A contribuição dos cães policiais para a segurança pública no estado do Paraná
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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A contribuição dos cães policiais para a segurança pública no estado do Paraná

The contribution of police dogs to public security in the state of Paraná

Giuliano Scandiussi

RESUMO

O presente estudo aborda a contribuição dos cães policiais para as atividades de segurança pública no Estado do Paraná, considerando o processo histórico de domesticação desses animais e sua crescente utilização em diferentes funções operacionais. Ao longo do tempo, os cães passaram por modificações genéticas decorrentes da domesticação, o que favoreceu sua adaptação à convivência com os seres humanos e possibilitou seu uso em diversas áreas, incluindo a Segurança Pública. Nesse contexto, esses animais são bastante utilizados em atividades como detecção de entorpecentes, identificação de artefatos explosivos, busca e resgate de pessoas, além de ações preventivas e de enfrentamento à criminalidade. O objetivo geral deste artigo é analisar a contribuição dos cães policiais nas atividades de segurança pública no Estado do Paraná, com ênfase em sua atuação em operações policiais voltadas principalmente para a detecção de drogas, armas e no apoio às ações de combate à criminalidade. A metodologia adotada consistiu em uma pesquisa bibliográfica de abordagem descritiva, baseada na análise de livros, artigos científicos, documentos institucionais e demais publicações relacionadas ao tema. Esse tipo de pesquisa permite compreender e interpretar informações já existentes, possibilitando a descrição das características e da importância do uso de cães nas operações policiais. Conclui-se que os cães policiais representam um importante recurso estratégico para as instituições de segurança pública, contribuindo significativamente para as operações policiais e também nas ações de prevenção e combate ao crime.

Palavras-chave: Cães Policiais. Segurança Pública. Cinotecnia Policial. Detecção de Drogas. Polícia Militar do Paraná.

ABSTRACT

The present study addresses the contribution of police dogs to public security activities in the State of Paraná, considering the historical process of domestication of these animals and their increasing use in different operational functions. Over time, dogs have undergone genetic modifications resulting from domestication, which favored their adaptation to coexistence with humans and enabled their use in several areas, including Public Security. In this context, these animals are widely used in activities such as narcotics detection, identification of explosive devices, search and rescue of people, as well as preventive actions and crime-fighting operations. The general objective of this article is to analyze the contribution of police dogs to public security activities in the State of Paraná, with emphasis on their role in police operations, especially in the detection of drugs, weapons, and in supporting actions aimed at combating crime. The methodology adopted consisted of a bibliographic research with a descriptive approach, based on the analysis of books, scientific articles, institutional documents, and other publications related to the subject. This type of research allows the understanding and interpretation of existing information, making it possible to describe the characteristics and importance of the use of dogs in police operations. It is concluded that police dogs represent an important strategic resource for public security institutions, contributing significantly to police operations as well as to actions aimed at crime prevention and control.

Keywords: Police Dogs. Public Security. Police Cynotechnics. Drug Detection. Military Police of Paraná.

1 INTRODUÇÃO

Os cães passaram por um extenso processo de domesticação ao longo da história, sofrendo transformações genéticas duradouras que resultaram no surgimento das diversas raças existentes atualmente em diferentes regiões do mundo. A domesticação corresponde à adaptação de determinados grupos de animais à convivência em ambientes controlados e à interação direta com os seres humanos. O êxito dessa relação contribuiu para que os cães fossem cada vez mais usados em atividades ligadas à Segurança Pública, desempenhando funções como detecção de entorpecentes, identificação de artefatos explosivos, busca e resgate de pessoas, além de ações com finalidade preventiva e de enfrentamento à criminalidade (Brasil, 1988).

Um dos principais critérios utilizados no processo de escolha desses animais é o comportamento, sendo fundamental compreender seus fundamentos teóricos e respeitar os limites relacionados ao bem-estar da espécie. Para essa finalidade, algumas características específicas, como o temperamento e a habilidade cognitiva do animal, são consideradas durante o processo de seleção. O comportamento pode ser entendido como qualquer resposta apresentada pelo animal, perceptível ou não aos sentidos humanos, sendo influenciado tanto por fatores hereditários quanto por condições ambientais (Lima Dantas, 2022).

