Desafios linguísticos no acolhimento de estudantes venezuelanos em Porto Velho: a importância da língua espanhola no processo educacional
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

RESUMO

O acolhimento de estudantes venezuelanos em Porto Velho apresenta desafios significativos para o sistema educacional, principalmente devido às barreiras linguísticas enfrentadas ao ingressar nas escolas. A língua espanhola, por ser a língua materna desses alunos, é crucial para sua integração e aprendizado. Portanto, é fundamental implementar estratégias que facilitem a adaptação e promovam um ambiente escolar inclusivo. Nesse sentido, o artigo teve como objetivo geral analisar de que maneira a língua espanhola pode ser integrada nas práticas pedagógicas, promovendo a inclusão e o desenvolvimento integral desses alunos. A presente pesquisa adotou uma abordagem de revisão bibliográfica, com o intuito de compilar, analisar e discutir as principais contribuições teóricas e evidências empíricas relacionadas ao ensino de arte na formação de professores do curso de Pedagogia, especialmente nas séries iniciais. A presente pesquisa adotou uma abordagem de revisão bibliográfica, com o objetivo de compilar, analisar e discutir as principais contribuições teóricas e evidências empíricas relacionadas aos desafios linguísticos enfrentados por estudantes venezuelanos em Porto Velho e à importância da língua espanhola no processo educacional. Os resultados da pesquisa apresentaram que o acolhimento de estudantes venezuelanos em Porto Velho apresenta desafios significativos, principalmente devido às barreiras linguísticas enfrentadas ao ingressar nas escolas. A língua espanhola é crucial para a integração desses imigrantes, servindo como um meio essencial de comunicação e construção de conhecimentos. Assim, é vital que as instituições educacionais adotem estratégias que favoreçam a inclusão e a adaptação desses alunos ao novo ambiente escolar. A pesquisa destaca a relevância decisiva da língua espanhola no acolhimento e inclusão de estudantes venezuelanos em Porto Velho, sublinhando o impacto da Lei Estadual n.º 4.394, que torna o espanhol obrigatório nas escolas. No entanto, as limitações na carga horária do ensino da língua revelam a necessidade de um compromisso contínuo com práticas pedagógicas inclusivas e valorizadoras da diversidade cultural. Assim, conclui-se que para garantir uma integração efetiva e o bem-estar dos imigrantes, é essencial promover um ambiente educacional que respeite suas especificidades e ofereça verdadeiras oportunidades de aprendizado.

Palavras-chave: Implicações linguísticas; Alunos imigrantes; Língua espanhola; Processo educacional.

ABSTRACT


The reception of Venezuelan students in Porto Velho poses significant challenges for the local educational system, mainly due to the language barriers these students face when entering schools. The Spanish language, being the native language of these students, is crucial for their integration and learning. Therefore, it is essential to implement strategies that facilitate adaptation and promote an inclusive school environment. In this sense, the article aims to analyze how the Spanish language can be integrated into pedagogical practices, promoting the inclusion and overall development of these students. This research adopted a bibliographical review approach to compile, analyze, and discuss the main theoretical contributions and empirical evidence related to the language education of Venezuelan students in Porto Velho and the importance of the Spanish language in the educational process. The research results show that the reception of Venezuelan students in Porto Velho presents significant challenges, primarily due to the linguistic barriers encountered upon entering schools. The Spanish language is crucial for the integration of these immigrants, serving as an essential means of communication and knowledge construction. Thus, it is vital that educational institutions adopt strategies that favor the inclusion and adaptation of these students to the new school environment. The research highlights the decisive relevance of the Spanish language in the reception and inclusion of Venezuelan students in Porto Velho, underscoring the impact of State Law No. 4,394, which makes Spanish mandatory in schools. However, the limitations in the teaching workload of the language reveal the need for a continuous commitment to inclusive educational practices that value cultural diversity. Therefore, it is concluded that to ensure effective integration and the well-being of immigrants, it is essential to promote an educational environment that respects their specificities and offers genuine learning opportunities.


Keywords: Linguistic implications; immigrant students; Spanish language; Educational process.

