ABSTRACT
This study addresses financial education as an essential component of citizenship education, considering a context marked by increased consumption, easier access to credit, and the growing complexity of the financial system. Based on this problem, the paper proposes the development and implementation of a pedagogical approach aimed at teaching Financial Mathematics, focusing on promoting financial literacy among middle school students (final years of Elementary Education). Initially, a diagnostic assessment of the students' prior knowledge was conducted, highlighting gaps in their understanding of fundamental financial concepts. Subsequently, instructional sequences based on active learning methodologies were designed and applied, aiming to connect mathematical content to real-life situations experienced by the students. The topics covered enable the understanding of subjects such as conscious consumption, the distinction between needs and wants, as well as the effects of interest and inflation over time. The methodology is characterized as action research, seeking not only to analyze the learning process but also to promote interventions within the school context. The results indicated progress in the development of students' financial autonomy, as they demonstrated greater critical thinking regarding consumption decisions and credit use. Thus, the study contributes to the reflection on the importance of contextualized pedagogical practices in educating more conscious, critical individuals who are better prepared to face everyday economic challenges.
Keywords: Financial Education. Financial Mathematics. Active Methodologies. Conscious Consumption. Financial Literacy.
1 INTRODUÇÃO
A educação financeira tem assumido crescente relevância no contexto contemporâneo, marcado pela intensificação das relações de consumo, pela ampliação do acesso ao crédito e pela complexidade do sistema financeiro. Nesse cenário, decisões relacionadas ao uso do dinheiro passaram a integrar o cotidiano dos indivíduos desde a juventude, exigindo conhecimentos e competências que vão além do domínio de conteúdos escolares tradicionais.
Entretanto, parcela significativa da população brasileira atinge a vida adulta sem formação adequada para lidar com planejamento financeiro, controle de gastos e uso consciente do crédito. A ausência sistemática da educação financeira na formação básica contribui para a possível vulnerabilidade econômica dos indivíduos, favorecendo o endividamento precoce e a dificuldade de planejamento de longo prazo.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância da educação financeira como tema transversal no currículo da educação básica, destacando que os estudantes devem desenvolver habilidades relacionadas à análise crítica do consumo, ao planejamento de gastos e à compreensão de conceitos econômicos fundamentais (BRASIL, 2018). Dessa forma, a escola assume papel estratégico na promoção da alfabetização financeira, possibilitando que os estudantes desenvolvam habilidades cognitivas, atitudes responsáveis e senso crítico em relação às decisões econômicas. Nesse contexto, a Matemática Financeira destaca-se como um campo privilegiado para a articulação entre o conhecimento acadêmico e as situações concretas da vida cotidiana.
No Ensino Fundamental — especialmente nos anos finais — os estudantes iniciam uma fase de maior autonomia em relação ao consumo, ao uso de dinheiro e ao acesso a produtos e serviços financeiros, ainda que de forma indireta por meio de suas famílias. Assim, a abordagem de conceitos relacionados ao planejamento financeiro, ao consumo consciente e ao funcionamento dos juros torna-se particularmente relevante, pois permite a construção precoce de competências que contribuirão para decisões econômicas mais responsáveis ao longo da vida.
Diante desse cenário, coloca-se como problema de pesquisa compreender de que forma o ensino de Matemática Financeira, desenvolvido por meio de metodologias ativas, pode contribuir para a alfabetização financeira e para o desenvolvimento de competências relacionadas ao planejamento e ao consumo consciente entre estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. Assim, busca-se investigar os impactos de uma intervenção pedagógica contextualizada no desenvolvimento de habilidades voltadas à gestão de recursos e à tomada de decisões econômicas.
O objetivo geral deste trabalho é desenvolver e analisar uma proposta pedagógica voltada ao ensino de Matemática Financeira por meio de metodologias ativas, visando promover a alfabetização financeira e a autonomia dos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, pretende-se diagnosticar o conhecimento prévio dos alunos sobre temas financeiros, elaborar sequências didáticas contextualizadas, aplicar atividades práticas baseadas em situações do cotidiano e avaliar os resultados obtidos a partir das produções e percepções dos participantes.
Para alcançar esses objetivos, adotou-se uma abordagem de pesquisa aplicada, de natureza qualitativa e quantitativa, desenvolvida por meio de pesquisa-ação no contexto escolar. O estudo foi realizado em uma instituição escolar participante, cuja identificação foi omitida para preservar a confidencialidade dos envolvidos, envolvendo estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. A investigação contemplou etapas de diagnóstico, planejamento, intervenção pedagógica e análise dos dados coletados, buscando compreender tanto o processo de aprendizagem quanto as transformações decorrentes da experiência educativa.
Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para a reflexão sobre o papel da educação financeira no currículo escolar e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas capazes de aproximar a Matemática da realidade dos estudantes, promovendo não apenas a aprendizagem de conceitos formais, mas também a formação de sujeitos críticos, autônomos e preparados para enfrentar, de maneira responsável e informada, os desafios econômicos da vida contemporânea.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 OBJETIVOS
O presente trabalho tem como objetivo geral analisar as concepções de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental acerca das práticas de consumo e do uso consciente do dinheiro, com ênfase na compreensão de juros, formas de pagamento e tomada de decisão, visando à elaboração de propostas pedagógicas contextualizadas para o ensino de Matemática Financeira, em consonância com as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Os objetivos específicos para a elaboração do projeto são organizados com base nas etapas do Design Thinking:
Fase da empatia:
- Delimitar a comunidade escolar participante da investigação, constituída por estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental II, considerando suas especificidades socioculturais e sua inserção em práticas de consumo contemporâneas.
- Levantar e sistematizar os conhecimentos prévios dos estudantes acerca da educação financeira, em articulação com habilidades da BNCC relacionadas à resolução de problemas e à análise de situações do cotidiano.
Fase da definição:
- Analisar criticamente os dados coletados junto aos estudantes, identificando lacunas na compreensão de conceitos fundamentais da Matemática Financeira, como juros e formas de pagamento.
- Problematizar as dificuldades evidenciadas, definindo o foco da intervenção pedagógica em consonância com habilidades da BNCC relacionadas à interpretação e resolução de situações-problema envolvendo porcentagens e relações financeiras.
Etapa de ideação:
- Elaborar propostas pedagógicas que articulem os conteúdos matemáticos à realidade dos estudantes, promovendo a contextualização do conhecimento e o desenvolvimento do pensamento crítico.
- Estruturar estratégias didáticas que favoreçam a análise de situações de consumo, incentivando a tomada de decisões conscientes e responsáveis.
Etapa de prototipagem:
- Desenvolver uma proposta de intervenção didático-pedagógica fundamentada em situações-problema, alinhada às habilidades da BNCC relacionadas ao cálculo de porcentagens, análise de variações e interpretação de informações financeiras.
- Submeter o protótipo à apreciação de docentes ou pares, incorporando sugestões que contribuam para o aprimoramento da proposta.
Etapa de testagem:
- Implementar a intervenção pedagógica junto ao público-alvo, respeitando os princípios éticos e institucionais.
- Acompanhar o processo de aprendizagem dos estudantes, observando o desenvolvimento de competências relacionadas à argumentação e à resolução de problemas.
- Sistematizar e analisar os resultados obtidos, avaliando as contribuições da proposta para a aprendizagem dos conceitos de Matemática Financeira e para a formação de estudantes mais críticos em relação ao consumo.
2.2 JUSTIFICATIVA E DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA
A presente pesquisa originou-se de observações e diálogos iniciais realizados com a comunidade escolar alvo do estudo, onde identificaram-se dificuldades relacionadas à aprendizagem matemática, especialmente no que tange à aplicação dos conteúdos em situações práticas. Durante esse processo, observou-se que muitos discentes apresentam limitações na compreensão de conceitos matemáticos descontextualizados, evidenciando a necessidade de estratégias pedagógicas que aproximem o conhecimento escolar da realidade cotidiana.
Embora o projeto tenha sido concebido originalmente para o Ensino Médio, limitações de ordem temporal e organizacional levaram o grupo a realizar a aplicação do plano de aula na Escola Estadual de Período Integral alvo do estudo, redirecionando o público-alvo para turmas dos anos finais do Ensino Fundamental II. Essa adaptação preserva a integridade dos objetivos propostos, visto que a educação financeira deve ser trabalhada de forma progressiva na educação básica, sendo estratégica neste nível de ensino, no qual os adolescentes iniciam um contato mais direto com o consumo e a tomada de decisões financeiras.
Nesse cenário, destaca-se a relevância da educação financeira como estratégia didática capaz de promover a articulação entre conceitos abstratos e situações reais, como planejamento de gastos e uso do crédito. A ausência ou a abordagem superficial desses conteúdos na formação básica pode comprometer o desenvolvimento de competências essenciais para a autonomia ao longo da vida. Diante desse contexto, o Projeto Integrador delimita como questão norteadora:
“Como a educação financeira pode ser utilizada como ferramenta de aprendizagem na compreensão de conceitos matemáticos e no desenvolvimento do pensamento crítico em alunos do Ensino Fundamental II?”.
A escolha desta temática justifica-se por sua função social e educacional, uma vez que a alfabetização financeira contribui para a formação de indivíduos autônomos e conscientes. Ao relacionar a Matemática Financeira com contextos práticos, busca-se tornar o ensino mais significativo, favorecendo o engajamento estudantil e a construção sólida do conhecimento. Por fim, a proposta consiste na elaboração e aplicação de uma intervenção baseada em situações do cotidiano, utilizando recursos didáticos que estimulem o pensamento crítico e a capacidade de análise dos estudantes frente aos desafios econômicos contemporâneos.
