RESUMO
Recursos de origem vegetal, incluindo preparações fitoterápicas e óleos essenciais, vêm sendo investigados como estratégias complementares no cuidado em saúde e na reabilitação. O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis sobre o uso de recursos de origem vegetal como estratégias complementares à Fisioterapia, caracterizando suas aplicações, os desfechos clínicos avaliados e as limitações metodológicas dos estudos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Physiotherapy Evidence Database (PEDro), com inclusão de estudos publicados entre 2015 e 2026, em português, inglês ou espanhol. A busca identificou 245 registros; após a remoção de uma duplicata e a triagem por título e resumo, oito artigos foram avaliados em texto completo e seis compuseram a síntese final, totalizando 353 participantes. Foram investigadas osteoartrite de joelho, esclerose múltipla, dor cervical inespecífica e risco de quedas em idosos. Os recursos avaliados incluíram óleos essenciais de lavanda, Zanthoxylum limonella e bergamota, Zingiber cassumunar Roxb. e uma preparação de medicina herbal chinesa, empregados por aromaterapia, massagem, associação a exercícios e fonoforese. Os estudos relataram resultados favoráveis em desfechos como dor, funcionalidade, equilíbrio, mobilidade, força muscular, qualidade do sono e qualidade de vida. Entretanto, a heterogeneidade das populações, intervenções, comparadores, formas de aplicação e instrumentos de avaliação, além do número reduzido de estudos, limita a comparação entre os achados e impede atribuir os efeitos observados exclusivamente aos recursos vegetais quando utilizados em intervenções combinadas. Conclui-se que esses recursos apresentam potencial para investigação como estratégias complementares à assistência fisioterapêutica, mas as evidências disponíveis ainda são insuficientes para sustentar generalizações ou protocolos clínicos padronizados. São necessários estudos com maior rigor metodológico, grupos comparadores adequados e avaliação sistemática de segurança.
Palavras-chave: Aromaterapia; Fitoterapia; Reabilitação; Fonoforese; Práticas integrativas e complementares.
Abstract
Plant-based resources, including herbal preparations and essential oils, have been investigated as complementary strategies in healthcare and rehabilitation. This study aimed to analyze the available scientific evidence on the use of plant-based resources as complementary strategies to physiotherapy, characterizing their applications, the clinical outcomes assessed, and the methodological limitations of the studies. This is an integrative literature review conducted in the PubMed/MEDLINE, Virtual Health Library (VHL), Scientific Electronic Library Online (SciELO), and Physiotherapy Evidence Database (PEDro) databases, including studies published between 2015 and 2026 in Portuguese, English, or Spanish. The search identified 245 records; after the removal of one duplicate and screening by title and abstract, eight articles were assessed in full text, and six were included in the final synthesis, comprising a total of 353 participants. The studies investigated knee osteoarthritis, multiple sclerosis, nonspecific neck pain, and the risk of falls in older adults. The resources evaluated included essential oils of lavender, Zanthoxylum limonella and bergamot, Zingiber cassumunar Roxb., and a Chinese herbal medicine preparation, administered through aromatherapy, massage, combination with exercise, and phonophoresis. The studies reported favorable outcomes in measures such as pain, functionality, balance, mobility, muscle strength, sleep quality, and quality of life. However, the heterogeneity of the populations, interventions, comparators, methods of application, and assessment instruments, together with the limited number of studies, restricts comparisons among the findings and prevents the effects observed from being attributed exclusively to plant-based resources when used in combined interventions. It is concluded that these resources have potential for further investigation as complementary strategies in physiotherapy care; however, the available evidence remains insufficient to support generalizations or standardized clinical protocols. Further studies with greater methodological rigor, appropriate comparator groups, and systematic safety assessments are needed.
Keywords: Aromatherapy; Phytotherapy; Rehabilitation; Phonophoresis; Integrative and Complementary Practices.
1.INTRODUÇÃO
O uso de plantas medicinais acompanha a humanidade em diferentes sociedades ao longo dos anos, estando relacionado a conhecimentos e práticas tradicionais de cuidado em saúde. No Brasil, esse conhecimento foi fortemente influenciado pelas práticas tradicionais indígenas e posteriormente enriquecido pelas contribuições africanas e europeias, o que, associado à ampla biodiversidade do território nacional, consolidou uma importante herança cultural relacionada ao uso terapêutico das plantas (OLIVEIRA; MENINI NETO, 2012; SANTOS et al., 2019). Nesse contexto, é importante distinguir os conceitos relacionados ao uso terapêutico desses recursos. Entende-se por planta medicinal a espécie vegetal utilizada com finalidade terapêutica. A partir das plantas medicinais podem ser obtidas drogas vegetais, que podem constituir matéria-prima para a produção de medicamentos fitoterápicos, desenvolvidos a partir de processos que envolvem critérios de qualidade, segurança e eficácia.
