Resumo
O presente trabalho apresenta a importância do ensino da música na rotina escolar e tem como objetivo apontar a música como forma de expressão e comunicação de sentimentos e bons pensamentos. Para elaboração deste trabalho utilizou-se a pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo como instrumento para coleta de dados e a construção deste relatório com considerações sobre o tema. Foi utilizada também a observação sistemática (devido à experiência da pesquisadora como professora), dando margem à interpretação subjetiva voltada para alguns conceitos educacionais musicais, percebidos e analisados com crianças em sala de aula. Os resultados mostram a significância da música como linguagem comunicativa e natureza cognitiva e sócio-cultural, considerando que não há necessidade em ser professor especialista em música, mas um professor comprometido com a educação, lançando desafios e abrindo novos caminhos para a educação prazerosa e dinâmica. O comportamento da criança em relação à música revela dimensões de sentimentos, no simples olhar, no toque das mãos, no silêncio, na expressão corporal, enfim, a música traz para as salas de aula momentos diferentes que propiciam um conhecimento vasto, onde as experiências realizadas só trazem alegrias.
Palavras-chave: Educação; Música; Aprendizado.
Abstract
The present work presents the importance of music education in the school routine and aims to point out the song as a form of expression and communication of feelings and good thoughts. For the preparation of this work, bibliographical research was used as a tool for data collection and for the construction of this report with considerations on the subject. Systematic observation was also used (due to the researcher's experience as a teacher), giving room for subjective interpretation aimed at some educational concepts, perceived and analyzed with children in the classroom. The results show the significance of music as communicative language and cognitive and socio-cultural nature, whereas there is no need of going into teaching music specialist, but a teacher committed to education, launching challenges and opening new paths for education enjoyable and dynamic. The behavior of the child towards music reveals dimensions of feelings, the simple look, at the touch of the hands, in the silence, in body language, anyway, the music brings the classroom different moments that provide a vast knowledge, where the experiments only bring joy.
Keywords: Education; Music; Learning.
1 Introdução
A música faz parte do mundo desde a Grécia Antiga, onde foi considerada como fundamental para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da filosofia. Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (5692/71), a música passou a ser considerada, na educação, como atividade integrante do currículo, inserida na disciplina de Educação Artística.
Ao trabalhar a música como aquisição de conhecimentos na educação infantil, pretende-se desenvolver nos alunos a dicção, movimento corporal, sensibilização, reflexão, história, poesias e outras atividades, estimulando a criatividade e o contato com outras crianças. Pretende-se através desta pesquisa buscar respostas como: a música pode ser utilizada na rotina escolar de forma que a aprendizagem seja significativa para a educação infantil? E ainda, investigar como a música ajuda na aquisição de conhecimentos. O objetivo é conhecer a utilização da música na rotina escolar, conhecer como os professores utilizam a música nas atividades realizadas em sala de aula e justifica-se no fato de acreditar que a música pode auxiliar no aprendizado facilitando o desenvolvimento do aluno.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (Brasil, 1998) a noção do conhecimento em música surge da ação da criança com a própria música, cuja característica fundamental é o movimento simultâneo e sucessivo de seus elementos (duração, altura, intensidade e timbre). Assim, dentro de um processo ativo e lúdico, a criança poderá construir seu conhecimento musical, quando interagir com os objetos existentes em seu contexto social.
É preciso ressaltar que a expressão musical é parte integrante de nossa cultura, aparecendo naturalmente em nosso contexto social e educativo. O som nos invade a cada instante; ele está presente em todos os momentos dentro e fora de nós, na rotina que nos cerca e nas melodias que marcam o nosso dia.
O homem transforma os mais diversos sons em música, e esta passa a existir na imaginação ou na efemeridade do momento como paisagem, lembrança, estereótipo, intenção, diversão ou brinquedo. A linguagem musical é a organização de sons, estruturados de uma forma que estabelece relações e gera significados.
