A importância da contabilidade de custos no processo organizacional e de planejamento
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

RESUMO

A contabilidade de custo vem crescendo e conquistando mais espaço nas organizações, pois as mesmas passaram a dar mais importância às suas ferramentas de controle de custos, análise de dados e resultados, fornecedora de informações para tomada de decisões e otimização dos recursos. Com isso influencia diretamente na lucratividade de uma organização. A contabilidade de custo associada às demais áreas da contabilidade entregam um resultado amplo e eficaz de uma organização. Pois a contabilidade de custos contribui para uma administração mais transparente e eficaz, além de agregar e melhorar os processos internos, evitando e identificando os desperdícios, sejam financeiros, pessoais ou de qualquer categoria. O artigo possui o objetivo demonstrar a importância da contabilidade de custos no processo de decisão e aumento da lucratividade, já que num mundo globalizado, as influências são constantes e interferem diretamente no custo do produto ou serviço.

Palavras-chave: Contabilidade de custos. Métodos de custeio. Dados para a tomada de decisão.

ABSTRACT

Cost accounting has been growing and gaining more space in organizations, as they have started to give more importance to their cost control tools, data and results analysis, providing information for decision making and resource optimization. With this, it directly influences the profitability of an organization. Cost accounting associated with the other areas of accounting delivers a broad and effective result for an organization. Because cost accounting contributes to a more transparent and effective administration, in addition to adding and improving internal processes, avoiding and identifying waste, whether financial, personal or of any category. The article aims to demonstrate the importance of cost accounting in the decision process and increase profitability, since in a globalized world, the influences are constant and directly interfere in the cost of the product or service.

Keywords: Cost accounting. Costing methods. Data for decision making.


1 INTRODUÇÃO

A contabilidade de custo possui grande relevância na gestão estratégica de uma organização. Pois suas atividades permitem e fornecem informações para as tomadas de decisões. Através do mapeamento de gastos, controle e avaliação dos fatores internos e externos que influenciam uma organização. É fato que a contabilidade de custos é a responsável pelo gerenciamento de custos de uma empresa, além de ser capaz de aumentar a margem de lucro.

O destaque de uma organização no mercado que está inserida está diretamente ligada ao seu controle de custos, em todas as escalas e níveis, a contabilidade de custos é a ferramenta a ser utilizada nesse processo. De frente com essa realidade, os controles financeiros e contábeis são características da contabilidade de custo, pois seu papel é fazer com que a empresa obtenha lucro e atenda seu objetivo organizacional.

Para ter sucesso as empresas precisam focar na gestão dos custos. Pois ela analisa e identifica onde estão sendo alocados os custos dos produtos ou serviços que são as atividades da organização. A gestão do processo de custo é relevante pois possui a capacidade de identificação e controle dos custos. Com a finalidade de melhorar e executar o crescimento da produtividade, tomada de decisões baseada em informações reais sobre preços, onde deve haver investimentos, e por fim melhoria no processo produtivo.

Oliveira (2008), os profissionais atuantes na contabilidade reconhecem que a contabilidade de custos não constitui uma simples ferramenta para valorar estoques. Essa é uma visão minimalista, mas sua capacidade é muito maior, pois engloba toda a organização,

O presente estudo tem por intuito demonstrar que a contabilidade de custos é essencial para o crescimento de uma organização, manter a saúde financeira, objetivando a lucratividade, além da otimização dos recursos. O emprego das ferramentas da contabilidade de custo não é restrita a grandes corporações, mas a todas as empresas, independente de seu porte e seu ramo de atuação.

A globalização do mercado e suas constantes pressões fazem com que as organizações busquem fórmulas e desempenhos que as tornem mais competitivas e longínquas. Só através da adoção de mecanismos de controles financeiros e contábeis que a organização obterá êxito.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A contabilidade em seu processo natural registra, acumula, mensura e disponibiliza informações usuais através de relatórios a diversos usuários (ATKINSON et. al, 2008). Jesus e Neto Segundo (2020) afirmam que a gestão de pessoas e a contabilidade gerencial visam melhorar a competitividade e lucratividade da organização, cada uma com seus métodos, porém com a mesma finalidade.

