Contributo do estágio integral na formação de enfermeiras de saúde materno infantil de nível médio no Instituto Técnico Lugenda, na cidade de Nampula
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

Resumo:

O estágio profissionalizante constitui um elemento fundamental na preparação e inserção dos estudantes na vida profissional, assim como na familiarização com o ambiente de trabalho. Este estudo objectivou analisar o contributo do Estágio Integral na Formação de Enfermeiras de Saúde Materno Infantil de Nível Médio, no Instituto Técnico Lugenda, na Cidade de Nampula. No que tange ao tipo de estudo, este classifica-se como um estudo de caso, descritivo e de abordagem qualitativa. Participaram neste estudo um total de 15 sujeitos seleccionados com base na técnica de amostragem por conveniência. Quanto ao instrumento de colecta de dados, utilizou-se a entrevista semi-estruturada. Assim, para a análise e interpretação dos dados, usou-se a técnica de análise de conteúdo, o que permitiu a categorização dos resultados provenientes das respostas dos entrevistados. Nesta perspectiva, os resultados do estudo indicam que o estágio integral das enfermeiras de saúde materno infantil tem a duração de cinco meses, e visa preparar e integrar as mesmas na vida profissional, bem como responder à demanda desse grupo de profissionais nas comunidades onde estão inseridos. Efectivamente, durante o estágio integral, as estudantes realizam actividades orientadas com base no currículo do curso, de modo a adquirir habilidades e competências essenciais para prestação de cuidados de saúde materno infantil e neonatal. Igualmente, constatam-se aspectos negativos inerentes à falta de material, problemas na relação profissional-estagiário, e a superlotação dos campos de estágio. As conclusões desta pesquisa apontam que o estágio integral desempenha um papel crucial e constitui uma etapa indispensável na formação das ESMI, contribuindo assim para o desenvolvimento de habilidades essenciais para a assistência de excelência no âmbito da saúde materna, neonatal e infantil. Adicionalmente, o estágio integral permite a preparação das recém-graduadas para enfrentar os desafios da vida profissional e sua inserção no mercado de trabalho.

Palavras-chave: Estágio Integral; Saúde Materno-Infantil; Enfermagem; Lugenda

Abstract

The professional internship is a fundamental element in preparing students for professional life and integrating them into the workforce, as well as in familiarizing them with the work environment. This study aimed to analyze the contribution of the Comprehensive Internship to the training of mid-level Maternal and Child Health nurses at the Lugenda Technical Institute in the city of Nampula. Regarding the study design, it is classified as a descriptive case study using a qualitative approach. A total of 15 subjects participated in the study, selected via convenience sampling. Semi-structured interviews were used as the data collection instrument. Thus, the content analysis technique was employed for data analysis and interpretation, enabling the categorization of results derived from the interviewees' responses. From this perspective, the study results indicate that the comprehensive internship for maternal and child health nurses lasts five months; it aims to prepare and integrate them into professional practice, as well as meet the demand for this group of professionals within the communities where they work. Indeed, during the full-time internship, students engage in guided activities based on the course curriculum to acquire the essential skills and competencies for providing maternal, child, and neonatal healthcare. At the same time, negative aspects are observed, such as a lack of supplies, issues in the professional-intern relationship, and overcrowding at the internship sites. The findings of this research indicate that the comprehensive internship plays a crucial role and constitutes an indispensable stage in the training of ESMIs, thereby contributing to the development of skills essential for providing excellent care in maternal, neonatal, and child health. Additionally, the comprehensive internship prepares recent graduates to face the challenges of professional life and enter the job market.

Keywords: Comprehensive Internship; Maternal and Child Health, Nursing, Lugenda

Introdução

Nesta parte introdutória do nosso artigo, apresentamos o objecto de estudo, a pertinência da pesquisa, os resultados mais relevantes, e as partes constituintes do artigo. Esta pesquisa foi realizada no Instituto Técnico Lugenda, na cidade de Nampula. O mesmo possui como objecto de estudo o estágio integral na formação de enfermeiras de saúde materno infantil. A escolha do tema, o contributo do Estágio Integral na Formação de Enfermeiras de Saúde Materno Infantil de Nível Médio, no Instituto Técnico Lugenda, na Cidade de Nampula deve-se a duas razões principais que passamos a citar: (1) Motivações Académicas-Profissionais, pelo facto dos autores serem funcionários de instituições ligadas à área das ciências da saúde, particularmente na área administrativa e docência; e (2) Motivações Científicas, visto que a realização desta investigação visa enriquecer a literatura científica no campo da Saúde Materno Infantil no geral, com destaque para o contexto moçambicano, dada a escassez de estudos na literatura que versam sobre o tema. De facto, este estudo torna-se pertinente na medida em que nos permite perceber o contributo do estágio integral na formação das Enfermeiras de Saúde Materno Infantil (ESMI) de nível médio no Instituto Técnico Lugenda (ITL-NPL), cidade de Nampula. Assim, esta investigação foi operacionalizada baseando-se na seguinte questão de investigação: Qual é o contributo do estágio integral na formação de Enfermeiras de Saúde Materna Infantil de nível médio no Instituto Técnico Lugenda – Delegação de Nampula? Os resultados desta pesquisa revelam que o estágio integral das enfermeiras de saúde materno infantil tem a duração de cinco meses, e visa preparar e integrar as mesmas na vida profissional, bem como responder à demanda desse grupo de profissionais nas comunidades onde estão inseridos. Efectivamente, durante o estágio integral, as estudantes realizam actividades orientadas com base no currículo do curso, de modo a adquirir habilidades e competências essenciais para prestação de cuidados de saúde materno infantil e neonatal. As conclusões desta pesquisa apontam que o estágio integral desempenha um papel crucial e constitui uma etapa indispensável na formação das ESMI, contribuindo assim para o desenvolvimento de habilidades essenciais para a assistência de excelência no âmbito da saúde materna, neonatal e infantil.