No Brasil, desde 2006, a fitoterapia passou a integrar as políticas públicas de saúde por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC-SUS), sendo posteriormente acompanhada pela Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Essas políticas contribuíram para ampliar a discussão sobre o uso desses recursos no sistema de saúde e também para incentivar a utilização sustentável da biodiversidade brasileira. Dessa forma, a inserção das plantas medicinais e dos fitoterápicos no cuidado em saúde não se limita à disponibilização desses recursos, mas envolve também a necessidade de utilização baseada em conhecimentos científicos, indicações terapêuticas adequadas, qualidade, segurança e possíveis restrições ao seu uso. Na área da Fisioterapia, são acompanhados diferentes quadros clínicos e
condições que podem envolver processos inflamatórios, dor, alterações musculoesqueléticas e comprometimentos funcionais, além de condições neurológicas e reumatológicas. Nesse contexto, recursos derivados de plantas medicinais vêm sendo investigados como possíveis estratégias complementares às intervenções fisioterapêuticas convencionais. Entretanto, sua utilização deve considerar a aplicabilidade clínica, a segurança e a efetividade das intervenções, de acordo com as evidências científicas disponíveis.
As plantas medicinais apresentam composição química diversificada, formada por diferentes substâncias bioativas que vêm sendo investigadas por suas possíveis propriedades terapêuticas. Entre os componentes encontrados em determinadas espécies estão compostos fenólicos, flavonoides e terpenoides, relacionados, em estudos, a atividades analgésicas e anti-inflamatórias (BOUYAHYA et al., 2022). Essas características despertam interesse para condições que envolvem dor e processos inflamatórios, sintomas frequentemente presentes em indivíduos submetidos à assistência fisioterapêutica. Entretanto, a utilização de produtos de origem vegetal requer cautela, pois o fato de serem naturais não significa que estejam livres de efeitos indesejáveis. Dependendo da espécie, da composição, da forma de preparo e das condições individuais do usuário, podem ocorrer reações adversas, toxicidade e interações com medicamentos (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021). Além disso, a associação entre preparações vegetais e medicamentos convencionais merece atenção devido à possibilidade de interação entre seus componentes ativos (LIPPERT; RENNER, 2022). Portanto, a utilização desses recursos deve estar associada ao conhecimento de suas características, indicações e possíveis riscos, priorizando uma abordagem segura e racional. Apesar da quantidade crescente de pesquisas envolvendo plantas medicinais e fitoterápicos, ainda existem desafios para a consolidação das evidências disponíveis. Parte dessa dificuldade está relacionada às diferenças existentes entre os produtos investigados, sua composição química, formas de preparação e métodos empregados para avaliar seus efeitos. A caracterização adequada dos componentes presentes nas preparações vegetais e a padronização dos métodos de análise são aspectos importantes para que os resultados obtidos possam ser reproduzidos e interpretados de maneira confiável (INDRAYANTO, 2022). Pesquisas mais recentes também têm identificado limitações metodológicas em estudos clínicos com produtos vegetais, incluindo problemas relacionados à descrição dos componentes utilizados, controle de qualidade, tamanho das amostras e apresentação dos procedimentos metodológicos (LI et al., 2025). Nesse cenário, torna-se relevante reunir as evidências disponíveis sobre a utilização desses recursos em condições de interesse para a Fisioterapia, buscando compreender quais plantas medicinais e fitoterápicos vêm sendo investigadas, suas formas de utilização, os desfechos clínicos avaliados e as principais limitações presentes na literatura.
Diante desse cenário, torna-se pertinente reunir e analisar de forma organizada o conhecimento científico relacionado ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos em condições de interesse para a Fisioterapia. A sistematização dessas informações pode proporcionar uma compreensão mais ampla sobre os recursos que vêm sendo investigados, suas formas de utilização, os possíveis benefícios relatados e as limitações presentes nas pesquisas. Além disso, a identificação das lacunas existentes pode contribuir para indicar aspectos que necessitam de maior investigação e estimular a produção de estudos metodologicamente mais consistentes. Ressalta-se que esses recursos devem ser compreendidos como possibilidades complementares ao cuidado fisioterapêutico, e não como substitutos das intervenções convencionais, considerando sempre a segurança do paciente e a qualidade das evidências disponíveis. Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis sobre a utilização de plantas medicinais e fitoterápicos como recursos complementares no contexto da Fisioterapia.
