Síndrome dos Ovários Policísticos: repercussões clínicas e possibilidades para o cuidado de enfermagem
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição endócrino-metabólica frequente entre mulheres em idade reprodutiva, marcada por manifestações heterogêneas que podem repercutir sobre as dimensões ginecológica, reprodutiva, metabólica, cardiovascular, funcional e emocional. O presente estudo teve como objetivo analisar, na literatura científica, as principais repercussões clínicas da SOP e discutir suas implicações para o cuidado de enfermagem. Trata-se de uma revisão de literatura, de caráter descritivo, realizada a partir de publicações disponíveis nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando estudos publicados entre 2020 e 2026, em língua portuguesa. Após o processo de identificação, aplicação dos critérios de seleção e leitura dos estudos, dez artigos foram incluídos na análise. Os achados evidenciaram associação da SOP com risco cardiovascular, alterações metabólicas, resistência à insulina, dislipidemia, infertilidade, complicações gestacionais, hiperandrogenismo, alterações no desempenho físico e possíveis repercussões relacionadas à microbiota intestinal. Diante dessa multiplicidade de manifestações, o cuidado de enfermagem pode contribuir para a identificação de fatores de risco, educação em saúde, incentivo ao autocuidado, acompanhamento longitudinal, acolhimento e articulação com a equipe multiprofissional. Conclui-se que o cuidado à mulher com SOP deve ultrapassar a abordagem exclusivamente ginecológica, considerando suas necessidades clínicas, reprodutivas, emocionais e sociais e fortalecendo a atuação da enfermagem na promoção da saúde e prevenção de complicações.

Palavras-chave: Síndrome dos Ovários Policísticos; Enfermagem; Saúde da Mulher; Assistência de Enfermagem; Cuidado Integral.

Abstract

Polycystic Ovary Syndrome (PCOS) is a common endocrine-metabolic condition among women of reproductive age, characterized by heterogeneous manifestations that may affect gynecological, reproductive, metabolic, cardiovascular, functional, and emotional dimensions. This study aimed to analyze, in the scientific literature, the main clinical repercussions of PCOS and discuss their implications for nursing care. This is a descriptive literature review based on publications available in the Scientific Electronic Library Online (SciELO) and Virtual Health Library (BVS), considering studies published between 2020 and 2026 in Portuguese. After identification, application of selection criteria, and reading of the studies, ten articles were included in the analysis. The findings showed associations between PCOS and cardiovascular risk, metabolic alterations, insulin resistance, dyslipidemia, infertility, gestational complications, hyperandrogenism, changes in physical performance, and possible repercussions related to intestinal microbiota. Given this multiplicity of manifestations, nursing care can contribute to the identification of risk factors, health education, promotion of self-care, longitudinal follow-up, welcoming care, and coordination with the multidisciplinary team. It is concluded that care for women with PCOS should go beyond an exclusively gynecological approach, considering clinical, reproductive, emotional, and social needs and strengthening nursing practice in health promotion and complication prevention.

Keywords: Polycystic Ovary Syndrome; Nursing; Women's Health; Nursing Care; Comprehensive Care.

1 Introdução

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) constitui uma condição endócrinometabólica frequente entre mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por manifestações clínicas e hormonais que podem comprometer diferentes dimensões da saúde. Sua apresentação é heterogênea e pode envolver alterações menstruais, hiperandrogenismo e mudanças na morfologia ovariana, o que torna o reconhecimento clínico um desafio. Nesse sentido, o diagnóstico adequado depende da avaliação criteriosa dos sinais, sintomas e exames complementares, considerando a individualidade de cada mulher (PEREIRA et al., 2025).

Além das manifestações reprodutivas, a SOP apresenta repercussões que ultrapassam o sistema ginecológico, exigindo uma abordagem integral da saúde feminina. A condição pode estar relacionada a alterações metabólicas, obesidade, resistência à insulina e maior risco para outras complicações ao longo da vida. Dessa forma, a assistência à mulher com SOP deve considerar não apenas o controle dos sintomas, mas também estratégias de promoção da saúde e prevenção de agravos, em consonância com os princípios da atenção integral à saúde da mulher (DA SILVA; DOS SANTOS, 2025).

A associação entre SOP e excesso de peso representa um importante aspecto clínico, uma vez que a obesidade pode intensificar alterações hormonais e metabólicas presentes na síndrome. Esse quadro pode contribuir para maior complexidade na evolução clínica e

ampliar a exposição a fatores de risco cardiovasculares e metabólicos. Assim, a identificação precoce do excesso de peso e a orientação para mudanças no estilo de vida assumem relevância no acompanhamento dessas mulheres, especialmente diante da necessidade de um cuidado contínuo e individualizado (DE JESUS et al., 2025).