1 INTRODUÇÃO


O processo de acolhimento de estudantes venezuelanos em Porto Velho representa um desafio significativo para o sistema educacional local, especialmente no que se refere às barreiras linguísticas que esses alunos enfrentam ao ingressar nas escolas. A questão da língua é um aspecto fundamental na integração de qualquer grupo de imigrantes, e, no caso dos estudantes provenientes da Venezuela, a língua espanhola emerge como um elemento de suma importância no processo educacional.

A língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um instrumento que viabiliza a construção de conhecimentos e a formação de vínculos sociais. Diante disso, a dificuldade em compreender e se fazer entender pode levar a um sentimento de exclusão e dificultar a adaptação desses alunos ao novo ambiente escolar. Este contexto exige que as instituições educacionais adotem estratégias que possibilitem um acolhimento efetivo, reconhecendo a importância da língua espanhola como um recurso que pode facilitar a interação e o aprendizado.

É imprescindível que os educadores estejam preparados para lidar com essa diversidade linguística. A formação docente deve incluir práticas que respeitem e valorizem a língua materna dos alunos, considerando-a um aspecto positivo e uma oportunidade de enriquecimento cultural no ambiente escolar. Além disso, a inclusão da língua espanhola no currículo pode servir como um ponto de partida para a construção de um espaço de aprendizagem mais inclusivo e acolhedor.

Assim, a presente pesquisa se justifica pela necessidade de compreender os desafios linguísticos enfrentados pelos estudantes venezuelanos e pela relevância da língua espanhola no processo de ensino-aprendizagem em Porto Velho. O objetivo geral deste estudo é analisar de que maneira a língua espanhola pode ser integrada nas práticas pedagógicas, promovendo a inclusão e o desenvolvimento integral desses alunos. Os objetivos específicos incluem examinar as estratégias que podem ser adotadas pelos educadores para facilitar a adaptação linguística dos estudantes, verificar as políticas educacionais para acolhimento e inclusão de imigrantes venezuelanos em Porto Velho e avaliar o impacto da valorização da língua espanhola na construção de uma identidade escolar mais coesa e integrada.

Por meio dessa pesquisa, espera-se contribuir para a formação de um contexto educacional que não apenas respeite as diferenças linguísticas, mas que também ofereça oportunidades de aprendizado significativas para todos os alunos, independentemente de sua origem cultural ou linguística. 

O artigo foi estruturado em seções que exploram diferentes aspectos dos desafios linguísticos enfrentados pelos estudantes venezuelanos em Porto Velho. Na introdução, são apresentados o contexto e a relevância do estudo, destacando a importância da língua espanhola para esses alunos. Em seguida, o referencial teórico é dividido em quatro tópicos principais: o primeiro aborda a Lei Estadual n.º 4.394, que torna obrigatória a inclusão do espanhol nas escolas, ressaltando sua implementação e impacto.

O segundo tópico discute os desafios linguísticos e culturais que esses estudantes enfrentam ao se integrar ao sistema educacional, identificando barreiras significativas. O terceiro tópico explora as políticas educacionais existentes que visam acolher e incluir imigrantes, mencionando iniciativas como o curso de português para facilitar a inserção sociocultural. Por fim, o quarto tópico sugere estratégias que educadores podem adotar para ajudar na adaptação linguística dos alunos, enfatizando a importância de um ambiente escolar acolhedor e bilíngue. Assim, o artigo oferece uma análise abrangente, com ênfase nas políticas e práticas pedagógicas necessárias para uma educação inclusiva.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA ESPANHOLA NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO DA LEI ESTADUAL N.º 4.394 E SUA IMPLEMENTAÇÃO EM RONDÔNIA

A lei n.º 4.394, datada de 03 de outubro de 2018 e publicada na Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, estabeleceu que a oferta da língua espanhola nas escolas da rede estadual de ensino médio será obrigatória, ao lado da língua inglesa. Isso significa que as instituições de ensino de nível médio devem incluir o espanhol em seu currículo de forma compulsória, sem a possibilidade de optar por outras línguas estrangeiras, conforme destacado no texto da lei (ALE-RO, 2018).

