RESUMO
Introdução: A bandagem elástica funcional, também denominada Kinesio Taping (KT), constitui um recurso terapêutico complementar utilizado na reabilitação, com potenciais efeitos sobre dor, edema, mobilidade e funcionalidade. No período pós-operatório, sua aplicação tem sido investigada como estratégia não invasiva para favorecer o conforto e a recuperação funcional materna. Objetivo: Analisar as evidências científicas disponíveis acerca dos efeitos terapêuticos da bandagem elástica no pós-operatório, com ênfase na dor, mobilidade, conforto e funcionalidade. Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida de acordo com as recomendações do PRISMA. Foram analisados estudos publicados entre 2016 e 2025, selecionados em bases de dados científicas segundo critérios previamente estabelecidos. Foram incluídos ensaios clínicos e revisões sistemáticas relacionados à utilização da bandagem elástica, sendo excluídos estudos com animais, abordagens dermatológicas e publicações que não contemplassem diretamente o tema proposto. Resultados: Os estudos analisados indicaram efeitos favoráveis da bandagem elástica, destacando-se redução da dor pós-operatória, melhora do conforto, da mobilidade funcional e maior sensação de segurança durante atividades como caminhar, sentar-se e levantar-se. Entretanto, observou-se heterogeneidade entre os protocolos de aplicação, incluindo diferenças quanto à técnica, tensão, localização anatômica e tempo de permanência da bandagem. Além disso, o número de ensaios clínicos especificamente direcionados ao pós-operatório permanece limitado. Conclusão: A bandagem elástica apresenta potencial como recurso terapêutico complementar na recuperação, principalmente no controle da dor e na melhora do conforto e da funcionalidade. Contudo, a heterogeneidade metodológica e a limitada quantidade de estudos específicos impedem o estabelecimento de um protocolo terapêutico universal. Novos ensaios clínicos randomizados, com amostras maiores e protocolos padronizados, são necessários para fortalecer as evidências e subsidiar recomendações clínicas.
Palavras-chave: Bandagem elástica; Kinesio Taping; Período pós-operatório; Dor; Fisioterapia.
ABSTRACT
Introduction: Functional elastic taping, also known as Kinesio Taping (KT), is a complementary therapeutic intervention used in rehabilitation, with potential effects on pain, edema, mobility, and functional performance. In the postoperative period, its application has been investigated as a non-invasive strategy to improve comfort and promote maternal functional recovery. Objective: To analyze the available scientific evidence regarding the therapeutic effects of elastic taping in the postoperative period, with emphasis on pain, mobility, comfort, and functionality. Methods: This systematic literature review was conducted in accordance with the PRISMA guidelines. Studies published between 2016 and 2025 were analyzed and selected from scientific databases according to predefined eligibility criteria. Clinical trials and systematic reviews related to the use of elastic taping were included, while animal studies, dermatological approaches, and publications that did not directly address the proposed topic were excluded. Results: The analyzed studies indicated favorable effects of elastic taping, particularly in reducing postoperative pain, improving comfort and functional mobility, and increasing the sense of security during activities such as walking, sitting down, and standing up. However, heterogeneity was observed among application protocols, including differences in technique, tape tension, anatomical placement, and duration of application. Furthermore, the number of clinical trials specifically addressing its use in the postoperative period remains limited. Conclusion: Elastic taping shows potential as a complementary therapeutic intervention during postoperative recovery, particularly for pain management and improvement of comfort and functional performance. However, methodological heterogeneity and the limited number of specific studies preclude the establishment of a universal therapeutic protocol. Further randomized clinical trials with larger sample sizes and standardized protocols are needed to strengthen the evidence and support clinical recommendations.
Keywords: Elastic taping; Kinesio Taping; Postoperative period; Pain; Physiotherapy.
INTRODUÇÃO
A bandagem elástica funcional, conhecida como kinesio taping (KT), é uma técnica terapêutica que utiliza fitas adesivas elásticas hipoalérgicas aplicadas sobre a pele com o objetivo de oferecer suporte às estruturas musculoesqueléticas sem restringir a amplitude de movimento. Por sua alta eficiência tem sido amplamente utilizada na prática clínica e esportiva como um recurso terapêutico complementar na reabilitação musculoesquelética (PARREIRA et al., 2023).
Desenvolvida por Kenzo Kase na década de 1970, essa abordagem baseia-se em princípios biomecânicos e neurofisiológicos, atuando na modulação da dor, melhora da função muscular, estímulo da circulação sanguínea e linfática e aprimoramento da propriocepção. Suas indicações clínicas incluem lesões musculares e ligamentares, disfunções articulares, dor lombar, instabilidades, edemas, linfedemas e reabilitação pós-operatória, sendo amplamente utilizada na fisioterapia ortopédica, esportiva e neurológica (MO et al., 2026).
Suas indicações clínicas incluem lesões musculares e ligamentares, disfunções articulares, dor lombar, instabilidades, edemas, linfedemas e reabilitação pós-operatória, sendo amplamente utilizada na fisioterapia ortopédica, esportiva e neurológica (CSAPO; ALEGRE, 2020).
Atualmente o KT tem sido bastante utilizado, sob recomendação médica, através da equipe multiprofissional composta por fisioterapeutas e enfermeiros, estes sendo respaldados por pareceres dos seus conselhos estaduais. A aplicação ocorre no período pós-operatório imediato e tardio promovendo e restabelecer a saúde e a qualidade de vida do indivíduo (CREFFITO e COREN).
O KT potencializa os mecanismos fisiológicos de reparo tecidual e da microcirculação sanguínea e linfática, proporcionando alívio imediato da dor e do desconforto, e como resposta auxilia na melhora na postura antálgica e da funcionalidade do paciente prevenindo possíveis complicações do ato cirúrgico e do período de imobilização ao qual ele é exposto (PEGORARE et al., 2021).
No pós-operatório 3 consequências importantes são tratadas através do KT. Primeiramente a dor que é a primeira queixa principal ocorre devido ao processo inflamatório das intervenções realizadas no ato cirúrgico. A segunda é a equimose que ocorre devido ao trauma mecânico da intervenção cirúrgica causando ruptura de microvasos subcutâneo leva ao extravasamento intravascular para os tecidos moles adjacentes, como a pele, ocasionando manchas avermelhadas e roxas. A terceira que leva a um desconforto e sensação de peso é o edema que acontece devido ao trauma causado no tecido, formando um processo inflamatório que sucede o inchaço (SCHOENBRUNNER e JANIS, 2020; PETROVA e KOH, 2020).
