Capacitação da equipe de clínica médica quanto às atualizações do manejo agudo hospitalar de fibrilação atrial de alta resposta ventricular
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A fibrilação atrial com alta resposta ventricular constitui uma condição frequente no ambiente hospitalar e requer reconhecimento rápido, avaliação da estabilidade hemodinâmica e tomada de decisão terapêutica baseada em evidências. Diante da variabilidade das condutas e da necessidade de atualização dos profissionais, este estudo tem como objetivo capacitar a equipe médica da Clínica Médica quanto às atualizações do manejo agudo hospitalar da fibrilação atrial com alta resposta ventricular, visando à padronização das condutas, ao fortalecimento da tomada de decisão clínica e à melhoria da segurança assistencial. Trata-se de um projeto de intervenção educativa direcionado a médicos plantonistas e diaristas de um hospital terciário de alta complexidade, em Fortaleza, Ceará, no período de outubro a novembro de 2026. A intervenção será realizada por meio de aula presencial interativa, baseada em casos clínicos, com abordagem do reconhecimento da arritmia, identificação de instabilidade hemodinâmica, manejo inicial e principais opções terapêuticas fundamentadas nas diretrizes clínicas vigentes. A avaliação educacional interna será realizada por meio de feedback dos participantes quanto à relevância do conteúdo e à sua aplicabilidade na prática assistencial. Espera-se promover maior conhecimento e segurança na abordagem da fibrilação atrial de alta resposta ventricular, além de favorecer a padronização das condutas e a atualização permanente da equipe médica. Conclui-se que intervenções educativas estruturadas podem constituir estratégia relevante para qualificar o manejo hospitalar dessa arritmia e fortalecer práticas assistenciais baseadas em evidências.

Palavras-chave: Fibrilação atrial. Educação médica. Capacitação profissional. Manejo hospitalar. Segurança do paciente.

ABSTRACT

Atrial fibrillation with rapid ventricular response is a common condition in the hospital setting and requires prompt recognition, assessment of hemodynamic stability, and evidence-based therapeutic decision-making. Given the variability in clinical management and the need for professional updating, this study aims to train the Internal Medicine medical team on current recommendations for the acute hospital management of atrial fibrillation with rapid ventricular response, with the goal of standardizing clinical practices, strengthening clinical decision-making, and improving patient safety. This is an educational intervention project directed at on-duty and daytime physicians at a high-complexity tertiary hospital in Fortaleza, Ceará, from October to November 2026. The intervention will be conducted through an interactive in-person lecture based on clinical cases, addressing arrhythmia recognition, identification of hemodynamic instability, initial management, and the main therapeutic options supported by current clinical guidelines. The internal educational assessment will be conducted through participant feedback regarding the relevance of the content and its applicability to clinical practice. The intervention is expected to promote greater knowledge and confidence in the management of atrial fibrillation with rapid ventricular response, as well as to contribute to the standardization of clinical practices and the ongoing professional development of the medical team. It is concluded that structured educational interventions may constitute a relevant strategy for improving the hospital management of this arrhythmia and strengthening evidence-based clinical practices.

Keywords: Atrial fibrillation. Medical education. Professional training. Hospital management. Patient safety.

1. INTRODUÇÃO

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais frequente na prática clínica, constituindo um importante problema de saúde pública em virtude de sua elevada prevalência, associação com múltiplas comorbidades e impacto significativo em morbimortalidade. Sua incidência aumenta progressivamente com a idade, sendo especialmente comum em pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana e valvopatias (CINTRA, 2025). No contexto hospitalar, a FA assume relevância particular, uma vez que pode surgir de forma aguda durante a internação, seja como manifestação inicial de descompensações clínicas, seja como complicação de doenças sistêmicas ou condições inerentes ao ambiente hospitalar (NESHEIWAT et al, 2023).

