Criação de um centro de cursos profissionais para integração dos adolescentes entre 14 aos 18 anos de idade, consumidores excessivos de drogas, no bairro Chipachiua
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

O consumo de drogas entre adolescentes tem se mostrado um problema social e de saúde pública em diversas comunidades, afetando significativamente o desenvolvimento pessoal, escolar e social dos jovens. No bairro Chipachiua, observa-se que adolescentes de 14 a 18 anos apresentam consumo excessivo de substâncias psicoativas, com índices que aumentam com a idade. Dados da pesquisa indicam que 60% dos adolescentes de 18 anos consomem drogas, com predominância do sexo masculino (60%) em relação ao feminino (40%). Quanto ao contexto familiar, 65% residem com os pais, enquanto 35% vivem na rua, e a maioria das famílias possui situação socioeconômica média (65%), demonstrando que o consumo não se restringe apenas a contextos de extrema pobreza.

A pesquisa, de natureza qualitativa e quantitativa, utilizou entrevistas semiestruturadas, questionários, observação participante e análise documental para compreender os fatores individuais, familiares, sociais e culturais associados ao consumo de drogas. Entre os principais fatores identificados estão a desestruturação familiar, bullying, problemas neuropsicológicos, ausência de orientação religiosa, histórico familiar de álcool e desemprego. As consequências observadas incluem baixo rendimento escolar, comportamentos de risco, isolamento social, depressão e vulnerabilidade à criminalidade.

Como proposta de intervenção, o estudo recomenda a criação de um centro de cursos profissionais voltado para adolescentes consumidores de drogas, oferecendo formação técnica, ocupação produtiva, apoio psicossocial e integração social. A iniciativa visa reduzir o consumo de drogas, fortalecer habilidades sociais, melhorar o desempenho escolar e ampliar oportunidades de inserção no mercado de trabalho, promovendo inclusão social e desenvolvimento pessoal.

Conclui-se que estratégias educativas e profissionalizantes adaptadas às condições socioculturais dos adolescentes constituem medidas eficazes de prevenção e reintegração social. A implementação de cursos práticos e acompanhamento psicossocial pode transformar a realidade desses jovens, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida individual e coletiva no bairro Chipachiua.

Palavras-chave: adolescentes, drogas, inclusão social, formação profissional, Chipachiua.

Abstract

Drug use among adolescents has become a significant social and public health problem, severely affecting the personal, academic, and social development of young people. In the Chipachiua neighborhood, adolescents aged 14 to 18 exhibit excessive consumption of psychoactive substances, with prevalence increasing with age. Research data indicate that 60% of 18-year-old adolescents use drugs, with a predominance of males (60%) compared to females (40%). Regarding family context, 65% live with their parents, while 35% live on the streets, and most families have a medium socioeconomic status (65%), showing that drug use is not restricted to extreme poverty contexts.

The study, combining qualitative and quantitative approaches, used semi-structured interviews, questionnaires, participant observation, and document analysis to understand the individual, familial, social, and cultural factors associated with drug use. Key contributing factors include family breakdown, bullying, neuropsychological issues, lack of religious guidance, family history of alcohol use, and unemployment. Observed consequences include poor academic performance, risk behaviors, social isolation, depression, and vulnerability to criminality.

As an intervention, the study proposes the creation of a professional training center for adolescent drug users, providing technical education, productive engagement, psychosocial support, and social integration. This initiative aims to reduce drug use, strengthen social skills, improve academic performance, and expand opportunities for labor market insertion, promoting social inclusion and personal development.

In conclusion, educational and professional strategies adapted to the sociocultural conditions of adolescents are effective measures for prevention and social reintegration. Implementing practical courses combined with psychosocial support can transform the reality of these young people, contributing to improved individual and community quality of life in the Chipachiua neighborhood.

Keywords: adolescents, drugs, social inclusion, professional training, Chipachiua.

INTRODUÇÃO

O consumo de drogas entre adolescentes tem se tornado um problema social preocupante em muitas comunidades, especialmente em contextos marcados por dificuldades econômicas, falta de oportunidades educacionais e ausência de espaços de orientação juvenil. No bairro Chipachiua, observa-se a presença significativa de adolescentes entre 14 e 18 anos que se encontram expostos ao consumo excessivo de substâncias psicoativas, situação que compromete o seu desenvolvimento pessoal, educacional e social. Diante dessa realidade, torna-se necessário desenvolver estratégias que promovam a reintegração social e ofereçam alternativas construtivas para esses jovens.

