O uso da inteligência artificial na educação: potencialidades e desafios em ambientes educacionais e a docência.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Este estudo aborda o uso da inteligência artificial na educação, destacando suas potencialidades e desafios presentes nos ambientes educacionais e na prática docente, O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, realizada por meio de uma revisão de literatura narrativa, com o objetivo de analisar as potencialidades e os limites do uso da inteligência artificial em ambientes educacionais, avaliando seus impactos sobre a mediação, a autonomia e a formação docente. A escolha do tema justificou-se pelo potencial da inteligência artificial para potencializar a aprendizagem em ambientes educacionais e pela lacuna identificada na literatura que está relacionada ao papel dos professores em ambientes mediados por inteligência artificial. Verificou-se que a inteligência artificial já é uma realidade na educação, e sua presença tende a se intensificar. Portanto, mais do que discutir sua pertinência, o desafio é repensar os currículos, os métodos e a própria formação de professores para essa integração. Neste sentido, esse estudo visa contribuir para discussões e reflexões sobre a inclusão da inteligência artificial no ambiente educacional, desenvolvendo novos entendimentos e responsabilidades para educadores, gestores e pesquisadores.

Palavras-chave: Inteligência artificial, Educação, Aprendizagem, Ambiente educacional.

ABSTRACT

This study addresses the use of artificial intelligence in education, highlighting the potential and challenges present in educational settings and teaching practice. It is a bibliographic study conducted through a narrative literature review, aiming to analyze the potential and limitations of using artificial intelligence in educational environments by evaluating its impact on mediation, autonomy, and teacher training. The choice of topic was justified by artificial intelligence's potential to enhance learning in educational settings and by a gap identified in the literature regarding the role of teachers in AI-mediated environments. The study found that artificial intelligence is already a reality in education and that its presence is likely to increase. Therefore, rather than merely discussing its relevance, the challenge lies in rethinking curricula, methods, and teacher training itself to accommodate this integration. In this context, the study aims to contribute to discussions and reflections on the inclusion of artificial intelligence in the educational environment, fostering new understandings and defining responsibilities for educators, administrators, and researchers.

Keywords: Artificial intelligence, Education, Learning, Educational environments.

INTRODUÇÃO

A acelerada evolução das tecnologias digitais têm provocado transformações em diferentes esferas da sociedade, impactando de maneira direta os modos de produzir, acessar e compartilhar conhecimentos. No contexto educacional, esse movimento torna indispensável o reconhecimento das tecnologias não apenas como instrumentos de apoio aos processos de ensino e aprendizagem, mas também como recursos estratégicos para o fortalecimento e a qualificação das práticas administrativas.

Dessa forma, a era digital exige que as organizações superem os modelos tradicionais de gestão para se adaptarem à velocidade das mudanças. Nesse contexto, a integração entre a gestão do conhecimento e a inteligência artificial (IA) pode favorecer o aprendizado organizacional e processos contínuos de inovação. Vilela (2025) afirma que a integração da inteligência artificial na educação tem sido um tema central nas discussões sobre o futuro do ensino e da aprendizagem. Os autores Silva et al. (2023) reconhecem que a inclusão da inteligência artificial na educação também traz desafios e considerações éticas.

No entanto, a inclusão da IA no ambiente educacional não garante a melhoria do processo de aprendizagem, é importante que a tecnologia seja integrada de maneira eficiente e humanizada, proporcionando um ensino de qualidade para todos.

Esta pesquisa se justifica pela necessidade de discutir como a IA reconfigura a autonomia dos professores no ambiente educacional contemporâneo. O estudo visa compreender que a IA na educação não funciona de forma isolada, mas depende diretamente da formação e da mediação do professor como eixo determinante do processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, busca-se assegurar o protagonismo pedagógico do docente em favor de uma aprendizagem crítica, ética e significativa.