Os animais estão constantemente interagindo com o meio em que vivem e são capazes de adquirir novos comportamentos a partir de experiências vivenciadas. Processos mentais como percepção, consciência, aprendizagem, memória e tomada de decisões diante de estímulos ambientais fazem parte dos mecanismos que compõem a cognição. As atividades desempenhadas pelos cães utilizados na Segurança Pública não correspondem a comportamentos naturais da espécie, sendo necessárias etapas de aprendizagem para que esses animais desenvolvam tais habilidades (PMPR, 2025)

O processo de treinamento de um cão exige dedicação, paciência e conhecimento básico dos princípios relacionados ao aprendizado animal. Nesse contexto, o treinamento canino fundamenta-se principalmente em três formas de aprendizagem: a habituação, a sensibilização e os processos de condicionamento clássico e operante. Associadas a esses princípios, determinadas ferramentas podem ser aplicadas com a finalidade de aumentar ou reduzir a frequência de determinados comportamentos apresentados pelo animal. Entre essas estratégias destacam-se o reforço e a punição, que podem ser aplicados de maneira positiva ou negativa, dependendo do objetivo do treinamento (Bortolotto et al., 2026).

Dessa forma, o objetivo geral deste artigo é analisar a contribuição dos cães policiais nas atividades de segurança pública no Estado do Paraná, destacando sua atuação em operações policiais, principalmente na detecção de drogas, armas e na prevenção e combate à criminalidade.

A metodologia utilizada baseou-se em uma pesquisa bibliográfica de abordagem descritiva. De acordo com Lakatos e Marconi (2007), a pesquisa bibliográfica consiste no levantamento, seleção e análise de materiais já publicados sobre determinado tema, permitindo que o pesquisador aprofunde seus conhecimentos e estabeleça relações críticas entre diferentes perspectivas teóricas. Na pesquisa descritiva, se busca identificar, organizar e interpretar informações já existentes, como dados estatísticos, documentos, relatórios institucionais, artigos científicos e outras fontes bibliográficas. Dessa forma, o estudo procura retratar a realidade investigada, explicando suas características, funcionamento e relações, sem necessariamente testar hipóteses ou estabelecer relações de causa e efeito.

A escolha do tema deste estudo foi motivada pela minha formação acadêmica e pelas capacitações profissionais voltadas à área de segurança pública e, principalmente, à atuação com cães policiais. A realização das pós-graduações em Segurança Pública, pela Faculdade Faveni (2022), e em Gestão e Cenários Contemporâneos da Segurança Pública, pela Uniasselvi (2022), possibilitou o aprofundamento teórico sobre estratégias de policiamento, gestão da segurança e enfrentamento à criminalidade. Paralelamente, a participação em cursos de capacitação na área de cinotecnia, como o Curso de Condutor e Operador de Cão de Faro, promovido pelo Ministério da Justiça (2021), e o VI Curso de Capacitação em Cinotecnia Policial Militar (2024), contribuiu para o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e práticos relacionados ao uso de cães em atividades policiais.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 O TRABALHO DOS CÃES NA SEGURANÇA PÚBLICA

Os cães policiais desempenham uma função extremamente importante nas operações de segurança, pois possuem um olfato 40 a 50 vezes mais sensível do que o olfato humano, o que permite que identifiquem uma ampla diversidade de aromas e, mesmo diante de múltiplos odores presentes no ambiente, conseguem reconhecer e diferenciar um cheiro específico com grande precisão (Costa, 2025).

De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, existe um programa denominado “Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas” (VIGIA), que no mês de abril de 2025 completou seis anos desde a sua implementação. O programa VIGIA conta atualmente com o suporte de cerca de 1.500 profissionais em atividade, além de registrar uma estimativa de perdas financeiras para organizações criminosas que chega a aproximadamente 750 milhões de reais (Angelo, 2022).

O programa também apresenta dados referentes ao ano de 2024, que indicam a apreensão de quase 900 toneladas de entorpecentes, além de 113 milhões de maços de cigarros e diversos outros produtos oriundos de contrabando. Esses resultados representam um montante aproximado de 3 bilhões de reais, obtidos por meio das ações realizadas nas fronteiras e nas divisas do território nacional (Ribeiro Junior, 2023).

