Empreendedorismo: causas e dificuldades do empreendedorismo jovem em São Luís
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Abstract

This study aims to analyze the motivations that lead young people to undertake entrepreneurial activities and the main difficulties faced by individual microentrepreneurs in the municipality of São Luís, Maranhão. The research is characterized as qualitative, with a bibliographic nature, based on a literature review on youth entrepreneurship, entrepreneurial motivations and challenges in the creation and maintenance of businesses. For data collection, academic databases such as SciELO, the CAPES Journals Portal and the University Library were consulted, considering publications between 2020 and 2025. The results indicate that youth entrepreneurship is mainly driven by the search for financial independence, personal fulfillment, professional autonomy and the identification of market opportunities. It is concluded that, although entrepreneurship represents an important strategy for economic and social inclusion among young people, its strengthening depends on the expansion of public incentive policies, access to credit, training programs and support networks that contribute to business sustainability and local development.

Keywords: Youth entrepreneurship; Motivation; Challenges; Individual microentrepreneur.

1 Introdução

O empreendedorismo tem se consolidado, nas últimas décadas, como um importante motor de desenvolvimento econômico, geração de renda e inovação em diferentes contextos sociais. Em um cenário marcado por transformações no mercado de trabalho, aumento do desemprego e busca por maior autonomia profissional, muitos jovens têm encontrado no empreendedorismo uma alternativa para construir suas trajetórias profissionais e alcançar estabilidade financeira.

Nesse contexto, iniciativas empreendedoras surgem não apenas como oportunidades de crescimento econômico, mas também como estratégias de inserção produtiva e realização pessoal. No Brasil, especialmente nas grandes cidades, observa-se um crescimento significativo do número de jovens que optam por abrir pequenos negócios, muitas vezes na modalidade de Microempreendedor Individual (MEI), impulsionados por fatores como necessidade de geração de renda, desejo de independência e identificação de oportunidades de mercado.

Diante desse cenário, torna-se relevante compreender as especificidades do empreendedorismo jovem em diferentes realidades locais. Este estudo delimita-se à análise do empreendedorismo entre jovens no município de São Luís, capital do estado do Maranhão, considerando as motivações que levam esses indivíduos a iniciar um empreendimento e as dificuldades enfrentadas ao longo desse processo.

O foco recai sobre microempreendedores individuais que buscam consolidar seus negócios em um contexto marcado por desafios econômicos, limitações estruturais e competitividade no mercado. Assim, o trabalho procura compreender como esses jovens se inserem no universo empreendedor, quais fatores influenciam suas decisões e quais obstáculos impactam a sustentabilidade de seus empreendimentos.

A relevância desta pesquisa está na ampliação da compreensão sobre o empreendedorismo jovem em contextos regionais com desafios socioeconômicos. No âmbito acadêmico, contribui para o debate sobre empreendedorismo e juventude, oferecendo subsídios para novas pesquisas. Socialmente, permite compreender as dificuldades enfrentadas pelos jovens empreendedores, podendo orientar políticas públicas e ações de apoio. Além disso, no campo econômico e profissional, o estudo pode auxiliar na identificação de estratégias que fortaleçam o empreendedorismo e promovam o desenvolvimento local em São Luís.

Diante desse contexto, estabelece-se como problema de pesquisa a seguinte questão: quais são as principais motivações e dificuldades enfrentadas por jovens empreendedores no município de São Luís? Para responder a essa problemática, o presente estudo tem como objetivo geral analisar as motivações dos microempreendedores individuais de São Luís e as suas maiores dificuldades. Como objetivos específicos, busca-se: estudar as principais motivações de quem começa a empreender; descobrir as principais dificuldades do empreendedorismo; e identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos jovens empreendedores durante o processo de criação e manutenção de seus negócios e analisar se os objetivos pessoais de quem começou a empreender foram alcançados

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2 Revisão da Literatura

2.1 Principais motivações de quem começa a empreender

O início da trajetória empreendedora costuma ser explicado, na literatura, por um conjunto de motivações econômicas, sociais, subjetivas e contextuais. Nesse sentido, Palassi et al. (2020) mostram que o empreendedorismo também é atravessado por valores, discursos e formas de engajamento social, enquanto Evangelista et al. (2023) destacam que as razões para empreender não se esgotam na oposição entre oportunidade e necessidade, pois envolvem nuances biográficas e contextuais mais amplas.

Entre as motivações mais recorrentes, a busca por independência financeira aparece como elemento central. Muitos indivíduos veem no negócio próprio a possibilidade de romper com vínculos laborais marcados por instabilidade, baixos salários ou limitada progressão profissional. Bandeira e Silva (2023) observam que necessidade e oportunidade permanecem como categorias importantes para compreender esse movimento, mas ressaltam que ambas podem coexistir na decisão de empreender.