Do ponto de vista social, o consumo de drogas entre adolescentes está frequentemente associado à vulnerabilidade social, à falta de oportunidades de formação e ao afastamento de atividades produtivas. A ausência de programas comunitários voltados para a juventude contribui para o aumento de comportamentos de risco, dificultando a construção de projetos de vida positivos. Nesse contexto, a criação de um centro de cursos profissionais surge como uma iniciativa capaz de promover inclusão social, incentivar o desenvolvimento de habilidades e oferecer novas perspectivas de futuro para os jovens da comunidade.

No aspecto educacional, a formação profissional representa uma ferramenta importante para a transformação social. A oferta de cursos técnicos e profissionalizantes permite que adolescentes adquiram competências práticas que facilitam a inserção no mercado de trabalho e fortalecem sua autonomia. Além disso, a educação profissional pode funcionar como um mecanismo de prevenção ao consumo de drogas, pois mantém os jovens envolvidos em atividades produtivas e educativas que estimulam a disciplina, a responsabilidade e o desenvolvimento pessoal.

Sob a perspectiva da saúde, o consumo excessivo de drogas na adolescência pode provocar diversos problemas físicos, psicológicos e comportamentais. O uso de substâncias psicoativas nessa fase da vida interfere no desenvolvimento do cérebro, prejudica o desempenho escolar e aumenta o risco de dependência química e exclusão social. Assim, iniciativas que promovam atividades educativas e ocupacionais, como a criação de centros de formação profissional, podem contribuir para a redução desses riscos, favorecendo a recuperação e o fortalecimento da saúde integral dos adolescentes.

Para o campo antropológico, é importante compreender que os comportamentos juvenis são influenciados pelos contextos culturais, sociais e familiares em que os indivíduos estão inseridos. O consumo de drogas pode estar relacionado a processos de identidade, pertença a grupos sociais e ausência de referências culturais positivas. Dessa forma, a criação de um centro de cursos profissionais no bairro Chipachiua também representa uma estratégia de fortalecimento comunitário, valorizando a participação dos jovens em atividades produtivas e culturalmente significativas.

Diante desse cenário, o presente estudo propõe a criação de um centro de cursos profissionais para a integração de adolescentes entre 14 e 18 anos consumidores excessivos de drogas no bairro Chipachiua, com o objetivo de promover inclusão social, formação profissional e melhoria da qualidade de vida desses jovens, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da comunidade.

1.1 Situação Problemática

A inferência do abuso das drogas ou substâncias psicoactivas afecta o sistema fisiológico e emocional dos adolescentes do bairro Chipachiua, dentre elas, temos os seguintes problemas: pessimismo, isolamento, incapacidade de sentir alegria ou prazer, ideias de suicídios, insónia, bulimia, anorexia, sentimento de medo ou de insegurança, sensação de inutilidade baixa auto estima, desespero, dificuldade de concentração diminuição de desempenho sexual, fraco rendimento as actividades escolares.

Outrossim, os adolescentes fisicamente apresentavam degradação corporal, mas negavam que consumiam substâncias psicoactivas, com medo da rejeição e critica social. Ainda há aqueles que apresentavam forte desejo ou senso de compulsão para consumir ou ingerir substâncias psicoactivas, dificuldade de controlar comportamentos desviantes, estado de abstinência fisiológico, ou o uso da mesma substância com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência e persistência no uso de álcool, mesmo sabendo das consequências graves e nocivas.

1.2 Causas

Maior parte deste adolescente aponta as seguintes causas: Desestruturação familiar. Bullying condições socioeconómicas, problemas neuropsicológicos, desemprego, problemas de saúde, doenças crónicas, desordens mentais, não fazer parte de uma religião, historia de álcool na família

1.3 Consequências

Desinteresse nas actividades laborais, venda dos bens familiares, assalto, homicídio, epilepsia,lesões no fígado, comportamentos sexuais de risco,depressão, suicido, homicídio. baixa capacidade intelectual, falta de energia no trabalho.

