Relações interpessoais na educação infantil
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO: A agressividade infantil é algo ainda pouco discutida e ignorada. Quanto às causas acreditasse que venha da interação com o meio no qual a criança está inserida e carência em práticas disciplinares claras e coerentes. As consequências muitas vezes passam do âmbito familiar e vão refletir de modo a prejudicá-la em sua fase adulta. O principal motivo pelo qual acontecem certas situações em questão das relações interpessoais é que a tecnologia adentrou aos contextos familiares, e o pouco de tempo que restava para manterem uma relação, passa a ser usada em celulares, computadores, redes sociais, enfim, menos para manter uma relação interpessoal ativa.

Palavras-chaves: Educação Infantil; Relações Interpessoais.

ABSTRACT

Abstract: Childhood aggression is a topic that is often overlooked and rarely discussed. Its causes are believed to stem from the child's interaction with their environment and a lack of clear, consistent disciplinary practices. The consequences often extend beyond the family setting, potentially harming the individual in adulthood. A primary reason for the issues arising in interpersonal relationships is the intrusion of technology into family life; the limited time remaining for maintaining relationships is increasingly spent on mobile phones, computers, and social media—leaving less time for active interpersonal connection.

Keywords: Early Childhood Education, Interpersonal Relations

INTRODUÇÃO

Este artigo trata das Relações Interpessoais na Educação Infantil, cuja problemática se refere à dificuldade do professor para lidar com as relações interpessoais, especialmente a agressividade dentro da sala de aula na educação infantil. Para atendermos ao objetivo central nos propomos a desenvolver, especificamente, sobre a educação infantil contextualizando historicamente a Educação infantil no Brasil, definindo Relações interpessoais e intrapessoais, agressividade e apresentando situações cotidianas na Educação Infantil.

O tema ora tratado é conhecido de professores, muitas vezes com dificuldades na tarefa de mediar conflitos ocorridos no ambiente escolar. Algumas crianças na idade pré-escolar apresentam reações agressivas em momentos de emoções e dificuldades a partir do momento que são inseridos no convívio social, pelo fato de ser algo novo para eles. Na maioria dos casos é uma reação natural, mas se o comportamento prejudica o desenvolvimento da criança, deve ser investigado e se não for trabalhado de maneira adequada, pode causar ainda mais dificuldade no decorrer do seu desenvolvimento e futuras frustrações mediante esse fato. É importante pesquisar e compreender as possíveis causas, para tentar entender o que leva uma criança de 04 anos a manifestar esse comportamento, sendo possível verificar as possibilidades de mudanças nas atitudes e no comportamento quando ainda são pequenos. Quando esse problema não é solucionado pode-se estar educando futuros jovens frustrados e desconhecedores de regras e limites, sem responsabilidades, revelando-se adultos que cometem todo tipo de atrocidades na sociedade. Cabe ao professor se conscientizar da importância do seu trabalho nessa fase, estar atento às necessidades físicas e emocionais das crianças, para auxiliar na construção de uma formação íntegra e sólida, com ética, valores e limites, sabendo que essas crianças serão adultas inseridos em uma sociedade escassa de bons comportamentos e com diversos obstáculos.

DESENVOLVIMENTO

As relações interpessoais na Educação Infantil e sua contribuição histórica

A educação Infantil teve seu desenvolvimento com o passar dos anos, pois nem sempre ela teve um lugar de destaque na Educação Brasileira, que se formou como uma instituição assistencial, ou seja, mais para suprir a necessidade de ocupar um espaço das famílias na vida dessas crianças, que eram deixadas pelos seus pais nas instituições e tinham como atendimento somente cuidados era mais como se fosse babás para cuidar das crianças, não havia qualificação e nem a necessidade e obrigação por uma alfabetização nessa idade. Não podemos falar sobre a educação infantil sem relatar sua história e sua evolução ao longo dos anos.