2.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A educação financeira tem ganhado destaque nas discussões sobre formação cidadã e desenvolvimento de competências necessárias para a vida em sociedade. Em um contexto marcado pelo crescimento do consumo, pela facilidade de acesso ao crédito e pela complexidade do sistema financeiro, torna-se fundamental que os indivíduos possuam conhecimentos básicos que lhes permitam tomar decisões conscientes sobre o uso do dinheiro. Nesse cenário, a educação financeira tem sido reconhecida internacionalmente como um elemento importante para o desenvolvimento de habilidades relacionadas à gestão de recursos e à tomada de decisões econômicas.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2018), a educação financeira pode ser definida como o processo pelo qual indivíduos desenvolvem conhecimentos e habilidades que lhes permitem compreender produtos financeiros, avaliar riscos e oportunidades e tomar decisões mais informadas sobre suas finanças pessoais. Dessa forma, a alfabetização financeira não se restringe apenas ao conhecimento de fórmulas matemáticas, mas envolve também atitudes e comportamentos relacionados ao planejamento e à gestão de recursos financeiros.
No contexto educacional brasileiro, diferentes políticas públicas têm buscado incorporar a educação financeira ao currículo escolar. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância da educação financeira como tema transversal no currículo da educação básica, destacando que os estudantes devem desenvolver habilidades relacionadas à análise crítica do consumo, planejamento de gastos e compreensão de conceitos econômicos básicos (BRASIL, 2018).
Nessa perspectiva, o documento destaca que o ensino da matemática pode contribuir para o desenvolvimento da educação financeira ao abordar conceitos relacionados à economia e às finanças no contexto escolar. A Base Nacional Comum Curricular reforça essa perspectiva ao evidenciar a importância da educação financeira no currículo, conforme expresso a seguir:
[...] o estudo de conceitos básicos de economia e finanças, visando à educação financeira dos alunos. Assim, podem ser discutidos assuntos como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras (rentabilidade e liquidez de um investimento) e impostos. Essa unidade temática favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto com a História, visando ao estudo do dinheiro e sua função na sociedade, da relação entre dinheiro e tempo, dos impostos em sociedades diversas, do consumo em diferentes momentos históricos, incluindo estratégias atuais de marketing. Essas questões, além de promover o desenvolvimento de competências pessoais e sociais dos alunos, podem se constituir em excelentes contextos para as aplicações dos conceitos da Matemática Financeira e também proporcionar contextos para ampliar e aprofundar esses conceitos. (BRASIL, 2018, p. 269)
Nesse contexto, conforme destacado por Izolda Cela (2024), secretária-executiva do Ministério da Educação, em entrevista ao canal Tesouro Nacional, as transformações econômicas e sociais das últimas décadas ampliaram a complexidade das relações de consumo e das decisões financeiras enfrentadas pelos indivíduos no cotidiano. O acesso facilitado ao crédito, a diversidade de produtos financeiros e o aumento das possibilidades de consumo exigem que as pessoas desenvolvam competências que lhes permitam administrar seus recursos de forma consciente e responsável.
A matemática escolar, muitas vezes, é percebida pelos estudantes como uma disciplina abstrata e distante de suas experiências cotidianas. Nesse sentido, Moll (2012, p. 474) destaca que o debate sobre educação integral busca discutir o modelo de escola tradicional, propondo “a ampliação não apenas da jornada escolar, mas também a diversificação dos espaços de formação, trazendo para o cotidiano dos estudantes diferentes oportunidades educativas que aliam os conhecimentos formais aos comunitários”.
Para Skovsmose (2001), o ensino da matemática precisa estabelecer relações com a realidade social dos estudantes, possibilitando que eles compreendam como os conceitos matemáticos podem ser utilizados para interpretar e transformar o mundo ao seu redor. Nesse sentido, a Matemática Financeira apresenta-se como uma área especialmente relevante, pois permite que os alunos compreendam situações reais relacionadas a compras, financiamentos, investimentos e planejamento financeiro.
Um dos conceitos fundamentais da Matemática Financeira é o entendimento do valor do dinheiro no tempo. Segundo Gitman (2010), o valor do dinheiro no tempo refere-se ao princípio de que uma determinada quantia disponível no presente possui maior valor do que a mesma quantia disponível no futuro, devido à possibilidade de investimento e à influência de fatores econômicos como a inflação. Esse conceito é essencial para compreender operações financeiras como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Outro conceito central é o estudo dos juros, que representam a remuneração pelo uso do dinheiro ao longo do tempo. A compreensão da diferença entre juros simples e juros compostos é fundamental para que os indivíduos possam avaliar corretamente operações de crédito e investimentos. Ross, Westerfield e Jordan (2013) destacam que os juros compostos possuem um efeito cumulativo ao longo do tempo, fazendo com que o valor de uma dívida ou investimento cresça de forma exponencial. Essa característica pode representar tanto uma oportunidade de crescimento financeiro quanto um risco significativo de endividamento quando mal compreendida.