O procedimento cirúrgico provoca uma agressão tecidual inicial que desencadeia uma sequência de respostas inflamatórias e reparadoras. Como consequência, ocorre a formação de tecido cicatricial, cuja organização e características diferem do tecido originalmente lesionado. Esse processo não se limita às margens da incisão cirúrgica, podendo também envolver os planos subcutâneos submetidos ao descolamento durante o procedimento. Nessas regiões, a separação dos tecidos pode originar espaços potenciais, frequentemente denominados “espaços mortos”, que apresentam importância clínica durante a recuperação pós-operatória (LI et al., 2020).
Quanto aos tipos de aplicação, destacam-se os formatos em “I” (usado para suporte muscular direto), “Y” (para envolver grupos musculares maiores), “X” (indicado para músculos com múltiplas inserções ou áreas mais amplas) e em “leque” (utilizado principalmente para drenagem linfática), cuja escolha depende da avaliação clínica e dos objetivos terapêuticos do profissional (GIANOLA et al., 2021; LIM; TAY, 2015; PARREIRA et al., 2023).
Apesar do uso da bandagem elástica (kinesio taping) já estar amplamente difundido na prática clínica, especialmente na reabilitação musculoesquelética, ainda há lacunas importantes na literatura quanto à sua efetividade no período pós-operatório. Nesse contexto, o presente estudo, no formato de revisão sistemática, tem como objetivo analisar as evidências científicas publicadas nos últimos cinco anos acerca dos efeitos fisiológicos e tardios do kinesiotaping no pós-operatório, considerando desfechos como dor, edema, amplitude de movimento e funcionalidade.
METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, conduzida de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). A estratégia de busca foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, PEDro e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando publicações dos últimos cinco anos (2020–2025).
Para a construção da estratégia de busca, foram utilizados descritores controlados dos vocabulários DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings), combinados por operadores booleanos AND e OR. Os principais termos utilizados incluíram: “Kinesio Taping”, “Elastic Therapeutic Tape”, “Postoperative Period”, “Rehabilitation”, “Pain”, “Edema” e “Physical Therapy Modalities”. Um exemplo de estratégia de busca aplicada foi: (“Kinesio Taping” OR “Elastic Therapeutic Tape”) AND (“Postoperative Period” OR “Postoperative Care”) AND (“Rehabilitation” OR “Physical Therapy”).
Foram incluídos estudos clínicos randomizados, ensaios clínicos controlados, estudos quase-experimentais e revisões sistemáticas que investigaram os efeitos da bandagem elástica no período pós-operatório em humanos. Foram excluídos estudos duplicados, revisões narrativas, estudos com animais, artigos incompletos, teses, dissertações e publicações que não abordassem diretamente os desfechos de interesse.
Os principais desfechos analisados foram dor, edema, amplitude de movimento e funcionalidade. A seleção dos estudos foi realizada por dois revisores independentes, inicialmente por meio da leitura de títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Em casos de divergência, um terceiro revisor foi consultado para consenso.
A extração dos dados incluiu informações sobre autor, ano de publicação, tipo de estudo, amostra, tipo de intervenção, protocolo de aplicação da bandagem, tempo de acompanhamento e principais resultados. A avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos foi realizada por meio de instrumentos validados, como a escala PEDro para ensaios clínicos e a ferramenta Risk of Bias da Cochrane.
O processo de seleção dos estudos foi apresentado por meio de fluxograma conforme as diretrizes PRISMA, incluindo as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão final dos artigos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Resultados dos efeitos fisiológicos que abordaram nos últimos 5 anos o uso da bandagem elástica/ taping no pós-operatório.
AUTOR/ ANO | TÍTULO | AMOSTRA | OBJETIVO | RESULTADOS |
|---|---|---|---|---|
Aksu et al, 2023 | The effect of kinesio taping on pain, respiratory function, and muscle strength after thoracotomy | Entre junho de 2019 e maio de 2020, um total de 88 pacientes (48 homens, 40 mulheres; idade média: 56,1 ± 9,0 anos; faixa etária: 28 a 69 anos) submetidos a toracotomia posterolateral foram alocados aleatoriamente para o grupo de *kinesio taping* terapêutico (n=44) ou para o grupo controle (n=33). A técnica de *kinesio taping* foi aplicada no grupo correspondente durante sete dias. Dor, funções respiratórias, força da musculatura respiratória, quantidade de analgésicos utilizados e qualidade de vida foram avaliadas no pré-operatório, no dia 0 do pós-operatório (antes da aplicação da bandagem), nos dias 1, 2 e 7 do pós-operatório e no primeiro mês de pós-operatório. | Investigar a eficácia da bandagem funcional (*kinesio taping*) na dor, na função respiratória e na força muscular respiratória em pacientes submetidos à toracotomia posterolateral. | Não houve diferença significativa entre os grupos em termos de características demográficas e clínicas. Os resultados referentes à função respiratória e à força muscular respiratória apresentaram melhora em ambos os grupos, observando-se, contudo, melhoras mais significativas no grupo submetido à *kinesio taping*. Houve diferença estatisticamente significativa nas médias de pontuação da Escala Visual Analógica entre os dois grupos nos dias 2 e 7 do pós-operatório. O consumo de tramadol pelos pacientes do grupo *kinesio taping* foi significativamente menor nos dias 2 e 7 do pós-operatório em comparação ao grupo controle.. |
