranças que se manifestam no ambiente escolar, prejudicando o aprendizado.
Diante disso, a questão que surge é: como as contribuições da Psicanálise podem auxiliar na compreensão das dificuldades de aprendizado em relação ao desenvolvimento psicossocial dos alunos? Essa indagação orienta o presente estudo, reforçando a necessidade de ver o aluno além de suas barreiras cognitivas, levando em conta também suas dimensões emocionais e sociais.
Parte-se da suposição de que as dificuldades de aprendizado não estão apenas relacionadas à capacidade intelectual, mas também a elementos emocionais e psicossociais. Nesse sentido, acredita-se que práticas pedagógicas que valorizem conexões afetivas, a escuta atenta e a subjetividade dos alunos podem ter um impacto significativo na superação dessas barreiras.
A importância deste estudo reside exatamente na necessidade de promover uma abordagem mais humana da educação, especialmente em um contexto em que, muitas vezes, os resultados quantitativos são priorizados. Encarar o aluno como um ser integral é essencial para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais inclusivas, sensíveis e eficazes.
O propósito principal deste estudo é investigar de que maneira a Psicanálise pode auxiliar na compreensão das dificuldades de aprendizagem que estão ligadas ao desenvolvimento psicossocial dos estudantes. Entre os objetivos específicos, procura-se elucidar a relevância dos fatores emocionais no processo de aprendizagem, discutir a vitalidade da interação entre educador e estudante e refletir sobre a influência do desejo e da subjetividade na educação.
Para atingir esses objetivos, foi realizada uma pesquisa de natureza bibliográfica, fundamentada em autores que abordam temas como Psicanálise, Educação e desenvolvimento humano, incluindo Freud, Vygotsky e Paulo Freire. Esta abordagem permite realizar uma análise teórica aprofundada, favorecendo reflexões críticas sobre o assunto.
Por fim, o trabalho é estruturado em cinco seções: primeiramente, examina-se a relação entre Psicanálise e Educação; em sequência, discute-se o papel do desejo e da sublimação no aprendizado; posteriormente, as dificuldades de aprendizagem são avaliadas sob a ótica do desenvolvimento psicossocial; em seguida, enfatiza-se a relevância da relação entre professor e aluno; e, finalmente, aborda-se as implicações pedagógicas da perspectiva psicanalítica, seguidas das considerações finais.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Psicanálise e Educação
Sigmund Freud (1923) ajudou a elucidar a educação ao enfatizar que as ações humanas não são determinadas somente pela lógica, mas também por fatores inconscientes. Isso implica que o estudante não adquire conhecimento apenas por meio da razão, mas também por intermédio de emoções, vivências e experiências. Portanto, é essencial que o processo educacional reconheça o aluno como um agente ativo que assimila o saber segundo sua trajetória pessoal.
O desejo se destaca como um componente crucial na aprendizagem, pois ele é o que motiva o estudante a se interessar pelo conhecimento. Quando o conteúdo é relevante para o aluno, sua participação tende a ser mais intensa e significativa. Com isso, o papel do educador vai além da simples transmissão de informações, sendo vital para instigar a curiosidade e o envolvimento dos alunos, como Freud (1911) já havia sugerido.
As interações que ocorrem dentro da sala de aula também têm um papel direto no aprendizado. Kupfer (1999) menciona que o aluno pode projetar no professor emoções e expectativas de vivências anteriores, o que é designado como transferência. Essa relação pode facilitar ou complicar a aprendizagem, dependendo de como o vínculo é estabelecido entre alunos e educadores.
Nesse contexto, a escola se torna um ambiente de construção de significados e de formação do indivíduo. De acordo com Lacan (1998), o sujeito se forma através das interações com o outro, sendo o desejo um elemento essencial nesse desenvolvimento. Assim, o aluno busca aceitação e pertencimento, o que influência sua maneira de aprender e de se posicionar em relação ao conhecimento.
Portanto, educar requer uma sensibilidade para compreender as diversidades e a complexidade das relações humanas. Perrenoud (2000) enfatiza que a prática de ensinar envolve muito mais do que dominar o conteúdo, sendo necessário adaptar-se a diferentes contextos. Além disso, o conhecimento do professor é moldado ao longo de sua experiência, conforme apontado por Tardif (2002).