No estudo de Raposo, Oliveira e Fonseca (2021), realizado com jovens empresários ludovicenses, a motivação que mais se destacou foi justamente o desejo de alcançar independência financeira, mostrando que o empreendedorismo é percebido, no contexto local, como caminho de ascensão econômica e construção de uma trajetória profissional própria.

No caso dos estudantes do ensino médio técnico de São Luís, a pesquisa de Bucleles Júnior, Martins e Matos (2020) identificou intenção de empreender no futuro, vinculada à busca por oportunidades de aplicar conhecimentos e habilidades. De forma complementar, Silva e Silva (2024) mostram que a vivência em empresas juniores das instituições de ensino superior de São Luís fortalece características como iniciativa, mentalidade inovadora e tomada de decisão, elementos que ajudam a explicar por que muitos jovens passam a considerar o negócio próprio como projeto profissional viável.

Além da dimensão financeira, a realização pessoal constitui motivação relevante para quem começa a empreender. Em muitos casos, abrir um negócio representa a possibilidade de transformar habilidades, talentos e interesses em atividade profissional reconhecida. Raposo et al. (2021), ao analisarem a motivação empreendedora de jovens, indicam que empreender pode ser percebido como caminho para dar sentido ao trabalho e construir uma trajetória própria. Nessa mesma direção, Martins et al. (2020) evidenciam que jovens empreendedores associam o empreendimento à afirmação identitária, ao desejo de protagonismo e à experiência concreta de “ser empreendedor” no cotidiano.

Outro aspecto importante é que, no contexto ludovicense, as motivações para empreender não se restringem ao lucro imediato, mas envolvem também realização pessoal, reconhecimento social e participação no desenvolvimento local. Raposo, et al., (2021) destacam que o empreendedorismo jovem em São Luís possui relevância socioeconômica para a cidade, enquanto os estudos sobre formação empreendedora sugerem que os jovens associam o ato de empreender à possibilidade de construir identidade profissional, exercer criatividade e contribuir de maneira mais ativa para a sociedade.

Outra motivação frequente é a identificação de uma oportunidade de mercado. Nesse caso, o indivíduo empreende porque percebe demandas não atendidas, nichos promissores ou possibilidades de inovação em seu contexto social e econômico. Evangelista et al. (2023) argumentam que a literatura recente tem reconhecido justamente a insuficiência de explicar o empreendedorismo apenas como resposta à carência material, pois muitos novos negócios nascem da leitura estratégica do ambiente e da tentativa de aproveitar oportunidades emergentes.

No caso dos jovens, o empreendedorismo também costuma ser motivado pelo desejo de autonomia, flexibilidade e construção precoce de carreira. Raposo et al. (2021) mostram que, para muitos jovens, empreender representa não apenas gerar renda, mas também conquistar reconhecimento social e participar do desenvolvimento local. Martins et al. (2020) acrescentam que essa escolha é frequentemente acompanhada de expectativas de liberdade decisória e de experimentação profissional, sobretudo em contextos nos quais o mercado formal não oferece respostas satisfatórias às aspirações desse público.

A formação educacional e as experiências acadêmicas também influenciam fortemente a motivação para empreender. Palassi et al. (2020), ao abordarem o Movimento Empresa Júnior, evidenciam que ambientes universitários podem funcionar como espaços de aprendizagem, experimentação e construção de sentido em torno do empreendedorismo. Facuri et al. (2021) reforçam essa perspectiva ao destacar o papel da vivência acadêmica e do movimento empresa júnior no desenvolvimento do perfil empreendedor.

Nessa mesma linha, Silva, Silva e Baptista (2024) sugerem que a educação empreendedora contribui para naturalizar o empreendedorismo como horizonte desejável de atuação, ainda que em contextos distintos da educação superior. Tal debate permite compreender que a motivação empreendedora não surge apenas de condições econômicas, mas também de processos de socialização que valorizam iniciativa, criatividade, responsabilidade individual e solução autônoma de problemas.

Em muitos casos, entretanto, o empreendedorismo começa por necessidade. Situações de desemprego, informalidade, baixa renda ou precarização do trabalho impulsionam indivíduos a abrir pequenos negócios como alternativa de sobrevivência. Bandeira e Silva (2023) apontam que essa motivação permanece bastante presente no cenário brasileiro, sobretudo em contextos vulneráveis. Já Rocha et al. (2025), ao discutirem o perfil de microempreendedores individuais, reforçam que a formalização via MEI frequentemente se relaciona à necessidade de superar crises econômicas, sustentar a família e garantir alguma estabilidade.

A flexibilidade de horários e a possibilidade de conciliar trabalho e vida pessoal também aparecem como motivadores importantes, especialmente no empreendedorismo feminino. Borges e Cabana (2023) destacam, em revisão sobre empreendedorismo feminino, que independência financeira, realização pessoal e flexibilidade figuram entre as motivações mais recorrentes nas publicações analisadas.

