Abstract
Canine intestinal lymphangiectasia is a disease characterized by the pathological dilation of intestinal lymphatic vessels, compromising the absorption and transport of lipids and proteins. This frequently results in protein-losing enteropathy, weight loss, chronic diarrhea, and a reduced quality of life for affected animals. Considering that nutritional management represents the main therapeutic component of this condition, this study aimed to discuss the importance of diet in the clinical control of intestinal lymphangiectasia in dogs, highlighting the dietary strategies currently recommended in the scientific literature. The research was conducted through a narrative literature review based on scientific articles, books, and published guidelines on veterinary clinical nutrition and small animal gastroenterology. The analysis demonstrated that diets low in fat, highly digestible, and with adequate protein content reduce chylomicron formation, decrease pressure on intestinal lymphatic vessels, and promote the control of clinical signs. It is concluded that dietary management forms the cornerstone of treatment for intestinal lymphangiectasia in dogs, playing an indispensable role in clinical remission, relapse prevention, and prognostic improvement when combined with individualized veterinary follow-up.
Keywords: Intestinal lymphangiectasia. Dogs. Nutritional management. Diet therapy. Veterinary gastroenterology.
1 INTRODUÇÃO
A linfangiectasia intestinal constitui uma enteropatia caracterizada pela dilatação dos vasos linfáticos da mucosa e da submucosa intestinal, promovendo extravasamento de linfa para o lúmen intestinal e consequente perda de proteínas plasmáticas, lipídios, imunoglobulinas e linfócitos. Essa alteração compromete significativamente a absorção de nutrientes e favorece o desenvolvimento de hipoproteinemia, hipoalbuminemia, perda de peso, diarreia crônica, ascite e edema periférico, tornando-se uma das principais causas de enteropatia perdedora de proteínas em cães. Conforme descrevem Allenspach e Iennarella-Servantez (2021), a doença frequentemente apresenta evolução progressiva quando não diagnosticada e tratada precocemente.
A enfermidade pode manifestar-se de forma primária, associada a alterações congênitas do sistema linfático, ou secundária a doenças inflamatórias intestinais, neoplasias, hipertensão portal e outras condições capazes de elevar a pressão nos vasos linfáticos. Nesse contexto, Kathrani (2021) destaca que a linfangiectasia frequentemente ocorre concomitantemente às enteropatias crônicas, tornando o diagnóstico clínico mais complexo e exigindo abordagem integrada entre avaliação clínica, exames laboratoriais, ultrassonografia, endoscopia e análise histopatológica.
Os sinais clínicos costumam ser inespecíficos, fato que pode retardar o diagnóstico definitivo. Vômitos, diarreia intermitente, emagrecimento progressivo, hiporexia e efusões cavitárias são manifestações recorrentes, embora sua intensidade varie conforme a extensão do comprometimento intestinal. Malancus (2021) demonstra que os exames ultrassonográficos e endoscópicos representam importantes ferramentas complementares para identificação das alterações intestinais, enquanto Gonçalves, Soibelman e Marques (2025), Resende et al. (2023) e Neves et al. (2025) evidenciam, por meio de relatos clínicos, que a confirmação diagnóstica depende da associação entre os achados clínicos, laboratoriais e histopatológicos.
Embora diferentes protocolos terapêuticos possam ser empregados, a alimentação representa o principal componente do tratamento da linfangiectasia intestinal. Segundo Kathrani (2026), a restrição lipídica reduz a formação de quilomícrons e, consequentemente, diminui o fluxo linfático intestinal, favorecendo a recuperação da mucosa e reduzindo as perdas proteicas. Essa estratégia pode ser complementada por dietas de elevada digestibilidade, proteínas de alta qualidade biológica e suplementações específicas, conforme a condição clínica de cada paciente.
A importância do manejo nutricional tem sido reforçada por diferentes investigações clínicas. Myers et al. (2023) verificaram que parte dos cães com enteropatia perdedora de proteínas apresentou remissão clínica apenas com dieta de baixo teor de gordura, dispensando inicialmente terapias imunossupressoras. Resultados semelhantes foram observados por Wennogle, Stockman e Webb (2021), que demonstraram melhora clínica em cães resistentes ao tratamento convencional após a modificação da terapia dietética. Da mesma forma, Crisonà et al. (2025) relataram sucesso terapêutico em cães com linfangite lipogranulomatosa associada à linfangiectasia utilizando exclusivamente tratamento clínico e nutricional, reforçando a relevância da dietoterapia na evolução desses pacientes.