Mei et al, 2025 | Effects of kinesio taping in patients undergoing knee or hip arthroplasty: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials | A amostra consistiu em 774 participantes provenientes de 11 ensaios clínicos randomizados e controlados, com pacientes submetidos à reabilitação após artroplastia total de joelho (ATJ) ou artroplastia total de quadril (ATQ). Nove estudos incluíram pacientes submetidos à ATJ e dois incluíram pacientes submetidos à ATQ; o tamanho das amostras dos estudos individuais variou de 27 a 125 participantes, com idades entre 19 e 87 anos. | Avaliar os efeitos da bandagem funcional (kinesio taping) na dor, no edema, na amplitude de movimento e na função articular após artroplastia de joelho ou quadril.. | Onze ensaios clínicos randomizados e controlados, envolvendo 774 participantes, atenderam aos critérios de inclusão. Em pacientes submetidos à artroplastia de joelho, a bandagem funcional (*kinesio taping*) reduziu significativamente a dor (diferença de médias padronizada [DMP] = -0,53; IC de 95%: -0,91 a -0,14; p = 0,007) e diminuiu as medidas de circunferência da coxa (DMP = -0,38; IC de 95%: -0,65 a -0,12; p = 0,005) e do tornozelo (DMP = -0,53; IC de 95%: -0,95 a -0,12; p = 0,01). Houve melhora na amplitude de movimento total (DMP = 1,26; IC de 95%: 0,93 a 1,60; p < 0,00001) e na pontuação de joelho do *Hospital for Special Surgery* (DMP = 2,17; IC de 95%: 1,70 a 2,65; p < 0,00001). Não foi observada redução significativa na intensidade da dor em pacientes submetidos à artroplastia de quadril (p = 0,25). |
Wahid et al, 2024 | The Effication of Low-Level Laser Therapy, Kinesio Taping, and Endermology on Post-Mastectomy Lymphedema: A Systematic Review and Meta-Analysis | Uma revisão sistemática e uma meta-análise foram realizadas com base nas diretrizes PRISMA. Foram realizadas buscas em bases de dados utilizando palavras-chave. Critérios de inclusão e exclusão foram aplicados para selecionar os estudos a serem incluídos. Os estudos selecionados foram submetidos a uma avaliação crítica utilizando a ferramenta da Cochrane para essa finalidade. Os dados dos estudos escolhidos foram extraídos e analisados tanto qualitativa quanto quantitativamente. A análise quantitativa foi realizada utilizando abordagens de efeitos fixos e de efeitos aleatórios. | Verificar efeitos da terapia a laser de baixa potência, da bandagem elástica funcional (*kinesio taping*) e da endermologia em pacientes com câncer de mama pós-mastectomia e linfedema. | Este estudo visa determinar os efeitos da terapia a laser de baixa potência, da bandagem funcional (*kinesio taping*) e da endermologia em pacientes com câncer de mama pós-mastectomia que apresentam linfedema. Dezoito estudos foram incluídos nesta análise. Todos os estudos eram ensaios randomizados de boa qualidade, com base na avaliação crítica. A análise constatou uma redução significativamente maior no volume do braço no grupo de intervenção combinada (DM = 76,27; IC 95% = 33,84–118,69) e em cada grupo de terapia: terapia a laser de baixa potência (DM = 91,98; IC 95% = 41,99–141,97) e endermologia (DM = 34,61; IC 95% = 20,81–48,41). No entanto, não houve diferenças significativas na redução da circunferência do braço ou na escala de dor, seja na análise geral ou para cada terapia individualmente. |
Al-Saadi et al, 2026 | Efficacy of kinesiotaping during rehabilitation following total knee arthroplasty: a prospective randomised controlled trial Kinesiotaping in Early Post-TKA Rehabilitation | 136 pacientes internados randomizados após artroplastia total de joelho; 102 concluíram o estudo (kinesiotaping n = 51; controle n = 51). | Verificar a adição de kinesiotaping à reabilitação hospitalar padrão reduz o edema pós-operatório precoce e melhora a função após a artroplastia total do joelho. | A redução do edema foi maior com a bandagem funcional (*kinesiotaping*): variação média de 2,1 (DP 1,7) cm *versus* 0,9 (1,4) cm; diferença média de 1,2 cm (IC 95% 0,7–1,7), p < 0,001. O ganho de flexão foi maior com a bandagem funcional: 18,3° (7,7°) *versus* 14,4° (10,0°); diferença média de 3,9° (IC 95% 0,4–7,4), p = 0,03. A redução da dor e outros desfechos secundários não apresentaram diferenças significativas. Não ocorreram eventos adversos relacionados à bandagem funcional. |
Oztoprak et al, 2023 | The effect of Kinesio Taping on acute pain, breastfeeding behavior and comfort level in women with cesarean section: A randomized controlled trial | Este foi um estudo randomizado e de simples-cego. As mulheres (n = 48) foram alocadas aleatoriamente nos grupos KT (n = 24) e controle (n = 24). A técnica de KT foi aplicada em ambas as mamas e nos músculos retos abdominais das participantes do grupo de intervenção, 8 horas após o parto. As escalas VAS (Escala Visual Analógica), LATCH (Sistema de Registro e Ferramenta de Documentação da Amamentação), PBSES (Escala de Autoeficácia na Amamentação no Pós-parto) e PCS (Escala de Conforto no Pós-parto) foram aplicadas às mulheres de ambos os grupos (intervenção e controle) nos dias 0, 1 e 2 do pós-operatório. Os dados foram analisados utilizando estatística descritiva, teste t para amostras independentes, teste qui-quadrado e teste de Friedman. | Avaliar o efeito da bandagem funcional (kinesio taping – KT) na dor aguda, no comportamento de amamentação e no nível de conforto em mulheres submetidas à cesariana. | Em comparação com o grupo controle, o nível de dor foi significativamente reduzido no grupo KT (χ² = 67,225; P = 0,001), a autoeficácia na amamentação aumentou (F = 221,940; P = 0,001) e o nível de conforto no pós-parto (χ² = 36,432; P = 0,001) melhorou. |
