RESUMO
Introdução: As Disfunções Temporomandibulares (DTM) compreendem um conjunto de condições clínicas que acometem a articulação temporomandibular, os músculos da mastigação e estruturas associadas, constituindo uma importante causa de dor orofacial e comprometimento funcional. Sua etiologia é considerada multifatorial, envolvendo a interação entre fatores biomecânicos, psicossociais e comportamentais, o que torna seu diagnóstico e tratamento desafios relevantes para a prática odontológica. Objetivo: Analisar os principais aspectos relacionados às disfunções temporomandibulares, com ênfase nos fatores etiológicos, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas, destacando a importância de uma abordagem individualizada e multidisciplinar. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e ScienceDirect, utilizando descritores relacionados às disfunções temporomandibulares, articulação temporomandibular, dor orofacial, diagnóstico e tratamento. Foram priorizados estudos publicados entre 2019 e 2026, nos idiomas português e inglês, abrangendo aspectos relacionados à etiologia, diagnóstico e manejo das DTM. Resultados: Os achados
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1 Discentes do Curso Superior de Odontologia do Centro Universitário AGES – Paripiranga, Bahia
2 Graduada do Curso Superior de Odontologia do Centro Universitário AGES – Paripiranga, Bahia
evidenciam que as DTM apresentam etiologia multifatorial, com participação de fatores anatômicos, musculares, articulares, parafuncionais e psicossociais, especialmente estresse, ansiedade e fatores relacionados à cronificação da dor. O diagnóstico clínico, associado aos Critérios Diagnósticos para Disfunções Temporomandibulares (DC/TMD), constitui importante ferramenta para a identificação das alterações físicas e dos aspectos psicossociais relacionados à condição. As estratégias terapêuticas conservadoras e reversíveis, incluindo educação do paciente, autocuidado, fisioterapia, manejo comportamental e uso criterioso de placas oclusais, apresentam relevância no controle da dor e na melhora da função mandibular. Conclusão: As disfunções temporomandibulares apresentam caráter multifatorial e requerem diagnóstico criterioso e tratamento individualizado. A adoção de estratégias conservadoras, associada à atuação multidisciplinar, constitui uma abordagem relevante para o controle dos sintomas, recuperação funcional e melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Palavras-chave: Disfunções Temporomandibulares; Dor Orofacial; DC/TMD; Tratamento Conservador; Abordagem Multidisciplinar.
ABSTRACT
Introduction: Temporomandibular Disorders (TMDs) comprise a group of clinical conditions affecting the temporomandibular joint, masticatory muscles, and associated structures, representing an important cause of orofacial pain and functional impairment. Their etiology is considered multifactorial, involving interactions among biomechanical, psychosocial, and behavioral factors, which makes their diagnosis and treatment relevant challenges in dental practice. Objective: To analyze the main aspects related to temporomandibular disorders, with emphasis on etiological factors, clinical manifestations, diagnostic methods, and therapeutic approaches, highlighting the importance of an individualized and multidisciplinary approach. Methodology: This is a narrative literature review conducted through searches in the PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, and ScienceDirect databases, using descriptors related to temporomandibular disorders, temporomandibular joint, orofacial pain, diagnosis, and treatment. Studies published between 2019 and 2026 in Portuguese and English were prioritized, covering aspects related to the etiology, diagnosis, and management of TMDs. Results: The findings indicate that TMDs have a multifactorial etiology, involving anatomical, muscular, articular, parafunctional, and psychosocial factors, particularly stress, anxiety, and factors associated with pain chronicity. Clinical diagnosis, combined with the Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD), represents an important tool for identifying physical alterations and psychosocial aspects associated with the condition. Conservative and reversible therapeutic strategies, including patient education, self-care, physical therapy, behavioral management, and the judicious use of occlusal splints, are relevant for pain control and improvement of mandibular function. Conclusion: Temporomandibular disorders have a multifactorial nature and require careful diagnosis and individualized treatment. The adoption of conservative strategies combined with a multidisciplinary approach is relevant for symptom control, functional recovery, and improvement of patients’ quality of life.
Keywords: Temporomandibular Disorders; Orofacial Pain; DC/TMD; Conservative Treatment; Multidisciplinary Approach.