Conforme Crepaldi (2009), “surgiu da contabilidade geral, justamente pela necessidade de se ter um controle maior sobre os valores a serem atribuídos aos estoques de produtos na indústria e, também, pela necessidade de tomar decisões quanto ao que, como e quando produzir”.

Iudícibus e Marion (1999) ao se referirem sobre a contabilidade, dizem que ela tem por objetivo fornecer informações econômicas, financeiras, físicas, sociais e de produtividade aos usuários internos e externos da entidade. Conforme Hendriksen e Van Breda (1999) as informações qualitativas apresentam as seguintes características: benefícios e custos; relevância; confiabilidade; comparabilidade, e materialidade. Na visão de Iudícibus e Marion (1999) as informações necessitam de qualidades, entre elas: tempestividade, integralidade, confiabilidade, comparabilidade e compreensibilidade.

A contabilidade tem como finalidade admitir a obtenção de informações econômicas e financeiras acerca da entidade. Seu principal objetivo é permitir o estudo e controle dos fatos decorrentes da gestão do patrimônio das corporações administrativas. Sendo assim, a contabilidade pode ser definida como uma ciência que estuda, controla e registra o patrimônio das empresas (LEITE, 2010).

A função da contabilidade resulta em um processo de orientação e controle que percorre todas as etapas do processo decisório de gestão e das etapas do planejamento. Ela se apresenta em todas as fases do processo gerencial, seja nas etapas de planejamento, execução ou controle (PADOVEZE, 2009).

A finalidade da informação é admitir que uma organização obtenha seus objetivos por meio do uso competente de seus recursos. A importância da informação reside no momento de seu uso final. O valor da informação é fundamentado na diminuição da insegurança resultante dessa informação (PADOVEZE, 2013).

A contabilidade, por ser fonte de informações para o mundo dos negócios e por levar em consideração as necessidades dos usuários, é reflexo do ambiente em que atua, estando vinculada a valores, sistemas políticos, econômicos e jurídicos do seu local de origem. Contudo, o processo de globalização tornou mais sutil as fronteiras entre os países e tornou a contabilidade mais globalizada (WEFFORT, 2005).

2.1 CONTABILIDADE DE CUSTOS

A Contabilidade de Custo teve sua origem na Era Mercantilista, no século XVIII, e utiliza como principal fonte de dados a Contabilidade Geral e Financeira.” (SILVA; MOTA, 2003). Os produtos eram fabricados por um agrupamento de pessoas, que dificilmente eram registradas em firma, isso até a Revolução Industrial. As minorias das empresas comercializavam seus produtos de modo que bastava verificar no comprovante de compra para saber o valor que havia custeado. (MARTINS, 2018).

“Surgiu da contabilidade geral, justamente pela necessidade de se ter um controle maior sobre os valores a serem atribuídos aos estoques de produtos na indústria e, também, pela necessidade de tomar decisões quanto ao que, como e quando produzir”, (Crepaldi, 2009).

Crepaldi (2009), empresas que aderem a contabilidade de custos como instrumento de auxílio à gestão empresarial, conseguem estabelecer padrões, formas de previsão, comparar os gastos ocorridos aos valores anteriores, definir preço de venda, uma melhor alocação dos recursos e avaliação do desempenho, visto que, a contabilidade de custos é uma importante arma de planejamento e controle.

A contabilidade de custos, com toda sua flexibilidade e diversidade quanto aos tipos de atividades, tem como característica principal “oferecer ao gestor a capacidade de gerar informações que permitam o planejamento das ações no ambiente operacional e, consecutivamente, medir os efeitos desse planejamento nos diversos setores da organização” (PINTO et al., 2018).