Efectivamente, este artigo está dividido em quatro partes. Na primeira parte fazemos a introdução, na segunda parte apresentamos o enquadramento teórico, ou seja, fazemos a revisão da literatura; na terceira parte apresentamos as metodologias da pesquisa, e na quarta parte fazemos a apresentação, análise e discussão dos resultados. Finalmente, fazemos a conclusão, e trazemos as referências bibliográficas usadas para a realização do estudo.

1. Revisão de Literatura

Nesta parte do artigo fazemos a revisão da literatura, ou seja, trazemos o ponto de vista dos vários autores que se debruçam sobre o tema em alusão. Portanto, o estágio integral constitui uma das fases importantes e aguardadas de forma ansiosa pelos formandos, pois além de constituir um momento de aprendizagem, também constitui elo de ligação entre a vida pré-profissional e profissional. Segundo o Instituto Nacional de Saúde (INS, 2017), o estágio é um conjunto de actividades prestadas por estudantes ou profissionais de diferentes subsistemas de ensino e outras instituições nas entidades promotoras que buscam pelo aperfeiçoamento profissional. Para o Ministério da Saúde (MISAU, 2011), o estágio é um processo de ensino e aprendizado que coloca o estudante em contacto com uma actividade real na sociedade, que promove a aquisição de uma experiência autêntica e comprova os conhecimentos e aptidões para o exercício de uma profissão.

A enfermagem de Saúde Materno Infantil (ESMI) em Moçambique tem uma história muito recente que decorre há menos de 50 anos, sendo notável sua evolução desde a independência. Já a ESMI de nível médio tem aproximadamente cerca de três décadas, e a Enfermagem de nível superior apenas um pouco mais de uma década (Mauaie, 2017). Nesta perspectiva, a Enfermagem de Saúde Materno Infantil é uma técnica de saúde, responsável por supervisionar, proporcionar cuidados, educar e dar orientação necessária à mulher durante a gravidez, trabalho de parto e período pós-parto, atender o parto sob a sua responsabilidade, assim como prestar os cuidados necessários ao recém-nascido e à criança, desde medidas preventivas, detecção precoce de condições anormais na mãe e na criança, que esteja em busca da assistência médica, e a execução de medidas de emergência na ausência de ajuda médica (MISAU, 2010; Mauaie, 2017).

No que concerne ao perfil e às competências da enfermeira de saúde materno infantil, Marengue (2017) e Notiço (2017) referem que esta é uma condição do desempenho ou o mecanismo subjacente que permite a integração de múltiplos conhecimentos e actos necessários à realização da acção. Num outro desenvolvimento, Notiço (2017), avança que as competências abrangem os domínios do saber ser, estar e fazer e consolidam-se numa acção ou conjunto de acções organicamente articuladas. Portanto, é um agir com eficiência utilizando propriedades, conhecimentos e valores na acção que desenvolve em situações diferentes.

Efectivamente, no contexto da área de saúde, a competência é entendida como sendo a operacionalização, em situação profissional, de capacidades que permitam o bom desempenho frente às demandas de saúde da população. Marengue (2017) vai mais longe ao referir que competências são as habilidades e saberes de experiências anteriores que o aluno mobiliza para resolução de situações-problema semelhantes ou não a essas experiências.

Na visão de Casapia (2016), o profissional de saúde com formação de nível médio executa acções de promoção, prevenção e recuperação da saúde dos pacientes das unidades sanitárias do Serviço Nacional de Saúde (SNS), através da implementação, coordenação, monitorização e avaliação dos cuidados de enfermagem. Autores como Horta (2022) e Semedo (2021) corroboram a mesma opinião, ao afirmarem que as ESMI fornecem não somente assistência ao parto normal e serviços preventivos como o pré-natal e cuidados pós-parto, Planeamento Familiar (PF) e outros, mas elas também são treinadas para oferecer os contraceptivos.

Sendo assim, as competências da ESMI concentram-se em diversas áreas, designadamente: atenção integral em saúde sexual e reprodutiva, educação em saúde e serviços de saúde sexual e reprodutiva; atenção pré-natal, atenção ao parto e ao recém-nascido, atenção ao pós-parto, atenção ao recém-nascido e à criança; promoção da saúde e envolvimento comunitário; gestão dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e infantil e ensino (MISAU, 2010).

Ao abordarmos sobre o contributo do estágio integral na formação das Enfermeiras de Saúde Materno Infantil, torna-se pertinente focalizar a prática profissional e estágio das ESMI. É dentro deste contexto que Silva et al. (2013) defendem que a realização de um procedimento com sucesso em ambientes reais requer o uso de habilidades e tomada de decisões diferentes daquelas que são exigidas em ambientes de simulação. Portanto, a prática é de facto muito importante na formação dos profissionais de diversas áreas, em particular da saúde, pois permite maior domínio, aperfeiçoamento e confiança na realização das actividades (Esteves et al., 2018).

O MISAU (2010) e Marengue (2017) entendem que o estágio tem por objectivo proporcionar aos estudantes a prática e vivência dos conhecimentos adquiridos durante as aulas teóricas, preparando-os para sua vida futura, ou seja, contribui para o fortalecimento da formação profissional. Por isso mesmo, a formação em ESMI possui uma carga horária total de 3647 horas, das quais 1692 horas correspondem à componente teórica/prática e 1955 horas correspondem aos estágios, sendo 800 horas correspondentes ao estágio rural integrado (MISAU, 2010; Instituto Técnico Lugenda - ITL, 2022).

De facto, o estágio integral na formação da ESMI tem como finalidade proporcionar às estudantes as oportunidades necessárias para reforçar e adquirir destreza nas competências aprendidas ao longo do curso principalmente as inerentes ao campo de atenção da criança, cuidados obstétricos de emergência, liderança, gestão e administração em ESMI, e envolvimento comunitário (MISAU, 2010; Marengue, 2017; e Mauaie, 2017).

