Os impactos dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e escrita em alunos do Ensino Fundamental I de uma escola municipal de Porto Velho
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

As dificuldades e desafios enfrentados por alunos dos anos iniciais do ensino fundamental na aprendizagem da leitura e escrita podem variar entre os indivíduos, mas há certos obstáculos comuns que podem ser destacados. Alguns alunos podem ter problemas com a percepção de sons e letras, na correspondência entre eles, na consciência fonológica e na decodificação de palavras. Diante da relevância do tema, este artigo teve como objetivo geral analisar os impactos dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e da escrita de alunos do ensino fundamental I de uma Escola Municipal de Porto Velho – RO. A pesquisa caracteriza-se como básica, do tipo bibliográfico simples e documental, com uma abordagem qualitativa. O estudo foi realizado na Escola Municipal 03 de Dezembro, localizada em Porto Velho/RO, e envolveu duas professoras do Ensino Fundamental I. As informações obtidas por meio das entrevistas com educadoras destacam a importância de uma compreensão aprofundada dos desafios enfrentados pelos estudantes que lutam contra essas dificuldades, bem como a necessidade da implementação de estratégias pedagógicas adaptadas e efetivas. Concluiu-se que a busca por uma educação inclusiva e equitativa deve ser um compromisso coletivo, envolvendo todos os atores sociais. Apenas assim será possível proporcionar um aprendizado significativo e transformar a realidade daqueles que enfrentam transtornos e dificuldades de aprendizagem, assegurando que cada aluno tenha a oportunidade de desenvolver seu potencial, superar barreiras e alcançar o sucesso escolar e pessoal.

Palavras-Chave: Dificuldades de Aprendizagem. Transtornos de Aprendizagem. Leitura. Escrita. Ensino Fundamental.

ABSTRACT

The difficulties and challenges faced by students in the early years of elementary school in learning to read and write may vary among individuals; however, certain common obstacles can be highlighted. Some students may experience difficulties with the perception of sounds and letters, sound-letter correspondence, phonological awareness, and word decoding. Considering the relevance of this topic, this article aimed to analyze the impacts of learning disorders and learning difficulties on the acquisition of reading and writing skills among students in the early years of elementary education at a municipal school in Porto Velho, Rondônia, Brazil. The research is characterized as basic, involving simple bibliographic and documentary research, with a qualitative approach. The study was conducted at Escola Municipal 03 de Dezembro, located in Porto Velho, Rondônia, and involved two teachers from the early years of elementary education. The information obtained through interviews with the teachers highlights the importance of an in-depth understanding of the challenges faced by students experiencing these difficulties, as well as the need to implement adapted and effective pedagogical strategies. It was concluded that the pursuit of inclusive and equitable education must be a collective commitment involving all social actors. Only in this way will it be possible to provide meaningful learning experiences and transform the reality of those facing learning disorders and difficulties, ensuring that every student has the opportunity to develop their potential, overcome barriers, and achieve academic and personal success.

Keywords: Learning Difficulties. Learning Disorders. Reading. Writing. Elementary Education.

1.INTRODUÇÃO

A aprendizagem da leitura e da escrita nos primeiros anos do Ensino Fundamental é um momento crucial para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. No entanto, alguns alunos podem enfrentar transtornos e dificuldades que impactam essa aquisição, afetando de maneira significativa seu desempenho acadêmico e emocional.

A dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a atrasos no processo de aprendizado e pode ser influenciada por diversos fatores, como a interação com o ambiente, a metodologia adotada em sala de aula, entre outros. Nesse contexto, a questão pode não estar necessariamente centrada no aluno, pois há fatores externos que podem interferir em seu processo de aprendizagem. Por outro lado, o distúrbio de aprendizagem refere-se a alterações específicas no sujeito, associadas a patologias.

