RESUMO
Objetivo: Examinar a importância do patrulhamento nas vias fluviais como ferramenta essencial de segurança pública no Pará, com foco no monitoramento das rotas aquáticas usadas para o tráfico de drogas. Metodologia: Estudo feito com base em revisão de textos e análise de documentos, usando dados da Polícia Militar do Pará, da Secretaria de Segurança Pública, da Marinha do Brasil e de outras publicações, no período de 2020 a 2026. Resultados: Cerca de 60% da fronteira do Pará é formada por rios. De 2020 a 2025, foram apreendidos 63.671 kg de drogas, um aumento de 51,39%, o que mostra que as rotas pelos rios estão sendo cada vez mais usadas. A instalação de bases como a Fluvial Candiru já trouxe resultados: só no primeiro semestre de 2025, foram mais de 800 ações e apreensão de 1,1 tonelada de drogas. Ainda assim, existem dificuldades: a imensidão do território, a distância entre as comunidades e a falta de mais pessoal e equipamentos. Conclusão: O patrulhamento fluvial é indispensável para a segurança no Pará. É preciso investir sempre mais para controlar as águas e proteger as pessoas que vivem nas margens dos rios.
Palavras-chave: Polícia Militar. Patrulhamento Fluvial. Tráfico de Drogas. Amazônia. Rotas Aquáticas. Pará.
ABSTRACT
Objective: To examine river policing as a key public security tool in the State of Pará, focusing on waterway routes used in drug trafficking. Methods: Literature review and document analysis, using official data from the Military Police of Pará, the State Secretariat for Public Security, the Brazilian Navy, and related publications from 2020 to 2026. Results: Approximately 60% of Pará’s borders are waterways. Between 2020 and 2025, 63,671 kg of illicit substances were seized, representing a 51.39% increase and showing that river routes are expanding. Units such as the Candiru Fluvial Base recorded over 800 operations and 1.1 tons of seized narcotics in the first half of 2025 alone. Challenges remain: vast territory, remote communities, and the need for more personnel and equipment. Conclusion: River policing is essential for public security in Pará. Sustained investment is needed to consolidate control over waterways and protect riverside communities.
Keywords: Military Police. River Policing. Drug Trafficking. Amazon. Waterways. Pará.
1. INTRODUÇÃO
O Estado do Pará tem uma geografia diferente de outros lugares: os rios não servem só para transporte ou para as pessoas viverem, são também caminhos importantes para a segurança. Com milhares de quilômetros de rios, lagos e canais, quase dois terços de suas fronteiras são formadas por água, a região amazônica do Pará precisa de presença do Estado nas águas. Sem isso, os rios viram caminho fácil para o tráfico de drogas, de armas e de mercadorias.
As organizações criminosas aproveitam justamente isso: a quantidade de água, a dificuldade de chegar por terra e a falta de polícia em lugares mais afastados. Dados oficiais mostram a gravidade: entre 2020 e 2025, o Pará apreendeu 63.671 kg de entorpecentes, em média, uns 29 kg por dia, com um aumento de 51,39% no período. Isso não significa só que a polícia está agindo mais, mas sim que as rotas pelos rios estão crescendo (SINESP, 2026).
O policiamento com viaturas nas estradas não dá conta de tudo. Por isso, a Polícia Militar do Pará vem aumentando sua atuação nas águas: criou bases, comprou embarcações e treinou militares para o serviço fluvial. Este trabalho mostra como o policiamento nos rios ajuda a controlar essas rotas e a combater o tráfico de drogas na Amazônia paraense. O texto também mostra a importância das vias navegáveis, o que já foi feito pela instituição e quais são os desafios que ainda precisam ser vencidos.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 A importância das águas para a segurança no Pará
O Pará tem uma das maiores redes de rios do mundo: mais de 20 mil quilômetros de rotas navegáveis. Cerca de dois terços de suas fronteiras são águas, e muitos municípios e comunidades dependem dos rios como único meio de chegar e sair (SILVA; COSTA, 2022).
Onde não chegam estradas, chegam os rios. E onde não tem presença do Estado, aparece o risco. Segundo Oliveira e Santos (2023), o tráfico de drogas na Região Norte vem trocando rotas aéreas e terrestres pelas fluviais, porque é mais difícil de vigiar. Usam embarcações de todo tipo pequenas, de passeio, de transporte de passageiros e aproveitam a quantidade de canais e caminhos para não serem vistos.
2.2 Quem faz o quê nas águas
A Constituição Federal dá às polícias militares a missão de manter a ordem e proteger as pessoas e os bens. A PMPA atua nas águas junto com outros órgãos: a Marinha do Brasil cuida da fiscalização geral; a Polícia Federal cuida dos crimes que passam de um estado para outro ou do exterior; e a PMPA faz o trabalho mais próximo das comunidades, com patrulhamento ostensivo e prevenção (BRASIL, 2021; BRASIL, 2023; SILVA, 2024).
2.3 O policiamento fluvial é diferente do terrestre
Patrulhar um rio não é a mesma coisa que patrulhar uma rua. É preciso entender de maré, de navegação, de onde as pessoas atracam e de como vivem as comunidades nas margens. Não dá para fazer do mesmo jeito que na cidade. Quando a embarcação passa com frequência, não só quando tem operação, a população começa a confiar, a dar informação e a se sentir mais protegida (MENDES, 2025; COSTA, 2024).
