Resumo
A fibromialgia é uma condição complexa, associada à dor disseminada e a repercussões sobre o sono, o bem-estar, os aspectos emocionais e a qualidade de vida. A natureza multidimensional da condição tem favorecido a utilização complementar de diferentes estratégias não farmacológicas. O objetivo é descrever a concepção, os componentes e a experiência inicial de implantação do Programa Raízes Vibrantes. O programa foi desenvolvido como uma intervenção prática de cuidado complementar para mulheres com fibromialgia, com duração de quatro semanas. A proposta reuniu encontros presenciais, acompanhamento grupal, aplicação remota de protocolos e práticas domiciliares. Foram utilizados o Sistema de Intervenção Morfus, o artefato Harmonize Tag e a Meditação Sistêmica – Método Alinhamento ConstelaH. Dezenove mulheres se inscreveram e 15 permaneceram até a conclusão do percurso. A sistematização posterior permitiu documentar a intervenção e reconhecer a necessidade de maior padronização das orientações, dos registros e do acompanhamento. A experiência possibilitou descrever uma proposta complementar multimodal ainda pouco investigada e identificar questões para seu aperfeiçoamento. Por não ter sido originalmente concebido como pesquisa, o relato não permite avaliar eficácia ou estabelecer mecanismos de ação, mas oferece elementos para uma futura série de casos e para a elaboração de um protocolo prospectivo de pesquisa.
Palavras-chave: fibromialgia, terapias complementares, terapias mente-corpo, intervenções não farmacológicas, autocuidado.
Abstract
Fibromyalgia is a complex condition characterized by widespread pain and repercussions on sleep, well-being, emotional health, and quality of life. Its multidimensional nature has encouraged the complementary use of different non-pharmacological strategies. The objective is to describe the conception, components, and initial implementation experience of the Raízes Vibrantes Program. The program was developed as a practical complementary care intervention for women with fibromyalgia and lasted four weeks. It combined face-to-face meetings, group follow-up, remote application of protocols, and home-based practices. The intervention included the Morfus Intervention System, the Harmonize Tag device, and Systemic Meditation – ConstelaH Alignment Method. Nineteen women enrolled in the program, and 15 remained until its completion. The subsequent systematization of the experience made it possible to document the intervention and identify the need for greater standardization of the guidance, records, and follow-up provided to participants. The experience enabled the description of a multimodal complementary care proposal that remains scarcely investigated and helped identify issues relevant to its improvement. Since the program was not originally conceived as research, this report does not allow conclusions regarding effectiveness or mechanisms of action. However, it provides elements for a future case series and the development of a prospective research protocol.
Keywords: fibromyalgia, complementary therapies, mind-body therapies, non-pharmacological interventions, self care.
Introdução
A fibromialgia é uma condição clínica reconhecida pela dor manifestada em diversos locais do corpo, associada a outras condições, como distúrbios do sono, fadiga, isolamento social, traumas, fatores psicológicos, entre outros. Compõe o grupo das dores crônicas, que juntas respondem por uma prevalência de 40% na população brasileira, constituindo a principal causa de aposentadoria precoce e representando alto custo para o sistema de saúde e para a vida de cada indivíduo afetado (Brasil, 2024a).
A dor crônica, e a fibromialgia em particular, envolvem dimensões biológicas, psicológicas e sociais inter-relacionadas, o que justifica a adoção de estratégias multidisciplinares e multimodais de cuidado (Brasil, 2024a).
No âmbito internacional, as recomendações revisadas da Liga Europeia contra o Reumatismo indicam que o manejo inicial da fibromialgia deve priorizar estratégias não farmacológicas, definidas de acordo com as necessidades de cada pessoa e integradas a outras modalidades de tratamento quando necessário (Macfarlane et al., 2017). O National Institute for Health and Care Excellence, do Reino Unido, ao tratar da dor crônica primária em pessoas com 16 anos ou mais, reconhece evidências preliminares relacionadas à meditação e recomenda a ampliação das investigações sobre essa prática (NICE, 2021). Embora a recomendação não seja específica para fibromialgia, ela sinaliza o interesse pelo estudo de práticas meditativas no contexto mais amplo da dor crônica.