  • Estágio Integral na Formação da Enfermeira de Saúde Materno Infantil

Na perspectiva de Meghetti, Costa e Lopes (2022), o estágio pré-profissional possui um papel fundamental na formação, pois não se restringe apenas aos muros académicos, tampouco ao desenvolvimento técnico-mecânico dos futuros profissionais para o desempenho de actividades laborais inerentes à profissão. É nesta óptica que Negreiros e Lima (2018) e Evangelista e Ivo (2014) referem que o estágio em enfermagem proporciona uma vasta experiência no âmbito académico, capacitando o estudante para prestar o cuidado integral à saúde do paciente e oferece um amplo crescimento pessoal e profissional, sendo considerado o momento de aprendizagem essencial para o formando.

Segundo Esteves et al. (2018) e Silva et al. (2019), os estágios mostram-se ser muito importantes na formação profissional, pois objectivam a efectivação da aprendizagem como processo pedagógico de construção de conhecimentos, desenvolvimento de competências e habilidades através da supervisão dos tutores, mantendo uma relação directa da teoria com a prática quotidiana.

Por um lado, o estágio integral proporciona aos estudantes novos caminhos e cenários de actuação, capazes de edificar o exercício profissional, desenvolver a práxis transformadora, fomentando a actuação segura e de qualidade, bem como sedimentar competências profissionais e segurança para a realização do papel profissional no mercado de trabalho. Igualmente, o estágio auxilia na reflexão crítica sobre a prática profissional e instituições de saúde, desenvolvendo valores morais, ética e respeito, clareza na compreensão de que é preciso romper com práticas de enfermagem e de ensino tradicionalistas, além de fomentar o desenvolvimento de competências de gestão (Negreiros & Lima, 2018).

Por outro lado, o estágio integral na formação das ESMI é o momento em que se espera que a estudante possa inserir-se na realidade, vivenciando a actuação profissional do enfermeiro em seu contexto histórico, político, social, cultural e financeiro, guiado pela acção docente e supervisionado directamente pelo enfermeiro que colabora activamente com o processo de desenvolvimento profissional (MISAU, 2015; Negreiros & Lima, 2018; Schulz, 2023).

Dessa forma, para Carvalho (2013) e Pascoal e Souza (2021), o estágio propicia à estudante a construção de conhecimentos, habilidades e valores em articulação com a equipe de enfermagem e de saúde da instituição parceira, fomentando a edificação da identidade profissional da futura enfermeira.

Na visão de Martins et al. (2023), o estágio traz vantagens para o formando, na medida em que oferece experiências técnico-científicas, preparando-o para a execução das suas atribuições mediante a ética e o compromisso para liderar, comunicar-se e tomar decisões fundamentais para o futuro profissional que estará adiante de uma equipa de enfermagem. Nesta ordem de ideias, Mauaie (2017) sustenta que a formanda de ESMI participa como sujeito na construção de conhecimentos e não apenas como figurante, o que possibilita a aquisição de conhecimentos próprios, autonomia da literatura e senso comum, ajudando-o a despertar nas estudantes a necessidade de busca do conhecimento científico, bem como participar de discussões em grupo.

Efectivamente, Caires e Almeida (2000) defendem que o estágio possibilita a compreensão da dimensão do cuidado quando inserido como participante do processo de trabalho em saúde; assim, o aluno sente a necessidade de desenvolver saberes que a graduação talvez não tenha suprido, tal como o saber conviver, remetendo-o às competências gerais, para poder actuar nas diversas situações do contexto do trabalho de saúde.

De acordo com Mauaie (2017), a experiência do estágio torna-se enriquecedora não somente na perspectiva profissional, mas traz suas contribuições para a vida do académico, potencializando sua resiliência diante das situações, modificando e elucidando seus ideais através de suas percepções e valores. Por isso mesmo, afirmam que essas contribuições actuam como ferramentas de quebra de paradigmas de atenção e de formação em saúde, tornando-se realidade caso o estudante seja inserido precocemente nos serviços de saúde.

2. Metodologias da Pesquisa

Nesta parte apresentamos a metodologia usada para a realização desta pesquisa. Assim, trazemos o tipo de pesquisa realizada, as técnicas de selecção dos participantes, os instrumentos de colheita de dados, os procedimentos usados no tratamento dos dados, as considerações éticas, entre outros aspectos relevantes.

Nesta perspectiva, no que diz respeito à modalidade de abordagem, esta pesquisa caracteriza-se como sendo do tipo qualitativa, na medida em que propiciou aos pesquisadores o aprofundamento da investigação, mediante a máxima valorização do contacto com a situação estudada, buscando o que era comum, mas permanecendo, entretanto, aberta para perceber a individualidade e os significados múltiplos (Gil, 2002; Oliveira, 2011; Guerra 2014). Autores como Canastra, Haanstra e Vilanculos (2015) defendem que o objectivo principal da pesquisa qualitativa é descrever, explicar, compreender, prever e interpretar os fenómenos por meio de percepções e significados produzidos pelas experiências dos participantes do estudo, de modo a gerar conhecimentos e comprovar teorias. Consequentemente, a pesquisa qualitativa procura captar não só a aparência do fenómeno, assim como também as suas essências, procura explicar sua origem, relações e mudanças e tenta intuir as consequências.

Esta pesquisa, quanto aos objectivos, classifica-se como uma pesquisa descritiva, visto que são habitualmente realizadas por pesquisadores sociais preocupados com a actuação prática. Igualmente, são frequentemente solicitadas por instituições educacionais, empresas comerciais, partidos políticos, entre outras entidades (Gil, 2002; Fonseca, 2012). Na visão de Silva e Menezes (2001), as pesquisas descritivas descrevem a realidade tal como se apresenta, procurando conhecer e interpretar os factos por meio da observação sem interferir no fenómeno observado e sustentam que os dados desse tipo de pesquisa precisam ser colectados e registados ordenadamente para o seu estudo.