A concepção de infância sofreu inúmeras mudanças de acordo com o modo de organização na vida dos homens, relata-se que a criança era vista como um adulto em miniatura, ganhando contornos da infância a partir do século XVI e XVII.

O século XX, por sua vez, passa a ser considerado o século das crianças, sendo marcado por uma nova compreensão de infância e de educação infantil, revelando uma sociedade preocupada e consciente da importância deste nível de ensino.

A noção de infância não é uma categoria natural, mas histórica e cultural; os conhecimentos produzidos acerca desta temática têm estreita ligação com o lugar social que a criança ocupa na relação com o outro, tendo mudanças significativas nos últimos anos.

O atendimento à primeira infância envolve diferentes políticas e setores governamentais e não governamentais, tais como: educação, saúde, nutrição, assistência social e proteção da criança. Os serviços de atendimento à primeira infância precisam levar em consideração aspectos ligados à licença parental, ao emprego da mulher, à igualdade de oportunidades, às questões socioeconômicas das famílias, à ação e à responsabilidade de diferentes secretarias e ministérios.

Diante dessa grande expansão da educação infantil no Brasil e no mundo, diversas mudanças têm ocorrido de forma crescente nas últimas décadas, acompanhando a intensificação da urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças na organização e estrutura das famílias.

Por outro lado, a sociedade está mais consciente da importância das experiências na primeira infância, o que motiva demandas por uma educação institucional para crianças nos anos iniciais. Do descobrimento até o ano de 1930, o conhecimento das necessidades da infância já era apontado, mas nada de concreto era feito pelas pessoas.

Faltava principalmente saúde, educação e atendimento prioritário que dignificasse essas crianças para uma vida melhor, lhes faltando a proteção necessária para que chegassem à idade adulta com informações essenciais que um ser humano precisa para sobreviver e progredir na sociedade.

No ano de 1874 só havia institucionalmente a casa dos expostos ou roda como era mais conhecida, ali eram colocadas as crianças menos favorecidas, abandonadas muitas vezes pelas próprias mães, cuja negligência era grande na época ou para que as mães fossem ingressar no mercado de trabalho.

De 1889 a 1930, se destaca a fundação do Instituto de Proteção à Assistência infantil que tinha como objetivo criar creches, maternidades e jardins de infância. Mas desses projetos poucos foram desenvolvidos, pois a Administração Pública não tinha nenhum interesse em implantar projetos na área de saúde e educação.

A mudança começou no século XX quando a primeira creche foi fundada no ano de 1909, chamava-se Jardim de Infância Campos Salles no Rio de Janeiro. Diante disso, na década de 30, começaram as modificações políticas, econômicas e sociais, pois as instituições clamavam por uma reforma tanto na educação como na saúde decorrente da crise que se encontrava para com as crianças.

A educação infantil passou por vários períodos de avanço, mas foi em 1980 que se deu início a função da creche/pré-escola, a educação das crianças pequenas era fundamental e que todas elas deveriam ter acesso à educação, pois antigamente as crianças só eram deixadas nas instituições para suprir as necessidades dos pais que tinham que trabalhar e não tinham com quem deixar seus filhos, então essa classe trabalhadora mantinham seus filhos nas instituições somente para cuidados pessoais não havia ainda a Educação para os filhos dos pobres, estes não tinham acesso a muita coisa ainda incluindo a Educação.

Em 1988, a constituição define creche/pré-escola como direito de família e dever do Estado de oferecer esse serviço. Sendo assim começaram os avanços na área da Educação Infantil, agora as crianças poderiam frequentar independente da classe social as creches/ pré-escolas para o começo de um futuro melhor.

Relações Interpessoais X Relações Intrapessoais

De acordo com Rocha (2009), as relações interpessoais ocorrem de maneira mais objetiva quando existe um intercâmbio mais eficaz entre as pessoas, como: no ambiente familiar, educacional, institucional ou profissional; visto que essas relações se encontram associadas a efeitos finais de consenso, êxito e resultado fecundo.