REVISÃO DE LITERATURA

O uso da inteligência artificial na educação

A definição apresentada por Mello et al. (2024) caracteriza a inteligência artificial como “um ramo da ciência da computação que procura desenvolver sistemas inteligentes que simulem o raciocínio humano, a sua forma de pensar e de resolver problemas”. Nesse sentido, quando integrada com um propósito, a tecnologia e suas ferramentas não apenas apoiam o ensino, pode ampliar determinadas possibilidades pedagógicas e favorecer práticas mais dinâmicas e inclusivas, quando utilizada de maneira contextualizada.

Segundo Parreira et al. (2021) a inteligência artificial existe quando uma máquina demonstra um comportamento considerado inteligente, ou seja, quando ela responde de forma adequada ao ambiente em que está inserida e age com boas chances de alcançar seus objetivos. Para os autores, alguns exemplos disso incluem manter uma conversa de maneira coerente, competir em jogos que exigem estratégia, como xadrez e Go, ou interpretar informações complexas. Nesses casos, as aplicações que manifestam comportamento inteligente podem ser agrupadas em duas categorias: a inteligência artificial restrita e a inteligência artificial geral.

A partir desse contexto, os sistemas baseados em tecnologias cognitivas manifestam-se quando um sistema não apenas segue regras fixas, mas pode interpretar dados e, com base neles, tomar decisões orientadas à obtenção de resultados.

No cenário da educação, destaca-se como um recurso inovador, capaz de fortalecer o uso das tecnologias digitais através de abordagens mais dinâmicas, adaptativas e personalizadas. Para Chiossi e Costa (2018) é essencial estimular diálogos e trocas que possam ajudar a encarar a nova realidade tecnológica na educação.

A internet possibilita para a geração digital um acesso rápido e diversificado às informações, ampliando as possibilidades de conexão. Contudo, na era digital com todos os recursos tecnológicos a escola precisa criar ambientes inovadores, mas para ser plenamente aproveitado com aprofundamento de conhecimento, é fundamental que o professor atue como mediador, orientando o uso crítico e produtivo das plataformas e recursos tecnológicos em sala de aula. De tal forma, a tecnologia não se limita a ser uma ferramenta de acesso ao conhecimento, mas se torna um instrumento pedagógico capaz de promover uma aprendizagem mais interativa.

No contexto educacional a inovação tecnológica traz mudanças significativas no ensino e aprendizagem. A implantação e implementação de projetos voltados à inovação tecnológica produz transformações importantes com aumento na produtividade, qualidade e eficiência. A utilização das tecnologias está relacionada ao investimento em novas metodologias e avaliações, com o objetivo de ampliar o desenvolvimento e desempenho dos estudantes, sendo de avanço para as instituições de ensino que buscam se adaptar às novas realidades e técnicas de ensino apoiando a construção e transferência do conhecimento.

Sistemas baseados em IA permitem que os estudantes assumam um papel ativo na construção do conhecimento, ao explorarem conteúdos interativos, colaborarem em tempo real e progredirem de acordo com seu próprio ritmo de aprendizagem. Os autores Giraffa & Kohls Santos (2023) destacam que não temos como evitar que os avanços tecnológicos aconteçam e transbordem para dentro do espaço escolar e acadêmico. Silva, Siqueira e Rodrigues (2024) corroboram que a integração eficaz dessas tecnologias não se limita apenas ao uso de ferramentas avançadas, mas também envolve uma transformação nas abordagens de ensino e aprendizagem. Costa et al. (2025) reforça que a aplicação da IA, na prática, docente claramente apresenta desafios e oportunidades.

O processo de difusão, adoção, aplicação e integração são essenciais para o uso de tecnologias educacionais no ambiente escolar. Vale destacar, que podem ocorrer desafios e resistências no decorrer do processo, por isso, é necessário ressaltar quais os objetivos da mudança e apresentar o planejamento de trabalho definido sobre a implementação da tecnologia na instituição de ensino.