A obtenção e a compreensão das informações sobre custos são essenciais para o sucesso de qualquer negócio, primeiro porque os custos é que determinam o preço de venda, assim, se os custos forem maiores que os preços de venda, esta por sua vez terá prejuízos e consequentemente deixará de existir em pouco tempo. O segundo motivo que deve ser considerado, é que todos os custos devem ser alocados de forma sistemática a para isto, deve-se existir a informação dos custos, entretanto, se não existir a informação, não existe a classificação dos mesmos. Um ponto preponderante é a formação correta dos custos, uma vez que, executados de forma indevida, poderá gerar lucros exagerados a ponto de prejudicar o comércio ou poderá provocar prejuízos enormes à empresa (MARQUES, 2013).

Padoveze (2005) a contabilidade de custos está voltada para o cálculo, a interpretação e controle dos custos dos bens fabricados, comercializados ou serviços prestados pela empresa. Apuração do custo dos produtos e dos departamentos; atendimento de exigências contábeis; atendimento de exigências fiscais; controle dos custos de produção; melhoria de processos e eliminação de desperdícios; auxílio na tomada de decisões gerenciais; otimização de resultados; são os objetivos principais da gestão de custo, (Perez e Oliveira e Costa, 2011).

A contabilidade de custos é a parte da ciência contábil que se dedica ao estudo racional dos gastos feitos, para se obter um bem de venda ou de consumo, quer seja um produto, uma mercadoria ou um serviço, (SÁ, 1963).

A visão gerencial dos custos completa-se no momento em que visualizamos custos na empresa como um processador de informações, um centro que recebe (ou obtém) dado, acumula-os de forma organizada, analisa-os, interpreta-os, produzindo informações de custos para diversos níveis gerenciais. (LEONE, 2000).

Para Morais (2023) quando utilizada de forma eficaz, a contabilidade de custos dá às empresas uma visão mais clara dos seus gastos, possibilitando a identificação de possíveis dificuldades na produção, para uma precificação correta dos produtos e serviços, o estudo de possibilidades de novos projetos e a avaliação da atuação dos diferentes setores da organização.

Para Costa (2021) contabilidade de custos é uma disciplina da contabilidade focada em identificação, mensuração, análise e controle dos custos de produção e comercialização de bens e serviços.

Leone, (2009) “Contabilidade de custos coleta, classifica e registra os dados das diversas atividades da entidade, para analisar e interpretar fornecendo as informações de custos solicitadas pela administração dos diversos níveis”. De acordo com Leone (2009), a contabilidade de custos é uma atividade que se assemelha a um centro processador de informações no qual os dados são recebidos, acumulados de maneira organizada, analisados e interpretados, transformando-os em informações de custos para os diversos níveis gerenciais.

A contabilidade de custo é uma ferramenta de viabilidade transparente dos aspectos financeiros e econômicos de uma organização. Pois através de suas apurações é possível realizar uma previsão de gastos e demandas, possibilitando os gestores ajustarem e planejarem através de um gerenciamento.

2.2 ANÁLISE DE CUSTOS

NETO (2008), para que uma empresa obtenha lucros, o preço de seus produtos ou serviço deve ser suficiente para cobrir todos os custos inerentes à produção, todas as despesas da organização bem como gerar um lucro para a mesma e aos seus sócios.

A análise de custos é uma ferramenta estratégica no processo de tomada de decisões, o que o torna indispensável na execução de tarefas gerenciais, tais como formação de preços, valorização de estoque e otimização da produção (MARTINS, 2018).

Segundo MARTINS (2018) o sistema de custos pode ajudar a gerência da empresa com duas funções relevantes: o auxílio ao controle e a ajuda nas tomadas de decisões. Sendo que ao controle, sua mais importante missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão, para que a seguir seja realizado o acompanhamento e também um comparativo com os valores anteriormente definidos.

2.3 CONCEITOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS

A categorização dos custos é crucial para avaliar seu impacto no lucro ou prejuízo, considerando quantidade, aplicação e suas flutuações, sendo divididos em diretos, indiretos, fixos e variáveis, variando conforme o setor de atuação das empresas (da Silva Filho et al., 2022).