1.4 Justificativa

A escolha do tema justifica-se por termos verificado, factos que têm gerado insucesso escolar e rejeição social, tais comportamentos são desviantes aos padrões morais da sociedade, em que muitos desses adolescentes justificam tais condutas por estarem frequentemente drogados sob pressão dos pais, e abandono familiar, que eu posso ajudar minimizar este problema que os adolescentes do bairro Chipachiua estão a passar.

A problemática do consumo excessivo de droga, no bairro Chipachiua, é evidente por parte dos adolescentes, isto motivou-nos de certa medida a propormos possíveis soluções afim de minimizarmos esta situação. Observou-se, também, falha dos pais ou encarregados de educação no acompanhamento milimétrico do desenvolvimento psicossocial dos seus filhos, neste diapasão pretende-se fazer uma sondagem e abordagem analítica naquilo tem têm sido as causas que contribuem no consumo excessivo de substâncias psicoativas e o papel social da escola e dos pais na minimização do consumo excessivos de drogas.

1.5 Objectivos

Objectivo geral:

Implementar cursos profissionais a curto prazo para integração dos adolescentes dos 14 a 18 anos de idade,consumidores excessivos de drogas.

Objectivos específicos

  1. Caracterizar demograficamente os adolescentes dos 14 a 18 anos de idade do bairro chipachiua que fazem o uso excessivo de drogas.
  2. Identificar o estado actual dos adolescentes de 14 a 18 anos de idade do bairro chipachiua que fazem o uso excessivo de drogas.
  3. Desenhar cursos profissionais a curto prazo para integração de adolescentes de 14 a 18 anos de idade do bairro chipachiua que fazem o uso excessivo de drogas.

A novidade que este este artigo trás é a implementação dos cursos práticos que possa vir responder ao contexto sociocultural e instrutivo e por conseguinte fornecer conhecimentos para auto empregos a esta camada afectada, pois que se verifica que muitos deles passam a vida somente a beber, justificando a falta de ocupação e sem nenhuma orientação profissional. Por outro lado, também queixam-se dizendo que os cursos promovidos pelo estado são dirigidos a uma elite social, oferecendo para pessoas possíveis e não para aqueles que necessitam. Por esta razão o estudo que se espera poderá promover uma formação para ocupação direta por ser desenhado de acordo com as suas condições socioculturais.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Adolescência e desenvolvimento psicossocial

A adolescência constitui uma fase de transição entre a infância e a vida adulta caracterizada por profundas transformações físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Durante esse período, os jovens passam por um processo intenso de construção da identidade, desenvolvimento da autonomia e definição de valores pessoais e sociais. Segundo Erik Erikson (2020), a adolescência é marcada pela busca de identidade e pela necessidade de reconhecimento social, sendo uma fase em que os indivíduos procuram compreender o seu lugar na sociedade e definir o seu projeto de vida.

Nesse contexto, os adolescentes tornam-se mais sensíveis às influências externas, especialmente às relações com colegas, familiares e comunidade. Para Anthony Giddens (2020), o ambiente social exerce forte influência sobre o comportamento juvenil, podendo tanto favorecer o desenvolvimento saudável quanto aumentar a vulnerabilidade a comportamentos de risco.

A literatura sociológica também destaca que o contexto social em que o jovem está inserido pode determinar as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. De acordo com Pierre Bourdieu (2020), fatores como capital social, capital cultural e condições económicas influenciam significativamente as trajetórias de vida dos indivíduos, especialmente durante a juventude.

Assim, adolescentes que vivem em contextos marcados por pobreza, desigualdade social ou ausência de oportunidades educacionais tendem a enfrentar maiores dificuldades no processo de integração social. Segundo Edgar Morin (2020), compreender os desafios da juventude exige uma abordagem interdisciplinar que considere simultaneamente os fatores sociais, culturais, educacionais e psicológicos envolvidos no desenvolvimento humano.

2.2 Consumo de drogas entre adolescentes

O consumo de substâncias psicoativas entre adolescentes tem sido considerado um dos principais problemas de saúde pública em diversas sociedades contemporâneas. De acordo com a World Health Organization (2020), o uso precoce de drogas pode comprometer o desenvolvimento neurológico, emocional e social dos jovens, aumentando os riscos de dependência química, problemas de saúde mental e dificuldades de integração social.