As transformações tecnológicas e o ambiente digital ampliaram ainda mais essas motivações. Nunes e Landim (2024), ao discutirem o empreendedorismo juvenil, enfatizam que o cenário contemporâneo de inovação, conectividade e novas oportunidades digitais estimula jovens a criarem negócios mais rapidamente e com menores barreiras de entrada. Isso fortalece motivações relacionadas à inovação, à visibilidade, ao uso estratégico das redes e à inserção em mercados emergentes.

Primo et al. (2022), dentro desse debate mais recente sobre empreendedorismo e formação de iniciativas próprias, são associados à compreensão de que a decisão de empreender envolve não só cálculo racional, mas também expectativas, crenças de autoeficácia e visão de futuro. Isso significa que muitos começam a empreender porque acreditam em sua capacidade de aprender, adaptar-se e construir algo relevante a partir de recursos limitados.

Por fim, observa-se que as principais motivações de quem começa a empreender são múltiplas e interdependentes. Bandeira e Silva (2023), apontam que autonomia, necessidade de renda, realização pessoal, percepção de oportunidades, influência educacional, flexibilidade, cultura midiática e desejo de impacto social formam um conjunto articulado de razões para a entrada no empreendedorismo.

2.2 Principais dificuldades do empreendedorismo

O empreendedorismo é frequentemente apresentado como caminho de inovação, autonomia e geração de renda, porém sua trajetória é marcada por múltiplas dificuldades que desafiam a permanência e o crescimento dos negócios. Nesse sentido, Dornelas (2021) afirma que empreender exige mais do que uma boa ideia, pois envolve planejamento, análise de mercado e capacidade de gestão. Chiavenato (2008) complementa que o sucesso empreendedor depende da articulação entre visão estratégica, organização de recursos e preparo técnico.

Entre os principais entraves enfrentados pelos empreendedores está a escassez de capital inicial. Muitos negócios nascem com recursos limitados, o que dificulta investimentos em estrutura, tecnologia, marketing e contratação de pessoal. Dornelas (2021) observa que a falta de planejamento financeiro é uma das principais causas de mortalidade empresarial nos primeiros anos. Além disso, Chiavenato (2008) destaca que a ausência de reservas e de controle orçamentário compromete a capacidade de reação diante de imprevistos.

O empreendedorismo em São Luís (MA) desenvolve-se em um contexto marcado por limitações estruturais que dificultam a consolidação dos pequenos negócios. Embora muitos jovens e adultos encontrem no negócio próprio uma alternativa de renda e autonomia, a realidade local revela que o início da atividade empreendedora costuma ocorrer com poucos recursos, baixa capacidade de investimento e necessidade de enfrentar um mercado competitivo.

No caso dos jovens empreendedores ludovicenses, Raposo, Oliveira e Fonseca (2021) mostram que o empreendedorismo está relacionado à busca por independência financeira e inserção socioeconômica, mas essa escolha também ocorre em meio a barreiras que afetam a sustentabilidade do negócio. Assim, o cenário de São Luís evidencia que empreender não depende apenas de iniciativa individual, mas também das condições objetivas oferecidas pelo ambiente econômico local.

Outra dificuldade importante refere-se à gestão cotidiana do empreendimento, especialmente no que diz respeito à organização do tempo, ao acúmulo de funções e à necessidade de lidar simultaneamente com demandas administrativas, financeiras e comerciais. Em estudo realizado com empreendedoras do varejo de São Luís, Serra et al. (2024) identificam que a sobrecarga de papéis, a pressão emocional e a exigência de conciliar diferentes responsabilidades interferem diretamente na trajetória empreendedora. Ainda que o estudo tenha como foco o empreendedorismo feminino, seus resultados ajudam a compreender desafios mais amplos do contexto ludovicense, já que demonstram como a manutenção do negócio exige esforço contínuo, autogestão e capacidade de enfrentar rotinas marcadas por desgaste e múltiplas cobranças.

Além disso, o contexto de São Luís também revela a importância da formação e das redes de apoio para o fortalecimento do empreendedorismo. Estudos sobre educação empreendedora e desenvolvimento do perfil empreendedor na cidade indicam que a experiência acadêmica, como a vivência em empresas juniores, pode ampliar competências importantes para a criação e gestão de negócios, o que sugere que a ausência desse suporte tende a ampliar as dificuldades enfrentadas por quem empreende.

Nesse sentido, Facuri et al. (2021) demonstram que a formação prática contribui para desenvolver características do perfil empreendedor, enquanto Raposo, Oliveira e Fonseca (2021) reforçam que o empreendedorismo jovem em São Luís precisa ser compreendido dentro de uma realidade que combina motivação, desafios de gestão e necessidade de fortalecimento institucional. Desse modo, refletir sobre o empreendedorismo ludovicense implica reconhecer que seu crescimento depende não só da disposição para empreender, mas também de capacitação, apoio técnico e melhores condições para a permanência dos negócios.