As relações interpessoais podem ser avaliadas como todos e quaisquer contatos entre indivíduos, esses contatos sucedem entre pessoas em diversas ocasiões e em diferentes ambientes. O desenvolvimento das relações interpessoais é essencial para obter-se boas convivências entre as pessoas e na sociedade podendo planejar esse desenvolvimento para atender aos objetivos individuais e grupais.

Um dos aspectos que contribuem para o cumprimento satisfatório das relações interpessoais é o trabalho em equipe, no qual o grupo procura um intercâmbio entre o objeto e seu desígnio, tal como a interdisciplinaridade no ambiente escolar, na qual se congregam docentes de disciplinas afins para o desenvolvimento de um projeto que objetive trabalhar o mesmo assunto, com objetivos peculiares.

Para desenvolver o trabalho interdisciplinar podem-se aproveitar as dinâmicas de grupo, a fim de socializar as pessoas que naturalmente irão se sentir à vontade para propor um diálogo com as outras pessoas, o grupo ao se aproximar através de atividades lúdicas e descontraídas, tende a construir uma relação saudável no ambiente.

Relações interpessoais são todos os contatos entre pessoas. Nesse contexto, encontra-se um infindável número de variáveis como: sujeitos, circunstâncias, espaços, local, cultura, desenvolvimento tecnológico, educação e época.

As relações interpessoais ocorrem em todos os meios como: no meio familiar, educacional, social, institucional, profissional e estão ligadas aos resultados finais de harmonia, avanço, e progressos ou nas estagnações, agressão ou alienamento. Nas relações interpessoais entre professor e alunos dá-se a construção de vínculos com a aprendizagem, um dos aspectos fundamentais a serem considerados.

Determinadas disciplinas, a partir de um tipo negativo de relações interpessoais com o professor, podem gerar no aluno uma aversão ao assunto; como também, relações interpessoais positivas podem alterar a aversão, fazendo que os alunos passem a gostar e interessar-se pelo assunto a partir da presença de um novo professor ou nova forma de ensino.

Já a relação Intrapessoal é a relação com os nossos sonhos, desejos, angústias, aspirações, emoções e tudo que se refere aos nossos próprios sentimentos, sejam eles positivos ou negativos. É a partir desses estímulos internos, que nos relacionamos com o externo.

É da conversa que consigo ter comigo e do conhecimento real das minhas emoções que exteriorizo, ou seja, que comunico verbalmente ou não verbalmente e estabeleço meus elos, meus relacionamentos com as pessoas e com o mundo. Relação interpessoal é a relação que estabelecemos com as outras pessoas e relação intrapessoal é a relação que estabelecemos com nós mesmos.

O relacionamento Interpessoal é uma questão bem comentada dentro das escolas, porque é uma coisa que ocorre toda hora nos relacionarmos com as pessoas do nosso cotidiano, essa relação pode ser com os colegas de sala, com os professores e entre outros.

O relacionamento dos profissionais da educação com seus alunos é primordial e necessita ser trabalhado diariamente, pois se o professor não tiver um contato Interpessoal com os alunos, isso pode bloquear o aluno e prejudicar seu desenvolvimento intrapessoal, esse bloqueio também pode ser trazido de casa podendo não haver um relacionamento agradável com a família.

Essa questão de relacionamento Interpessoal é bastante preocupante, pois isso pode tornar-se outros problemas futuros, que nem os pais e nem os professores conseguem enxergar e isso pode dificultar bastante no convívio sócio cultural. A relação professor/aluno deve ser expressiva e comunicativa, assim, permitindo que se quebre essa barreira que muitas vezes se torna um grande obstáculo no futuro da formação do cidadão.