2.3.1 CUSTO

Neves e Visconti (2003), o custo é o gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços, são todos os gastos referentes à atividade de produção da empresa; para defini-los, basta saber o exato momento em que o produto está pronto para venda, até aí todos os gastos são custos; a partir desse momento, são despesas.

2.3.2 CUSTOS FIXOS

Horngren, Datar e Foster (2007) definiram que custos fixos são aqueles que independem do nível de atividade da empresa, e que não oscilam no curto prazo, em função do volume de produção.

Nos Custos Fixos estão os gastos que não variam em razão do volume. A principal característica deste gasto é, na verdade, sua periodicidade: que ocorre todos os meses independente se não houver venda ou prestação e serviços de acordo com George Wagner (2025).

2.3.3 CUSTOS VARIÁVEIS

Segundo Neves e Visconti (2003), os custos variáveis são aqueles cujos seus valores se alteram em função do volume produzido como, por exemplo, a matéria prima consumida; se não houver produção o custo variável será nulo, os custos aumentam na medida em que se aumenta a produção.

George Wagner (2025), nos Custos Variáveis os valores se modificam conforme o total de serviços prestados ou produtos vendidos, quanto maior a venda ou serviços executados, mais alto será o custo. É importante lembrar que os custos variam proporcionalmente de acordo com o nível de produção ou das atividades e seus valores dependem diretamente do volume produzido ou das vendas num determinado período e os gastos só ocorrem porque houve a venda, se não houver venda não gera o custo.

2.3.4 CUSTOS DIRETOS

HORNGREN, FOSTER e DATAR (2007), “os custos diretos de um objeto de custo são os custos que estão relacionados a um determinado objetivo de custo e que podem ser identificados com este de maneira economicamente viáveis (custo efetivo)”.

De acordo com MARTINS (2018) “os custos diretos são variáveis, quase sem exceção, mas os indiretos são tanto fixos como variáveis, apesar da geral predominância dos primeiros”.

2.3.5 CUSTOS INDIRETOS

MARTINS; HORNGREN, FOSTER e DATAR (2007) denotam que “os custos indiretos são os custos que estão relacionados a um determinado objeto de custo mas não podem ser identificados com este de maneira economicamente viável (custo efetivo)”.

Custo indireto é o que , embora não incida diretamente sobre a produção ou venda, é parte integrante como resultante da participação das atividades de apoio ou auxiliar ao processo de transformação, produção e comercialização de um bem ou serviço. (NASCIMENTO, 2001).

São os custos que não oferecem condição de uma medida objetiva e qualquer tentativa de alocação tem de ser feita de maneira estimada e muitas vezes arbitrária (MARTINS, 2018).

2.3.6 GASTOS

Gasto é tudo aquilo que compõe o custo operacional do negócio, ou seja, os valores que você desembolsa durante o mês para manter tudo funcionando. Todo dinheiro que sai do caixa, não importa o destino, é um gasto.

Compra de um produto ou serviço qualquer, gera sacrifício financeiro para a entidade (desembolso), sacrifício esse que representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro) (MARTINS, 2018).

2.3.7 DESPESAS

Despesas são um tipo de gasto. São aqueles gastos necessários para que tudo continue funcionando, mas que não contribuem diretamente para a produção de um item ou a prestação do serviço oferecido pela empresa.

Segundo MARTINS (2018), a separação de custos para despesas é fácil, pois “os gastos relativos ao processo de produção são custos, e os relativos à administração, às vendas e aos financiamentos são despesas”.

São consideradas despesas as saídas de dinheiro de uma empresa ou organização, ao passo que se dá o nome de receitas ou lucros ao dinheiro que entra. Bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas (MARTINS, 2018).

2.3.8 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

Bruni (2006) diz: “A margem de contribuição é representada pela diferença entre receitas e gastos variáveis, e consiste em um dos mais importantes indicadores para tomada de decisão em custos, preços e lucros”.