Apesar dos avanços obtidos no diagnóstico e no tratamento, ainda existem desafios relacionados à individualização das estratégias alimentares e ao acompanhamento nutricional em longo prazo. Mabry (2024) ressalta que a resposta clínica varia conforme a doença de base, o grau de comprometimento intestinal e a adesão ao protocolo nutricional, enquanto Kaçar et al. (2024) demonstram que, em situações específicas, o suporte dietético pode ser associado a terapias farmacológicas para potencializar a estabilização clínica.
Diante desse cenário, torna-se pertinente discutir o papel da alimentação no controle da linfangiectasia intestinal em cães, considerando sua influência direta sobre a fisiopatologia da doença e sobre o prognóstico dos pacientes. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura, as principais estratégias de manejo alimentar empregadas na linfangiectasia intestinal em cães, destacando seus fundamentos fisiológicos, aplicações clínicas e contribuição para o sucesso terapêutico.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Aspectos fisiopatológicos da linfangiectasia intestinal em cães
A linfangiectasia intestinal corresponde à dilatação dos vasos linfáticos presentes na mucosa e na submucosa intestinal, comprometendo o transporte da linfa e favorecendo o extravasamento de proteínas, lipídios, imunoglobulinas e linfócitos para o lúmen intestinal. Essa condição resulta em enteropatia perdedora de proteínas, responsável por importantes alterações metabólicas e imunológicas. Allenspach e Iennarella-Servantez (2021) explicam que a perda contínua desses componentes provoca hipoalbuminemia, hipocolesterolemia, linfopenia e redução da pressão oncótica plasmática, favorecendo o aparecimento de ascite, edema periférico e efusões cavitárias.
A enfermidade pode ocorrer de forma primária, relacionada a alterações congênitas do sistema linfático, ou secundária a processos inflamatórios, neoplásicos e obstrutivos que elevam a pressão nos vasos linfáticos intestinais. Kathrani (2021) destaca que a associação entre linfangiectasia e enteropatia inflamatória crônica é frequente, tornando difícil estabelecer, em alguns pacientes, qual condição surgiu inicialmente. A persistência da inflamação favorece alterações estruturais da mucosa intestinal e mantém um ciclo contínuo de perdas proteicas e comprometimento nutricional.
Os sinais clínicos apresentam intensidade variável conforme o grau de acometimento intestinal. Diarreia crônica, emagrecimento progressivo, vômitos, hiporexia, distensão abdominal e letargia figuram entre as manifestações mais observadas na rotina clínica. Gonçalves, Soibelman e Marques (2025) ressaltam que muitos pacientes chegam ao atendimento após semanas ou meses de evolução clínica, quando as alterações laboratoriais já demonstram importante redução das proteínas séricas. De forma semelhante, Resende et al. (2023) descrevem que a associação com doença inflamatória intestinal pode mascarar o diagnóstico inicial, exigindo investigação criteriosa.
O diagnóstico fundamenta-se na combinação entre exames laboratoriais, métodos de imagem e avaliação histopatológica. Malancus (2021) demonstra que a ultrassonografia pode revelar espessamento da parede intestinal, estriações hiperecogênicas da mucosa e alterações dos linfonodos mesentéricos, enquanto a endoscopia possibilita identificar vilosidades esbranquiçadas compatíveis com dilatação linfática. A confirmação definitiva depende da análise histológica das biópsias intestinais, procedimento indispensável para diferenciar a linfangiectasia de outras enteropatias crônicas.
2.2 Manejo alimentar como estratégia terapêutica
O tratamento da linfangiectasia intestinal baseia-se principalmente na correção das alterações nutricionais responsáveis pela manutenção do processo patológico. Entre todas as medidas terapêuticas disponíveis, a alimentação representa a intervenção capaz de atuar diretamente sobre a fisiopatologia da doença. Kathrani (2026) explica que a redução da ingestão de gordura diminui a formação de quilomícrons após a digestão, reduzindo o fluxo da linfa intestinal e a pressão exercida sobre os vasos linfáticos dilatados. Dessa forma, há menor extravasamento de proteínas e maior possibilidade de recuperação da mucosa intestinal.