Além disso, o inciso primeiro da lei menciona que nas escolas estaduais a oferta do espanhol também pode ser facultativa no currículo do ensino fundamental. Contudo, o Art. 1º, § 2º, aponta que o espanhol será ministrado apenas uma hora por ano letivo no ensino médio (ALE-RO, 2018).

O Art. 2º assegura que, dentro do sistema educacional brasileiro, as aulas de língua estrangeira, quando se referindo ao espanhol, serão realizadas no horário regular. No que diz respeito à formação dos professores, a lei estabelece que os educadores deverão ter formação em cursos específicos, conforme disposto no Art. 1º: "Licenciatura Plena em Letras – Espanhol, Licenciatura Plena em Letras com dupla habilitação em Espanhol-Português ou Licenciatura Plena em Letras com pós-graduação em Espanhol".(ALE-RO, 2018).

De acordo com o Art. 5º da mesma legislação, os sistemas de ensino e as instituições educacionais devem ajustar seus currículos e grades para incluir o estudo do espanhol na modalidade de ensino médio, com a implementação dessa norma a partir do ano letivo de 2019 (ALE-RO, 2018).

Portanto, a inclusão da língua espanhola na legislação educacional evidencia sua importância no ambiente escolar. A Lei Estadual de ensino do espanhol em Rondônia garante a inclusão de uma nova língua nas grades curriculares, especialmente em um contexto onde frequentemente se priorizava o ensino do inglês, proporcionando assim aos estudantes de nível médio a oportunidade de aprender duas línguas contemporâneas (inglês e espanhol). Isso ressalta a relevância dessas línguas na formação integral do aluno, tanto em sua cidadania quanto em sua preparação profissional.

2.2 DESAFIOS LINGUÍSTICOS NO ACOLHIMENTO DE ESTUDANTES VENEZUELANOS EM PORTO VELHO

A experiência educacional de alunos imigrantes venezuelanos em escolas da rede pública municipal de Porto Velho enfrenta diversos desafios que vão além da simples barreira do idioma. Esses estudantes, ao se deslocarem para um novo país em busca de melhores condições de vida, deparam-se com um ambiente escolar que pode ser, ao mesmo tempo, acolhedor e hostil (Pereira; Cotinguiba; Souza, 2019).

As dificuldades linguísticas, culturais e sociais são fatores que impactam diretamente sua capacidade de se adaptar e de se integrar ao sistema de ensino. Portanto, compreender essas barreiras é fundamental para promover uma educação inclusiva que respeite e valorize as identidades e as experiências desses alunos, garantindo-lhes uma trajetória educacional mais equitativa e significativa (Pereira; Silva e Peters, 2019).

Quando crianças e adolescentes imigrantes, como os venezuelanos, ingressam em ambientes escolares, conforme apontado por Monteiro (2021) eles frequentemente enfrentam um choque cultural devido ao contato com valores e comportamentos distintos dos que conheciam. Esse conflito pode ter efeitos tanto imediatos quanto a longo prazo em suas experiências educacionais.

A inclusão desse público nas escolas muitas vezes esbarra em desafios que não estão no controle direto da comunidade escolar, dificultando a elaboração de estratégias educacionais adequadas que considerem a nova língua, métodos de ensino e a diversidade cultural (Monteiro, 2021).

Monteiro (2021) destaca que as crianças imigrantes podem enfrentar desafios significativos, uma vez que se veem imersas em uma cultura diferente, o que pode afetar sua aprendizagem e relacionamento familiar. A disparidade entre a educação recebida em casa e a oferecida na escola provoca tensões culturais. Esses alunos, ao se inserirem nas escolas brasileiras, precisam não só lidar com o currículo e a língua portuguesa, mas também superar preconceitos e discriminações que muitas vezes surgem em sala de aula, especialmente referentes à sua língua materna e aparência, frequentemente exacerbados por condições financeiras que resultam em vestimentas inadequadas.

Em uma pesquisa conduzida por Simpsom (2021) foram identificadas diversas dificuldades que crianças imigrantes enfrentam ao acessar as escolas públicas em Porto Velho. De acordo com a autora, uma das principais questões é a barreira linguística, que obriga os alunos que nunca tiveram contato com a língua portuguesa a aprender rapidamente para conseguirem realizar as avaliações. Embora muitos consigam se integrar em suas respectivas séries, outros têm que voltar a séries anteriores e rever conteúdos já estudados.