- REFERENCIAL TEÓRICO
- – Plantas medicinais e fitoterápicos no cuidado em saúde
A utilização de plantas medicinais acompanha a trajetória histórica das sociedades e constitui uma das formas tradicionais de cuidado empregadas para prevenção, alívio e tratamento de diferentes condições de saúde. Mesmo com o desenvolvimento da indústria farmacêutica e dos medicamentos sintéticos, os produtos de origem vegetal permaneceram presentes tanto no conhecimento popular quanto nos sistemas formais de atenção à saúde. Atualmente, sua utilização também está inserida no campo das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, o que reforça a necessidade de compreender esses recursos não somente sob a perspectiva cultural, mas também considerando critérios científicos relacionados à eficácia, qualidade e segurança (BRASIL, 2006; PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).
Embora estejam relacionados, os conceitos de planta medicinal e fitoterápico não devem ser utilizados como sinônimos. De acordo com o Ministério da Saúde, a planta medicinal corresponde à espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com finalidade terapêutica ou profilática. Os fitoterápicos, por sua vez, são produtos obtidos a partir de plantas medicinais e podem ser disponibilizados em diferentes apresentações farmacêuticas. Nesse contexto, também se destaca a droga vegetal, constituída pela planta medicinal ou por suas partes após processos como coleta, estabilização e secagem, podendo apresentar-se íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada (BRASIL, 2016).
A utilização terapêutica das espécies vegetais envolve, portanto, diferentes níveis de processamento e formas de apresentação. Essa diferenciação é relevante porque a composição química e a concentração das substâncias presentes nos produtos podem variar conforme a espécie, a parte vegetal utilizada, o processamento e a preparação. Dessa forma, a utilização de uma planta diretamente pela população e o emprego de um produto fitoterápico submetido a procedimentos de produção e controle de qualidade representam situações distintas, ainda que ambos tenham origem vegetal.
No Brasil, a institucionalização dessas práticas no sistema público de saúde ganhou maior destaque a partir da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC), instituída em 2006. Entre as práticas contempladas encontra-se a fitoterapia, inserida em uma perspectiva de atenção integral à saúde. No mesmo ano, o Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, aprovou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), estabelecendo como objetivo garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional desses recursos, além de promover o uso sustentável da biodiversidade e o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional (BRASIL, 2006).
A implementação dessas políticas ampliou a discussão sobre a inserção das plantas medicinais e dos fitoterápicos nos serviços de saúde. A presença desses recursos no sistema de saúde não significa, entretanto, que qualquer preparação vegetal possa ser utilizada indiscriminadamente. A própria Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos estabelece princípios relacionados à segurança, eficácia e qualidade. Dessa maneira, a valorização do conhecimento tradicional deve estar associada à produção de evidências científicas, à regulamentação sanitária e à qualificação dos profissionais envolvidos na orientação e acompanhamento dos usuários (BRASIL, 2006; PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).
- Uso seguro e racional de plantas medicinais e fitoterápicos
Apesar da ampla utilização das plantas medicinais, a origem natural de um produto não representa garantia de ausência de riscos. A utilização inadequada pode estar relacionada a diferentes fatores, como identificação incorreta da espécie, doses inadequadas, utilização por períodos excessivos, contaminação, armazenamento impróprio e associação com medicamentos sem acompanhamento profissional. Dessa forma, a padronização da preparação e da administração constitui um aspecto importante para proporcionar maior previsibilidade dos efeitos e permitir uma avaliação adequada da eficácia e da segurança dos produtos (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).
As reações relacionadas ao uso de plantas medicinais podem incluir manifestações alérgicas, dermatites e fotossensibilização, além de interferências em processos fisiológicos e metabólicos. Também são descritas possibilidades de toxicidade hepática, renal e neurológica, demonstrando a importância da avaliação individual antes da utilização. Esses aspectos reforçam que a utilização de produtos vegetais deve considerar não apenas os efeitos terapêuticos esperados, mas também as características do usuário, a forma de utilização e os possíveis riscos envolvidos (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).
Outro aspecto relevante corresponde às possíveis interações entre produtos vegetais e medicamentos convencionais. Os constituintes das plantas podem interferir na absorção, metabolização e eliminação de determinados fármacos, modificando sua eficácia ou aumentando a possibilidade de efeitos adversos. A atenção deve ser ainda maior em indivíduos que utilizam medicamentos continuamente, idosos, gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas, situações em que a associação de diferentes substâncias pode representar maior risco (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).
Nesse contexto, o uso racional pressupõe que a escolha do recurso terapêutico seja baseada em indicação apropriada, produto de qualidade, dose adequada e período de utilização compatível com a finalidade terapêutica. A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos estabelece como um de seus fundamentos a ampliação do acesso acompanhada da promoção do uso seguro e racional, reforçando que a expansão desses recursos deve ocorrer juntamente com qualificação profissional, regulamentação e produção de conhecimento científico (BRASIL, 2006).