Outra dificuldade recorrente refere-se à ausência de planejamento estratégico. Empreendedores iniciantes, em muitos casos, entram no mercado sem estudo prévio sobre concorrência, público-alvo, custos e diferenciais competitivos. Para Dornelas (2021), o plano de negócios é ferramenta indispensável para orientar decisões e reduzir riscos. Na mesma direção, Drucker (2000) defende que empreender exige disciplina, observação do ambiente e definição clara de objetivos. Sem esse direcionamento, o negócio tende a operar de forma improvisada, tornando-se mais vulnerável às oscilações do mercado e aos erros administrativos.

Além disso, a instabilidade econômica e as transformações do mercado constituem desafios permanentes ao empreendedorismo. Schumpeter (1984) já demonstrava que o ambiente econômico é dinâmico e movido pela inovação, o que exige dos empreendedores capacidade de adaptação contínua. Drucker (2000) reforça que mudanças tecnológicas, comportamentais e organizacionais exigem respostas rápidas e criativas.

A dificuldade de inovar também se apresenta como obstáculo importante. Embora o empreendedorismo seja associado à criação de soluções novas, nem todos os empreendedores possuem repertório, apoio técnico ou recursos para desenvolver diferenciais relevantes. Schumpeter (1984) entende a inovação como motor do desenvolvimento econômico, mas reconhece que ela demanda ruptura com práticas tradicionais. Dornelas (2021) acrescenta que inovar não significa apenas inventar produtos inéditos, mas também melhorar processos, serviços e formas de gestão.

No campo da formação empreendedora, as dificuldades também são expressivas. Facuri et al. (2021) apontam que muitos indivíduos iniciam negócios sem preparo suficiente em gestão, liderança e tomada de decisão. Palassi et al. (2020) destacam que o empreendedorismo é frequentemente estimulado como ideal positivo, mas nem sempre acompanhado de suporte formativo consistente. Da mesma forma, Silva e Silva (2024) sugerem que a educação empreendedora precisa ultrapassar discursos motivacionais e oferecer bases técnicas e críticas para atuação no mercado.

Outro ponto relevante é a sobrecarga de funções assumidas pelo empreendedor. Nos pequenos negócios, é comum que a mesma pessoa seja responsável por compras, vendas, atendimento, divulgação, finanças e administração. Chiavenato (2008) afirma que essa concentração de tarefas tende a comprometer a eficiência e a qualidade da gestão. Primo et al. (2022) também observam que a multiplicidade de responsabilidades pode gerar desgaste físico e emocional, especialmente em fases iniciais do empreendimento.

As dificuldades emocionais e psicológicas também merecem atenção na análise do empreendedorismo. A pressão por resultados, o medo do fracasso e a instabilidade de renda afetam diretamente a confiança e a persistência do empreendedor. Evangelista et al. (2023) destacam que o ato de empreender é atravessado por tensões subjetivas, expectativas e inseguranças. Martins et al. (2020) acrescentam que, entre jovens empreendedores, a cobrança por sucesso rápido intensifica sentimentos de ansiedade e frustração.

No caso do empreendedorismo juvenil, surgem ainda dificuldades relacionadas à pouca experiência profissional e ao acesso restrito a redes de apoio. Raposo et al. (2021) mostram que muitos jovens empreendem impulsionados por autonomia e inserção econômica, mas enfrentam barreiras na gestão do negócio e na credibilidade junto ao mercado. Nunes e Landim (2024) reforçam que a juventude empreendedora convive com desafios ligados à instabilidade, à informalidade e à necessidade de adaptação rápida ao ambiente digital.

Em relação ao empreendedorismo feminino, as dificuldades ganham contornos ainda mais complexos. Borges e Cabana (2023) destacam que mulheres empreendedoras enfrentam barreiras relacionadas à desigualdade de gênero, à dupla jornada de trabalho e à menor inserção em redes de financiamento e apoio. Serra et al. (2024) também evidenciam que o empreendedorismo feminino é frequentemente marcado pela necessidade de conciliar demandas profissionais, familiares e sociais.

A informalidade e a precarização do trabalho constituem outra dificuldade importante. Bandeira e Silva (2023) argumentam que muitos empreendimentos surgem por necessidade, especialmente em contextos de desemprego e baixa renda. Nesses casos, o negócio é aberto sem estrutura adequada, planejamento ou proteção social, funcionando mais como estratégia de sobrevivência do que como projeto consolidado. Rocha et al. (2025) apontam que, embora a formalização traga vantagens, muitos microempreendedores ainda esbarram em dificuldades burocráticas, tributárias e operacionais.

Além disso, a influência das narrativas sociais sobre sucesso pode gerar expectativas irreais em torno do empreendedorismo. Casaqui e Doretto (2022) analisam como os discursos midiáticos constroem uma imagem idealizada do empreendedor como sujeito autônomo, criativo e sempre bem-sucedido. Palassi et al. (2020) também problematizam essa valorização do empreendedorismo como solução universal para questões sociais e econômicas.

