RESUMO
A parceria entre a família e escola pode garantir excelentes resultados, tanto para o desenvolvimento acadêmico dos alunos, quanto para a escola atingir seus objetivos pedagógicos. O Estado determina pela lei que a família tem o dever e responsabilidade de cuidar de suas crianças, participar da vida escolar, auxiliar na formação desse sujeito como um ser crítico. Desse modo, é levantada a seguinte questão: como a família pode estar inserida no processo de ensino e aprendizagem da criança? Tendo como objetivo geral: compreender a importância da parceria entre família e escola para o desenvolvimento acadêmico das crianças e como suporte os objetivos específicos: compreender a definição de família; conhecer os desafios da parceria entre escola e família na rede de ensino. Em relação à metodologia, trata-se de um estudo bibliográfico. Por meio disso, foram estudados alguns materiais publicados que ajudaram na construção da pesquisa e ainda, selecionados alguns autores para apresentá-los ao decorrer do estudo. Conclui-se, então, que a parceria entre a escola e família é de grande valia para a sociedade como um todo e que vem para contribuir com ações extremamente significativas para a vida escolar do estudante. Portanto, a escola deve ter iniciativas para aproximar as famílias, por meio de reuniões, eventos, dentre outros.
Palavras-chave: Parceria. Escola. Família. Educação.
ABSTRACT
The partnership between family and school can yield excellent results both for students' academic development and for the school to achieve its pedagogical objectives. By law, the State establishes that the family has the duty and responsibility to care for its children, participate in their school life, and assist in shaping them into critical individuals. Thus, the following research question arises: How can the family be integrated into the child's teaching and learning process? The overall objective of this study is to understand the importance of the family–school partnership for children's academic development, supported by the specific objectives of understanding the definition of family and identifying the challenges of the home–school partnership within the educational system. Regarding the methodology, this is a bibliographic study. Through this approach, published literature was analyzed to construct the research, and selected authors were presented throughout the study. It is concluded that the partnership between school and family is of significant value to society as a whole, contributing extremely meaningful actions to the student's academic life. Therefore, schools must take initiatives to bring families closer through meetings, events, and other engagement strategies.
Keywords: Partnership. School. Family.
- Introdução
A família é o primeiro contato que a criança tem com as pessoas, logo, esta tem forte influência em seu desenvolvimento psicológico, emocional. É justamente no campo familiar que a criança manifesta suas conquistas, medos e ainda se sente seguro diante do apoio dos pais.
Desse modo, entende-se que a família desempenha um papel que busca propiciar meios para que o indivíduo sobreviva, já que, a criança carece de carinho e atenção, a família deve estar responsável por atender essas necessidades e possibilitar que esta criança seja capaz de viver em sociedade, se impor e tornar-se um sujeito crítico.
À vista disso, a parceria da família escola pode ser muito benéfica para o ensino e aprendizagem das crianças, pois elas apresentam um desempenho acadêmico bastante significativo além de ter seu desenvolvimento integral. Posto isto, é importante que a escola e família tenham objetivos em comum, que ambas busquem o bem-estar das crianças.
Desse modo, é levantada a seguinte questão: como a família pode estar inserida no processo de ensino e aprendizagem da criança? Tendo como objetivo geral: compreender a importância da parceria entre família e escola para o desenvolvimento acadêmico das crianças e como suporte os objetivos específicos: compreender a definição de família; conhecer os desafios da parceria entre escola e família na rede de ensino.
Ainda, o estudo ficou restrito a respeito da pesquisa bibliográfica, apresentando a contribuição de autores extremamente significativos que trataram sobre a importância da parceria entre família e escola. Para a construção do estudo foram selecionadas obras confiáveis que foram consultadas em livros, sites acadêmicos, teses e dissertações, dentre outros materiais que serviram de suporte para a investigação.
- Metodologia
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica em que foram apresentadas as ideias de autores sobre a parceria entre a escola e a família. Desse modo, foi feita a consulta em sites acadêmicos, livros, teses, dissertações, dentre outros. A pesquisa bibliográfica é muito comum entre os acadêmicos e ela pode ser feita em diferentes etapas como mostra a figura 1.
Figura 1- Etapas da pesquisa bibliográfica
Fonte: Sousa (2021)
Desse modo, no bojo da pesquisa bibliográfica está o levantamento de obras para a construção do estudo. Portanto, foram selecionadas e lidas obras que dialogavam com a temática levantada. Paulatinamente, o estudo foi tomando forma à medida em que foram finalizadas as leituras de autores importantes sobre a escola, família e seu relacionamento no contexto contemporâneo.