Quanto aos procedimentos técnicos, esta pesquisa classifica-se como sendo um estudo de caso, uma vez que este leva em conta uma abordagem qualitativa, e vem sendo frequentemente utilizado por pesquisadores sociais, podendo ser utilizado em pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas, visando explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos, bem como descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação, e explicar as variáveis causais de determinado fenómeno em situações muito complexas, que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos (Gil, 2002; Gerhardt & Silveira, 2009; e Canastra et al., 2015).

Efectivamente, o estudo de caso é caracterizado pelo aprofundamento exaustivo dos factos objectos de investigação, permitindo um amplo e pormenorizado conhecimento da realidade e dos fenómenos pesquisados (Gil, 2002; Oliveira, 2011; Minayo, 2012). O estudo de caso desempenha um papel essencial para gerar juízos de transferibilidade, responde mais adequadamente à concepção de múltiplas realidades, aludindo às interacções entre o investigador e o contexto e de outros factos que possam ocorrer ao longo do estudo e, finalmente, facilita a comunicação entre participantes, alimentando o intercâmbio de percepções (Aires, 2015).

No que tange aos participantes desta pesquisa, o universo foi composto por todas as graduadas do curso de ESMI de nível médio que realizaram o estágio integral entre os anos de 2020 e 2022, pelos gestores e supervisores de estágio do ITL-NPL e pelos tutores de estágio do HGM. Desse universo, foi obtida uma amostra de 15 participantes, sendo 10 graduadas, 2 gestores, 1 supervisor e 2 tutores. Assim, usamos a técnica de amostragem não probabilística por conveniência. Nesta técnica de amostragem, segundo Oliveira (2011), o pesquisador seleciona os participantes em função da acessibilidade e proximidade com a pesquisa.

Para captar as percepções dos participantes visando alcançar os objectivos da pesquisa, recorreu-se à entrevista semi-estruturada para a colheita de dados. Gil (2002) e Oliveira (2011) enfatizam que esta constitui uma das principais técnicas de colheita de dados e pode ser definida como conversa realizada face a face pelo pesquisador junto ao entrevistado, seguindo um método para se obter informações sobre determinado assunto. Neste âmbito, para a análise e interpretação dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo.

Autores como Oliveira (2011), Taquette (2021), Mazzotto e Grzybovski (2020) e Martinho (2019) salientam que esta técnica tem por objectivo enriquecer a leitura e ultrapassar as incertezas, extraindo conteúdos por trás da mensagem analisada. Igualmente, Cardoso, Oliveira e Ghelli (2021) defendem que este procedimento de pesquisa desempenha um papel fundamental nas investigações de campo de pesquisas sociais, uma vez que analisa com profundidade a questão da subjectividade ao reconhecer a não neutralidade entre o pesquisador, o objecto de pesquisa e o contexto.

Na opinião de Carmo e Ferreira (1998, citado por Martinho, 2019), a realização de qualquer investigação implica por parte do investigador a observância de princípios éticos geralmente aceites pela comunidade de investigadores em ciências sociais. Apoiando-se nesta linha de pensamento, os participantes do presente estudo tiveram direito ao anonimato, à confidencialidade e à participação voluntária. Doravante, como forma de garantir o anonimato, foram atribuídos códigos às formandas, aos tutores e aos gestores. Às graduadas foram atribuídos os códigos F1, F2, F3, …, F10; aos supervisores/tutores foram atribuídos os códigos S1, S2 e S3; aos gestores foram atribuídos os códigos G1 e G2.

3. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados

Após a análise documental e a pesquisa de campo, seguiu-se a fase de análise e interpretação dos resultados. Como resultado da análise do conteúdo, delimitamos os resultados nas seguintes categorias: objectivos do estágio integral, actividades realizadas no estágio, aspetos negativos e positivos do estágio e, por último, o contributo do estágio integral na formação das ESMI.

O MISAU (2010) refere que a finalidade do estágio integral é proporcionar aos alunos as oportunidades necessárias para reforçar e adquirir a destreza nas competências aprendidas ao longo do curso. Nesta vertente, de modo a aferir a percepção das graduadas, colocamos a seguinte questão: quais são os objectivos do estágio integral? Ao que responderam nos seguintes termos:

F1, F3 e F5: “Os objectivos do estágio integral são integrar a ESMI na vida profissional junto com a comunidade, fazer as actividades de ESMI, assistir partos, cuidar da mãe e do recém-nascido, reduzir a morte materna e infantil.”

F2, F4, F10: “O estágio tem como objectivo implementar os conhecimentos que estudamos desde o início da formação para saber se estou capacitada ou não para ser ESMI.”

F4,F6, F8 e F9: “O estágio integral serve para ver se a estudante está preparada o suficiente para o mercado de emprego tendo em conta com a sua área de actuação.”

Ainda em relação à questão anterior, os supervisores e tutores responderam nos seguintes termos:

S1: “O objectivo do estágio integral na formação da ESMI é formar ESMI para responder a demanda nas regiões rurais.”

S2: “O objectivo do estágio é familiarizar as estudantes com as tarefas dentro do Programa de Saúde Reprodutiva e Infantil.’’

Num outro desenvolvimento, a mesma questão mereceu atenção dos gestores do ITL-NPL, pelo que esclareceram nos seguintes termos:

G1 e G2: “O objectivo do estágio integral é desenvolver um plano de acordo com as prioridades da comunidade, os recursos e orientações do programa de maternidade segura e parto humanizado integrando assim as estudantes nas necessidades prioritárias relacionadas com problemas de saúde e mortalidade materna, neonatal e infantil para estabelecer medidas preventivas.”