Segundo Piaget (1994), o homem é um ser essencialmente social, impossível, portanto, de ser pensado fora do contexto da sociedade em que nasce e vive. Em outras palavras o homem não social, é considerado como molécula separada do resto de seus semelhantes, é visto como independente das influências dos diversos grupos que frequenta, é visto como imune aos legados da história e da tradição, este com certeza não existe! Pois é impossível qualquer ser não ter uma tradição ou uma história.

Enfim, relação Interpessoal é a capacidade do ser humano de se conhecer a si próprio, de controlar emoções, sentimentos, de poder controlar suas decisões e assim poder ter uma relação bem estabelecida com os demais.

O oposto ao sentimento de conflito é a harmonia, um estado de ordem, simetria, acordo e conformidade colocando em ordem minhas emoções, de acordo com a vida e transmitindo um estado de paz.

Resolução de problemas: Conflitos, causas e consequências no contexto escolar

Ao longo dos tempos têm sido percebidas diferentes formas de indisciplina e agressividade que se revelam no meio social e, particularmente, no ambiente escolar. Esses comportamentos tornam-se preocupantes, quando se verificam manifestações comportamentais, individuais ou coletivas, que atentam, inclusive, contra a vida de pessoas.

No ambiente escolar, tais comportamentos são extremamente preocupantes, tornando-se alvo de debates e discussões entre educadores, psicólogos, sociólogos e outros estudiosos, com o objetivo de investigar as causas e buscar meios que possam viabilizar soluções ou alternativas de propostas para contornar o problema e amenizar a situação.

O tema vem preocupando, notadamente, as instituições educacionais, onde os comportamentos são atribuídos à falta de observância de regras de organização e convivência, ausência e problemas familiares, que pressupõem condutas compatíveis com a urbanidade e a solidariedade entre professores e alunos entre si. A falta de uma relação harmoniosa, de respeito mútuo, vem sendo entendida como uma das causas de indisciplina e agressividade que ocorrem nas instituições.

Quando se fala em indisciplina e agressividade na sala de aula, trata-se de um assunto perturbador para a maioria dos professores. A forma como a indisciplina e a agressividade revelam-se nas escolas variam de acordo com a idade dos alunos, o perfil do professor e o contexto onde se insere a escola.

A agressividade humana, por ser bastante presente na sociedade, passa a ser discutida e conversada nas diversas áreas do conhecimento humano e, dentro de várias teorias e pensamentos de grandes autores, podemos tirar algumas conclusões e buscar entender um pouco sobre esse assunto bastante crítico.

Nas situações de conflito dentro da sala de aula, o professor por várias vezes perde o domínio da sala, pois ele acredita que a criança vai o obedecer e é onde Araújo (1996) salienta que isso só funciona com a criança que tem medo do adulto, e que este tipo de postura por parte do professor em nada auxilia o aluno; ao contrário, ajuda a resolver o problema dele, mais somente naquele momento.

A agressividade torna-se mais preocupante nos dias de hoje, pois traz a violência consigo, não sendo ela apenas a violência enquanto criminalidade, porque existem vários tipos de violência como: a moral, autoritarismo, bullying, verbal, dentre outras; e esse tipo de violência está sendo muito comum atualmente, pois vemos nos meios de comunicação tudo muito explícito, a televisão com notícias de alunos que agridem professores, agridem seus próprios colegas de sala, quando a fatalidade não resulta em algo como a morte. A falta de limites já se tornou algo tão banal, que a sociedade não mais se espanta com tanta crueldade e violência.

O professor pode contribuir para amenizar a agressividade em sala de aula, devendo estar preparado para lidar com alunos com condutas inadequadas em sala, tratando cada um na sua individualidade e não rotulando de acordo com as suas atitudes.

O professor deve participar e propor desafios que promovam uma solução e de participação de todo o grupo, sendo mediador e incentivador da atividade proposta. É de grande importância a intervenção do professor no processo de ensino aprendizagem, sendo indispensável para o desenvolvimento e construção de conhecimento da criança.