A orientação profissional assume, portanto, papel relevante na prevenção da automedicação e de práticas potencialmente prejudiciais. Conhecer as possíveis contraindicações, efeitos adversos e interações permite avaliar de maneira mais criteriosa a relação entre benefícios e riscos. Assim, o uso seguro de plantas medicinais e fitoterápicos depende não somente das propriedades terapêuticas atribuídas às espécies, mas também da qualidade das evidências que sustentam sua utilização.
2.3 Plantas medicinais e fitoterápicos no contexto da Fisioterapia
A Fisioterapia atua na promoção, prevenção, tratamento e recuperação de alterações relacionadas ao movimento e à funcionalidade humana, abrangendo diferentes áreas e condições clínicas. Dor, processos inflamatórios, doenças musculoesqueléticas e osteoarticulares, alterações neurológicas, comprometimento do equilíbrio, redução da mobilidade e limitações funcionais constituem exemplos de situações frequentemente abordadas durante a assistência fisioterapêutica. Nesse contexto, o estudo de recursos complementares que possam contribuir para o controle de sintomas e para a recuperação funcional apresenta relevância para a área.
Algumas plantas medicinais apresentam constituintes aos quais são atribuídas atividades analgésicas, anti-inflamatórias, antioxidantes, cicatrizantes ou relaxantes. No próprio Sistema Único de Saúde encontram-se fitoterápicos com indicações relacionadas a condições de interesse da reabilitação. O salgueiro (Salix alba), por exemplo, possui indicação relacionada à dor lombar aguda e apresenta atividade anti-inflamatória; a garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens) é utilizada para o alívio de dores articulares moderadas e lombalgia aguda; e a unha-de-gato (Uncaria tomentosa) apresenta indicação relacionada à atividade anti-inflamatória (BRASIL, 2026).
Além dos fitoterápicos administrados pelas formas tradicionais, diferentes produtos de origem vegetal vêm sendo investigados em associação com estratégias relacionadas à reabilitação. Entre as possibilidades encontram-se preparações tópicas, géis, óleos essenciais, massagens, recursos envolvendo administração transdérmica e outras modalidades complementares.
A eficácia dessas intervenções depende de fatores como o produto utilizado, a concentração, a via de administração, a população estudada, a condição clínica, a duração da intervenção e a qualidade metodológica da pesquisa. Portanto, a interpretação dos resultados deve considerar as características específicas de cada estudo e evitar extrapolações para situações que não foram investigadas.
Também é necessário destacar que a utilização de plantas medicinais e fitoterápicos no contexto desta revisão é compreendida como uma estratégia complementar. Esses recursos não devem ser interpretados como substitutos dos procedimentos convencionais de avaliação, prevenção e reabilitação fisioterapêutica. Sua possível utilização deve estar inserida em uma abordagem de cuidado baseada em evidências, segurança, acompanhamento adequado e integração com as demais estratégias terapêuticas utilizadas para cada condição clínica.
A análise da segurança também se torna fundamental nesse contexto. Produtos vegetais podem ocasionar eventos adversos e apresentar contraindicações, e determinadas vias de administração podem acrescentar riscos específicos. Além disso, quando uma pesquisa combina o produto vegetal com outras intervenções simultaneamente, pode haver dificuldade para determinar qual componente foi responsável pelo efeito observado.
Questões como ausência de cegamento, amostras pequenas, períodos curtos de acompanhamento, ausência de placebo e heterogeneidade dos protocolos também podem comprometer a interpretação e a generalização das evidências. Diante disso, a relação entre plantas medicinais, fitoterápicos e Fisioterapia deve ser analisada de maneira crítica, considerando simultaneamente eficácia, segurança, qualidade metodológica e aplicabilidade clínica.
A sistematização das evidências disponíveis possibilita identificar quais recursos vêm sendo investigados, as condições clínicas em que são empregados, suas formas de utilização e os principais desfechos relacionados à reabilitação. Essa análise também permite reconhecer limitações e lacunas existentes na literatura, fornecendo subsídios para compreender em que circunstâncias esses recursos podem apresentar potencial como estratégias complementares ao cuidado fisioterapêutico.
- METODOLOGIA
- Tipo de estudo
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e exploratório, destinada a reunir e analisar evidências científicas relacionadas à utilização de plantas medicinais e fitoterápicos como recursos complementares no contexto da Fisioterapia. A revisão integrativa é adequada por permitir a síntese de estudos com diferentes delineamentos metodológicos e a construção de uma visão abrangente do conhecimento disponível sobre o tema.
- pergunta norteadora
Quais aplicações, desfechos clínicos e limitações metodológicas têm sido descritos para o uso de recursos de origem vegetal como estratégias complementares à Fisioterapia?
