Terapia de reposição hormonal (TRH) na qualidade de vida e risco de doenças em mulheres no climatério e pós-menopausa
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO:

Introdução: O climatério e a pós-menopausa representam fases marcadas por declínio estrogênico e importantes repercussões na saúde física, emocional e metabólica da mulher. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) tem sido indicada como estratégia para reduzir sintomas vasomotores, melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças associadas ao hipoestrogenismo. O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos da TRH na qualidade de vida e nos riscos de doenças cardiovasculares e osteoporose em mulheres no climatério e pós-menopausa. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada na base de dados PubMed, utilizando descritores em português e inglês relacionados à menopausa, terapia hormonal e saúde da mulher. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, com texto completo e gratuitos, resultando em 46 estudos inicialmente identificados. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 10 artigos foram selecionados para análise. Resultados: Os resultados mostram que a TRH é eficaz na redução de ondas de calor, suores noturnos, distúrbios do sono e alterações de humor. Estudos também evidenciam benefícios cognitivos quando a terapia é iniciada precocemente, especialmente em mulheres com risco aumentado para declínio neurológico. Em relação à saúde óssea, a TRH mostrou-se benéfica na preservação da densidade mineral óssea e na prevenção de fraturas. Por outro lado, seu uso está associado a riscos aumentados de tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral, câncer de mama e endométrio, especialmente quando iniciada após os 60 anos ou mais de 10 anos do início da menopausa, reforçando a importância da “hipótese da janela de oportunidade”. Conclusão: Conclui-se que a TRH pode melhorar significativamente a qualidade de vida e oferecer benefícios adicionais à saúde, desde que utilizada de forma individualizada, iniciada no período adequado e acompanhada por profissionais capacitados, assegurando a melhor relação risco-benefício para cada paciente.

Palavras-chave: menopausa, terapia hormonal, estrogênios, mulheres.

ABSTRACT:

Introduction: Climacteric and postmenopause are phases marked by estrogen decline and significant repercussions on women’s physical, emotional, and metabolic health. Hormone Replacement Therapy (HRT) is widely used to reduce vasomotor symptoms, improve quality of life, and prevent conditions associated with hypoestrogenism. This study aimed to analyze the effects of HRT on quality of life and the risks of cardiovascular disease and osteoporosis in climacteric and postmenopausal women. Methodology: A bibliographic review was conducted using the PubMed database, with Portuguese and English descriptors related to menopause, hormone therapy, and women’s health. Articles published between 2020 and 2025, available in full and free of charge, were included. A total of 46 studies were identified, and after applying inclusion and exclusion criteria, 10 articles were selected for final analysis. Results: Results show that HRT effectively reduces hot flashes, night sweats, sleep disturbances, and mood changes. Evidence also indicates cognitive benefits, particularly when therapy is initiated early, especially among women at higher risk for neurological decline. Regarding bone health, HRT demonstrated protective effects on bone mineral density and fracture prevention. However, HRT is associated with increased risks of venous thromboembolism, stroke, breast cancer, and endometrial cancer, especially when started after age 60 or more than 10 years after menopause onset, supporting the “timing hypothesis”. Conclusion: In conclusion, HRT can significantly improve quality of life and provide additional health benefits when used in an individualized manner, initiated at the appropriate time, and monitored by specialized healthcare professionals, ensuring an optimal risk-benefit balance for each patient.

Keywords: menopause, hormone therapy, Estrogen, Women.

INTRODUÇÃO:

A mulher desde o seu nascimento passa diversas mudanças hormonais e fisiológicas dentro variadas fases da vida. No início da juventude vem as mudanças hormonais da puberdade que trazem consigo mudanças corporais e a ocorrência da menarca que marca o início do período reprodutivo feminino com a primeira menstruação. Esse período geralmente ocorre entre os 10 e 14 anos. Já o período que compreende a transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher é denominado climatério. Dentro dessa fase, ocorre a menopausa que é um marco fisiológico caracterizado pelo último ciclo menstrual que é determinado pela cessação da menstruação após 12 meses da sua ocorrência, resultante da perda natural da função ovariana que ocorre geralmente entre 48 e 50 anos de idade.1

A menopausa é causada por mudanças nos hormônios do hipotálamo e da hipófise, como também pela incapacidade do ovário de responder aos hormônios hipofisárias pela perda de folículos ovarianos, como resultado do apoptose. Outra causa da menopausa pode ser por resultado de uma cirurgia ou insuficiência ovariana precoce decorrente de fatores imunológicos, metabólicos e genéticos. Estimasse que uma mulher libere durante sua vida reprodutiva cerca de 500 oócitos. Uma das consequências da remoção cirúrgica ovariana é a ocorrência de endometriose grave e até mesmo processos cancerígenos na cérvice e ovários. A quimioterapia com ciclofosfamida e antraciclina também pode causar a condição.2