Educar não é apenas repassar informações ou guiá-los a um caminho, mas a construir e moldar crianças para que possam ser cidadãos dignos, que construam valores e visão de mundo com as circunstâncias diversas que cada um irá encontrar e enfrentar.

A agressividade é tão agravante que não prejudica só o aluno, mas sim o professor que tem que conviver com isso, buscando e estudando para compreender melhor esse tema. Nesse sentido, os professores também manifestam sua agressividade através de diferentes formas de evasão, com seu desinteresse pelo trabalho, acomodação, mudança de escola, abandono do emprego e até da profissão.

O professor está sujeito a todo tipo de agressão dentro da própria sala de aula, não no sentido geral, porque ainda as escolas tomam as devidas providências para que isso não aconteça, porém, a agressividade se tornou algo complexo não somente para os adultos, mas também para as crianças, que geralmente veem um comportamento agressivo em casa, novelas e até mesmo dos colegas na escola, e começam a agir como tais, por muitas das vezes pensarem que a agressão é uma forma de proteção para eles se tornando uma coisa normal.

Não são raros os casos em que os pais desconhecem ou ignoram a origem da agressividade. A importância de se conhecer a origem da agressividade que se torna fundamental na reversão deste processo. Mesmo admitindo a existência de discordância quanto à origem, acredita que tal comportamento advenha da interação genética com o meio que a criança está inserida, sendo sua atuação particular a cada indivíduo, destacando que a criança absorve tudo ao seu redor, quer seja coisas boas ou más.

A criança que apresenta a agressividade em evidência pode ter relação com diversos fatores, entre eles: pais que não apresentam clareza e coerência em sua postura quanto a sua educação e limites, a violência doméstica a qual está inserido ou ainda o seu ambiente escolar.

De acordo com Távora (2007) uma vez que o ambiente onde a criança se encontra a trata como um problema indesejável irá atenuar os problemas de tal modo que a criança não se aceitando torna-se ainda mais agressiva. Visto que ela demonstra sua agressividade a fim de despertar nos pais os sentimentos internos não percebidos pelos mesmos, com isso, despertando a atenção dos pais ou até mesmo no ambiente escolar.

Para entender a agressividade infantil é preciso entender a subjetividade do indivíduo inserido na sua problemática. Significando assim considerar o contexto histórico-social de forma individual e única. É preciso que sejam avaliados aspectos da criança e da família, tais como: idade, sexo, estrutura familiar, condição socioeconômica, ano escolar, os aspectos do comportamento agressivo, entre outros. De acordo com Chalita (2004, p. 142) os professores, podem ajudar a administrar a agressividade de maneira coerente e sensata, sendo que o autoritarismo não contribui para a prática educacional. Pois traz medidas extremas e devem ser evitadas a todo custo, em algumas situações o professor assume diante da sala de aula a incapacidade de lidar com problemas ocasionados em sala de aula.

A educação transmitida pela escola não pode estar restrita a conhecimentos científicos, mas sim, possuir clareza a respeito do homem que deseja formar.

Freire (1997, p. 52) salienta que devemos saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Possibilitar ao aluno a lidar com situações problemas, sentimentos e emoções com autonomia desde suas primeiras contribuições na sociedade.

Cabe ao professor mediar de forma coerente e objetiva esses picos de agressividade com a criança, ensinando e colocando em prática em suas aulas tudo o que pode favorecer o comportamento do indivíduo. Os pais também possuem uma responsabilidade muito grande sobre a construção da personalidade da criança, com isso, devem-se preocupar ainda mais com os limites e a disciplina da criança tendo senso e coerência na hora de impor limites e educar seus filhos.

Nos dias atuais, os pais acham que a escola em si tem o papel e a responsabilidade de educar e impor limites a seus filhos, tirando a responsabilidade deles mesmo.