Atualmente, o programa está presente em 15 estados brasileiros, atuando de forma integrada com a Operação Hórus. Ambas as iniciativas contam com o auxílio de cães farejadores, que colaboram diretamente na localização de drogas e outros materiais ilegais. Esses animais também contribuem bastante para as operações, pois conseguem reduzir em aproximadamente um sexto do tempo necessário para a realização das buscas. Dessa forma, uma operação que normalmente teria duração de cerca de duas horas pode ser concluída em aproximadamente vinte minutos, tornando o processo muito rápido (Pereira da Silva, 2022).

Já que os cães possuem aproximadamente 200 a 250 milhões de receptores olfativos, o que, quando comparado à quantidade presente nos seres humanos que possuem cerca de 5 milhões, demonstra o quanto esses animais apresentam uma capacidade de percepção olfativa muito mais refinada e sensível do que a dos humanos. Essa grande diferença entre cães e pessoas faz com que eles possam auxiliar os humanos em diversas atividades (Silva et al., 2026).

Além de possuírem uma quantidade muito maior de receptores olfativos, o chamado melhor amigo do homem também possui o focinho constantemente úmido, característica que favorece a captação e identificação de odores presentes no ambiente. Dessa maneira, ao longo do tempo, desenvolveram características biológicas mais adaptadas ao ambiente em que viviam, aprimorando principalmente suas habilidades sensoriais (Bortolotto et al., 2026).

O sistema olfativo dos canídeos é dividido em duas funções distintas: por uma das narinas entra o ar utilizado na respiração, enquanto pela outra passa o ar que será analisado para identificação de odores, sendo conduzido por uma ampla área responsável pelo processamento olfativo no cérebro. Esse funcionamento os diferencia dos seres humanos, pois enquanto nós respiramos e percebemos cheiros por um único canal, os cães possuem dois trajetos diferentes, fator que contribui para sua impressionante capacidade olfativa (Ferreira, 2022).

As duas correntes de ar nasais dos canídeos funcionam de maneira independente uma da outra. Uma delas segue em direção aos pulmões, sendo responsável pela respiração, enquanto a outra se dirige à membrana olfativa, local onde o ar é captado, processado e posteriormente enviado ao cérebro para identificação do odor.

2.2 AS RAÇAS DE CÃES POLICIAIS MAIS UTILIZADAS

As raças mais selecionadas para o trabalho policial no Estado do Paraná, são principalmente o Pastor Alemão, Pastor Belga, Pastor Holandês, Labrador Retriever e Rottweiler. Além dessas, existem outras raças caninas que também são bastante utilizadas, porém com maior frequência em outros países. O cão da raça Pastor Alemão é frequentemente reconhecido como o cão policial clássico. Em filmes e produções audiovisuais é possível perceber que essa raça costuma representar os cães farejadores e, na realidade, essa associação também acontece, pois, o pastor alemão possui um porte físico robusto e atlético, além de se destacar pela disciplina e obediência, características essenciais para esse tipo de atividade (Cristina Leite, 2022).

O Pastor Alemão também chama atenção por ser extremamente leal e companheiro. Esse animal tende a proteger seu condutor em situações mais críticas, podendo até arriscar a própria vida. Além disso, apresenta um olhar atento e muita destreza na execução de tarefas. O cão da raça Pastor Belga é conhecido por possuir um corpo bastante resistente, sendo um animal que apresenta grande facilidade para desempenhar tarefas, mesmo quando são complexas. Trata-se de um cão muito ágil, que responde aos comandos com rapidez e demonstra alto nível de inteligência (Rufino, 2022).

Já o cão da raça Pastor Holandês também é reconhecido como uma das principais raças utilizadas em atividades policiais, assim como o pastor alemão. É uma raça que demonstra tranquilidade e concentração na execução das tarefas, além de ser um cão que transmite segurança e confiabilidade. O Pastor Holandês também demonstra sua grande aptidão como cão de guarda, permanecendo sempre vigilante e preparado para qualquer missão, além de estar constantemente disposto a proteger seu treinador (Valle, 2022).

O Labrador Retriever é muito apreciado entre as raças utilizadas pela polícia. Trata-se de um cão que demonstra ser muito dócil, além de possuir uma grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes e situações. O Labrador Retriever também apresenta um comportamento tranquilo e bastante detalhista, sendo conhecido também por atuar como cão-guia. Além de todas essas qualidades, é considerado um animal extremamente inteligente (Oliveira, 2025).