- A Família
A expressão família é derivada do latim famulus, que tem o seu significado como “escravo doméstico”. O que se sabe, é que essa expressão foi criada há muito tempo, ainda na Roma Antiga, para designar o aparecimento de um novo grupo social que apareceu entre as tribos latinas, ao serem inseridas à agricultura e escravidão de forma legal. Segundo o direito romano clássico a “família natural” cresce de relevância, assim, esta família tem como base o casamento e o vínculo sanguíneo. (Silva, 2020).
Assim, a família natural é o conjunto formado apenas por cônjuges e seus filhos. A família natural tem como base o casamento e os vínculos jurídicos advindos dele, entre os cônjuges, filhos e pais. Se nesse período prevalecia uma estrutura familiar patriarcal em que um número gigantesco de pessoas estava sob a autoridade do mesmo chefe, no período medieval as pessoas começaram a estar estritamente ligadas por conexões matrimoniais, formando novas famílias. Dessas novas famílias também fazia parte a descendência gerada, então, tinha duas famílias, a materna e paterna. Através da Revolução Francesa apareceram os casamentos laicos no Ocidente e ainda, com a Revolução Industrial, acabou tornando-se recorrentes os movimentos de migração para as grandes cidades, erguidas próximas dos complexos industriais. Desse modo, as transformações demográficas deram origem ao estreitamento dos laços de família e pequenas famílias, num contexto com similaridade aos de hoje em dia (Picanço, 2012).
A afinidade que acontece no cenário das sociedades ocidentais, mesmo que de maneira tardia, a família tem sido, em Portugal, peça de altas modificações, a favor de ópticas distintas que originam desde o econômico, político, social, dentre outros.
A família tem sido transformada ao longo dos tempos, seguindo as transformações religiosas, socioculturais, econômicas do cenário em que se encontram inseridas. Por um outro lado, segundo Sacareno (1992):
Defende que a afetividade é um forte elemento na base de trocas parentais e constitui talvez, mais do que a causa, a sua legitimação ideal (…) que se baseia agora na continuidade das gerações de pertença a uma parentela comum. Desde o dia em que nascem, as crianças vivem numa família que dá forma às suas crenças, atitudes e ações. Ao tentar compreender e respeitar a família de cada uma delas, é fundamental encorajá-las a verem-se, a si próprias e aos outros, como sendo pessoas de valor e membros participantes da sociedade (SACARENO, 1992, p. 73).
A família tem um papel essencial no desenvolvimento da criança, pois através dela são realizadas as aprendizagens básicas para o desenvolvimento acadêmico. O que se sabe, é que a ausência, ou ainda, escassez das relações familiares apropriadas, decorrência do pouco convívio, ocasiona ao carecimento dos papéis paterno e materno, tornando frágil os laços amorosos.
Conforme o ECA Estatuto da Criança e do Adolescente, deve-se garantir a dignidade da criança e adolescente em família:
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (ECA, 1990)
Logo, a família é onde os sujeitos desenvolvem a percepção e interação de si mesmo e ainda, dos outros de maneira mais complexa. É por meio do sistema familiar que são manifestados as conquistas, inquietações, medos, objetivos pessoais. Entretanto, é importante que haja a preservação da individualidade dos membros ao passo em que também devem ser preservados os sentimentos de toda a coletividade. Assim, isso é uma representação de suporte mútuo em família.
Conforme Sisto (2001):
[...] embora não exista uma concordância quanto ao papel desempenhado pelos afetos no processo de conhecer, é consenso o fato de que os estados afetivos interferem no cognitivo. Também parece haver uma certa concordância quanto ao fato de que as funções afetivas e cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis, uma vez que não existe conduta afetiva sem elementos cognitivos nem tão pouco elementos cognitivos desvinculados do afeto (SISTO, 2001, p. 100).
Ora vejamos, o papel da família busca ir muito além de fornecer meios que são necessários para a sobrevivência do sujeito. Para o casal que busca tomar a decisão de ter filhos é uma grande responsabilidade. Ao passo em que não é apenas colocar um ser humano no mundo. Este deve ter suas necessidades básicas atendidas e receber carinho, gozando das aprendizagens que lhe possibilitem tornar-se um sujeito capaz de viver em sociedade.
