Farmácia hospitalar e a gestão de estoques de medicamentos.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A farmácia hospitalar é crucial para a estrutura dos serviços de saúde, tanto na gestão dos medicamentos quanto na manutenção da assistência contínua ao paciente. O foco deste estudo foi a gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar, com ênfase nos desafios, nas estratégias de controle, nas tecnologias utilizadas e no papel do farmacêutico. É uma revisão integrativa da literatura, descritiva e com abordagem qualitativa, realizada entre maio e junho de 2026 nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e repositórios institucionais, levando em conta estudos publicados de 2021 a 2025. Os resultados mostraram que uma boa gestão de estoques se baseia em planejamento, controle de entradas e saídas, monitoramento de prazos de validade, armazenamento adequado e acompanhamento contínuo do consumo. Ficou claro também que a informatização dos sistemas, a dispensação eletrônica, a rastreabilidade e os indicadores de desempenho são ferramentas que minimizam perdas, desperdícios e custos, além de aumentarem a segurança dos processos. O farmacêutico foi peça chave na organização, supervisão e avaliação das ações envolvendo medicamentos, decidindo estrategicamente e promovendo o uso racional dos recursos. Com isso, a articulação entre tecnologia, controle interno, indicadores e atuação farmacêutica qualificada se mostra benéfica para uma gestão dos estoques que seja mais eficiente, segura e sustentável, para a qualidade da assistência hospitalar e para a segurança do paciente.

Palavras-chave: Farmácia hospitalar. Gestão de estoques. Medicamentos. Assistência farmacêutica. Segurança do paciente.

ABSTRACT

Hospital pharmacy plays a crucial role in the structure of healthcare services, both in medication management and in ensuring continuity of patient care. This study focused on medication inventory management in hospital pharmacies, emphasizing its challenges, control strategies, technologies employed, and the role of pharmacists. This is an integrative literature review with a descriptive and qualitative approach, conducted between May and June 2026 using the Virtual Health Library (BVS), Google Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO), and institutional repositories, considering studies published from 2021 to 2025. The results showed that effective inventory management is based on adequate planning, control of medication inflows and outflows, monitoring of expiration dates, appropriate storage, and continuous assessment of consumption. The findings also demonstrated that computerized systems, electronic dispensing, traceability, and performance indicators are important tools for minimizing losses, waste, and costs while improving process safety. Pharmacists were found to play a key role in organizing, supervising, and evaluating medication-related activities, contributing strategically to decision-making and promoting the rational use of available resources. Therefore, the integration of technology, internal control, performance indicators, and qualified pharmaceutical practice contributes to more efficient, safe, and sustainable medication inventory management, thereby enhancing the quality of hospital care and patient safety.

Keywords: Hospital pharmacy. Inventory management. Medications. Pharmaceutical care. Patient safety.

INTRODUÇÃO

A farmácia hospitalar é essencial para a estrutura e o funcionamento das instituições de saúde, cabendo a ela a administração dos medicamentos e produtos que visam à assistência ao paciente. Entre outras funções, é responsável pela gestão de estoques de medicamentos, que é uma atividade estratégica para assegurar a disponibilização dos insumos indispensáveis ao tratamento, evitar perdas e desperdícios, além de fomentar o uso racional dos recursos da instituição. A eficiência no controle de estoques reflete, nesse contexto, na qualidade da assistência, na segurança do paciente e na viabilidade financeira dos serviços de saúde (Nascimento, 2023).

A gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar abrange um conjunto de ações que envolvem o planejamento, a compra, o armazenamento, a distribuição e o acompanhamento dos medicamentos. Se realizadas de maneira errada, essas atividades podem levar a desabastecimento, perdas por vencimento, elevação dos custos operacionais e até mesmo impactar a assistência ao paciente. De acordo com Costa, Arraes e Pinto (2025), a logística farmacêutica hospitalar é repleta de obstáculos, especialmente no que se refere à gestão de estoques e à preservação das condições ideais de armazenamento para medicamentos que necessitam de um controle rigoroso de temperatura e conservação.

É, portanto, na administração eficaz dos estoques que se encontra um fator essencial para o bom funcionamento da farmácia hospitalar. Segundo Farias et al. (2025), a gestão de estoques está intimamente ligada às fases do ciclo da assistência farmacêutica, permitindo um controle mais eficiente da disponibilidade de medicamentos, minimizando desperdícios e aprimorando a qualidade do serviço prestado. Assim, o estoque não é apenas um armazém de produtos, mas sim uma ferramenta estratégica que se alinha às necessidades do atendimento assistencial.