Segundo Carl Hart (2020), o consumo de drogas entre jovens não pode ser compreendido apenas como uma escolha individual, mas deve ser analisado dentro de um contexto social que envolve desigualdades, exclusão social e ausência de oportunidades educativas e profissionais.

Além disso, o ambiente familiar exerce papel fundamental na prevenção ou no agravamento do consumo de substâncias psicoativas. Para Daniel Goleman (2020), dificuldades no desenvolvimento da inteligência emocional podem levar os adolescentes a buscar mecanismos de compensação, como o consumo de álcool ou outras drogas, especialmente quando enfrentam situações de stress, ansiedade ou conflitos familiares.

Outro fator frequentemente associado ao consumo de drogas é a influência dos grupos de pares. Durante a adolescência, os jovens tendem a valorizar fortemente a aceitação social, o que pode levá-los a adotar comportamentos semelhantes aos do grupo ao qual pertencem. Segundo Howard Becker (2020), comportamentos considerados desviantes muitas vezes são aprendidos e reforçados dentro de determinados grupos sociais.

Dessa forma, o consumo de drogas entre adolescentes deve ser analisado a partir de uma perspectiva multidimensional que considere os fatores individuais, familiares, sociais e culturais que influenciam esse comportamento.

2.3 Consequências sociais e educacionais do consumo de drogas

O uso excessivo de drogas durante a adolescência pode gerar consequências significativas para o desenvolvimento pessoal, académico e social dos jovens. De acordo com a United Nations Office on Drugs and Crime (2020), o consumo de substâncias psicoativas está frequentemente associado ao abandono escolar, à diminuição do rendimento académico e ao aumento de comportamentos de risco.

Além disso, adolescentes que desenvolvem dependência química tendem a apresentar dificuldades de concentração, perda de motivação e redução da capacidade cognitiva. Esses fatores podem comprometer o processo de aprendizagem e limitar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Segundo Anthony Giddens (2020), a exclusão social gerada por problemas como dependência química pode reforçar ciclos de pobreza, marginalização e desigualdade social, dificultando a mobilidade social dos jovens.

Do ponto de vista psicológico, o consumo de drogas também está associado ao aumento de problemas emocionais, como depressão, ansiedade, baixa autoestima e isolamento social. Para Daniel Goleman (2020), esses problemas podem comprometer a capacidade dos adolescentes de lidar com desafios da vida cotidiana e desenvolver relações sociais saudáveis.

Assim, torna-se fundamental implementar estratégias de prevenção e intervenção que permitam reduzir os impactos negativos do consumo de drogas na vida dos jovens e promover alternativas de desenvolvimento pessoal e social.

2.4 Educação e formação profissional como estratégia de inclusão social

A educação e a formação profissional desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão social e no desenvolvimento de oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade. Segundo Paulo Freire (2020), a educação deve ser entendida como um processo de libertação e transformação social, capaz de estimular o pensamento crítico e promover a autonomia dos indivíduos.

Nesse sentido, programas de formação profissional podem contribuir significativamente para a construção de projetos de vida positivos entre adolescentes. De acordo com Pierre Bourdieu (2020), o acesso ao conhecimento e às competências profissionais pode ampliar as possibilidades de mobilidade social e reduzir desigualdades estruturais presentes na sociedade.

Além disso, iniciativas educativas voltadas para jovens em situação de risco social podem desempenhar um papel importante na prevenção do consumo de drogas. Segundo a United Nations Office on Drugs and Crime (2020), programas que combinam educação, formação profissional e apoio psicossocial apresentam resultados positivos na reintegração social de adolescentes vulneráveis.

Para Edgar Morin (2020), enfrentar problemas sociais complexos exige abordagens integradas que articulem diferentes áreas do conhecimento, incluindo educação, saúde, assistência social e participação comunitária.

Dessa forma, a criação de centros de formação profissional destinados a adolescentes consumidores de drogas pode representar uma estratégia eficaz para promover a inclusão social, fortalecer habilidades práticas e oferecer alternativas de desenvolvimento pessoal e profissional.