2.3 POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA ACOLHIMENTO E INCLUSÃO DE IMIGRANTES VENEZUELANOS EM PORTO VELHO

A crescente onda de imigração venezuelana para o Brasil, desencadeada por crises econômicas e sociais, demanda uma resposta efetiva por parte do Estado, especialmente no que tange a políticas educacionais que promovam a acolhida e a inclusão desses imigrantes. Porto Velho, como um dos principais pontos de entrada e acolhimento, enfrenta o desafio de garantir que os venezuelanos possam se integrar à sociedade brasileira, sendo a educação um eixo fundamental nesse processo (Monteiro, 2021).

Uma das iniciativas destacadas é o curso de português oferecido pela Universidade Federal de Rondônia em parceria com a Cáritas Arquidiocesana de Porto Velho e a Pastoral do Migrante. Este projeto de extensão, denominado "Migração Internacional na Amazônia Brasileira: linguagem e inserção social de imigrantes em Porto Velho" têm como objetivo proporcionar aulas de português como língua de acolhimento. Ao ensinar a língua, busca-se não apenas facilitar a comunicação, mas também oferecer uma ferramenta essencial para a inserção sociocultural dos imigrantes no novo contexto (Monteiro, 2021).

As aulas de português são complementadas por serviços de assessoria na tradução de documentos e na orientação para a inserção escolar nos níveis fundamental, médio, técnico e superior. Esta abordagem holística é crucial, pois muitos imigrantes se deparam com a necessidade de reconhecer e validar suas qualificações educacionais, o que muitas vezes se torna um obstáculo à sua inclusão no sistema educacional brasileiro. Ao prestar esse suporte, o projeto promove a construção de novos vínculos sociais e a sensação de pertencimento. (Monteiro, 2021).

Além disso, a assessoria consular também se torna um aspecto importante das políticas educacionais, ajudando imigrantes e refugiados a navegar no complexo sistema burocrático que envolve a regularização da sua situação no Brasil. Nesse contexto, a atuação da Cáritas, por meio do Programa Pana, contribui para oferecer condições de vida digna aos imigrantes venezuelanos, reafirmando o compromisso humanitário com aqueles que buscam refúgio e novas oportunidades. Essas iniciativas refletem a importância de uma abordagem integrada nas políticas educacionais voltadas para imigrantes, considerando as especificidades de cada grupo e os desafios que enfrentam (Monteiro, 2021).

O acolhimento não pode se restringir apenas ao fornecimento de conhecimento, mas deve incluir suporte emocional e psicológico, a fim de que os imigrantes se sintam valorizados e respeitados em suas identidades culturais. (Pereira; Silva e Peters, 2019).

Em suma, as políticas educacionais em Porto Velho não devem apenas focar na aprendizagem do idioma, mas também na promoção de um ambiente que favoreça a inclusão e a valorização da diversidade, constituindo um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa. Assim, Porto Velho se configura como um espaço de esperança e reconstrução para muitos venezuelanos, que, por meio da educação e do acolhimento, vislumbram um futuro mais promissor em terras brasileiras.

2.4 ESTRATÉGIAS QUE PODEM SER ADOTADAS PELOS EDUCADORES PARA FACILITAR A ADAPTAÇÃO LINGUÍSTICA DOS ESTUDANTES


Para facilitar a adaptação dos estudantes imigrantes venezuelanos, os educadores podem adotar uma abordagem pedagógica inclusiva que valorize a diversidade cultural e linguística. Uma estratégia eficaz é a implementação de aulas que integrem práticas de ensino bilíngue, utilizando tanto o espanhol (idioma nativo dos alunos venezuelanos) quanto o português, permitindo que eles se expressem em sua língua materna enquanto aprendem a nova língua (Pereira; Silva e Peters, 2019).

Esta abordagem não apenas ajuda na aquisição do português, mas também respeita e valoriza a identidade cultural dos alunos, promovendo um ambiente escolar mais acolhedor e participativo. Ao criar situações de aprendizagem contextualizadas e relacionadas à cultura venezuelana, os professores podem incentivar a participação dos alunos e facilitar a construção de novos conhecimentos (Pereira; Cotinguiba; Souza, 2019).