A integração das tecnologias de informação aos processos da farmácia hospitalar tem se mostrado um grande aliado no aperfeiçoamento da gestão do estoque de medicamentos. Conforme apontam Carvalho et al. (2025), os sistemas elétricos de dispensação oferecem melhor rastreabilidade dos medicamentos, minimizam erros operacionais e permitem um controle em tempo real dos níveis de estoque. De maneira análoga, os autores Silva, Martins e Oliveira (2024) ressaltam que as tecnologias voltadas para a gestão de estoques favorecem a automação nos processos logísticos, o que resulta em um monitoramento mais preciso das entradas, saídas e movimentações dos produtos farmacêuticos.

A tecnologia é uma grande aliada, mas o farmacêutico também é fundamental para que a gestão de estoques na farmácia hospitalar funcione. Segundo Nascimento (2023), o farmacêutico é o profissional que planeja as compras, acompanha os indicadores de consumo, controla a validade dos medicamentos e implementa estratégias para garantir o uso racional dos recursos disponíveis. Sua atuação ajuda a reduzir perdas, melhorar a eficiência logística e garantir a continuidade da assistência farmacêutica.

O controle interno é também uma ferramenta valiosa para aprimorar a gestão dos estoques hospitalares. Sistemas informatizados de controle são capazes de identificar falhas na operação e minimizar perdas relacionadas a medicamentos que vencem ou são armazenados de forma inadequada, conforme verificaram Oliveira e Moraes Júnior (2024). Os autores enfatizam que o uso dessas ferramentas proporciona maior confiabilidade nas informações, ajudando os gestores a tomar decisões sobre o abastecimento e o consumo de medicamentos.

Também é importante mencionar a diminuição dos custos hospitalares que resulta da implementação de sistemas informatizados de gestão de estoques. Conforme Rodrigues e Paiva (2022), a adoção de tecnologias em serviços farmacêuticos hospitalares resultou em operações mais eficientes, menos desperdício e melhor uso dos recursos financeiros. Os resultados reforçam a necessidade urgente de que os processos de controle e monitoramento de medicamentos nas instituições de saúde sejam modernizados.

Gerir estoques de medicamentos não é só uma questão operacional e financeira; há também uma ética envolvida que diz respeito a garantir que os pacientes tenham acesso aos tratamentos e que estes sejam seguros. Para Silva (2021), a gestão dos recursos em saúde deve se basear em preceitos éticos que garantam a presença dos insumos indispensáveis à assistência, prevenindo tanto a falta quanto o desperdício de medicamentos.

Nesse sentido, a gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar torna-se uma prática indispensável para assegurar a qualidade do atendimento, a segurança do paciente e a eficiência dos serviços de saúde. A intersecção da logística farmacêutica com as tecnologias de gestão, o controle interno e a atuação competente do farmacêutico traz um diferencial significativo para o aprimoramento dos processos assistenciais e para a otimização dos resultados institucionais (Costa, Arraes e Pinto, 2025; Farias et al., 2025).

Dessa forma, o presente trabalho se propõe a investigar a relevância da gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar, ressaltando os desafios que as instituições de saúde enfrentam e as estratégias adotadas para tornar os processos de controle, armazenamento e distribuição dos medicamentos mais eficientes, favorecendo uma assistência farmacêutica mais segura, eficiente e sustentável (Carvalho et al., 2025; Silva, Martins e Oliveira, 2024).

METODOLOGIA

Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, que visa analisar a importância da gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar, enfatizando os principais desafios, as estratégias de controle e as tecnologias que ajudam a aprimorar os processos logísticos e assistenciais.

Entre maio e junho de 2026, foi realizada uma busca bibliográfica em bases de dados científicas e repositórios acadêmicos, como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e repositórios institucionais. Foram utilizados os descritores: “farmácia hospitalar”, “gestão de estoques”, “medicamentos”, “assistência farmacêutica”, “logística farmacêutica” e “controle de estoque”, interligados pelo operador booleano AND, para selecionar os estudos.

Como critérios de inclusão foram selecionados artigos científicos, trabalhos de conclusão de curso, estudos de caso e revisões nos idiomas português e inglês, acessíveis na íntegra, publicados entre 2021 e 2025, que tratassem da gestão de estoques de medicamentos em farmácias hospitalares. Foram descartados estudos duplicados, publicações que estavam incompletas, resumos de conferências, editoriais e trabalhos que não estavam diretamente relacionados ao tema proposto.