Dutra, Natanielle Silva, 2025 | Aplicação do taping no pós-operatório imediato de cirurgia plástica em mulheres submetidas à lipossucção em região abdominal e de flancos : estudo piloto | A amostra foi composta por 20 mulheres submetidas à lipossucção em abdômen e flancos para lipoenxertia das mamas e que possuiam indicação de tratamento utilizando essa técnica, sendo 10 mulheres no grupo intervenção (G1) e 10 mulheres no grupo controle (G2). Essas mulheres foram encaminhadas para a equipe de Fisioterapia em Mastologia Oncológica da pesquisa pela equipe médica do Ambulatório de Mastologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). A aplicação do taping foi realizada no pós-operatório imediato, ainda no bloco cirúrgico, na região do abdômen, sem a colocação de tensão nas bases de fixação da bandagem e a utilização de tensão mínima, 0 a 15% de distensão ao longo da fita, partindo da colocação na região medial (umbigo), logo parte-se para a região lateral do abdômen, formando uma diagonal. | Verificar a eficácia do taping aplicado no pós-operatório imediato em região abdominal e de flancos em mulheres submetidas à lipossucção dessas áreas para enxertia em reconstrução mamária, no que se refere ao controle da formação de edema, aos níveis de dor e desconforto e à presença de equimoses no período de P.O. imediato e tardio, através da comparação de dois grupos: G1 (grupo experimental) e G2 (grupo controle). | Na comparação entre os grupos, foi observada uma tendência de níveis menores de dor, edema e equimose no G1, entretanto não foi observado uma diferença significante, o que pode ser justificado pelo tamanho da amostra, nesta primeira fase do estudo. |
Fernandes, Siriano, Oliveira, 2021 | Uso da bandagem elástica no linfedema pós-operatório de câncer de mama: revisão integrativa | O câncer de mama representa um importante problema de saúde pública, sendo uma das neoplasias mais incidentes entre as mulheres. Entre as complicações decorrentes do tratamento cirúrgico, destaca-se o linfedema pós-operatório, condição que compromete a funcionalidade do membro superior e impacta negativamente a qualidade de vida. | Analisar os achados da literatura acerca da utilização da bandagem elástica no tratamento do linfedema em mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama. | Os resultados demonstraram que a bandagem elástica pode contribuir para a redução do edema, melhora da dor, aumento da amplitude de movimentos e maior conforto das pacientes, principalmente quando associada a outras terapias. |
Salgado et al., 2025 | O uso da bandagem neuromuscular na redução do linfedema no pós-operatório de mastectomia: Uma revisão sistemática | A mastectomia pode gerar complicações no pós-operatório, sendo o linfedema uma das mais frequentes. Ele ocorre pelo acúmulo de linfa devido ao comprometimento dos vasos linfáticos, causando aumento de volume, dor, peso no membro e limitação funcional. A bandagem neuromuscular tem sido estudada como recurso auxiliar por favorecer a drenagem linfática e reduzir o edema. | Descrever sobre a eficácia da bandagem neuromuscular no manejo do linfedema em mulheres submetidas à mastectomia. | Cinco estudos foram incluídos: dois ensaios clínicos randomizados, um ensaio clínico não randomizado, um estudo observacional e uma revisão. Os achados mostram que a bandagem pode reduzir o volume do membro, melhorar a mobilidade e favorecer a drenagem. Entretanto, apresenta maior efetividade como complemento à terapia descongestiva complexa, não sendo totalmente eficaz de forma isolada. |
Gonçalves, 2026 | Efeitos do taping linfático no pós-operatório de cirurgia plástica: revisão integrativa da literatura | As intercorrências e complicações de uma cirurgia plástica como por exemplo a equimose ou o edema faz com que o profissional de fisioterapia dermatofuncional procure soluções mais rápidas e assertivas para o tratamento do paciente pré, trans e pôs operatório. O uso do taping já é comprovado na melhora do quadro de dor, edema, equimose e possíveis fibroses desorganizadas. | Analisar os efeitos do uso do taping linfático na prevenção e no tratamento de equimoses no pós-operatório de cirurgias plásticas. | Os estudos analisados demonstraram que o uso do taping linfático pode auxiliar na redução de equimoses, edema e dor no pós-operatório, além de favorecer uma recuperação mais rápida dos pacientes submetidos a cirurgias plásticas. Os trabalhos também apontaram melhora na circulação linfática e diminuição do acúmulo de líquidos nos tecidos, contribuindo para melhores resultados no processo de recuperação. |
Chi et al., 2021 | Uso do taping linfático na prevenção da formação de equimoses em abdominoplastia e lipoaspiração | Uma das intercorrências mais comuns em pós-operatório de cirurgia plástica de lipoaspiração e abdominoplastia é a equimose, e seu tratamento e prevenção fazem parte da rotina do fisioterapeuta dermatofuncional. | Avaliar a ocorrência de equimose de pacientes submetidas à abdominoplastia e/ou lipoaspiração tradicional de abdome e flancos, e correlacionar estatisticamente essas ocorrências com o tratamento de taping linfático no transoperatório. | O grupo experimental apresentou uma melhor resposta na resolução da equimose (p=0,01) quando comparado ao grupo controle. |
Moliterno, 2022 | A Importância do Uso do KINESIOTAPING no Pós Operatório de Cirurgias Plásticas: Uma Revisão Bibliográfica | O presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica do tipo narrativa, realizada no período de setembro a novembro de 2021, com levantamento bibliográfico nas bases de dados: LILACS (via BVS), PubMed e Google Scholar, além de um livro que traz a temática cirurgias plásticas e atuação fisioterapêutica. | Analisar a importância do recurso kinesio taping no processo de reabilitação dos tecidos cicatriciais e funcionalidade do paciente submetido a cirurgias plásticas. | De uma amostra de 12 artigos lidos na íntegra, 5 foram selecionados, atendendo aos critérios de inclusão. |
