A segurança do paciente como ferramenta da gestão hospitalar: uma revisão integrativa da literatura
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A segurança do paciente constitui um dos principais pilares da qualidade dos serviços de saúde, sendo reconhecida como elemento estratégico para o fortalecimento da gestão hospitalar. A adoção de práticas voltadas à prevenção de eventos adversos, ao gerenciamento de riscos e à melhoria contínua dos processos assistenciais contribui para a redução de danos aos pacientes e para o aumento da eficiência organizacional. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas acerca da segurança do paciente como ferramenta da gestão hospitalar, identificando as principais estratégias gerenciais, os desafios enfrentados pelas instituições de saúde e as contribuições dessas ações para a qualidade da assistência. Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura, desenvolvida a partir da estratégia PICo e conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A busca foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), PubMed e Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando os descritores "Segurança do Paciente", "Gestão Hospitalar", "Qualidade da Assistência à Saúde" e "Eventos Adversos", combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos científicos publicados entre os anos de 2016 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol. Os resultados evidenciaram que a implementação de protocolos assistenciais, o fortalecimento da cultura de segurança, a educação permanente das equipes, o gerenciamento de riscos e o monitoramento de indicadores contribuem significativamente para a redução de eventos adversos e para a melhoria da qualidade assistencial. Em contrapartida, foram identificados desafios relacionados ao dimensionamento inadequado de profissionais, falhas de comunicação, limitações estruturais, resistência às mudanças organizacionais e subnotificação de incidentes. Conclui-se que a segurança do paciente deve ser compreendida como componente essencial da gestão hospitalar, sendo indispensável para o desenvolvimento de serviços de saúde mais seguros, eficientes e comprometidos com a excelência da assistência.

Palavras-chave: Segurança do paciente. Gestão hospitalar. Qualidade da assistência à saúde. Cultura de segurança.

ABSTRACT

Patient safety is a key pillar of healthcare service quality and is recognized as a strategic element for strengthening hospital management. Adopting practices aimed at preventing adverse events, managing risks, and continuously improving care processes contributes to reducing patient harm and increasing organizational efficiency. In this context, this study aimed to analyze scientific evidence regarding patient safety as a hospital management tool, identifying key management strategies, challenges faced by healthcare institutions, and the contributions of these actions to the quality of care. This is an integrative literature review developed using the PICo strategy and conducted in accordance with the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020) guidelines. The search was performed in the Virtual Health Library (VHL), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), PubMed, and Scientific Electronic Library Online (SciELO) databases, using the descriptors "Patient Safety," "Hospital Management," "Quality of Health Care," and "Adverse Events," combined with the Boolean operators AND and OR. Scientific articles published between 2016 and 2026, available in full text and in Portuguese, English, or Spanish, were included. The results demonstrated that the implementation of care protocols, the strengthening of a safety culture, continuous staff education, risk management, and the monitoring of indicators contribute significantly to reducing adverse events and improving the quality of care. Conversely, challenges were identified regarding inadequate staffing levels, communication failures, structural limitations, resistance to organizational change, and the underreporting of incidents. It is concluded that patient safety must be understood as an essential component of hospital management, being indispensable for the development of healthcare services that are safer, more efficient, and committed to excellence in care.

Keywords: Patient safety. Hospital management. Quality of healthcare. Safety culture.

1. INTRODUÇÃO

A gestão hospitalar desempenha papel fundamental na organização dos serviços de saúde, sendo responsável por planejar, coordenar e avaliar processos que assegurem qualidade, eficiência e segurança na assistência prestada. Nas últimas décadas, a crescente complexidade das organizações hospitalares, associada ao aumento das demandas assistenciais e ao desenvolvimento tecnológico, tornou indispensável a adoção de práticas gerenciais voltadas para a melhoria contínua dos serviços. Nesse contexto, a segurança do paciente passou a ser reconhecida como um dos principais indicadores de qualidade institucional, contribuindo para a redução de riscos e para o fortalecimento da assistência em saúde (Almaberti, 2016).