Outra estratégia importante é a formação continuada dos educadores, com foco em metodologias que abordem as necessidades específicas dos alunos imigrantes. Oferecer capacitações e treinamentos sobre a diversidade cultural, barreiras linguísticas e estratégias de inclusão são essenciais para que os professores estejam preparados para lidar com os desafios que surgem em sala de aula. Isso pode incluir o desenvolvimento de competências para implementar atividades que promovam a interação entre alunos imigrantes e locais, como projetos colaborativos que estimulem o diálogo e o respeito mútuo. Além disso, promover um ambiente escolar que valorize a troca de experiências, como a criação de grupos de discussão e intercâmbio cultural, pode ser benéfico para a integração social e acadêmica dos estudantes (Pereira; Cotinguiba; Souza, 2019).

Por fim, é fundamental que as escolas estabeleçam parcerias com organizações comunitárias e serviços de apoio, como a Cáritas e outras instituições que trabalham com imigrantes. Essa colaboração pode facilitar o acesso a recursos, como aulas de português, assessoria para a validação de diplomas e apoio psicológico. Ao integrar serviços de apoio às iniciativas educacionais, as escolas podem garantir que os alunos imigrantes não apenas aprendam uma nova língua, mas também se sintam apoiados emocionalmente em sua transição para um novo contexto (Simpsom, 2021). Dessa forma, as instituições de ensino se tornam espaços de acolhimento, onde os estudantes se sentem valorizados e motivados a superar os desafios linguísticos e culturais que enfrentam. 

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


A presente pesquisa adotou uma abordagem de revisão bibliográfica, com o objetivo de compilar, analisar e discutir as principais contribuições teóricas e evidências empíricas relacionadas aos desafios linguísticos enfrentados por estudantes venezuelanos em Porto Velho e à importância da língua espanhola no processo educacional. Para tanto, o procedimento metodológico foi dividido nas seguintes etapas:

Elaboração da Estratégia de Busca: Inicialmente, elaborou-se uma estratégia de busca sistemática e meticulosa, conforme as diretrizes propostas por Lakatos e Marconi (2011). Essa estratégia incluiu a seleção de palavras-chave pertinentes ao tema, como “desafios linguísticos”, “acolhimento de imigrantes”, “língua espanhola”, “educação em Porto Velho” e “inclusão educacional”, permitindo um alcance abrangente na literatura disponível.

Levantamento da Literatura: O levantamento buscou incluir diferentes tipos de materiais, como livros, artigos científicos revisados por pares, teses e dissertações, além de periódicos nas áreas de educação, migração e linguística. As pesquisas foram realizadas nas bases de dados Google Acadêmico e outras plataformas relevantes.

Critérios de Inclusão e Exclusão: Os critérios de inclusão consideraram apenas publicações que abordaram especificamente a relevância da língua espanhola no contexto educacional para estudantes venezuelanos e os desafios enfrentados por esses alunos no Brasil. Excluíram-se materiais que não apresentaram foco na integração linguística ou na inclusão educacional.

Análise e Avaliação das Evidências: Após a seleção dos materiais, realizou-se uma leitura crítica das publicações identificadas, com foco nos objetivos específicos da pesquisa. Essa análise incluiu a identificação das contribuições da língua espanhola para a inserção sociocultural dos estudantes venezuelanos e o impacto das práticas pedagógicas adotadas nas escolas de Porto Velho.
Discussão e Conclusão: Por fim, a pesquisa culminou na discussão dos achados à luz da literatura revisada, ressaltando a importância da língua espanhola no acolhimento e na educação dos estudantes venezuelanos, assim como seu papel no desenvolvimento de uma identidade escolar mais coesa e integrada. 

