Diálogo sobre aprender e ensinar no espaço escolar, práticas educativas.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO:

Esse artigo tem por objetivo, trazer um diálogo em relação às inquietações do espaço escolar sobre: o processo de ensino/aprendizagem na construção do currículo para além daquilo que é pensado e praticado no cotidiano do meio educacional. A comunidade e o conjunto de conhecimentos escolares passaram por várias transformações, principalmente nas circunstâncias das concepções das práticas de ensinar e nas formas de alcance da qualidade da aprendizagem. A maior parte das pessoas envolvidas nessas instituições de ensino têm procurado muito através de seus ensinamentos, compartilhar e problematizar o melhor dos saberes para as crianças inseridas nas escolas. Neste sentido, para esse diálogo trouxemos autores como: Silva (1998), Alves (2002), Oliveira (2003) dentre outros. Assim, esse estudo nos possibilitaram o entendimento de que o processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para os distintos processos educativos.

Palavras chaves: educação, currículo, preocupações.

ABSTRACT:

This article aims to bring about a dialogue regarding the concerns within the school environment concerning the teaching/learning process in curriculum construction, beyond what is thought and practiced in the daily routine of the educational field. The community and the body of school knowledge have undergone several transformations, mainly regarding the conceptions of teaching practices and the ways of achieving quality learning. Most individuals involved in these educational institutions have sought, through their teachings, to share and problematize the best knowledge for the children enrolled in schools. In this sense, for this dialogue, we have brought authors such as Silva (1998), Alves (2002), Oliveira (2003), among others. Thus, this study has enabled us to understand that the teaching/learning process has always been part of the concerns of those who live and interact in institutions designed for different educational processes.

Keywords: education, curriculum, concerns.

1 INTRODUÇÃO

Diante do cenário de mudanças no papel do Estado, os municípios brasileiros passaram a assumir, progressivamente, a oferta da educação infantil e ensino fundamental, tendo em vista o cumprimento das normas legais prescritas na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), lei nº 9.394, de 1996 e da Lei nº 12.796 de 2013, que torna a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos. Nesse cenário normativo, o professor recebe toda a responsabilidade e o mínimo de condições para exercer sua profissão.

Assim, o processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para esses distintos processos educativos. Por isso, a escola vai marcando seus tempos históricos ao construir modos diferenciados de ensinar, com busca incessante por qualidade na aprendizagem. Porém, em muitas escolas é atribuída ao professor a culpa pela defasagem na aprendizagem do aluno e pelo baixo desempenho da escola.

Dessa forma, este trabalho traz algumas inquietações da maioria dos professores que trabalham com determinação para que as crianças tenham um ensino de qualidade e mesmo assim não tem o mínimo de respeito da grande parte da sociedade. É sabido que o ensino para ser considerado de qualidade é necessário um trabalho em coletivo de todos os envolvidos.

2 INQUIETAÇÕES SOBRE AS PRÁTICAS EDUCATIVAS ESCOLAR

O processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para esses distintos processos educativos. Por isso, a escola vai marcando seus tempos históricos ao construir modos diferenciados de ensinar, com busca incessante por qualidade na aprendizagem. Porém conflitos e divergências são constatados com mais frequência em escolas que gostariam de aderir a um ensinamento de qualidade para os sujeitos que nelas estão inseridos, principalmente em instituições de ensino que desejam colocar na vanguarda do conhecimento. Então, o conservadorismo pedagógico assume um processo único de confirmação da tradição.

Nesse sentido questionamos: qual seria o modelo ou proposta inicial de currículo escolar ideal e eficiente que poderia transformar pensamentos dos professores que praticam o ensino/aprendizagem ainda na visão tradicional? Pensar sobre este problema causa incômodos, transtornos e inquietações no cotidiano das escolas tanto para os gestores, professores, quanto para a comunidade que parecem confusos sem saber como corroborar para o avanço do conhecimento através do currículo da escola. Por isso faz-se necessário trazer um diálogo sobre essa temática.