Além da restrição lipídica, recomenda-se que a dieta apresente elevada digestibilidade e proteínas de alto valor biológico, permitindo melhor aproveitamento dos nutrientes e reduzindo a sobrecarga funcional do trato gastrointestinal. Em situações de hipoproteinemia acentuada, torna-se necessário ajustar cuidadosamente a ingestão proteica para compensar as perdas intestinais sem intensificar o processo inflamatório. Kathrani (2021) ressalta que cada protocolo nutricional deve ser individualizado, considerando condição corporal, gravidade clínica, presença de doenças associadas e resposta ao tratamento.
A utilização de ácidos graxos de cadeia média também pode representar alternativa importante em determinados pacientes, uma vez que esses lipídios são absorvidos diretamente pela circulação porta, reduzindo a dependência do sistema linfático intestinal. Embora nem todos os cães necessitem dessa suplementação, sua indicação pode favorecer a manutenção do aporte energético sem aumentar significativamente o transporte de gordura pelos vasos linfáticos. O monitoramento clínico e laboratorial torna-se indispensável para avaliar a adaptação à dieta e realizar ajustes conforme a evolução do quadro.
Quando a terapia nutricional é iniciada precocemente, observa-se redução da frequência dos episódios diarreicos, recuperação gradual da albumina sérica, melhora da condição corporal e diminuição das efusões cavitárias. Esses benefícios reforçam que o manejo alimentar não constitui apenas medida complementar, mas o principal recurso terapêutico para estabilização da enfermidade.
2.3 Evidências clínicas sobre a eficácia da dietoterapia
A resposta clínica dos cães acometidos por linfangiectasia intestinal depende, em grande parte, da adequação do manejo nutricional. Myers et al. (2023), ao avaliarem cães com enteropatia perdedora de proteínas presumida, observaram que uma parcela expressiva dos pacientes apresentou remissão clínica utilizando exclusivamente dieta com baixo teor de gordura, sem necessidade inicial de medicamentos imunossupressores. Os resultados indicam que a modificação alimentar pode representar a primeira abordagem terapêutica em determinados casos.
Resultados semelhantes foram descritos por Wennogle, Stockman e Webb (2021), que acompanharam cães resistentes ao tratamento convencional e verificaram melhora clínica significativa após a substituição da terapia dietética. A recuperação da albumina sérica, a redução das manifestações gastrointestinais e o ganho gradual de peso demonstraram que intervenções nutricionais adequadamente planejadas exercem influência direta sobre o controle da doença.
Crisonà et al. (2025) relataram quatro casos de linfangite lipogranulomatosa associada à linfangiectasia tratados exclusivamente com abordagem clínica e nutricional. Segundo os autores, a combinação entre dieta restrita em gordura, suporte clínico e acompanhamento contínuo possibilitou estabilização prolongada dos pacientes, reduzindo a necessidade de intervenções farmacológicas mais agressivas.
Em situações clínicas mais complexas, a alimentação continua desempenhando papel fundamental, embora possa ser associada a outras modalidades terapêuticas. Kaçar et al. (2024) descreveram um cão portador de doença inflamatória intestinal associada à linfangiectasia tratado com dieta específica, octreotida e ácido tranexâmico, obtendo melhora clínica satisfatória. Esse relato evidencia que a terapia nutricional permanece como elemento indispensável mesmo quando há necessidade de medicamentos adjuvantes.
Relatos clínicos publicados por Rodrigues, Porsani e Teixeira (2024), Gonçalves, Soibelman e Marques (2025) e Neves et al. (2025) corroboram esses achados ao demonstrarem que a manutenção de dietas cuidadosamente formuladas favorece o controle dos sinais clínicos, reduz a ocorrência de recidivas e melhora a qualidade de vida dos animais. Em conjunto, essas evidências sustentam que o manejo alimentar constitui a principal estratégia para o tratamento da linfangiectasia intestinal em cães e deve ser conduzido de forma individualizada, considerando as características clínicas de cada paciente.
3 METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, desenvolvida com o objetivo de reunir, analisar e discutir as principais evidências científicas relacionadas ao manejo alimentar da linfangiectasia intestinal em cães. Essa modalidade de revisão permite integrar conhecimentos produzidos sobre determinado tema, favorecendo uma compreensão ampla dos aspectos fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos da enfermidade.
O levantamento bibliográfico foi realizado por meio da consulta a artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais da área de medicina veterinária, gastroenterologia e nutrição clínica de pequenos animais. Foram priorizados estudos publicados entre 2021 e 2025, complementados por obra de referência publicada em 2026, por apresentarem informações atualizadas sobre enteropatias perdedoras de proteínas e estratégias nutricionais aplicadas à linfangiectasia intestinal.