As intervenções relacionadas à alimentação também ocupam espaço relevante no manejo da SOP, sobretudo diante da influência dos hábitos alimentares sobre parâmetros metabólicos e hormonais. A adoção de práticas alimentares adequadas pode auxiliar no controle do peso corporal, na melhora da resistência à insulina e na redução de manifestações associadas à síndrome. Nesse contexto, ações de educação em saúde e incentivo ao autocuidado podem fortalecer a participação da mulher no próprio tratamento e favorecer melhores resultados no acompanhamento clínico (DE SOUZA FREITAS; SANTOS; LINS, 2025).

A complexidade da SOP também permite considerar estratégias complementares de cuidado, especialmente aquelas voltadas à promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida. As práticas integrativas e complementares podem ampliar as possibilidades de cuidado no âmbito do Sistema Único de Saúde, desde que utilizadas de maneira responsável e articuladas às necessidades individuais. Sua inserção pode favorecer uma perspectiva ampliada da assistência, valorizando aspectos físicos, emocionais e sociais envolvidos no processo saúde-doença (DE LIMA MAGALHÃES et al., 2025).

Do ponto de vista fisiopatológico, a SOP envolve mecanismos relacionados ao hiperandrogenismo, alterações na função ovariana e distúrbios metabólicos, cuja interação contribui para a diversidade de manifestações clínicas. O tratamento, portanto, deve considerar os principais sinais e sintomas apresentados, os objetivos reprodutivos e as condições associadas. A compreensão desses mecanismos é fundamental para que os profissionais de saúde estabeleçam estratégias de acompanhamento compatíveis com as necessidades de cada mulher (ALVES et al., 2022).

Entre mulheres jovens, determinados fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento ou agravamento da SOP, destacando-se aspectos relacionados ao estilo de vida, alterações metabólicas e características individuais. A identificação desses elementos possui importância para a atuação preventiva, sobretudo nos serviços de atenção à saúde da mulher. Nesse cenário, o acompanhamento sistemático e a educação em saúde podem contribuir para o reconhecimento de alterações precoces e para a adoção de medidas que reduzam possíveis repercussões futuras (FREITAS et al., 2025).

Outro aspecto de grande relevância corresponde às repercussões da SOP sobre a saúde mental. Mulheres diagnosticadas com a síndrome podem apresentar maior ocorrência de ansiedade, alterações de humor e redução da qualidade de vida, especialmente quando as manifestações clínicas interferem na autoestima, na imagem corporal e na vida cotidiana. Portanto, a assistência não deve se restringir aos aspectos hormonais e reprodutivos, sendo necessária uma abordagem que reconheça também as demandas emocionais e psicossociais dessas mulheres (LINHARES et al., 2024).

A presença de sintomas ansiosos e depressivos reforça a necessidade de acompanhamento multiprofissional e de uma assistência capaz de identificar alterações que, muitas vezes, permanecem subestimadas durante o atendimento. A avaliação da saúde mental deve integrar o cuidado, considerando que o sofrimento psíquico pode interferir na adesão às medidas terapêuticas e na qualidade de vida. Dessa maneira, o reconhecimento dessas demandas amplia a capacidade dos serviços de oferecer um cuidado mais integral às mulheres com SOP (ROBLES et al., 2025).

Diante desse cenário, a enfermagem possui papel relevante na assistência às mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos, especialmente por meio da consulta de enfermagem, educação em saúde, identificação de fatores de risco, incentivo ao autocuidado e acompanhamento das condições associadas. Entretanto, a complexidade da síndrome e a diversidade de suas repercussões exigem preparo profissional e uma abordagem que ultrapasse o cuidado centrado exclusivamente nos sintomas ginecológicos. Assim, torna-se pertinente analisar como a enfermagem pode contribuir para uma assistência integral, qualificada e humanizada.

Nesse contexto, estabelece-se como problema de pesquisa: quais são os principais desafios e possibilidades da assistência de enfermagem às mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos descritos na literatura científica? Para responder a essa questão, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão da literatura, a assistência de enfermagem à mulher com Síndrome dos Ovários Policísticos, destacando os principais desafios e as possibilidades de atuação profissional no cuidado integral à saúde.

2 Metodologia

Trata-se de uma revisão de literatura, de caráter descritivo, desenvolvida com o objetivo de analisar as repercussões clínicas da Síndrome dos Ovários Policísticos e discutir suas implicações para o cuidado de enfermagem. A pesquisa foi realizada nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando a relevância dessas fontes para a produção científica na área da saúde.