Martines et al., 2024 | Efeito do uso de taping no pós-operatório de cirurgias plásticas em mulheres: uma revisão sistemática | A dor é principal queixa no pós-operatório de cirurgia plástica. Apesar das medicações existentes, o desconforto musculoesquelético, edema e equimoses/afetam muito a qualidade de vida da mulher. A fisioterapia possui algumas técnicas para minimizar esses efeitos, e o taping tem sido amplamente utilizado na prática clínica, porém sem evidência científica robusta. | Verificar o uso do taping no pós-operatório de cirurgias plásticas. | Os Resultados foram redução de edema, dor, equimose, e menor tempo de recuperação pós-cirúrgico. Foi possível verificar que o taping promove um efeito benéfico sobre a dor em comparação com nenhum tratamento. |
Vázquez et al., 2023 | Kinesiotaping em Discopatias e Degenerativas da Coluna Vertebral: Revisão Sistemática | Para esse propósito, foi realizada uma busca na literatura seguindo as diretrizes do PRISMA, usando a bases de dados: PubMed, Web of Science (WOS), Scopus, Medline e CinaHL. Para a análise do risco de viés e da qualidade metodológica, foram utilizadas a escala PEDro, os critérios de Van Tulder e a análise do risco de viés da Colaboração Cochrane. Ao todo, foram incluídos 5 artigos, que obtiveram uma pontuação média de 6,2 na escala PEDro. | Analisar os ensaios clínicos publicados sobre a aplicação da bandagem neuromuscular em indivíduos com discopatias e lesões degenerativas da coluna vertebral. | Há evidências moderadas de que, a curto prazo, a bandagem neuromuscular reduz o consumo de analgésicos e melhora a amplitude de movimento e a força muscular da musculatura posterior. Além disso, há evidências limitadas de que ela pode melhorar a qualidade de vida, enquanto as evidências científicas sobre o efeito da bandagem neuromuscular na dor são contraditórias. A aplicação da bandagem neuromuscular em indivíduos com discopatias e processos degenerativos da coluna vertebral deve ser realizada com cautela até que sejam obtidos resultados mais conclusivos e sejam avaliados seus efeitos a longo prazo. |
Özüdoğru, Canlı, Aslan, 2023 | A aplicação do kinesio taping escapular melhora a funcionalidade dos membros superiores em indivíduos saudáveis e ativos. | Ao todo, 60 participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: grupo de kinesiotaping escapular (n=30) e grupo de bandagem simulada (n=30). Enquanto o kinesiotaping escapular foi aplicado no grupo de kinesiotaping, a bandagem rígida escapular foi aplicada no grupo de bandagem simulada. Ao final do terceiro dia de aplicação das bandagens, os indivíduos foram reavaliados. | Investigar o efeito da aplicação de kinesio taping escapular e da aplicação de bandagem simulada (sham-taping) sobre a funcionalidade dos membros superiores em indivíduos saudáveis e fisicamente ativos. | Os participantes do grupo de kinesiotaping escapular apresentaram melhora na funcionalidade dos membros superiores e na qualidade de vida após a aplicação da bandagem (p<0,05). No grupo de bandagem simulada, não houve diferença estatisticamente significativa após a aplicação da bandagem (p>0,05). |
Nunes e Stefani, 2024. | Padrão de contração voluntária máxima em pacientes com disfunção temporomandibular antes e após terapia fonoaudiológica com e sem uso de bandagem elástica | Foi realizada a análise de dados secundários de estudo do tipo intervenção clínica, com 17 voluntárias, adultas, com diagnóstico de disfunção temporomandibular muscular com ou sem deslocamento de disco com redução. O Grupo Bandagem recebeu terapia manual associada à bandagem elástica e o Grupo Sem Bandagem recebeu apenas terapia manual. Foi realizada eletromiografia de superfície para registro da contração voluntária máxima antes e após quatro semanas de intervenção fonoaudiológica. Para análise exploratória foram utilizados os testes: Mann Whitney e Wilcoxon Pareado, com p<0,05. | Verificar se há diferença eletromiográfica durante contração voluntária máxima dos músculos masseter e temporal de pacientes com disfunção temporomandibular, antes e após intervenção fonoaudiológica com e sem uso de bandagem elástica terapêutica. | No Grupo Bandagem, houve diminuição estatisticamente significante da atividade elétrica durante a Contração Voluntária Máxima nos músculos masseter e temporal do lado esquerdo no momento pós-terapêutico. Na comparação do pré e pós-intervenção entre Grupo Bandagem e Grupo Sem Bandagem, constatou-se diferença estatística nos valores da atividade elétrica de Contração Voluntária Máxima no músculo temporal esquerdo. |
Deniz et al., 2024. | Drenagem linfática manual e aplicações de Kinesio taping reduzem o edema e a dor em estágio inicial de membro inferior após artroplastia total de joelho. | Quarenta e cinco pacientes do sexo feminino com ATJ (artroplastia total de joelho) unilateral foram alocadas para tratamento pós-operatório adicional com DLM (n = 15) associada a exercícios, Kinesio Taping® adicional (n = 15) associado a exercícios, ou apenas exercícios (n = 15). Cinco pacientes foram excluídas do estudo: três do grupo KT apresentaram reação de coceira à fita, e duas do grupo DLM tiveram alta precoce. Participaram do estudo pacientes do sexo feminino, com idade entre 55 e 75 anos e diagnóstico primário de OA (osteoartrite) de joelho. | Comparar a eficácia das aplicações de drenagem linfática manual (DLM) e Kinesio Taping® (KT) na redução do edema de membro inferior, na dor e na melhora da função no período pós-operatório inicial da ATJ. | Tanto o grupo DLM (p < 0,001; tamanho de efeito variando de 0,65–0,87) quanto o grupo KT (p = 0,001; tamanho de efeito variando de 0,74–0,78) apresentaram níveis mais baixos de edema e dor (grupo DLM: p < 0,001; tamanho de efeito = 0,84; grupo KT: p < 0,001; tamanho de efeito = 0,78) em comparação com o grupo controle no 4º dia pós-operatório. Esses efeitos benéficos persistiram apenas até duas semanas de pós-operatório, e nenhuma diferença entre os grupos foi observada na sexta semana.