Foram incluídos artigos de revisão, estudos prospectivos, relatos de caso e publicações voltadas ao manejo clínico e nutricional de cães acometidos pela doença. As informações selecionadas abordaram aspectos relacionados à fisiopatologia, manifestações clínicas, métodos diagnósticos, dietoterapia e resposta aos diferentes protocolos terapêuticos.
Publicações sem relação direta com o tema ou que apresentavam informações insuficientes para atender aos objetivos do estudo foram desconsideradas.
Após a seleção do material bibliográfico, realizou-se leitura analítica e interpretação crítica das publicações, organizando as informações de acordo com os eixos temáticos previamente definidos. A síntese dos dados buscou identificar os principais consensos descritos na literatura acerca da importância do manejo alimentar como estratégia terapêutica para a linfangiectasia intestinal em cães, permitindo discutir sua aplicabilidade clínica e sua contribuição para o prognóstico dos pacientes.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
4.1 O manejo alimentar na estabilização clínica da linfangiectasia intestinal
A análise das publicações evidencia que a compreensão da fisiopatologia da linfangiectasia intestinal modificou significativamente a forma de conduzir esses pacientes. Ao explicarem os mecanismos envolvidos na absorção dos lipídios, Kathrani (2026) demonstra que a redução do teor de gordura da dieta interfere diretamente na formação dos quilomícrons, diminuindo o fluxo linfático intestinal e, consequentemente, a pressão exercida sobre vasos já comprometidos pela dilatação. Essa adaptação reduz o extravasamento de proteínas para o lúmen intestinal e favorece a recuperação funcional da mucosa.
Esse mecanismo fisiológico ajuda a compreender por que a terapia nutricional produz resultados clínicos tão consistentes. Ao acompanharem cães com enteropatia perdedora de proteínas presumida, Myers et al. (2023) verificaram que diversos animais apresentaram normalização progressiva das concentrações séricas de albumina, melhora do escore corporal e remissão dos sinais gastrointestinais apenas com a utilização de dieta hipolipídica. O trabalho demonstra que a resposta clínica depende, em muitos pacientes, menos da intensificação farmacológica e mais da correção dos fatores nutricionais que perpetuam a doença.
Resultado semelhante foi observado por Wennogle, Stockman e Webb (2021). Os autores avaliaram cães considerados refratários ao tratamento convencional e identificaram melhora clínica após a reformulação da terapia alimentar. Essa constatação sugere que parte dos insucessos terapêuticos pode decorrer da permanência de estímulos dietéticos incompatíveis com a fisiologia intestinal desses pacientes. A adequação nutricional passa, portanto, a representar elemento decisivo para o controle da enfermidade.
Ao discutirem o tratamento das enteropatias crônicas, Kathrani (2021) ressalta que a restrição lipídica isoladamente não é suficiente quando a dieta apresenta baixa digestibilidade ou inadequado equilíbrio nutricional. A seleção de ingredientes altamente digestíveis reduz o esforço digestório, melhora a absorção dos nutrientes disponíveis e diminui a exposição da mucosa intestinal a componentes potencialmente irritativos. Sob essa perspectiva, a formulação da dieta deve considerar simultaneamente a quantidade de gordura, a qualidade das proteínas e o adequado fornecimento energético.
4.2 Evidências clínicas e implicações para a prática veterinária
A resposta clínica descrita nos relatos de caso reforça os resultados observados nos estudos prospectivos. Ao relatarem quatro cães diagnosticados com linfangite lipogranulomatosa associada à linfangiectasia, Crisonà et al. (2025) obtiveram estabilização clínica prolongada utilizando exclusivamente tratamento clínico associado ao manejo nutricional, sem necessidade de intervenções cirúrgicas ou protocolos imunossupressores intensivos. A evolução desses pacientes demonstra que intervenções fundamentadas na fisiopatologia da doença podem produzir benefícios duradouros quando instituídas precocemente.
Situações de maior complexidade exigem associação entre alimentação e terapia medicamentosa. Nesse contexto, Kaçar et al. (2024) descreveram melhora clínica em um cão tratado com dieta específica, octreotida e ácido tranexâmico. Embora o protocolo farmacológico tenha contribuído para controlar a enfermidade, os autores deixam evidente que a estabilidade clínica somente foi mantida com a continuidade do manejo alimentar, evidenciando seu papel permanente durante toda a evolução do paciente.