Na SciELO, foi utilizada a estratégia de busca “Síndrome dos Ovários Policísticos” OR “Assistência de Enfermagem”, que resultou inicialmente em 965 artigos. Após a aplicação dos filtros referentes à coleção Brasil, idioma português, período de publicação de 2020 a 2026, área temática Ciências da Saúde, área temática Enfermagem e tipo de literatura artigo, foram identificadas 88 publicações.

Na BVS, a busca foi realizada utilizando o termo “Síndrome dos Ovários Policísticos”, resultando inicialmente em 10.704 registros. Entre os resultados apresentados, foram identificados 515 estudos na MEDLINE, 374 na LILACS e 5 na BDENF – Enfermagem. Posteriormente, foram aplicados filtros referentes às bases de dados MEDLINE, LILACS e BDENF – Enfermagem, assunto principal “Síndrome do Ovário Policístico”, tipo de estudo revisão de literatura e idioma português. Após o refinamento, foram identificados 6 estudos pertinentes nas bases LILACS e BVS considerados para a etapa de análise.

Como critérios de inclusão, foram considerados artigos disponíveis em texto completo, publicados entre 2020 e 2026, em língua portuguesa, que apresentassem relação com a Síndrome dos Ovários Policísticos e suas manifestações, fatores associados, tratamento, acompanhamento ou possibilidades de cuidado. Foram excluídos estudos duplicados ou com conteúdo similar, trabalhos que não apresentassem relação direta com o tema proposto, publicações em desacordo com o objetivo do estudo e estudos que não contemplassem aspectos relevantes para a compreensão da condição.

Após a identificação e o refinamento dos resultados, foi realizada a leitura dos títulos e resumos, seguida da análise dos textos completos considerados potencialmente elegíveis. Essa etapa permitiu verificar a pertinência dos estudos em relação à temática, aos critérios estabelecidos e ao objetivo da pesquisa. Após o processo de seleção, dez artigos foram incluídos na revisão.

Os estudos selecionados foram organizados em uma tabela contendo título, autoria, ano, objetivo, método e principais resultados. Posteriormente, foi realizada análise qualitativa dos achados, agrupando-os conforme as principais repercussões clínicas identificadas e suas possíveis implicações para o cuidado de enfermagem. Ressalta-se que a busca original utilizou estratégias amplas; portanto, os estudos incluídos não foram necessariamente desenvolvidos especificamente para investigar a atuação da enfermagem. Por essa razão, as implicações para a enfermagem foram discutidas a partir dos achados clínicos e das necessidades de cuidado identificadas na literatura.

3 Resultados e Discussão

A análise dos dez estudos selecionados demonstra que a Síndrome dos Ovários Policísticos apresenta repercussões que ultrapassam as alterações menstruais e reprodutivas. Os trabalhos analisados contemplaram risco cardiovascular, alterações metabólicas, resistência à insulina, dislipidemia, infertilidade, complicações gestacionais, hiperandrogenismo, desempenho físico, microbiota intestinal e modulação autonômica cardíaca. A diversidade dos achados reforça a necessidade de compreender a SOP como uma condição de caráter multifatorial e de acompanhamento longitudinal.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.

3.1 Repercussões metabólicas e cardiovasculares

Entre os principais achados, destaca-se a associação entre SOP e aumento do risco cardiovascular. Caetano et al. (2022) discutiram fatores associados ao risco cardiovascular em mulheres com a síndrome, enquanto Costa et al. (2021) abordaram a dislipidemia e seu vínculo com o risco cardiovascular. Lana et al. (2020), por sua vez, identificaram alterações relacionadas à obesidade, pressão arterial, glicemia e perfil lipídico. Em conjunto, esses resultados demonstram que o acompanhamento da mulher com SOP não deve se limitar às queixas ginecológicas.

Para o cuidado de enfermagem, esses achados reforçam a importância da avaliação integral durante o acompanhamento. A identificação de fatores de risco, o registro de parâmetros clínicos, a orientação sobre hábitos de vida e o incentivo à continuidade do acompanhamento podem contribuir para a prevenção de complicações. A enfermagem também pode reconhecer alterações que indiquem necessidade de avaliação por outros profissionais, favorecendo a integralidade do cuidado.

A idade jovem não deve ser interpretada como ausência de risco. As alterações metabólicas descritas na literatura podem estar presentes precocemente, o que reforça a necessidade de ações preventivas. Nesse sentido, a consulta de enfermagem pode funcionar como espaço de avaliação, educação em saúde e acompanhamento longitudinal.