Segundo Britto (2016), os transtornos de aprendizagem têm suas raízes nas características do próprio indivíduo, onde limitações psicológicas ou emocionais podem interferir no aprendizado. Essas dificuldades podem estar ligadas a vários fatores, incluindo problemas no processamento cerebral das informações e métodos pedagógicos que não estimulam a predisposição do aluno para aprender (BARBOSA BORGES; MARCOS, 2021).

A aquisição da leitura e da escrita é fundamental para o sucesso escolar e o desenvolvimento pessoal do aluno. Entretanto, muitos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental enfrentam transtornos e dificuldades que podem prejudicar esse aprendizado, impactando sua autoestima, comportamento e desempenho acadêmico.

Segundo Barbosa (2023) a dificuldade na aquisição da leitura e escrita pode ser causada por diversos fatores, como dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno específico da linguagem, entre outros. Sendo assim, estudar essas dificuldades permitirá compreender suas causas, impactos e possíveis intervenções pedagógicas, contribuindo para um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e eficaz.

Diante do contexto acima apresentado esse artigo buscou responder a seguinte pergunta de investigação: Quais são os impactos dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e da escrita de alunos do Ensino Fundamental I de uma Escola Municipal de Porto Velho – RO ? 

Este artigo teve como principal objetivo analisar os impactos dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e da escrita de alunos do ensino fundamental I de uma Escola Municipal de Porto Velho – RO. Os objetivos específicos foram: Identificar os principais transtornos e dificuldades de aprendizagem relacionados à leitura e escrita; Avaliar a relação entre os transtornos de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos alunos; propor estratégias e intervenções pedagógicas para auxiliar os alunos com dificuldades na aquisição da leitura e escrita e abordar a diferença entre transtornos de aprendizagem e dificuldades de aprendizagem.

As hipóteses propostas são as seguintes:

Hipótese 1: A dislexia é um dos transtornos mais frequentes que impactam a aquisição da leitura e escrita durante os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Hipótese 2: O TDAH pode comprometer a atenção, a concentração e a organização essenciais para o aprendizado da leitura e escrita.

Hipótese 3: A ausência de intervenções apropriadas por parte dos educadores pode piorar as dificuldades de aprendizagem em leitura e escrita.

Hipótese 4: Métodos pedagógicos diferenciados podem contribuir para o progresso de alunos que enfrentam transtornos e dificuldades de aprendizagem na leitura e escrita.

A pesquisa caracteriza-se como básica, do tipo bibliográfica simples e documental, com uma abordagem qualitativa. O estudo foi realizado na Escola Municipal 03 de Dezembro, localizada em Porto Velho/RO, e envolveu 2 duas professoras do Ensino Fundamental I.

O referencial teórico está dividido em três tópicos principais. O primeiro aborda a importância do papel do professor na identificação e atuação frente a transtornos e dificuldades de aprendizagem, enfatizando a colaboração entre escola e família. O segundo tópico diferencia dificuldades de aprendizagem de transtornos, destacando suas causas e implicações. Por fim, o terceiro tópico apresenta a Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, discutindo estratégias pedagógicas e intervenções que podem auxiliar alunos com dificuldades na aquisição da leitura e escrita. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 TRANSTORNOS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: O PAPEL DO PROFESSOR NO DIRECIONAMENTO DE EM RELAÇÃO À LEITURA E ESCRITA

Durante a construção do conhecimento, questionar o funcionamento do mundo ao nosso redor e despertar a curiosidade, sem temer o erro, são fundamentais para a reflexão e o pensamento crítico. O aluno, ao investigar ativamente seu entorno, busca compreendê-lo e elaborar suas próprias hipóteses. Para que esse processo seja significativo, é essencial que o professor conheça seus alunos, reconhecendo suas potencialidades e limitações, e valorizando seus conhecimentos prévios para consolidar novos saberes. Nesse contexto, o erro é visto como uma ferramenta crucial que contribui para a construção e organização desse conhecimento (LIMA, 2021).