Após aplicar os critérios de elegibilidade, os estudos que foram selecionados passaram por uma leitura exploratória e analítica. As informações foram então organizadas em um quadro sinóptico que incluía autor, ano, objetivos, metodologia e resultados principais. Em seguida, os dados foram analisados de maneira descritiva e organizados em categorias temáticas que abordam a gestão de estoques, as tecnologias utilizadas na farmácia hospitalar, o controle interno, o papel do farmacêutico e os efeitos da gestão eficaz dos medicamentos na qualidade da assistência prestada.

A revisão dos estudos possibilitou a identificação de evidências científicas sobre as práticas de gerenciamento de estoques de medicamentos em farmácias hospitalares, o que ajudou a elucidar os desafios que essas instituições de saúde enfrentam e as abordagens que empregam para aumentar a eficiência operacional, garantir a segurança do paciente e otimizar os recursos disponíveis.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar

Uma das principais atividades da farmácia hospitalar é o gerenciamento do estoque de medicamentos, pois a adequada disponibilização dos produtos farmacêuticos é crucial para que a assistência ao paciente não seja interrompida. Esse gerenciamento passa por várias fases, que vão da seleção e programação à compra, armazenamento e distribuição dos medicamentos, sendo necessário um planejamento que concilie as necessidades assistenciais com os recursos disponíveis. Nesse sentido, o estoque não pode ser visto apenas como um conjunto de produtos acumulados, mas como parte estratégica do ciclo da assistência farmacêutica, cuja arrumação reflete na qualidade do que é prestado pela instituição (Farias et al., 2025).

Entre outros aspectos, o processo é complexo justamente porque é preciso garantir que medicamentos estejam disponíveis em quantidades suficientes, sem que haja excessos. Estoques abaixo do necessário podem provocar desabastecimento e afetar o atendimento, ao passo que estoques acima do consumo elevam o risco de perdas por vencimento e aumentam o capital parado. Ao estudarem a gestão de estoques em um hospital público de alta complexidade, Farias et al. (2025) constataram que a alta demanda, aliada a particularidades do sistema público, impõe desafios constantes ao gerenciamento dos medicamentos. Assim, a programação das necessidades deve se fundamentar em dados precisos sobre consumo e demanda.

Um outro ponto importante diz respeito às condições de armazenamento dos medicamentos. Diferentes medicamentos têm requisitos particulares de conservação, por isso a estrutura de armazenamento deve ser capaz de preservar as características dos produtos ao longo de todo o tempo em que estiverem na instituição. Essa questão se torna ainda mais importante no caso de produtos que precisam ser mantidos na cadeia do frio, onde é crucial que as condições de temperatura e conservação sejam seguidas à risca. Segundo Costa, Arraes e Pinto (2025), um dos grandes desafios da logística farmacêutica hospitalar é a cadeia de frio, o que evidencia que a gestão do estoque vai além do simples controle numérico dos produtos, englobando também a manutenção das condições apropriadas de armazenamento.

A organização das entradas, saídas e prazos de validade é essencial para evitar desperdícios. Nesse contexto, estratégias de movimentação dos estoques podem ajudar a garantir que os medicamentos com data de validade mais próxima sejam os primeiros a serem utilizados. No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Farias e outros (2025) apontaram a adoção do método FEFO (First Expire, First Out) em conjunto com a realização de inventários gerais semestrais e balanços cíclicos periódicos. Essas ações favorecem a precisão do estoque e evidenciam a importância de um monitoramento contínuo das quantidades disponíveis, prevenindo discrepâncias entre os registros administrativos e os estoques físicos.

O controle interno também vem a complementar esse ciclo, por meio de instrumentos que permitem detectar falhas e melhorar as informações empregadas pela gestão. Conforme destacam Oliveira e Moraes Júnior (2024) em sua análise sobre o controle interno na gestão de estoques do Hospital Universitário Lauro Wanderley, os procedimentos de controle são fundamentais para uma administração eficiente dos recursos hospitalares. Em uma organização que se destaca pela variedade e pelo grande volume de produtos que maneja, é essencial dispor de informações confiáveis para embasar as decisões de compra, de abastecimento e de distribuição, bem como para identificar situações que possam levar a perdas ou inadequações no estoque.