A transição para a pós-menopausa é caracterizada por uma deficiência de estrógeno que desencadeia vários sintomas. Os sintomas mais comuns podem ser divididos em sintomas vasomotores, ondas de calor e suores noturnos, que afetam cerca de 75% das mulheres e problemas psicológicos como mudanças de humor, ansiedade, depressão. Existem também as alterações crônicas incluem a Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM), disfunção sexual, mudanças cardiovasculares, neurológicas, esqueléticas como a osteoporose, e dermatológicas.3,4 A deterioração desses sistemas está diretamente ligada à distribuição dos receptores estrogênicos (ERs) por todo o corpo (Fig 1). A diminuição gradativa de estrógeno faz com que haja uma diminuição na sensibilidade e no número de receptores de estrógeno alfa. E a longo prazo, com níveis consistentemente baixos pode haver mudanças na expressão relativa dos receptores alfa e beta. A prevalência e severidade desses sintomas têm um impacto na qualidade de vida das mulheres devido a diminuição da ativação de receptor alfa no hipocampo está relacionada a memória e cognição. 5,6

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) foi amplamente usada, muitas vezes para a prevenção primária de doenças crônicas como osteoporose, câncer colorretal e diabetes Mellitus 2. Estudos não demonstraram benefícios para a prevenção primária ou secundaria de doenças cardiovasculares. Esses estudos revelaram um aumento no risco de eventos cardiovasculares e câncer de mama e endométrio devido a ação do estrógeno quando usados isoladamente em mulher que tem útero causa a proliferação de células tanto mamarias quanto células do endométrio. Já para as mulheres com sintomas vasomotores a TRH é o tratamento mais eficaz para o alivio dos sintomas. Mulheres jovens (menos de 60 anos) ou dentro de 10 anos após o inicio da menopausa tem um risco cardiovascular menor.7

Com isso, O objetivo deste estudo é analisar os efeitos da TRH na qualidade de vida e nos riscos associados a doenças cardiovasculares e osteoporose em mulheres no climatério e pós-menopausa.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica. A busca pelos artigos científicos foi realizada utilizando a base de dados eletrônicos do PUBMED. Foram utilizadas palavras-chaves para uma busca mais efetiva. Os descritores em inglês foram: menopause, hormone therapy, Estrogen, Women. E em português foram: menopausa, terapia hormonal, estrogênios, mulheres. Foi estabelecido o período artigos publicados entre janeiro de 2020 até outubro de 2025, com texto completo e acesso gratuito nos idiomas inglês e português.

Como o objetivo principal do estudo é descrever os impactos da terapia hormonal na saúde da mulher pós-menopausa, foram estabelecidos critérios de inclusão e de exclusão. Foram incluídos estudos que tratassem sobre os efeitos da TRH na saúde pós-menopausa. Foram selecionados ensaios clínicos, meta-analise, estudos observacionais. E excluídos artigos que não estivessem disponibilizados completos gratuitos e que não tratassem sobre mulheres na pós-menopausa. E períodos inferiores a 2020, textos que só disponibilizam o resumo em outros idiomas que não em em português e inglês)

Foram encontrados 46 artigos descritos no canal de busca PUBMED. Para a primeira etapa de analise foram lidos os títulos e selecionados aqueles que se enquadravam nos critérios de inclusão. Logo após foram lidos os resumos para uma segunda triagem e, por fim deu-se início a leitura dos estudos completos gratuitos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Após a realização da seleção dos artigos aplicando os critérios de inclusão e exclusão, chegou-se ao total de 10 artigos que correlacionam a TRH com fatores de qualidade de vida e risco associado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer. A tabela 1 sumariza os principais achados da busca reunindo dados qualitativos e quantitativos.