A ocorrência de eventos adversos representa um importante desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo, uma vez que esses eventos podem prolongar o tempo de internação, elevar os custos hospitalares e comprometer a recuperação dos pacientes. Estudos apontam que uma parcela significativa desses incidentes pode ser evitada mediante a implementação de protocolos assistenciais, cultura organizacional voltada para a segurança e estratégias eficazes de gerenciamento de riscos, reforçando a importância da atuação dos gestores hospitalares nesse processo (Da Costa et al., 2020).

No Brasil, a criação do Programa Nacional de Segurança do Paciente impulsionou a implantação dos Núcleos de Segurança do Paciente nas instituições de saúde, promovendo mudanças importantes na organização dos processos assistenciais. Entretanto, pesquisas demonstram que muitos hospitais ainda apresentam dificuldades relacionadas à estrutura física, disponibilidade de recursos humanos, capacitação das equipes e fortalecimento da cultura de segurança, fatores que influenciam diretamente a efetividade das ações desenvolvidas (Feldman, 2009).

Além das mudanças estruturais, a educação permanente dos profissionais constitui uma estratégia essencial para consolidar a cultura de segurança nas organizações hospitalares. Evidências científicas demonstram que intervenções educativas favorecem maior adesão aos protocolos institucionais (Hamada, 2016).

Outro aspecto relevante refere-se ao desenvolvimento de instrumentos capazes de avaliar o clima organizacional relacionado à segurança do paciente. A utilização desses indicadores permite identificar fragilidades institucionais, monitorar resultados e subsidiar a tomada de decisões pelos gestores, favorecendo a implementação de melhorias contínuas nos processos assistenciais e administrativos das organizações hospitalares (Martins, 2012).

Diante desse cenário, torna-se necessário reunir e analisar criticamente as evidências científicas produzidas sobre a segurança do paciente no contexto da gestão hospitalar. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as contribuições da segurança do paciente para a gestão hospitalar, identificando as principais estratégias utilizadas, os desafios encontrados e os impactos dessas ações na qualidade da assistência e na melhoria dos serviços de saúde.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Gestão hospitalar e sua relação com a segurança do paciente

A gestão hospitalar compreende o conjunto de ações administrativas e estratégicas voltadas para o planejamento, organização, direção e controle dos serviços de saúde, visando garantir eficiência operacional, qualidade assistencial e sustentabilidade institucional. Em um cenário marcado pelo aumento da demanda por serviços especializados e pela incorporação constante de novas tecnologias, os gestores passaram a assumir papel fundamental na implementação de políticas que assegurem processos assistenciais seguros e centrados nas necessidades dos pacientes (Novaretti, 2014).

A segurança do paciente tornou-se um dos principais eixos da gestão em saúde, sendo considerada um componente indispensável para a qualidade dos serviços hospitalares. A adoção de práticas voltadas para a prevenção de eventos adversos permite reduzir danos evitáveis, otimizar recursos e fortalecer a confiança dos usuários nas instituições de saúde (Ramos, 2011).

Nesse sentido, organizações que desenvolvem uma cultura de segurança apresentam melhores indicadores assistenciais e maior eficiência na gestão dos processos organizacionais (Albuquerque, 2018).

A cultura de segurança caracteriza-se pelo compromisso institucional com a prevenção de erros, comunicação transparente entre os profissionais e aprendizado contínuo a partir dos incidentes ocorridos. Para que essa cultura seja efetivamente consolidada, é indispensável o envolvimento da alta gestão, responsável por incentivar práticas colaborativas, promover educação permanente e disponibilizar recursos necessários para a implementação das ações de segurança (Andrade et al., 2017).

Outro aspecto relevante refere-se ao gerenciamento de riscos, considerado uma ferramenta estratégica para a administração hospitalar. A identificação precoce de falhas nos processos assistenciais possibilita a elaboração de planos de intervenção capazes de minimizar riscos e evitar a ocorrência de eventos adversos. Além disso, o monitoramento sistemático de indicadores de desempenho permite avaliar continuamente a efetividade das ações implementadas, favorecendo a tomada de decisões baseada em evidências científicas (Marques, 2023).