2.2 Sublimação e o desejo de aprender
Freud (1905) apresenta o conceito de sublimação como a capacidade de transformar impulsos internos em atividades socialmente valorizadas, como o estudo e a produção de conhecimento. No contexto escolar, isso significa que a aprendizagem pode ser uma forma de canalizar emoções e energias psíquicas, contribuindo para o desenvolvimento do aluno de maneira mais ampla.
Nem sempre o interesse pelo aprendizado acontece de forma imediata, pois pode estar relacionado a conflitos internos do sujeito. Muitas dificuldades enfrentadas pelos alunos não estão ligadas à capacidade intelectual, mas a questões emocionais que interferem no comportamento. Esse entendimento amplia o olhar do educador sobre o processo educativo, como aponta Freud (1920).
O desejo é um fator essencial para que a aprendizagem aconteça de forma significativa. Kupfer (2001) afirma que não há aprendizado verdadeiro sem o envolvimento do desejo, pois é ele que mobiliza o sujeito em direção ao conhecimento. Assim, práticas pedagógicas que despertam o interesse dos alunos tendem a ser mais eficazes.
A relação com o outro também influência o aprendizado, especialmente quando há identificação com o professor ou com o conteúdo. De acordo com Lacan (1992), o desejo se constitui nas relações, o que reforça a importância do ambiente escolar como espaço de construção de significados. O aluno aprende melhor quando se sente parte desse processo.
Diante disso, o ensino precisa ir além da simples transmissão de conteúdos e promover experiências significativas. Moran (2015) destaca que a aprendizagem contemporânea exige a integração entre razão e emoção. Além disso, Almeida (2017) reforça que o conhecimento se torna mais relevante quando está conectado às vivências do aluno.
2.3 Dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento psicossocial
Vygotsky (1991) destaca que a aprendizagem ocorre por meio das interações sociais, sendo fortemente influenciada pelo contexto em que o indivíduo vive. Dessa forma, fatores sociais, familiares e culturais podem impactar diretamente o desempenho escolar do aluno. As dificuldades de aprendizagem, portanto, não devem ser analisadas de forma isolada.
A mediação é um elemento essencial no processo educativo, pois permite que o aluno avance em seu desenvolvimento. Quando essa mediação não acontece de forma adequada, podem surgir dificuldades no aprendizado. Nesse sentido, o professor assume um papel fundamental na construção do conhecimento, conforme também aponta Vygotsky (1991).
O desenvolvimento psicossocial exerce grande influência na aprendizagem, pois está relacionado à formação da identidade e da autoestima. Erikson (1976) explica que o indivíduo passa por diferentes fases, enfrentando conflitos que impactam seu desenvolvimento emocional. Quando esses conflitos não são bem resolvidos, podem gerar inseguranças no ambiente escolar.
A afetividade também é um fator determinante nesse processo, pois está diretamente ligada ao desenvolvimento cognitivo. Segundo Wallon (2007), emoções e aprendizagem caminham juntas, sendo impossível separá-las completamente. Problemas emocionais podem comprometer a atenção, o interesse e o rendimento do aluno.
Diante dessa realidade, torna-se necessário adotar uma visão mais ampla sobre as dificuldades de aprendizagem. Oliveira (2020) ressalta que o educador deve atuar como mediador, criando condições para o desenvolvimento integral do estudante. Assim, é possível compreender melhor suas necessidades e potencialidades.
2.4 A relação professor-aluno no processo de aprendizagem
A relação entre professor e aluno é um dos elementos mais importantes no processo educativo, pois influencia diretamente o desenvolvimento do estudante.
Wallon (2007) destaca que a afetividade é essencial para a aprendizagem, pois contribui para a construção de vínculos que favorecem o crescimento do aluno. O diálogo é uma ferramenta fundamental para tornar o ensino mais significativo. Segundo Freire (1996), a educação deve ser construída com base no respeito e na participação ativa dos alunos. Quando o estudante se sente ouvido, tende a se envolver mais no processo de aprendizagem. O aluno não deve ser visto como um sujeito passivo, mas como alguém capaz de construir conhecimento a partir de suas experiências. Freire (1996) reforça que o papel do professor é mediar esse processo, estimulando a autonomia e o pensamento crítico. Isso torna a aprendizagem mais dinâmica e conectada à realidade.