O declínio estrogênico é a principal causa dos vasomotores, como as ondas de calor e os suores noturnos. A TRH é altamente eficaz em reduzir tanto a frequência quanto a severidade desses sintomas. Em ensaios clínicos, a avaliação da eficácia do tratamento dos vasomotores é realizada por meio de medidas padronizadas de resultados relatados pela paciente, como o Hot Flash Daily Diary (HFDD) e o questionário Menopause-Specific Quality of Life (MENQOL). O que se observa é que, do ponto de vista da paciente, uma redução de sintomas moderados ou graves em 24 horas já é considerada uma melhoria clinicamente significativa, demonstrando o impacto que mesmo pequenas alterações podem ter no bem-estar diário.17 ,18

Quando se trata de qualidade de vida, o sono tem uma grande influência na saúde física e psicológica do indivíduo. Além do uso de tratamentos hormonais, deve-se também ser aplicado atividades de educação em relação a higiene do sono e controle de estímulos. Terapias farmacológicas secundarias com o uso de benzodiazepínicos e antagonistas de GABA-A, como zolpidem, zoplicona, eszoplicona auxiliam no tratamento e no bem-estar da mulher nesse período. A combinação de estrógeno-progesterona resulta numa melhora na qualidade de sono das mulheres que fazem reposição resultando numa maior frequência do sono REM e uma diminuição do tempo de vigília. Outras intervenções para uma melhoria na qualidade de vida proporcionada pela terapia hormonal é a combinação da terapia com mudanças de hábitos de estilo de vida. Mulheres que fazem atividade física demonstraram ter uma melhoria na qualidade do sono quanto nas funções cognitivas. 18,9,

Frequentemente a TRH tem sido associada a um risco cardiovascular em mulheres acima de 60 anos. E, quando aplicada a terapia em mulheres entre 50 e 59 anos foi observado um risco diminuído de risco cardiovascular. Em alguns dos estudos encontrados se fala sobre Timing ou “Hipótese da janela de oportunidade” que se refere ao período ideal para o inicio da terapia. Eles afirmam que o inicio da terapia nos 10 primeiros anos da menopausa seriam cruciais para a eficácia do tratamento e a diminuição dos riscos.19,14

A TRH demostra ter benefícios na prevenção de osteoporose e fraturas. O Reino Unido estabeleceu através do NICE (Instituto Nacional de Excelência em saúde e Cuidados) diretrizes que recomendam o uso da TRH para prevenção da osteoporose e fraturas. Um estudo de revisão demostrou que outros 18 estudos evidenciaram a redução de fraturas com TRH.16, 19, 20

Devido ao risco elevado de recorrência do câncer de mama, especialmente em casos com receptor de estrogênio positivo, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) sistêmica é geralmente desaconselhada para a maioria das sobreviventes. Contudo, em um processo de tomada de decisão compartilhada, o uso pode ser considerado como exceção, avaliando-se cuidadosamente o impacto na qualidade de vida da paciente ou quando o risco de recorrência é considerado baixo. Estudos e revisões recentes também sugerem que a TRH sistêmica pode ser segura para aquelas que já concluíram o tratamento com tamoxifeno ou inibidores da aromatase. Para a síndrome geniturinária da menopausa, a terapia local com estrogênio de baixa dose (no tecido vulvovaginal) pode ser empregada após a avaliação individual de riscos e benefícios. Em situações específicas, como após mastectomia profilática ou em pacientes com câncer de mama triplo-negativo que não responderam a outras terapias, a TRH também pode ser considerada com base em uma avaliação individualizada de risco-benefício.15, 20, 21

CONCLUSÃO:

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) demonstrou ser uma importante aliada na melhoria da qualidade de vida de mulheres no climatério e na pós-menopausa, especialmente na redução dos sintomas vasomotores, distúrbios do sono e alterações de humor que impactam o bem-estar físico e psicológico. Além disso, evidências apontam benefícios significativos na prevenção da osteoporose e na preservação da densidade mineral óssea, reduzindo o risco de fraturas e promovendo melhor saúde musculoesquelética.

Contudo, os resultados também indicam que a TRH não está isenta de riscos, principalmente quando iniciada tardiamente ou utilizada por longos períodos. Há associação com aumento da incidência de eventos cardiovasculares e de certos tipos de câncer, como o de mama e endométrio, exigindo cautela na sua prescrição.

Dessa forma, conclui-se que a TRH pode trazer benefícios relevantes para mulheres no climatério e pós-menopausa, desde que utilizada de forma criteriosa, individualizada e sob acompanhamento médico especializado. A decisão pelo uso deve considerar o momento de início da terapia, o perfil de risco da paciente e a avaliação contínua dos efeitos, garantindo um equilíbrio adequado entre os riscos e os benefícios do tratamento.

REFERÊNCIAS:

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  1. Graduanda no curso de Farmácia da Universidade de Salvador - UNIFACS. ↑

  2. Graduanda no curso de Farmácia da Universidade de Salvador - UNIFACS. ↑

  3. Graduanda no curso de Farmácia da Universidade de Salvador - UNIFACS. ↑

  4. Docente do curso de Farmácia da Universidade de Salvador - UNIFACS. ↑

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