Assim, compreende-se que família é um conjunto de sujeitos que residem no mesmo local e ainda que têm relações de parentesco entre si. Desse modo, também é considerado uma família clássica qualquer pessoa independente que preenche uma parte ou ainda o total de um alojamento/local. O que se sabe, é que o número médio de pessoas da família ao decorrer dos anos paulatinamente vem diminuindo. Vejamos adiante uma breve representação.
Figura 1- Número médio de pessoas por família
Fonte: Picanço (2012)
No ano de 1920, observa-se que o número médio de pessoas era de 4,2; assim o número abaixou em 1930 para 4,1; no ano de 1960 era 3,7 e baixou para 3,4 em 1980; no ano de 1991 era de 3,1 e em 2001 situou-se em 2. A próxima seção ficará circunscrita a respeito da importância da participação dos pais e responsáveis na educação das crianças.
- A importância da família na educação dos alunos
Ainda na infância as principais relações, assim como os cuidados necessários para que o sujeito se desenvolva, são disponibilizados pela própria família. O que se sabe, é que a qualidade com que esse sujeito receberá os cuidados dependerá da estabilidade da vida, isto é, as socioeconômicas e psicossociais.
[...] espera-se da família o papel de educar seus filhos para se comportarem de acordo com modelos predefinidos, desenvolvendo comportamentos socialmente esperados. As ações e expectativas dos pais com relação à criança e os modelos de conduta que oferecem, ao mesmo tempo que possibilitam a percepção daquilo que valorizam também estimulam o indivíduo a se conformar, no sentido de adaptar-se ao convívio social. A participação dos pais em conselhos escolares ou organização de eventos na escola ajudam a criança a obter motivação para agregar experiências e aproximar-se deste contexto. Assim a família assume o papel de suporte para a criança e identifica-se que a ausência dos pais pode acarretar problemas na alfabetização e na aprendizagem (SILVA, 2020, p. 04)
Dessa maneira, a família tem o papel de mediar entre a criança e a sociedade, estimulando sua socialização, componente fundamental para a vida de qualquer sujeito. Assim, os pais e responsáveis devem estar presentes na educação das crianças na escola. O tempo em que os pais deixavam a educação dos filhos à mercê da escola já acabou. A educação das crianças é preocupante tanto aos pais quanto aos educadores. Posto isto, é de suma importância que os pais auxiliem os seus filhos para adquirirem um bom desempenho na vida acadêmica, portanto é necessário:
- Ter livros em casa;
- Reservar um lugar tranquilo para os estudos;
- Zelar pelo cumprimento de fazer os trabalhos de casa;
- Orientar, mas jamais dar a resposta certa;
- Preservar o tempo livre das crianças;
- Comparecer a todas as reuniões de pais;
- Conversar sobre a escola;
- Ver com frequência a caderneta de aluno;
- Não fazer pressão em véspera de testes (PICANÇO, 2012, p. 44)
Logo, também é importante que a escola promova iniciativas para estimular o envolvimento das famílias no contexto escolar, assim, usar outras técnicas de aproximação entre a família e a escola. Desse modo, a família deve estar envolvida no contexto escolar e em todos os momentos da vida da criança, com dedicação e amor, promovendo o respeito mútuo. É importante que esteja atenta a todos os indícios e dificuldades da criança e buscar realizar uma intervenção adequada, promovendo o bem-estar de seus filhos, isto é, educar com amor. Como afirma Brambatti (2010):
A família deve, portanto, se esforçar em estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Deve estar atenta a dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais. Estar pronta para intervir da melhor maneira possível, visando sempre o bem de seus filhos, mesmo que isso signifique dizer sucessivos “nãos” às suas exigências. Educar, portanto, não é uma tarefa fácil, exige muito esforço, paciência e tranquilidade. Exige saber ouvir, mas também fazer calar quando é preciso educar. O medo de magoar ou decepcionar deve ser substituído pela certeza de que o amor também se demonstra sendo firme no estabelecimento de limites e responsabilidades. Deve-se fazer ver as crianças e jovens que direitos vêm acompanhados de deveres e para ser respeitado, deve-se também respeitar (BRAMBATTI, 2010, p. 07).
O que se sabe, é que quando os pais estão envolvidos no processo de ensino das crianças, elas apresentam um maior desempenho escolar. Além disso, a criança tem o seu desenvolvimento integral, visto que, há uma força tarefa com objetivos em comum, educar e promover o bem-estar do aprendiz.