Segundo Reis et al., (2019):

A participação dos profissionais de saúde também exerce influência direta sobre os resultados relacionados à segurança do paciente. Equipes capacitadas, comunicação efetiva entre os diferentes setores e liderança participativa favorecem a adesão aos protocolos institucionais e fortalecem o compromisso coletivo com a qualidade da assistência. Dessa forma, a gestão hospitalar deve investir continuamente em processos educativos que promovam atualização técnica e desenvolvimento das competências profissionais (Reis et al., 2019, p. 43).

A segurança do paciente ultrapassa a dimensão exclusivamente assistencial, tornando-se um componente estratégico da gestão hospitalar. A integração entre planejamento, gerenciamento de riscos, educação permanente e monitoramento de indicadores possibilita a construção de ambientes mais seguros, eficientes e comprometidos com a excelência dos serviços de saúde, contribuindo para melhores resultados clínicos e organizacionais (Batista et al., 2019).

2.2 Estratégias de gestão para promoção da segurança do paciente

A implementação de estratégias voltadas para a segurança do paciente constitui um dos principais desafios da gestão hospitalar contemporânea. Para alcançar padrões elevados de qualidade assistencial, torna-se necessário desenvolver ações sistemáticas que envolvam planejamento, monitoramento de indicadores, gerenciamento de riscos e fortalecimento da cultura organizacional. Nesse sentido, a adoção de práticas baseadas em evidências científicas tem contribuído para a redução de eventos adversos e para a melhoria dos processos assistenciais (Marques, 2023).

Entre as principais estratégias adotadas pelas instituições hospitalares destaca-se a implantação dos Núcleos de Segurança do Paciente, responsáveis por coordenar ações voltadas à prevenção de incidentes, elaboração de protocolos institucionais, monitoramento de indicadores e promoção da educação permanente. A atuação desses núcleos favorece a padronização dos processos assistenciais, possibilitando maior integração entre os diferentes setores hospitalares e contribuindo para o fortalecimento da cultura de segurança (Brasil, 2023).

Outro instrumento amplamente utilizado é a implantação de protocolos assistenciais fundamentados em evidências científicas. Protocolos relacionados à identificação correta do paciente, higiene das mãos, cirurgia segura, prevenção de quedas, prevenção de lesão por pressão e segurança na administração de medicamentos apresentam impacto significativo na redução de eventos adversos, além de favorecerem maior qualidade da assistência prestada (Firmino et al., 2023).

A educação permanente dos profissionais de saúde também representa uma estratégia indispensável para a consolidação da segurança do paciente. Programas de capacitação contínua possibilitam atualização técnica, aperfeiçoamento das competências profissionais e fortalecimento do trabalho interdisciplinar. Além disso, promovem maior adesão aos protocolos institucionais e estimulam uma cultura voltada para a aprendizagem organizacional e melhoria contínua dos serviços (Furini, 2019).

3. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), método que possibilita reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas sobre um determinado tema, permitindo a construção de conhecimento fundamentado em evidências científicas. Esse tipo de revisão favorece uma compreensão ampla do objeto investigado, contribuindo para a identificação de lacunas do conhecimento, comparação de resultados e formulação de recomendações para a prática profissional (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), PubMed e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e os Medical Subject Headings (MeSH): "Segurança do Paciente", "Gestão Hospitalar", "Qualidade da Assistência à Saúde" e "Eventos Adversos", combinados pelos operadores booleanos AND e OR.

Como critérios de inclusão foram considerados artigos científicos publicados entre 2016 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a relação entre segurança do paciente e gestão hospitalar. Foram excluídos editoriais, cartas ao editor, dissertações, teses, trabalhos duplicados, resumos de eventos científicos e estudos que não respondiam à questão norteadora da pesquisa.

A seleção dos estudos ocorreu em etapas sucessivas, seguindo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). Inicialmente realizou-se a identificação dos estudos nas bases de dados, seguida da remoção de registros duplicados, leitura dos títulos e resumos, avaliação dos textos completos e seleção final dos artigos elegíveis para compor a revisão. Após a seleção dos estudos, os dados foram organizados em instrumento elaborado pelos pesquisadores, contemplando informações como autor, ano de publicação, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusões. Posteriormente, realizou-se análise descritiva e temática das evidências encontradas.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 Contribuições da segurança do paciente para a gestão hospitalar

A análise dos estudos selecionados evidenciou que a segurança do paciente ocupa posição estratégica na gestão hospitalar, sendo reconhecida como um dos principais indicadores da qualidade dos serviços de saúde. Os artigos analisados demonstram que instituições que investem na implementação de práticas voltadas à segurança apresentam melhores resultados assistenciais, redução da ocorrência de eventos adversos e maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis. Esses achados reforçam que a gestão hospitalar deve incorporar a segurança do paciente como princípio orientador de suas ações administrativas e assistenciais (João et al., 2023).

