Arte fotográfica no cotidiano da pesca do Pirarucu: arte, ciência e matemática na comunidade.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

O projeto interdisciplinar Arte fotográfica no cotidiano da pesca do pirarucu: arte, ciência e matemática na comunidade, a ser desenvolvido na Escola Municipal Professora Darcy Barbosa Litaiff, em Maraã, Amazonas, destina-se aos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e parte do reconhecimento de que a pesca integra a realidade social, econômica e cultural desses sujeitos. O objetivo é utilizar a fotografia como ferramenta de registro e expressão, integrando os saberes práticos dos alunos sobre a pesca a investigações científicas, sociais, históricas, matemáticas e corporais. Fundamentada nos princípios da Educação Popular e da Andragogia e articulada à Base Nacional Comum Curricular, a proposta será desenvolvida ao longo de doze semanas, em três etapas: sensibilização e coleta, investigação interdisciplinar e produção e culminância. Envolve os componentes curriculares de Educação Física, Arte, Língua Portuguesa, Ciências da Natureza, Matemática, História e Geografia, por meio de entrevistas, registros fotográficos, rodas de conversa, oficinas, produção de textos, construção de tabelas e gráficos, estudos de campo e cartografia social. A avaliação será processual, contínua e formativa. O projeto culmina na I Mostra Fotográfica Interdisciplinar e espera fortalecer a autoestima e o protagonismo dos estudantes, ampliar seu repertório de conhecimentos e aproximar a escola da comunidade pesqueira local.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; fotografia; pesca artesanal; interdisciplinaridade; Amazônia.

ABSTRACT

The interdisciplinary project Photographic art in the daily life of pirarucu fishing: art, science and mathematics in the community, to be carried out at the Escola Municipal Professora Darcy Barbosa Litaiff, in Maraã, Amazonas, Brazil, is aimed at students of Youth and Adult Education (EJA) and is based on the recognition that fishing is part of their social, economic and cultural reality. Its objective is to use photography as a tool for recording and expression, integrating students' practical knowledge of fishing with scientific, social, historical, mathematical and bodily investigations. Grounded in the principles of Popular Education and Andragogy and aligned with the Brazilian National Common Curricular Base (BNCC), the proposal will be developed over twelve weeks in three stages: awareness and data collection, interdisciplinary investigation, and production and closing event. It involves the subjects of Physical Education, Art, Portuguese Language, Natural Sciences, Mathematics, History and Geography, through interviews, photographic records, discussion circles, workshops, text writing, tables and graphs, field studies and social mapping. Assessment will be procedural, continuous and formative. The project culminates in the 1st Interdisciplinary Photographic Exhibition and is expected to strengthen students' self-esteem and agency, broaden their knowledge and bring the school closer to the local fishing community.

Keywords: Youth and Adult Education; photography; artisanal fishing; interdisciplinarity; Amazon.

1 INTRODUÇÃO

A pesca faz parte da realidade social, econômica e cultural de muitos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), sobretudo em comunidades ribeirinhas e urbanas da região amazônica, onde o rio organiza o tempo, o trabalho e as relações sociais.

Valorizar os saberes práticos que os alunos trazem sobre marés, espécies, técnicas de captura e comercialização aproxima os conteúdos escolares do cotidiano dos estudantes, em consonância com os princípios da Educação Popular (Freire, 1987) e da Andragogia (Knowles; Holton III; Swanson, 2005).

Nesse sentido, este projeto propõe utilizar a fotografia como instrumento de registro, investigação e expressão da atividade pesqueira, articulando os componentes curriculares de Educação Física, Arte, Língua Portuguesa, Ciências, Matemática, História e Geografia, e culminando em uma exposição cultural interdisciplinar aberta à comunidade escolar.

2 JUSTIFICATIVA

A EJA busca reconhecer e ressignificar os conhecimentos adquiridos pelos estudantes ao longo da vida, rompendo com modelos de ensino descontextualizados. Como destaca Freire (1996), ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, sobretudo daqueles construídos na prática comunitária.

Relacionar os saberes da pesca com os conteúdos escolares favorece a aprendizagem significativa, fortalece a identidade cultural da comunidade e incentiva a autoestima dos estudantes, ao reconhecer seus conhecimentos como legítimos.

A fotografia foi escolhida por seu potencial democrático: trata-se de uma linguagem acessível, presente no cotidiano por meio dos celulares, capaz de registrar memórias e comunicar saberes sem exigir domínio prévio da escrita formal. Essa característica é especialmente relevante para turmas de EJA que se encontram em diferentes estágios de alfabetização.