Avaliar os erros e dificuldades dos alunos em relação aos sistemas de leitura e escrita é uma estratégia eficaz para superar as barreiras no ambiente escolar, permitindo a resolução de problemas existentes. A partir da construção do conhecimento, surge a aprendizagem, um processo natural do ser humano, que desde o nascimento aprende o que é essencial para sua sobrevivência, desenvolvendo recursos necessários para tal (LIMA, 2021).

A aprendizagem escolar proporciona à criança a oportunidade de se descobrir, criar suas hipóteses e sistematizar seus conhecimentos. Assim, é importante que ela sinta prazer ao aprender, e as atividades devem ser dinâmicas. O professor é o agente central nesse processo, responsável por criar e direcionar estratégias pedagógicas que garantam bons resultados (MIRANDA, 2021).

É necessária uma colaboração entre a escola e a família, pois a relação entre essas duas instituições é vital para a responsabilidade compartilhada no desenvolvimento da criança. A criança, sendo o elo entre família e escola, pode enfrentar dificuldades, uma vez que o sucesso escolar não pode ser alcançado apenas pela escola sozinha (MIRANDA, 2021).

Um ambiente estimulante e seguro é crucial para a aprendizagem, assim como um clima harmonioso nas relações familiares, que deve proporcionar apoio, amor e motivação ao aprendizado. O professor precisa observar atentamente as condições de aprendizagem de cada aluno, avaliando as particularidades de cada situação para implementar intervenções pedagógicas adequadas e métodos que ajudem na sistematização dos conhecimentos necessários à formação do estudante (MIRANDA, 2021).

A postura do educador diante das dificuldades de aprendizagem associadas à leitura e escrita pode ser construída de maneira positiva ou negativa. O professor deve usar os erros como uma oportunidade de aprendizagem, reavaliando suas práticas. Caso o erro seja encarado como uma ação desvinculada do aprendizado e resulte em punição, o aluno pode se sentir inseguro e incapaz, prejudicando seu processo de aprendizagem. Como menciona Soares (2023), é fundamental que os resultados do trabalho das crianças sejam vistos como um reflexo de suas necessidades, em vez de uma condenação.

A forma como os professores abordam a escrita pode levar muitos alunos a desenvolver aversão à leitura, gerando sérios problemas educacionais. Para muitos docentes, a ênfase no ensino da escrita recai sobre a correção ortográfica, sem a devida consideração dos fatores que fazem de um texto uma boa produção. Segundo Soares (2023), a escola, ao se preocupar excessivamente com a ortografia, muitas vezes ignora que a prioridade inicial deve ser a transferência das habilidades de fala para a escrita, cuidando da ortografia com calma, de forma a não intimidar aqueles que ainda estão aprendendo.

O professor tem um papel essencial na identificação das dificuldades e distúrbios de aprendizagem. É crucial que o professor esteja atento aos sinais que possam indicar problemas no processo de aprendizagem dos alunos, como um desempenho insatisfatório na leitura e escrita, dificuldades de compreensão de textos e falta de interesse ou motivação (DE SOUZA, 2021).

Além disso, é fundamental que o educador conheça as características e os sintomas dos transtornos de aprendizagem para poder encaminhar os alunos para avaliações diagnósticas realizadas por profissionais especializados (DE SOUZA, 2021). O professor deve ter uma abordagem individualizada, reconhecendo as necessidades específicas de cada aluno e utilizando estratégias pedagógicas adequadas para promover seu desenvolvimento. Criar um ambiente inclusivo e acolhedor, que estimule a participação ativa e valorize as habilidades individuais, também é importante (DE SOUZA, 2021).

A observação e o monitoramento do comportamento dos alunos são fundamentais para a identificação precoce de dificuldades e distúrbios de aprendizagem. Ao se envolverem ativamente com os alunos em sala de aula, os professores podem perceber padrões de comportamento, desempenho acadêmico e interações sociais que podem revelar desafios subjacentes.