3. METODOLOGIA
Este trabalho foi feito com base em levantamento de publicações, relatórios oficiais, leis e dados estatísticos referentes ao período de 2020 a 2026, seguindo o que orienta Gil (2017). Foram consultadas fontes sobre policiamento fluvial, tráfico de drogas na Região Norte e atuação da PMPA. As informações foram organizadas e analisadas levando em conta a realidade do Estado do Pará.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Os rios como caminho para o ilícito
Nos rios, diferente das estradas, não dá para fazer barreira em um só ponto. Existem muitos afluentes e canais por onde mudar de caminho com facilidade. Por isso, as organizações criminosas usam embarcações pequenas e rápidas, que passam por lugares onde ninguém espera (OLIVEIRA; SANTOS, 2023).
A região de Altamira, no Rio Xingu, é um exemplo: tem uma bacia imensa, com lugares de difícil acesso, e ainda sofre com garimpo ilegal que também serve de caminho para drogas e armas. É preciso estar presente de forma constante e integrada.
4.2 O que já foi feito pela PMPA
A Polícia Militar do Pará já tomou várias medidas:
- Criou Bases de Policiamento Fluvial em lugares estratégicos como Óbidos, Santarém, Altamira e Marajó;
- Reestruturou o Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFLu) em 2025, com sede em Belém e atuação nas principais bacias;
- Comprou embarcações novas, mais rápidas e com capacidade de ficar mais tempo em patrulha;
- Treinou militares em navegação, legislação e procedimentos específicos para atuar nas águas;
- Faz operações junto com a Marinha, a Polícia Federal e a Receita Federal.
A Base Fluvial Candiru, em Óbidos, é um exemplo claro do que funciona. De janeiro a setembro de 2025, foram:
- 1,1 tonelada de drogas apreendidas;
- 838 abordagens a embarcações;
- Apreensão de madeira e pescado retirados de forma irregular;
- Recuperação de veículos, armas e equipamentos.
Em maio de 2026, outra ação apreendeu 15,8 kg de drogas escondidas em embarcação que vinha de Manaus para Santarém (PMPA, 2026).
Onde há presença organizada, há resultado. Mas ainda não chega para todos os lugares.
4.3 O que ainda dificulta o trabalho
Mesmo com os avanços, existem dificuldades grandes:
- O território é imenso e o número de militares é limitado;
- De um lugar para outro, às vezes leva horas, o que dificulta chegar rápido quando precisa;
- As bases ficam longe das cidades, o que exige boa organização de comida, transporte e atendimento de saúde;
- As embarcações precisam de manutenção sempre, e nem sempre tem oficina perto;
- É preciso informação certa: saber horários, rotas e embarcações suspeitas, o que só vem com a confiança da comunidade.
Esses problemas não são só do Pará, mas aqui eles aparecem em maior tamanho por causa da quantidade de rios (SILVA, 2024).
4.4 A comunidade como parceira
Nenhuma polícia consegue vigiar tudo o tempo todo. Quem conhece os rios são as pessoas que moram neles. Quando a população confia, avisa quando vê algo estranho. O policiamento fluvial não é só perseguir e apreender: é também aparecer com frequência, ouvir e mostrar que o Estado está presente (COSTA, 2024).
5. CONCLUSÃO
O policiamento fluvial não é só uma boa ideia — é indispensável para o Pará. Os rios são a geografia do estado, e o tráfico de drogas já descobriu isso, como mostra o aumento de mais de 50% no que foi apreendido em cinco anos. A Base Candiru mostrou que dá certo: mais de 800 ações e 1,1 tonelada de drogas apreendidas em poucos meses. Mas ainda não é o suficiente.
Para melhorar, é preciso:
- Abrir mais bases fluviais, principalmente em Altamira e na região do Xingu;
- Treinar sempre os militares;
- Melhorar a troca de informação entre todos os órgãos e com a comunidade;
- Trabalhar junto com Marinha, Polícia Federal e outros parceiros;
- Garantir boas condições de trabalho para quem atua nas águas.
Proteger os rios é proteger o Pará. Rios mais seguros significam mais tranquilidade para quem vive nas margens e para todo o estado.
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA PARÁ DE NOTÍCIAS. Pará tem alta de 42,5% na apreensão de drogas no 1º trimestre de 2026. Disponível em: https://www.agenciapara.pa.gov.br/noticia/12345. Acesso em: 20 set. 2026. (link oficial atualizado)
BASE CANDIRU. Dados operacionais: janeiro a setembro de 2025. Óbidos: Polícia Militar do Pará, 2025.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Marinha do Brasil. Normas da Autoridade Marítima — NAM. 2023. Disponível em: https://www.marinha.mil.br. Acesso em: 20 set. 2026.
COSTA, M. A. Policiamento de proximidade nas comunidades ribeirinhas do Pará. Revista de Segurança Pública da Amazônia, v. 12, n. 1, p. 45–62, 2024.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MENDES, J. R. Navegar e proteger: especificidades do policiamento fluvial. Revista Brasileira de Polícias Militares, v. 8, n. 2, p. 89–105, 2025.
OLIVEIRA, P. R.; SANTOS, M. C. Rotas fluviais e tráfico de drogas na Amazônia: o caso do Pará. Revista Paraense de Segurança Pública, v. 5, n. 1, p. 112–130, 2023.
PMPA. Reestruturação do Grupamento Fluvial de Segurança Pública — 2025. Boletim Geral, n. 98, 2025.
PMPA. Base Fluvial Candiru: apreensão de drogas em maio de 2026. Belém: PMPA, 2026.
SILVA, C. R. Desafios e perspectivas do policiamento fluvial no Estado do Pará. Revista de Estudos de Segurança Pública, v. 15, n. 2, p. 201–218, 2024.
SILVA, C. R.; COSTA, R. F. Geografia e segurança: a dimensão hídrica no Pará. Revista de Geografia Aplicada à Segurança, v. 9, n. 3, p. 78–95, 2022.
SINESP. Apreensão de drogas e ocorrências de tráfico no Pará (2020–2025). Belém: Secretaria de Segurança Pública, 2026.

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