Outro desafio importante é a limitação das redes de apoio e orientação. Empreender de forma isolada reduz as possibilidades de troca de experiências, acesso a conhecimento especializado e construção de parcerias estratégicas. Facuri et al. (2021) ressaltam que ambientes colaborativos, incubadoras e experiências formativas podem fortalecer a trajetória empreendedora, mas nem todos têm acesso a esses espaços. Martins et al. (2020) indicam ainda que muitos empreendedores iniciantes carecem de mentoria e acompanhamento técnico.

Também merece destaque a dificuldade de manter competitividade em um cenário marcado por tecnologia e inovação. Drucker (2000) ressalta que empreendedores precisam observar mudanças sociais e tecnológicas para transformar desafios em oportunidades. Contudo, muitos pequenos negócios encontram barreiras para incorporar ferramentas digitais, melhorar processos e ampliar presença no mercado.

2.3 Cenário do empreendedorismo jovem na cidade e contribuir para reflexões que fortaleçam esse campo de atuação.

O empreendedorismo jovem tem se consolidado como importante estratégia de inserção econômica e social nas cidades contemporâneas. Compreender esse cenário exige analisar as condições estruturais, sociais e econômicas que influenciam a criação de novos negócios por jovens. Schumpeter (1984) destaca que o empreendedor é agente fundamental do desenvolvimento econômico por meio da inovação, enquanto Drucker (2000) compreende o empreendedorismo como prática voltada à identificação de oportunidades.

Nesse contexto, Chiavenato (2008) e Dornelas (2021) afirmam que o empreendedorismo envolve iniciativa, planejamento e capacidade de transformar ideias em negócios sustentáveis. Entretanto, jovens empreendedores frequentemente iniciam suas atividades com pouca experiência administrativa e recursos limitados. Isso torna o processo de consolidação do negócio mais complexo, exigindo aprendizado constante e adaptação às condições do mercado.

Estudos recentes demonstram que o empreendedorismo jovem está relacionado tanto à busca por autonomia quanto à necessidade de inserção no mercado de trabalho. Raposo et al. (2021) observam que muitos jovens veem no empreendedorismo uma alternativa para construir independência financeira e desenvolver projetos próprios. Martins et al. (2020) destacam que o protagonismo juvenil no empreendedorismo revela a tentativa de transformar ideias em oportunidades econômicas.

Outro aspecto importante refere-se à influência do contexto social e educacional na formação do perfil empreendedor. Facuri et al. (2021) ressaltam que ambientes educacionais que estimulam a criatividade, a liderança e a inovação contribuem para o desenvolvimento do espírito empreendedor entre jovens. Palassi et al. (2020) também destacam que a formação empreendedora envolve processos de aprendizagem social e construção de sentido sobre o trabalho. Dessa maneira, a universidade e outros espaços formativos desempenham papel relevante na consolidação de iniciativas empreendedoras.

Além disso, o empreendedorismo jovem é fortemente influenciado pelas transformações tecnológicas e digitais. Nunes e Landim (2024) apontam que o ambiente digital tem ampliado as possibilidades de criação de negócios por jovens, sobretudo em áreas como comércio eletrônico, marketing digital e serviços online.

Entretanto, apesar das oportunidades, jovens empreendedores enfrentam diversos desafios estruturais. Evangelista et al. (2023) destacam que a falta de acesso a crédito, capacitação e redes de apoio limita o crescimento de muitos empreendimentos iniciados por jovens. Além disso, a ausência de políticas públicas específicas pode dificultar a consolidação dessas iniciativas. Rocha et al. (2025) apontam que o acesso a financiamento e orientação técnica ainda é um dos principais entraves enfrentados pelos novos empreendedores.

Outro fator relevante refere-se às desigualdades sociais que atravessam o empreendedorismo juvenil. Bandeira e Silva (2023) argumentam que muitos jovens recorrem ao empreendedorismo como alternativa diante da precarização do trabalho e do desemprego. Nesse caso, o negócio surge mais como estratégia de sobrevivência do que como oportunidade planejada. Essa realidade revela que o empreendedorismo nem sempre ocorre em condições favoráveis.

O empreendedorismo feminino jovem também apresenta características específicas que merecem atenção. Borges e Cabana (2023) destacam que mulheres jovens empreendedoras frequentemente enfrentam barreiras relacionadas ao acesso a crédito, redes de apoio e reconhecimento profissional. Serra et al. (2024) apontam ainda que as mulheres precisam lidar com desafios adicionais, como a conciliação entre responsabilidades familiares e atividades empresariais.

Outro elemento importante na análise do empreendedorismo jovem refere-se à construção de identidades e discursos sociais. Casaqui e Doretto (2022) analisam como a mídia e os discursos institucionais produzem narrativas que valorizam o empreendedorismo como caminho para o sucesso e a autonomia. Essas representações influenciam a forma como os jovens percebem o trabalho e suas possibilidades de futuro. Entretanto, tais narrativas podem ocultar as dificuldades reais enfrentadas pelos empreendedores.