Nesse sentido, Luckesi (1999) enfatiza que a avaliação deve ser encarada como um ato amoroso entre o professor e o aluno, ressaltando a importância desse vínculo no processo avaliativo. Pesquisas indicam que cerca de 65% dos professores estão preparados para identificar problemas relacionados a dificuldades de aprendizagem, destacando a necessidade de sensibilização e engajamento dos educadores nessa área.

De Souza (2022) afirma que, por meio de observações e análises cuidadosas, os professores podem identificar sinais de problemas de aprendizagem e adotar medidas proativas para resolvê-los de maneira eficaz. As ações incluem observar o comportamento e as interações dos alunos, acompanhar o desempenho acadêmico e o engajamento social, além de reconhecer padrões que possam indicar dificuldades.

A colaboração entre professores, pais e profissionais de educação especial é crucial para a identificação precisa de dificuldades e distúrbios de aprendizagem. Ao trabalharem juntos, essas partes interessadas podem compartilhar observações e avaliações valiosas, proporcionando uma compreensão abrangente das necessidades de cada aluno.

2.2 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM OU TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

O professor desempenha um papel crucial na identificação tanto das dificuldades quanto dos transtornos de aprendizagem. Deve estar atento a sinais, como baixo desempenho em leitura e escrita, dificuldades na compreensão de textos e desinteresse ou desmotivação dos alunos (CLARO, 2023). O conhecimento das características e sintomas dos transtornos é fundamental para que o professor possa encaminhar os alunos a avaliações diagnósticas realizadas por profissionais capacitados.

É importante que o docente tenha um olhar individualizado para cada estudante, compreendendo suas necessidades e buscando estratégias pedagógicas adequadas que promovam seu desenvolvimento. Além disso, deve criar um ambiente inclusivo e acolhedor, incentivando a participação ativa dos alunos e valorizando suas habilidades (SILVA; OLIVEIRA; ALVES, 2022).

Dominar o conhecimento é crucial para a compreensão e organização social, econômica e cultural, permitindo uma participação eficaz nas atividades produtivas e na diminuição das desigualdades no acesso aos bens culturais e materiais. Também é fundamental para a transformação consciente do meio, visando a preservação da vida e a plena cidadania (SILVA; OLIVEIRA; ALVES, 2022).

A aprendizagem é um processo que resulta da modificação do comportamento em virtude das experiências vividas. Portanto, é essencial entender as nuances entre dificuldades e distúrbios, o que é comportamental e o que é científico, considerando as implicações neurológicas e a função do cérebro que levam a essas dificuldades. (SILVA; OLIVEIRA; ALVES, 2022).

Os distúrbios frequentemente estão ligados a disfunções ou lesões neurológicas, resultando em prejuízos para a aprendizagem. Já as dificuldades de aprendizagem normalmente estão associadas a fatores metodológicos e internos do aluno, como questões emocionais e circunstâncias familiares (MENDES; DO VALE, 2022).

Os distúrbios podem limitar a capacidade de realizar atividades, e o aluno frequentemente precisa de ajuda especializada para atingir objetivos sociais e acadêmicos satisfatórios. Em contrapartida, as dificuldades costumam ser influenciadas por diversos fatores externos e internos, como a estrutura escolar, a formação dos profissionais, problemas emocionais e a relação entre escola e família (MENDES; DO VALE, 2022).

Com frequência, a dificuldade que mais se destaca é a leitura, especialmente para alunos de escolas públicas, que geralmente têm acesso limitado a materiais escolares fora do ambiente de aula, não frequentam aulas de reforço ou não contam com acompanhamento familiar em casa, o que agrava ainda mais suas dificuldades de aprendizagem (DE OLIVEIRA; PINTO: MARGRAFT, 2022).