De facto, as respostas dos nossos entrevistados mostram certa convergência no que concerne aos objectivos do estágio. Tal facto sugere que tanto os gestores, supervisores, tutores, assim como as graduadas entendem a finalidade e o papel do estágio integral na formação das ESMI. Efectivamente, consta no guião de estágio do ITL (2022), que o estágio integral na formação da ESMI visa desenvolver um plano de trabalho de acordo com as prioridades da comunidade, os recursos e orientações do programa de maternidade segura e parto humanizado, prestar serviços de saúde materno infantil tanto preventivos como curativos de boa qualidade, aplicar conhecimentos de administração e gestão especificamente do programa de saúde materno infantil a nível da unidade sanitária e a nível dos hospitais e centros de saúde de modo que haja uma adequada planificação, organização e gestão dos diversos recursos do programa.

O Decreto nº 95/2021 de 23 de Dezembro, que aprova o Regulamento de Estágios Pré-Profissionais, preconiza que os estágios pré-profissionais têm a duração mínima de três meses e máxima de seis meses, quando não são remunerados. Deste modo, com vista a aferir acerca da duração do estágio integral na formação das ESMI, indagamos a seguinte questão aos nossos entrevistados: qual é a duração do estágio integral? Em resposta, esclareceram o seguinte:

F1, F2, F3, … e F10: ‘’O estágio integral possui uma duração de 5 meses.”

G1, G2, S1, S2 e S3: “O estágio integral possui uma duração de 800 (oitocentas) horas, o equivalente a 20 semanas, o que perfaz 5 meses.”

É notória a convergência das respostas dos nossos entrevistados, as quais apontam que a duração do estágio integral era de 5 meses. Os dados acima referenciados corroboram o Currículo de Formação do Curso de ESMI do MISAU (2010) e com o guião de estágio do ITL (2022). Portanto, o estágio rural integral corresponde ao fim das disciplinas fundamentais do curso e enquadra a disciplina de Saúde da Comunidade e Administração em Saúde. Este estágio tem lugar no 5º semestre (último) com duração de 800 horas.

Dando seguimento à nossa investigação, de modo a conhecer as actividades realizadas no estágio integral, fizemos a seguinte questão às graduadas: quais são as actividades realizadas no estágio integral? Em resposta, a maioria das graduadas responderam nos seguintes termos:

F1, F2, F3, F5, F7, F9 e F10: “Durante o estágio integral realizamos actividades em diferentes sectores tais como a maternidade, PF, Consulta Pré-natal (CPN), Serviço Amigo do Adolescente e Jovem (SAAJ), CCR, CPP, Consulta de Criança Sadia (CCS), AIDI, PAV e nutrição.’’

Num outro desenvolvimento, para aferir se as actividades desenvolvidas durante o estágio integral estavam articuladas com os conteúdos do curso, colocamos a seguinte questão: as actividades desenvolvidas durante o estágio integral estão articuladas com o curso? Em resposta, a maioria das graduadas afirmaram que as actividades realizadas no estágio estavam articuladas com os conteúdos aprendidos ao longo do curso. Não obstante, duas das nossas entrevistadas responderam nos seguintes termos:

F8: “Claro, a maioria das actividades realizadas estavam relacionadas com aquilo que aprendemos durante o curso, mas em alguns casos havia diferença dado que a teoria e prática são duas realidades diferentes. Há conteúdos que estudei na teoria e na prática não tive nenhuma aplicação.’’

F10: “Apesar de muitas das actividades estarem relacionadas com aquilo que fomos ensinadas no instituto, há algumas coisas que aprendemos no estágio que na teoria não tivemos.’’

De facto, tal como apontam Lourenço, Lemos e Júnior (2012) e Vieira, Higuchi, Teles, Fernandes e Campos (2021), “a execução de actividades durante o estágio integral que não estão associadas à área de formação é um dos problemas relatados por estudantes estagiários.” Por outro lado, Marengue (2017) destaca que a falta de oportunidades na realização de procedimentos e falta de interacção com outros profissionais e funcionários, assim como a falta de inserção na equipa da unidade sanitária, podem interferir na estabilidade e conforto do exercício das actividades na vida profissional. Igualmente, Pereira et al. (2022) afirmam que a relação entre a instituição de ensino e a unidade prestadora de serviço de saúde é o elo mais frágil dentro da realidade do estágio, exigindo muito comprometimento de ambas as partes e a parceria entre os enfermeiros, docentes e formandos.

De acordo com o MISAU (2010), a ESMI é uma técnica com competências para proporcionar cuidados, educação, e orientação necessária à mulher durante gravidez, parto e pós-parto, prestar cuidados ao recém-nascido e à criança. Assim, as ESMI prestam cuidados preventivos e curativos nos programas de saúde materna e neonatal, incluindo saúde infantil, AIDI, controlo do crescimento, nutrição materna e infantil. Neste âmbito, visando conhecer as habilidades adquiridas no estágio integral, colocamos a seguinte questão: quais são as habilidades adquiridas durante o estágio integral? Em resposta, os nossos entrevistados teceram o seguinte:

G2: ‘’As habilidades que as formandas podem adquirir no estágio integral da ESMI são o uso da ética e deontologia de Enfermagem, assistência integral segundo as normas, condutas correctas nas urgências obstétricas a prestar assistência necessária na referência das mulheres de ARO (Alto Risco Obstétrico).’’

S1: “Bom, no processo da realização do estágio integral as estudantes de ESMI podem adquirir habilidades de saber assistir o parto, identificar as causas das complicações da gravidez para referir a outros níveis de atenção, identificar as doenças da infância.”

Nesta linha de pensamento, colocamos a mesma questão às graduadas, em resposta teceram os seguintes testemunhos:

F1: “Eeeeh… na verdade são várias habilidades que pude adquirir aquando da realização do estágio integral e fica difícil mencionar todas, mas posso dizer que aprendi a assistir os partos seguramente, colocar e remover implante, suturar parturiente quando há lacerações, prestar todos os cuidados necessários ao recém-nascido, fazer o controlo dos sinais vitais da gestante, preencher fichas de parturiente e guias de transferência do CS para outros hospitais de referência. Hummm… como eu disse antes, foram várias habilidades e é difícil mencionar todas.”