E tratando de inteligência, o Rottweiler se diferencia principalmente por sua alta inteligência. Essa raça se destaca por conseguir responder bem aos comandos, sendo também um excelente cão de guarda, um animal muito vigoroso, valente e, quando necessário, bastante agressivo na defesa. A raça Rottweiler também é bastante reconhecida entre os cães policiais por ser muito obediente e leal ao seu condutor (Gomes, 2023).

Essas cinco raças são animais que se sobressaem nas atividades policiais, pois além de possuírem um olfato extremamente eficiente, apresentam diversas qualidades comportamentais que fazem com que sejam ideais para tarefas que exigem atenção, vigilância e rapidez. Essas são algumas das principais raças escolhidas para esse tipo de trabalho e, na prática, para a seleção de um animal existem diversos fatores que influenciam diretamente, como temperamento e personalidade. Segundo a Polícia Militar do Paraná (PMPR), o trabalho com cães é coordenado pela Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC), que faz parte do Comando de Missões Especiais da corporação. Essa companhia é responsável por organizar e supervisionar o uso de cães policiais em todo o estado (Lima Dantas, 2022).

Atualmente o sistema de cães da PMPR possui cerca de 155 cães policiais distribuídos pelos canis da corporação. Essa estrutura coordena um sistema chamado Sistema de Manutenção com Cães, que reúne mais de 29 canis espalhados pelo Paraná, onde atuam os policiais condutores. O batalhão responsável pelas operações com cães da Polícia Militar do Estado do Paraná possui atualmente um total de 148 cães em atividade.

2.3 ATIVIDADE POLICIAL

Com o passar do tempo, os cães passaram a associar o trabalho policial, fazendo com que essa força de segurança aprimorasse a forma de empregar o cão policial em suas operações. O cão pode ser utilizado tanto como um recurso de uso da força, quanto como um instrumento de menor potencial ofensivo. Na Europa, por volta do século XVIII, as instituições policiais já utilizavam sabujo, que são cães especializados em rastreamento por meio do olfato. A partir da Primeira Guerra Mundial, países como Bélgica e Alemanha começaram a empregar cães com a função de vigilância e proteção (Rodrigues, 2023).

Posteriormente, programas de utilização de cães policiais foram implantados em Londres. Já nos Estados Unidos, durante a década de setenta, passaram a ser desenvolvidas técnicas específicas voltadas às atividades policiais com cães e, atualmente, esses animais são reconhecidos como parte essencial das forças de segurança, tendo seu uso bem desenvolvido (Silva et al., 2024).

No Brasil, os cães empregados na área de Segurança Pública estão vinculados a instituições como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e também às Guardas Municipais. Esses animais desempenham diversas funções, como detecção de entorpecentes, identificação de artefatos explosivos, localização e salvamento de pessoas, entre outras atividades (Brasil, 1988).

Os cães são utilizados em diferentes tipos de atividades, como policiamento ostensivo, operações de busca, resgate e salvamento, apresentações de caráter educativo e recreativo, policiamento em eventos esportivos, controle de distúrbios civis, atuação em situações de guerrilha rural e urbana, participação em competições oficiais de trabalho e estrutura, controle de rebeliões ou fugas de presos, presença em formaturas e desfiles cívico-militares, além da detecção de substâncias ilícitas (Gomes, 2023).

Geralmente, esses animais nascem no próprio canil da corporação e, a partir desse momento, inicia-se o processo de seleção dos filhotes da ninhada, bem como o treinamento inicial para identificar os cães com maior aptidão para as atividades desenvolvidas no canil. Posteriormente, cada animal é designado a um policial responsável por seu cuidado diário, adestramento e treinamento, sendo que, após completar sua formação, o cão passa a atuar efetivamente nas operações de policiamento (PMPR, 2022).

Os cães costumam ser aposentados por volta dos oito anos de idade ou quando apresentam alguma condição física que os impeça de continuar trabalhando, como lesões ou limitações funcionais. Na maioria das situações, após a aposentadoria, esses animais são adotados pelo próprio policial que realizou seu treinamento ou então são encaminhados para adoção por pessoas interessadas (Notomi, 2020).

