Resumo
Conhecer e compreender o processo de estágio pedagógico na formação de professores no contexto educativo angolano ao nível superior torna-se uma necessidade para facilitar os níveis de compreensão e organização da profissionalização no ensino. Foi na base da realidade das dificuldades sobre o desenvolvimento do processo de estágio no nível de licenciatura que parte a intenção de desenvolver o estudo, com foco na contribuição para o seu melhoramento. O texto é uma visão panorâmica sobre a concepção, enquadramento, importância e utilidade do estágio focado no contexto angolano pelo qual se fundamenta um espaço de reflexão e discussão para melhor compreensão. O estudo transcorre além de aspectos teóricos, uma abordagem empírica que se manifesta num diagnóstico relativamente a operacionalização do estágio, desde uma sequência histórica numa instituição superior pública pedagógica e em diversas instituições de ensino geral de acolhimento de estagiários. O artigo encerra com um roteiro metodológico de atividades e avaliação do estágio, orientando para a dinamização do estágio nos cursos de licenciatura, numa perspectiva de traduzir a teoria da formação à prática profissional na formação inicial de professores rumo à profissionalização do referido grupo académico.
Palavras-chave: Roteiro Metodológico. Atividades e Avaliação. Estágio Pedagógico.
Abstract
To know and understand the pedagogical internship process in teacher training in the Angolan educational context at higher education level becomes a necessity to facilitate the levels of understanding and organisation of professionalisation in teaching. It was on the basis of the reality of the difficulties concerning the development of the internship process at undergraduate level that the intention to develop the study arose, with a focus on contributing to its improvement. The text is a panoramic overview of the conception, framework, importance and usefulness of the teaching placement, focused on the Angolan context, on which a space for reflection and discussion is based for better understanding. The study goes beyond theoretical aspects, with an empirical approach manifested in a diagnosis of the implementation of the placement, from a historical sequence in a public pedagogical higher education institution and in various general education institutions hosting trainee teachers. The article concludes with a methodological guide to placement activities and assessment, directing the promotion of the placement in undergraduate courses, with a view to translating the theory of training into professional practice in the initial training of teachers towards the professionalisation of the said academic group.
Keywords: Methodological Guide. Activities and Assessment. Teaching Placement.
INTRODUÇÃO
O estágio pedagógico é um dos momentos formativos mais relevantes da formação inicial de professores, espaço fundamental no qual a teoria educativa estudada durante a formação encontra espaço apropriado para se colocar em prática, isto é, a prática pedagógica no qual o futuro professor tem a oportunidade de iniciar o ensaio das suas competências. Mais representa uma antecâmara para o desempenho profissional e para a formação de educadores competentes para corresponder às solicitações da sociedade.
A política educativa angolana reconhece a importância do estágio na formação de profissionais competentes, e com especial destaque para a formação de professores. O estado reconhece a sua importância na formação inicial de professores, e define-o como uma componente curricular de aplicação obrigatória nos respectivos currículos, a ser aplicado em instituições apropriadas ou parceiras designadas para o efeito, sob acompanhamento por tutores qualificados. A articulação da teoria e prática é a tónica recomendada associada à aplicação dos conhecimentos pedagógicos, psicológicos e científicos obtidos ao longo da formação académica, em garantia da qualidade de ensino, conforme o Decreto Presidencial nº 273/20 de 21 de Outubro.
Entre o reconhecimento da importância e a execução destacam-se dificuldades à volta do desenvolvimento do estágio, desde as instituições formadoras às instituições de acolhimento dos estagiários. Da constatação desde o campo de estudos e apurado realidades as quais do ponto de vista dos estagiários, “o estágio é um processo pouco projectado, organizado, dirigido e com avaliação menos criteriosa e clarividente, tornando-se várias vezes um processo desconfortável”. E deste modo a presença de estagiários“com pouco direcionamento,sem devido comprometimento com o seu trabalho”; e professores titulares que abandonam os estagiários nas salas de aulas, o que se julga ser preocupante a formação dos futuros profissionais na área de ensino.
Portanto, esta pesquisa tem o objectivo de desenvolver um roteiro metodológico, quadro orientador sistemático para as actividades e avaliação do estágio nos cursos de licenciatura em ensino em Angola, focando particularmente na mediação entre o conhecimento teórico e o conhecimento prático.
A procura actual tem fundamento nas directrizes do Ministério da Educação de Angola, nas recomendações da UNESCO para a formação de professores em contextos em desenvolvimento e nas melhores práticas internacionais de supervisão pedagógica, e das Melhores Práticas Internacionais, adaptadas à realidade angolana.
1. O ESTÁGIO PEDAGÓGICO E A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS PROFESSORES EM FORMAÇÃO INICIAL
1.1 Perspectivas conceptuais do estágio pedagógico como componente formativa
O estágio é um processo é ao mesmo tempo um método de formação na metodologia geral de ensino vinculado à prática profissional, desenvolvida no final de um curso ou de um ciclo de formação.