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Labianca et al., 2022. | A eficácia da Kinesio Taping na melhora da dor e do edema durante a reabilitação precoce após a reconstrução do ligamento cruzado anterior: um estudo prospectivo, randomizado e controlado | Este estudo incluiu 52 pacientes do sexo masculino, com idade entre 18 e 45 anos, que foram submetidos à reconstrução do LCA (ACLR) com enxerto autólogo duplo de tendões grácil e semitendíneo (DGST). Os pacientes foram randomizados em 2 grupos: Grupo A (grupo controle), que recebeu o protocolo padrão de reabilitação, e Grupo B (grupo experimental), que recebeu o mesmo protocolo de reabilitação associado à aplicação de Kinesio Taping (KT). De janeiro de 2018 a junho de 2019, foram incluídos 85 pacientes que haviam sido submetidos à ACLR com enxerto autólogo duplo de tendões grácil e semitendíneo (DGST). Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 52 pacientes do sexo masculino (idade média de 28,9 anos) estavam disponíveis para o estudo. Os pacientes foram randomizados de forma cega em dois grupos, grupo A (n=26; idade média, 29,2; DP, 4,6) e grupo B (n=26; idade média, 28,5; DP 5,3). | Avaliar o efeito da KT em um programa de reabilitação precoce, em combinação com o protocolo padrão após a reconstrução do LCA (ACLR). Assim, o presente estudo visa não apenas analisar os resultados positivos na redução do edema pós-operatório do joelho, mas também investigar mais a fundo o papel da KT, em associação a um programa padrão de reabilitação, no tratamento da dor no joelho, da amplitude de movimento (ADM) e da recuperação da massa muscular. | Os pacientes do grupo experimental apresentaram resultados significativos durante a segunda semana, tanto para a redução da dor quanto do edema, em comparação com o grupo controle (p< 0,05). Após 4 semanas de reabilitação, a intensidade da dor nos dois grupos foi semelhante (n.s.), enquanto a redução do edema no grupo experimental apresentou um resultado significativo em comparação com o grupo controle (p< 0,05). No entanto, os demais desfechos não apresentaram diferenças significativas. |
Patil et al., 2023.. | Eficácia da Kinesio taping nas sequelas pós-operatórias após remoção cirúrgica de terceiros molares mandibulares: um estudo controlado randomizado boca dividida (split mouth) | Quinze pacientes com terceiros molares mandibulares impactados bilateralmente foram incluídos no estudo split mouth (boca dividida). Os 15 pacientes, no total, foram selecionados para a remoção do terceiro molar mandibular envolvido bilateralmente, com índice de dificuldade próximo e similar de 4-5 de acordo com a escala de Pederson, justificando a extração sob anestesia local. Um total de 15 pacientes foi avaliado em cada categoria do nosso estudo. O gênero e a idade dos pacientes mostraram viés clinicamente insignificante, conforme avaliado estatisticamente em nosso estudo. Foram selecionados 6 pacientes do sexo masculino e 9 do sexo feminino para a extração bilateral do terceiro molar mandibular. A idade média dos pacientes foi de 29,53 anos. | Comparar os efeitos da bandagem cinesiológica (KT) sobre a dor, o edema e o trismo pós-operatórios após a remoção cirúrgica do terceiro molar mandibular, em comparação com o grupo controle.
| A dor foi significativamente menor (p=0,042) no grupo A em comparação com o grupo B no primeiro dia. A dor média foi de 5,07 no grupo KT e 6,20 no grupo sem KT no 2º dia. O edema pós-operatório foi estatisticamente significativamente menor (p<0,01) no Grupo A no 2º e 3º dia. A abertura bucal pós-operatória foi maior a partir do 2º dia no grupo A, com média de 26,07 mm, contra 20,33 mm no grupo B (p<0,01). |
Elabd et al. 2020. | Efficacy of Kinesio Taping and Postural Correction Exercises on Levator Scapula Electromyographic Activities in Mechanical Cervical Dysfunction: A Randomized Blinded Clinical Trial | 91 pacientes (adultos jovens com disfunção cervical mecânica) | Avaliar a eficácia da Kinesio Taping (KT), dos Exercícios de Correção Postural (ECP) e de sua combinação sobre a dor e a atividade eletromiográfica de superfície (sEMG) do músculo levantador da escápula. | A combinação de KT com ECP foi superior a qualquer uma das intervenções isoladas na redução da dor, na diminuição da hipertonicidade muscular (RMS) e na melhora da resistência à fadiga (MDF). |
Ferreira, et al., 2026 | Bandagem elástica no pós-operatório de cesariana: efeitos terapêuticos e evidências científicas atuais | A pesquisa, realizada entre abril e junho de 2025, foi organizada com base nos descritores “bandagem elástica” e “pós-parto” — bem como em seus equivalentes em inglês —, identificados nos títulos, resumos e listas de palavras-chave. Foram analisados estudos publicados entre 2016 e 2025. Os critérios de inclusão compreenderam artigos relacionados ao tema proposto, disponíveis na íntegra, bem como ensaios clínicos e revisões sistemáticas. Os critérios de exclusão abrangeram artigos não relacionados à bandagem elástica, estudos realizados em animais, abordagens dermatológicas e artigos que tratavam o tema de maneira genérica. | Sintetizar as evidências científicas disponíveis acerca do uso da bandagem elástica após cesarianas, avaliando seus efeitos sobre os principais desfechos clínicos. Por meio de uma revisão sistemática da literatura, foram analisados 29 artigos publicados entre 2016 e 2025, selecionados com base em critérios específicos e a partir das principais bases de dados científicas. | Entre os principais desfechos clínicos avaliados nos estudos, destacam-se a redução da dor pós-operatória, a melhora da mobilidade e o aumento da sensação de segurança durante a realização de atividades como caminhar, sentar-se e levantar-se. |
Pelissaro, 2022) | Kinesio tape for edema control after bichectomy: A randomized trial study | N: 28 Idade: 18 à 19 anos. Após bichectomia. Grupo I: Lado Controle: sem intervenção. Lado Tratado: 2 tiras de taping na região jugal externa da face por 2 dias, intraoperatório. Grupo II: Hemiface- laser de baixa potência 6J/cm2, intraoperatório e 2. dia. Lado Controle: sem intervenção. | Avaliar o efeito da taping e do laser de baixa potência no pós-op de bichectomia | Ao avaliar a antropometria facial e o edema a aplicação do Kinesio Tape mostrou-se mais eficaz quando comparada ao uso da crioterapia isolada, no controle do edema pós-operatório em pacientes submetidos à cirurgia de bichectomia. |
O procedimento cirúrgico de cirurgias ocasionará um trauma inicial no tecido alvo, esse trauma irá gerar um processo inflamatório que, por sua vez, promoverá um tecido cicatricial para a recuperação desta área, ou seja, um tecido não idêntico ao tecido inicial. Isto irá acontecer nos bordos da cicatriz e na região subcutânea, onde todo o tecido será descolado, conhecido como “espaço morto”.
Estudos recentes apontam que o uso da técnica pode contribuir para a redução da dor e do edema, bem como para a melhora da amplitude de movimento em pacientes submetidos a procedimentos ortopédicos, como artroplastias e reconstruções ligamentares, embora os resultados ainda sejam heterogêneos e dependentes do tipo de intervenção e protocolo utilizado. Além disso, estudos indicam que, apesar de efeitos positivos em alguns desfechos clínicos, a qualidade das evidências ainda é limitada, reforçando a necessidade de estudos mais robustos e padronizados na área (AZIMI et al., 2024; ICKERT et al., 2024; MARTINES et al., 2024).