Quando se fala em distúrbios, o tema se torna mais complexo, envolvendo desde traumas de infância até experiências humilhantes em sala de aula e problemas familiares. Muitos alunos de escolas públicas vêm de comunidades que enfrentam sérios problemas, afetando diretamente sua aprendizagem, comportamento e convivência social (DE OLIVEIRA; PINTO: MARGRAFT, 2022). Souza e Casagrande (2019) observam que a falta de compreensão sobre o TDAH pode levar educadores a formarem juízos errôneos sobre os alunos, rotulando-os como desobedientes, mal-educados e rebeldes. Essa percepção distorcida impacta não apenas o processo de aprendizado, mas também as relações da criança com aqueles ao seu redor. A pesquisa indica que o transtorno pode gerar uma autoimagem negativa e baixa autoestima na criança, resultando em riscos como repetência, desempenho escolar insatisfatório, evasão e dificuldades nas interações sociais.

2.3 TEORIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DE DAVID AUSUBEL: ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS PARA AUXILIAR OS ALUNOS COM DIFICULDADES NA AQUISIÇÃO DA LEITURA E ESCRITA

A Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) aborda o processo de aprendizagem cognitiva, enfatizando como o raciocínio dedutivo do indivíduo, fundamentado em seu conhecimento prévio, influencia esse processo. Em essência, essa teoria explica como as pessoas assimilam novos conhecimentos, integrando-os às suas estruturas cognitivas já existentes, através de um complexo processo que possibilita a aquisição de informações (AUSUBEL, NOVAK; HANESIAN, 1968; MASINI, 2011).

A TAS surgiu da insatisfação de Ausubel com sua própria experiência escolar, que se caracterizava pela falta de condições que favorecessem seu desenvolvimento profissional e a aprendizagem dos demais alunos. “Essas experiências, pessoal e profissional, contribuíram para definir as linhas centrais da sua teoria: fazer da escola o local para uso da capacidade de compreender e atribuir significados; focalizar a relevância do processo relacional na aquisição de conhecimentos” (MASINI, 2011, p. 17).

Além disso, os conteúdos contidos nesses materiais devem de alguma maneira, se conectar aos conhecimentos prévios dos alunos, o que é fundamental para que esse material tenha um caráter potencialmente significativo. A colaboração entre pais, educadores e outras partes interessadas é fundamental para oferecer suporte eficaz a alunos com dificuldades de aprendizagem em leitura e escrita. Quando trabalham em conjunto, pais e educadores têm a oportunidade de trocar informações, observações e percepções sobre o progresso e os desafios enfrentados pelos alunos (ZAR, 2024).

Essa abordagem colaborativa assegura que todos os envolvidos estejam unidos para fornecer um suporte consistente e coordenado, adaptando-se às necessidades específicas de cada aluno. A comunicação aberta e a parceria entre a família e a escola são essenciais para implementar as estratégias definidas nos Planos Educacionais Individualizados (IEPs) e para criar um sistema de apoio abrangente que fomente a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos (ZAR, 2024).

A criação de ambientes de aprendizagem adequados e a disponibilização de recursos apropriados são elementos cruciais para assegurar a educação básica dos alunos com dificuldades de aprendizagem em leitura e escrita (SILVA, 2022).

As instituições de ensino podem aprimorar as experiências de aprendizagem ao oferecer intervenções especializadas, tecnologias assistivas e serviços de apoio específicos que atendam às necessidades individuais dos alunos (SILVA, 2022). Ao cultivar uma atmosfera positiva e inclusiva, onde os alunos se sintam apoiados e valorizados, os educadores podem contribuir para aumentar a confiança e a autoestima daqueles que enfrentam desafios de aprendizagem.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este estudo foi realizado na Escola Municipal 03 de Dezembro, localizada em Porto Velho/RO, e envolveu duas professoras do Ensino Fundamental I. A pesquisa caracteriza-se como básica, do tipo bibliográfica simples e documental, com uma abordagem qualitativa. A seguir, descrevemos a definição e especificidades da investigação.

A pesquisa qualitativa parte do princípio de que existe uma relação entre o mundo e o sujeito que transcende a mera quantificação. Segundo GIL (1994), essa abordagem é descritiva e indutiva, permitindo compreender aspectos subjetivos relacionados aos impactos dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e escrita dos alunos. Neste contexto, faz-se necessário considerar os pontos de vista pessoais dos participantes, que foram coletados por meio de questionários e entrevistas, pois cada relato é fundamental para a análise do fenômeno em questão.