No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica recomenda que as intervenções não medicamentosas sejam utilizadas, sempre que possível, em um contexto multimodal, com participação ativa da pessoa no cuidado e estímulo ao autocuidado. O documento também estabelece que as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, quando disponíveis nos serviços, podem compor o conjunto de ações destinadas às pessoas com dor crônica, de forma complementar ao acompanhamento realizado pela equipe multiprofissional (Brasil, 2024a).
Na mesma direção, a Nota Técnica nº 36/2024-DGCI/SAPS/MS orienta a utilização das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde no cuidado de pessoas com dor crônica na Atenção Primária à Saúde. O documento situa essas práticas no âmbito de uma abordagem integral e complementar, sem substituir os tratamentos convencionais indicados para cada condição (Brasil, 2024b).
A produção científica relacionada às PICS vem sendo sistematizada por iniciativas como os Mapas de Evidências das Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, desenvolvidos com a participação do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa — CABSIN — e da BIREME/OPAS/OMS. Esses mapas organizam os resultados de revisões sobre diferentes práticas e desfechos, permitindo visualizar tanto as possíveis contribuições das intervenções quanto a qualidade metodológica e as lacunas existentes. O Mapa de Evidências sobre terapias complementares e integrativas para dor crônica reuniu 142 estudos de revisão, mas encontrou níveis bastante variados de confiança nas evidências analisadas, reforçando a necessidade de avaliação específica e criteriosa de cada prática (CABSIN, 2020).
É nesse cenário, marcado simultaneamente pela valorização do cuidado multimodal e pela necessidade de ampliar a investigação sobre práticas ainda pouco estudadas, que se insere o Programa Raízes Vibrantes. Desenvolvido originalmente como uma intervenção prática de cuidado complementar, o programa reuniu diferentes técnicas e recursos aplicados a mulheres com fibromialgia. Este artigo sistematiza sua experiência inicial de implantação, descrevendo sua concepção, seus componentes e os principais aprendizados decorrentes de sua realização.
Programa Raízes Vibrantes
O Programa Raízes Vibrantes (PRV) é um programa terapêutico de suporte complementar ao tratamento da fibromialgia, desenvolvido pela terapeuta integrativa Diva Medina e aplicado, sob supervisão médica, em mulheres com fibromialgia que participaram voluntariamente da experiência.
As participantes chegaram ao PRV por meio de duas iniciativas de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Uma delas é o projeto de PICS do Museu Dinâmico e Interdisciplinar da Universidade Estadual de Maringá (MUDI-UEM), que reúne ações de educação em saúde, atendimentos e formação, aproximando a universidade da comunidade. A outra é o Programa Marialva + Saudável, vinculado ao Ambulatório de PICS do município de Marialva. Nesse serviço, as participantes que se voluntariaram ao PRV tiveram acesso, uma vez por semana, a um circuito de três estações: escalda-pés, aplicação de argila nos pés e degustação de chás medicinais; quick massage e aromaterapia; e auriculoterapia, reflexoterapia podal e orientações de naturopatia sobre hábitos de vida saudáveis.
Contando com os parceiros acima, o PRV foi desenvolvido em 2025 como uma intervenção prática de cuidado complementar destinada a mulheres com fibromialgia. Após sua primeira realização, a experiência foi sistematizada com a finalidade de documentar sua concepção, descrever as técnicas utilizadas, registrar aspectos de sua implantação e identificar elementos que possam contribuir para o aperfeiçoamento do programa e para a formulação de futuras investigações.