Trabalhar com a música em sala de aula não é formar musicistas e profissionais na área, mas trabalhar com música é sadio, envolve atenção, disciplina e prazer que acarreta o interesse do educando e auxilia na aprendizagem, na interação e no desenvolvimento das potencialidades da criança. A música ajuda o aluno a desenvolver a percepção e o reconhecimento de volume, intensidade, timbre e duração.
2 Revisão da Literatura
2.1 A importância da música na Educação Infantil
A música é um poderoso recurso educativo a ser utilizado na Educação Infantil. É preciso que a criança seja habituada a expressar-se musicalmente desde os primeiros anos de sua vida, para que a música faça parte permanente de seu ser. A música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para a criança. Assim, na Educação Infantil os fatos musicais devem induzir ações, comportamentos motores e gestuais (ritmos marcados caminhando, batidos com as mãos, e até mesmo falados), inseparáveis da educação perceptiva propriamente dita.
Gardner (1996) afirma que a inteligência musical está relacionada à capacidade de organizar sons de maneira criativa e à discriminação dos elementos constituintes da música. A sua teoria enfatiza que pessoas dotadas dessa inteligência não precisam de aprendizado formal para colocá-la em prática. Isso é real, pois não está sendo questionado o resultado da aplicação da inteligência, mas sim a potencialidade para se trabalhar com a música. Podemos entender melhor essa teoria quando Gardner explica que:
Embora o incentivo ambiental familiar e a iniciação na infância sejam positivos, não são essenciais na formação musical. Outros fatores podem ser estímulos favoráveis ao desenvolvimento da inteligência musical: a escola, os amigos, os meios de comunicação, etc. Precisamos de música na Educação Infantil. As crianças precisam e gostam de música, pois o som, o ritmo, a melodia fazem parte de sua vida.
A música é tão importante, pois contribui para o desenvolvimento global da criança. Ela atua no corpo e desperta emoções. Pode aumentar ou equilibrar o metabolismo, aumentar ou diminuir a energia muscular, acelerar a respiração ou diminuir sua regularidade, causar mudanças no volume de sangue, pulsação e pressão, interferir na receptividade sensorial, minimizar os efeitos de fadiga ou levar à excitação (GARDNER, 1996, p. 206).
Portanto as brincadeiras musicais na Educação Infantil devem-se constituir de experiências vivas, agradáveis e enriquecedoras, pois a criança ao explorar o som, o ritmo e o movimento, descobre e vivencia a variedade e riqueza de sons e movimentos produzidos não somente pelo seu corpo, mas pela natureza que a circunda, oportunizando uma atividade musical criadora.
2.2 A relação da criança com a música
A música está presente na vida das crianças desde o seu nascimento. Sua presença nas mais diferentes e variadas situações do cotidiano faz com que elas iniciem seu processo de musicalização de forma intuitiva. Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas com rimas, parlendas etc. Encantados com o que ouvem, os bebês tentam imitar e responder, criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cognitivo, responsável pela criação de vínculos, tanto com os adultos quanto com a música. Nas interações que se estabelecem, eles constroem um repertório que lhes permite iniciar uma forma de comunicação por meio de sons.
Os bebês e as crianças interagem permanentemente com o ambiente sonoro que os envolve e – logo – com a música, já que ouvir, cantar e dançar são atividades presentes na vida de quase todos os seres humanos, ainda que de diferentes maneiras (BRITO, 2003, p. 35).
Pode-se dizer que o processo de musicalização das crianças começa espontaneamente, de forma intuitiva, por meio do contato com as variedades de sons do seu cotidiano, incluindo a presença da música.
Segundo Kutler (2013) as crianças ampliam os modos de expressão musical pelas conquistas vocais e corporais. Articulando e entoando um maior número de sons, inclusive os da língua materna, reproduzindo letras simples, refrões, onomatopeias etc., explorando gestos sonoros, como bater palmas, pernas, pés, especialmente depois de conquistada a marcha, a capacidade de correr, pular e movimentar-se acompanhando uma música.