A pesquisa bibliográfica simples foi realizada através do levantamento de referências teóricas já publicadas, conforme descrito por FONSECA (2002), que reconhece a importância de combinar semelhanças e diferenças entre documentos. O acesso a informações em meio eletrônico, destacado por BREVIDELLI (2008), permite que a pesquisa seja respaldada por uma base sólida, utilizando fontes diversificadas que tratam dos transtornos e dificuldades de aprendizagem no Ensino Fundamental.

A pesquisa também se qualifica como documental, de acordo com GIL (1994), pois utilizará documentos que não passaram por uma análise prévia. Para isso, serão coletados dados na escola onde a pesquisa será aplicada, a partir do mapeamento e análise das informações fornecidas pela instituição.

A entrevista seguiu um roteiro estruturado, sem possibilidade de alterações nas perguntas, visando garantir a objetividade necessária, já que os participantes possuíam tempo limitado. A seleção dos participantes foi baseada em uma amostra intencional, definida a partir de dados coletados na secretaria da escola.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO


A pesquisa foi conduzida com duas professoras do ensino fundamental, visando entender a percepção e as práticas de ensino relativas aos transtornos de aprendizagem que afetam a leitura e a escrita.

As professoras atuam como docentes na educação infantil e no primeiro ciclo do ensino fundamental, respectivamente. A primeira professora possui 8 anos de experiência, enquanto a segunda tem 5 anos de atuação na mesma instituição de ensino. Ambas relataram um forte compromisso com a aprendizagem de seus alunos e
As duas professoras identificaram diferentes tipos de transtornos de aprendizagem entre seus alunos. A professora 1 mencionou a dislexia e a disgrafia como transtornos frequentes entre seus alunos, evidenciados por dificuldades relacionadas à leitura fluente e à escrita em caligrafia. A professora 2 concordou, mas também adicionou o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que muitas vezes interfere na capacidade de concentração durante a leitura.

Ambas as professoras relataram que esses transtornos têm um impacto significativo no desempenho acadêmico. A professora 1 destacou que alunos com dislexia frequentemente apresentam dificuldades em completar atividades de leitura no tempo esperado, o que os leva a desmotivação. A professora 2 complementou que alunos com TDAH têm dificuldades em manter o foco nas atividades escolares, resultando em notas mais baixas.

As professoras acreditam que a conscientização sobre esses transtornos é insuficiente. A professora 1 enfatizou que muitos pais não compreendem a importância de um diagnóstico e do suporte necessário, o que impede que as crianças recebam o apoio adequado. A professora 2 reiterou essa percepção, acrescentando que existem estigmas associados a esses transtornos que dificultam a abertura do diálogo sobre o tema.
Para apoiar alunos com dificuldades na leitura e escrita, ambas as professoras utilizam estratégias diferenciadas. A professora 1 enfatiza a utilização de jogos pedagógicos e recursos visuais para tornar o aprendizado mais lúdico e acessível. Já a professora 2 utiliza adaptações nos materiais didáticos e técnicas de leitura em voz alta para auxiliar esses alunos a se familiarizarem com os textos.

Tanto a professora 1 quanto a professora 2 percebem que há uma diferença clara entre transtornos de aprendizagem e dificuldades de aprendizagem. A professora 1 exemplificou que transtornos como a dislexia exigem intervenções específicas e um acompanhamento mais intensivo, enquanto dificuldades momentâneas, como a falta de prática, podem ser superadas com reforço e dedicação.

Ambas enfatizaram a importância do suporte externo, incluindo a atuação de psicopedagogos e orientadores educacionais. A professora 1 já buscou orientação psicopedagógica para coletar estratégias que melhorem a aprendizagem dos alunos. A professora 2 expressou interesse em estabelecer parcerias com profissionais para workshops formativos.