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A discussão dos resultados aponta para a importância da língua espanhola no contexto educacional, especialmente diante da crescente presença de estudantes venezuelanos em Porto Velho. Conforme exposto na Lei Estadual n.º 4.394, a inclusão obrigatória do espanhol no currículo escolar, juntamente com o inglês, reflete uma tentativa de preparar os alunos para a realidade multicultural e bilíngue da região (Pereira; Cotinguiba; Souza, 2019). No entanto, a implementação desse programa enfrenta desafios significativos, como a carga reduzida de aulas de espanhol no ensino médio, que é de apenas uma hora por ano letivo (Art. 1º, § 2º). Essa limitação pode prejudicar a fluência e a prática da língua, tanto para os nativos quanto para os alunos que falam espanhol como segunda língua, evidenciando a necessidade de estruturas curriculares mais robustas.

Os desafios enfrentados pelos estudantes venezuelanos ao ingressar no sistema educacional brasileiro ampliam as discussões sobre a necessidade de uma abordagem pedagógica inclusiva. Esses alunos frequentemente se deparam com barreiras culturais e sociais que afetam sua adaptação escolar (Monteiro, 2021). A pesquisa revela que o choque cultural e as tensões entre as realidades educacionais em casa e na escola podem ser fatores desestabilizadores para esses estudantes, refletindo nas suas aprendizagens e interações sociais. A superação dessas dificuldades exige um esforço conjunto entre educadores e instituições escolares para desenvolver metodologias que favoreçam o acolhimento e a inclusão (Pereira; Silva e Peters, 2019).

Em relação às políticas educacionais, observa-se um esforço para integrar imigrantes ao sistema, por meio de projetos como o de extensão universitária da Universidade Federal de Rondônia. Este projeto, além de oferecer aulas de português como língua de acolhimento, proporciona assessoria na tradução de documentos e na orientação educacional, favorecendo assim a inserção sociocultural dos imigrantes (Monteiro, 2021). A importância de um suporte holístico, que inclui não apenas o aspecto acadêmico, mas também o emocional e social, é destacado por Pereira, Silva e Peters (2019). O acolhimento deve transcender o ato de ensinar a língua, englobando percepção e respeito às identidades culturais dos alunos.
Por fim, as estratégias sugeridas para a facilitação da adaptação linguística, como a implementação de práticas de ensino bilíngue, são essenciais e devem ser priorizadas. Essas práticas não apenas reconhecem a língua materna como uma ferramenta útil no processo de aprendizagem, mas também valoriza a cultura dos alunos (Pereira; Cotinguiba; Souza, 2019). Além disso, a formação continuada dos educadores e a criação de parcerias com organizações que oferecem suporte a imigrantes são passos fundamentais para garantir um ambiente escolar inclusivo e acolhedor. Dessa forma, a educação se apresenta como um espaço de reconstrução e esperança, possibilitando a construção de uma sociedade mais justa e integrada. Assim, a discussão enfatiza que a implementação eficiente da língua espanhola e as condições de acolhimento aos imigrantes não são apenas erros a serem corrigidos, mas oportunidades para a construção de uma educação que valorize a diversidade.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS


A pesquisa sobre os desafios linguísticos enfrentados por estudantes venezuelanos em Porto Velho revela a importância da língua espanhola no processo de acolhimento e inclusão escolar. A Lei Estadual n.º 4.394, que torna obrigatória a inclusão do espanhol no currículo escolar ao lado do inglês, é um passo significativo para atender à diversidade linguística que caracteriza a realidade atual. No entanto, as limitações na carga horária para o ensino do espanhol, estabelecida em apenas uma hora por ano letivo, indicam que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a fluência e a prática adequadas dessa língua, que é essencial para a integração dos alunos imigrantes.

Os desafios identificados, como as barreiras culturais e sociais, reforçam a necessidade de uma abordagem pedagógica inclusiva. O choque cultural enfrentado por esses estudantes deve ser um ponto focal para as estratégias educacionais. Os educadores têm um papel crucial na promoção de metodologias que favoreçam a adaptação linguística e cultural dos alunos, devendo considerar as particularidades de cada grupo e as experiências que esses estudantes trazem consigo.

Ademais, as iniciativas em parceria com instituições como a Universidade Federal de Rondônia e a Cáritas Arquidiocesana proporcionam um suporte fundamental para a inserção sociocultural dos imigrantes. Serviços como aulas de português, assessoria na tradução de documentos e suporte emocional são indispensáveis para que esses alunos consigam superar as dificuldades impostas pela nova realidade e se sintam acolhidos em seu novo ambiente escolar.