Kutler (2013) considera ainda que no que diz respeito à relação com os materiais sonoros é importante notar que, nessa fase, as crianças conferem importância e equivalência a toda e qualquer fonte sonora. Interessam-se pelos modos de ação e produção dos sons, sendo que sacudir e bater são seus primeiros modos de ação. Então sempre atentas às características dos sons ouvidos ou produzidos, se gerados pôr um instrumento musical, pela voz ou qualquer objeto, descobrindo possibilidades sonoras com todo material acessível.
Para Brito (2003) o que caracteriza a produção musical das crianças nesse estágio é a expressão do som e suas qualidades que são altura, duração, intensidade e timbre e não a criação de temas ou melodias definidos precisamente, assim a autora se pronuncia:
A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, “transforma-se em sons”, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre instrumentos”, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos (BRITO, 2003, p. 35).
A expressão musical das crianças nessa fase é caracterizada pela ênfase nos aspectos intuitivo e afetivo e pela exploração (sensório-motora) dos materiais sonoros.
Segundo Kutler (2013) as crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade significados simbólicos aos objetos sonoros ou instrumentos musicais e à sua produção musical”. O brincar permeia a relação que se estabelece com os materiais: mais do que sons, podem representar personagens, como animais, carros, máquinas, super-heróis etc.
A partir dos 3 anos, aproximadamente, os jogos com movimento são fonte de prazer, alegria e possibilidade efetiva para o desenvolvimento motor e rítmico, sintonizados com a música, uma vez que o modo de expressão característica dessa faixa etária integra gesto, som e movimento (BRASIL, 1998, p. 52).
Com relação à entoação melódica, ainda que sem controle preciso da afinação, ocorre um maior domínio, mas já com retenção de desenhos melódicos e de movimentos significativos das canções, como refrão, onomatopeias, o “to-to” de Atirei o pau no gato, por exemplo. A criança memoriza um repertório maior de canções e conta, consequentemente, com um “arquivo” de informações referentes e desenhos melódicos e rítmicos que utiliza com frequência nas canções que inventa. Ela é uma boa improvisadora “cantando histórias”, misturando ideias ou trechos dos materiais conhecidos, recriando, adaptando etc. (Brasil, 1998).
No entanto, a criança aos poucos, começa a cantar com maior precisão de entoação, passando a reproduzir ritmos simples orientados por um pulso regular. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil os batimentos rítmicos corporais como as palmas, batidas nas pernas, pés etc. são observados e reproduzidos pelas crianças com cuidado, e, evidentemente, a maior ou menor complexidade das estruturas rítmicas dependerá do nível de desenvolvimento de cada criança ou grupo.
Além de cantar, a criança tem interesse, também, em tocar pequenas linhas melódicas nos instrumentos musicais, buscando entender sua construção. Torna-se muito importante poder reproduzir ou compor uma melodia, mesmo que usando apenas dois sons diferentes e percebe o fato de que cantar ou tocar uma melodia é preciso respeitar uma ordem, à semelhança do que ocorre com a escrita de palavras (BRASIL, 1998, p. 53).
Portanto a conquista das habilidades musicais através do uso da voz, do corpo, e dos instrumentos devem ser observadas, acompanhadas e estimuladas.
2.3 As cantigas da cultura infantil
Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.
Nogueira (2004), em seu artigo “A Música e o Desenvolvimento da Criança”, publicado na Revista UFG em 2004, afirma que a música também é importante do ponto de vista da maturação individual, isto é, do aprendizado das regras sociais por parte da criança. Quando uma criança brinca de roda, por exemplo, ela tem a oportunidade de vivenciar, de forma lúdica, situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida, de afirmação.