Outra ferramenta importante para medir o desempenho da farmácia hospitalar é o uso de indicadores. Segundo Teixeira e Andrade (2022), os indicadores são instrumentos que possibilitam a mensuração de uma determinada realidade e o suporte ao gerenciamento, à avaliação e ao planejamento das ações, especialmente quando utilizados para monitorar custos e desperdícios com medicamentos e insumos. De forma análoga, Leite et al. (2024) afirmam que os painéis de indicadores possibilitam um acompanhamento constante das práticas farmacêuticas e oferecem informações estratégicas que tornam as decisões mais precisas. Assim, indicadores e dados de consumo conseguem converter informações operacionais em fatores verdadeiramente valiosos para o planejamento dos estoques.

Dessa forma, a administração eficaz dos estoques é fruto da interligação entre o planejamento, a programação, a compra, o armazenamento, a distribuição, o controle e a avaliação dos resultados. Não é apenas uma questão de garantir que haja medicamentos suficientes, mas sim de garantir que estejam disponíveis no momento certo, mantendo a qualidade dos produtos e evitando o desperdício. Articular as diversas etapas do ciclo da assistência farmacêutica permite um melhor ajuste entre a demanda, a oferta e o uso dos recursos disponíveis na instituição. Nesse contexto, a constante melhoria dos processos logísticos se configura como uma condição significativa para aumentar a eficiência e apoiar a qualidade da assistência hospitalar (Farias et al., 2025; Teixeira; Andrade, 2022).

Tecnologias e estratégias aplicadas ao controle de estoques hospitalares

A evolução dos processos de gestão hospitalar tem propiciado à farmácia a inserção de ferramentas tecnológicas nas suas atividades. No gerenciamento de estoques, essas ferramentas permitem que se estruturem enormes quantidades de dados sobre entradas, saídas, consumo e disponibilidade de medicamentos. A gestão do estoque, especialmente no contexto de farmácias hospitalares, é abordada por Silva, Martins e Oliveira (2024), que destacam a importância da modernização dos processos logísticos. O uso correto dessas ferramentas ajuda a trocar controles pontuais por processos organizados que geram informações mais confiáveis para a tomada de decisão.

Em termos de aplicações tecnológicas, são notáveis os sistemas informatizados que servem para registrar e monitorar a movimentação dos produtos farmacêuticos. Ao atualizar os dados de consumo, os gerentes conseguem detectar mudanças na demanda e se planejar melhor para o abastecimento. No cenário que Farias et al. (2025) estudaram, foi constatado o uso de ferramentas como LAIS e Power BI para obtenção e acompanhamento dos dados de consumo, o que auxilia no planejamento da programação dos medicamentos. O alinhamento entre dados logísticos e soluções analíticas, portanto, propicia um entendimento mais profundo sobre como o estoque se comporta.

A dispensação também pode ser enriquecida com o uso da tecnologia. Carvalho et al. (2025) investigaram a dispensação eletrônica de medicamentos em hospital público, focando na segurança do paciente e no gerenciamento dos estoques. Esses recursos possibilitam uma maior rastreabilidade dos medicamentos e o monitoramento de sua movimentação durante a dispensação. Essa característica se torna ainda mais crucial em hospitais, onde várias unidades assistenciais estão constantemente solicitando medicamentos, e monitorar a movimentação dos produtos pode ajudar no controle das quantidades em estoque e na detecção de possíveis divergências.

A informatização não só facilita o controle operacional, mas também pode impactar os custos institucionais. A modernização dos processos, conforme Rodrigues e Paiva (2022), que se basearam na implementação de ferramentas informatizadas na logística de um serviço de farmácia hospitalar, levou a uma redução significativa nos custos hospitalares, evidenciando a eficiência operacional e o melhor aproveitamento dos recursos. Assim, a tecnologia não pode ser vista apenas como uma ferramenta para o registro de dados, mas sim como um recurso estratégico que pode ajudar na tomada de decisões sobre aquisição, consumo e uso dos medicamentos.

Gerar relatórios não é a única forma de transformar dados em informações gerenciais; os painéis de indicadores também cumprem essa função ao ampliar as possibilidades de visualização dos dados coletados. Segundo Leite et al. (2024), em uma revisão integrativa sobre os painéis de indicadores na gestão da farmácia hospitalar, esses instrumentos são úteis para o monitoramento e a avaliação contínua das ações, oferecendo informações que possibilitam decisões mais precisas e eficazes. Dessa maneira, é possível acompanhar de forma sistemática indicadores que se referem ao consumo, à disponibilidade, às perdas e ao desempenho dos processos, de modo que mudanças possam ser detectadas e investigadas antes que gerem impactos maiores para a instituição.