3.2 Resistência à insulina e alterações hormonais

A resistência à insulina aparece entre os elementos relevantes nos estudos analisados. Soccol (2022) discutiu a relação entre SOP, inflamação, resistência à insulina e microbiota intestinal, enquanto Kogure et al. (2020) identificaram alterações hormonais e metabólicas, incluindo níveis elevados de insulina e HOMA-IR. Ribeiro et al. (2020) também identificaram alterações relacionadas à insulina, HOMA-IR, testosterona e índice de androgênio livre.

Esses achados demonstram a complexidade da síndrome e reforçam que manifestações como irregularidade menstrual, acne e hirsutismo podem coexistir com alterações metabólicas menos perceptíveis. Para a enfermagem, reconhecer essa associação é importante para orientar uma avaliação que ultrapasse a queixa principal apresentada pela mulher.

Medeiros et al. (2022) também contribuíram para a compreensão do hiperandrogenismo ao investigarem os efeitos preditivos dos androgênios adrenais nas alterações clínicas e metabólicas da SOP. A identificação de manifestações hiperandrogênicas pode auxiliar na organização do acompanhamento e na orientação da mulher quanto à necessidade de continuidade da investigação.

3.3 Alimentação, atividade física e autocuidado

Passos et al. (2021) destacaram a importância da alimentação adequada associada à prática de atividade física no tratamento da SOP. Os resultados possuem implicação direta para a educação em saúde, uma das possibilidades de atuação da enfermagem. Entretanto, orientações sobre hábitos de vida precisam considerar as condições concretas de cada mulher, incluindo rotina, acesso a alimentos, disponibilidade para atividade física e aspectos emocionais.

O cuidado de enfermagem não deve assumir caráter impositivo. A orientação deve favorecer autonomia, participação e tomada de decisão compartilhada. Nesse sentido, o enfermeiro pode identificar barreiras para o autocuidado, estabelecer metas possíveis e acompanhar a adesão ao longo do tempo, articulando o cuidado com nutricionista, profissional de educação física e outros integrantes da equipe quando necessário.

Essa abordagem é coerente com a necessidade de cuidado individualizado apresentada nos estudos. O objetivo não deve ser apenas reduzir peso ou controlar sintomas, mas apoiar mudanças sustentáveis e compatíveis com as necessidades e possibilidades da mulher.

3.4 Saúde reprodutiva e acompanhamento multiprofissional

Carneiro e Rosa e Silva (2021) destacaram a relação da SOP com anovulação crônica, hiperandrogenismo e infertilidade, além de discutirem possíveis complicações gestacionais e perinatais. Salles, Ribeiro e Colodetti (2021) abordaram terapias farmacológicas utilizadas para indução da ovulação, destacando resultados favoráveis com letrozol e sua associação com metformina.

Esses achados reforçam que a saúde reprodutiva constitui uma dimensão importante do cuidado, mas não deve definir isoladamente a experiência da mulher com SOP. A assistência deve considerar seus projetos de vida, desejos reprodutivos, necessidades emocionais e condições clínicas.

Na enfermagem, essa perspectiva pode ser incorporada por meio da escuta qualificada, educação em saúde, orientação sobre a continuidade do acompanhamento e identificação de necessidades que demandem encaminhamento. A atuação articulada com ginecologia, endocrinologia, nutrição, psicologia e outros profissionais pode reduzir a fragmentação da assistência.

3.5 Saúde mental, imagem corporal e humanização

Os impactos da SOP também alcançam a dimensão emocional. Linhares et al. (2024) relacionaram a síndrome a distúrbios de humor, ansiedade e redução da qualidade de vida, enquanto Robles et al. (2025) discutiram a ocorrência de ansiedade e depressão em mulheres com SOP. Esses achados demonstram que o cuidado não deve se restringir às alterações hormonais e reprodutivas.

Alterações da aparência, dificuldades relacionadas à fertilidade, irregularidade menstrual e preocupações com peso e saúde futura podem afetar a autoestima e a relação da mulher com o próprio corpo. A enfermagem pode contribuir para a construção de um ambiente de cuidado baseado em acolhimento, respeito e ausência de julgamentos, favorecendo a expressão de dúvidas e sentimentos.

A identificação de sinais de sofrimento emocional durante o acompanhamento pode possibilitar encaminhamento oportuno para profissionais especializados. Dessa maneira, a saúde mental passa a integrar o cuidado integral e não a ser tratada como aspecto secundário.