2.5 Conceitos de Droga

Os últimos anos convivemos com o crescente aumento do uso ou abuso de substâncias psicoativas,“drogas” que estão sendo utilizadas em idades cada vez mais precoces, surgindo questionamentos sobre suas causas e consequência Uchoa (1996) esclarece que, o uso de drogas é o meio pelo qual algumas pessoas, utilizam para buscar mais prazer do que a sociedade oferece, para aliviarem suas frustrações e insatisfações, uma sociedade que se tornou relativista e fragmentária. Independente de classe social, a busca pela tão cobiçada droga está associada a algo que possa preencher o vazio que sentem deixados por uma sociedade que perdeu seus valores “criado”.

Durante o curso de sua vida, o ser humano está constantemente recebendo influencias do ambiente, mas são as experiências iniciais, dos primeiros anos de vida as que se encontram no rol mais importante. Está comprovado que estas experiências, ademais de influir em forma duradoura no desenvolvimento físico, social, cognitivo e emocional.

Os adolescentes têm na família suas primeiras e mais importantes relações interpessoais; no núcleo familiar radicam os primeiros sentimentos de felicidade ou de tristeza pessoal.

Ali aprendem um conceito de si mesmos, dos demais e do mundo, que podem determinar muitas de suas condutas posteriores.

As capacidades cognitivas que o adolescente pode desenvolver, ainda antes de seu ingresso no sistema escolar, são determinantes para que aprenda na escola e se mantenha dentro do sistema educativo. Da mesma forma, o desenvolvimento sócio-emocional, a possibilidade de desenvolver suas habilidades inter-pessoais e sociais desde os primeiros anos da vida, permite a conquista de uma personalidade sã que lhe facilita aprender e conviver socialmente e alcançar a necessária auto-estima positiva, a auto-confiança e a capacidade de integração e de participação social

Droga, segundo CUNHA (1998) apudMÉLLO (2014), é uma palavra de origem controversa, mas prefere indicar que advém da língua francesa (drogue). Porém, de acordo o médico inglês AidanMacfarlanet, al,. (2003), indica que a palavra tem origem inglesa (drogo), significando “folha seca”. Há certa coerência nesta indicação, pois os medicamentos eram (e muitos ainda são) advindos de folhas (fitoterápicos), maceradas ou não e servidas sob a forma de chá. Elas eram comercializadas como o são até hoje, especialmente em mercados e feiras populares.

Droga, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (2016), é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de actuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento; entende-se que o consumo de bebida alcoólica, está em situação semelhante a dos ansiolíticos.

As drogas são encontradas de forma farta para o consumo e causam sérios problemas sociais e de saúde pública, desde a pré-história, as substâncias psicoactivas são utilizadas pela humanidade com variadas finalidades, opondo-se, assim, a ideia do consumo dessas substâncias como um fenómeno recente, (OLIVEIRA 2013)

RIBEIO e LARANJA (2016), drogas são instrumentos mais eficientes para se obter prazer e para se combater a dor, não apenas a dor física, para a qual os analgésicos são bálsamos, como também a dor psíquica, para a qual as drogas são consoladoras supremas. Por isso, como disse Vargas, a presença de drogas em todas as culturas confirmam que esta substância sempre exerceu uma função para o homem (VARGAS 2005).

2.6 Tipos de Drogas mais frequentes

De acordo SILVA (2010), as drogas são usadas para alterar o funcionamento cerebral, causando modificações no estado mental, no psiquismo, são conhecidas também como substâncias psicoactivas, nem todas as substâncias são psicoactivas.

As substâncias listadas na Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão (CID-10), em seu capítulo V sobre (Transtornos Mentais e de Comportamento) conforme) incluem:

Álcool; opioides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas); canabinoides (maconha, Liamba); Sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, benzodiazepínicos); Cocaína; outros estimulantes (como anfetaminas e substâncias relacionadas à cafeína); alucinógenos; Tabaco; Solventes voláteis.

A cannabis continua sendo, não obstante, a principal droga que coloca as pessoas em contacto com o sistema de justiça criminal, respondendo por mais da metade dos casos de infracções a lei de drogas.

2.6 Classificação das Drogas

De acordo com Silva, (2010),as drogas podem ser classificadas de diferentes formas, uma delas e do ponto de vista legal, as lícitas (comercio livre ou controlado) e outra, as ilícitas; mas, também,é possível classifica-las do ponto de vista médico, de acordo com as acções aparentes sobre o sistema nervoso central. Desta forma, há as depressoras, os estimulantes e as perturbadoras.