Segundo Nogueira (2004) quem não se lembra da “ciranda-cirandinha, vamos todos cirandar, uma volta, meia volta, volta e meia vamos dar” ou ainda quem não se lembra de quando era pequenino de ter dado as mãos para muitas outras crianças, ter formado uma imensa roda e ter brincado, cantado e dançado por horas? Quem pode esquecer a hora do recreio na escola, do chamado da turma da rua ou do prédio, para cantarolar a “Teresinha de Jesus”, aquela que de uma queda foi ao chão e que acudiram três cavalheiros, todos eles com chapéu na mão? E a briga para saber quem seria o pai, o irmão e o terceiro, aquele para quem a disputada e amada Teresinha daria, afinal, a sua mão? E aquela emoção gostosa, aquele arrepio que dava em todos, quando no centro da roda, a menina cantava: “sozinha eu não fico, nem hei de ficar, porque quero o...Sérgio? Paulo? Fernando? Alfredo? para ser meu par”. E aí, apontando o eleito, ele vinha ao meio para dançar junto com aquela que o havia escolhido... Quanta declaração de amor, quanto “ciuminho”, quanta inveja, passava na cabeça de todos.
A criança sempre está brincando, ela é um ser lúdico, mas a sua brincadeira tem um grande sentido. Ela corresponde com exatidão à sua idade e aos interesses e abrange elementos que conduzem à elaboração das necessárias habilidades e hábitos (VIGOTSKY, 2001, p. 120).
Essas cantigas e muitas outras que nos foram transmitidas oralmente, através de inúmeras gerações, são formas inteligentes que a sabedoria humana inventou para nos prepararmos para a vida adulta. Para Nogueira (2004) tais cantigas tratam de temas tão complexos e belos, falam de amor, de disputa, de trabalho, de tristezas e de tudo que a criança enfrentará no futuro, queiram seus pais ou não. São experiências de vida que nem o mais sofisticado brinquedo eletrônico pode proporcionar. Segundo Nogueira (2004) as cantigas de roda fortalecem elos afetivos e culturais, e também é uma gostosa diversão para brincarmos em casa.
As cantigas de ninar, as canções de roda, as parlendas e todo tipo de jogo musical têm grande importância, pois é por meio das interações que se estabelecem que os bebês desenvolvem um repertório que lhes permitirá comunicar-se pelos sons; os momentos de troca e comunicação sonoro-musicais favorecem o desenvolvimento afetivo e cognitivo, bem como a criação de vínculos fortes tanto com os adultos quanto com a música (BRITO, 2003, p. 35).
Cada dia menos, as crianças conjugam, cantam e dançam o verbo cirandar – desta e de qualquer outra cantiga de roda. A lista de motivos que distanciaram a cantiga e a roda das brincadeiras infantis é grande.
De acordo com Nogueira (2004) os edifícios e suas minúsculas áreas de lazer engoliram, literalmente os quintais amplos nas grandes cidades, a insegurança afugentou das ruas as crianças, ao mesmo tempo, com velocidade espantosa, a mídia transforma em modismo musical e comportamental a “dança da garrafa” e outras, que, no máximo, exigem das crianças capacidade de imitação. Longe do círculo, das lendas e das cantigas de roda, as crianças deixam de ganhar uma grande contribuição para seu desenvolvimento social, cultural e emocional.
Nogueira (2004) afirma ainda que ao longo da História, esse passatempo transmitiu histórias, lendas, cultura, consolidando o vínculo afetivo de muitas gerações que se deram as mãos, cantaram e dançaram juntas, falando a mesma linguagem, apesar da mudança dos tempos.
A cantiga e a roda sempre representaram uma das sólidas pontes entre as avós e seus netos, por exemplo. Senhoras e crianças recitaram o mesmo verso, cada uma em seu tempo e, mais tarde, na mesma roda – cúmplices uma da outra. Brincando com símbolos, assumindo papéis diferentes na representação, ou simplesmente recitando um verso no centro da roda, as crianças “vestem” diferentes personalidades e experimentam distintas emoções – vivências que as ajudam a construir a própria identidade, pois “a função básica da imaginação segundo Vigotsky é organizar formas de comportamentos jamais encontradas nas experiências do homem (2001, p, 203)”. No vai-e-vem da roda, a criançada vai descobrindo a harmonia dos movimentos do próprio corpo e a musicalidade de sua voz.