A diferença entre o preço de venda unitário e os custos e despesas variáveis unitários representa margem de contribuição do produto (PADOVEZE, 2009).

A margem bruta é outro conceito bastante utilizado e de importância na gerência de custos. Também conhecida por lucro bruto‟ representa o excesso de vendas sobre o custo de produtos vendidos (HORNGREN, 2007). A grande diferença entre a margem de contribuição e margem bruta é que quando se calcula a margem de contribuição não se deduz da receita os custos fixos de produção. As despesas variáveis são deduzidas das receitas quando se calcula a margem de contribuição, mas não são deduzidas quando se calcula a margem bruta (HORNGREN, 2007).

É a diferença entre o preço de venda e o custo variável de cada produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato provocou e que lhe permite ser imputado sem erro (MARTINS, 2018).

As decisões devem ser tomadas pelos administradores baseadas na margem de contribuição fornecida pelo custeio direto e não pelo lucro fornecido pelo sistema de custeio por absorção, (CRIPALDI, 2009).

2.3.9 PONTO DE EQUILÍBRIO

O ponto de equilíbrio corresponde ao nível em que o volume de vendas cobre os custos fixos dos recursos comprometidos, ou seja, o momento em que a empresa começa a contabilizar lucro quando as vendas superam o ponto de equilíbrio. A análise do ponto de equilíbrio é importante por mostrar o empenho necessário para obter lucro, influenciando nas decisões gerenciais de viabilidade de um empreendimento.” (ATKINSON, 2008).

Dubois et al. (2006) o seguinte método é utilizado na definição do ponto de equilíbrio contábil. Ele só irá ocorrer quando as receitas se igualam aos custos, assim teremos:

Quantidade no ponto de equilíbrio = (Custos fixos + Despesas fixas) / (Preço de venda – Custo variável unitário – Despesas variáveis unitárias)

O ponto de equilíbrio financeiro leva em conta a análise inserida no regime de caixa, devendo-se subtrair dos gastos fixos os gastos não desembolsáveis como a depreciação (BRUNI 2006). Tem-se:

Quantidade no ponto de equilíbrio = (Custos fixos + Despesas fixas – Depreciação) / (Preço de venda – Custo variável unitário – Despesas variáveis unitárias)

Bruni (2006), mostra a diferença entre o ponto equilíbrio contábil e o ponto equilíbrio econômico. A primeira expressa um lucro contábil nulo, já o segundo expressa um lucro econômico nulo.

Corresponde à quantidade produzida/volume de operações para a qual a receita iguala o custo total. É, pois, o ponto onde o lucro líquido iguala a zero, podendo ser expresso em unidades físicas e monetárias (COGAN, 2013).

Crepaldi (2009), classifica o ponto de equilíbrio em três ramificações:

Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC): Corresponde ao nível de vendas em que a receita total se iguala aos custos e despesas totais, considerando todos os gastos operacionais (fixos e variáveis). Nesse ponto, o resultado da empresa é nulo, ou seja, não há lucro nem prejuízo. O PEC indica o volume mínimo necessário para a empresa cobrir integralmente sua estrutura de custos.

Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE): Refere-se ao nível de vendas necessário para que a empresa alcance um lucro suficiente para remunerar o capital investido, considerando uma taxa mínima de atratividade. Diferentemente do PEC, o PEE incorpora o custo de oportunidade do capital, evidenciando se o negócio é mais vantajoso do que outras alternativas de investimento disponíveis no mercado.

Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF): Representa o volume de vendas necessário para que a empresa consiga honrar seus compromissos financeiros, considerando apenas os custos e despesas que implicam desembolso de caixa. Nesse cálculo, são desconsiderados itens não monetários, como depreciação e amortização. O PEF é fundamental para a análise de liquidez e solvência de curto prazo, indicando a capacidade da empresa de manter seu fluxo de caixa equilibrado.

3 MÉTODOS DE CUSTEIO

A empresa pode utilizar uma ou mais formas de custeio, que consiste em identificar e definir quais as possibilidades de atribuição de valor para os recursos utilizados no processo considerando o método utilizado (PADOVEZE, 2010).