Segundo Brambatti (2010) em sua pesquisa cerca de 50% dos entrevistados disseram que a participação na vida escolar é apenas tarefa da mãe e ainda, apenas 25% são os pais e mães que participam da vida escolar de seus filhos. É um cenário preocupante, visto que, para um bom desempenho acadêmico é necessária a participação de todos, e não apenas de um dos pais. Ora vejamos, todos esses processos da falta familiar na educação acabam tornando a aprendizagem da criança ainda mais difícil.
A participação dos pais sem sombra de dúvida irá influenciar no desempenho da criança, ainda, ela passa a ter uma vontade maior de aprender, conversar sobre as atividades, dificuldades, superações. Desse modo, é importante que não só a mãe participe do processo educacional, mas o pai também.
Figura 2- Participação da família na vida escolar
Fonte: Brambatti (2010)
Diante desse cenário, a escola deve estimular a participação de todos, buscar estratégias e técnicas para aproximar a família do ambiente escolar. Buscar inovar, já que, apenas as reuniões não são suficientes e as tarefas acabam apenas sendo da mãe. Nesse sentido, a escola pode buscar uma dinâmica diferente como promover festas e comemorações direcionadas aos pais, visitar as famílias, dentre outros.
3.2 Os Desafios da Parceria entre a Família e a Escola
Pouco se fala em relação entre família e escola, esse assunto é normalmente levantado quando algum aluno tem o comportamento indisciplinado. É importante que a escola e a família tenham os mesmos propósitos, zelar pelo bom resultado na aprendizagem e o ensino e qualidade, fazer com que o estudante se desenvolva em diversos aspectos (Silva, 2017).
A escola deve buscar maneiras de fazer um trabalho diferente, para que consiga transformar os responsáveis pelos alunos em parceiros. Há diversas formas de manter um relacionamento bom entre escola e família como por exemplo, pedir a solicitação da família nas atividades educacionais feitas pela escola, estimular o envolvimento das famílias na criação da Proposta Política Pedagógica, são métodos que ajudam a escola a se aproximar das famílias, por meio de ações como essas as famílias compreendem a importância do trabalho coletivo.
Uma boa reunião escolar com as famílias no início do ano letivo, sob a discussão de uma pauta inerente a toda proposta de trabalho da equipe escolar, é uma tentativa de interação, visto que os pais já ficarão cientes de como está desenhado o ano escolar dos filhos. As informações extras que vão surgindo ao longo do ano são apenas complementos e/ou adequações necessárias. Esse modo de atrair os pais evidencia naturalmente para eles a importância da parceria entre escola e família em prol do desenvolvimento integral do indivíduo (SILVA, 2017, p. 218).
Ainda, a falta de tempo é uma das maiores justificativas pelas famílias do não comparecimento na escola e acompanhamento na vida acadêmica dos filhos. Entretanto, esse cenário não pode servir como uma desculpa para a ausência do contato entre a família e escola. Por este motivo, a escola deve buscar métodos que auxiliem a reduzir esse cenário como, por exemplo, abrir os portões para que as famílias acessem a escola. O mais importante é que haja um engajamento por parte das famílias, assim, essa mudança pode ser a chave para o sucesso de relação altamente duradoura e ainda feliz na aprendizagem do estudante (Sousa, 2008).
[...] é indispensável o envolvimento da família para eficácia no ensino escolar. Isto pode ser obtido por meio de serviços da escola para e com a comunidade, envolvendo-a em uma parceria, o que além de propiciar à sociedade informação a predispõe positivamente para o atendimento das demandas escolares. Mostram-se relevantes propostas de aproximação das famílias, para que as crianças também conheçam os pais de seus colegas, brinquedos e locais onde moram, e por meio disso seja possível conhecer a realidade e integrar as famílias (SILVA, 2020, p. 06).
Assim, a parceria entre a escola e família deve acontecer nos mais diferentes níveis e momentos. Quando as crianças são menores o interesse das famílias pela vida acadêmica dos estudantes acaba sendo maior. Entretanto, conforme o tempo vai passando e o estudante cresce, a família acredita que já tem sua autonomia e sabe se cuidar sozinho. Portanto, é importante ressaltar, que quanto maior a autonomia do estudante mais o laço da família e escola deve se manter firme. É justamente nessa fase que os estudantes constroem sua identidade, uma tarefa que não é simples nem para escola e nem para a família. Desse modo, quanto mais essas duas vertentes estiverem unidas, mais fácil se tornará a educação dos estudantes (Jacinto, 2023). Logo, é essencial que a escola elabore espaços para refletir acerca de valores e crie ações sociais comunitárias direcionadas para o mundo hoje globalizado.