Nas brincadeiras em que as crianças ficam de mãos dadas no círculo, ou dentro dele, as crianças têm a oportunidade de exercitar sua desenvoltura, de compartilhar alegria, afeto e aprovação dos amiguinhos. Também têm a chance de se projetar no grupo. Brincando, elas exercitam sua capacidade de socialização, habilidade necessária em qualquer ambiente que exija convivência e traquejo social. Ao longo da vida, a “roda” terá cenários bem mais amplos: a escola, o trabalho, a cidade, o país e a família que o adulto vier a formar. E embora não seja o remédio para todos os males, as cantigas de roda podem até favorecer, nessa idade, a convivência dos grupos de classes sociais diferentes sem maiores desavenças.
De verso em verso, as músicas e as danças também mantêm vivas a história e a cultura de um determinado país ou região. É o que se vê, por exemplo, em o Peixe Vivo, canção que relata a lenda amazônica do boto que seduzia as jovens solteiras dos povoados ribeirinhos.
Engana-se quem imaginar que as qualidades dessas ricas músicas infantis terminam por aí. Elas são fortes aliadas também na hora de ensinar a meninada a ler e a escrever, pois a familiaridade com textos conhecidos e apreciados pelas crianças facilita a alfabetização. Perceber que a combinação de determinadas letrinhas resulta em cada uma das palavras do refrão de uma cantiga conhecida é muito mais gostoso e interessante do que aprender a ler e escrever palavras isoladas. Isso aumenta a capacidade de compreensão da criança que, assim, tem mais possibilidades de interpretar e conhecer o mundo em que vive.
O processo de aquisição da linguagem também facilita a comparação com a expressão musical: da fase de exploração vocal à etapa de reprodução, criação e reconhecimento das primeiras letras, daí à grafia de palavras, depois a frases e, enfim, à leitura e à escrita, existe um caminho que envolve a permanente reorganização de percepções, explorações, descobertas, construções de hipóteses, reflexões e sentidos que tornam significativas todas as transformações e conquistas de conhecimento: a consciência em contínuo movimento. Isso ocorre também com a música (BRITO, 2003, p. 43).
As cantigas podem ser comparadas a baús que guardam diferentes tesouros. Por isso tem crescido o número de educadores e músicos que procuram recuperar a força e o brilho das cantigas da cultura infantil. Inserida na rotina escolar, a música gera resultados gratificantes, divertidos, animadores e inteligentes.
3 Metodologia
Um trabalho de pesquisa traz sempre muita reflexão pessoal e produz conhecimento que, por consequência, produz autonomia, pensamento próprio, soluções próprias e, assim, para que a questão da música como facilitadora do aprendizado à Educação Infantil fosse discutida, foi realizado um estudo amplo sobre o tema, por meio de leituras realizadas em livros, dissertações, artigos, sites, e revistas. Para Demo (1996, p. 42) “a pesquisa científica e educativa, compõe o processo emancipatório, que constitui um sujeito crítico, autocrítico e participante, capaz de reagir contra a situação de objeto e de não cultivar os outros como objeto.”
Esta pesquisa se caracterizou como bibliográfica de caráter qualitativo, objetivando apontar a música como forma de expressão e comunicação de sentimentos e bons pensamentos.
Em relação à pesquisa qualitativa, supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, e, conforme apresentado por Richardson (2015, p. 5) “[...] a pesquisa qualitativa é uma maneira de se entender um fenômeno social sem apresentar dados estatísticos”.
4 Resultados e Discussão
A música em relação ao homem é um objeto de estudo e reflexão de pesquisadores que tentam conceituá-la no contexto social e de alguns homens em particular como afirma Aronoff apud David (2004): “a música é uma experiência humana não deriva das propriedades físicas dos sons, mas da relação do homem com o som”.