A diversidade presente em sala de aula exige que o professor adapte suas práticas pedagógicas. Cada aluno possui características próprias, o que demanda uma atuação mais sensível e flexível. Tardif (2002) destaca que o conhecimento docente é construído ao longo da experiência, fortalecendo a prática reflexiva.
Mesmo com o avanço das tecnologias, as relações humanas continuam sendo fundamentais na educação. Kenski (2012) aponta que o uso de recursos tecnológicos deve estar aliado à construção de vínculos. Além disso, Zabala (1998) reforça a importância de considerar aspectos emocionais e sociais no processo educativo.
2.5 Implicações pedagógicas da concepção psicanalítica na educação
A Psicanálise contribui para uma visão mais ampla da educação ao considerar o sujeito em sua totalidade. Freud (1923) afirma que o comportamento humano é influenciado por aspectos conscientes e inconscientes, o que impacta diretamente o processo de aprendizagem. Dessa forma, as dificuldades escolares vão além das questões cognitivas.
O desejo é um elemento fundamental para o aprendizado, pois está ligado ao interesse pelo conhecimento. Quando o aluno não encontra sentido no que estuda, pode apresentar desmotivação e dificuldades. Nesse contexto, Freud (1911) destaca a importância de despertar o interesse do estudante para favorecer a aprendizagem.
A valorização da individualidade do aluno é essencial para uma prática pedagógica mais eficaz. Kupfer (2001) enfatiza que o professor deve atuar como mediador, respeitando o ritmo e as características de cada estudante. Essa postura contribui para um ambiente mais acolhedor e favorável ao aprendizado.
A relação com o outro também influência o processo educativo, especialmente no ambiente escolar. Lacan (1998) aponta que o sujeito se constitui nas relações, o que reforça o papel do professor como figura importante na construção do conhecimento. A forma como o docente se posiciona pode impactar o interesse do aluno.
Por fim, uma educação baseada no diálogo e na valorização das experiências do aluno tende a ser mais significativa. Freire (1996) defende uma prática educativa que promova autonomia e participação. Moran (2015) complementa ao destacar a importância de integrar aspectos emocionais e cognitivos no processo de ensino.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Podemos perceber que a Psicanálise oferece contribuições importantes para compreender melhor o processo de ensino e aprendizagem. Diferente das abordagens mais tradicionais, que costumam focar na transmissão de conteúdos e no desenvolvimento cognitivo, essa perspectiva considera também aspectos subjetivos dos alunos, como emoções, desejos, vivências e até elementos inconscientes.
Aprender não depende apenas da inteligência ou da forma como o professor explica o conteúdo. Na verdade, trata-se de um processo mais complexo, que envolve a trajetória de vida de cada estudante e a maneira como ele se relaciona com o conhecimento.
Essa questão fica evidente quando observamos que, mesmo em uma mesma sala de aula, com o mesmo professor, os alunos apresentam desempenhos diferentes. Enquanto alguns se envolvem com o conteúdo, outros demonstram pouco interesse. A Psicanálise sugere que isso não acontece por acaso, mas está relacionado à forma como cada sujeito se identifica com aquilo que está sendo ensinado. Assim, o aprendizado deixa de ser visto como algo neutro e passa a envolver também sentimentos e processos de identificação.
Outro aspecto importante é que a aprendizagem nem sempre acontece de forma imediata. Muitas vezes, o aluno só consegue compreender determinado conteúdo depois de um tempo, quando consegue relacioná-lo com outras experiências. Esse fenômeno pode ser explicado pelo conceito de “só depois”, explicado por D’Agord (2010), que mostra que certos acontecimentos só ganham sentido posteriormente. Ou seja, algo aprendido hoje pode fazer mais sentido no futuro.
Além disso, podemos destacar a importância da relação entre professor e aluno. O aprendizado não acontece de forma isolada, mas depende das interações construídas no ambiente escolar. Nesse contexto, ganha destaque o conceito de transferência, que se refere à projeção de sentimentos, expectativas e experiências anteriores do aluno no professor. Uma relação saudável pode ajudar o aluno a superar desafios, enquanto experiências negativas podem intensificar bloqueios.
De acordo com Ribeiro (2014), na relação pedagógica, o professor passa a ocupar o lugar de alguém que detém o saber, o que pode influenciar diretamente o processo de aprendizagem. Dependendo de como essa relação se estabelece, ela pode tanto facilitar quanto dificultar o aprendizado.