F3: “Pude aperfeiçoar a assistência ao parto com segurança, inserção boa de implante e manejo do recém-nascido.”

F5: “A partir do estágio integral foi possível ganhar confiança como profissional, assistir parto, colocar Depo e Dio.”

F2, F4,F6, F8 e F10: “Desenvolvi habilidades em todas as áreas de actuação da ESMI.”

Efectivamente, os resultados dos nossos entrevistados são convergentes e mostram, claramente, que as habilidades adquiridas no estágio estão alinhadas com o currículo do curso de ESMI. Estes achados levam-nos a crer que as competências adquiridas pelas formandas nos estágios integrados são essenciais para o exercício da prática clínica em ESMI e contribuem positivamente na formação das ESMI.

Negreiros e Lima (2018) alertam que a prática de um estágio na área de saúde, articulado com a formação do estudante, apesar da importância assumida pelos próprios estudantes e pelas instituições formadoras, também pode ser fonte de sofrimento e conflitos, pois, no campo de estágio, o formando se depara com vários sentimentos que podem influenciar tanto de forma positiva como negativa o seu desenvolvimento durante o processo de avaliação. Nesta senda, de modo a aferir os aspectos negativos e positivos decorrentes do estágio integrado na formação da ESMI, indagamos o seguinte às graduadas: Aponte os aspectos negativos e positivos do estágio integral.

No que diz respeito aos aspectos negativos, as graduadas teceram o seguinte:

F2, F5, F7: ‘’Falta de material médico-cirúrgico na US e EPI (como luvas), o que obrigava as estudantes a arranjarem o seu próprio EPI.’’

F1, F8: ‘’Desvio da nossa actividade básica, as serventes nos obrigavam a fazer limpeza.’’

Na verdade, a superlotação dos campos de estágio constitui um dos aspectos negativos mais relatados pelos formandos. Para Pascoal e Souza (2021), este facto pode levar a um resultado ineficiente, visto que quando muitos estudantes realizam o estágio no mesmo local, o professor não consegue dar atenção a todos e corrigir as falhas durante a realização do trabalho. Paralelamente, o relatório de supervisões externas feitas às instituições de formação em saúde da Massinga, Beira, Nhamatanda, Chimoio, Tete, Quelimane, Mocuba, Nacala-Porto e Lichinga entre os anos de 2020 e 2021, apresentado pelo MISAU (2022), também constatou que houve superlotação em todos os campos de estágio supervisionados. Assim, o rácio estudante/paciente deve ser adequado de acordo com cada sector ou área de trabalho.

O rácio deve ser de um estudante por 2 pacientes, um tutor por 4 a 8 estudantes e de um tutor por 2 a 4 estudantes em áreas hospitalares restritas e de maior vulnerabilidade (bloco operatório, serviços de urgências e reanimação ou cuidados intensivos, unidade de recuperação pós-anestésica). (Mauaie, 2017; Marengue, 2017).

Num outro desenvolvimento, as graduadas apontaram como aspectos positivos do estágio integral, conforme a tabela abaixo, os seguintes:

F1, F3, F9: ‘’Aprender a ter humildade, postura, ser pontual e assídua como funcionárias da unidade sanitária.’’

F1, F4, F9: “Ganhar confiança na assistência ao parto sozinha.’’

F5, F8: ‘’Aprender técnicas específicas para assistência ao parto.’’

F6, F10: Colocar em prática o que apenas aprendi teoricamente

De acordo com as declarações das graduadas, os aspectos mais relevantes residem no facto de as graduadas aprenderem a ter humildade, postura, pontualidade e assiduidade como funcionárias e ganharem confiança para assistência do parto mesmo sem auxílio das funcionárias da unidade sanitária, assim como terem aprendido técnicas específicas para assistência ao parto e valorização das estagiárias como membros de equipa de trabalho. Entretanto, embora seja considerado pelas graduadas como sendo um ponto positivo o facto de estas terem de realizar turnos sem a supervisão dos funcionários da unidade sanitária, de acordo com Marengue (2017), os estudantes estagiários não podem realizar actividades sem alguma supervisão, pois constitui falta de comprometimento e revela comportamento negligente do tutor responsável, podendo ter implicações éticas e legais.

Para terminar a entrevista, como forma de compreender as contribuições do estágio integral na formação das ESMI, colocamos a seguinte questão: Na sua opinião, quais são as contribuições do estágio integral na formação das ESMI? Em resposta, os nossos entrevistados teceram os seguintes argumentos:

G1: “Falar da contribuição do estágio integral na formação da ESMI, na verdade é vasta, mas posso destacar a consolidação dos conteúdos adquiridos nas aulas teóricas com a prática, munir as estudantes com competências, habilidades, atitudes e técnicas que abrangem todas as áreas de actuação de SMI, assim como preparar e facilitar o processo de integração das estudantes na vida profissional.’’

S2 e S3: “As estudantes ganham competências através de habilidades e atitudes aprendidas no decurso do estágio integral.”

F3, F5, F6, F8, F9, F10: “Serve para testar e certificar se somos capazes de avançar como ESMI e ingressar no mercado de trabalho, pois envolve todas as áreas de intervenção da ESMI.’’

F1, F4, F7: ‘’Aperfeiçoar e ganhar mais habilidades em fazer o trabalho de ESMI na prática.’’

De acordo com Rocha (2020), a prática do estágio propicia ao formando a construção de conhecimentos, habilidades e valores em articulação com a equipe de enfermagem e de saúde da instituição parceira, fomentando a edificação da identidade profissional do futuro enfermeiro. Por outro lado, Pereira et al. (2022) e Martins et al. (2023) enfatizam que o estágio não traz apenas a ampliação de saberes para o estudante, mas também contribui para o desenvolvimento de competências transversais (responsabilidade, autonomia e segurança) ao académico na última etapa do curso e início da sua trajectória profissional, o que oportuniza maior empregabilidade dos recém-graduados.