Entre as apresentações da fibrilação atrial, destaca-se a fibrilação atrial de alta resposta ventricular, caracterizada por frequência cardíaca elevada e irregular, frequentemente superior a 110 batimentos por minuto. Essa condição decorre da condução desorganizada dos impulsos atriais para os ventrículos, resultando na perda da contração atrial efetiva e na redução do tempo de enchimento diastólico, com consequente diminuição do débito cardíaco (CHYOU et al, 2023; CAVASSANI NETO et al, 2024). Tais alterações podem ocasionar importante repercussão hemodinâmica, sobretudo em pacientes com reserva cardiovascular limitada, favorecendo o desenvolvimento ou agravamento de insuficiência cardíaca aguda, hipotensão arterial, isquemia miocárdica e congestão pulmonar (CINTRA, 2025).

No ambiente hospitalar, especialmente nas enfermarias de clínica médica, a fibrilação atrial de alta resposta ventricular é frequentemente observada como intercorrência aguda associada a múltiplos fatores precipitantes. Infecções sistêmicas, distúrbios hidroeletrolíticos, hipóxia, anemia, estados inflamatórios, descompensação de insuficiência cardíaca e uso de determinadas medicações figuram entre as principais condições relacionadas ao surgimento dessa arritmia (HINDRICKS, 2021). Nesses cenários, a FA frequentemente representa um marcador de gravidade clínica, exigindo abordagem imediata e integrada, direcionada tanto ao controle da resposta ventricular quanto ao tratamento da causa desencadeante (BORIANI et al, 2020; VAN GELDER et al, 2024).

O manejo agudo hospitalar da fibrilação atrial de alta resposta ventricular é complexo e demanda avaliação clínica criteriosa e tomada de decisões rápidas. A identificação de sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica ou edema agudo de pulmão, é fundamental para a definição da conduta inicial, incluindo a indicação de cardioversão elétrica imediata (COLL-VINENT et al, 2013). Nos pacientes hemodinamicamente estáveis, impõe-se a necessidade de definir a estratégia terapêutica mais adequada, considerando controle da frequência ou do ritmo, tempo de início da arritmia, investigação de causas reversíveis e avaliação do risco tromboembólico (ACC/AHA/ACCP/HRS, 2023; ESC, 2024).

A escolha do tratamento farmacológico no cenário hospitalar também representa um desafio, uma vez que as principais classes de medicamentos utilizados apresentam perfis distintos de eficácia e segurança. A seleção inadequada dessas terapias pode resultar em eventos adversos relevantes, como hipotensão, bradicardia excessiva ou piora da função ventricular (CINTRA, 2025; KIRCHHOF et al, 2020). Apesar da existência de diretrizes clínicas bem estabelecidas, observa-se na prática assistencial significativa variabilidade de condutas entre profissionais, frequentemente relacionada a insegurança no manejo, ausência de protocolos institucionais ou lacunas na capacitação específica (HINDRICKS et al, 2021).

Diante da elevada frequência da fibrilação atrial de alta resposta ventricular em pacientes internados, de seu potencial impacto negativo na evolução clínica e da complexidade do manejo agudo hospitalar, torna-se evidente a necessidade de estratégias que qualifiquem a assistência prestada. Nesse contexto, a capacitação da equipe médica por meio de intervenções educativas estruturadas configura-se como iniciativa fundamental para padronizar condutas, promover práticas baseadas em evidências e aumentar a segurança no atendimento aos pacientes hospitalizados que desenvolvem essa arritmia.

2. OBJETIVO

Este estudo tem como objetivo capacitar a equipe médica da Clínica Médica quanto às atualizações relacionadas ao manejo agudo hospitalar da fibrilação atrial com alta resposta ventricular, por meio de uma intervenção educativa estruturada, visando à padronização das condutas clínicas, ao fortalecimento da tomada de decisão baseada em evidências e à melhoria da segurança e da qualidade da assistência aos pacientes internados. Busca-se, ainda, abordar as principais recomendações atuais para o manejo da fibrilação atrial aguda e estimular os médicos à atualização permanente de seus conhecimentos e práticas assistenciais.