Os relatos publicados por Gonçalves, Soibelman e Marques (2025), Resende et al. (2023), Neves et al. (2025) e Rodrigues, Porsani e Teixeira (2024) permitem observar um padrão comum entre diferentes casuísticas. Independentemente da raça, idade ou gravidade inicial, a recuperação clínica encontra-se associada à manutenção rigorosa da dieta prescrita e ao acompanhamento periódico das concentrações séricas de proteínas, albumina e colesterol. Esses parâmetros tornam-se importantes indicadores da resposta terapêutica e orientam eventuais ajustes nutricionais ao longo do tratamento.
As complicações sistêmicas decorrentes da enteropatia perdedora de proteínas também justificam acompanhamento contínuo. Allenspach e Iennarella-Servantez (2021) descrevem que a perda persistente de albumina, imunoglobulinas e linfócitos compromete não apenas o estado nutricional, mas também a resposta imunológica e o equilíbrio hidroeletrolítico dos pacientes. Essa condição explica a elevada frequência de ascite, efusões cavitárias e edema periférico observada nos casos mais graves, reforçando a necessidade de abordagem multidisciplinar envolvendo diagnóstico precoce, monitoramento laboratorial e suporte nutricional individualizado.
A comparação entre as publicações analisadas permite identificar elevado grau de convergência quanto ao papel da dietoterapia. Embora existam diferenças nos protocolos farmacológicos empregados, na seleção dos pacientes e no tempo de acompanhamento clínico, todos os estudos reconhecem que o controle da ingestão lipídica representa a intervenção com maior impacto sobre a evolução da doença. Esse consenso fortalece a compreensão de que o manejo alimentar constitui a base terapêutica da linfangiectasia intestinal em cães e deve ser planejado conforme as características clínicas e metabólicas de cada paciente.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise desenvolvida ao longo deste estudo permite concluir que o manejo alimentar representa a principal estratégia terapêutica para o controle da linfangiectasia intestinal em cães, por atuar diretamente sobre os mecanismos fisiopatológicos responsáveis pela perda de proteínas e pelo comprometimento da absorção intestinal. A adequação da composição da dieta reduz a sobrecarga funcional do sistema linfático, favorece a recuperação do estado nutricional e contribui para a estabilização clínica dos pacientes.
Os objetivos propostos foram alcançados ao reunir e discutir as evidências científicas disponíveis sobre a relação entre a dietoterapia e a evolução clínica da enfermidade. As publicações analisadas convergem ao demonstrar que dietas com baixo teor de gordura, elevada digestibilidade e adequado aporte proteico constituem a base do tratamento, enquanto as intervenções farmacológicas assumem papel complementar, sendo indicadas conforme as particularidades clínicas de cada animal.
A condução terapêutica da linfangiectasia intestinal exige abordagem individualizada, considerando a etiologia da doença, a presença de enfermidades concomitantes, o grau de comprometimento nutricional e a resposta clínica observada durante o acompanhamento. Dessa forma, o monitoramento periódico dos parâmetros laboratoriais e da condição corporal torna-se indispensável para orientar ajustes dietéticos e favorecer a manutenção da remissão clínica em longo prazo.
Embora os avanços na nutrição clínica veterinária tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, ainda persistem desafios relacionados à definição de protocolos nutricionais específicos para diferentes perfis de pacientes. A diversidade de apresentações clínicas e a limitada disponibilidade de estudos prospectivos com amostras amplas indicam a necessidade de novas investigações que permitam estabelecer recomendações mais consistentes sobre a composição ideal das dietas, o tempo de manutenção do tratamento nutricional e os fatores prognósticos associados à resposta clínica.
Conclui-se, portanto, que o sucesso terapêutico da linfangiectasia intestinal depende da integração entre diagnóstico precoce, planejamento nutricional criterioso e acompanhamento clínico contínuo. Nesse contexto, a alimentação deixa de representar apenas um suporte ao tratamento e passa a constituir um componente essencial para a preservação da função intestinal, para a redução das recidivas e para a melhoria da qualidade de vida dos cães acometidos por essa enfermidade.
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Discente do Curso Superior de Pós Graduação em Gastroenterologia de Cães e Gatos do Instituto Anclivepa Campus São Paulo e-mail: lelescristiane@yahoo.com.br.
2 Docente do Curso Superior de Medicina Veterinária do Instituto Centro Universitário FAM Campus Mooca/Paulista. Mestre em Biotecnologia Animal com ênfase em Neuroimagem (FMVZ/UNESP). e-mail: alexmendes.mvdi@gmail.com. ↑

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