A motivação para a criação do programa esteve relacionada à experiência pessoal de Diva Medina, que conviveu com o diagnóstico de fibromialgia por aproximadamente 15 anos. Segundo seu relato, após recorrer a diferentes práticas integrativas (técnicas: Biomagnetismo, detox vibracional, meditações, florais frequenciais Fisioquantic e Constelações Familiares), passou a experimentar remissão dos sintomas, condição que se mantém desde 2014. Essa trajetória pessoal inspirou a elaboração do programa, sem constituir evidência de eficácia das práticas utilizadas.
O nome “Raízes Vibrantes” está relacionado à concepção integrativa do programa, que considera a influência das relações familiares, dos padrões relacionais e das experiências subjetivas na percepção de saúde e bem-estar. Essa concepção constitui parte do modelo teórico do programa e não deve ser interpretada, neste relato, como demonstração de causalidade entre fatores familiares e fibromialgia.
Os critérios de inclusão no Programa são ser mulher, ter idade mínima de 25 anos, ter diagnóstico clínico de fibromialgia, já ter passado por ou estar em tratamento médico convencional, e se comprometer com as práticas da intervenção, durante quatro semanas. Os critérios de exclusão são estar gestante, ser portadora de doenças graves descompensadas e estar em uso de psicotrópicos sedativos de ação intensa.
O PRV foi organizado inicialmente como um percurso de cuidado complementar com duração de quatro semanas, voltado a dimensões relacionadas à dor, ao sono, ao bem-estar, aos aspectos emocionais e à qualidade de vida. A intervenção foi desenvolvida em grupo, com atividades presenciais e à distância, tendo como base o Sistema de Intervenção Morfus. A sistematização posterior da experiência possibilitou examinar aspectos de sua implantação e identificar questões relevantes para o aprimoramento do programa.
No início do processo houve um encontro presencial entre o grupo de participantes e as terapeutas. O projeto foi apresentado, o compromisso foi estabelecido e as participantes responderam, em papel e por escrito, a questões relacionadas a dados pessoais, histórico clínico, escala de dor, história emocional e ancestral e inventário breve de dor (Ferreira et al., 2011). Receberam gratuitamente o artefato Harmonize Tag e foram para suas casas. Ao fim de 30 dias, houve outro encontro presencial e novas informações foram coletadas, como avaliação da dor, percepção física e emocional, inventário breve de dor e questões subjetivas sobre a experiência com o PRV.
Ressalta-se, ainda, que a proposta não foi concebida como substituição ao tratamento médico convencional. Ao contrário, as participantes deveriam já ter realizado ou estar realizando acompanhamento médico convencional, mantendo-se a intervenção complementar como estratégia adicional de cuidado.
A participação no programa foi voluntária e formalizada mediante assinatura de termo de consentimento. As terapeutas responsáveis assumiram o compromisso de preservar o anonimato, a privacidade e a confidencialidade das informações. Neste relato são apresentadas apenas informações gerais sobre a organização e a implantação do programa, sem identificação das participantes ou exposição individualizada de dados clínicos.
Sistema de Intervenção Morfus
A Morfus é uma plataforma tecnológica desenvolvida pela Quantum Digital para aplicação de protocolos de modulação informacional. Segundo sua documentação técnica, o sistema utiliza conceitos relacionados a campos informacionais, campos mórficos e ondas escalares como fundamentos de seu modelo operacional (Guerra, 2024).
A fundamentação conceitual apresentada pela tecnologia articula a hipótese dos campos mórficos, associada aos trabalhos de Rupert Sheldrake, e conceitos relacionados às chamadas ondas escalares, atribuídos, na documentação da tecnologia, aos estudos de Nikola Tesla (Guerra, 2025). Esses conceitos constituem, no contexto do PRV, referenciais teóricos da intervenção, não sendo apresentados como mecanismos fisiológicos estabelecidos ou consensualmente demonstrados pela ciência biomédica.