A partir da perspectiva psicanalítica, o professor deixa de ser visto apenas como transmissor de conhecimento e passa a atuar como mediador do processo de aprendizagem. Segundo Miranda (2019), essa abordagem contribui para que o educador reconheça o aluno como sujeito de desejo, considerando suas particularidades.
Em vez de tratar todos os alunos da mesma forma, o professor passa a reconhecer que cada estudante possui seu próprio ritmo e forma de aprender. Isso torna o ensino mais inclusivo e mais próximo da realidade dos alunos.
A Psicanálise ao tratar das dificuldades de aprendizagem explica que não devemos considerar apenas fatores cognitivos e metodológicos, mas também compreender aspectos emocionais e inconscientes que podem estar envolvidos nesse processo.
Freud aponta que o comportamento humano é influenciado por fatores inconscientes, o que também se aplica ao contexto da aprendizagem. Por fim, percebe-se que a Psicanálise contribui
para uma compreensão mais ampla do processo educativo. Embora não ofereça soluções prontas, ela possibilita reflexões importantes sobre a prática pedagógica e ajuda a reconhecer a complexidade envolvida no ensino e na aprendizagem.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das reflexões apresentadas, evidencia-se que os estudos de Sigmund Freud trouxeram contribuições fundamentais para a compreensão do processo de ensino-aprendizagem, especialmente ao introduzir a dimensão subjetiva como elemento central na formação do sujeito. Ao destacar a influência do inconsciente, dos desejos e das relações afetivas no comportamento humano, a psicanálise possibilita uma leitura mais ampla das dificuldades enfrentadas no contexto educacional, indo além de explicações puramente cognitivas ou comportamentais.
Nesse sentido, compreender o aluno para além de suas capacidades cognitivas torna-se essencial para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais eficazes e sensíveis. O reconhecimento de que o aprender está diretamente relacionado ao desejo, às emoções e às experiências vividas permite ao educador repensar sua atuação, valorizando o vínculo, a escuta, e a construção de significados no processo educativo.
Como afirma Freud (1923), “o eu não é o senhor na sua própria casa”,evidenciando a complexidade do sujeito e a necessidade de considerar os processos inconscientes que atravessam a aprendizagem.
Ao relacionar as concepções freudianas com o cenário educacional contemporâneo, observa-se que tais contribuições permanecem atuais, sobretudo diante dos desafios enfrentados pelas instituições de ensino, como as dificuldades de aprendizagem, os conflitos emocionais e as questões relacionadas à subjetividade dos estudantes. A escola, nesse contexto, deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conteúdos e passa a ser compreendida como um ambiente de relações, no qual aspectos afetivos e simbólicos desempenham papel fundamental.
Além disso, a valorização da escuta e do vínculo, tão presente na perspectiva psicanalítica, dialoga diretamente com as abordagens pedagógicas contemporâneas que defendem uma educação mais humanizada e centrada no sujeito. O professor, ao reconhecer a singularidade de cada aluno, torna-se mediador não apenas do conhecimento, mas também das experiências que contribuem para a constituição do sujeito. Outro aspecto relevante refere-se à importância da relação transferencial no contexto educativo. Embora esse contexto tenha origem na clínica psicanalítica, ele pode ser compreendido na educação como a forma pela qual os alunos estabelecem vínculos afetivos com o professor, influenciando diretamente sua relação com o saber.
Assim, o educador precisa estar atento às dinâmicas relacionais presentes em sala de aula, uma vez que elas podem tanto favorecer quanto dificultar o processo de aprendizagem.
Portanto, as contribuições da psicanálise, especialmente das concepções freudianas, não oferecem respostas prontas para os desafios da educação, mas instigam reflexões importantes que possibilitam transformar o olhar sobre o ensino e a aprendizagem. Assim, ao integrar esses conhecimentos à prática pedagógica, torna-se possível promover uma educação mais significativa, que respeite a singularidade dos sujeitos e favoreça o desenvolvimento humano em sua totalidade.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e Educação: Integração e Práticas Pedagógicas. São Paulo: Paulus, 2017.
ALMEIDA, S.F.C. Psicanálise e educação: revendo algumas observações e hipóteses sobre uma (im)possível conexão. In: LAJONQUIÉRE, L; KUPFER, M.C. (org.). Colóquio do LEPSI, 3., Anais...São Paulo: IPUSP, 2002.p.95-106.