1. INTRODUÇÃO
A Articulação Temporomandibular (ATM) é uma estrutura sinovial bilateral de extrema complexidade, essencial para funções vitais do sistema estomatognático, como mastigação, fonação e deglutição. (AMARAL; FERREIRA, 2023) As Disfunções Temporomandibulares (DTM) são definidas como um grupo de condições clínicas que envolvem a ATM, os músculos da mastigação e estruturas associadas, caracterizando-se frequentemente por dor orofacial, limitação dos movimentos mandibulares e ruídos articulares. (BINGÜL et al., 2026) A prevalência dessas desordens é significativa, afetando aproximadamente 10-15% da população geral com taxas que podem atingir até 35,7% em populações específicas, como adolescentes. (BINGÜL et al., 2026)
A relevância clínica das DTM transcende a sintomatologia local, impactando profundamente a qualidade de vida dos indivíduos. Pacientes acometidos frequentemente relatam distúrbios do sono, ansiedade, depressão e isolamento social, evidenciando a natureza crônica e debilitante da condição. Historicamente, a compreensão das DTM foi dominada por modelos mecânicos simplistas, que atribuíam a etiologia principalmente a alterações oclusais. (DEL SORBO et al., 2026) No entanto, evidências contemporâneas consolidaram o caráter multifatorial da doença, integrando fatores anatômicos, traumáticos, parafuncionais e, crucialmente, aspectos psicossociais. (LOPES DE OLIVEIRA NETO et al., 2022)
O diagnóstico preciso é fundamental para o estabelecimento de um plano terapêutico eficaz. A adoção dos Critérios Diagnósticos para Disfunções Temporomandibulares (DC/TMD) contribuiu para padronizar a avaliação clínica, permitindo uma avaliação padronizada que considera não apenas os sinais físicos (Eixo I), mas também o impacto psicossocial (Eixo II). Apesar dos avanços, persistem desafios na diferenciação entre subtipos de DTM e na seleção das melhores estratégias de tratamento. (MINERVINI et al., 2024)
Diante da complexidade etiopatogênica e da vasta gama de opções terapêuticas disponíveis, justifica-se a realização desta revisão de literatura. O objetivo geral deste estudo é analisar os principais aspectos relacionados às disfunções temporomandibulares, incluindo sua etiologia multifatorial, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas atuais, visando subsidiar a prática clínica baseada em evidências.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, realizada com o intuito de sintetizar o conhecimento científico atual sobre as Disfunções Temporomandibulares. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e ScienceDirect. Como fonte complementar, utilizou-se o Google Scholar. Foram priorizados artigos publicados no período de 2021 a 2026, para garantir a atualidade das evidências, sem excluir estudos clássicos fundamentais para a compreensão dos conceitos anatômicos e fisiológicos.
Os descritores utilizados, isoladamente ou combinados através dos operadores booleanos AND e OR, incluíram: "Temporomandibular Disorders", "Temporomandibular Joint", "Orofacial Pain", "Diagnosis", "Treatment", "DC/TMD", "Disfunção Temporomandibular", "Dor Orofacial" e "Terapêutica". Os idiomas considerados foram português e inglês.
Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais, revisões sistemáticas, meta-análises e diretrizes clínicas que abordassem a etiologia, diagnóstico ou tratamento das DTM. Foram excluídos relatos de caso isolados, editoriais, cartas ao editor e estudos que não apresentassem rigor metodológico claro ou acesso ao texto completo. A análise dos materiais selecionados focou na extração de informações relevantes sobre anatomia, classificação, fatores de risco, protocolos diagnósticos e eficácia das intervenções terapêuticas, permitindo uma síntese crítica e integrada dos achados.
3. RESULTADOS
Os trabalhos que atenderam a todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, enquanto aqueles que não atenderam aos critérios estabelecidos ou que não apresentaram pertinência com o objetivo da revisão foram excluídos. Após a seleção, os estudos incluídos foram organizados na Tabela 1, contendo as seguintes informações: autor e ano de publicação, objetivo do estudo, principais resultados e conclusão
Tabela 1 - Estudos detalhados em tabela de resultados.