Música é vida. Educação é vida. Ao observar a história do mundo, irão se encontrar a música e educação, mas nem sempre unidas. E não podemos tocar na música, como afirma Brandão:
Não há na música o intemporal, no mais rigoroso sentido da palavra. Um sim isolado [...] não é um conceito, como a palavra na literatura, não é tampouco um elemento estático, espacial, como a cor na pintura; mas, sim um acontecer, um “vir a ser”, é um processo (apud DAVID, 2004, p. 59).
A música é uma mágica, um prazer que alimenta a autoestima e o pensamento, um alimento espiritual. Pode-se também sentir a sensação de tristeza, desequilíbrio e outras sensações:
A música é um fenômeno sem definição, mas que toca na alma, é algo impalpável, mas sendo um veículo de pensamentos; enquanto Arthur Shopenhauer apud David (2004) mesmo com sua visão pessimista considerou a música sendo o sentido da total realização da sobrevivência (p. 60).
As escolas justificam pelo motivo na qual não se utilizam a música de maneira adequada na educação, alegando querer misturá-la com as disciplinas “mais sérias”.
Piaget apud Seber (1997) ressalta que a música, bem trabalhada na educação infantil é uma boa maneira da criança se libertar emocionalmente, se expressar e aprender a se comunicar, sendo diferente de uma educação do autoritarismo que impede o aluno de refletir, apenas obedecer.
Esse ponto de vista de Piaget apud Seber (1997) remete a um grande problema no ensino brasileiro. Esse impedimento do crescimento na arte musical causa um retrocesso na expressão artística. O problema carrega a conotação de que fazer é coisa de artista, o que demonstra falta de conhecimento, busca e objetivos, pois a educação musical é um auxílio ao desenvolvimento psíquico, emocional e cognitivo da criança. Para David (2004), a expressão artística gera confiança e autoestima. E essa natureza contribui para o desempenho da criança em relação ao mundo.
A música proporciona o florescimento da criatividade e da confiança pessoal. Ela nos capacita para expressarmos nossos pensamentos e sentimentos mais nobres; A música ensina aos estudantes aspectos singulares de seus relacionamentos com os outros seres humanos e com o mundo em volta deles, em sua própria e outras culturas; A música abre caminhos de sucesso para os estudantes que poderiam ter problemas em outras áreas do currículo e cria facilidades para aprendizado que podem ser aplicadas em outras matérias (DAVID, 2004, p. 67).
São meios que proporcionam ao aluno a oportunidade de expressar seu sentir e pensar em seu meio. Percepções trabalhadas na prática. E o professor é o principal foco para incentivar, questionar e valorizar o trabalho das crianças. É sugerido que sejam trabalhadas obras e concertos musicais, canções folclóricas e para David (2004) há excelentes obras voltadas ao público infantil. O som é matéria-prima da música e deve ser conhecido por quem praticar. É preciso percebê-lo, classificar e organizar comparando com outros sons.
A partir do som, é que o professor irá despertar no aluno a pensar, refletir, analisar e levar à criação musical, nesse meio, a criança irá aprender diversas manifestações linguísticas e comunicativas. O professor poderá proporcionar uma maior aproximação com o som e é isso que vai permitir o interesse futuro para o estudo de mais profundidade da música.
À medida que incorpora ao vocabulário do aluno, ele vai despertar de maneira criativa, observar, reconhecer, comparar, imitar e criar muitos eventos sonoros. O professor que for interessado em aplicar projetos de música para os alunos na rotina escolar, deverá entender que o som e o silêncio são a base da música. É ideal que o professor incentive bastante o aluno a se desenvolver no melhor possível. Para Hobsbawm apud Kerr (2004):
O projeto pode desenvolver diferentes propostas, tais como o resgate da memória musical da comunidade, o planejamento de ações e de formação e escuta o conhecimento do repertório específico de alguma época, de determinado instrumento ou compositor, ou, ainda, a criação musical (HOBSBAWM apud KERR, 2004, p. 83).