AUSUBEL, D. P. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.
ÁVILA, L.A. Psicanálise, educação e autismo: encontro de três impossíveis. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v.3, n.1, p. 11-20,200. BILATE, Danilo. Contribuições da psicanálise à educação. Revista Filosofia Capital, v. 5, ed. 10, 2010.
CHAVES, Messias Eustáquio. Cortes e efeitos: a psicanálise é o efeito de um corte. Reverso, Belo Horizonte, v.30, n. 55, p. 65-72, jun.2008.
COBRA, Rubem Q. A psicanálise. Disponível em: http: //www.cobra.pages.nom.br. Acesso em: 10 nov.2018.
ELIA, Luciano. O sujeito da psicanálise e a ordem social. Rio de janeiro: Revinter, 1999.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREUD, S. Além do Princípio do Prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920. FREUD, S. O Ego e o Id. Rio de Janeiro: Imago, 1923.
FREUD, S. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Rio de Janeiro: Imago, 1905.
KENSKI, V. M. Educação e Tecnologias: O Novo Ritmo da Informação. Campinas: Papirus, 2012.
KUPFER, M. C. Educação para o Futuro: Psicanálise e Educação. São Paulo: Escuta, 2001.
KUPFER, M. C. Freud e a Educação: O Mestre do Impossível. São Paulo: Scipione, 1999.
LACAN, J. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2013.
MIRANDA, Robson Contreiro. A contribuição da psicanálise na educação para o desenvolvimento humano. Revista Científica Intellecto, Venda Nova do Imigrante, ES, Brasil, v. 4, n.3, p. 11-22, 2019.
MORAN, J. M. Educação Híbrida: Um Novo Olhar para a Aprendizagem. Campinas: Papirus, 2015.
OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento. São Paulo: Scipione, 2020.
PERRENOUD, P. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
TARDIF, M. Saberes Docentes e Formação Profissional. Petrópolis: Vozes, 2002. VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991. WALLON, H. A Evolução Psicológica da Criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Especialização em Gestão Escolar,Universidade Estadual Vale do Acaraú- CE, e_mail: rinaldosq@yahoo.com.br , https://orcid.org/0009-0008-3419-5682 ↑
Mestrado em Ciências da Educação pela Universidade Metropolitana de Santos- UNIMES, e_mail: anamariarslobo1963@gmail.com ↑
Especialização em Psicopedagogia Gestão , Supervisão e Coordenação, Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA, e_ mail: anastacia.pereira@prof.ce.gov.ce ↑
Especialização em Metodológicas para o Ensino Fundamental e Médio, ,Universidade Estadual Vale do Acaraú- CE, E_mail: avandacarlosdesousa@gmail.com ↑
Mestrado em Ciências da Educação, Unimes- Santos, e_ mail: ednacamel8@gmail.com ↑
Graduação em Licenciatura Plena em Pedagogia, Universidade Vale do Acaraú- UVA, e_ mail: francelia.sousa@gmail.com ↑
Graduação em Matemática, Universidade Vale do Acaraú- UVA, e_ mail: ivanlennon@hotmail.com ↑
Especialização em Metodologia do Ensino Fundamental e Médio, Universidade Estadual Vale do Acaraú- CE, e_mail: luzitaniatimbo@yahoo.com.br ↑
Mestrado em Ciências da Educação, Unimes/Santos, e_mail: vanderleiaq4@gmail.com ↑
Especialização em Educação Inclusiva. Universidade Estadual do Ceará UECE, E_mail: rejaneccastro@hotmail.com ↑
Graduação em Licenciatura Plena em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, e_ mail:ronaldocristinoce@gmail.com ↑
Mestrado em Ciências da Educação, Unimes/Santos, e_ mail: rossana.farias@prof.ce.gov.br ↑

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 José Rinaldo Andrade Ferreira, Ana Maria Rodrigues de Sousa Lôbo, Anastácia Mimosa Araújo Sousa Pereira, Antônia Avanda Carlos Sousa, Francisca Edna Camelo Torres Lima, Conceição Francélia Maria Sousa da Conceição, Ivan Lennon da Costa Timbó Nogueira, Luzitânia Martins Timbó, Quitéria Vanderleia Martins Sampaio, Rejane Cunha de Castro, Ronaldo Cristino Mariano, Rossana Magalhães Farias (Autor)