Nesse quadro nos desanima a cada dia, não há condições de possibilidades objetivas para promover melhorias na performance de ganho de qualidade de aprendizagem dos alunos, mas exige-se a transformação e apresentação de bons resultados. Sabe-se que existem inúmeras instituições que ensinam crianças, cada uma com métodos e regras que é produzida através do currículo escolar apropriados e constituídos no espaço escolar pelos diretores/gestores, coordenadores e comunidade.

Percebe -se que o modo de ensino/aprendizagem pode trazer significados importante para os indivíduos se, nas escolas estadual ou municipal, sendo pública ou privada, houver professores que possam construir e desconstruir a ideia de algo pronto, definido e que é preciso obedecer, diante disso os sujeitos do contexto escolar para ensinar deve pensar além daquilo que é proclamado oficialmente ou que estiver regulado.

Nesse sentido o ensinamento será inovador e a maior parte das atividades desenvolvidas no âmbito escolar poderão ser problematizadas por todos os envolvidos no meio de maneira singular para que todos os indivíduos possam obter êxito e qualidade no saber ali possivelmente adquirido com possibilidades e potencialidades críticas além de tudo que já está pronto.

3 ALGUMAS CONTEXTUALIZAÇÕES DO COTIDIANO ESCOLAR

A escola passou por inúmeras ressignificações no decorrer do tempo, principalmente no contexto de concepções de ensino. As instituições têm procurado cada vez mais através de seus ensinamentos, transmitirem o melhor na construção de conhecimentos para seus alunos. Dessa forma muitas lutas e desencadeamentos atravessam o nosso cotidiano e nos faz concentrar esforços nos modos para realizar esses procedimentos da melhor forma possível.

Por isso, a educação escolar em seus tempos históricos construiu modos diferenciados de ensinar. Silva (1998, p.190 e 195) ao discutir o currículo tem contribuído para aumentar nossa compreensão sobre as íntimas e estreitas relações entre conhecimento, poder e identidade social e, portanto, sobre as múltiplas formas pelas quais o currículo será centralmente envolvido na produção do social.

Para o autor, o currículo está envolvido na produção de sujeitos particulares. Ainda que em construção a Teoria do Currículo está envolvida na busca da melhor forma de produzi-los. Assim ressalta Silva (1998, p.190 e 195) que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação.

Infelizmente, boa parte de nossas propostas curriculares tem sido incapaz de incorporar experiências, pretendendo pairar acima da atividade prática diária dos sujeitos que constituem a escola. Inverter o eixo desse processo significa entender a tessitura curricular como um processo de fazer aparecer as alternativas construídas cotidianamente e já em curso (ALVES 2002, p. 34)

Os educadores precisam buscar a inserção pelo conhecimento nos modos de preparar, criar, formular e reformular as práticas educativas com métodos que instiga a curiosidade dos alunos que por sua vez tem capacidade para adaptar-se a eles, procurar alternar as ideias e levar em consideração a bagagem de conhecimento que eles trazem do meio que vivem, dessa forma, o avanço no ensino possa acontecer na coletividade na sociedade. Nesse sentido, para que o ensino e a educação avancem é interessante perceber o modo como as famílias se relacionam com a escola.

Existem muitas inquietações que surgem no cotidiano escolar que precisamos compreender como a dificuldade da criança em aprender. A verdadeira aprendizagem é aquela que transforma o sujeito através dos saberes ensinados que são reconstruídos pelos professores/alunos para que a partir dessa reconstrução, esses sujeitos tornam-se críticos, autônomos e emancipados. Nesse sentido Freire (1996, p. 26) diz que: Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador igualmente sujeito do processo.

Nessa perspectiva percebemos que a família tem um papel importantíssimo na educação de seus filhos então ela deveria ou deve acompanhar mais de perto o processo de aprendizagem e todo o desenvolvimento do currículo escolar que os filhos estão inseridos. Nesse contexto, muitos pesquisadores tentam encontrar caminhos para ajudar famílias que por vários motivos deixam seus filhos na escola, deixando toda a responsabilidade para a instituição no processo de educação escolar. E, nessas circunstâncias de cenários complexos, percebemos a importância que a escola tem na estruturação, construção e desenvolvimento educacional dos sujeitos do seu meio.