Drogas lícitas

São aquelas que podem ser livremente comercializadas e que estão submetidas a certas restrições. Por exemplo, bebidas alcoólicas e tabaco, não podem ser comercializados para crianças e adolescentes. No caso de medicamentos, alguns só podem ser adquiridos por meio de prescrição médica especial.

Drogas ilícitas

São tratadas nesse ponto as drogas que são proibidas por lei.

De acordo as acções aparentes das drogas sobre o Sistema Nervoso Central (SNC). Conforme as modificações observáveis na actividade mental ou no comportamento da pessoa que utiliza .

3. Procedimento Metodológico

3.1 Caracterização do local de estudo

O bairro Chipachiua está localizado ao leste do município da Caála, conta com uma escola, três Igrejas e tem uma população perto de 2800 habitantes.

3.2 Tipo de pesquisa

A pesquisa foi do tipo aplicada, pois buscou gerar conhecimento com finalidade prática, visando propor soluções concretas para a integração social e profissional de adolescentes consumidores de drogas no bairro Chipachiua (GIL, 2022).

Quanto à natureza, foi qualitativa, dado que pretende compreender aspectos sociais, psicológicos e culturais da população-alvo, analisando percepções, comportamentos e necessidades dos adolescentes.

3.3 Universo e amostra

O universo da pesquisa inclui todos os adolescentes de 14 a 18 anos residentes no bairro Chipachiua que apresentam consumo excessivo de substâncias psicoativas, bem como familiares, professores e líderes comunitários.

A amostra foi selecionada de forma não probabilística, utilizando amostragem por conveniência e intencional, escolhendo adolescentes que estejam disponíveis e que possam contribuir efetivamente para a pesquisa. Pretende-se trabalhar com aproximadamente 40 a 50 participantes, garantindo diversidade de gênero, faixa etária e contexto socioeconômico (VERGARA, 2021).

3.4 Critérios de inclusão e exclusão

Inclusão:

  • Adolescentes de 14 a 18 anos que consumam drogas;
  • Pais, responsáveis ou educadores que convivam com adolescentes;
  • Jovens interessados em participar de cursos profissionais.

Exclusão:

  • Menores de 14 anos ou maiores de 18 anos;
  • Adolescentes que não apresentem histórico de consumo excessivo de drogas;
  • Pessoas que não concordarem em participar ou não assinarem o termo de consentimento.

3.5 Instrumentos de coleta de dados

Serão utilizados métodos mistos, combinando técnicas qualitativas e quantitativas:

  • Entrevistas semiestruturadas: para compreender percepções, desafios e necessidades dos adolescentes;
  • Questionários estruturados: para levantamento de dados socioeconômicos, acadêmicos e familiares;
  • Observação participante: para acompanhar comportamentos, interação social e dinâmica nos cursos ou atividades propostas;
  • Análise documental: verificação de registros escolares e relatórios de assistência social.

3.6 Procedimentos

  1. Solicitação de autorização e consentimento da direção da comunidade e dos pais/responsáveis;
  2. Aplicação de questionários e entrevistas com adolescentes, pais, professores e líderes comunitários;
  3. Observação das atividades realizadas em programas existentes de ocupação juvenil;
  4. Tabulação e análise dos dados coletados.

3.7 Técnica de análise de dados

  • Análise qualitativa: categorização de respostas, identificação de padrões, correlação entre causas do consumo de drogas e impactos sociais;
  • Análise quantitativa: estatística descritiva utilizando frequência, percentual e gráficos para representar informações socioeconômicas e educacionais (OLIVEIRA, 2006).

3.8 Questão ética

A pesquisa respeitou os princípios éticos, garantindo:

  • Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido;
  • Sigilo e anonimato dos participantes;
  • Aprovação prévia do estudo pela comissão ética da instituição responsável;
  • Respeito à integridade física e psicológica dos adolescentes.

4. Análise e interpretação dos dados

Gráfico 1 – Consumo de drogas por faixa etária


Fonte: ( autores, 2026)

De acordo com o gráfico acima, os dados mostram que 60% dos adolescentes de 18 anos consomem drogas, enquanto os de 14 anos já apresentam índices preocupantes de iniciação. Observa-se que o consumo aumenta com a idade, consolidando padrões de risco ao longo da adolescência. Essa faixa etária de 14 a 18 anos é crítica para intervenções educativas e preventivas.