Todas as propostas acima sugeridas irão trabalhar a sonoridade, é a partir dela que as crianças irão analisar as diferenças musicais. Estes são os principais objetivos do projeto, para que haja uma aprendizagem significativa e sem preocupação de sequência das divisões destacadas para se trabalhar com a música. São músicas que interferem na educação e são significativas para o desenvolvimento pessoal e instrumentos de aprendizagem escolar. “A música é a corporificação da inteligência que há no som”. (Wronsky apud Gardner, 2002, p. 78). E vem por si só justificar sua significativa importância para a educação, especificamente na educação infantil. Os acalantos são cantigas de ninar, voltadas para tranquilizar bebês. Mas o restante são brincadeiras ritmos musicais que são voltadas para alunos maiores.
As parlendas propriamente ditas e as mnemônicas são rimas em música [...] as parlendas servem como fórmula de escolha numa brincadeira, como trava-línguas, etc., como os seguintes exemplos: Rei, capitão, soldado, ladrão, moço bonito do meu coração [...] Lá em cima do piano tem um copo de veneno quem bebeu morreu, o azar foi seu (BRASIL, 1998, p. 71).
Estas músicas estão sempre caracterizadas por sua pronúncia difícil, e ajuda os alunos a memorizar as palavras e é emitida a importância de trabalhar na pré-alfabetização como rotina escolar.
5 Conclusão
Percebe-se que as possibilidades de trabalhar com a música são infinitas. Com ousadia, interesse e comprometimento do professor, pode descobrir ao longo de seu trabalho inúmeras opções de utilizá-la na rotina escolar. Notou-se que a música apropriada para a criança é aquela que respeita e insiste sobre seus valores pessoais podendo ser trabalhada desde sua concepção mais simples, até a mais complexa. O importante mesmo é que o professor encare como manifestação cultural possível de uni-la à educação infantil. Posição que traz novos desafios, desperta curiosidades e satisfações.
As aulas com a música tornam-se mais prazerosas, auxiliando na comunicação da relação aluno-professor, socialização e entendimento do que ouvem sem apelos à estimulação da sexualidade ou crescimento precoce. É interessante que o professor estimule a prática musical com oficinas em espaços grandes, improvisação, apreciação e audição musical, oferecendo suportes para que a criança contemple, cante, brinque e aprenda.
A intenção desta pesquisa não é formar profissionais em música, mas para que o professor e o aluno conheçam sua história, ampliem o repertório musical, cultural e cultivem as expressões musicais como forma de trabalho. Atualmente educadores trabalham a música como parte da atividade interligada às demais disciplinas para memorização com a necessidade de rever ou cantar novamente. As crianças fixam os nomes com maior facilidade. A música é utilizada somente para auxiliar em algumas atividades.
No processo do fazer música não é somente o aluno que irá aprender o porquê do fazer musical, há uma troca de informações no processo ensino-aprendizagem, oferecendo a possibilidade de aprimorar outros saberes que a música irá proporcionar. A música não tem o objetivo de mudar o destino da educação, mas permite que o aluno se relacione com o mundo, trabalhando o coletivo e consigo mesmo. A criança solta sua imaginação, criatividade e prazer. Uma educação que abre as portas do mundo e devolverá para ele em forma de música. De acordo com a complexidade do tema e também pelo caráter da pesquisa de cunho exploratório, deixa-se claro que está aberta para futuras investigações com maior profundidade. Observou-se também que a música facilita o aprendizado e minimiza as dificuldades dos alunos e que é fundamental em todos os segmentos do trabalho educacional.
Referências
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Licencianda em Pedagogia. Professora da Rede Municipal de Ensino de São José dos Pinhais no Ensino Fundamental Educação Especial. Pós-graduada em Educação Especial e Psicopedagogia. Professora do Ensino Fundamental. Curitiba – PR – Brasil. Email: tatizolivo@gmail.com ↑

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