Paralelamente, os professores passam a atuar como mediadores do processo educativo, apoiados por dados gerados em tempo real, o que possibilita a identificação de dificuldades individuais, o acompanhamento do desempenho acadêmico e a adequação das estratégias pedagógicas às necessidades específicas de cada estudante. É importante enfatizar que o sucesso da inclusão da IA na educação dependerá não apenas das inovações tecnológicas, mas, sobretudo, de uma abordagem crítica e reflexiva por parte dos educadores, gestores e

formuladores de políticas públicas. (Pinheiro e Valente, 2024). Do mesmo modo, Santos e Silva (2024) destacam a relevância dos professores atuarem como mediadores, incentivando o pensamento crítico e a avaliação cuidadosa das informações, inclusive aquelas provenientes de fontes automatizadas.

A inteligência artificial ao simular a capacidade humana de perceber o ambiente e tomar decisões para alcançar os melhores resultados, pode oferecer possibilidades para tornar a educação mais dinâmica, inclusiva e adaptativa. Para os estudantes, ela possibilita uma aprendizagem personalizada e ativa, onde o conhecimento é construído por meio da exploração, da simulação de cenários complexos e da interação com sistemas inteligentes que se adaptam ao seu ritmo. Para os professores, a tecnologia atua como uma aliada, fornecendo dados em tempo real que permitem uma mediação pedagógica mais qualificada e assertiva, identificando dificuldades e potencializando o desenvolvimento de competências essenciais como o pensamento crítico e a criatividade.

A aplicação da inteligência artificial no ambiente educacional pode exercer várias tarefas operacionais e com isso otimizar o fluxo de trabalho do docente e redistribuir responsabilidades entre professores, gestores e sistemas automatizados de aprendizagem. Fraga, Decarli e Leão (2025), destacam como uma das principais aplicações da IA à educação é a tutoria inteligente, que utilizam algoritmos para oferecer suporte personalizado aos alunos, ajudando-os a entender conceitos difíceis e a resolver problemas específicos. Em vista disso, esses sistemas são considerados como apoio pedagógico ao estudante oferecendo ferramentas de orientação e acompanhamento individual aos alunos para identificar e ajudar a superar dificuldades de aprendizagem.

Com relação à otimização para professores e gestores, destacamos as tarefas operacionais, entre as possibilidades de aplicação da IA no cotidiano educacional, conforme Alcântara Júnior et al. (2024), ao automatizar tarefas administrativas, como a coleta e análise de dados acadêmicos, a geração de relatórios e a programação de aulas, a IA permite que os gestores e professores se concentrem em aspectos mais estratégicos e de longo prazo. Isso resulta em uma administração mais eficiente e em decisões baseadas em dados precisos.

Essas mudanças advindas da aplicação da IA no contexto educacional não eliminam o papel do docente, pois, ao transferir os processos burocráticos para sistemas inteligentes, o professor irá otimizar o seu tempo para se concentrar no atendimento humano, planejamento estratégico e na mediação pedagógica.

Da mesma forma, Jacobina et al. (2026) salientam que frente a essas mudanças, a inteligência artificial não pode ser vista apenas como uma ferramenta de ensino. Ela age como uma mediação entre tecnologia e sociedade, transformando a maneira como se aprende e isso exige repensar os conteúdos, os métodos e a formação na escola.

A inovação na educação configura-se como uma nova prática pedagógica que transforma o ensino e a aprendizagem, no entanto, a incorporação de tecnologias educacionais gera impactos na gestão, no trabalho docente, na infraestrutura e nas experiências dos estudantes, bem como prepará-los para o uso responsável desses novos recursos e ferramentas tecnológicas.

Desse modo, sistemas baseados em IA conseguem coletar, organizar e analisar grandes volumes de dados educacionais, como desempenho dos estudantes, índices de evasão, frequência, resultados de avaliações e indicadores socioeconômicos, de forma rápida e precisa. Com essas análises, a IA pode identificar padrões, prever cenários e sugerir ações mais eficazes. Além disso, para gestores escolares, a inteligência artificial auxilia na identificação de riscos de reprovação, no planejamento de intervenções e na otimização de recursos. Já no âmbito das políticas públicas, a tecnologia pode ser aplicada para avaliar programas educacionais, orientar investimentos e fundamentar estratégias.