As professoras avaliaram as intervenções implementadas como moderadamente eficazes. A professora 1 observou algumas melhorias na autoestima dos alunos, enquanto a professora 2 notou avanços na participação dos alunos nas atividades de sala de aula, embora ainda sinta que precisa de mais recursos.

Por fim, ambas as professoras sugeriram a implementação de programas de formação para os professores sobre os transtornos de aprendizagem, além de maior envolvimento dos pais na escolarização dos filhos. A professora 1 também sugere a criação de grupos de apoio na escola, onde os alunos possam compartilhar experiências e estratégias.

Esses resultados demonstram a necessidade de conscientização e medidas efetivas para apoiar alunos com dificuldades de aprendizagem, além do fortalecimento da colaboração entre educadores e profissionais especializados. 

5. CONCLUSÃO

O presente estudo trouxe à luz a complexidade dos transtornos e dificuldades de aprendizagem na aquisição da leitura e da escrita, com um foco específico nos alunos do Ensino Fundamental I na Escola Municipal 03 de Dezembro, em Porto Velho – RO. As informações obtidas por meio das entrevistas com educadoras destacam a importância de uma compreensão aprofundada dos desafios enfrentados pelos estudantes que lutam contra essas dificuldades, bem como a necessidade da implementação de estratégias pedagógicas adaptadas e efetivas.

As professoras participantes relataram experiências significativas em suas práticas diárias, ressaltando transtornos como dislexia, disgrafia e TDAH, que impactam diretamente o desempenho acadêmico e a autoestima dos alunos. O fator mais alarmante é a percepção de que a conscientização sobre esses transtornos ainda é insuficiente, tanto entre os educadores quanto entre os responsáveis. O estigma associado a esses diagnósticos frequentemente impede a busca por intervenções adequadas, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

Diante disso, é imprescindível que as instituições de ensino promovam programas de formação continuada para os professores, capacitando-os a identificar e atender às necessidades específicas de cada aluno. A colaboração entre escola e família é vital, pois um ambiente de apoio pode ser decisivo para a superação das dificuldades. As sugestões das educadoras, como a criação de grupos de apoio e a promoção de workshops, são caminhos promissores para fomentar a troca de experiências e estratégias de aprendizagem.

Além disso, a implementação de intervenções pedagógicas que respeitem a individualidade de cada estudante e utilizem recursos diversificados, como jogos e métodos visuais, pode tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficaz e prazeroso. Ao transformar o erro em uma oportunidade de aprendizado, os educadores ajudam a construir um espaço seguro e acolhedor, onde os alunos se sintam motivados e valorizados.

Por fim, a busca por uma educação inclusiva e equitativa deve ser um compromisso coletivo, envolvendo todos os atores sociais. Apenas assim será possível proporcionar um aprendizado significativo e transformar a realidade daqueles que enfrentam transtornos e dificuldades de aprendizagem, assegurando que cada aluno tenha a oportunidade de desenvolver seu potencial, superar barreiras e alcançar o sucesso escolar e pessoal. Essa é uma responsabilidade que vai além da sala de aula e requer um olhar sensível e atento às particularidades de cada estudante. 

REFERÊNCIAS

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ZAR, T. Contribuição das habilidades de processamento fonológico e visual para o desempenho em leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental. 2024. Tese (Doutorado) — Universidade de São Paulo, 2024.



  1. Pós-graduada em docência do ensino superior pela Faculdade Faveni. Pós-graduada em Didática e Metodologias Ativas de Aprendizagem pela Faculdade Faveni. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Uniron. Graduada em Letras Português/ Espanhol. E-mail: Dannyishiy0@gmail.com.

  2. Mestranda em educação pelo Funiber. Graduada em Artes pela Faculdade Claretiano. E-mail: mfmota103@gmail.com

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Copyright (c) 2026 Danny Ishiy Gonçalves Amorim, Maria de Fátima Mota (Autor)

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