O sistema de custeio deve estar em sintonia e adaptado ao sistema de gestão da empresa, possibilitando fornecer informações que indicam decisões corretas, diante do atual ambiente competitivo, (BORNIA, 2002).

Pinto et al. (2018) afirmam que o sistema de contabilidade de custos geralmente acumula custos com alguma classificação de sistema de acumulação de custo; por produto ou serviço final, por departamento ou por atividade que transforme os produtos, ou por contas contábeis.

3.1 CUSTEIO POR ABSORÇÃO

De acordo com Martins (2018), o método derivado da aplicação dos princípios da contabilidade geralmente aceitos, consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos.

A palavra absorção é utilizada há muito tempo, basicamente em função da ideia de que, após apurado o custo unitário dos produtos e serviços com os custos diretos e variáveis, há a necessidade de que os produtos e serviços também absorvam os demais custos indiretos para que se tenha uma ideia do custo unitário total, ou seja, um valor do custo unitário com todos os custos apropriados aos produtos e serviços (PADOVEZE, 2010).

Martins (2018), ressalta que, o custeio por absorção é influenciado pelo volume de produção; seu montante, aliás, depende diretamente não só das receitas e volume produzido no período, mas também da quantidade feita no período anterior, já que isso afeta o custo unitário do estoque que passa a ser baixado no período seguinte.

A apuração do custo de produção deve ser feita somente após o rateio dos custos indiretos e os custos fixos totais independentes de oscilações do volume fabricado, com isso, todos os custos são inseridos a todos os produtos, apropriando-se ao resultado final da venda de cada produto (PINTO et al., 2018).

3.2 CUSTEIO VARIÁVEL

O custeio variável, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado; para os estoques, só vão, como consequência dos custos variáveis, (MARTINS, 2018).

Pinto et al. (2018), o custeio variável surgiu em razão do gestor solicitar informações mais pertinentes ao processo gerencial. Nele os custos são classificados em fixos e variáveis, mas somente os custos variáveis são alocados aos produtos, e os custos fixos são relacionados como despesas do período.

Só são apropriados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis, (MARTINS, 2018).

Crepaldi (2009), uma vez que os custos variáveis são inevitavelmente necessários, sua dedução da receita identifica a margem de contribuição do produto, sem nenhuma interferência de manipulação devido aos critérios de rateio dos custos fixos. Com base nisso, é possível identificar a quantidade de unidades que devem ser vendidas para que o projeto atinja o ponto de equilíbrio, deixando de gerar prejuízo. Além disso, a análise fornece informações gerenciais relevantes, permitindo compreender a relação entre o lucro e o volume de produção, o que contribui para uma tomada de decisão mais eficiente e estratégica.

Representa o lucro variável. É a diferença entre o preço de venda unitário do produto ou serviço e os custos e despesas variáveis por unidade de produto ou serviço. Significa que, em cada unidade vendida, a empresa lucrará determinado valor, multiplicado pelo total vendido, teremos a margem de contribuição total do produto para a empresa, (PADOVEZE, 2010).

4 A INFLUÊNCIA DA CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS DECISÕES GERENCIAIS

O momento atual, onde as organizações sofrem influências diárias do mercado e das suas variações, sejam elas, internas ou externas, sobreviver está diretamente ligada a uma gestão de gerenciamento de seus recursos. Através de uma análise constante de seu ambiente organizacional, com foco no controle. E esses dados não forncedidos pela Contabilidade de Custos.

Detendo como função reunir e organizar todas as informações referentes ao processo organizacional, a contabilidade de custos gera resultados, e tem como principal fator o controle dos custos da empresa, pois os custos são medidos monetariamente a partir dos gastos efetuados para se atingir um objetivo. Portanto, a coleta desses custos de forma correta é de fundamental importância para um planejamento e gestão que gere impactos positivos (NETO, 2011).