A ausência de conhecimentos financeiros durante a formação escolar pode levar os jovens a enfrentar dificuldades na vida adulta. Lusardi e Mitchell (2014) afirmam que indivíduos com baixos níveis de alfabetização financeira tendem a apresentar maiores dificuldades na gestão de recursos, maior propensão ao endividamento e menor capacidade de planejamento de longo prazo. Dessa forma, a educação financeira torna-se um instrumento importante para a promoção da autonomia e da segurança econômica.
Além do aspecto individual, a educação financeira também possui um impacto social relevante. Quando os estudantes desenvolvem conhecimentos sobre planejamento financeiro, orçamento doméstico e consumo consciente, tornam-se capazes de influenciar positivamente suas famílias e comunidades. Para D’Ambrosio (2012), a educação matemática deve contribuir para a formação de cidadãos críticos, capazes de compreender a realidade social e participar ativamente de sua transformação.
Nessa perspectiva, D’Ambrosio (2012) também destaca a importância da etnomatemática como uma abordagem que reconhece a matemática como um conhecimento construído em diferentes contextos sociais e culturais. Essa perspectiva busca valorizar os saberes produzidos por diferentes grupos sociais, estabelecendo um diálogo entre conhecimentos tradicionais e a matemática escolar. Segundo o autor, “o cuidado com a passagem do concreto ao abstrato é uma das características metodológicas da etnomatemática” (D’Ambrosio, 2019, p. 81). Ao reconhecer as práticas matemáticas presentes no cotidiano e nas diversas culturas, a etnomatemática contribui para tornar o ensino mais contextualizado, inclusivo e significativo para os estudantes.
A valorização de práticas educativas contextualizadas também dialoga com a perspectiva da educação integral. De acordo com Jaqueline Moll (2012), o debate contemporâneo sobre educação busca superar o modelo tradicional de escola, propondo a ampliação das oportunidades educativas e a integração entre conhecimentos formais e experiências sociais dos estudantes. Para a autora, a educação deve promover o desenvolvimento pleno dos sujeitos, contribuindo para a construção da autonomia e do senso de responsabilidade dos indivíduos e das comunidades.
Nesse contexto, a Matemática Financeira apresenta-se como um campo privilegiado para essa aproximação entre conhecimento escolar e realidade social. Situações relacionadas ao consumo, planejamento financeiro e uso do dinheiro fazem parte do cotidiano dos estudantes e podem ser utilizadas como contextos significativos para o desenvolvimento de conceitos matemáticos.
Além disso, outro aspecto importante refere-se à utilização de metodologias que aproximem os conteúdos matemáticos da realidade dos alunos. Segundo Ponte (2003), o ensino da matemática torna-se mais significativo quando os estudantes são envolvidos em situações problema que exigem análise, reflexão e tomada de decisão.
Nesse contexto, diferentes estudos têm destacado a importância das metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida (2018), essas metodologias colocam o estudante no centro do processo educativo, substituindo práticas baseadas exclusivamente na memorização por estratégias que envolvem resolução de problemas, jogos, uso de materiais concretos e participação ativa dos alunos na construção do conhecimento.
As análises sobre as metodologias ativas evidenciam um cenário diversificado de abordagens pedagógicas que ampliam as possibilidades de aplicação no ensino da matemática. Nesse sentido, a aprendizagem fundamentada em problemas do cotidiano apresenta-se como uma estratégia relevante para o desenvolvimento de conceitos matemáticos, pois oferece uma perspectiva prática dos conteúdos e incentiva os estudantes a participarem de forma mais ativa do processo de aprendizagem. A utilização de atividades práticas, simulações e estudos de caso permite que os alunos compreendam a aplicação dos conceitos matemáticos em situações concretas.
Dessa forma, a Matemática Financeira pode ser trabalhada de maneira progressiva ao longo da educação básica, iniciando com conceitos simples relacionados ao consumo e planejamento de gastos nos anos finais do ensino fundamental, e avançando para conteúdos mais complexos no ensino médio, como juros compostos, inflação, investimentos e análise de crédito. Essa abordagem gradual permite que os estudantes desenvolvam uma compreensão mais ampla das relações entre matemática, economia e sociedade.
A educação escolar também desempenha um papel fundamental na formação de indivíduos autônomos e capazes de compreender criticamente a realidade social em que estão inseridos. Nesse sentido, Moll (2012) destaca que a educação integral deve promover o desenvolvimento dos estudantes em diferentes dimensões, contribuindo para a construção da autonomia e do senso de responsabilidade dos indivíduos e dos grupos sociais. Para a autora, a educação constitui um elemento essencial no enfrentamento das desigualdades sociais e na superação de contextos de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, torna-se fundamental desenvolver propostas pedagógicas que promovam o ensino da Matemática Financeira de forma contextualizada. A abordagem de temas como planejamento de gastos, consumo consciente, juros e orçamento familiar pode favorecer aprendizagens significativas e contribuir para a formação de estudantes mais conscientes em relação às suas decisões financeiras, reforçando a importância de práticas educativas voltadas à alfabetização financeira no contexto escolar.