- Estratégia de busca
A busca dos estudos foi realizada em bases de dados nacionais e internacionais, mediante o emprego de descritores controlados e termos livres em português e inglês, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram consultadas as plataformas PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Physiotherapy Evidence Database (PEDro). Foram utilizados os seguintes descritores e termos relacionados ao tema:
Português: Fitoterapia; Plantas Medicinais; Fisioterapia; Modalidades de Fisioterapia; Dor; Inflamação; Reabilitação.
Inglês: Phytotherapy; Medicinal Plants; Physical Therapy; Physical Therapy Modalities; Rehabilitation; Pain; Inflammation.
As estratégias de busca foram adaptadas às características de cada base de dados, considerando a combinação dos termos relacionados às plantas medicinais e fitoterápicos com aqueles relacionados à Fisioterapia, à reabilitação e às condições clínicas de interesse.
- Critérios de inclusão
Foram incluídos estudos publicados no período de 2015 a 2026, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que apresentassem investigação envolvendo plantas medicinais, fitoterápicos ou produtos de origem vegetal relacionados à assistência fisioterapêutica ou utilizados como recursos complementares em condições clínicas de interesse para a Fisioterapia.
Foram considerados estudos disponíveis na íntegra e que apresentassem resultados relacionados à utilização desses recursos, incluindo pesquisas com diferentes delineamentos metodológicos, desde que apresentassem relação direta com a questão norteadora da revisão.
- Critérios de exclusão
Foram excluídos estudos duplicados entre as bases de dados; artigos de revisão, cartas ao editor, resumos de eventos e estudos sem acesso ao texto completo; pesquisas de caráter exclusivamente etnobotânico ou que não apresentassem relação com a Fisioterapia; e estudos experimentais ou laboratoriais que não apresentassem aplicação ou relevância clínica relacionada ao objetivo desta revisão.
Também foram excluídos estudos que abordassem exclusivamente aspectos farmacológicos ou laboratoriais dos produtos vegetais, sem relação com intervenções ou condições de interesse para a assistência fisioterapêutica.
- Seleção dos estudos
A seleção dos estudos foi realizada em etapas sucessivas, com representação do processo de seleção em fluxograma no PRISMA. Inicialmente, foram identificados os registros nas bases de dados selecionadas. Em seguida, os resultados foram organizados e os estudos duplicados foram removidos.
Posteriormente, realizou-se a análise dos títulos e resumos, considerando os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Os estudos potencialmente elegíveis foram selecionados para leitura do texto completo, etapa em que foram verificadas sua adequação à questão norteadora e sua correspondência aos critérios definidos.
Ao final do processo de seleção, foram incluídos seis estudos na revisão integrativa. O processo completo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos encontra-se apresentado no fluxograma PRISMA.
- Extração e organização dos dados
Após a seleção dos estudos elegíveis, foi realizada a extração das informações consideradas relevantes para responder à questão norteadora. Os dados foram organizados em uma tabela elaborada pelos autores, contendo informações referentes à identificação dos estudos, país de realização, tamanho da amostra, recurso vegetal utilizado, condição clínica investigada, forma de aplicação e principais resultados.
A extração dos dados permitiu organizar as características dos estudos incluídos e possibilitou a comparação das diferentes formas de utilização das plantas medicinais e dos fitoterápicos no contexto das intervenções relacionadas à Fisioterapia.
- Análise dos dados
Os dados extraídos foram analisados de forma descritiva e organizados de acordo com as características dos estudos, recursos vegetais utilizados, condições clínicas investigadas, formas de aplicação, intervenções fisioterapêuticas associadas e principais desfechos avaliados.
Posteriormente, os resultados foram agrupados por temas, permitindo identificar as principais aplicações dos recursos de origem vegetal, os desfechos observados, as formas de associação com intervenções fisioterapêuticas e as limitações apresentadas pelos estudos incluídos.
A síntese dos resultados foi apresentada por meio de tabelas e descrição narrativa, possibilitando a comparação das evidências encontradas e a identificação de aspectos relevantes para a utilização de plantas medicinais e fitoterápicos como recursos complementares no contexto da Fisioterapia.
- RESULTADOS
- Processo de seleção dos estudos
A busca nas bases de dados identificou 245 registros. Após a remoção de 1 duplicata, permaneceram 244 registros para triagem por título e resumo. Nessa etapa, 236 registros foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, resultando em oito artigos para avaliação em texto completo.
Após a leitura dos textos completos, dois estudos foram excluídos, sendo um devido à indisponibilidade do texto completo e outro por não atender ao período previamente estabelecido para a revisão. Ao final do processo de seleção, seis estudos foram incluídos na revisão integrativa.