Os indicadores de qualidade e desempenho também são importantes no combate aos desperdícios. Segundo Teixeira e Andrade (2022), esses indicadores devem ser empregados como parâmetros norteadores para o gerenciamento, a avaliação e o planejamento das ações da farmácia hospitalar, sobretudo visando à diminuição de gastos e desperdícios relacionados a medicamentos e insumos. Integrados aos sistemas de informação, esses indicadores possibilitam a análise de tendências e a comparação de resultados ao longo do tempo. Dessa forma, a qualidade da gestão não depende apenas das tecnologias disponíveis, mas também da habilidade dos profissionais em interpretar os dados gerados e empregá-los para aprimorar os processos.

Por isso, a tecnologia não deve ser incorporada à gestão dos estoques de forma isolada, mas sim integrada às estratégias de controle e avaliação. Sistemas de informação, dispensação digital, monitoramento do consumo e painéis de indicadores podem se somar, oferecendo mais rastreabilidade e aprimorando a qualidade das informações gerenciais. Entretanto, a tecnologia não deve ser vista como um substituto para o planejamento ou a avaliação de um profissional, mas sim como uma ferramenta que auxilia na tomada de decisões. A combinação de tecnologia com uma gestão qualificada pode ser o caminho para aprimorar o controle dos medicamentos, minimizar desperdícios, maximizar a utilização dos recursos financeiros e ainda garantir a segurança dos processos que são realizados na farmácia hospitalar (Carvalho et al., 2025; Leite et al., 2024; Rodrigues; Paiva, 2022).

Atuação do farmacêutico na gestão de estoques e na segurança do paciente

A função do farmacêutico no hospital vai muito além de entregar medicamentos, englobando tarefas técnicas, administrativas e assistenciais na estruturação da assistência farmacêutica. Na gestão, esse profissional colabora no planejamento e na supervisão das ações necessárias para assegurar que os medicamentos estejam disponíveis na quantidade certa e que os processos farmacêuticos funcionem sem falhas. Nascimento (2023), em uma revisão integrativa sobre o papel do farmacêutico na administração da farmácia hospitalar, ressalta que esse profissional é crucial para a gestão dos recursos e a organização das atividades do setor, o que evidencia sua função estratégica dentro do hospital.

No gerenciamento de estoques, o farmacêutico está envolvido na programação das necessidades, no monitoramento do consumo e na análise da disponibilidade dos medicamentos. Para desempenhar essas funções, é necessário ter um entendimento do perfil assistencial da instituição e ser capaz de analisar dados sobre o uso dos produtos. Farias et al. (2025) explicam que o ciclo da assistência farmacêutica é composto por etapas que se interrelacionam, de modo que o que se decide na seleção, na programação ou na aquisição pode afetar o armazenamento e a distribuição. É nesse contexto que a presença do farmacêutico se torna essencial para conectar as diversas fases e ajustar a oferta de medicamentos às necessidades de assistência.

A responsabilidade profissional abrange, também, a dispensação, momento em que erros podem impactar diretamente a segurança do paciente. De acordo com Souza (2025), existem vários fatores relacionados aos riscos nesse processo, incluindo armazenamento inadequado, prescrições problemáticas, infraestrutura deficiente, excesso de trabalho e falta de treinamento apropriado. De acordo com o autor, essas condições podem afetar a segurança e a qualidade do atendimento, o que torna essencial implementar melhorias em termos de estrutura, técnica e educação. Nesse sentido, o farmacêutico atua com supervisão, análise crítica dos processos e criação de ações preventivas em relação a erros com medicamentos.

A tecnologia, com a devida supervisão profissional, pode também contribuir para uma segurança maior do paciente. De acordo com Carvalho et al. (2025), a dispensação eletrônica de medicamentos está interligada tanto à segurança do paciente quanto à gestão de estoques, e recursos tecnológicos podem aumentar a rastreabilidade e refinar os processos de controle. No entanto, a eficácia dessas ferramentas está ligada à sua correta inserção nas rotinas da instituição. É papel do farmacêutico organizar esses processos e empregar as informações que os sistemas disponibilizam como auxílio para identificar riscos, monitorar a movimentação dos medicamentos e embasar intervenções no gerenciamento farmacêutico.