3.1 Anatomia e fisiologia da articulação temporomandibular
A ATM é classificada como uma articulação sinovial, bicondilar e elipsoide, permitindo movimentos complexos de rotação e translação. Sua estrutura inclui o côndilo mandibular, a fossa mandibular do osso temporal, a eminência articular e o disco articular fibrocartilaginoso. ((AMARAL; FERREIRA, 2023)) O disco divide a articulação em dois compartimentos distintos: o inferior, responsável pelos movimentos de rotação, e o superior, envolvido na translação. Esta configuração anatômica permite a ampla amplitude de movimento necessária para a mastigação e fala. A região apresenta vascularização e inervação abundantes, com contribuição do nervo auriculotemporal, explicando a sensibilidade dolorosa da região. A compreensão dessa anatomia funcional é fundamental para entender as patologias que acometem a região, como os deslocamentos discais e as alterações degenerativas. (PALOVCIK; THURZO, 2026)
3.2 Conceito e classificação das disfunções temporomandibulares
As DTM são categorizadas principalmente em dois grandes grupos: disfunções musculares (extracapsulares) e disfunções articulares (intracapsulares). As disfunções musculares envolvem dor e disfunção dos músculos da mastigação, enquanto as articulares afetam diretamente a ATM, incluindo deslocamentos do disco, artralgias e osteoartrites. O sistema DC/TMD oferece uma classificação padronizada, dividindo o diagnóstico em Eixo I (condições físicas) e Eixo II (avaliação psicossocial e de dor). Essa dualidade é crucial, pois reconhece que a experiência dolorosa é modulada por fatores centrais e periféricos. (MINERVINI et al., 2024)
3.3 Etiologia e fatores de risco
A etiologia das DTM é multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética, fatores ambientais e comportamentais. Fatores anatômicos, como a morfologia condilar, podem predispor a deslocamentos discais. (LOPES DE OLIVEIRA NETO et al., 2022) No entanto, a ênfase atual recai sobre os hábitos parafuncionais, especialmente o bruxismo (apertamento e ranger dos dentes), que gera sobrecarga mecânica e microtraumas nas estruturas articulares e musculares.
Fatores psicossociais desempenham papel central. Estresse, ansiedade e depressão estão fortemente associados à cronificação da dor e à intensificação dos sintomas. (DEL SORBO et al., 2026) A sensibilização central, um processo neuroplástico onde o sistema nervoso amplifica os sinais dolorosos, é frequentemente observada em pacientes com DTM crônica, especialmente naqueles com comorbidades como fibromialgia. Importante ressaltar que, embora alterações oclusais tenham sido historicamente culpadas, evidências recentes indicam que a oclusão não é um fator causal isolado ou primário, devendo sua influência ser vista com cautela e dentro do contexto multifatorial. (PIRES et al., 2024)
3.4 Principais sinais e sintomas
A dor é a queixa principal, podendo ser localizada na pré-auricular, músculos da mastigação, cabeça e pescoço. Ruídos articulares, como estalos (indicativos de deslocamento com redução) e crepitação (sugestiva de alterações degenerativas), são comuns. A limitação da abertura bucal, desvios e deflexões mandibulares durante o movimento são sinais objetivos de disfunção. Sintomas otológicos, como zumbido e sensação de ouvido tapado, também são frequentes devido à proximidade anatômica e inervação compartilhada. Cefaleias, especialmente do tipo tensional, são comorbidades frequentes, dificultando o diagnóstico diferencial. (BINGÜL et al., 2026)
3.5 Diagnóstico das disfunções temporomandibulares
O diagnóstico das DTM deve ser primordialmente clínico, baseado em anamnese detalhada e exame físico. A palpação dos músculos da mastigação e da ATM, juntamente com a avaliação da amplitude de movimento mandibular, são procedimentos essenciais. O protocolo DC/TMD estabelece critérios rigorosos para o diagnóstico, exigindo a reprodução da "dor familiar" do paciente durante os testes clínicos para confirmar o diagnóstico do Eixo I. O Eixo II avalia o impacto da dor na qualidade de vida, níveis de estresse e depressão, sendo indispensável para o planejamento terapêutico integral. O diagnóstico diferencial é crucial para excluir outras condições, como dores odontogênicas, neuralgias e doenças sistêmicas. (MINERVINI et al., 2024)
3.6 Exames complementares