Com isso, temos um aumento de mudanças comportamentais mediante as crianças que não sabem também o que fazer para chamar a atenção dos pais. A fim disso, aumentam-se os casos de agressividade e falta de disciplina nas salas de aula, inclusive na educação infantil. Infelizmente é o que acontece na maioria dos casos onde se encontram dificuldades nas relações interpessoais nas escolas.

O tema vem preocupando a escola, onde os comportamentos são atribuídos à falta de observância de regras de organização e convivência da família, que pressupõem condutas compatíveis com a sociedade, à solidariedade entre professores e alunos e alunos entre si.

A falta de uma relação harmoniosa, de respeito mútuo, vem sendo entendida como uma das causas de indisciplina e agressividade. Quando se fala em indisciplina e agressividade em sala de aula, está se falando de alguma coisa perturbadora para a maioria dos professores, pois se apresenta em vários momentos na sala de aula.

A forma como a indisciplina e a agressividade revelam-se na escola varia de acordo com a idade dos alunos, o perfil do professor e o contexto onde se insere a escola. A avaliação da problemática requer cuidados especiais, no sentido de se rever à situação em sala de aula, buscando compreender o perfil da turma e investigar o perfil individual de cada aluno para entender o seu contexto familiar.

Nota-se então, que existe um conjunto de fatores que propiciam e prejudicam o desenvolvimento da agressividade na criança. São fatores que evidenciam e trazem reflexos não somente na criança, mas também na família e com as pessoas de seu convívio. Abordar a agressividade no contexto escolar implica analisar e envolver todos os fenômenos institucionais e familiares da criança.

A agressividade e a dificuldade de se relacionar com o outro não ocorre por acaso, há sempre um agente causador mediando o mesmo. Para que haja mudanças significativas nas relações interpessoais entre a criança que apresenta ser agressiva, deve-se haver intervenções a nível institucional e familiar como um todo.

Devem-se procurar alternativas para que de fato intensifiquem a identidade de cada criança, detectando os motivos pelo qual a mesma possui dificuldades para com suas relações interpessoais ocasionando assim, a agressividade.

Enfim, cabe ao professor fazer um estudo aprofundado diante da situação problema, averiguando a criança e o ambiente em que a mesma está inserida, de acordo com seus meios e possibilidades.

CONCLUSÃO

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil deixa nítida a concepção de escola, enquanto ambiente de desenvolvimento social e cognitivo, tendo o professor como mediador de saberes e valores para as crianças. O professor ocupará um espaço importante de mediador das práticas de construção do conhecimento, bem como, aquele que problematiza as novas possibilidades de fazeres, nos diferentes grupos de crianças. Um dos fatores que ocasionam a frustração e manutenção da agressividade infantil é direcionado à mãe e posteriormente ao pai. Essas crianças ao sentirem a ausência e a necessidade de suas bases estruturais apresentarão comportamentos em desacordo com os aceitáveis socialmente para, de algum modo, conseguirem a sua maneira a satisfação às suas necessidades e também para conseguirem de algum modo o carinho e atenção que necessitam. As relações interpessoais estão muito afetadas nos dias atuais em que a tecnologia está tentando substituir esse vínculo entre as pessoas, tornando-as frias e distantes umas das outras. A escola deve incentivar o vínculo afetivo entre a comunidade escolar, para que não se corrompa por um caminho sozinho e trazendo consequências drásticas à sociedade. Enfim, pode-se dizer que a escola contribui para as relações interpessoais da criança, mas que, o desenvolvimento integral da criança acontece de acordo com o ambiente vivenciado pela mesma.

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TÁVORA, Clino. Como abordar a agressividade infantil? SAÚDERAM, Portugal, 2007.

  1. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-3763-5728

  2. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-1918-7649

  3. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-0142-5535

  4. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-9261-0348

  5. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-8500-6661

  6. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso –Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-8049-225X

  7. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-4931-2764

  8. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7893-5847

  9. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2115-4174

  10. Profissional independente – Jaciara – Mato Grosso – Brasil. ORCID: https://orcid.org/ 0009-0004-9701-8713

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