Para tanto, a educação deverá oferecer instrumentos e condições que ajudem o aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que ajuda a formular hipóteses, construir caminhos, tomar decisões, tanto no plano individual quanto no plano coletivo. (MORAES, 1997, p. 211)

Para isso, de acordo com Libâneo, (1993, p. 225): a instituição educativa inventou e exigiu o Plano Escolar, onde são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. "É o documento mais global, expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos". Então, temos assim, uma organização regulada que permite resistências e desafios na constituição do sujeito emancipado.

Portanto, o entendimento é ampliado a respeito das múltiplas e complexas realidades das escolas reais, com seus alunos, alunas, professores, e professoras e problemas reais, exigem que enfrentemos o desafio de mergulhar nestes cotidianos, buscando neles mais do que as marcas das normas estabelecidas no e percebidas do alto que definem o formato das prescrições curriculares. É preciso buscar outras marcas, da vida cotidiana, das opções tecidas nos acasos e situações que compõem a história de vida dos sujeitos pedagógicos que, em processos reais de interação, dão vida e corpo às propostas curriculares. (OLIVEIRA,2003, p. 69)

Então , o contexto escolar precisa ser problematizado em todos os sentidos, ou seja, criar nesse espaço/tempo formas de mediar o ensino através daquilo que na maioria das vezes não é percebido no cotidiano por causa do engessamento e imposição das coisas prontas que não deixam os professores forçar o pensamento para inovar e fazer acontecer uma aprendizagem diferenciada para seus alunos com possibilidades de torná-los outros .

Libâneo, (1992 p.221) enfatiza que o projeto escolar é o planejamento global da escola, envolve o processo de reflexão, decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição, [...] coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social.

Para que a educação possa acontecer conforme as perspectivas que a sociedade almeja são necessários muitos estudos, pesquisas e trabalhos em conjunto com a comunidade em que a criança está inserida e, diante a essas argumentações percebemos as dificuldades no fazer. O ensino deve estar planejado levando em consideração os alunos que estão ali, por isso a instituição tem que rever vários conceitos de como transmitir o conhecimento para tentarmos sair desse caos em que a educação se encontra. Ainda nesse sentido Oliveira (2003, p.69) corrobora conosco dizendo:

(...) Cada nova forma de ensinar, cada conteúdo trabalhado, cada experiência particular só pode ser entendida junto ao conjunto de circunstâncias que a torna possível o que envolve a história de vida dos seus sujeitos em interação, sua formação e a realidade local específica com as experiências e saberes anteriores de todos entre outros elementos da vida cotidiana. Pensar em alternativas curriculares a partir dessa forma de percepção nos encaminha para um diálogo sem preconceitos com os educadores que, estando nessas escolas produzem saberes e criam currículos cotidianamente. (OLIVEIRA,2003, p. 69)

No entanto Libâneo (2002, p. 70), “específica essa amplitude quando diz que: para uns importa mais a educação como instituição social; para outros, a educação é um processo de escolarização”. Uma questão que deve ser problematizada ao conhecermos aspectos significativos do currículo nas experiências escolares e extraescolares que os sujeitos compartilham.

Está claro que é bem menor o cansaço quando alguém faz alguma coisa só e não é distraída por outras: desse modo, uma pessoa pode servir utilmente a muitas, e muitas a uma. Em segundo lugar, isso é imposto pela necessidade. Os pais raramente estão em condições de educar os filhos com proveito ou raramente têm tempo para isso: segue-se que deve haver pessoas que exerçam apenas essa profissão, e desse modo se prevê a toda a comunidade. (COMENIUS, 2011, p.85)

Diante do cenário que problematiza e faz pensar sobre as experiências construídas o autor acima citado nos mostra que, mesmo com a educação que as crianças recebem de seus pais em casa, é necessário que elas vão para a escola em busca de outros saberes que só os professores podem lhes proporcionar, porém os pais além de incentivar seus filhos devem participar de alguma forma da educação instituição escolar juntamente com a comunidade. Diante disso, a escola deve analisar as melhores formas de proporcionar-lhes o conhecimento através da aprendizagem de acordo com a necessidade de cada uma das crianças.

Ainda neste contexto Comenius (2011, p.89), ressalta que: todo homem nasceu para o mesmo fim, ou seja, um ser racional, capaz de transformar e ser transformado, mas para que isso aconteça todos devem ser instruídos nas letras, ser educados para tornarem capazes de viver o presente sendo útil e de preparar-se dignamente para a vida futura.