Segundo perspectivas filosóficas educativas e metodológicas, o estágio “se configura não como situações ou momentos distintos do curso, mas como metodologia de ensino que se contextualiza e põe em ação o aprendizado” (Serra & Araujo, 2018, p. 6).
A relação teoria e prática é o cunho fundamental na preparação académica de quaisquer profissionais que se confiem em um exercício laboral competente e transformador. E o estágio é o espaço apropriado para o primeiro estabelecimento desta relação antes do exercício da profissão. Tratando-se de um processo de treinamento de competências numa relação teoria-prática, Sacristán considera que no estágio constroi-se uma tentativa de elucidar uma teoria explicativa no sentido de se obter o como (método), o porque (a causa), e o para que (a utilidade) Sacristán citado por (Zarbato & Queiróz, 2016).
Perspectivas pedagógicas e construtivas profissionais apontam que do ponto de vista da construção de valências profissionais fora da sala de aulas, nos espaços em que se realizem a prática profissional, a título de estágio curricular,se constroem os significados sociais, culturais, profissionais a partir do processo de interacção, de interlocução, de compartilhamento de experiências, de diálogo com os profissionais que historicamente labutam nas empresas, escolas ou centros de trabalho em que se desenvolve o estágio, Preti citado por (Serra & Araujo, 2018, p. 6).
As perpectivas formativas como principal linha vinculativa do estágio podem ser de modo diversificada percebidas em: Formação como uma função social, perspectiva que considera que uma formação está associada a alguma actividade social, segundo a qual a formação é uma função social de transmissão de saberes, saber-fazer ou do saber ser que se exerce em benefício do sistema socioeconómico, ou da cultura dominante; formação como processo de desenvolvimento e de estruturação da pessoa – quando ela se realiza com o duplo efeito de uma maturação interna e de possibilidade de aprendizagem, de experiências dos sujeitos; formação como instituição – quando se refere à estrutura organizacional que planifica e desenvolve as actividades de formação(Garcia, 1999)
Apesar de diversificação, as perspectivasconceptuais direccionam-se à preparação do homem, equilibrada entre o conhecimento teórico, a atitude e o conhecimento prático.Do ponto de vista da formação de professores a formação inicial é o fundamento educacional no qual se prepara o indivíduo para o início da carreira profissional do magistério.
A formação de professores, ela conforma-se numa dinâmica de desenvolvimento para uma finalidade comum, independentemente de diversificações na sua aplicação, e pode-se compreender a partir do seu conceito “formação”, formação pedagógica, trabalho docente reflexivo e avaliação, o qual na visão de autores e pesquisadores educacionais como (Rodrigues & Ferrão, 2012) e (Alves & Flores, 2010) refere aos sinónimos educação, preparação, ensino, treino…, portanto todos eles apontando para a formação do homem para o exercício das funções educacionais.
Formação e atividade docente diferem-se mais caminham inseparáveis, sendo inicialmente a primeira sustenta a segunda e depois vice-versa. Na actividade de ensino as incertezas do conhecimento, da escolha e do exercício da profissão, da convivência social na profissão e de assunção de responsabilidade,poderão tomar conta do professor aspirante se a escola de formação de professores na sua missão não agir francamente conforme a posição do pensador Edgar Morim, a qual o papel da escola é de ensinar os seus educandos a enfrentar incertezas da vida, ou ainda o de instruir o espírito a viver e enfrentar as dificuldades do mundo. A formação inicial de professores é base fundamental desta responsabilidade, que os formandos ao terminar o ciclo de formação professoral se tornem capazes de exercer uma docência devidamente iniciada e sustentada.
Uma formação de professores assente na prática pedagógica constroi pilares de conhecimento e habilidades de prática consideravelmente distintas entre ensinar e propriamente ser professor.
Flodem e Buchman citados por (Garcia, 1999, p. 23)destacam que ensinar é algo que qualquer um faz em qualquer momento “[e em qualquer lugar]” grifo o nosso.Já ser professor “implica lidar com outras pessoas (professores) que trabalham em organizações (escolas) com outras pessoas (alunos) para conseguir que estas pessoas aprendam algo (se eduquem)”.
Ensinar não é o mesmo que ser professor; ser professor de diploma inicial não é o mesmo que ser professor de longa data e de formação contínua pós-graduada; ser professor de longa data e de formação contínua pós-graduada não é o mesmo que ser professor comprometido com a causa da mudança educativa e de transformação social. É exatamente isso que a sociedade quer e espera.A sociedade necessita e espera receber para o seu desenvolvimento, professores comprometidos com a causa da mudança e da transformação da sociedade. Ou seja, professores que se empenham com esforço, conhecimento, habilidade, nível de formação e acção para dar resposta às inquietações da sociedade, não obstante, o facto de que várias vezes o contraditório ocorre na falta de nexo entre a formação com que se prepara o professor, o seu enquadramento laboral e o que a sociedade se lhe exige.