Um de seus papeis consiste na alimentação constante de valores essenciais a respeito de consequências de curto e longo prazo, sobre medidas de introdução, manutenção ou corte de produtos, administração de preço de venda, opção de compra ou produção (MARTINS, 2018).

De acordo com Marques (2013), a escolha do sistema de custo mais adequado é feita de acordo com o profissional que desenvolve a administração da empresa, ele propõe e analisa qual é favorável para a implantação e o desenvolvimento do sistema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve o intuito de demonstrar que no cenário mercadológico atual, onde o mundo se encontra cada vez mais conectado e globalizado, as organizações devem estar focadas em tornar seu modelo de negócio mais competitivo e rentável. Através de um controle financeiro e de bens, buscando evitar desperdícios e otimizando seus recursos.

A contabilidade é uma ferramenta gerencial que permite fornecer dados reais da sua empresa. Pois proporciona uma visão aos gestores e tomadores de decisões com maior eficácia através de dados, informações e análises. A contabilidade deve ser identificada com um aliado e não com um gerador de impostos. Pois a utilização de seus recursos fornece grande diferencial competitivo e determina a possibilidade de aumento de lucro.

A contabilidade de custo está ligada diretamente aos processos operacionais de uma empresa. Pois ela visa desenvolvimento e aperfeiçoamento dos processos de custos. Com a capacidade de identificar e controlar os recursos. A contabilidade de custos influencia no desempenho da organização. Através de seus métodos de controle de custos.

É de grande importância que o processo de informações possibilite que a organização obtenha resultados significativos na gestão de custos de seus recursos. O gestor juntamente com um profissional contábil pode identificar qual será o processo mais adequado para a organização. A partir desta análise interna é possível traçar o melhor modelo gerencial que irá de acordo com as necessidades de uma organização.

Uma função que a contabilidade de custo fornece é o desempenho das empresas, pois é através de uma análise e avaliação que informações exatas são extraídas sobre os custos envolvidos na produção de bens e serviços. Com essa bagagem de dados e informações os gestores podem traçar a melhor estratégia, sendo assim identificando com dados oportunidades de investir ou reduzir seus gastos, resultando assim na lucratividade da empresa.

Outro ponto considerável é que a utilização da contabilidade de custos não impacta apenas na gestão dos recursos, mas influencia na melhoria dos processos internos, num controle mais efetivo da definição de preços e na diminuição de desperdícios. Nesse aspecto é de fácil entendimento que a contabilidade de custos deve estar inserida em outras áreas, com a gerência estratégica e financeira possibilitando uma análise mais eficaz.

Em suma, a contabilidade de custo é influenciadora no desenvolvimento de uma organização, pois através de suas análises e seus controles torna a gestão mais equilibrada e transparente. E destinar esforços a essa área da contabilidade é essencial para o crescimento de uma organização. Pois num mundo mais conectado, a otimização de recursos, adaptação às constantes mudanças e influências mercadológicas só serão superadas se as empresas estiverem ligadas a importância de controlar seus custos.

REFERÊNCIAS

ATKINSON, Anthony et al. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2008.

BORNIA, Antônio César. Análise gerencial de custos. Porto Alegre, Bookman, 2002.

BRUNI, A.L. A administração de custos, preços e lucros. São Paulo: Atlas, 2006.

COGAN, S. Custos e formação de preços: análise e prática. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2013.

COSTA, Wênyka Preston Leite Batista et al. Determinantes da gestão de custos nas Micro e Pequenas Empresas, 2021.

CREPALDI, Silvio aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. 4. Ed. São Paulo, Atlas, 2009.

DA SILVA FILHO, Clodoaldo Alves. Contabilidade de Custos: uma análise sobre os métodos de custeio para o auxílio na tomada de decisões. Revista de Estudos Interdisciplinares do Vale do Araguaia-REIVA, v. 5, n. 03, p. 21-21, 2022.