O treinamento dos cães inicia-se com o adestramento básico de obediência, etapa fundamental para que os animais aprendam a responder corretamente aos comandos que serão indispensáveis no futuro, além de se adaptarem a regras, rotinas e horários estabelecidos. Os treinamentos voltados para ataque, perseguição, faro e resgate seguem uma estrutura semelhante, baseada no princípio de recompensa quando o comportamento desejado é realizado corretamente (Bortolotto et al., 2026).

Os cães farejadores são treinados para identificar determinadas substâncias, enquanto os cães de guarda e proteção realizam repetidamente exercícios de disciplina e obediência, pois quando precisam imobilizar um suspeito, devem apresentar agilidade e controle da agressividade, além de responder de maneira imediata aos comandos do condutor. Antes de serem oficialmente reconhecidos como cães policiais, os animais passam por um período de avaliação, no qual é observado como se comportam em situações semelhantes às que enfrentarão durante o serviço (Lima Dantas, 2022).

Isso ocorre porque o mesmo cão que atua na linha de frente e pode perseguir um infrator da lei também precisa ser capaz de interagir de forma tranquila com a população, como permitir o contato com crianças, compreendendo que deve agir sempre de acordo com as ordens do treinador. Para contribuir com esse equilíbrio comportamental, os cães participam de projetos sociais promovidos pelas instituições policiais, que têm como objetivo aproximar a comunidade das forças de segurança e fortalecer a relação de confiança entre a população e a polícia.

2.4 TRABALHO DO CÃO POLICIAL NAS FRONTEIRAS DO PARANÁ

Criado em meados de 2012, o Batalhão de Polícia de Fronteira possui uma área de atuação que abrange 139 municípios, localizados dentro da faixa de 150 km de fronteira do estado do Paraná. Inicialmente, a cidade de Marechal Cândido Rondon foi escolhida como sede do batalhão. Posteriormente, os municípios de Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste passaram a sediar companhias operacionais. Atualmente, Foz do Iguaçu e Umuarama contam com pelotões responsáveis pela atuação nas respectivas regiões (Campos, 2023).

Além do trabalho desenvolvido pelas companhias do batalhão, que realizam patrulhamento em estradas rurais e rodovias, também foi criado o pelotão COBRA, responsável por atuar em áreas de mata e no lago de Lago de Itaipu, abrangendo toda a extensão da faixa de fronteira. A necessidade de utilizar cães de faro nessa região de fronteira é extremamente relevante, pois os casos de apreensão de drogas, armas e outros materiais ilícitos escondidos em fundos falsos ou em locais de difícil acesso são frequentes. Muitos desses casos somente são solucionados pela habilidade e experiência dos policiais, porém o uso dos cães auxilia bastante quando se trata de operações policiais (Block Filho, 2022).

Diversas apreensões tornam-se possíveis justamente porque o cão é empregado de forma preventiva e, quando realiza a indicação, é possível localizar os produtos ilegais escondidos. Foi nesse contexto que, em 2016, iniciou-se de maneira bem simples o trabalho com cães no batalhão, contando inicialmente com apenas um animal e dois policiais. Após um período de adaptação e treinamento do cão, começaram a surgir resultados expressivos, o que demonstrou a necessidade de desenvolver o uso de policiais e aumentar o número de animais utilizados nas operações. Com essa expansão, as equipes policiais puderam aumentar sua atuação, o que refletiu positivamente no crescimento das apreensões, não apenas de drogas e armas, mas também de outro produto muito comum na região oeste e noroeste do Paraná: o cigarro contrabandeado (Maurer, 2023).

Como mencionado anteriormente, a região oeste, principalmente nas áreas próximas entre Foz do Iguaçu e Guaíra, apresenta um intenso fluxo de tráfico de drogas e contrabando. A grande extensão do Lago de Itaipu facilita a entrada desses produtos ilegais e dificulta as ações de fiscalização por parte das instituições de segurança pública. As organizações criminosas utilizam diversos meios para burlar as fiscalizações, tanto em regiões de mata quanto em estradas e rodovias (Oliveira Maraschin, 2023).