2.4 APLICAÇÃO DAS DISCIPLINAS ESTUDADAS NO PROJETO INTEGRADOR
2.4.1 Metodologia e Materiais Didáticos para o Ensino
A disciplina Metodologia e Materiais Didáticos para o Ensino contribuiu significativamente para o desenvolvimento do Projeto Integrador, especialmente no que se refere à organização das práticas pedagógicas e à escolha de estratégias de ensino adequadas à realidade dos estudantes.
Durante as aulas, foi possível compreender a importância do planejamento didático, que envolve não apenas a definição de conteúdos, mas também a escolha da metodologia, dos recursos e das formas de avaliação. Nesse sentido, destaca-se que o professor deve refletir sobre questões como: qual a melhor metodologia para determinado conteúdo, quais recursos são mais adequados, como avaliar o processo de aprendizagem e como retomar conteúdos que não foram plenamente compreendidos pelos alunos (Bonzanini, 2022).
No que se refere às aulas teóricas e expositivas, compreendeu-se que elas continuam sendo importantes no processo educativo, principalmente para a introdução de conceitos e organização do conhecimento. No entanto, quando utilizadas de forma isolada, podem não ser suficientes para garantir uma aprendizagem significativa. Por isso, a aula expositiva dialogada se apresenta como uma alternativa mais eficaz, pois permite a participação dos alunos, favorecendo questionamentos, reflexões e a construção coletiva do conhecimento (Bonzanini, 2022).
Além disso, a disciplina reforçou a importância da utilização de metodologias ativas, nas quais o aluno assume um papel protagonista no processo de aprendizagem. Estratégias como resolução de problemas, uso de materiais concretos, simulações e atividades práticas contribuem para tornar o ensino mais dinâmico e significativo, especialmente no ensino de Matemática Financeira, tema central deste projeto.
Outro aspecto relevante abordado foi a necessidade de considerar as particularidades dos estudantes, como diferentes ritmos de aprendizagem, dificuldades e contextos sociais. Dessa forma, o planejamento pedagógico deve contemplar a inclusão e a diversidade, promovendo um ambiente de aprendizagem mais equitativo e acessível, conforme destacado por Bonzanini (2022).
Assim, a disciplina contribuiu para a construção de uma prática pedagógica mais reflexiva, planejada e centrada no aluno, orientando a elaboração das atividades desenvolvidas no Projeto Integrador e fortalecendo a relação entre teoria e prática no contexto educacional.
2.4.2 Didática
A aplicação dos conhecimentos adquiridos na disciplina de Didática mostrou-se fundamental para a organização e condução da proposta pedagógica desenvolvida no contexto escolar. Essa área contribuiu para estruturar o processo de ensino e aprendizagem de forma clara, significativa e eficiente, orientando tanto a seleção dos conteúdos quanto a escolha das estratégias metodológicas.
Nesse sentido, a didática possibilitou transformar conteúdos da Matemática Financeira — muitas vezes apresentados de forma abstrata — em conhecimentos acessíveis e relacionados à realidade dos estudantes.
Entre as principais contribuições da disciplina, destacam-se:
Organização do conhecimento: A didática favoreceu a estruturação lógica do conteúdo, iniciando com conceitos mais simples, como juros simples, e avançando para temas mais complexos, como juros compostos e formas de financiamento, o que contribuiu para a progressão da aprendizagem e redução de dificuldades conceituais.
Escolha de metodologias adequadas: Com base nos princípios didáticos, foram adotadas estratégias de ensino mais ativas, como a resolução de problemas do cotidiano (por exemplo, compras parceladas e uso do cartão de crédito) e simulações financeiras. Essas abordagens tornaram a aula mais dinâmica e significativa.
Contextualização do conteúdo: A didática incentivou a relação entre os conceitos matemáticos e situações reais, como planejamento de gastos, consumo consciente e organização financeira pessoal, favorecendo a compreensão da aplicabilidade da Matemática Financeira no cotidiano dos estudantes.
Facilitação da aprendizagem: A utilização de linguagem acessível, exemplos concretos e diferentes recursos didáticos contribuiu para atender alunos com diferentes níveis de conhecimento, promovendo maior inclusão no processo de aprendizagem.
Avaliação significativa: A avaliação foi orientada para além da memorização de conteúdos, contemplando atividades que envolveram a análise de situações reais, como a elaboração de planos financeiros pessoais, permitindo verificar a compreensão dos conceitos de forma aplicada.
Dessa forma, a didática mostrou-se essencial para a mediação do conhecimento, contribuindo para tornar o ensino mais significativo, participativo e conectado à realidade dos alunos.
2.4.3 Ética, cidadania e sociedade
A disciplina de Ética, Cidadania e Sociedade contribuiu de forma significativa para a construção da proposta pedagógica desenvolvida, especialmente no que se refere à formação de estudantes mais conscientes, críticos e responsáveis em suas decisões no contexto social.