Potencialidades e desafios da inteligência artificial na aprendizagem e a importância do professor

Com a crescente inserção da inteligência artificial nos espaços educativos, os professores são convocados a assumir um novo protagonismo, não apenas como usuários de tecnologias, mas como mediadores éticos e pedagógicos no processo de aprendizagem dos estudantes. Nunes e Mercado (2025) atestam que a adoção de tecnologia de IA na educação, embora promissora, precisa ser acompanhada de uma análise crítica das barreiras estruturais que perpetuam as desigualdades.

A incorporação dos recursos digitais inovadores, aliada à adoção de metodologias ativas e abordagens pedagógicas emergentes, torna possível uma reconfiguração das práticas educativas. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ocupar um papel meramente instrumental e passa a constituir as dinâmicas educacionais, favorecendo a construção do conhecimento de maneira mais interativa, colaborativa e contextualizada. No entanto, deve-se destacar alguns desafios estruturais na adoção da IA no ambiente educacional, como infraestrutura tecnológica e carência de recursos humanos treinados na área de IA, o uso ético de dados de informações, oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento para a promoção de um ambiente educacional justo e equitativo.

É fundamental aliar o processo de aprendizagem com os avanços tecnológicos e a transformação digital para tornar o processo mais dinâmico e eficiente. No entanto, é necessário definir quais as tecnologias adequadas e relevantes para o processo de aprendizagem, assim como é importante que a equipe esteja apta e disposta a enfrentar uma nova configuração das práticas educacionais.

No que se refere à atuação dos professores diante dos sistemas de inteligência artificial, Almeida Filho et al. (2024) considera que a integração de IA e tecnologias digitais na educação deve ser orientada por princípios de ética e reflexividade, garantindo que essas ferramentas sejam utilizadas de maneira responsável e inclusiva. Durso (2024) acrescenta que a formação docente deve evoluir para garantir que os educadores estejam preparados para enfrentar os desafios e as oportunidades apresentados pela IA na educação.

Os desafios da educação frente às novas tecnologias consistem em suprir as necessidades das instituições educacionais, tanto em relação aos equipamentos tecnológicos, quanto à formação adequada dos profissionais (Rodrigues e Castro, 2020).

Dessa forma, vale destacar que o papel do gestor é exercer habilidades e competências para tornar o dia a dia dinâmico, usando os recursos e ferramentas tecnológicas nas atividades diárias, entretanto, o gestor na instituição escolar é o administrador responsável por gerenciar a aplicação dos recursos disponíveis, sejam eles humanos, materiais, financeiros e tecnológicos. Um grande exemplo que promoveu o planejamento nas instituições de ensino foi a pandemia, transformando os gestores em articuladores do uso de tecnologias e da formação continuada dos professores. Diante disso, torna-se necessário que esses gestores reinventem a instituição para acompanhar a transformação digital na prática educativa.

A necessidade do professor de se reinventar em um cenário em que a educação tradicional já não basta, deve combinar competência técnica, habilidades socioemocionais e uso estratégico das tecnologias para manter sua relevância, estabelecendo assim uma relação de confiança e reconhecimento.

Se, por um lado, a tecnologia se apresenta como uma poderosa aliada, por outro, o imediatismo e a superficialidade cognitiva representam desafios que demandam uma atenção pedagógica cuidadosa. O papel dos professores deve ser “redefinido”, e ainda que a tecnologia simplifique tarefas e proporcione acesso facilitado à informação, sua atuação passa a incorporar funções de curadoria e mediação pedagógica. Compete ao professor a cada dia o desafio de pensar em atividades didáticas, bem como selecionar, analisar e contextualizar as informações disponíveis, orientando os alunos na construção do conhecimento crítico e na aplicação prática do aprendizado.