3. METODOLOGIA

Trata-se de um projeto de intervenção educativa direcionado aos médicos plantonistas e diaristas que atuam nos setores de internação de um hospital terciário de alta complexidade, localizado em Fortaleza, Ceará, no período de outubro a novembro de 2026. A intervenção consistirá na realização de uma aula presencial interativa, fundamentada em metodologia ativa baseada em casos clínicos, ministrada por médico residente de Clínica Médica, com duração aproximada de 20 minutos, seguida de 10 minutos destinados à troca de experiências e ao esclarecimento de dúvidas. O conteúdo abordará os principais aspectos do manejo hospitalar da fibrilação atrial com alta resposta ventricular, incluindo o reconhecimento clínico, a identificação de sinais de instabilidade hemodinâmica, a abordagem inicial e as principais opções terapêuticas, com base nas diretrizes clínicas vigentes. Ao final da atividade, será realizada avaliação educacional interna por meio de feedback dos participantes, médicos integrantes da equipe de Clínica Médica, quanto à relevância do conteúdo e à sua aplicabilidade na prática assistencial. Destaca-se que os comentários fornecidos serão empregados somente para fins de avaliação educacional interna, sem sistematização ou análise como dados de pesquisa.

4. RESULTADOS ESPERADOS

Espera-se que a intervenção educativa contribua para a melhoria do conhecimento da equipe médica sobre o manejo agudo hospitalar da fibrilação atrial de alta resposta ventricular, promovendo maior segurança na identificação de instabilidade hemodinâmica e na tomada de decisões clínicas. Espera-se, ainda, o favorecimento de maior padronização das condutas terapêuticas, uma vez que ainda não há protocolo institucional com essa finalidade, e a contribuição com a redução da variabilidade no manejo desses pacientes e maior aplicação das recomendações das diretrizes clínicas na prática assistencial.

5. CONCLUSÃO

A capacitação da equipe médica quanto às atualizações no manejo agudo hospitalar da fibrilação atrial com alta resposta ventricular constitui uma estratégia relevante para qualificar a assistência e fortalecer a tomada de decisão baseada em evidências. A abordagem de aspectos fundamentais, como o reconhecimento da arritmia, a identificação de instabilidade hemodinâmica, a investigação de fatores precipitantes e a escolha da terapêutica adequada, pode contribuir para maior segurança e padronização das condutas, especialmente diante da ausência de um protocolo institucional específico.

Nesse sentido, intervenções educativas estruturadas e fundamentadas nas diretrizes vigentes podem favorecer a atualização contínua dos profissionais e uma maior uniformidade das práticas assistenciais, além de promover uma abordagem mais sistematizada e segura desses pacientes.

REFERÊNCIAS

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v. 82, n. 5, p. e1–e192, 2023. Disponível em: https://www.jacc.org.

BORIANI, G. et al. Management of atrial fibrillation in the acute setting. European Heart Journal Supplements, Oxford, v. 22, p. O10–O19, 2020. Disponível em: https://academic.oup.com.

COLL-VINENT, B. et al. Management of acute atrial fibrillation in the emergency department: a systematic review of recent studies. European Journal of Emergency Medicine, v. 20, n. 3, p. 151-9, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/

CAVASSANI NETO, R. O. et al. Terapias anticoagulantes modernas para fibrilação atrial: revisão atual. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 9, p. 364-380, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/

CHYOU, J. Y. et al. Atrial fibrillation occurring during acute hospitalization: scientific statement from the American Heart Association. Circulation, Dallas, v. 148, n. 7, p. e247–e268, 2023. Disponível em: https://www.ahajournals.org.

CINTRA, F. D. et al. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 122, n. 9, e20250618, 2025. DOI: 10.36660/abc.20250618. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/

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HINDRICKS, G. et al. 2020 ESC guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation developed in collaboration with the EACTS. European Heart Journal, Oxford, v. 42, n. 5, p. 373–498, 2021. Disponível em: https://academic.oup.com/eurheartj.

KIRCHHOF, P. et al. Early rhythm-control therapy in patients with atrial fibrillation. New England Journal of Medicine, Boston, v. 383, n. 14, p. 1305–1316, 2020. Disponível em: https://www.nejm.org.

NESHEIWAT, Z. et al. Atrial fibrillation. In: STATPEARLS. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK526072/.

VAN GELDER, I. C.; RIENSTRA, M.; BUNTING, K. V. et al. 2024 ESC Guidelines

for the Management of Atrial Fibrillation. European Heart Journal, 2024. Disponível em: https://www.escardio.org/guidelines/clinical-practice-guidelines/all-esc-practice-guidelines/atrial-fibrillation/

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