Para que as mudanças pretendidas na legislação e nas práticas pedagógicas sejam efetivas, é necessário um compromisso contínuo por parte das instituições educacionais e dos educadores. A formação continuada deve capacitar os profissionais do ensino a lidar com as especificidades dos alunos imigrantes, promovendo um espaço escolar que valorize a diversidade linguística e cultural.

Compreender e integrar a língua espanhola nas práticas educativas não é apenas uma questão de currículo, mas um passo em direção a uma educação mais inclusiva e equitativa. O reconhecimento da língua espanhola como um recurso valioso no ambiente escolar pode contribuir para a construção de uma identidade escolar coesa e integrada, permitindo que todos os alunos, independentemente de sua origem, tenham acesso a uma educação de qualidade que respeite suas particularidades e potencialize suas habilidades.

Em suma, a pesquisa reafirma a relevância do acolhimento para imigrantes, não apenas no aspecto acadêmico, mas também no bem-estar emocional e social, promovendo um ambiente educativo que se constitua como um verdadeiro espaço de esperança e oportunidades para os estudantes venezuelanos em Porto Velho. A construção de uma sociedade mais justa e integrada depende, em grande parte, da capacidade do sistema educacional de atender a essa nova realidade com empatia e eficácia. 

REFERÊNCIAS

ALE- RO. Lei n° 4.394, de 3 de outubro de 2018. Estabelece a obrigatoriedade da oferta da língua espanhola nas escolas da rede estadual de ensino médio. Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, Rondônia, 3 out. 2018. Disponível em: https://sapl.al.ro.leg.br/media/sapl/public/normajuridica/2018/8576/l4394.pdf. Acesso em: 22/03/2026.

MONTEIRO, Luciana Oliveira. Mapeamento da língua de sinais venezuelana com surdos refugiados em porto velho / Rondônia. Dissertação( Mestrado em letras), Universidade Federal de Rondônia - UNIR, Porto Velho,RO, 2021. 139 f: il. Disponível em: https://ri.unir.br/jspui/handle/123456789/3502. Acesso em: 22/03/2026.

PEREIRA, Gabriel Costa; COTINGUIBA,Laura Aires ; SOUZA, Pâmela Melo de. Implicações linguísticas no acesso de imigrantes na rede pública escolar de Porto Velho. Revista Presença geográfica, Vol. VI, núm. especial, 2019. Disponível em: https://www.periodicos.unir.br/index.php/RPGeo/article/view/4262/2864. Acesso em: 22/03/2026.

PEREIRA, Rosa Martins Costa; SILVA, Ednalva Oliveira Aires ; PETERS, Maria José Ambrósio dos Reis. escola na rota de migração: relato de experiência,desejos e desafios. Revista Presença geográfica, Vol. VI, núm. especial, 2019. Disponível em: https://portal.amelica.org/ameli/journal/274/2741099014/html/. Acesso em: 22/03/2026.

SIMPSON, Yan Silva. Imigração e acolhimento: rede de assistência social estatal a haitianos e venezuelanos em porto velho - língua português. Artigo - direitos humanos e acesso à justiça, Universidade Federal de Rondônia – UNIR , Porto velho, Rondônia , 2021. Disponivel em: https://www.even3.com.br/anais/vreoalcei2021/447297-imigracao-e-acolhimento--rede-de-assistencia-social-estatal-a-haitianos-e-venezuelanos-em-porto-velho/.

Acesso em: 22/03/2026.

  1. Pós-graduada em docência do ensino superior pela Faculdade Faveni. Pós-graduada em Didática e Metodologias Ativas de Aprendizagem pela Faculdade Faveni. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Uniron. Graduada em Letras Português/ Espanhol. E-mail: Dannyishiy0@gmail.com.

  2. Mestranda em educação pelo Funiber. Graduada em Artes pela Faculdade Claretiano. E-mail: mfmota103@gmail.com

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Danny Ishiy Gonçalves Amorim, Maria de Fátima Mota (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.