Nos últimos anos, a integração entre as forças de segurança, iniciada durante o ENAFRON e posteriormente mantida por meio do Programa VIGIA e da Operação Hórus, tem apresentado resultados expressivos em apreensões, causando prejuízos consideráveis às organizações criminosas. O combate ao tráfico de drogas é a principal prioridade de muitas instituições de segurança pública, inclusive do batalhão de fronteira. No entanto, observou-se também a existência de outro crime em que o trabalho com cães poderia ser extremamente útil: o contrabando de cigarros (Angelo, 2022).

Esse produto chega, na maioria das vezes, à região por via fluvial, sendo posteriormente transportado em veículos ou caminhões até locais conhecidos como “mocós”, que são áreas escondidas em matas, plantações ou propriedades rurais situadas mais distantes da região do lago, onde normalmente há maior presença policial. Nesses locais, alguns veículos utilizados para o transporte são adaptados com bancos modificados ou compartimentos especiais, permitindo levar o maior número possível de caixas. Esses veículos circulam principalmente em estradas rurais, com a função de transportar a mercadoria do lago até os locais de armazenamento (Schons, 2024).

Após deixar a carga, retornam para buscar novos volumes. Posteriormente, ocorre o transbordo das cargas para veículos mais novos ou em melhores condições, capazes de seguir viagem pelas rodovias sem levantar suspeitas durante fiscalizações. Geralmente são utilizados veículos muito velozes, muitas vezes roubados ou com financiamento irregular, além de carretas e caminhões. Nesse cenário, também é importante mencionar o grande fluxo de caminhões que circulam pela região. Rodovias como a BR‑163, BR‑277 e PR‑272 apresentam intensa circulação de veículos de carga, criando um ambiente ideal para que grandes carregamentos de cigarros sejam transportados em meio ao tráfego sem chamar atenção (Begnini et al., 2025).

Normalmente, essas cargas são deslocadas em horários de grande movimento, principalmente no início da manhã, quando muitos caminhoneiros deixam os postos de combustíveis após o descanso noturno para continuar viagem. Nesse momento, torna-se praticamente impossível fiscalizar todos os veículos que circulam pelas rodovias. Foi justamente nesse contexto que o uso de cães de faro passou a ser considerado uma ferramenta essencial para auxiliar nas fiscalizações de veículos de grande porte. A presença do cão torna as abordagens mais rápidas e eficientes, pois não é necessário descarregar totalmente uma carreta para realizar a inspeção. Em diversos casos, as caixas de cigarros estavam ocultas sob cargas de sementes ou outros produtos, dificultando a identificação visual do material ilícito (PMPR, 2025).

Além da fiscalização nas rodovias, outro local em que os cães podem ser utilizados são os postos de combustíveis, que também apresentam grande circulação de veículos e onde muitos motoristas passam a noite. Nesses locais, os grupos criminosos costumam ocultar caminhões carregados aguardando o momento mais adequado para transportar as mercadorias ilegais de forma discreta (Costa, 2025).

Essas organizações criminosas estão em constante transformação, demonstrando grande capacidade de adaptação e estudando as estratégias das forças de segurança para tentar evitar as fiscalizações. Nesse cenário, o cão de faro torna-se uma ferramenta fundamental, seja para localizar entorpecentes ou cigarros, pois é extremamente difícil ocultar esses odores do olfato altamente desenvolvido desses animais quando são devidamente treinados (Notomi, 2020).

Com o objetivo de aprimorar as fiscalizações realizadas pelo batalhão e considerando a capacidade dos cães de identificar diferentes odores, iniciou-se o processo de apresentação do odor de cigarro a um dos cães do batalhão, chamado Guerreiro, que foi o primeiro animal da unidade e foi adquirido com recursos do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF, 2020).

Inicialmente, a apresentação do odor foi realizada por meio do fumo, matéria-prima utilizada na fabricação de cigarros. O animal assimilou esse odor de forma bastante rápida, pois já possuía experiência em atividades de busca e já estava familiarizado com diversos odores de entorpecentes utilizados durante os treinamentos. No entanto, surgiu um problema: o cão passou a interpretar que qualquer odor relacionado ao fumo deveria ser indicado, passando a apontar bitucas ou cigarros comuns para o condutor. Isso acabou não sendo interessante para a atividade operacional, pois encontrar cigarros isolados é algo muito comum e poderia prejudicar a eficiência das buscas por outros materiais ilícitos.