3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

Utilizar a fotografia como ferramenta de registro e expressão, integrando os saberes práticos dos alunos sobre a pesca a investigações científicas, sociais, históricas, matemáticas e corporais, desenvolvendo competências interdisciplinares e culminando em uma exposição cultural que socialize os resultados junto à comunidade escolar.

3.2 Objetivos específicos

a) valorizar os conhecimentos empíricos dos estudantes sobre a pesca;

b) desenvolver habilidades de observação e registro fotográfico;

c) produzir textos relacionados às fotografias, como crônicas, poemas e relatos;

d) construir tabelas, gráficos e cálculos financeiros da atividade pesqueira;

e) estudar as espécies de peixes e a preservação ambiental;

f) conhecer a história da comunidade e a evolução das técnicas de pesca;

g) identificar impactos ambientais e discutir práticas sustentáveis;

h) compreender a ergonomia e as exigências físicas do trabalho pesqueiro;

i) mapear o território pesqueiro e as relações campo-cidade;

j) incentivar o trabalho em equipe, a autonomia e o protagonismo;

k) socializar os resultados por meio de uma mostra fotográfica interdisciplinar.

4 PÚBLICO-ALVO E COMPETÊNCIAS

O projeto destina-se aos estudantes da EJA, preferencialmente das etapas finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, com vínculo direto ou indireto com comunidades pesqueiras ou ribeirinhas.

As atividades estão organizadas a partir dos eixos formativos Trabalho, Ciência e Tecnologia, Cultura Digital, Letramentos e Capacidades de Aprendizagem, articulados às competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018). Pretende-se, assim, desenvolver as seguintes competências:

a) pensamento científico e investigativo;

b) comunicação e letramento visual;

c) cultura digital;

d) consciência socioambiental;

e) valorização sociocultural.

5 METODOLOGIA

O projeto será desenvolvido por meio de pesquisas, entrevistas, registros fotográficos, aulas expositivo-dialogadas, rodas de conversa, produção de textos, elaboração de tabelas e gráficos, oficinas artísticas, estudos de campo e apresentações em grupo. O trabalho está organizado em três etapas:

a) sensibilização e coleta: rodas de conversa, entrevistas e registro fotográfico inicial do cotidiano da pesca;

b) investigação interdisciplinar: desenvolvimento das atividades específicas de cada componente curricular a partir do material coletado;

c) produção e culminância: curadoria dos materiais, montagem dos painéis e realização da mostra fotográfica.

6 DESDOBRAMENTO INTERDISCIPLINAR

Cada componente curricular contribui para o projeto a partir de seus próprios conteúdos, tomando a pesca e o registro fotográfico como eixo comum, conforme descrito a seguir.

6.1 Educação Física

Em Educação Física, o foco está na ergonomia, na cultura corporal, na saúde do trabalhador e nos jogos tradicionais. As atividades previstas são:

a) análise ergonômica das posturas na pesca, como remar, lançar a rede e puxar o espinhel;

b) estudo das capacidades físicas exigidas, como força, resistência e equilíbrio;

c) resgate de jogos populares ligados à pesca, envolvendo nós, natação e força;

d) registro fotográfico do corpo e do movimento do pescador no trabalho.

6.2 Arte

Em Arte, o trabalho envolve alfabetização visual, estética da imagem e expressão cultural, por meio das seguintes atividades:

a) oficina de biojoias com escamas de peixe higienizadas e tingidas;

b) produção de cartazes, painéis fotográficos e cenografia com redes e nós marinheiros;

c) oficina de fundamentos de fotografia, abordando enquadramento, luz e composição;

d) curadoria e montagem da exposição fotográfica final.

6.3 Língua Portuguesa

Em Língua Portuguesa, são trabalhados a oralidade, os gêneros textuais e a variação linguística, a partir das seguintes atividades:

a) produção de legendas poéticas ou informativas para cada fotografia, nos gêneros crônica, poema e relato;

b) entrevistas com pescadores mais antigos, com registro da história oral e dos causos do rio;

c) catalogação do léxico local, reunindo termos técnicos e gírias da pesca;

d) produção de pequenas reportagens sobre o cotidiano da pesca.