1.2 O Estágio pedagógico como componente de articulação teoria-prática
O estágio pedagógico não deve ser compreendido de modo limitado e interpretado como uma simples unidade curricular e período de aplicação de conhecimentos obtidos num percurso anterior, sim, deve ser compreendido como um processo de interação de construção e solidificação de saberes para a profissão de ensino. O conhecimento teórico sem o conhecimento prático é nulo o mesmo que uma prática sem teoria. Esta perspectiva dá o sentido de uma dialéctica entre a teoria e a prática, reforçando-se mutuamente, o que representa em termos de actuação, que um desempenho profissional competente resulta da combinação teoria-prática.
Na realidade angolana, a combinação teoria prática carece e exige uma especial atenção ao olhar para as condições físicas e técnicas das escolas, às realidades culturais desde as línguas e a heterogeneidade social, a realidade do atraso escolar e conexamente as diferenças de currículos de modo o professor em formação aja de forma contextualizada em todos os aspectos, considerando que na profissão de ensino, o empenho competente depende de conhecimento que o professor obtém ao qual, conforme “Shulman”, o professor necessita desenvolver conhecimento que transcende o saber puramente das disciplinas escolares(Shulman, 1986).Portanto, estes conhecimentos são adquiridos além da sala de aulas, da formação, na prática profissional como é o caso do estágio.
1.3 O paradigma do desenvolvimento profissional do professor e sua relação com o estágio
O desenvolvimento profissional na área da docência é um processo que não se desenvolve suficientemente na formação ao nível de licenciatura ou de pós-graduação, trata-se de um processo contínuo e permanente, cujo início acontece na formação inicial e se prolonga para longa vida profissional. Esta perspectiva representa que o estágio é uma componente e uma etapa formal preparatória inicial para a profissão e para a carreira, focalizada na operacionalização das atividades profissionais pelo formando tendo em conta funções referentes à profissão a ser exercida no futuro.
Como parte do processo educativo, o estágio pode se enquadrar na perspectiva da Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire visando amadurecer através da actividade formal, competências profissionais que o educando adquiriu durante interacções lectivas nas salas de aulas com os seus educadores como preparo final formativo para exercício autónomo da profissão (Freire, 2012).
Por outro, trata-se de uma aplicação do ponto de vista formativo, no qual se estabelece uma relação académico-profissional funcional no campo de ação, de modo a se preparar os formandos para uma actuação competente. Nesta perspectiva o Pedagogo e dicionarista Mauro Leang concebe o estágio sendo “a actividade preparatória de uma profissão, feita praticamente em condições semelhantes àquelas em que a própria profissão deverá ser exercida, mas sob a orientação de uma pessoa competente: distingue-se de uma preparação meramente teórica, bem como de uma experiência não orientada” (Laeng, 1973, p. 154).
Diferente do processo de aprendizagem que se desenvolve na sala de aulas diante de uma relação entre professor-aluno, no qual o professor fornece ferramentas cognitivas que permitem formar as habilidades do estudante, o estágio é um processo de aprendizagem, fora da sala de aula de formação.
1.4 Utilidade e objectivos do estágio pedagógico
O estágio ocupa um lugar de destaque na preparação de profissionais nos diversos ramos do saber e nas diversas áreas de trabalho. No campo da educação insere-se no reconhecimento de que o indivíduo em formação para a profissão, e sobretudo na fase de finalização precisa construir e reafirmar a partir dos conhecimentos de partida, o seu carácter pedagógico na relação pedagógica que estabelecerá presencialmente com os alunos, e firmar-se no “objectivo pedagógico” o cerne da sua profissão.
Noutra perspectiva a utilidade do estágio configura-se na experiência profissional, desde o suporte teórico da academia, “ser fundamental para a formação profissional coerente com a totalidade da práxis vivenciada do seu campo de conhecimento” Freire citado por (Neto & Conceição, 2024).
Os principais objetivos do estágio é desenvolver competências profissionais por meio da relação entre a teoria aprendida no percurso formativo e a realidade prática quotidiana de ensino, tornando o profissional reflexivo, crítico e investigativo; e proporcionar ao estudante-estagiário a integração progressiva na realidade escolar através da vivência prática de todas as dimensões do trabalho docente mediante orientação e supervisão qualificadas, promovendo a construção de uma identidade profissional fundamentada e reflexiva.
Os objectivos específicos do estágio pedagógicos são aqueles inerentes às ações específicas do próprio estagiário, nomeadamente:
1) Observar e analisar criticamente o funcionamento da instituição escolar e os processos de ensino-aprendizagem;2) Planificar, implementar e avaliar sequências didácticas adequadas ao nível de ensino, à disciplina e ao contexto; 3) Desenvolver competências de mediação pedagógica, utilizando diversas estratégias e recursos didácticos; 4) Utilizar instrumentos e critérios de avaliação da aprendizagem de forma justa e formativa; 5) Participar nas actividades de gestão e convivência escolar, compreendendo a dimensão comunitária da escola; 6) Desenvolver a capacidade de reflexão crítica sobre a prática, por meio do diário de campo, do portfólio e dos seminários;7) Construir relações profissionais éticas e colaborativas com todos os agentes educativos;8) Identificar desafios específicos do contexto educativo angolano e propor estratégias fundamentadas.