3.6 Possibilidades para o cuidado de enfermagem

A análise conjunta dos estudos permite identificar que a principal contribuição da enfermagem está na capacidade de integrar diferentes necessidades de saúde. As repercussões metabólicas, cardiovasculares, reprodutivas, funcionais e emocionais da SOP exigem acompanhamento que considere a mulher em sua integralidade.

Entre as possibilidades de cuidado destacam-se a consulta de enfermagem, avaliação de fatores de risco, educação em saúde, orientação para hábitos de vida, incentivo ao autocuidado, acompanhamento longitudinal, acolhimento e articulação com a equipe multiprofissional. Essas ações podem favorecer o reconhecimento precoce de alterações e a continuidade do cuidado.

É importante destacar que os dez estudos selecionados não tiveram a enfermagem como objeto central em sua totalidade. Assim, as possibilidades apresentadas nesta revisão representam implicações dos achados clínicos para a prática de enfermagem, e não resultados de estudos de intervenção de enfermagem. Essa distinção aumenta a precisão científica do trabalho e evidencia uma lacuna importante na produção acadêmica.

A lacuna identificada sugere a necessidade de pesquisas específicas sobre consulta de enfermagem, processo de enfermagem, estratégias educativas, acompanhamento longitudinal, autocuidado e qualidade de vida de mulheres com SOP. Estudos de intervenção e pesquisas realizadas na atenção primária podem contribuir para ampliar a evidência sobre a efetividade das ações de enfermagem nesse contexto.

4 Limitações do estudo

Entre as limitações desta revisão, destacam-se a utilização de duas fontes principais de busca, a restrição das publicações ao idioma português e o número reduzido de estudos incluídos. Também foi identificada heterogeneidade entre os métodos e objetivos dos artigos selecionados, o que limita comparações diretas entre os achados. Além disso, parte significativa dos estudos analisados apresenta foco clínico e metabólico, e não especificamente na atuação da enfermagem. Essa característica impõe cautela na interpretação das implicações para a prática profissional e, ao mesmo tempo, evidencia uma lacuna para futuras pesquisas de enfermagem.

5 Conclusão

A presente revisão permitiu compreender que a Síndrome dos Ovários Policísticos apresenta repercussões que ultrapassam as manifestações ginecológicas e reprodutivas. Os dez estudos analisados identificaram relações com resistência à insulina, alterações hormonais e metabólicas, dislipidemia, obesidade, risco cardiovascular, infertilidade, possíveis complicações gestacionais, alterações relacionadas ao desempenho físico e aspectos emergentes envolvendo a microbiota intestinal.

Os achados indicam que a mulher com SOP necessita de acompanhamento integral e longitudinal. Nesse contexto, o cuidado de enfermagem pode contribuir para a identificação de fatores de risco, educação em saúde, incentivo ao autocuidado, orientação sobre hábitos de vida, acolhimento, acompanhamento e articulação com a equipe multiprofissional.

Entretanto, a revisão evidenciou que a produção científica analisada ainda apresenta quantidade limitada de estudos com a enfermagem como objeto central. Dessa forma, existe necessidade de ampliar pesquisas que investiguem diretamente a consulta de enfermagem, estratégias educativas, processo de enfermagem, acompanhamento na atenção primária e intervenções voltadas à qualidade de vida e autonomia das mulheres com SOP.

Conclui-se que as repercussões clínicas da SOP justificam uma abordagem de cuidado que reconheça a mulher em suas dimensões clínica, reprodutiva, emocional e social. A enfermagem apresenta possibilidades relevantes de atuação, especialmente na promoção da saúde, prevenção de complicações, educação em saúde e continuidade do cuidado, mas o fortalecimento dessa atuação depende também da ampliação da produção científica específica da área.

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  1. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova América – Rio de Janeiro – RJ – Brasil. ORCID:

    https://orcid.org/0009-0000-0789-165X

  2. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova Iguaçu – Nova Iguaçu – RJ – Brasil. ORCID:

    https://orcid.org/0009-0001-0951-7079

  3. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova América – Rio de Janeiro – RJ – Brasil. ORCID:

    https://orcid.org/0009-0005-8093-5547

  4. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova América – Rio de Janeiro – RJ – Brasil. ORCID:

    https://orcid.org/0009-0002-2584-6806

  5. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova Iguaçu – Nova Iguaçu – RJ – Brasil. ORCID:

    https://orcid.org/0009-0002-1843-6446

  6. Universidade Estácio de Sá – Campus Nova Iguaçu – Nova Iguaçu – RJ – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-7419-6007

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