Além disso, Primo et al. (2022) destacam que o empreendedorismo jovem envolve processos de aprendizagem contínua e desenvolvimento de competências. A experiência prática na gestão de negócios contribui para fortalecer habilidades como liderança, criatividade e tomada de decisão. Entretanto, a ausência de suporte institucional pode dificultar esse processo de aprendizagem. Dessa maneira, o fortalecimento do empreendedorismo juvenil depende também de políticas educacionais e programas de capacitação.

Nesse sentido, Dornelas (2021) afirma que empreender exige planejamento, análise de mercado e visão estratégica para garantir a sustentabilidade do negócio. Chiavenato (2008) complementa que o empreendedor precisa desenvolver competências administrativas para organizar recursos e alcançar objetivos. Para jovens empreendedores, essas habilidades são construídas gradualmente ao longo da experiência prática.

A literatura também destaca a importância das redes de apoio para o desenvolvimento do empreendedorismo jovem. Palassi et al. (2020) ressaltam que ambientes colaborativos e coletivos favorecem a troca de experiências e a construção de projetos empreendedores. Martins et al. (2020) apontam que o apoio de instituições educacionais, organizações sociais e programas governamentais pode fortalecer a trajetória de jovens empreendedores.

Outro ponto relevante é a capacidade de inovação apresentada pelos jovens empreendedores. Schumpeter (1984) já afirmava que a inovação é elemento central do empreendedorismo e responsável por impulsionar o desenvolvimento econômico. Drucker (2000) complementa que a inovação surge da observação das mudanças sociais e tecnológicas. No caso do empreendedorismo juvenil, a criatividade e a familiaridade com tecnologias digitais podem favorecer processos inovadores.

Ao mesmo tempo, é necessário considerar que o empreendedorismo jovem ocorre em contextos urbanos marcados por desigualdades econômicas e sociais. Evangelista et al. (2023) e Rocha et al. (2025) destacam que a falta de políticas públicas e de apoio institucional pode limitar o crescimento desses negócios. Nunes e Landim (2024) ressaltam que programas de incentivo e formação podem ampliar as oportunidades para jovens empreendedores.

O empreendedorismo jovem em São Luís pode ser compreendido como um fenômeno associado tanto à busca por autonomia quanto à necessidade de inserção econômica em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Nessa perspectiva, Silva e Silva (2024) e Raposo et al. (2021) permitem entender que o jovem empreendedor não inicia sua trajetória apenas por desejo de inovar, mas também por enxergar no negócio próprio uma possibilidade concreta de ascensão social, independência financeira e construção de identidade profissional. No caso ludovicense, Raposo et al. (2021) mostram que a motivação para empreender está fortemente relacionada ao desejo de autonomia econômica e à percepção de que o empreendedorismo pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico local, o que reforça a relevância desse grupo para a dinâmica urbana e produtiva da cidade.

Ao mesmo tempo, compreender esse cenário exige reconhecer que empreender na juventude envolve obstáculos estruturais e cotidianos. Serra et al. (2024), ao analisarem empreendedoras do varejo de São Luís, evidenciam dificuldades ligadas à gestão do tempo, à sobrecarga de papéis e às exigências emocionais e organizacionais que atravessam a rotina empreendedora. Embora o estudo tenha foco no empreendedorismo feminino, suas conclusões ajudam a ampliar a leitura sobre o contexto local, pois revelam que a atividade empreendedora na cidade não depende apenas de iniciativa individual, mas também da capacidade de enfrentar pressões práticas, administrar responsabilidades múltiplas e manter o negócio em funcionamento em meio a limitações concretas. Desse modo, o empreendedorismo jovem em São Luís deve ser analisado não só pelas suas potencialidades, mas também pelos entraves que desafiam sua consolidação.

Diante disso, refletir sobre o empreendedorismo jovem em São Luís significa reconhecer a coexistência entre motivação, oportunidade e dificuldade. Os achados de Raposo et al. (2021) mostram que os jovens percebem o empreendedorismo como caminho de realização e independência, enquanto Serra et al. (2024) demonstram que a permanência nesse campo exige resistência, organização e suporte para lidar com as tensões do cotidiano. Assim, ao lado das contribuições de Silva e Silva (2024), esses estudos ajudam a sustentar a ideia de que fortalecer o empreendedorismo jovem depende de ações que ultrapassem o incentivo ao “espírito empreendedor”, envolvendo formação gerencial, redes de apoio, políticas públicas locais e estratégias que tornem o ambiente de negócios mais favorável para a juventude ludovicense.