A partir dessas considerações entendemos que esse trabalho deve ser permanente e ampliado a cada dia buscando possibilidades para melhorar a educação. Afinal, a escola deveria fazer um trabalho transparente com os problemas dos alunos e possíveis soluções, porque a escola é uma instituição que pode dar possibilidades e instrumentos para as crianças adquirirem experiências e criticidade diferenciadas das vivências cotidianas do âmbito familiar para assim se integrarem com re/existência na sociedade.

Experiências que são capazes de transformar e desenvolver a formação do sujeito, pois entende-se que a escola é um espaço importante, um local de encontros e desencontros de novos paradigmas. Vale ressaltar que:

O valor da educação não consiste em dar aos educandos conhecimentos, mas instrumentos para que possam usar de todas as suas capacidades, preparando-os de modo que sejam capazes de usar os olhos, os ouvidos, as mãos, como instrumentos que obedeçam às suas ordens, e que seu julgamento saiba aproveitar as condições em que deve trabalhar para levar as forças executivas a agir econômica e eficazmente. (CAMPOS, F.R. SHIROMA E. Oto, 1999, p.106).

A educação é transformada em nosso dia a dia, essas mudanças estão ganhando significados importantes na sociedade, o direito de ir à escola é de todos, por isso percebemos a importância da pesquisa pensada na escola que temos, que tipo e modelo de escola e ensino/aprendizagem queremos construir, assim devemos persistir na articulação das famílias/comunidade, conhecer a realidade das crianças e trabalhar coletivamente.

4 CONSIDERAÇÕES

Nesse sentido o princípio é fazer valer como objetivo o direito à educação através das lutas e ações: valorizar a escola como espaço de convívio democrático e solidário e os sujeitos envolvidos no processo curricular. O corpo docente/comunidade/família são interlocutores importantes na definição das políticas públicas de educação e na elaboração das propostas curriculares.

Enfim a escola como um todo precisa redefinir a prática para que haja aprendizagem quando o método que está usando não trazer o resultado esperado. Trabalhar num currículo que seja inovador, contemporâneo, contextualizado, que rompa com a ideia de fragmentação do saber, pensando, que tipo aluno e de sociedade nós desejamos construir através do desenvolvimento qualitativo da educação pública do município do estado e do país como um todo exige de todos nós uma busca pelo conhecimento contínuo dessas experiências dos saberes escolarizados.

REFERÊNCIAS

ALVES, N; GARCIA, R.L. A invenção da escola a cada dia. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

CAMPOS, R. F.; SHIROMA, E. Oto. O resgate da Escola Nova pelas reformas educacionais contemporâneas, 1999.

COMENIUS. Didática Magna, Ed. WMF Martins Fontes, 2011 São Paulo, 1592-1670

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GAMBOA, Silvio S. Pesquisa em Educação: métodos e epistemologias. Campinas, 2006. Digitalizado.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDBEN), lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1.996

LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar: teoria e prática. 4. Ed. Goiânia: Editora alternativa, 2001.

LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e Pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 2002.

MORAES, Maria Cândida. Paradigma Educacional Emergente -5ª edição. Campinas: Papyrus, 1997.

Narodowski, Mariano, Comenius e a educação, 2001 tradução de Alfredo Veiga Neto. BH.O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/fundam02.htm acesso em 09/07/2017.

OLIVEIRA, L.B. Currículos praticados: entre a regulação e a emancipação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias de Currículo. 3º edição. Editora Autêntica. 2010.

VARELA, Júlia e ALVAREZ-URÍA, Fernando. A maquinaria escolar. In: Revista Teoria e Educação n. 6. Porto Alegre, 1992.

  1. Professora da Ed. Básica Mun. De Cáceres-MT. E-mail: evacebalho.2019@gmail.com ↑

  2. Professora da Ed. Básica Mun. De Cáceres-MT. E-mail: Franciele_agro@hotmail.com ↑

  3. Auxiliar de desenvolvimento Infantil Mun. De Cáceres-MT. E-mail: anderceliafatima@gmail.com ↑

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