6.4 Ciências da Natureza

Em Ciências da Natureza, o estudo contempla ecossistemas, biodiversidade local e sustentabilidade, com as seguintes atividades:

a) estudo da ictiofauna local: espécies, hábitos alimentares, ciclos reprodutivos e período de defeso;

b) investigação da influência das fases da lua e das marés no comportamento dos peixes;

c) discussão sobre impactos ambientais, como a poluição hídrica e o descarte de materiais de pesca;

d) realização de um mutirão de limpeza em um ponto de pesca local.

6.5 Matemática

Em Matemática, são abordadas estatística, educação financeira e unidades de medida, por meio das seguintes atividades:

a) construção de tabelas e gráficos da produção de pescado nos períodos de safra e entressafra;

b) comparação entre custos de produção e valor de venda, discutindo margem de lucro e preço justo;

c) estudo de grandezas e medidas, como peso, volume, tempo e malha das redes;

d) noções de planejamento financeiro da pesca familiar.

6.6 História

Em História, o trabalho envolve memória, identidade comunitária e transformação das técnicas de pesca, com as seguintes atividades:

a) pesquisa sobre as origens da comunidade e sua relação com a atividade pesqueira;

b) comparação entre métodos tradicionais e ancestrais e as novas tecnologias, como o motor e o sonar;

c) construção de uma linha do tempo comunitária ilustrada com fotografias e depoimentos.

6.7 Geografia

Em Geografia, são estudados o território, o espaço geográfico e as relações socioeconômicas, a partir das seguintes atividades:

a) cartografia social, com o mapeamento dos principais pontos de pesca;

b) estudo da relação campo-cidade, acompanhando a rota do peixe até feiras e mercados urbanos;

c) estudo do regime das águas (cheia, seca, vazante e marés), no âmbito da geografia física.

7 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO

O projeto será desenvolvido ao longo de doze semanas, conforme apresentado no Quadro 1.
Quadro 1 – Cronograma de execução

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

8 RECURSOS NECESSÁRIOS

Para a realização do projeto, serão necessários os seguintes recursos:

a) celulares ou câmeras fotográficas dos próprios alunos;

b) computadores e projetor multimídia;

c) cartolina, papel kraft e materiais de papelaria;

d) impressão das fotografias selecionadas;

e) materiais recicláveis para as oficinas de biojoias;

f) redes de pesca, cordas e objetos da cultura local;

g) espaço físico adequado para a exposição, como pátio, corredor ou auditório.

9 AVALIAÇÃO

A avaliação será processual, contínua e formativa, valorizando o percurso e a experiência de vida dos estudantes. Os critérios e indicadores adotados estão descritos no Quadro 2.

Quadro 2 – Critérios e indicadores de avaliação

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

10 CULMINÂNCIA DO PROJETO

O projeto será encerrado com a I Mostra Fotográfica Interdisciplinar: o cotidiano da pesca pelos olhares da EJA, que reunirá as produções dos estudantes da seguinte forma:

a) exposição das fotografias produzidas em Arte, acompanhadas de legendas e contos elaborados em Língua Portuguesa;

b) painéis com gráficos de produção (Matemática), mapas dos pontos de pesca (Geografia), fichas biológicas dos peixes (Ciências) e resgate histórico (História);

c) dramatização sobre a pesca envolvendo os estudantes;

d) abertura com demonstração ou painel sobre a postura de trabalho, a cargo da Educação Física;

e) divulgação nas redes sociais da escola e produção de catálogo impresso e digital.

11 RESULTADOS ESPERADOS

Com a realização do projeto, espera-se:

a) o fortalecimento da autoestima e do protagonismo dos estudantes da EJA;

b) a ampliação do repertório científico, matemático, histórico e geográfico;

c) o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e comunicação oral e visual;

d) maior integração entre escola, estudantes e comunidade pesqueira local;

e) a produção de um acervo fotográfico e textual para ações futuras de valorização cultural.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Dados sobre pesca artesanal no Amazonas. Rio de Janeiro: IBGE, [20--].

KNOWLES, Malcolm S.; HOLTON III, Elwood F.; SWANSON, Richard A. The adult learner: the definitive classic in adult education and human resource development. 6. ed. Burlington: Elsevier, 2005.

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Copyright (c) 2026 Cleuter Correa da Silva, Everaldo Nunes Araújo, Eliziane Soares da Silva, Rayandra Cruz de Souza, Aurilene Alves Queiroz, Rafael da Silva Coelho, Francisca Dacilene B. dos Santos, Elaini Alves Machado (Autor)

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