Dessarte, é importante enfatizar, mais uma vez, que é de grande valia que a escola mantenha uma boa relação e aproximação com a família, para que em união alcancem excelentes resultados.
3.3 A Parceria entre a Escola e a Família: Possibilidades de Aprendizagem
A escola assim como a família tem grande responsabilidade no desempenho escolar dos estudantes. Ora vejamos, a família e a escola devem, juntas, elaborar uma força tarefa de trabalho para buscar superação diante das dificuldades, criando uma identidade única e coletiva; para tanto, é essencial que se vejam como parceiras de jornada, já que, ambas têm responsabilidade pelo que produzem e podem fortalecer ou contestar a influência uma da outra (Sousa, 2008).
Contudo, ao pensarmos nos alunos como filhos e cidadãos, veremos que é impossível colocar à parte escola, família e sociedade, pois a tarefa de ensinar não compete apenas ao professor, até mesmo porque o aluno não aprende apenas na escola, entre outras coisas, ele aprende também através da família, dos amigos, das pessoas consideradas significativas, dos meios de comunicação, do cotidiano. Por isso, é preciso que professores, família e comunidade tenham claro que a escola, por sua complexidade, precisa contar com o envolvimento de todos (SOUSA, 2008, p. 07).
Desse modo, não existe um único responsável pelo ensino e aprendizagem, é uma tarefa de todos, por isso é tão importante a parceria entre a família e a escola. Desse modo, segundo Sousa (2008) é necessário que a parceria entre a família e escola saia do modelo tradicional pautado na comunicação centrada no problema, com perspectivas distintas. Ainda, o modelo de parceria deve trabalhar de forma mútua em prol da aprendizagem, em que as perspectivas distintas são essenciais.
Assim, essa colaboração envolve o respeito, combinação de conhecimentos, habilidades e concepções para melhorar o relacionamento e ainda, o desempenho dos estudantes. Sob esse viés, tanto a família quanto a escola compartilham direitos e responsabilidades, são vistas de forma igualitária e podem beneficiar de maneira igual para o processo de ensino e aprendizagem.
Levando em conta que a aprendizagem não acontece apenas no espaço escolar, e que uma parceira entre a escola e família é um processo que engloba a interatividade de resolução de problemas, planejamento que é pautada pela característica da comunicação aberta, é importante caminhar de uma orientação tradicional, centrada no estudante, para uma orientação de parceria.
Figura 4- Modelo relação entre família e escola
Fonte: Sousa (2008)
Assim, a família e escola devem ser gentis e criar projetos de ensino direcionados para a motivação e conscientização. Esse bom relacionamento no processo educacional permitirá uma grande chance de criarem um futuro com mais justiça para eles e sociedade. O papel da família é essencial para a formação do sujeito e ainda não pode ser substituído por qualquer escola que seja (Jacinto, 2023).
Com a participação da família existe a possibilidade de reverter o cenário de indisciplina e baixo desempenho no ambiente escolar. Desse modo, a escola pode preparar os sujeitos para que atenda as novas perspectivas que a sociedade impõe. Dessa forma, educadores, alunos, pais e a comunidade precisam trabalhar em conjunto, visando o desenvolvimento das habilidades e potencialidades de cada um, em prol do todo.” Isso é a concretização do que se pode considerar o progresso. Isso é o que realmente podemos chamar de ESCOLA” (JACINTO, 2023, p. 13).
A criança carece de uma estrutura familiar que esteja presente, pois a tendência é que procurem em sua família e professores referências, através de palavras, gestos, atitudes. Logo, a família e a escola devem ser parceiras e incentivar os estudantes para que superem suas dificuldades. Entretanto, é importante que ambas estejam conectadas na transmissão de saberes para os filhos e estudantes.