Um dos achados desta revisão demonstra que a utilização da bandagem elástica no período pós-operatório em Cesária apresenta potencial como recurso terapêutico complementar, especialmente no controle da dor, na melhora da mobilidade e no aumento da sensação de segurança durante a realização das atividades funcionais. Esses resultados assumem relevância clínica considerando que a cesariana, por se tratar de um procedimento cirúrgico abdominal, pode estar associada à dor no período pós-operatório, limitação dos movimentos, dificuldade para mudanças de posição e redução da independência funcional nos primeiros dias após o parto (Figura 1).
Entre os desfechos identificados, a redução da dor constitui um dos principais benefícios associados ao uso da bandagem elástica. Uzunkaya-Oztoprak, Koc e Ozyuncu (2023), em ensaio clínico randomizado envolvendo 48 mulheres submetidas à cesariana, observaram redução significativa da intensidade da dor no grupo submetido à aplicação de Kinesio Taping, quando comparado ao grupo controle. Além do efeito sobre a dor, os autores identificaram melhora do conforto no período pós-parto e da autoeficácia relacionada à amamentação, sugerindo que os benefícios da intervenção podem repercutir sobre diferentes aspectos da recuperação materna.
Figura 1. Representação esquemática da aplicação de bandagem elástica no período pós-operatório de cesariana. Ilustração elaborada pelos autores com base nos princípios descritos por Gürşen et al. (2016), Uzunkaya-Oztoprak, Koc e Ozyuncu (2023) e Alvarenga, Callegari e Alliana (2024). A disposição das fitas apresentadas é ilustrativa e não representa um protocolo terapêutico padronizado.
A diminuição da dor pode contribuir diretamente para a recuperação funcional da puérpera. Após a cesariana, atividades aparentemente simples, como levantar-se do leito, sentar-se, caminhar, mudar de posição e realizar os cuidados com o recém-nascido, podem ser dificultadas pela dor e pelo receio de movimentar a região abdominal. Nesse contexto, a aplicação da bandagem pode proporcionar uma percepção adicional de suporte na região abdominal, favorecendo maior confiança durante a execução dos movimentos.
Os resultados encontrados nesta revisão, que apontam melhora da mobilidade e maior sensação de segurança para caminhar, sentar-se e levantar-se, devem ser considerados conjuntamente com a redução da dor em pacientes pós operatório de cirurgia plástica. Esses desfechos apresentam relação funcional, uma vez que o desconforto provocado pela incisão cirúrgica pode levar à adoção de padrões de movimento protetores, redução da velocidade de marcha e maior dificuldade nas transferências posturais (MARTINES et al., 2024). Dessa forma, intervenções capazes de contribuir para o controle da dor podem favorecer indiretamente a mobilização precoce e a retomada das atividades de vida diária.
Além dos efeitos observados no período pós-operatório imediato, a bandagem elástica também tem sido investigada em etapas posteriores da recuperação após a cesariana. Gürşen et al. (2016), em estudo piloto randomizado, avaliaram mulheres entre o quarto e o sexto mês após a cesariana e compararam exercícios isolados com exercícios associados ao Kinesio Taping. A aplicação foi realizada sobre os músculos reto abdominal e oblíquos e na região da cicatriz da cesariana. Os resultados sugeriram que a associação da bandagem aos exercícios pode apresentar efeitos favoráveis sobre aspectos da recuperação abdominal, indicando que a técnica pode ter aplicações que ultrapassam exclusivamente o controle da dor no pós-operatório imediato.
Do ponto de vista fisioterapêutico, a bandagem elástica não deve ser interpretada como uma intervenção isolada ou substitutiva das demais estratégias de recuperação pós-operatória. Sua utilização pode integrar uma abordagem multimodal, considerando avaliação individualizada, mobilização precoce, orientações funcionais, exercícios e outras intervenções indicadas de acordo com as condições clínicas e a fase de recuperação da paciente. As recomendações atuais para recuperação após cesariana enfatizam estratégias multimodais, incluindo controle adequado da dor, mobilização e deambulação precoces e suporte à recuperação materna. Nesse contexto, a bandagem pode ser considerada um recurso complementar, especialmente quando destinada ao controle de sintomas e à facilitação da recuperação funcional (Macones et al., 2019; Bollag et al., 2025; Gürşen et al., 2016).
Outro aspecto importante identificado na literatura refere-se à possibilidade de utilização da bandagem em associação com outras técnicas fisioterapêuticas. Alvarenga, Callegari e Alliana (2024) investigaram um protocolo envolvendo bandagem elástica e drenagem linfática no período pós-operatório de cesariana, com enfoque sobre dor e alterações sensoriais durante o processo de recuperação. Além disso, estudos em outras condições do período pós-parto têm comparado ou associado a bandagem a diferentes intervenções terapêuticas. Esses achados demonstram a tendência de utilização do recurso dentro de abordagens terapêuticas mais amplas, embora sejam necessários estudos controlados para determinar a contribuição específica de cada intervenção (Alvarenga, Callegari & Alliana, 2024; Gürşen et al., 2016).
Apesar dos resultados favoráveis encontrados, a interpretação das evidências deve ser realizada com cautela. Os estudos disponíveis apresentam heterogeneidade quanto ao momento de aplicação da bandagem, localização anatômica, técnica utilizada, tensão aplicada, tempo de permanência, frequência das aplicações e instrumentos empregados na mensuração dos resultados. Revisões sistemáticas sobre a aplicação do Kinesio Taping no período pós-operatório também identificaram heterogeneidade metodológica e risco de viés entre os estudos, fatores que dificultam comparações diretas e a definição de protocolos terapêuticos padronizados (Hörmann et al., 2020).
Outro fator limitante é o número ainda reduzido de ensaios clínicos randomizados especificamente direcionados ao uso da bandagem elástica após cesariana. Entre os estudos disponíveis, Gürşen et al. (2016) avaliaram a associação entre Kinesio Taping e exercícios na recuperação abdominal de mulheres após cesariana, enquanto Uzunkaya-Oztoprak, Koc e Ozyuncu (2023) investigaram seus efeitos sobre dor aguda, comportamento relacionado à amamentação e conforto. Apesar dos resultados favoráveis, as diferenças entre os períodos de aplicação, protocolos e desfechos avaliados reforçam a necessidade de ampliação das evidências específicas para essa população.