O processo de identificação, triagem, avaliação de elegibilidade e inclusão dos estudos está apresentado no fluxograma PRISMA.
- Caracterização dos estudos incluídos
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados seis estudos para compor esta revisão integrativa. As publicações incluídas foram realizadas entre 2016 e 2026 e apresentaram diferentes formas de utilização de recursos de origem vegetal e aroma terapêutico associados a intervenções relacionadas à Fisioterapia.
Os estudos avaliaram diferentes populações e condições clínicas, incluindo pessoas com esclerose múltipla, idosos com risco de quedas, indivíduos com dor cervical inespecífica e pacientes com osteoartrite de joelho. Entre os recursos utilizados, foram identificados óleo essencial de lavanda, óleo essencial de bergamota, óleo essencial de Zanthoxylum limonella, Zingiber cassumunar Roxb. e uma preparação de medicina herbal chinesa.
Quanto aos resultados, foram observadas respostas favoráveis em diferentes desfechos avaliados, principalmente relacionados ao equilíbrio, à dor e à funcionalidade. Entretanto, os estudos apresentaram diferenças quanto às características das amostras, às formas de aplicação dos recursos, à duração das intervenções e aos instrumentos utilizados para avaliação. As características dos estudos incluídos estão apresentadas na Tabela 2.
4.3 Principais plantas medicinais e fitoterápicos identificados
Entre os estudos incluídos, foram identificados diferentes recursos de origem vegetal utilizados como complemento às intervenções relacionadas à Fisioterapia. Os recursos encontrados incluíram óleo essencial de lavanda, óleo essencial de bergamota, óleo essencial de Zanthoxylum limonella, Zingiber cassumunar Roxb. e uma preparação de medicina herbal chinesa.
As formas de utilização variaram entre estímulo olfativo ou aromaterapia, utilização de óleo essencial associado a exercícios, massagem com óleo essencial e aplicação por fonoforese. A diversidade das formas de aplicação demonstra que os recursos de origem vegetal foram empregados em diferentes estratégias terapêuticas e condições clínicas. A forma de utilização e os principais desfechos avaliados estão apresentados na Tabela 3.
4.4 Condições clínicas e desfechos avaliados
As condições clínicas avaliadas nos estudos incluídos estiveram principalmente relacionadas a alterações musculoesqueléticas, neurológicas e ao risco de quedas. A osteoartrite de joelho foi a condição mais frequente, sendo investigada em três estudos. Os demais estudos abordaram esclerose múltipla, dor cervical inespecífica e risco de quedas em idosos.
Entre os principais desfechos avaliados, destacaram-se dor, funcionalidade, equilíbrio, mobilidade, força muscular, qualidade do sono, medo de quedas e qualidade de vida. De modo geral, foram observados resultados favoráveis associados às intervenções que utilizaram recursos de origem vegetal, especialmente em desfechos relacionados à dor, funcionalidade e equilíbrio. Entretanto, houve diferenças entre os estudos quanto às intervenções utilizadas, às populações avaliadas e aos instrumentos empregados para mensuração dos resultados.
- DISCUSSÃO
- Panorama das evidências encontradas
A presente revisão integrativa incluiu seis estudos que investigaram a utilização de recursos de origem vegetal e aromaterapêuticos associados a intervenções relacionadas à Fisioterapia. As condições avaliadas envolveram principalmente a osteoartrite de joelho, além de esclerose múltipla, dor cervical inespecífica e risco de quedas em idosos. Entre os recursos identificados, destacaram-se os óleos essenciais de lavanda, Zanthoxylum limonella e bergamota, além de Zingiber cassumunar Roxb. e uma preparação de medicina herbal chinesa. Os principais desfechos avaliados foram dor, funcionalidade, equilíbrio, mobilidade, força muscular, qualidade do sono e qualidade de vida.
A osteoartrite de joelho foi a condição mais frequente entre os estudos incluídos, sendo investigada por Döner et al. (2024), Joshi e Phansopkar (2022) e Zhao et al. (2016). Os demais estudos abordaram condições distintas, o que demonstra a diversidade de aplicações dos recursos vegetais investigados no contexto da reabilitação. Essa diversidade, entretanto, também representa um fator que dificulta a comparação direta entre os resultados, uma vez que os estudos apresentaram diferentes populações, intervenções, formas de aplicação e instrumentos de avaliação.