Percebe-se que os objectivos do estágio estão focados de uma forma ou outra no nível de utilidade que o próprio estágio tem na formação dos profissionais que posteriormente virão assegurar a funcionalidade das respectivas áreas de actuação.
A construção de uma educação problematizadora é a visão focal do contributo do estágio pedagógico. E para tal, a partir da perspectiva de (Marques, 2021), o estágio deve promover o movimento de codificação e descodificação da situação, tomando-a como problema. Isto é, buscar o abstrato para agir sobre o concreto e a teoria para agir sobre a prática, tudo associando a experiência do mundo em volta ao benefício da resolução.
A combinação teoria-prática e de modo associado abstracto-concreto é conforme (Garcia, 1999) um dos princípios e necessidade fundamental na formação de professores.
Na formação de professores esta combinação precisa reflectir numa jornada inteira curricular e atingir o seu ápice ao chegar na etapa formativa de estágio, pois esta etapa evidencia o nível de ações de combinação teoria- prática e abstrato-concreto, dando segurança de actuação profissional, quer ao próprio estagiário, à entidade formadora e à entidade acolhedora do estágio. Já em educação e de modo semelhante noutras profissões, o estágio não significa um exercício final da formação, mas sim uma etapa que termina e que dá acesso ao primeiro emprego, e posteriormente começa outra etapa.
2. METODOLOGIA DE ESTUDO
O estudo envolveu duas categorias de instituições de ensino, isto é, ensino superior e ensino geral nos quais foram recolhidos dados. Do ensino superior refere-se à uma instituição pública de formação pedagógica e do ensino geral refere-se a três instituições, sendo duas de ensino primário e uma do secundário, que acolhem os estagiários enquanto formandos ao nível superior.
2.1 Participantes e desenho de estudo
Fizeram parte da pesquisa um total de 100 participantes inseridos no ecossistema de estágio pedagógico nos anos lectivos 2023-2024, 2024-2025, 2025-2026 respectivamente. Conforme ilustrado nas figuras 1 e 2, a maior parcela é representada por estudantes estagiários dos anos em referência na ordem de 50% seguidos equitativamente por supervisores e orientadores que representam 25% de cada grupo.
Figura 1: representação visual dos participantes da pesquisa (Gráfico de Pizza)
Fonte: pesquisa de campo
Figura 2: Tabela de frequência do grupo estudado
Fonte: pesquisa de campo
2.2 Instrumentos de pesquisa
Grelha de observação: com objetivos de constatar as formas de desenvolvimento das atividades inerentes ao processo de estágio.
Diário de registros: registo de atividades com a finalidade de apurar o tipo de atividades, o nível da sua aplicação e cumprimento.
Questionário: com a finalidade de recolher as opiniões dos participantes, o questionário obedeceu uma estrutura em escala de likert, com opções de resposta do tipo: muito insatisfeito, insatisfeito, muito satisfeito, satisfeito, tendo permitido obter diversos pontos de vista para o sustento da investigação.
2.3 Resultado de diagnóstico
A pesquisa de campo focou no diagnóstico relativamente às dinâmicas e ações de orientação e de trabalho que sustentam o estágio pedagógico supervisionado, as modalidades e critérios quanto ao início do estágio associado ao tempo de apresentação dos estagiários nas escolas de campo nos determinados anos lectivos, a dinâmica de desenvolvimento das actividades pelos estagiários, a orientação, a supervisão e a avaliação das actividades de estágio, isto é, na base do cumprimento do plano de formação de professores nas IES Pedagógicas em Angola.Com base nesta perspectiva o resultado, expresso em grau de satisfação dos participantes, manifestam determinados aspectos conforme a seguinte representação gráfica:
Figura 3: Opinião dos participantes quanto ao grau de satisfação sobre o tempo que os estagiários começam o estágio pedagógico
Fonte: pesquisa de campo
Dos membros inquiridos sobre o seu grau de satisfação, relativamente ao tempo que inicia o estágio pedagógico, 75% manifestou-se insatisfeito. A opinião é sustentada por estudantes, professores supervisores das escolas de campo e professores orientadores das instituições formadoras reflectido do seu quotidiano de trabalho neste âmbito. O grau de insatisfação se apresenta predominante acima da satisfação e muito mais da satisfação plena.
Figura 4: Opinião dos participantes quanto ao de satisfação sobre a dinâmica de desenvolvimento das actividades de estágio pelos estagiários nas escolas de campo
Fonte: pesquisa de campo
Relativamente à dinâmica de desenvolvimento das atividades de estágio pelos estagiários nas escolas de campo, os participantes na sua opinião expressaram um grau de insatisfação na ordem de 69% destes. A perspectiva expressa negatividade muito acima dos graus de satisfação e de satisfação plena manifestada no modo de desenvolvimento das atividades de estágio durante o tempo lectivo de permanência nas escolas de campo.