Sua fundamentação conceitual tem sido desenvolvida nos moldes da Ciência da Modulação Informacional, que é ainda um campo de investigação em desenvolvimento, cuja proposta é estudar a informação como um elemento potencialmente relevante na organização de sistemas biológicos complexos. Sob essa perspectiva, considera-se que processos fisiológicos, emocionais e comportamentais podem ser analisados não apenas por seus aspectos bioquímicos e estruturais, mas também pela dinâmica organizacional da informação presente nos sistemas vivos.
A hipótese subjacente ao modelo é que protocolos estruturados de informação e ressonância possam estar associados a processos de autorregulação. Trata-se de uma hipótese de trabalho própria desse modelo, cuja validade física e possíveis efeitos biológicos ainda precisam ser investigados (Guerra, 2025).
Dessa forma, a Ciência da Modulação Informacional propõe um modelo teórico destinado à construção de hipóteses e ao desenvolvimento de pesquisas, não constituindo, neste momento, uma explicação definitiva sobre os mecanismos biológicos envolvidos.
Com base nesse modelo conceitual, foi desenvolvido o Sistema de Intervenção Morfus, entendido como um protocolo estruturado de cuidado complementar. O sistema organiza diferentes procedimentos de avaliação e aplicação de informações segundo uma sequência metodológica previamente estabelecida.
Neste contexto, o Sistema Morfus foi incorporado ao Programa Raízes Vibrantes como parte integrante do protocolo terapêutico aplicado às participantes, integrando diferentes estratégias de cuidado, entre elas a Tecnologia Morfus, a utilização do Harmonize Tag e a Meditação Sistêmica – Método Alinhamento ConstelaH, compondo uma intervenção multimodal voltada ao acompanhamento físico, emocional e comportamental das participantes.
Segundo a documentação utilizada pelos operadores, a aplicação da Morfus em sua componente escalar pode ser realizada sem a presença física simultânea da participante, utilizando-se um item de representação para acessar o campo informacional atribuído ao sistema-alvo. Nesse modelo, a medição de ressonância é empregada pelo operador para identificar informações consideradas relevantes para a definição do protocolo (Peres, 2026).
Uma característica operacional do sistema é a possibilidade de realização de determinadas etapas sem a presença física simultânea da participante junto ao equipamento. Essa característica foi utilizada no PRV para viabilizar a aplicação grupal e à distância (Guerra, 2025; Peres, 2026).
É importante destacar que a possibilidade de aplicação remota constitui uma característica operacional do sistema, e não uma evidência, por si só, de eficácia clínica ou de transmissão não local de informações.
Além da utilização direta da plataforma Morfus para análise situacional e emissão de informações corretivas, ela também pode ser usada para informar áudios e artefatos como o Harmonize Tag, aos quais, segundo o modelo da tecnologia, podem ser associados padrões informacionais definidos para cada caso (Guerra, 2025; Peres, 2026).
O Sistema de Intervenção Morfus, portanto, pode ser entendido como um protocolo estruturado de cuidado complementar que reúne diferentes recursos terapêuticos organizados segundo uma sequência metodológica previamente estabelecida e específica para cada caso.
Meditação Sistêmica - Método Alinhamento ConstelaH
Na experiência aqui descrita, a Meditação Sistêmica (Medina, 2025) constituiu um dos componentes do Sistema de Intervenção Morfus, integrando um protocolo multimodal composto por diferentes estratégias complementares de cuidado. Sua utilização ocorreu de forma padronizada para todas as participantes, respeitando a sequência metodológica previamente estabelecida pelo programa.
A fundamentação conceitual da prática encontra-se descrita por Medina (2025) e parte da hipótese de que a autorreflexão sobre vínculos, pertencimento e relações interpessoais possa favorecer a autoconsciência e a reorganização da experiência subjetiva. A constelação familiar também foi incluída, juntamente com outras técnicas, em uma experiência grupal on-line com pessoas com fibromialgia descrita por Sodré e Carvalho (2024).