A gestão também é responsável por avaliar indicadores. Conforme Leite et al. (2024), o farmacêutico desempenha um papel crucial no uso de painéis de indicadores, pois alia seu conhecimento técnico e clínico à análise das informações essenciais para uma distribuição de medicamentos que seja segura e eficiente. Os indicadores são ferramentas que ajudam a detectar tendências, medir resultados e monitorar o desempenho das práticas implementadas. Assim, o farmacêutico pode usar as evidências geradas pelo próprio serviço para definir prioridades e sugerir mudanças que visem à melhoria contínua da assistência farmacêutica.

A atuação farmacêutica também tem consequências econômicas e éticas. Reduzir desperdícios não é o mesmo que oferecer menos medicamentos, mas sim fazer uma gestão racional dos recursos para que se mantenham os tratamentos necessários sem perdas desnecessárias. Teixeira e Andrade (2022) afirmam que a utilização de indicadores auxilia no controle de custos e desperdícios, ao passo que Silva (2021) levanta a questão dos aspectos éticos na utilização dos recursos em saúde. Nesse sentido, a administração da farmácia hospitalar deve ser guiada por essa responsabilidade de equilibrar a eficiência administrativa, o fornecimento de medicamentos e as necessidades dos pacientes.

Assim, o farmacêutico ocupa um papel chave na intersecção entre a gestão de estoques, a qualidade dos processos e a segurança do paciente. Ela participa do planejamento, do monitoramento do consumo, da supervisão da dispensação, da implementação de tecnologias, da análise de indicadores e da identificação de riscos. Essas ações juntas fazem com que o gerenciamento de medicamentos não seja visto apenas como uma atividade administrativa, mas que realmente se integre às ações de qualidade assistencial. Assim, o aprimoramento da atuação do farmacêutico, aliado ao uso sistemático de instrumentos de gestão, é um aspecto importante para que a assistência farmacêutica hospitalar seja mais segura e eficiente (Nascimento, 2023; Souza, 2025; Leite et al., 2024).

Quadro 1 – Síntese das evidências relacionadas à gestão de estoques na farmácia hospitalar

Autor/ano

Tema analisado

Principais contribuições para o estudo

Costa, Arraes e Pinto (2025)

Logística farmacêutica e cadeia de frio

Evidencia desafios relacionados à gestão dos estoques e à conservação adequada de medicamentos no contexto hospitalar.

Farias et al. (2025)

Gestão de estoque e ciclo da assistência farmacêutica

Identifica práticas de programação, aquisição, armazenamento e distribuição, além da utilização de FEFO, inventários e ferramentas para acompanhamento do consumo.

Carvalho et al. (2025)

Dispensação eletrônica

Relaciona a tecnologia de dispensação à segurança do paciente e ao gerenciamento dos estoques hospitalares.

Leite et al. (2024)

Painel de indicadores

Demonstra a importância dos indicadores para monitoramento, avaliação das práticas e apoio à tomada de decisão na farmácia hospitalar.

Nascimento (2023)

Atuação do farmacêutico

Evidencia a importância estratégica do farmacêutico na gestão e organização dos serviços da farmácia hospitalar.

Oliveira e Moraes Júnior (2024)

Controle interno

Aborda a contribuição dos mecanismos de controle interno para o gerenciamento dos estoques hospitalares.

Rodrigues e Paiva (2022)

Informatização e custos

Relaciona a implementação de ferramentas informatizadas na logística farmacêutica à redução de custos e maior eficiência operacional.

Silva (2021)

Ética na assistência

Fundamenta a dimensão ética relacionada à utilização dos recursos disponíveis nos serviços de saúde.

Silva, Martins e Oliveira (2024)

Tecnologias de gestão

Aborda a utilização de tecnologias como instrumentos para aprimoramento da gestão de estoques em farmácias hospitalares.

Souza (2025)

Gestão de riscos na dispensação

Identifica fatores relacionados a erros de dispensação e destaca medidas técnicas, estruturais e educacionais para aumentar a segurança do paciente.

Teixeira e Andrade (2022)

Indicadores de qualidade e desempenho

Aponta indicadores como instrumentos de gerenciamento, avaliação e planejamento para redução de custos e desperdícios.