No âmbito do projeto, a educação financeira foi abordada não apenas como um conjunto de conhecimentos matemáticos, mas como um instrumento para o exercício da cidadania. A compreensão de conceitos como consumo consciente, planejamento financeiro e uso responsável do crédito está diretamente relacionada à capacidade do indivíduo de tomar decisões éticas e refletidas em sua vida cotidiana.
Nesse sentido, a disciplina possibilitou compreender que o ensino da Matemática Financeira pode contribuir para a formação cidadã, ao promover discussões sobre escolhas de consumo, influência da mídia, necessidade versus desejo e as consequências do endividamento. Tais reflexões favorecem o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade social dos estudantes.
Além disso, a abordagem adotada no projeto incentivou os alunos a refletirem sobre seu papel na sociedade, considerando não apenas interesses individuais, mas também os impactos coletivos de suas decisões financeiras. A educação financeira, nesse contexto, configura-se como uma ferramenta importante para a promoção da inclusão social e para o enfrentamento de situações de vulnerabilidade econômica.
Dessa forma, a disciplina de Ética, Cidadania e Sociedade mostrou-se fundamental para ampliar o alcance da proposta pedagógica, contribuindo para que o ensino da Matemática Financeira ultrapassasse o domínio técnico e assumisse um papel formativo, voltado à construção de sujeitos críticos, autônomos e conscientes de sua atuação na sociedade.
2.5 METODOLOGIA
Este projeto caracteriza-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e quantitativa, desenvolvida por meio de pesquisa-ação no contexto escolar. Segundo Gil (2008), pesquisas aplicadas têm como objetivo gerar conhecimentos voltados para a solução de problemas concretos da realidade.
Inicialmente, o estudo foi planejado para ser realizado em outra instituição escolar, envolvendo estudantes do Ensino Médio. No entanto, em função de limitações de ordem temporal e organizacional, a aplicação do plano de aula foi redirecionada para uma instituição escolar da rede pública estadual, que passou a constituir o campo de realização da pesquisa, envolvendo turmas dos anos finais do Ensino Fundamental II. Essa adequação preservou a coerência com os objetivos do projeto, uma vez que os conteúdos relacionados à educação financeira são pertinentes e relevantes para essa etapa da escolarização.
O estudo tem como objetivo desenvolver práticas pedagógicas voltadas ao ensino de Matemática Financeira e à promoção da alfabetização financeira, por meio da articulação entre conceitos matemáticos e situações do cotidiano dos estudantes.
As etapas metodológicas do projeto incluem:
- Diagnóstico: Entrevista com membros da equipe escolar, incluindo representantes da gestão e o professor de Matemática, além do levantamento do conhecimento prévio dos estudantes sobre temas relacionados ao consumo, planejamento de gastos e uso do dinheiro.
- Planejamento: Elaboração de sequências didáticas voltadas ao ensino de Matemática Financeira, considerando o nível de ensino dos estudantes. Para os anos finais do Ensino Fundamental, serão abordados temas como consumo consciente, orçamento familiar, comparação de preços e cálculo de porcentagens, adequados à realidade dos alunos.
- Intervenção: Aplicação das atividades pedagógicas em sala de aula, utilizando metodologias ativas de aprendizagem, como resolução de problemas, estudos de caso e simulações de situações financeiras do cotidiano. Durante as atividades, os alunos são orientados a vivenciar situações práticas, como o planejamento para a aquisição de um produto, envolvendo cálculos de pagamento à vista e a prazo, análise de juros e compreensão de taxas relacionadas ao uso do crédito. Essa abordagem de caráter experiencial contribui para tornar a aprendizagem mais significativa, favorecendo o engajamento dos estudantes e o desenvolvimento de uma postura mais crítica e consciente em relação ao consumo.
- Coleta de dados: Registro das atividades realizadas, observação do desempenho dos estudantes durante as atividades propostas e aplicação de questionários e produções escritas para verificar a compreensão dos conceitos trabalhados.
- Análise dos dados: Realizada de forma qualitativa, por meio da interpretação das respostas dos estudantes e da observação do comportamento e da participação durante as atividades propostas, buscando identificar evidências de aprendizagem e desenvolvimento do pensamento crítico.
3. RESULTADOS: SOLUÇÃO FINAL
O presente relatório partiu da identificação de uma lacuna significativa no ensino da Matemática Financeira. Embora prevista na Base Nacional Comum Curricular como tema transversal, sua implementação ainda enfrenta barreiras nas grades curriculares regulares, especialmente no Ensino Fundamental.
Observa-se que, na prática, não há a oferta sistematizada de aulas específicas voltadas a esse conteúdo. Essa ausência cria uma lacuna que vai além da dificuldade em realizar cálculos, pois evidencia um ensino frequentemente centrado na matemática abstrata, sem a devida articulação com situações reais. Nessa perspectiva, a educação matemática deve favorecer a construção de conhecimentos significativos e contextualizados, contribuindo para a formação de sujeitos críticos e conscientes de sua realidade social, conforme propõe Ubiratan D'Ambrosio.