DUBOIS, A., Kulpa L., Souza L. E., Gestão de custos e formação de preços: conceitos, modelos e instrumentos: abordagem do capital de giro e da margem de competitividade. São Paulo: Atlas, 2006.

HENDRIKSEN, Eldon S.; VAN BREDA, Michael. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999.

HORNGREN, C.T., DATAR, S. M., FOSTER, G. Contabilidade de Custos – Volume 2. São Paulo: Prentice Hall, 2007.

IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos. Introdução à teoria da contabilidade para o nível de graduação. São Paulo: Atlas, 1999.

JESUS, Lizandra Francisco de; NETO SEGUNDO, Francisco Soares. A Gestão de Pessoas na Contabilidade Gerencial. Revista FIMCA, v. 7, n. 3, p. 49-50, 2020. Disponível em: https://ojs.fimca.com.br/index.php/fimca/article/view/163/122. Acesso em: 02 fev. 2026.

LEITE, Cláudio. Contabilidade básica. 1. ed. Rio de Janeiro: Quil editora, 2010.

LEONE, George S. G.; LEONE, Rodrigo J. G. Curso de Contabilidade de Custos. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARQUES, Wagner Luiz. Análise de custos; formação de preço de vendas para micro e pequena empresa, utilizando análise de custo e método de tempos e movimentos. 1. Ed. Gráfica Vera Cruz, Cianorte – Paraná e Clube de Autores, 2013.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 9. Ed. São Paulo: Atlas, 2018.

MORAIS, Maria Auxiliadora de Oliveira. Contabilidade de custos: caso de uma indústria de temperos pauferrense. Gesec : Revista de Gestão e Secretariado, São Paulo, v. 14, n. 3, p. 4206-4219, set. 2023.

NASCIMENTO,J. Custos: planejamento, controle e gestão na economia globalizada.2. ed. São Paulo:Atlas, 2001.

NETO, F. C. Contabilidade de custos; sistemas, técnicas de apropriação e gestão. Clube de Autores, 2011.

NETO, O. G. Análise de Custos. Curitiba, 2008.

NEVES, S. das. VICECONTI, P.E.V. Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo. 7 ed. São Paulo: Frase, 2003.

OLIVEIRA, D. de P. . Planejamento Estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 25° Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

PADOVEZE, C. L. Controladoria Avançada. São Paulo: Thompson, 2005.

PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria básica. 2. Ed. São Paulo, Cengage Learning, 2013.

PADOVEZE, Clovis Luiz. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. 3. ed. ver. e atual. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

PADOVEZE, Clovis Luiz. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e intermediária. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M. de; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. São Paulo: Atlas, 2011.

PINTO, Alfredo Augusto Gonçalves... [et al.]. Gestão de custos. 4. Ed. Rio de Janeiro, FGV, 2018.

SÁ, A. L. Organização e Contabilidade de Custos. São Paulo, 1963.

SILVA, Ewerson M.; MOTA, Myriam Becho. Evolução Histórica da Contabilidade e dos Sistemas de Gestão de Custos. VIII Congresso del Instituto Internacional de Costos, Punta Del Este, Uruguai, 2003.

SOARES, Isadora. Custos diretos, indiretos, fixos e variáveis: Guia Completo. https://www.cobli.co/blog/custos-diretos-e-indiretos/. Acesso em 02 fev. 2026

WAGNER, George. O que são custos fixos e custos variáveis? Finanças – Análise de custos – Sebrae. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ap/artigos/saiba-o-que-sao-custos-fixos-e-custos-variaveis,7cf697daf5c55610VgnVCM1000004c00210aRCRD#:~:text=Nos%20Custos%20Fixos%20est%C3%A3o%20os,Servi%C3%A7os%20de%20vigil%C3%A2ncia%20e%20seguran%C3%A7a;. Acesso em 02 fev. 2026.

WEFFORT, E. F. J.. O Brasil e a Harmonização Contábil Internacional. São Paulo: Atlas, 2005.

  1. Profissional da área contábil e consultor administrativo e de negócios

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Ronaldo Duarte Vadesilho (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.