2.5 ANÁLISE DA ATUAÇÃO DO CÃO POLICIAL NO ESTADO DO PARANÁ

No contexto da segurança pública no Estado do Paraná, a atuação da Polícia Militar do Paraná (PMPR) com o uso de cães policiais têm apresentado resultados relevantes no combate ao crime organizado. No primeiro semestre de 2025, a corporação registrou números expressivos por meio das atividades desenvolvidas pela Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC), unidade vinculada ao Comando de Missões Especiais (CME). Essa companhia possui a atribuição de coordenar, de forma técnica e doutrinária, o Sistema de Manutenção com Cães (SMC), estrutura responsável pela gestão e organização das atividades dos canis policiais distribuídos pelo estado, atualmente compostos por 27 canis setoriais (PMPR, 2025).

Durante os seis primeiros meses de 2025, as equipes que atuam com cães policiais foram empregadas em 1.325 ocorrências operacionais em diferentes regiões do estado. Como resultado dessas ações, foram registradas apreensões expressivas de materiais ilícitos, incluindo aproximadamente 60 toneladas de maconha, 1.209 quilos de cocaína e 316 armas de fogo retiradas de circulação. De acordo com estimativas institucionais, essas apreensões representaram um prejuízo superior a 360 milhões de reais para organizações criminosas atuantes na região (PMPR, 2025).

Os dados demonstram a relevância do uso de cães policiais como instrumento estratégico nas atividades de policiamento e enfrentamento à criminalidade. A atuação conjunta entre o condutor policial e o animal, baseada em treinamento especializado, disciplina e constante aperfeiçoamento técnico. Esse modelo de atuação tem se mostrado muito bom na localização de entorpecentes, armas e outros materiais ilícitos, aumentando ainda mais a capacidade operacional das forças de segurança (Brasil, 1988).

A compilação periódica desses dados permite avaliar os resultados das operações e fortalecer o planejamento estratégico das ações policiais desenvolvidas pela PMPR. Assim, o desempenho da companhia e dos canis setoriais evidencia a importância da integração entre capacitação técnica, inteligência operacional e preparo constante para a manutenção da ordem pública e a promoção da segurança da população paranaense (PMPR, 2025).

No âmbito da segurança pública paranaense, a atuação da Polícia Militar do Paraná (PMPR) com o uso de cães policiais têm apresentado resultados relevantes no enfrentamento ao crime organizado. A criação da Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC), em outubro de 2024, representou um avanço institucional ao centralizar e fortalecer a gestão das atividades relacionadas à cinotecnia policial no estado. Vinculada à estrutura da PMPR, a companhia foi estabelecida com o objetivo de aprimorar o planejamento, a coordenação e a execução das operações que utilizam cães policiais, promovendo maior eficiência e padronização das ações em todo o território do Estado do Paraná (PMPR, 2024).

Além dos resultados obtidos dos primeiros meses no ano de 2025, que demonstram a efetividade dessa estratégia. Entre os meses de junho e novembro, as operações conduzidas com o apoio dos canis setoriais da corporação, coordenados pelo Sistema de Manutenção de Cães, resultaram na apreensão de mais de 50 toneladas de entorpecentes. Estima-se que essas ações tenham causado prejuízo superior a 240 milhões de reais às organizações criminosas. Além das apreensões de drogas, as operações também contribuíram para a retirada de circulação de 358 armas de fogo e aproximadamente quatro mil munições, bem como para a prisão de mais de mil indivíduos envolvidos em atividades ilícitas (Guedes et al., 2022).

A criação da CIOC como unidade autônoma ampliou a capacidade operacional da PMPR ao proporcionar maior agilidade na tomada de decisões e no planejamento de operações especializadas. Essa autonomia permite à companhia organizar treinamentos, desenvolver estratégias operacionais e coordenar as atividades das equipes K9 distribuídas em diferentes unidades policiais. Dessa forma, a estrutura passou a favorecer a padronização de procedimentos, o aperfeiçoamento técnico dos policiais cinotécnicos e o aprimoramento das diretrizes que orientam o uso dos cães nas atividades de segurança pública (PMPR, 2022).