Figura 5: Opinião dos participantes quanto ao grau de satisfação sobre a orientação e supervisão das actividades de estágio
Fonte: pesquisa de campo
Quanto às formas de acompanhamento do estágio, os membros inqueridos manifestaram-se maioritariamente insatisfeitos correspondendo a 67%, isto é, um grau de insatisfação muito acima dos graus de satisfação e de satisfação plena. O acompanhamento do estágio é responsabilizado ao professor orientador, membro encarregue pela instituiçãoformadora em acompanhar o estágio, e pelo professor supervisor, membro regente da instituição de estágio ou escola de campo para o acompanhamento do quaotidiano de regência de aulas ou da prática pedagógica do estagiário.
Figura 6: Opinião dos participantes quanto ao grau de satisfação sobre a avaliação do estágio
Fonte: pesquisa de campo
Sobre as formas de avaliação do estágio, os membros inqueridos manifestaram um grau de insatisfação de 60% reforçado pelo grau de muita insatisfação, representado por 16%. Neste quesito, os níveis de insatisfação dominam os níveis de satisfação, expressando do mesmo modo alto nível de negatividade comparando com os níveis de satisfação que são necessários para a garantia da qualidade neste âmbito formativo.
2.4 A realidade da dinâmica do estágio no campo de pesquisa
A realidade do desenvolvimento do estágio pedagógico supervisionado no campo de pesquisa circunscreve-se numa longa trajetória, cuja descrição, de acordo com limitações de acesso à determinadas informações pode- se descrever, portanto com alguma dinâmica relativamente variável em cada período lectivo.
Figura 7:Descrição da realidade do desenvolvimento do estágio pedagógico supervisionado em IES Pedagógicas Públicas
Fonte: pesquisa de campo
As dinâmicas de trabalho que sustentam a modalidade de estágio pedagógico nos respectivos intervalos lectivos se descrevem que nos anos lectivos 2022/2023 e 2023/2024 respectivamente, os estagiários se apresentavam nas instituições de acolhimento somente a partir do 2º trimestre lectivo e sem obrigação de trabalharem no 3º trimestre cabendo os titulares das turmas terminarem o ano lectivo. As actividades que os estagiários desenvolvem estavam centradas maioritariamente na leccionação de aulas, porém de modo não integral; planificação individual nas várias vezes sem a colaboração dos demais professores da escola de acolhimento ou do tutor;o estagiário atuava com tempo limitado de regência e de outras actividades (tendo em conta a pressão curricular e as próprias exigências de consolidação do período, o professor titular da turma não podia ceder mais tempo de aulas ao estagiário); não fazia parte das exigências ao trabalho do estagiário as actividades sociais e a pesquisa científica.
Do ponto de vista da orientação e supervisão, o número de estagiários por professor orientador da parte da instituição formadora era excessivo, variando de 10 a 15 indivíduos. O orientador era excluído do plano de estágio pela instituição formadora, cabendo-lhe apenas assumir a quantidade de estagiários lhe atribuída. Os professores titulares das turmas da escola acolhedora do estágio não tinham papel significativo no processo, e estes autorizavam-se de acompanhar o trabalho dos estagiários, abandonando-os nas respectivas salas. Notou-se a indisponibilidade de instrumentos de trabalho sob sugestão da entidade formadora, quer da parte do orientador, quer da parte do supervisor. Já no que concerne à avaliação do estágio, notou-se a insuficiência de instrumentos e critérios de avaliação onde a avaliação é reduzida à apresentação de mini pautas pelo professor orientador; ausência de exigência de relatório da parte do estagiário; exigência de relatório informativo produzido pelo professor orientador para a instituição formadora, porém sem efeito avaliativo.
No período lectivo de 2024/2025 e 2025/2026 a dinâmica de trabalho do estágio tende a alterar em alguns aspectos os quais a presença dos estagiários nas escolas de campo a partir do 1º trimestre letivo trabalhando integralmente até ao 2º trimestre, portanto sem obrigação de trabalharem no 3º trimestre. Do ponto de vista do desenvolvimento das atividades do estagiário, continuam centradas na leccionação de aulas de forma não integral, já com uma planificação colaborativa com os demais professores ao contrário dos anos anteriores; mais tempo de regência e de outras actividades, inclusão da pesquisa científica e exclusão das actividades sociais. Já para a dinâmica da orientação e supervisão não se constatou nenhuma alteração em relação aos períodos lectivos anteriores. A alteração foi registrada unicamente no âmbito da avaliação no qual aos estagiários são exigidos relatórios, porém sem critérios avaliativos inclusivos do ponto de vista das atividades e das partes que conformam o processo de orientação e tutoria.
2.5 Discussão dos resultados
Na perspectiva de o estágio ser um meio de preparação integral dos futuros profissionais com a vinculação da teoria à prática, o tempo de começo é consideravelmente importante, pois além de estar ligado aos factores integração social, clima de socialização positivo e construção da rotina escolar, levam-se em conta impactos pedagógicos, comportamentais e de socialização no percurso na medida em que o futuro professor começa a se inserir nas actividades em preparação para a sua autonomia profissional. Ao encaminhar os estudantes às atividades de estágio em tempo limitado e estes terminarem sem a participação em atividades lectivas sumativas (avaliações finais, tratamento de editais...) impossibilita-os desenvolver de modo integral e consolidado as atividades inerentes ao percurso do ano lectivo.