Segundo Medina (2025), o Alinhamento ConstelaH é apresentado como um método de alinhamento vibracional destinado à harmonização do sistema familiar e ancestral da participante. O método parte do princípio de que conflitos físicos e emocionais podem estar relacionados a emaranhamentos no sistema familiar e propõe que processos de compreensão, pertencimento e reconciliação possam favorecer experiências de liberação e bem-estar nos planos físico, emocional, mental e espiritual.
Ao incorporar elementos da abordagem sistêmica familiar, incentivam-se reflexões sobre vínculos, pertencimento, relações interpessoais e posicionamento do indivíduo em seus diferentes sistemas de convivência.
Embora a abordagem apresente hipóteses relacionadas à regulação emocional e à experiência subjetiva, o PRV não teve como objetivo avaliar isoladamente a eficácia da Meditação Sistêmica ou do Método Alinhamento ConstelaH. Consequentemente, eventuais alterações observadas após a intervenção não podem ser atribuídas especificamente a esse componente. A inclusão dessa prática no protocolo fundamentou-se em sua proposta de favorecer maior adesão ao processo terapêutico, ampliar os momentos de autocuidado entre as sessões presenciais e promover a continuidade das estratégias de cuidado ao longo de todo o programa.
Artefato Harmonize Tag
Outro componente do Sistema de Intervenção Morfus utilizado no PRV foi o artefato denominado Harmonize Tag, que é descrito por seus desenvolvedores como um suporte físico programável, concebido para permanecer associado aos padrões informacionais e frequenciais definidos por meio da plataforma Morfus. Tem formato cilíndrico, mede 5 cm de diâmetro, 1 mm de espessura e pesa, aproximadamente, 10 g (Evolução Quantum Digital, 2024).
De acordo com a documentação técnica do Harmonize Tag, sua arquitetura é constituída por múltiplas camadas de circuitos ressonantes, amplificadores passivos e elementos geométricos, organizados para favorecer a interação entre diferentes padrões de informação. A estrutura descrita incorpora antenas espirais baseadas na proporção áurea (PHI), a geometria da Flor da Vida, o Cubo de Metatron, um circuito elétrico ressonante e o Decágono Duplo, elementos que, segundo o modelo tecnológico proposto, desempenham funções complementares de captação, organização, transdução e projeção dos padrões informacionais. O princípio operacional declarado para o dispositivo é a conversão e o acoplamento entre componentes descritos como campos escalares e magnéticos, utilizando circuitos ressonantes e amplificação passiva, sem necessidade de fonte de alimentação externa. A programação do Harmonize Tag é realizada por meio da Morfus 1, permitindo a gravação de informações específicas e sua posterior utilização como suporte físico de emissão contínua do padrão programado (Evolução Quantum Digital, 2024).
Nesse contexto, o Harmonize Tag foi empregado no PRV como um elemento físico de suporte à modulação informacional, permitindo que a configuração definida durante a intervenção permanecesse associada ao dispositivo durante as quatro semanas do Programa.
Ressalta-se que as descrições relativas a campos escalares, transmissão não-local e efeitos bioinformacionais constituem o modelo teórico-tecnológico proposto para o dispositivo, devendo sua validade física e seus efeitos biológicos ser avaliados experimentalmente e não presumidos a partir da descrição conceitual do equipamento.
Quadro 1: Elementos dos Protocolos utilizados no Programa Raízes Vibrantes.
Nota: O quadro reproduz os componentes, as orientações e as intenções declaradas no protocolo aplicado. As descrições de mecanismos e efeitos correspondem aos pressupostos das técnicas utilizadas e não representam efeitos verificados por este relato.
Discussão
O Programa Raízes Vibrantes surgiu como uma intervenção prática de cuidado complementar, e não como um projeto de pesquisa. Sua sistematização posterior permitiu documentar a experiência, explicitar os pressupostos das técnicas utilizadas e identificar aprendizados relevantes para o aperfeiçoamento de futuras edições.