- Aplicações e potenciais benefícios
Os estudos analisados apresentaram resultados favoráveis em diferentes desfechos relacionados à reabilitação, embora esses resultados devam ser interpretados considerando as características específicas de cada intervenção. No estudo de Seddighi-Khavidak et al. (2022), a associação entre estímulo olfativo com óleo de lavanda e reabilitação vestibular apresentou resultados favoráveis em medidas de equilíbrio, mobilidade e medo de quedas. Esses achados sugerem possível contribuição da intervenção complementar para determinados aspectos relacionados à funcionalidade de pessoas com esclerose múltipla. Entretanto, como o óleo foi utilizado em conjunto com a reabilitação vestibular, não é possível atribuir os resultados exclusivamente à lavanda.
Areeudomwong et al. (2023) investigaram a associação entre óleo essencial de Zanthoxylum limonella e exercícios voltados ao equilíbrio em idosos com risco de quedas. Foram identificadas diferenças entre os grupos em algumas medidas de equilíbrio estático e força dos flexores plantares. Os resultados também demonstraram melhora em diferentes parâmetros após a realização dos exercícios, indicando a importância de considerar o efeito da própria intervenção física na interpretação dos achados.
Na dor cervical inespecífica, Aytar et al. (2026) compararam três grupos: aromaterapia, técnica de energia muscular e controle. Os resultados indicaram melhora da dor, da incapacidade e da qualidade do sono nos grupos de intervenção em comparação ao controle. Contudo, o desenho do estudo não permite interpretar esses resultados como efeito de uma associação entre aromaterapia e exercícios, uma vez que as intervenções foram avaliadas em grupos distintos.
Na osteoartrite de joelho, Döner et al. (2024), Joshi e Phansopkar (2022) e Zhao et al. (2016) investigaram diferentes recursos de origem vegetal associados a modalidades terapêuticas. Os estudos apresentaram resultados favoráveis em determinados desfechos relacionados à dor e à funcionalidade. Entretanto, as intervenções foram diferentes entre si, envolvendo aromaterapia por massagem, fonoforese com Zingiber cassumunar e fonoforese com preparação de medicina herbal chinesa. Portanto, embora exista convergência quanto ao interesse dos recursos vegetais para o manejo de condições musculoesqueléticas, não é possível estabelecer equivalência entre os produtos ou afirmar que todos apresentem o mesmo efeito terapêutico.
De maneira geral, os achados indicam que recursos vegetais vêm sendo investigados como estratégias complementares em diferentes situações relacionadas à reabilitação. Entretanto, os resultados favoráveis observados em estudos individuais não devem ser interpretados como comprovação geral da efetividade dos produtos vegetais isoladamente, principalmente quando estes são empregados simultaneamente a exercícios, massagens, reabilitação vestibular ou outras modalidades fisioterapêuticas.
5.3 Recursos de origem vegetal como uso complementar à Fisioterapia
Os achados desta revisão permitem compreender a fitoterapia e a aromaterapia como possibilidades complementares às intervenções fisioterapêuticas, e não como substitutas dos recursos utilizados na reabilitação. Nos estudos incluídos, os recursos vegetais foram empregados em diferentes associações com estratégias terapêuticas, incluindo exercícios terapêuticos, reabilitação vestibular, massagem, fisioterapia convencional e fonoforese.
Essa característica é relevante para a interpretação dos resultados, pois a utilização conjunta de diferentes modalidades dificulta a identificação da contribuição individual de cada componente da intervenção. Por outro lado, a associação entre recursos vegetais e estratégias fisioterapêuticas representa uma possibilidade de investigação de abordagens integradas, desde que sejam estabelecidos protocolos adequados e critérios claros para avaliação dos resultados.
Nesse contexto, a utilização desses recursos deve considerar a condição clínica do indivíduo, a forma de administração, a concentração e a duração da intervenção, além das características do produto empregado. A aplicação clínica também deve estar relacionada à qualidade das evidências disponíveis e aos aspectos de segurança, evitando que resultados de estudos específicos sejam generalizados para produtos, condições ou populações que não foram investigados.
Assim, os resultados encontrados reforçam a necessidade de compreender os recursos vegetais dentro de uma abordagem baseada em evidências. A possibilidade de utilização complementar não significa que esses recursos devam substituir intervenções fisioterapêuticas convencionais, mas que podem ser investigados em associação a elas quando houver fundamentação científica e condições adequadas de segurança.
5.4 Segurança e limitações
A segurança constitui um aspecto importante na análise de plantas medicinais, fitoterápicos e produtos aromaterapêuticos. Apesar de os recursos investigados apresentarem origem vegetal, sua utilização não pode ser considerada automaticamente segura. A forma de preparação, a concentração, a via de administração e as características individuais podem interferir nos efeitos produzidos.
No contexto dos estudos incluídos, também é necessário considerar que os recursos vegetais foram empregados por diferentes vias e em diferentes associações terapêuticas. Dessa forma, os resultados relacionados à segurança de uma determinada intervenção não devem ser automaticamente extrapolados para outras formas de utilização ou para outros produtos vegetais.