Noutra perspectiva as atividades do estagiário levam-se a sério e atendem melhor à aprendizagem quando elas são devidamente definidas, diversificadas, sistematizadas, orientadas, apelam à aprendizagem e supervisionadas. E estas ficam diretamente associadas às modalidades e critérios para a sua avaliação consistente e produtiva. A quantidade de estagiários por cada orientador joga um papel preponderante na qualidade da orientação. Daí, um número superior a 7 estagiários por orientador impossibilita os níveis de qualidade. Compreende-se que micro-grupos de 5 a 7 estagiários por orientador permitem melhor acompanhamento científico e pedagógico.
Toda condição de organização somente é possível através de uma planificação inclusiva que atenda as necessidades inerentes ao próprio estágio. As actividades lectivas no caso do estágio enquanto unidade curricular e a planificação didáctica, com destaque a planificação de aula estão conectadas e têm elevada importância no tipo de resultado a se obter na formação para a formação docente, considerando que a planificação é focada pelos didactas e metodólogos como o principal factor de organização nos processos educativos. (Gomundanhe, Magaia, Fernandes, & Roque, 2025).
O diagnóstico deste estudo os seus resultados vislumbram um desenrolar incompleto das actividades de estágio no qual se compreende que os estudantes designados estagiários não desenvolvem suficientemente as competências inerentes ao estágio pedagógico, o que dá o sentido de o estágio ser apenas uma rotina para terminar os percursos académicos.
SUGESTÃO DE ROTEIRO METODOLÓGICO DE ACTIVIDADES E AVALIAÇÃO DO ESTÁGIO PEDAGÓGICO
A presente estrutura representa um modelo sistematizado de roteiro metodológico para o estágio pedagógico, desenhado para responder às necessidades formativas nos cursos de licenciatura de formação de professores, tendo em conta a cronologia das etapas do estágio, as atividades práticas, os procedimentos e os mensuráveis critérios de avaliação.
3.1 Estrutura, organização do estágio
Na perspectiva do presente modelo, o processo de estágio deve ser estruturado em etapas graduadas e sequenciais, de forma a permitir o desenvolvimento profissional dos seus destinatários. Nesta conformidade propõe-se a seguinte estrutura:
Figura 8: representação estruturada das actividades do estágio
Fonte: produção do autor
Etapa 1: caracterização e reconhecimento
Esta etapa é conhecida como fase de diagnóstico e familiarização com o meio físico e funcionamento da escola de campo. Como ponto de partida de materialização do processo de estágio, nesta etapa o estagiário busca familiarizar-se com a instituição e o seu meio envolvente, desde os âmbitos pedagógico, sociológico e nos pontos de vista estrutural e funcional no qual desenvolverá a sua ação. Identificação de um problema na comunidade local a intervir durante o estágio através de um projecto científico comunitário para pesquisa-acção.
Etapa 2: observação participativa
Na segunda etapa o estagiário age como observador participante e ativo na sala de aula, observando a prática pedagógica do professor regente ou titular.Identifica metodologias, procedimentos e perfis da turma, adquirindo a experiência inicial sobre o fazer pedagógico do contexto no qual é designado, e assimila a cultura escolar e da turma antes mesmo de entrar em acção da prática pedagógica, o que permitirá desenvolver as suas dinâmicas e contraposições didácticas e metodológicas em modificação de situações de deficiência de ensino e da aprendizagem.
Etapa 3: Planificação didáctica colaborativa
Na etapa da planificação colaborativa o estagiário participa com o seu regente e os demais grupos de colegas na planificação, iniciando um processo de integração, numa transição de conversão da teoria académica de planificação para as propostas práticas e concretas de trabalho em sala de aula. Nesta etapa associada à etapa anterior o estagiário começa a desenhar de forma teórica e prática a sua prática pedagógica considerando o seu projecto de aulas e de actividades de aprendizagem para com os alunos sob sua responsabilidade, e começa administrar as aulas de forma experimental.
Etapa 4: Implementação e mediação pedagógica
Nesta etapa o estagiário assume formal e integralmente a responsabilidade da gestão do processo de ensino-aprendizagem na turma em que estiver colocado, administrando aulas e gerindo a respectiva turma. Ocorre de modo necessário e positivo um câmbio de papeis no qual o professor regente passa a agir como auxiliador do trabalho do estagiário.
Etapa 5: Avaliação e finalização do estágio – Nesta fase desenvolve-se atividades de consolidação dos resultados do processo do estágio, reflexão sobre escrita teórica relativamente à atuação prática no processo.