Um centro de cursos profissionais pode oferecer integração social, ocupação produtiva e apoio psicossocial, reduzindo o consumo.Assim, a formação profissional surge como estratégia preventiva e integradora, melhorando oportunidades e a inserção social desses jovens.

Gráfico 2 – Distribuição por sexo

De acordo com os dados apresentados, observa-se que 60% dos adolescentes consumidores de drogas são do sexo masculino, enquanto 40% são do sexo feminino. Essa diferença indica que os rapazes apresentam maior vulnerabilidade ou exposição ao consumo de substâncias na faixa etária estudada.

A interpretação sugere que fatores sociais, culturais e comportamentais podem influenciar essa discrepância, como maior liberdade de circulação, pressão de grupo ou menor supervisão familiar entre os meninos. Por outro lado, a participação significativa de meninas (40%) mostra que o consumo não é exclusivo do sexo masculino e que estratégias de prevenção devem abranger ambos os gêneros.

Na discussão, é importante ressaltar que intervenções educativas e centros de cursos profissionais precisam considerar diferenças de gênero, oferecendo programas que atendam às necessidades específicas de meninos e meninas, promovendo igualdade de oportunidades, apoio psicossocial e integração social para todos.

Gráfico 3 – Com quem mora atualmente

De acordo com os dados, 65% dos adolescentes moram com os pais, enquanto 35% vivem na rua.

A interpretação indica que, mesmo com a maioria em contexto familiar, um número significativo enfrenta vulnerabilidade social extrema, vivendo sem proteção ou supervisão adequada. Isso aumenta o risco de consumo de drogas, exposição à criminalidade e dificuldade de acesso à educação e serviços de apoio.

A discussão dos resultados mostra que intervenções devem ser diferenciadas: para os que moram com os pais, fortalecer vínculos familiares e suporte educativo; para os que vivem na rua, oferecer acolhimento, proteção social e programas de reintegração, como centros de cursos profissionais, que proporcionem ocupação e acompanhamento psicossocial.

Gráfico 4 – Situação socioeconômica da família

De acordo com os dados, 65% das famílias dos adolescentes apresentam situação socioeconômica média, enquanto apenas 3% estão em situação baixa.

A interpretação indica que a maior parte dos jovens consumidores de drogas não está necessariamente em extrema pobreza, mostrando que o consumo não se limita apenas a contextos de vulnerabilidade econômica. No entanto, mesmo em famílias de classe média, fatores como falta de supervisão, conflitos familiares ou influência de grupos podem contribuir para o envolvimento com drogas.

Na discussão, é importante considerar que programas de prevenção e cursos profissionais devem atender a adolescentes de diferentes contextos socioeconômicos, oferecendo orientação, ocupação e apoio psicossocial de forma inclusiva, sem presumir que o risco esteja apenas em famílias pobres.

Conclusão

O estudo evidencia que o consumo de drogas entre adolescentes de 14 a 18 anos no bairro Chipachiua é um problema significativo, presente tanto em contextos familiares quanto entre jovens em situação de vulnerabilidade social, como os que vivem na rua. A análise dos dados mostra que a incidência do consumo aumenta com a idade, com predomínio entre os meninos, mas também significativa entre meninas, e que a situação socioeconômica média não exclui a exposição ao risco.

A criação de um centro de cursos profissionais surge como uma estratégia eficaz para enfrentar esse problema, oferecendo ocupação produtiva, formação técnica, apoio psicossocial e integração social. A implementação de cursos adaptados à realidade sociocultural dos adolescentes pode reduzir o consumo de drogas, fortalecer a autoestima, melhorar o desempenho escolar e ampliar as perspectivas de inserção no mercado de trabalho.

Portanto, programas educativos e profissionalizantes dirigidos a adolescentes consumidores de drogas constituem intervenções preventivas e integradoras, capazes de transformar realidades individuais e comunitárias, promovendo desenvolvimento pessoal, social e profissional e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida no bairro Chipachiua.

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  1. Instituto Superior Politécnico do Wako Kungo

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Copyright (c) 2026 Avelina Olga de Figueiredo, Alcides Correia Moma Pessela, Celestino Bartolomeu, Ernesto Java, Ivo Casimiro, José César de Figueiredo, Justino Samanjolo Chimbua (Autor)

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