Outro aspecto relevante diz respeito ao investimento em projetos de expansão e inovação. Entre as iniciativas desenvolvidas pela companhia destaca-se o Projeto K9, que tem como objetivo aumentar o planejamento sobre o número de cães disponíveis para as unidades policiais, ajudando no Sistema de Manutenção de Cães e expandindo a capacidade operacional das equipes. Paralelamente, também foram desenvolvidas ações de caráter social, como o projeto K9 Cura, voltado à utilização de cães em atividades terapêuticas, principalmente no atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista em parceria com instituições assistenciais (PMPR, 2025).

Atualmente, o sistema de cães da PMPR conta com um plantel aproximado de 155 animais distribuídos entre a CIOC e cerca de 29 canis setoriais localizados em diferentes regiões do estado. O planejamento institucional prevê ainda a aquisição gradual de novos cães até 2026, tanto para substituir animais que se aproximam do período de aposentadoria quanto para aumentar a sua utilização nas operações policiais. Além disso, estão em desenvolvimento projetos voltados à construção de uma nova sede para a companhia, com infraestrutura adequada para treinamento, avaliação e aperfeiçoamento técnico das equipes (Amaral, 2026).

Nesse contexto, observa-se que a estruturação da CIOC e o fortalecimento do sistema de cinotecnia da PMPR representam importantes avanços na política de segurança pública do estado. A relação entre planejamento estratégico, capacitação técnica e utilização de recursos especializados, como os cães policiais, contribui bastante para o aumento de boas ações policiais e para o enfrentamento qualificado da criminalidade, reforçando a proteção da sociedade paranaense.

3 CONCLUSÃO

A partir da análise realizada ao longo deste estudo, foi possível compreender a importância do uso de cães policiais nas atividades de segurança pública no Estado do Paraná. Inicialmente, discutiu-se o processo histórico de domesticação dos cães e as transformações que possibilitaram sua adaptação à convivência com os seres humanos, fator que contribuiu para o desenvolvimento de diferentes funções desempenhadas por esses animais em diversas áreas, principalmente na Segurança Pública. Também foram apresentados aspectos relacionados ao comportamento, à cognição e aos métodos de treinamento, elementos fundamentais para a seleção e preparação dos cães utilizados nas atividades policiais.

No decorrer da fundamentação teórica, observou-se que o trabalho dos cães policiais está diretamente relacionado às suas capacidades biológicas e comportamentais, com destaque para o sistema olfativo altamente desenvolvido, que permite a identificação precisa de odores. Essa característica torna esses animais muito importantes em operações que envolvem a detecção de entorpecentes, armas, explosivos e outros materiais ilícitos, além de atuarem em atividades de busca, salvamento e policiamento preventivo.

A análise da atuação dos cães policiais no Estado do Paraná evidenciou resultados expressivos no combate à criminalidade, principalmente por meio das operações coordenadas pela Polícia Militar do Paraná, em especial pela Companhia Independente de Operações com Cães. Os dados apresentados demonstram que o uso desses animais contribui bastante para o aumento da eficiência das operações policiais, permitindo a realização de abordagens mais rápidas, precisas e seguras. As apreensões de grandes quantidades de entorpecentes, armas e outros materiais ilícitos, bem como o prejuízo financeiro causado às organizações criminosas, indicam a relevância desse recurso no enfrentamento ao crime organizado.

Além disso, verificou-se que a criação de estruturas institucionais voltadas especificamente para a gestão das atividades de cinotecnia policial fortalece o planejamento das ações operacionais. O aumento do número de cães, os investimentos em capacitação técnica e o desenvolvimento de projetos institucionais demonstram a preocupação da corporação em aprimorar consecutivamente esse tipo de atividade.

Dessa forma, conclui-se que os cães policiais representam como um importante aliado das forças de segurança pública, contribuindo para as operações policiais e também para as estratégias de prevenção e combate à criminalidade no Estado do Paraná. O prosseguimento dos investimentos em treinamento, estrutura e pesquisa na área de cinotecnia policial tende aumentar ainda mais os resultados obtidos, radicando o uso desses animais como recurso importante para a proteção da sociedade e para a segurança pública no Estado do Paraná.

REFERÊNCIAS

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