A fibromialgia constitui uma condição complexa, marcada não somente pela dor disseminada, mas também por fadiga, sono não reparador, sofrimento emocional, limitações funcionais e frequente coexistência com outras condições dolorosas e psicológicas. Essa multidimensionalidade tem favorecido a proposição de formas de cuidado que associam diferentes estratégias não farmacológicas e valorizam a participação ativa das pessoas acometidas.
Nesse sentido, Sodré e Carvalho descreveram uma experiência grupal on-line que reuniu psicoterapia, relaxamento, imaginação guiada, musicoterapia e constelação familiar em pessoas com fibromialgia. Embora se trate de estudo preliminar e metodologicamente limitado, a experiência exemplifica o interesse recente pela organização de intervenções multicomponentes que incorporem dimensões subjetivas e relacionais do adoecimento.
No Raízes Vibrantes, a combinação da Tecnologia Morfus, do Harmonize Tag e da Meditação Sistêmica – Método Alinhamento ConstelaH possibilitou organizar um percurso de quatro semanas, com atividades presenciais e domiciliares. Entre os aspectos observados durante a implantação estiveram a possibilidade de acompanhamento grupal, o uso diário dos recursos pelas próprias participantes e a realização de parte da intervenção à distância. Das 19 mulheres inicialmente inscritas, 15 permaneceram até a conclusão do programa.
A experiência também evidenciou a necessidade de maior padronização dos registros, das orientações fornecidas e do acompanhamento das participantes. Os instrumentos preenchidos antes e depois da intervenção produziram informações que serão analisadas separadamente em uma série de casos.
Como o programa não foi originalmente concebido como pesquisa, não foram adotados procedimentos destinados a controlar efeitos de expectativa, tratamentos concomitantes, flutuação natural dos sintomas ou outros fatores capazes de influenciar as percepções das participantes. Consequentemente, este relato não pretende demonstrar eficácia nem estabelecer mecanismos de ação. Sua contribuição consiste em registrar uma experiência inicial, explicitar uma proposta terapêutica ainda pouco estudada e produzir perguntas que possam orientar a elaboração de um protocolo prospectivo de pesquisa.
Considerações Finais
O Programa Raízes Vibrantes foi desenvolvido como uma proposta prática de cuidado complementar para mulheres com fibromialgia, reunindo, em um percurso de quatro semanas, a Tecnologia Morfus, o Harmonize Tag e a Meditação Sistêmica – Método Alinhamento ConstelaH. Sua primeira realização permitiu experimentar uma forma de acompanhamento grupal que combinou encontros presenciais, aplicação remota de protocolos e práticas domiciliares de autocuidado.
A sistematização posterior dessa experiência tornou possível descrever a organização do programa, explicitar os pressupostos das técnicas utilizadas e reconhecer aspectos que poderão ser aprimorados em futuras edições, especialmente quanto à padronização das orientações, dos registros e do acompanhamento das participantes.
Como o programa não foi originalmente concebido como pesquisa, este relato não permite avaliar sua eficácia nem estabelecer mecanismos de ação para seus componentes. Sua contribuição está no registro de uma experiência inicial com práticas ainda pouco investigadas e na identificação de questões que poderão orientar uma futura série de casos e a elaboração de um protocolo prospectivo de pesquisa.
Agradecimentos: As autoras agradecem à Dra. Raquel Rangel Cesario pelo apoio na sistematização da experiência, na organização metodológica e na revisão do manuscrito.
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Terapeuta. Coordenadora do Curso de Pós-graduação em Modulação da Ciência Informacional da Escola Evolução Quantum Digital. Maringá - Paraná - Brasil. ↑
Médica no Ambulatório de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e Coordenadora do Programa Marialva + Saudável. Marialva - Paraná - Brasil. ↑
Médica no SUS municipal. Integrante da equipe do Museu Dinâmico e Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Maringá - Paraná - Brasil. ↑
Docente e Coordenador do Projeto de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde do Museu Dinâmico e Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Maringá - Paraná - Brasil. ↑

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