Acerca disso, tal consciência implica reconhecer que, mais do que preparar tecnicamente os alunos para operar ferramentas, a educação precisa formar sujeitos críticos e éticos mediados por sistemas autônomos e algoritmos. Assim, reposiciona o papel docente como mediador. Segundo Souza et al. (2023) é necessário oferecer formação adequada para que os professores possam utilizar as ferramentas de IA de maneira eficaz e integrá-las ao currículo escolar de forma significativa.

A inteligência artificial de fato está transformando o ambiente educacional, visto que, potencializa a capacidade humana, porém existe a necessidade de transparência da informação e seu uso ético, discussões que merecem ser debatidas de forma realista. Azambuja e Silva (2024) consideram que os desafios éticos na era da inteligência artificial são infinitamente vastos e profundamente complexos. Segundo Costa Júnior et al. (2023) apontam a importância de garantir que a IA seja utilizada de forma ética e justa, sem acentuar desigualdades e discriminações.

Além da necessidade e os educadores desenvolverem domínio sobre as novas ferramentas preenchendo essa lacuna adotando técnicas de ensino inovadoras, outra forma de solucionar esse desafio seria uma abordagem educacional mais centrada no aluno e, ao mesmo tempo, investir em formações continuadas que os capacitem no uso pedagógico das ferramentas tecnológicas. Outro ponto importante é a integração das ferramentas tecnológicas no processo de aprendizagem, com uma gestão planejada e participativa, buscando a qualidade e o aprendizado da equipe. É essencial que a coordenação de tecnologia educacional seja responsável por ações que promovam a aplicação pedagógica, através de treinamentos e

formação contínua para uso efetivo das ferramentas tecnológicas a serem utilizadas no processo educativo.

Diante do exposto, os autores Zucco et al. (2023) abordam que a dependência excessiva da IA pode resultar em deficiências no desenvolvimento de habilidades fundamentais para o aprendizado, como leitura, interpretação de textos, escrita e compreensão. Porém, para Arruda (2024) os aspectos éticos envolvidos no desenvolvimento ou consumo de conteúdos gerados por IA necessitam ser debatidos e entendidos no ambiente escolar, sob o risco de se tornarem elementos teóricos que não adentram os muros das escolas em suas preocupações cotidianas.

França (2010) enfatiza que os gestores e educadores estejam atentos e cientes da constante evolução e do avanço tecnológico na educação e principalmente na preocupação em estimular e fazer avançar da melhor maneira o envolvimento dos alunos e a integração da cultura tecnológica ao ambiente educacional.

O uso da IA na educação traz graves riscos éticos e legais relacionados à proteção de dados, em que a coleta e análise de dados pessoais de alunos e professores envolve preocupações jurídicas sobre a privacidade, segurança e pela exposição cibernética quanto à guarda e o uso de informações. Os vieses algorítmicos constituem outro desafio, pois os sistemas podem reproduzir padrões discriminatórios presentes nos dados utilizados em seu treinamento, contendo frequentemente dados enviesados, estereótipos, preconceitos sociais, de gênero, cultural, raça, classe social e outras categorias. Também destacamos a dependência tecnológica, que demonstra o uso excessivo das ferramentas da IA, com respostas prontas e atalhos para resolver os problemas de forma automática enfraquece e prejudica o desenvolvimento do raciocínio crítico, criatividade, análise e interpretação dos alunos. Assim, o uso acrítico de respostas automatizadas gera erros factuais, perda do pensamento crítico autônomo por conta de aceitarmos conteúdos extraídos da IA sem validação humana, comprometendo a confiabilidade do aprendizado por não haver uma supervisão. A desigualdade estrutural entre escolas impede que a inteligência artificial seja praticada de forma democrática, existe um abismo tecnológico caracterizado por problemas como falta de equipamentos, de infraestrutura escolar e até acesso precário à internet, limitando e excluindo parte dos estudantes, com isso reproduzindo as desigualdades educacionais.