Os estudos também destacam que a implantação de protocolos institucionais contribui significativamente para a padronização dos processos de trabalho e para a redução da variabilidade das práticas assistenciais. Protocolos relacionados à identificação correta do paciente, administração segura de medicamentos, cirurgia segura e prevenção de infecções associadas à assistência mostraram impacto positivo na qualidade do cuidado e na diminuição de falhas evitáveis (Lima et al., 2023).

Outro aspecto recorrente na literatura refere-se à importância do gerenciamento de riscos como ferramenta de apoio à tomada de decisão dos gestores hospitalares. A identificação precoce de fragilidades nos processos assistenciais possibilita o desenvolvimento de ações corretivas e preventivas, reduzindo a probabilidade de novos incidentes e fortalecendo a cultura organizacional voltada para a melhoria contínua da qualidade dos serviços (Maia, 2020).

Os resultados analisados evidenciaram ainda que o fortalecimento da cultura de segurança depende diretamente do comprometimento da liderança institucional. Gestores que incentivam a participação dos profissionais, promovem comunicação aberta e estimulam a aprendizagem organizacional favorecem ambientes mais seguros e colaborativos, refletindo positivamente na qualidade da assistência prestada aos pacientes (Lima et al., 2023).

Outro resultado relevante observado nos estudos foi a influência da educação permanente sobre os indicadores de segurança do paciente. Instituições que realizam capacitações periódicas apresentam maior adesão aos protocolos assistenciais, melhor desempenho das equipes multiprofissionais e maior capacidade para identificar riscos e prevenir eventos adversos, demonstrando que o investimento na qualificação profissional representa uma estratégia eficaz para o fortalecimento da gestão hospitalar (Maia, 2020).

De modo geral, as evidências analisadas demonstram que a segurança do paciente deve ser compreendida como elemento central da gestão hospitalar, uma vez que sua implementação favorece a melhoria da qualidade assistencial, otimiza os processos organizacionais, reduz custos decorrentes de eventos adversos e fortalece a confiança dos usuários nos serviços de saúde. Esses resultados confirmam a relevância das práticas de segurança como instrumento para o aprimoramento da gestão e da assistência hospitalar.

4.2 Estratégias gerenciais para o fortalecimento da cultura de segurança

Os estudos selecionados demonstram que o fortalecimento da cultura de segurança do paciente depende, principalmente, do comprometimento da gestão hospitalar com a implementação de estratégias permanentes de melhoria da qualidade. A liderança exerce papel fundamental nesse processo ao promover um ambiente organizacional baseado na transparência, na aprendizagem contínua e na participação ativa dos profissionais. Instituições que adotam esse modelo de gestão apresentam maior adesão às práticas seguras e melhores indicadores assistenciais (Oliveira et al., 2019).

Outra estratégia amplamente evidenciada na literatura é o investimento em programas de educação permanente. A realização de treinamentos periódicos, capacitações e simulações realísticas contribui para o desenvolvimento das competências técnicas e comportamentais dos profissionais, favorecendo a padronização das práticas assistenciais e reduzindo a ocorrência de falhas durante o cuidado ao paciente. Além disso, essas ações fortalecem o compromisso das equipes com a qualidade e a segurança dos serviços prestados (Rocha et al., 2021).

A utilização de indicadores de desempenho também foi apontada como uma ferramenta indispensável para a gestão hospitalar. O monitoramento contínuo de indicadores relacionados à ocorrência de eventos adversos, infecções relacionadas à assistência, quedas, lesões por pressão e erros de medicação permite identificar fragilidades nos processos de trabalho e subsidiar a tomada de decisões baseada em evidências. Dessa forma, os gestores podem implementar ações corretivas e avaliar continuamente os resultados alcançados (Oliveira et al., 2019).