Deve-se considerar, ainda, a possível influência de fatores subjetivos na avaliação de desfechos como dor e conforto, frequentemente mensurados por instrumentos autorreferidos. No ensaio clínico de Uzunkaya-Oztoprak, Koc e Ozyuncu (2023), por exemplo, a intensidade da dor foi avaliada pela Escala Visual Analógica e o conforto pela Postpartum Comfort Scale. Embora esses instrumentos sejam clinicamente úteis, pesquisas futuras com grupos placebo ou sham taping, cegamento adequado dos avaliadores e protocolos padronizados podem contribuir para maior robustez metodológica e para uma estimativa mais precisa do efeito específico da intervenção (Uzunkaya-Oztoprak, Koc & Ozyuncu, 2023; Hörmann et al., 2020).
Os achados desta revisão também evidenciam a necessidade de ampliar a investigação de outros possíveis desfechos clínicos. Além da dor e do conforto, estudos futuros podem avaliar objetivamente edema, força e resistência da musculatura abdominal, recuperação funcional, qualidade de vida e independência nas atividades do período puerperal. Gürşen et al. (2016), por exemplo, avaliaram força do músculo reto abdominal, resistência abdominal, dor, circunferência da cintura e incapacidade funcional, encontrando resultados favoráveis quando o Kinesio Taping foi associado aos exercícios. Evidências provenientes de outros contextos pós-operatórios também apontam possível influência da bandagem sobre edema, dor e amplitude de movimento, embora a extrapolação desses resultados para mulheres submetidas à cesariana deva ser realizada com cautela (Gürşen et al., 2016; Hörmann et al., 2020).
Assim, embora as evidências disponíveis indiquem benefícios potenciais da bandagem elástica, principalmente relacionados à redução da dor, melhora do conforto e alguns aspectos da recuperação funcional, ainda não é possível estabelecer um protocolo terapêutico universal para mulheres submetidas à cesariana. Um ensaio clínico randomizado demonstrou redução significativa da dor e melhora do conforto após a aplicação do KT no período pós-cesariana, enquanto outro estudo encontrou benefícios adicionais do KT associado a exercícios para a recuperação abdominal. Entretanto, o pequeno número de estudos e a diversidade dos protocolos justificam cautela na generalização desses achados (Gürşen et al., 2016; Uzunkaya-Oztoprak, Koc & Ozyuncu, 2023).
Na prática clínica, a bandagem elástica tem sido empregada como recurso complementar no manejo pós-operatório. Entretanto, a literatura específica sobre sua utilização após cirurgias plásticas ainda é limitada. Revisão sistemática direcionada ao uso do taping no pós-operatório de cirurgia plástica identificou número insuficiente de estudos para análises mais robustas dos efeitos ao longo do tempo, indicando a necessidade de novas investigações nessa população. De maneira semelhante, uma revisão sistemática sobre edema pós-operatório concluiu que existem indícios de benefício, porém a qualidade metodológica e o risco de viés dos estudos disponíveis ainda limitam a força das conclusões (Hörmann et al., 2020).
A literatura também demonstra considerável variabilidade nos protocolos de aplicação da bandagem. Ainda não há evidências suficientes para estabelecer de maneira uniforme aspectos como duração total do tratamento, frequência das aplicações, tensão empregada e configuração dos cortes da fita. Essa variabilidade metodológica constitui uma importante limitação para a comparação entre estudos e para a elaboração de recomendações clínicas universais, reforçando a necessidade de ensaios que descrevam detalhadamente e padronizem os parâmetros empregados (Hörmann et al., 2020).
Em síntese, os resultados analisados sugerem que a bandagem elástica pode constituir um recurso não invasivo e complementar aos cuidados pós-operatórios após cesariana, quando clinicamente indicada. Entre os resultados atualmente mais bem documentados estão a redução da dor e a melhora do conforto, enquanto possíveis benefícios sobre a recuperação abdominal e outros aspectos funcionais apresentam resultados promissores, porém ainda dependentes de confirmação por estudos de maior qualidade metodológica.
CONCLUSÃO
Os achados desta revisão sistemática indicam que a bandagem elástica, ou Kinesio Taping (KT), apresenta potencial como recurso terapêutico complementar no período pós-operatório. Os resultados analisados demonstram efeitos favoráveis principalmente na redução da dor e do edema, além de possíveis benefícios sobre a mobilidade, amplitude de movimento, conforto e recuperação funcional. Em mulheres submetidas à cesariana, os estudos identificados apontam resultados positivos relacionados ao controle da dor e ao conforto materno, enquanto evidências provenientes de outros procedimentos cirúrgicos sugerem benefícios adicionais sobre edema e recuperação funcional.
Entretanto, os resultados devem ser interpretados com cautela. A heterogeneidade observada entre os estudos, especialmente quanto à técnica de aplicação, tensão da fita, configuração dos cortes, região anatômica, duração do tratamento, frequência das aplicações e características das populações investigadas, limita a comparação entre os protocolos e impossibilita, até o momento, a definição de parâmetros terapêuticos universais para o uso da bandagem no período pós-operatório.
Dessa forma, a bandagem elástica não deve ser considerada uma intervenção isolada ou substitutiva das demais estratégias de reabilitação, mas um recurso adjuvante que pode ser incorporado a uma abordagem fisioterapêutica multimodal, de acordo com a avaliação individual, o tipo de procedimento cirúrgico, a fase de recuperação e os objetivos terapêuticos de cada paciente.
Conclui-se, portanto, que o Kinesio Taping apresenta resultados promissores no manejo de manifestações pós-operatórias, especialmente dor e edema, porém a evidência disponível ainda não é suficiente para estabelecer um protocolo clínico padronizado. São necessários novos ensaios clínicos randomizados, com amostras maiores, grupos controle adequados, métodos de aplicação claramente descritos e acompanhamento em médio e longo prazo, a fim de determinar com maior precisão a magnitude e a duração dos efeitos e estabelecer recomendações clínicas fundamentadas em evidências.
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Centro universitário UNINORTE. E-mail: gabriellameira20@gmail.com ↑
Acadêmico de Medicina.Centro Universitário FAG. E-mail: abdsilva3@minha.fag.edu.br ↑
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Acadêmico de Nutrição. Universidade Federal do Acre. E-mail: edusfeitosa@gmail.com ↑
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