Igualmente ao constatado no presente estudo, estudos desenvolvidos por Pascoal e Souza (2021), Schulz (2023) e Marengue (2017) apontam que o estágio é o meio pelo qual o futuro (a) enfermeiro (a) recebe a validação sobre o seu curso, uma vez que fica diante de diversos desafios e com auxílio do tutor deve procurar solucionar, tirar dúvidas, prestando o melhor atendimento possível ao paciente, simulando algumas das muitas situações que podem desencadear na sua actuação prática.

De facto, a literatura relata que a “interlocução ensino-serviço-comunidade tem o potencial de contribuir para a formação de profissionais ancorados na visão biopsicossocial do usuário no sistema de saúde, direccionando-os à análise dos determinantes sociais de saúde da própria sociedade e das demandas por ela gerada” (Negreiros & Lima, 2018; Evangelista & Ivo, 2014). Efectivamente, segundo mostram Pereira et al. (2022) e Marengue (2017) a prática do estágio nos serviços públicos de saúde permite aos formandos desenvolverem suas habilidades acerca da tomada de decisões, comunicação, assim como uma visão mais humanista para o futuro profissional. Essas características são importantes no crescimento pessoal e profissional do formando.

Portanto, Silva et al (2019) sustentam que o estágio integral na formação das ESMI envolve diversas actividades que visam desenvolver e aprimorar habilidades, competências técnico-profissionais e consolidação do conhecimento, daí que não deve restringir-se apenas aos princípios teóricos, mas também confrontar o conhecimento adquirido pelo aluno com as práticas assistenciais em seu ambiente de actuação, através da interdisciplinaridade e da integração entre o ensino-serviço-comunidade.

Conclusão

Esta pesquisa teve como objectivo analisar o contributo do estágio integral na formação de Enfermeiras de Saúde Materno Infantil de nível médio no Instituto Técnico Lugenda, na cidade de Nampula, no período entre 2020 e 2022. Neste âmbito, relativamente aos objectivos do estágio integral, constatamos que estavam alinhados com o currículo de formação de ESMI, visando reforçar, munir as formandas de destreza nas competências adquiridas ao longo do curso, familiarizar e integrar as formandas na vida profissional de modo a responder à demanda nas comunidades.

Ao longo do estágio são desenvolvidas diversas actividades integradas com o currículo de formação das ESMI visando à aquisição de habilidades vocacionadas à prestação de cuidados preventivos e curativos nos programas de saúde materna e neonatal, à assistência ao parto e no pós-parto e à prestação de cuidados ao recém-nascido e à criança. Por outro lado, constatamos aspectos decorrentes do estágio integral que podem interferir negativamente no processo de desenvolvimento das actividades.

Portanto, considerando as contribuições citadas pelos participantes da pesquisa, percebemos que o estágio integral na formação das ESMI está alinhado com os conteúdos do curso, proporcionando uma experiência prática relacionada aos temas abordados durante as aulas teóricas. As graduadas mostram-se a favor do estágio integral, pois referem que aliar a teoria à prática em ambiente de trabalho é fundamental no processo de ensino e aprendizagem. Isso demonstra, assim, a pertinência do estágio integral na formação da ESMI, na promoção e desenvolvimento vocacional, potencializando o sucesso na transição para o mercado de trabalho.

Dum modo geral, as conclusões desta pesquisa apontam que o estágio integral desempenha um papel crucial e constitui uma etapa indispensável na formação das ESMI, pois a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos durante o curso, aliada à imersão no ambiente de trabalho, permite o desenvolvimento de habilidades essenciais para a assistência à saúde materna, neonatal e infantil e prepara as graduadas para enfrentar os desafios da prática profissional.

Referências

Aires, L. (2015). Paradigma Qualitativo e Práticas de Investigação Educacional (1ª Ed.). Universidade Aberta.

Caires, S., & Almeida, L. S. (2000). Os estágios na formação dos estudantes do ensino superior: tópicos para um debate em aberto. Rev Port Educ, 13(2), 219–241.

Campos, C. J. G., & Saidel, M. G. B. (2022). Amostragem em investigações qualitativas: conceitos e aplicações ao campo da saúde. Rev Pes Qual, 10(25), 404-424.

Canastra, F. et al. (2015). Manual de Investigação Científica da Universidade Católica de Moçambique. Beira.

Cardoso, M. R. G., Oliveira, G. S., & Ghelli, K. G. M. (2021). Análise de Conteúdo: Uma Metodologia de Pesquisa Qualitativa. Cadernos da Fucamp, 20(43), 98-111.

Carvalho, C. L. (2013). A Importância da Organização dos Estágios Curriculares na formação dos técnicos em enfermagem. Revista de Saúde Dom Alberto, 1(1).

Casapia, G. Z. (2016). Formação em Enfermagem com Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL): O caso da Universidade Católica de Moçambique. Porto.

Decreto nº 95/2021 de 23 de Dezembro. Regulamentos dos Estágios Pré-Profissionais. Moçambique.

Esteves, L. S. F. et al. (2018). O estágio curricular supervisionado na graduação em enfermagem: revisão integrativa. Rev. Bras Enferm, 71(4), 1740-50.

Evangelista, D. L., & Ivo, O. P. (2014). Contribuições do Estágio Supervisionado para a Formação do Profissional de Enfermagem: Expectativas e Desafios. Ver. Enferm. Contemp, 3(2), 123-130.

Fonseca, R. C. V. (2012). Metodologia do trabalho científico (4ª Ed). Brasil.

Freitas, R. (2017). Metodologia Científica: um guião prático para profissionais de saúde. Petrolina.

Gerhardt, T. E., & Silveira, D. T. (2009). Métodos de pesquisa. Porto Alegre. Editora da UFRGS

Gil, A. C. (2002). Como elaborar projectos de pesquisa (4ª Ed). São Paulo.

Guerra, E. L. A. (2014). Manual de Pesquisa Qualitativa. Belo Horizonte.