Exames de imagem não são rotineiramente indicados para o diagnóstico inicial de DTM, sendo reservados para casos de trauma, suspeita de patologia estrutural grave ou falha do tratamento conservador. A radiografia panorâmica tem utilidade limitada na avaliação da ATM. A Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT) é superior para avaliar alterações ósseas degenerativas. A Ressonância Magnética (RM) é o método de escolha para visualizar o disco articular e tecidos moles, sendo essencial no planejamento de cirurgias ou em casos de deslocamento sem redução persistente. A ultrassonografia emerge como uma ferramenta promissora, não invasiva e dinâmica, útil para avaliar a espessura muscular e movimentos condilares, embora sua precisão dependa da experiência do operador. (PALOVCIK; THURZO, 2026)
3.7 Abordagens terapêuticas
O tratamento das DTM evoluiu para um modelo de cuidado escalonado, priorizando terapias conservadoras e reversíveis. A educação do paciente e o autocuidado, incluindo modificação de dieta e controle de hábitos parafuncionais, constituem a base do tratamento. A fisioterapia, com exercícios de alongamento, fortalecimento e terapia manual, demonstra eficácia na redução da dor e melhoria da mobilidade. ((RESENDE COELHO et al., 2024)) Placas oclusais (órteses) são amplamente utilizadas, especialmente para proteção dental em casos de bruxismo e alívio muscular, embora seu mecanismo de ação exato ainda seja debatido. (DEL SORBO et al., 2026)
A farmacoterapia, incluindo anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), relaxantes musculares e, em casos de dor crônica, antidepressivos tricíclicos ou anticonvulsivantes, pode ser coadjuvante. Terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), são eficazes no manejo da dor crônica e dos fatores psicossociais associados. Procedimentos minimamente invasivos, como artrocentese e laserterapia, podem ser considerados em casos selecionados. A cirurgia aberta é reservada para casos graves de anquilose, tumores ou falha de todos os outros tratamentos. (SHIMADA et al., 2023)
3.8 Abordagem multidisciplinar
Dada a natureza biopsicossocial das DTM, a abordagem multidisciplinar é fundamental. A colaboração entre cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, médicos e fonoaudiólogos permite um tratamento integral. O fonoaudiólogo atua na reeducação postural e funcional da musculatura orofacial. O psicólogo aborda os componentes emocionais e comportamentais. Essa integração garante que todas as dimensões da saúde do paciente sejam consideradas, otimizando os resultados terapêuticos. (DEL SORBO et al., 2026)
3.9 Evidências atuais e perspectivas terapêuticas
Estudos recentes reforçam a eficácia das terapias conservadoras. Revisões sistemáticas indicam que a terapia exercitadora é eficaz para alívio da dor e melhoria da mobilidade. ((RESENDE COELHO et al., 2024)) A controvérsia sobre o uso de placas oclusais persiste, com evidências sugerindo benefícios principalmente relacionados à proteção dentária e ao alívio sintomático, mas não necessariamente na correção de deslocamentos discais a longo prazo. A glucosamina oral tem sido investigada para osteoartrite da ATM, mostrando propriedades anti-inflamatórias e potencial regenerativo, embora mais estudos sejam necessários. A tendência futura aponta para terapias personalizadas, utilizando biomarcadores e imagens avançadas para prever a resposta ao tratamento. (DEL SORBO et al., 2026)
4. DISCUSSÃO
Os estudos analisados apontam para uma compreensão multifatorial das disfunções temporomandibulares, envolvendo a participação de fatores físicos, comportamentais e psicossociais. Nesse sentido, a DTM não deve ser compreendida apenas como uma alteração localizada na articulação temporomandibular, uma vez que aspectos relacionados ao estresse, à ansiedade, aos hábitos parafuncionais e à experiência individual de dor também podem estar associados à manifestação e à manutenção dos sintomas.
Essa perspectiva também é observada nos estudos que investigaram os fatores etiológicos das DTM. Warzocha et al. (2024) destacaram a relação entre fatores psicossociais, hábitos parafuncionais e aspectos ambientais e comportamentais, reforçando a ausência de um único fator responsável pelo desenvolvimento da condição. De forma semelhante, Lopes de Oliveira Neto et al. (2022) observaram que as manifestações dolorosas da DTM podem estar associadas a repercussões emocionais e alterações na qualidade de vida. Esses achados reforçam a importância de considerar diferentes dimensões durante a avaliação do paciente.