3 Metodologia

A presente pesquisa caracteriza-se como estudo de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica, realizado por meio de revisão de literatura. No presente estudo, a revisão bibliográfica teve como objetivo identificar e analisar pesquisas que abordam o empreendedorismo jovem, suas motivações e as dificuldades enfrentadas pelos empreendedores, com ênfase no contexto brasileiro e em discussões aplicáveis à realidade de São Luís – MA.

A busca pelos trabalhos científicos foi realizada em bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online), Portal de Periódicos da CAPES e Biblioteca Universitária (BU). A seleção dos materiais ocorreu no período de levantamento bibliográfico da pesquisa, considerando artigos científicos publicados entre os anos de 2020 e 2025, de modo a garantir a atualização das discussões teóricas e empíricas relacionadas ao empreendedorismo jovem.

Para a realização das buscas foram utilizadas palavras-chave relacionadas ao tema da pesquisa, combinadas entre si durante o processo de consulta nas bases de dados. Entre os principais descritores utilizados destacam-se: Empreendedorismo jovem; Motivação; Desafios; Microempreendedor individual. A utilização desses termos permitiu localizar estudos que discutem tanto as motivações que levam jovens a iniciar um negócio quanto os desafios enfrentados na criação e manutenção de empreendimentos.

Durante o processo de seleção dos estudos foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão, a fim de garantir maior rigor metodológico à revisão de literatura. Como critérios de inclusão, foram considerados: artigos científicos disponíveis em língua portuguesa; publicações no período entre 2020 e 2025; trabalhos que abordassem temas relacionados ao empreendedorismo, empreendedorismo jovem, motivações empreendedoras ou dificuldades enfrentadas por empreendedores; e estudos disponíveis integralmente nas bases de dados consultadas.

Por outro lado, foram definidos como critérios de exclusão: trabalhos publicados fora do período delimitado; estudos que não apresentassem relação direta com o tema da pesquisa; textos duplicados encontrados em mais de uma base de dados; e documentos que não fossem artigos científicos, como resumos simples, notícias ou materiais sem revisão acadêmica. Após a aplicação desses critérios, os artigos selecionados foram analisados e utilizados na construção do referencial teórico, contribuindo para a compreensão das motivações que levam jovens a empreender e das principais dificuldades enfrentadas no desenvolvimento de seus negócios.

Assim, a revisão de literatura realizada possibilitou reunir diferentes perspectivas acadêmicas sobre o empreendedorismo jovem, fornecendo base teórica para a análise do fenômeno no contexto da cidade de São Luís e contribuindo para reflexões acerca do fortalecimento desse campo de atuação.


4 Resultados e Discussão

A análise dos estudos selecionados permitiu compreender que o empreendedorismo jovem em São Luís é impulsionado por um conjunto de motivações econômicas, sociais e subjetivas, ao mesmo tempo em que se desenvolve em meio a dificuldades estruturais e gerenciais que desafiam a continuidade dos negócios. De modo geral, os resultados da revisão indicam que os jovens empreendedores ludovicenses não iniciam seus empreendimentos por uma única razão, mas por uma combinação de fatores, entre os quais se destacam a busca por independência financeira, a realização pessoal, a autonomia profissional e a identificação de oportunidades de mercado.

Entre os principais achados, sobressai a independência financeira como uma das motivações mais recorrentes para o ingresso no empreendedorismo. Esse resultado confirma as discussões de Bandeira e Silva (2023), ao afirmarem que necessidade e oportunidade são categorias centrais na compreensão do fenômeno empreendedor. No contexto específico de São Luís, Raposo, Oliveira e Fonseca (2021) reforçam essa interpretação ao demonstrarem que muitos jovens associam o empreendedorismo à possibilidade de obter autonomia econômica, melhorar a renda e construir um caminho profissional próprio.

Além da dimensão financeira, a revisão evidenciou que a realização pessoal também ocupa lugar de destaque entre as motivações dos jovens empreendedores. Nesse caso, empreender não representa apenas ganhar dinheiro, mas também transformar talentos, habilidades e interesses em atividade profissional reconhecida. Martins, Veiga e Cortez (2020) mostram que os jovens empreendedores atribuem significado identitário ao ato de empreender, compreendendo o negócio como espaço de protagonismo, afirmação pessoal e construção de propósito.

Os resultados também apontam a influência da formação educacional e das experiências acadêmicas no fortalecimento da intenção empreendedora. Nesse sentido, Bucleles Junior, Martins e Matos (2020) identificam que a educação empreendedora influencia positivamente a intenção de empreender entre estudantes, enquanto Facuri et al. (2021) e Silva e Silva (2024) demonstram que ambientes como empresas juniores favorecem o desenvolvimento de competências importantes, como liderança, iniciativa, tomada de decisão e visão de mercado.