O trabalho em parceria entre a família e a escola permite a estruturação do sujeito nos contextos pessoal e social, passando pela sua identidade até a autonomia. Todo esse processo acontece no dia a dia através da promoção de carinho e adaptação nas distintas situações de convivência no contexto familiar e fora dele.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96) em seu artigo 12º define as obrigações da família como uma das responsáveis pelo desenvolvimento acadêmico do estudante, assim como a escola em elaborar processos de junção com a família e ainda, mantê-la atualizada a respeito de sua proposta pedagógica e rendimento do estudante. Entretanto, também enfatiza alguns princípios importantes no contexto educacional do estudante:
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (LDB, 1998, p.13)
Dessa maneira, observa-se que a educação acontece tanto no lar como na escola. Além disso, é uma obrigação do Estado e família. Atualmente, graças à legislação, as constâncias estão sendo atacadas para que a escola e família se unam diante das decisões pedagógicas e administrativas, o que torna fácil a educação dos alunos.
A escola acaba conseguindo um maior envolvimento com a família quando elabora diversas oportunidades de participação dela nas atividades, logo, essa presença não deve ser só quando algo não está indo bem com o filho, para discutir sobre problemas, mas sim para criar parcerias, envolvê-los em todos os projetos da escola, festas, desfiles etc.
A escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais, para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim, a família irá se sentir comprometida com a melhoria da qualidade escolar e com o desenvolvimento de seu filho como ser humano. (PARO, 1997, p.30)
Sob esse viés, a escola é uma organização social relevante na procura de estratégias que tornem favoráveis um trabalho em prol de uma atuação efetiva entre os membros da escola e família, com o objetivo de enfrentar em união as dificuldades da sociedade. Ainda, ao pensar em vida escolar e sociedade, é importante lembrar Paulo Freire, cujas concepções humanistas e democráticas, relata que:
Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. E se a opção é progressista, se não se está a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não se tem outro caminho se não viver a opção que se escolheu. Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que se diz e o que se faz. (FREIRE, 1999, p.18)
As práticas pedagógicas que as escolas podem fazer em prol da parceria com a família, devem fazer parte do Projeto Político Pedagógico, porém é importante que sejam elaboradas conforme os princípios democráticos, considerando os problemas sociais. Ainda, devem ser exploradas todas as chances de contato com os pais para passar dados importantes sobre os propósitos, dificuldades e sobre questões pedagógicas (Souza, 2021).
Portanto, a parceria entre família e escola possibilita o diálogo e o partilhamento de responsabilidades, já que, ambas podem buscar soluções para melhorar o comportamento do aluno e propiciar condições significativas tanto para o desenvolvimento pessoal quanto para o acadêmico, que se desenvolvem de maneira mútua. Através do apoio da família, os estudantes têm mais vontade de aprender e realizar as atividades escolares, têm menos falta, apresentam um desempenho maior e demonstram um bom relacionamento com os colegas e professores (Silva, 2017).
4. Considerações finais
Pertinente ao estudo em questão, compreende-se que a família é primordial para o desenvolvimento da criança, mas que esta não deve deixar a educação apenas de responsabilidade da escola. Para um trabalho significativo e com a colheita de bons “frutos” é necessária a parceria entre a família e escola.
Ora vejamos, ficou claro que a parceria boa beneficia o aluno, escola e família, logo, ambas devem caminhar em união e com um mesmo propósito, já que, as duas têm responsabilidade pela educação do aprendiz. A escola como mediadora do conhecimento, deve reconhecer a importância da parceria juntamente com a família buscando enfrentar as dificuldades encontradas tanto no contexto educativo como na sociedade.
Ainda, é importante enfatizar que as práticas pedagógicas das escolas devem estar alinhadas com Projeto Político Pedagógico da escola, é extremamente importante que sejam elaboradas por meio da democracia, levando em conta os problemas sociais. Como visto, há muito trabalho a se fazer, visto que, alguns pais ainda não se fazem presente na vida escolar de seus filhos, ou ainda, deixando essa tarefa apenas para a mãe, isso acaba prejudicando o desempenho dos alunos. Desse modo, a escola deve pensar em estratégias para aproximar os pais.
A família deve fazer presente na vida escolar de seus filhos e isso é obrigatório sendo definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que determina a obrigatoriedade da família como responsável pelo desenvolvimento acadêmico do estudante. Portanto, a lei 9.394/96 obriga a família e o Estado a serem responsáveis pela vida escolar e cidadã do aluno.
Dessarte, entende-se então, que a parceria família e escola pode ser muito benéfica para o desenvolvimento pessoal e acadêmico do estudante e que por meio da participação dos pais o sujeito desenvolve uma vontade maior pela aprendizagem, pelo gosto em adquirir conhecimento.
Referências
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JUSBRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente | Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91764/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-lei-8069-90#art-3 Acesso em: 29 fev. 2024.
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