3.2 Actores envolvidos e respectivos papeis
O estágio é a unidade curricular e espaço educativo com agentes mais heterogéneos na sua intervenção. Graças a esta heterogeneidade o seu desenvolvimento pode ocorrer com sucesso e qualidade, isto é, a partir de uma definição qualitativas dos papeis de todos os agentes envolvidos:
1) Estudantes estagiários: sujeitos principais da formação, comprometidos com as tarefas formativas propostas, reflexão crítica sobre a sua prática e construção progressiva da sua autonomia profissional. 2) Orientador do estágio: Docente especialista da instituição formadora, responsável por um micro-grupo de 5 a 7 estagiários coadjuvado por outro docente. O Orientador vela pelo acompanhamento sistemático do processo do estágio, orientação científica, supervisão e avaliação do processo formativo em articulação a teoria e prática. 3) Supervisor : professor da escola de acolhimento (cooperante), que compartilha a sua experiência com o estagiário, cede provisoriamente o seu espaço de trabalho, a sua turma para o estagiário, supervisionando o seu trabalho-o; constitui o primeiro modelo de referência e o principal interlocutor com o Orientador sobre o seu desempenho profissional. 4) Coordenador de Estágios: Membro gestor da instituição formadora com experiência pedagógico-administrativa, responsável pela gestão administrativa e pedagógica geral dos estágios a nível da instituição, ao qual cabe assegurar a articulação e manter parceria com as escolas destinatárias dos estagiários, distribuição dos estagiários, organizar o processo geral dos estagiários em conexão com os diversos departamentos de ensino ou unidades orgânicas, assegurar o cumprimento das actividades e do tempo pelos supervisores. 5) Direcção da escola de Acolhimento do Estágio: através dos seus membros con garantir as condições estruturais, organizacionais e socializadoras para o êxito do desenvolvimento do processo do estágio; enquadra os estagiários em classes e turmas de trabalho correspondentes, designa o professor local a cooperar com o estagiário, garantindo integração.
3.3 Roteiro de actividades práticas correspondentes às Etapas do Estágio
Em contexto de formação, as atividades de estágio são uma oportunidade de formação profissional, ainda mais se tratando de realidades em que poucos formandos e formados têm oportunidades de realizar estágios, como base de aperfeiçoamento profissional. Por isso as atividades do estágio devem ser repensadas nesta perspectiva, estruturadas para poderem traduzir os conhecimentos teóricos em competências. Nesta perspectiva as actividades em seis eixos formativos na seguinte estrutura:
Figura 9: Representação sumária do roteiro das actividades do estágio
Fonte: Produção do autor
3.4A avaliação e composição da nota final do estágio
A determinação da nota final do estágio pedagógico supervisionado obedece critérios colaborativos e participativos nos quais a representação das instituições que compõem o desenvolvimento do processo de estágio é importante. Deste modo é importante a participação directa da escola de campo e da instituição formadora com a seguinte composição:
- Professor regente da escola de campo, com peso na classificação de 40%
- Professor orientador da instituição formadora, com peso na classificação de 20%,
- Banca examinadora composta por dois docentes da instituição formadora, inclusive o professor orientador, com peso na classificação de 40%
- Entidade testemunhal da comunidade, externa à escola de campo e à instituição formadora, com direito a voz e sem direito a voto.
Figura 10: Representação para a composição percentual da nota final do estágio
Fonte: criação do autor
3.5 Critérios para a determinação da Nota Final do Estágio
A determinação da Nota Final do Estágio obedece critérios combinados apartir do somatório de três notas, isto é, nota de regência + nota do cumprimento do cronograma de actividades + nota do relatório final, conforme descrição seguinte:
1) Nota de regência (NR) atribuída pelo supervisor da escola de estágio, baseada na média aritmética das fichas de avaliação de desempenho, preenchidas durante e consoante as aulas leccionadas.
2) Nota do cumprimento do cronograma de atividades (NA) atribuída pelo orientador do estágio da parte da instituição formadora. Avalia o nível de assiduidade, a pontualidade na entrega prévia dos planos de aulas antes a regência, portfólio, resultado do desempenho dos alunos, participação em encontros ou seminários de orientação e entrega pontual do relatório.
3) Nota do Relatório do Final (NF) atribuída pela banca examinadora, resultante da análise do trabalho escrito tendo em conta rigor científico, a descrição e o impacto do projecto científico comunitário desenvolvido, a apresentação e defesa do relatório.
Cálculo para determinação da nota final de estágio:
Fórmula:
Condição de aprovação e reprovação:
1) Condição de aprovação
A aprovação direta ocorre na condição em que a Nota Final do Estágio seja igual ou superior a 10 valores, desde que as Notas de regência (NR)e a Nota de cumprimento das atividades (NA)sejam proporcionalmente iguais ou superiores a 10 valores.
NFE10 (desde que as notas de regência e de actividades NR e NA10.
2) Condição de reprovação
A reprovação direta ocorre na condição em que a Nota Final do Estágio seja menor a 10 valores ou a Notas de regência e a Nota de Atividade inferiores a 10 valores, o que automaticamente torna inválida todas as atividades do percurso do estágio.
NFE
3.6 Instrumentos de orientação, supervisão e avaliação
Tratando-se do estágio pedagógico um processo formativo, contínuo, participado, orientado e supervisionado, a presença dos instrumentos de apoio é fundamental de modo que os actores se guiem sem maior margem de falhas. Nesta perspectiva propõe-se nesta seção diversos instrumentos de acordo com situações e momentos específicos.