Fonte: Elaborado pela autora com base em Costa, Arraes e Pinto (2025), Farias et al. (2025), Carvalho et al. (2025), Leite et al. (2024), Nascimento (2023), Oliveira e Moraes Júnior (2024), Rodrigues e Paiva (2022), Silva (2021), Silva, Martins e Oliveira (2024), Souza (2025) e Teixeira e Andrade (2022).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho elucidou a importância da gestão de estoques de medicamentos na farmácia hospitalar, mostrando que se trata de uma atividade estratégica para o funcionamento das instituições de saúde e para a manutenção da assistência aos pacientes. Conforme o levantamento da literatura escolhida, o gerenciamento correto dos medicamentos vai além do simples armazenamento dos produtos e abrange várias fases do ciclo da assistência farmacêutica, incluindo programação, aquisição, recebimento, conservação, distribuição, dispensação e monitoramento do uso.

De acordo com os estudos analisados, os principais desafios na gestão dos estoques hospitalares incluem o risco de desabastecimento, o excesso de produtos armazenados, as perdas por vencimento, a falta de condições ideais de conservação, as dificuldades na cadeia de frio e os custos gerados pela má gestão. Esses elementos evidenciam a importância de um planejamento sistemático, da monitoração constante da demanda e da implementação de controles que favoreçam um melhor alinhamento entre a oferta de medicamentos e as necessidades de assistência.

Constatou-se, também, que a adoção de tecnologias é uma estratégia significativa para aprimorar a logística farmacêutica. Com sistemas informatizados, dispensação eletrônica, ferramentas de rastreabilidade dos medicamentos e painéis de indicadores, o controle de entradas e saídas é muito mais apurado, assim como o monitoramento do consumo, permitindo decisões com base em informações muito mais confiáveis. A literatura revisada também aponta que a informatização dos processos pode ajudar a diminuir desperdícios e custos hospitalares, bem como aumentar a eficiência das atividades realizadas pela farmácia.

Os KPIs de qualidade e desempenho também foram importantes para o gerenciamento dos estoques, já que possibilitam a monitoração dos resultados das ações e a detecção de situações que necessitam de intervenção. Integrados aos sistemas informatizados e aos instrumentos de controle interno, esses indicadores podem embasar decisões sobre aquisição, abastecimento, estocagem e distribuição dos fármacos. Assim, usar os dados gerados pelos próprios serviços permite que a gestão seja mais organizada e baseada nas verdadeiras necessidades da instituição.

Também foi ressaltada a relevância da ação do farmacêutico na organização e na supervisão dos processos que envolvem os medicamentos. Este profissional é crucial para o planejamento das aquisições, monitoramento dos estoques, controle de datas de validade, análise de indicadores, supervisão da dispensação e identificação de riscos. Seu trabalho abrange aspectos técnicos, clínicos e gerenciais, o que favorece tanto a otimização do uso de recursos quanto a segurança do paciente.

Portanto, é possível afirmar que o gerenciamento eficaz dos estoques de medicamentos é resultado da articulação entre pessoal qualificado, planejamento, controle interno, tecnologias da informação e monitoramento de indicadores. O uso combinado dessas abordagens aumenta a rastreabilidade dos medicamentos, diminui perdas e desperdícios, otimiza os recursos financeiros e minimiza o risco de que a falta de produtos farmacêuticos interrompa um tratamento. Portanto, o controle de estoques deve ser visto como uma ação que compõe o conjunto de estratégias voltadas para a qualidade da assistência hospitalar.

Conclui-se que este trabalho atingiu seus objetivos ao identificar a importância da gestão de estoques na farmácia hospitalar, os desafios enfrentados e as estratégias utilizadas para melhorar o controle, o armazenamento e a distribuição dos medicamentos. É aconselhável que as instituições de saúde se comprometam continuamente com a capacitação dos profissionais, a informatização dos procedimentos, o monitoramento de indicadores e a implementação de práticas gerenciais que sejam apropriadas para as particularidades de cada serviço. Além disso, recomenda-se que novos estudos sejam conduzidos para avaliar os resultados da implementação dessas estratégias em diversas instituições hospitalares, visando ao aprimoramento da assistência farmacêutica, à segurança do paciente e à sustentabilidade dos serviços de saúde.

REFERÊNCIAS

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Copyright (c) 2026 Aline de Alvarenga Barcellos dos Santos, Helda Silva de Melo, Fabiana Sousa Pugliese (Autor)

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