Outra limitação importante corresponde à heterogeneidade dos estudos incluídos. As pesquisas apresentaram diferenças quanto às populações avaliadas, condições clínicas, recursos utilizados, formas de aplicação, duração das intervenções, grupos comparadores e instrumentos de avaliação. Essa diversidade dificulta a realização de comparações diretas e impede a elaboração de uma conclusão única sobre a efetividade dos recursos investigados.
Também deve ser considerada a quantidade reduzida de estudos encontrados que apresentaram relação direta com a questão norteadora. Embora os seis estudos tenham apresentado resultados relevantes para diferentes desfechos, a quantidade limitada de evidências disponíveis restringe a possibilidade de generalização dos achados para outras populações e condições clínicas.
Além disso, a interpretação dos resultados deve considerar a influência das intervenções fisioterapêuticas realizadas simultaneamente aos recursos vegetais. Quando diferentes modalidades são aplicadas em conjunto, torna-se necessário analisar cuidadosamente os grupos de comparação para determinar em que medida os resultados observados podem ser relacionados ao recurso vegetal investigado.
5.5 Lacunas e perspectivas futuras
Os estudos analisados evidenciam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre a utilização de recursos fitoterápicos e aromaterapêuticos associados à Fisioterapia. Apesar dos resultados favoráveis observados em diferentes desfechos, o número reduzido de estudos e a heterogeneidade dos protocolos dificultam a comparação dos achados e a generalização dos resultados.
Nesse sentido, novos ensaios clínicos podem contribuir para ampliar a qualidade das evidências, especialmente quando apresentarem amostras maiores, protocolos bem definidos e descrição detalhada das características dos produtos utilizados. Também são relevantes pesquisas com maior padronização das doses, formulações, formas de aplicação e períodos de acompanhamento.
Outra necessidade identificada corresponde à realização de estudos que investiguem de maneira mais direta a associação entre recursos vegetais e protocolos fisioterapêuticos. A utilização de grupos comparadores adequados pode auxiliar na identificação da contribuição específica do recurso vegetal dentro da intervenção, reduzindo a dificuldade de interpretar resultados provenientes de tratamentos combinados.
Por fim, pesquisas futuras devem contemplar não apenas os possíveis benefícios, mas também aspectos relacionados à segurança e à ocorrência de eventos adversos. A produção de evidências mais consistentes poderá contribuir para determinar em quais condições os recursos vegetais apresentam potencial de utilização complementar na Fisioterapia, sempre considerando as características da população, da intervenção e da condição clínica investigada.
6. CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa reuniu seis estudos que investigaram a utilização de recursos de origem vegetal e aromaterapêuticos associados a intervenções relacionadas à Fisioterapia, abrangendo diferentes condições clínicas, como osteoartrite de joelho, esclerose múltipla, dor cervical inespecífica e risco de quedas em idosos.
Os estudos identificaram resultados favoráveis em diferentes desfechos relacionados à reabilitação, incluindo dor, funcionalidade, equilíbrio, mobilidade, força muscular, qualidade do sono e qualidade de vida. Entretanto, as diferenças entre as populações, os recursos utilizados, as formas de aplicação, os protocolos terapêuticos e os instrumentos de avaliação dificultam a comparação direta dos resultados e impedem a generalização dos achados para outras condições clínicas ou populações.
Observou-se ainda que, nos estudos incluídos, os recursos vegetais foram utilizados em associação com diferentes intervenções, como exercícios terapêuticos, reabilitação vestibular, massagem, fisioterapia convencional e fonoforese. Dessa forma, os resultados encontrados não permitem atribuir os efeitos observados exclusivamente aos recursos vegetais, reforçando a necessidade de interpretar essas intervenções como possibilidades complementares ao cuidado fisioterapêutico.
O objetivo da revisão foi alcançado ao reunir e analisar as evidências disponíveis sobre a utilização de plantas medicinais e fitoterápicos como recursos complementares no contexto da Fisioterapia, identificando suas principais aplicações, os desfechos investigados e as limitações presentes na literatura. Apesar dos resultados favoráveis observados em alguns estudos, a quantidade reduzida de pesquisas e a heterogeneidade das intervenções evidenciam a necessidade de ampliar a produção científica sobre o tema.
Recomenda-se, portanto, a realização de novos estudos clínicos com amostras maiores, protocolos padronizados, descrição adequada dos produtos utilizados, grupos comparadores apropriados e acompanhamento suficiente para avaliar tanto os possíveis benefícios quanto os aspectos relacionados à segurança. A produção de evidências mais consistentes poderá contribuir para uma utilização mais segura e fundamentada desses recursos como estratégias complementares à assistência fisioterapêutica.
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