Em relação ao diagnóstico, os estudos analisados ressaltam a importância de uma avaliação clínica organizada e da utilização de critérios diagnósticos padronizados. O DC/TMD possibilita a avaliação dos aspectos físicos e psicossociais relacionados às DTM, contribuindo para uma análise mais abrangente do paciente. Minervini et al. (2024), ao avaliarem os componentes dos critérios diagnósticos, destacaram a relevância da consideração dos aspectos psicossociais associados à condição. Dessa maneira, a avaliação não deve se limitar à identificação das alterações articulares ou musculares, especialmente nos pacientes com dor persistente ou com maior impacto funcional.
Quanto às modalidades terapêuticas, os estudos apresentam resultados favoráveis às estratégias conservadoras, embora existam diferenças quanto à indicação e à resposta a cada intervenção. Shimada et al. (2023) identificaram benefícios da terapia por exercícios na redução da dor e na melhora da mobilidade mandibular. Amaral e Ferreira (2023) também destacaram a utilização de diferentes modalidades conservadoras, ressaltando a necessidade de adaptar o tratamento às características e à resposta de cada paciente.
As placas oclusais também apresentam resultados que devem ser interpretados de acordo com a finalidade do tratamento. Del Sorbo et al. (2026) apontaram benefícios principalmente relacionados ao controle dos sintomas e à proteção das estruturas dentárias, sem evidências suficientes para considerá-las como tratamento curativo para todas as formas de DTM. Assim, sua indicação deve estar relacionada às características clínicas apresentadas pelo paciente, evitando a utilização de uma única modalidade terapêutica para diferentes condições.
Outro aspecto relevante diz respeito aos pacientes que apresentam condições associadas à dor crônica. Resende Coelho et al. (2024) discutiram a relação entre DTM e fibromialgia, destacando a possibilidade de mecanismos comuns relacionados à sensibilização central e ao impacto psicossocial da dor. Esse aspecto demonstra que alguns pacientes podem necessitar de uma avaliação mais ampla, considerando condições que ultrapassam os limites da região orofacial.
Os estudos também apontam para a importância da abordagem multidisciplinar. A participação de diferentes profissionais pode ser necessária de acordo com as características clínicas e psicossociais apresentadas pelo paciente. A associação entre educação, autocuidado, fisioterapia e estratégias direcionadas aos fatores psicossociais pode contribuir para um tratamento mais individualizado. Entretanto, a escolha das intervenções deve considerar a condição clínica, os objetivos terapêuticos e as evidências disponíveis para cada modalidade.
De modo geral, os achados desta revisão indicam que o tratamento das DTM deve priorizar medidas conservadoras e reversíveis, especialmente como abordagem inicial. Intervenções mais invasivas podem ser consideradas em situações específicas, de acordo com o diagnóstico e a evolução clínica. Portanto, mais do que estabelecer uma única conduta terapêutica, a literatura analisada reforça a necessidade de avaliar individualmente cada paciente e acompanhar sua resposta ao tratamento.
5. CONCLUSÃO
As disfunções temporomandibulares apresentam etiologia multifatorial e envolvem a interação de fatores biomecânicos, comportamentais e psicossociais. Nesse contexto, a compreensão da condição deve ultrapassar uma perspectiva exclusivamente mecânica, considerando a complexidade da experiência dolorosa e suas repercussões funcionais e psicossociais.
O diagnóstico clínico, associado aos critérios diagnósticos para disfunções temporomandibulares (DC/TMD), contribui para uma avaliação mais padronizada dos componentes físicos e psicossociais relacionados à condição. Os exames de imagem apresentam papel complementar e devem ser indicados de acordo com a necessidade clínica e a hipótese diagnóstica.
Quanto ao tratamento, a literatura analisada sustenta a importância de estratégias conservadoras, reversíveis e individualizadas, incluindo educação do paciente, autocuidado, fisioterapia e, quando indicado, intervenções voltadas aos aspectos psicossociais. Procedimentos invasivos devem ser considerados de maneira criteriosa e em situações clínicas específicas.
Dessa forma, o manejo das DTM deve considerar as particularidades de cada paciente e a integração dos diferentes fatores envolvidos na condição. Novos estudos são necessários para ampliar a compreensão dos mecanismos relacionados à persistência da dor e para aperfeiçoar estratégias terapêuticas individualizadas.
REFERÊNCIAS
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