Horta, N. F. (2022). Relatório Final de Estágio em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica: A sexualidade na mulher com incapacidade intelectual. Coimbra.

Instituto Nacional de Saúde. (2017). Regulamento de Estágios no INS. Maputo.

ITL. (2022). Guião e Organização do Estágio Rural Integrado em Saúde da Comunidade e Administração em Saúde para o Curso de Enfermagem em Saúde Materno Infantil. Nampula.

Lourenço, M. L., Lemos, I. A., & Júnior, J. E. (2012). Desafios e possibilidades no estágio supervisionado obrigatório: a visão dos estudantes de administração. Administração: Ensino e Pesquisa, 13(3), 559-596.

Marengue, H. C. O. (2017). Estágio parcial: análise do estágio das estudantes do Curso de Enfermagem de Saúde Materno-Infantil de nível médio do Instituto de Ciências de Saúde de Maputo, Moçambique. Rio de Janeiro.

Martinho, A. I. M. (2022). Pobreza no meio urbano: causas e consequências no bairro de Muatala, cidade de Nampula. In: Silva, J. M. (Orgs.). Diversidade e Inclusão: Abordagens e Experiencias 2. Ponta Grossa: Atena Editora.

Martins, K. R. M., Oliveira, T., Bezarra, A. L. D., Gouveia, P. S., Almeida, E. P. O., & Oliveira, M. N. A. (2023). Perspectiva de académicos de enfermagem diante dos estágios supervisionados. C&D – Revista Electrónica da Fainor, 9 (1), 56-73

Mauaie, C.C. (2017). Análise das estratégias de ensino utilizadas no Curso de Enfermagem em Saúde Materno-Infantil: estudo de caso do Instituto de Ciências de Saúde de Maputo, Moçambique. Rio de Janeiro.

Mazzoto, A. R., & Grzybovski, D. (2020). Análise de conteúdo como técnica de análise de dados qualitativos no campo da administração: potencial e desafios. RAC, 15(4), 731-747.

Meneghetti, M. R., Costa, L. B., & Lopes, M. M. (2022). A relevância do estágio supervisionado no processo de formação do enfermeiro na graduação e o papel do docente. Revista Interdisciplinar de Saúde e Educação, 3 (1).

Minayo, M. C. S. (2012). O desafio da pesquisa social. In: Pesquisa social: Teoria, Método e Criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes.

Ministério da Saúde (2010). Currículo de Formação do Curso de Enfermagem de Saúde Materno Infantil – Nível Médio. Maputo.

Ministério da Saúde (2011). Normas e critérios para abertura de cursos e selecção de campos de estágios. Moçambique.

Ministério da Saúde. Circular nº01/023.22/GMS/2015 – Pagamentos de Campos de Estágios. Maputo: 2015.

Ministério da Saúde (2022). Reflexão sobre os estágios formativos. Maputo: DFPS

Negreiros, R. V., & Lima, V. C. B. (2018). A importância do estágio supervisionado para os académicos de enfermagem no hospital: compartilhando experiências vivenciadas com a equipe de trabalho. Ver Univ Vale do Rio Verde, 16(2).

Notiço, S. E. M. (2017). História do Currículo: Contornos do Currículo de Enfermagem Geral desde o Período Pós-Guerra à Actualidade (1992 – 2016) em Moçambique.

Oliveira, M. F. (2011). Metodologia Científica: um manual para a realização de pesquisas em administração. Catalão.

Pascoal, M. M., & Souza, V. (2021). A importância do estágio supervisionado na formação do profissional de enfermagem. REASE, 7(6), 536-55

Pereira, L. V., Cerqueira, G. A., Cruz, T. G., Júnior, E. R. S., Ribeiro, M. S., Alcântara, D. S., Azevedo, N. F. R. et al. (2022). A perspectiva do académico de enfermagem frente ao campo de estágio. REAS, 15(7), 1-9

Rocha, A. P. (2020). Tomo Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.

Schulz, I. S. (2023). Condição de Saúde e Práticas de Cuidado Durante o Pré-Natal: Autopercepção de Mulheres Grávidas. Porto Alegre.

Semedo, A. C. S. (2021). Relatório de Estágio de Natureza Profissional: Cuidados do Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia no parto humanizado. Bragança.

Silva, C. M. V. et al. (2013). Sentimentos dos enfermeiros frente ao estágio curricular: quais as dificuldades e expectativas? Cadernos de graduação – Ciências Biológicas e da Saúde Facipe, 1(1), 51-66

Silva, E. L., & Menezes, E. M. (2001). Metodologia de pesquisa e elaboração de dissertação (3ª Edição revisada e actualizada). Universidade Federal de Santa Catarina.

Silva, L. M. et al. (2019). Estágio curricular supervisionado: dificuldades e perspectivas vivenciadas por acadêmicos de enfermagem. REAS/EJCH, 18, 1–10.

Taquette, S.R. (2016). Análise de Dados de Pesquisa Qualitativa em Saúde. Atas CIAIQ, 2.

Vieira, N. S., Higuchi, A. K., Teles, M. P., Fernandes, K. M. S., & Campos, D. C. S. (2021). Análise comparativa dos factores que interferem na percepção de adequação do estágio supervisionado: um estudo na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Economia e Gestão, 21(58), 149-167

Vinuto, J. (2014). A Amostragem em Bola de Neve na Pesquisa Qualitativa: Um Debate em Aberto. Temáticas, 22(44), 203-220.

  1. Mestrado em Educação em Ciências de Saúde pela Universidade Lúrio; Funcionário dos Serviços Provinciais de Saúde, em Nampula-Mocambique. fchimangande4@gmail.com ↑

  2. Doutorado em Inovação Educativa pela Universidade Católica de Moçambique; Funcionário da Universidade Lúrio, em Nampula-Moçambique. ORCID: 0000-0001-8333-2964. inussomartinho@yahoo.com.br ↑

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Francisco Sanali Chimangande, Anifo Inusso Moniz Martinho (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.