Diante desse cenário, o presente projeto propôs a aplicação de uma aula planejada com o objetivo de aproximar a matemática escolar das situações concretas de consumo e investimento. A intervenção justifica-se pela necessidade de proporcionar aos estudantes ferramentas críticas que os auxiliem a compreender e atuar de forma consciente em uma economia marcada pelo estímulo ao consumo e pela complexidade dos sistemas de crédito.
A ausência de contato precoce com conceitos de orçamento, planejamento financeiro e tomada de decisão tende a dificultar a compreensão, por parte dos estudantes, do princípio do custo de oportunidade. No campo da educação financeira, esse conceito refere-se à necessidade de reconhecer que toda escolha de consumo implica renúncias, ou seja, ao optar por gastar determinado valor no presente, o indivíduo abre mão de outras possibilidades futuras.
Nesse sentido, a Matemática Financeira contribui para a formação do pensamento crítico ao evidenciar as relações entre tempo, dinheiro e escolha, constituindo um elemento fundamental para o desenvolvimento do consumo consciente e da autonomia nas decisões financeiras. Tal perspectiva está alinhada à Base Nacional Comum Curricular, que orienta a abordagem de temas relacionados à economia e à educação financeira de forma contextualizada, promovendo a análise crítica das situações do cotidiano e a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis em suas decisões.
Muitos alunos saem do ensino básico acreditando que o dinheiro serve apenas para ser gasto. A ausência dessa abordagem impede que compreendam o valor do tempo no acúmulo de patrimônio. Introduzir esses conceitos ainda na adolescência contribui para a construção de uma mentalidade de longo prazo.
Diante desse cenário, propôs-se como solução inicial o desenvolvimento de uma aula exclusiva para turmas do ano final, como primeiro passo rumo à autonomia financeira. O objetivo central foi demonstrar, na prática, a importância de se tornar um “Poupador Inteligente”, por meio de uma abordagem leve, acessível e contextualizada.
Os pilares da aula incluíram:
- Consumo consciente: reflexão sobre necessidade versus desejo e o conceito de custo de oportunidade.
- Matemática aplicada: compreensão de juros simples, compostos e formas de pagamento.
- Visão de longo prazo: valorização do tempo no acúmulo de patrimônio e incentivo ao planejamento financeiro.
Como estratégia de engajamento, foi criado o “Certificado de Poupador Inteligente” (fictício), representando simbolicamente o compromisso do estudante com decisões financeiras mais conscientes.
A escolha do ano final justifica-se pelo momento de transição para o Ensino Médio e, em muitos casos, para o ingresso no mercado de trabalho como jovem aprendiz. Assim, a proposta ultrapassa o ensino de conteúdos matemáticos, configurando-se como uma ação voltada à formação cidadã, à autonomia e ao consumo consciente.
3.1 Relatório de aplicação
A aplicação do plano de aula foi realizada em dois contextos distintos: uma turma regular do ano final e uma turma de reforço escolar.
A fase de inserção no ambiente escolar revelou uma gestão democrática e receptiva. A direção demonstrou abertura imediata, reconhecendo a relevância social do tema, e o corpo docente validou a proposta, destacando a pertinência do material didático e o potencial pedagógico do “Certificado de Poupador Inteligente” como elemento motivador.
Na turma regular, a aula iniciou com perguntas geradoras relacionadas ao uso de celulares, promovendo identificação imediata com o tema. A problematização foi conduzida a partir de um estudo de caso envolvendo a compra de um celular, permitindo discutir conceitos como necessidade, desejo, inflação e formas de pagamento.
Os alunos analisaram diferentes possibilidades de compra — à vista, carnê e cartão de crédito —, sendo levados a refletir sobre vantagens e riscos de cada opção. O conceito de juros compostos foi apresentado por meio de simulação prática, evidenciando o crescimento acelerado de uma dívida ao longo do tempo.
Na turma de reforço escolar, composta por 16 alunos com dificuldades em conceitos básicos, optou-se pela aprendizagem colaborativa, conforme orientação do professor regente. A organização em grupos favoreceu a troca de conhecimentos e reduziu a ansiedade frente às atividades.
Apesar de desafios como dispersão e dificuldades conceituais, a mediação constante e o acompanhamento individualizado permitiram avanços significativos. Observou-se também que alguns alunos optaram por realizar as atividades individualmente, demonstrando autonomia e bom desempenho.
Em ambas as turmas, a atividade final — elaboração de um plano financeiro pessoal — possibilitou a aplicação prática dos conceitos trabalhados, com participação ativa dos estudantes.
3.2 Resultados
A aplicação da aula evidenciou um alto nível de engajamento e participação dos estudantes ao longo de todas as etapas. Desde o início, as perguntas relacionadas ao uso do celular favoreceram a identificação com o tema, contribuindo para a construção de um ambiente participativo e propício à aprendizagem.