Com tantas mudanças no mercado e na sociedade, atualizar-se é um diferencial competitivo entre as organizações, desse modo, investir em treinamentos e na capacitação dos colaboradores é fator que contribui para um ambiente colaborativo. Neste sentido, é importante que a gestão incentive a cultura de aprendizagem eficiente entre os colaboradores, através do trabalho em equipe, focado no compartilhamento e integração, com transferência de conhecimentos. Não basta disponibilizar para a equipe recursos tecnológicos, é necessário oferecer capacitação para lidar com essas novas tecnologias que vem surgindo, visto que a aprendizagem e a prática de ensino estão cada vez mais cercadas por tecnologias que estão promovendo a inclusão do tempo e do espaço dentro e fora na rotina de trabalho e do ensino.

Sendo assim, os docentes podem reconhecer que essas ferramentas, na verdade, conseguem contribuir para o desenvolvimento de competências dos estudantes, com criatividade, pensamento crítico e colaboração e não apenas seus possíveis problemas. No entanto, é fundamental um equilíbrio para o uso responsável e crítico da IA.

Figura 1 – Representação esquemática das potencialidades e desafios da inteligência artificial no ambiente educacional, considerando estudantes, professores, gestão escolar e aspectos éticos.

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026.

É importante considerar que o uso da inteligência artificial nos processos educacionais não é uma substituição do professor e também não é uma substituta da mediação humana, mas sim uma ferramenta auxiliar para qualificar e ampliar a atuação do professor no processo educativo. A literatura discutida reforça que a adoção da IA deve preservar funções humanas essenciais, como mediação, julgamento pedagógico e responsabilidade ética.

Portanto, com a velocidade em que ocorrem os avanços tecnológicos, a inovação na educação passa pela reflexão sobre a prática pedagógica e um planejamento do gestor e sua equipe para utilização das tecnologias que visam o alcance dos objetivos educacionais. Vale destacar que a inovação não é apenas sobre tecnologia, é pensar melhorias na capacitação da equipe de trabalho, ações simples inovadoras de interação entre instituição, alunos e comunidade, ressaltando que o educador não irá ser substituído pela tecnologia, mas sim utilizá-la como instrumento de inclusão, integração, comunicação para a aproximação dos educadores e alunos. Por fim, é essencial a implantação e implementação das tecnologias no processo educacional, além disso, o gestor deve atuar para cumprir seu papel de promover ações para integrar os recursos tecnológicos no ambiente educacional, enfrentar desafios de infraestrutura adequada, recursos financeiros e humanos. Além disso, é indispensável que os professores recebam formações continuadas para transformar as práticas pedagógicas no ensino presencial, como também no remoto, a fim de desenvolver uma mudança na sociedade utilizando novas ideias, metodologias que resultem em bons resultados para melhorar o sistema educacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No âmbito educacional, a IA é uma ferramenta poderosa para a tomada de decisões baseadas em evidências, otimizando recursos e orientando estratégias para a melhoria da qualidade educacional. Diante desse cenário, esta pesquisa reforça a importância do professor não como um mero operador de tecnologias, mas como um mediador ético e pedagógico nesse novo ecossistema de aprendizagem. A inclusão da IA exige uma postura crítica e reflexiva do docente, que deve estar preparado para utilizar essas ferramentas e reconhecer que seu valor está justamente na capacidade de ampliar as competências dos alunos. Diante disso, mais do que discutir sua pertinência, o desafio é repensar os currículos, os métodos e a própria formação de professores para essa integração.

Por fim, a IA tem potencial para revolucionar o processo de ensino-aprendizagem se for integrada de forma consciente e equilibrada. Para garantir uma educação eficaz, democrática e inclusiva, é necessário superar desafios complexos como a formação docente, a infraestrutura, a equidade de acesso e a privacidade de dados. Essa superação exige o esforço conjunto de professores e gestores, focados no uso ético da tecnologia e comprometidos com desenvolvimento dos estudantes.

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Copyright (c) 2026 Ana Daniella Simões da Silva, Maria Helena Moreira Rodrigues (Autor)

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