Por outro lado, os resultados da revisão também mostram que o percurso dos jovens empreendedores em São Luís é marcado por dificuldades expressivas. Entre elas, destaca-se a limitação de recursos financeiros, especialmente no momento inicial do negócio. Dornelas (2012) e Chiavenato (2008) já indicavam que a escassez de capital compromete investimentos em estrutura, divulgação, tecnologia e expansão. Essa dificuldade aparece de forma recorrente na literatura sobre empreendedorismo e revela que muitos jovens iniciam seus empreendimentos com recursos reduzidos, o que torna o negócio mais vulnerável às oscilações do mercado e aos imprevistos da rotina empresarial.

Outra dificuldade fortemente identificada refere-se à ausência de planejamento e preparo técnico para gerir o empreendimento. Os estudos revisados indicam que muitos jovens ingressam no mercado com motivação e disposição, mas sem domínio suficiente sobre gestão financeira, planejamento estratégico, análise de mercado e posicionamento competitivo. Dornelas (2012) e Drucker (2000) defendem que empreender exige organização, análise e definição clara de objetivos, enquanto Facuri et al. (2021) alertam para a importância da formação prática no desenvolvimento do perfil empreendedor. Desse modo, a revisão sugere que a falta de capacitação gerencial constitui um dos principais entraves à sustentabilidade dos negócios jovens em São Luís.

Além das barreiras técnicas e financeiras, os resultados evidenciam dificuldades emocionais e subjetivas associadas ao ato de empreender. Martins et al. (2020) e Evangelista et al. (2023) mostram que o empreendedorismo envolve inseguranças, medo do fracasso, pressão por resultados e frustração diante de expectativas não alcançadas. No caso dos jovens, esses sentimentos podem ser ainda mais intensos em razão da pouca experiência profissional, da necessidade de afirmação social e da cobrança por sucesso rápido.

Observou-se ainda que parte dos jovens empreende por necessidade, especialmente em contextos de desemprego, informalidade e restrição de oportunidades no mercado formal. Essa constatação reforça as discussões de Bandeira e Silva (2023) e Rocha et al. (2025), segundo as quais muitos empreendimentos surgem mais como estratégia de sobrevivência do que como resultado de uma oportunidade planejada. No município de São Luís, esse dado ajuda a compreender que o empreendedorismo jovem possui um duplo caráter: ao mesmo tempo em que pode representar autonomia e inovação, também pode refletir na precarização do trabalho e busca imediata por renda.

Dessa forma, os resultados respondem à pergunta-problema ao demonstrar que o jovem empreendedor ludovicense é motivado tanto por expectativas de crescimento e autorrealização quanto por necessidades concretas de inserção produtiva. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades que ultrapassam o esforço individual, envolvendo barreiras estruturais, econômicas, formativas e emocionais. A partir dessa compreensão, torna-se possível defender, com base em Raposo et al. (2021), Serra et al. (2024), Facuri et al. (2021), Martins et al. (2020) e Silva e Silva (2024), que o fortalecimento do empreendedorismo jovem em São Luís exige políticas de incentivo, qualificação gerencial, ampliação do acesso a crédito, criação de redes de apoio e valorização de experiências formativas que preparem melhor a juventude para empreender de maneira sustentável.

5 Considerações Finais

A partir das discussões apresentadas ao longo deste estudo, foi possível compreender que o empreendedorismo jovem em São Luís representa um fenômeno relevante para a dinâmica econômica e social da cidade. A análise da literatura evidenciou que muitos jovens veem no empreendedorismo uma alternativa para conquistar independência financeira, autonomia profissional e realização pessoal. Nesse sentido, o negócio próprio surge como oportunidade de construção de trajetória profissional, especialmente em um contexto marcado por transformações no mercado de trabalho e pela busca por novas formas de inserção produtiva.

Entretanto, os resultados também revelam que o processo de empreender na juventude é acompanhado por diversos desafios que podem comprometer a consolidação dos negócios. Entre as principais dificuldades identificadas destacam-se a limitação de recursos financeiros, a ausência de planejamento estratégico, a falta de preparo técnico para a gestão empresarial e as pressões emocionais associadas à responsabilidade de conduzir um empreendimento.

Além disso, observou-se que parte dos jovens inicia seus empreendimentos impulsionada pela necessidade de geração de renda diante das dificuldades de inserção no mercado de trabalho formal. Nesse contexto, o empreendedorismo pode assumir um caráter ambivalente: ao mesmo tempo em que representa oportunidade de inovação e desenvolvimento, também pode refletir estratégias de sobrevivência em cenários de instabilidade econômica. Essa realidade reforça a importância de compreender o empreendedorismo juvenil não apenas como resultado de iniciativa individual, mas como fenômeno influenciado por fatores sociais, econômicos e institucionais que moldam as condições de criação e manutenção dos negócios.

Diante disso, conclui-se que o fortalecimento do empreendedorismo jovem em São Luís depende da articulação entre diferentes estratégias de apoio e incentivo. Torna-se fundamental ampliar políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo, facilitar o acesso a crédito, promover programas de capacitação gerencial e estimular ambientes educacionais que desenvolvam competências empreendedoras.

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