3.6.1 Modelo de ficha diária de observação de aulas para o orientador e o supervisor
O modelo destina-se a avaliação das lecionações diárias do estagiário pelo supervisor e utilizado eventualmente pelo orientador nas visitas de orientação, contendo uma ordem de classificação de 5 a 2, onde 5-Excelente; 4-Satisfaz; 3- pouco satisfaz; 2- Não satisfaz. Os ítens nele constantes não dispensam outras observações a se ter em conta durante a atividade.
Figura 11: grelha de observação de aulas para o supervisor e o orientador
Fonte: produção do autor
Nome do Supervisor/ Orientador ____________________________________________/Data da avaliação __/____/____
Nota da aula
3.6.2 Modelo de Ficha de Avaliação Final para o Supervisor
Critérios detalhados para a avaliação da regência do estagiário pelo supervisor
Os critérios de atribuição da nota de regência têm o peso de 40% sobre a avaliação final do estágio pedagógico. Cada dimensão é cotada de 1 a 4 valores totalizando 20 valores.
Figura 12: ficha de avaliação para o supervisor
Fonte: criação do autor
Nome do estagiário: __________________________________________________
Nome do Supervisor __________________________________________________
Data da avaliação ___/____/____
3.6.3 Modelo de ficha de observação de aulas para o estagiário
(Aplicável para a etapa de observação a ser impressa e preenchida pelo estagiário para cada aula a observar)
CABEÇALHO DA INSTITUIÇÃO DE ORIGEM
- Nome do estagiário: [__________]
- Nome do Professor Supervisor: [_____________]
- Designação da Escola de Estágio: [ _____________ ]
- Classe de actuação:_____; Disciplina:_____; Turma______:
- Data_____/_____/____; Turno________
- Identificação da aula (Tema, Sumário )
CRITÉRIOS DE OBSERVAÇÃO
(Assinalar com (X): (S) para sim (N) para não e (PA) para parcialmente)
Figura 13: ficha de observação de aulas para o Estagiário
Fonte: produção do autor
Observações resumidas sobre a aula observada (máximo de 5 linhas)
Assinatura do Supervisor:
______________________________
3.6.4 Ficha de auto avaliação do Estagiário
Destinada à reflexão crítica do estagiário relativamente à sua prática pedagógica ao finalizar o estágio, (correspondente a fase 5)
__________________________________________________________________
Logotipo da Instituição Formadora
Nome, Departamento, Secção
Ficha De Auto Avaliaçao Do Estagiário
Nome do estagiário ________________________________;Escola de estágio _______
________________________________________Ano lectivo do estágio: _________
Orientações:
Classifique-se pessoalmente com uma pontuação de 1 a 5 valores para cada indicador, assinalando com X nas células da tabela, considerando:
1= Insuficiente / 2= Regular/ 3= Bom/ 4= Muito Bom/ 5 Excelente
Dimensões e indicadores de Autoavaliação
Figura 14: Ficha de auto avaliação do Estagiário
Fonte: produção do autor
Data: ___/____/___; Nome do estagiário: _____________________________________
3.7 Relatório final do estágio
O relatório de estágio pedagógico é o documento final no qual o estagiário reporta as atividades desenvolvidas e é aplicado na última etapa. Tem um carácter científico-pedagógico e é avaliado nesta mesma perspectiva. Neste prisma sugere-se a seguinte estrutura:
Figura 15: Estrutura sumária do Relatório do Estágio Pedagógico
Fonte: produção do autor
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As reflexões e propostas desenvolvidas neste estudo possibilitaram conhecer e compreender mais o cenário do desenvolvimento do estágio pedagógico no âmbito da formação de professores ao nível superior no contexto educativo angolano. Além disso, também possibilitou compreender a dinâmica da operacionalização do estágio e os níveis de necessidade de desenvolvimento académico para a profissão por meio desta componente formativa, tendo em conta a colaboração entre as instituições formadoras e as instituições cooperantes ou de acolhimento dos estagiários.
Percebeu-se que o estágio pedagógico na formação de professores opera num contexto marcado por desafios estruturais, associados aos desafios de carácter organizativo, formativo e de colaboração no seu respectivo ecossistema, que devem se ter em conta na projecção da formação e na tomada de decisões.
A descrição, discussão e proposta metodológica resultante deste estudo não serve de uma fórmula mágica e isolada no seu funcionamento para os resultados almejados, sim, serve de meio de análise da condição particular de cada contexto e de ferramenta para o melhoramento de procedimentos, de qualquer modo associado à preparação formativa dos actores intervenientes.
A formação constante dos actores intervenientes no processo de estágio pedagógico, da parte das instituições superiores pedagógicas e das instituições que acolhem os estagiários à volta da dinâmica das atividade do estágio e desempenho de papeis, faz todo o sentido para a operacionalização do instrumento e consequentemente do estágio.
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Doutor em Ciências de Educação: Currículo, Professorado e Instituições Educativas; Docente nos níveis de Graduação e Pós-Graduação e no Instituto Superior de Ciências de Educação de Cabinda, Investigador na Universidade 11 de Novembro – Angola. ↑

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