As discussões sobre necessidade e desejo demonstraram que os alunos foram capazes de compreender e aplicar os conceitos em situações do cotidiano. Da mesma forma, a abordagem sobre inflação possibilitou a compreensão do impacto do tempo no valor do dinheiro.
A análise das diferentes formas de pagamento evidenciou o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes, especialmente ao compreenderem que nem sempre a opção aparentemente mais vantajosa se mantém adequada em todas as situações, como no caso do uso do cartão de crédito.
A apresentação do conceito de juros compostos gerou impacto significativo na turma, despertando surpresa e reflexão ao observarem o crescimento acelerado de uma dívida ao longo do tempo. Esse momento contribuiu para a conscientização sobre os riscos do uso inadequado do crédito.
Durante a atividade final, observou-se forte envolvimento dos alunos, com troca de ideias e construção coletiva de estratégias. Destaca-se o caso de um aluno que manifestou o desejo de adquirir uma motocicleta. Inicialmente, ele estimou economizar R$100,00 por mês, mas, com a mediação docente, passou a considerar uma projeção de renda futura, ajustando sua estratégia e concluindo que poderia atingir seu objetivo em aproximadamente 17 meses.
Além disso, foi introduzida a noção de investimento, permitindo ampliar a compreensão dos estudantes sobre a importância de não manter o dinheiro parado diante da inflação.
Ao término da aula, o professor regente manifestou-se positivamente em relação à proposta desenvolvida, destacando sua relevância e aplicabilidade, bem como sua contribuição para o desenvolvimento da consciência financeira dos alunos. Ressaltou ainda que temas dessa natureza são frequentemente trabalhados no ensino médio técnico, evidenciando a importância de sua introdução já no ensino fundamental.
De modo geral, a aplicação da aula mostrou-se eficaz, evidenciando que a contextualização dos conteúdos matemáticos com situações reais favorece o interesse, a participação e a aprendizagem significativa dos estudantes.
Os resultados evidenciam que a contextualização dos conteúdos matemáticos não apenas favorece a compreensão conceitual, mas também contribui para a transformação da postura dos estudantes, promovendo maior criticidade, autonomia e consciência nas decisões financeiras.
4. CONCLUSÃO
A implementação desta proposta pedagógica evidenciou que a inserção da Matemática Financeira no Ensino Fundamental transcende a mera transmissão de conteúdos, consolidando-se como uma estratégia essencial para a promoção de aprendizagens significativas e para a formação de sujeitos críticos. Os resultados observados confirmaram que a abordagem de conceitos matemáticos articulada a situações cotidianas não apenas facilita o domínio técnico, mas fomenta a autonomia e a responsabilidade nas tomadas de decisão dos estudantes.
A contextualização por meio de cenários próximos à realidade dos discentes mostrou-se um catalisador para o engajamento e a participação ativa. Verificou-se que a metodologia adotada permitiu que os alunos transpusessem a execução mecânica de algoritmos, alcançando um nível de reflexão sobre as implicações do consumo, do uso do crédito e da relevância do planejamento financeiro.
Nessa perspectiva, o projeto alinhou-se aos pressupostos de Ubiratan D'Ambrosio ao valorizar a intersecção entre o saber matemático e o contexto sociocultural. Ao atribuir sentido prático ao currículo, a matemática deixa de ser percebida como um sistema abstrato e isolado, passando a ser compreendida como uma ferramenta de interpretação e intervenção na realidade. Complementarmente, a experiência dialogou com a pedagogia crítica de Paulo Freire, ao estimular o questionamento e o discernimento entre necessidade e desejo, ampliando a compreensão do estudante sobre sua inserção no mundo.
A aplicação em cenários distintos — turmas regulares e de reforço escolar — demonstrou que as barreiras de aprendizagem podem ser superadas mediante estratégias adequadas, como a aprendizagem colaborativa e a mediação docente baseada em situações problema. Tais elementos foram cruciais para a construção do conhecimento e para o fortalecimento da autoconfiança dos alunos frente aos desafios lógicos.
Em suma, a consolidação deste projeto ratifica que a educação financeira, quando trabalhada de forma contínua, assume um papel formativo voltado à cidadania e à responsabilidade social. O domínio desses conceitos permite que o estudante enxergue o recurso financeiro não apenas para o consumo imediato, mas como viabilizador de projetos de vida e bem-estar coletivo.
Como recomendação, ressalta-se a necessidade de expandir a educação financeira no currículo escolar, consolidando-a como uma prática pedagógica perene e interdisciplinar, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental. Por fim, conclui-se que o ensino da Matemática Financeira, sob uma ótica humanizada e contextualizada, é um caminho eficaz para o desenvolvimento de competências cognitivas e para a formação de cidadãos aptos a lidar com as complexidades da vida em sociedade.
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