Outro aspecto relevante refere-se à implantação de sistemas de notificação de incidentes com caráter educativo e não punitivo. Os estudos analisados destacam que ambientes organizacionais que estimulam a comunicação aberta favorecem o registro dos eventos adversos, permitindo identificar suas causas e desenvolver estratégias preventivas. Essa abordagem contribui para a aprendizagem institucional e fortalece a cultura de segurança, substituindo a cultura da culpa por uma cultura voltada para a melhoria contínua (Lima et al., 2023).

A participação dos pacientes e de seus familiares também vem sendo reconhecida como estratégia importante para o fortalecimento da segurança do paciente. O incentivo à participação ativa no processo de cuidado, por meio da oferta de informações claras, incentivo ao esclarecimento de dúvidas e envolvimento nas decisões relacionadas ao tratamento, contribui para reduzir falhas assistenciais e promover maior qualidade na assistência hospitalar (João et al., 2023).

Os resultados desta revisão integrativa evidenciam que o fortalecimento da segurança do paciente depende da integração entre liderança comprometida, educação permanente, monitoramento de indicadores, gerenciamento de riscos, comunicação efetiva e participação dos usuários.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão integrativa da literatura permitiu compreender que a segurança do paciente representa um dos principais pilares da gestão hospitalar contemporânea, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade assistencial, prevenção de eventos adversos e fortalecimento dos processos organizacionais.

A análise dos estudos evidenciou que a adoção de estratégias gerenciais fundamentadas em evidências científicas favorece a construção de ambientes assistenciais mais seguros, eficientes e centrados nas necessidades dos pacientes.

Os resultados demonstraram que a atuação do gestor hospitalar exerce influência significativa na implementação da cultura de segurança, especialmente por meio do planejamento estratégico, gerenciamento de riscos, monitoramento de indicadores, incentivo à educação permanente e fortalecimento da comunicação entre as equipes multiprofissionais. Essas ações possibilitam maior padronização dos processos de trabalho e contribuem para a redução de falhas relacionadas à assistência em saúde.

A revisão também evidenciou que diversos desafios ainda limitam a consolidação da segurança do paciente nas instituições hospitalares. Entre eles destacam-se o dimensionamento inadequado das equipes, insuficiência de recursos materiais e humanos, resistência às mudanças organizacionais, falhas de comunicação e subnotificação dos eventos adversos. Tais fatores reforçam a necessidade de investimentos contínuos em qualificação profissional, infraestrutura e fortalecimento da cultura organizacional voltada para a qualidade da assistência.

Outro aspecto observado refere-se à importância da educação permanente como estratégia capaz de promover atualização técnica, desenvolvimento de competências e maior adesão aos protocolos institucionais. Além disso, verificou-se que a utilização de indicadores de desempenho e sistemas de notificação não punitivos favorece a identificação precoce das fragilidades existentes nos processos assistenciais, subsidiando a tomada de decisões pelos gestores hospitalares.

Dessa forma, conclui-se que a segurança do paciente deve ser compreendida como um componente estratégico da gestão hospitalar, ultrapassando a dimensão exclusivamente assistencial. Sua efetiva implementação depende do comprometimento institucional, da atuação participativa da liderança e da integração entre planejamento, gerenciamento de riscos, monitoramento contínuo e participação dos profissionais de saúde.

Por fim, espera-se que este estudo contribua para ampliar as discussões acerca da segurança do paciente no contexto da gestão hospitalar, servindo como subsídio para gestores, profissionais de saúde e pesquisadores interessados na temática.

REFERÊNCIAS

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  1. Graduada em Gestão de saúde pública pela UNIASSELVI – Pós-graduada em Administração em sistemas de saúde e hospitalar pela FAMART- mjoanagomes@ufpa.com.br

  2. Graduada em Gestão Hospitalar pela UNIBF – Pós graduada em Gestão pública pela FAVENI – cleia49@hotmail.com

  3. Graduada em Gestão Hospitalar pela UNIBF – Pós graduada em Gestão pública pela FAVENI – suely@ufpa.br

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