A criança autista na educação infantil: desafios e possibilidades da educação inclusiva
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Existem diversos desafios no processo de aprendizagem e socialização de crianças autistas no espaço escolar, mas também muitas possibilidades de desenvolvimento e interação. O presente artigo traz a reflexão acerca dos desafios e possibilidades do processo de inclusão educacional das pessoas com transtorno global do desenvolvimento na Educação Infantil. A Educação Inclusiva garante aos alunos com algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental os mesmos direitos à educação, buscando promover às pessoas com necessidades educativas especiais condições que favoreçam seu desenvolvimento intelectual e a sua integração na sociedade. A pesquisa contou com estudos de campo realizados no Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, localizado no município de Rondonópolis-MT, com a aplicação de questionários e realização de entrevistas, examinando informações sobre a realidade vivenciada no processo educacional de alunos autistas na Educação Infantil e ações realizadas pelos professores no processo de ensino/aprendizagem. Identifica-se que os desafios para o processo de inclusão de alunos autistas iniciam-se ainda nos primeiros anos da Educação Infantil, os principais desafios estão relacionados à falta de preparação dos professores, falta de recursos didáticos apropriados e à construção de ambientes e metodologias que instiguem o interesse dos alunos autistas. Foi identificado grande esforço dos professores na busca por estratégias para desenvolver a aprendizagem e inclusão. Os profissionais procuram metodologias e recursos didáticos para estimular o aprendizado de alunos autistas e garantem buscar constantemente formação para melhorar a prática em sala de aula.

Palavras-chave: Transtorno Global do Desenvolvimento; Educação Infantil; Socialização; Professores.

ABSTRACT

There are several challenges in the learning and socialization of autistic children in the school environment, but there are also many opportunities for development and interaction. This article reflects on the challenges and possibilities involved in the educational inclusion of people with pervasive developmental disorders in early childhood education. Inclusive education guarantees students with physical, sensory, or intellectual disabilities the same right to education as other students, seeking to provide individuals with special educational needs with conditions that foster their intellectual development and integration into society. The research included field studies conducted at the Joana Maria dos Anjos Meireles Municipal Early Childhood Education Center, located in the municipality of Rondonópolis, Mato Grosso, Brazil. Questionnaires and interviews were used to examine the realities experienced in the education of autistic students in early childhood education, as well as the actions taken by teachers during the teaching and learning process. The findings indicate that the challenges associated with including autistic students emerge as early as the first years of early childhood education. The main challenges are related to teachers’ lack of preparation, the lack of appropriate teaching resources, and the need to develop environments and methodologies that spark autistic students’ interest. The study identified considerable efforts by teachers to find strategies that support learning and inclusion. These professionals seek methodologies and teaching resources to stimulate autistic students’ learning and report that they continually pursue professional development to improve their classroom practices.

Keywords: Pervasive Developmental Disorder; Early Childhood Education; Socialization; Teachers.

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a educação brasileira passou por transformações ao dar espaço para mais debates sobre sua estrutura, conteúdos, abordagens e propostas pedagógicas. Neste contexto, o debate relacionado à Educação Inclusiva revela um tema relativamente novo, que tem ganhado mais destaque no cenário recente.

A educação inclusiva garante o direito de pessoas com necessidades especiais vivenciarem o espaço escolar, tendo pleno direito ao processo de ensino/aprendizagem e à socialização, sendo fundamental na vida de todos os integrantes da sociedade.

A inclusão no ambiente escolar mira inserir e integrar indivíduos com diferentes graus de desenvolvimento cognitivo e comprometimento social, incluindo crianças e adolescentes, que deve ser exclusivamente realizado em escolas regulares, buscando o desenvolvimento, interação social e diminuição do preconceito (Lüdke, 2011).

O cenário educacional brasileiro atual tem experienciado novas práticas em sala de aula, além da inserção de alunos com necessidades educativas especiais, empenhando-se na construção de uma escola inclusiva, superando os desafios para uma educação mais justa e democrática. Contudo, os desafios identificados em sala de aula sujeitam os profissionais da educação a maior empenho na demanda por novas estratégias, metodologias e formação continuada.

Os professores, muitas vezes, são percebidos como insuficientemente preparados para realizar um trabalho pedagógico inclusivo. Nem sempre dispõem de formação adequada para o trabalho diário com alunos com necessidades educativas especiais, como ocorre na inclusão de alunos autistas, que apresentam disfunções do desenvolvimento neurológico e distúrbios no desenvolvimento da comunicação, da interação social, da aprendizagem e da capacidade de adaptação a diferentes espaços (Cunha; Zino; Martins, 2015).

A Resolução CNE/CP nº 1/2002 estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação dos Professores da Educação Básica e esclarece que universidades, faculdades e institutos de ensino superior devem contemplar, em sua organização curricular, a formação docente voltada para o atendimento à diversidade, incluindo alunos com necessidades educativas especiais (Maia, 2015). Porém, a formação na prática pode apresentar-se deficiente e insuficiente. É importante ressaltar que vários grupos do sistema escolar estão envolvidos na promoção da Educação Inclusiva, desde o Estado até os responsáveis pelos alunos autistas. Ainda não há garantia plena de qualidade na estruturação do espaço escolar.

O presente estudo analisa os desafios e as possibilidades do processo de alfabetização e inclusão de alunos autistas na Educação Infantil, baseado em informações da vivência escolar dos indivíduos envolvidos no processo de alfabetização. As informações foram levantadas por meio de estudos de campo realizados no Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, localizado no município de Rondonópolis-MT.

O ensino inclusivo impõe muitos desafios aos professores. No entanto, estes profissionais têm buscado recursos para construir a estruturação da Educação Inclusiva e garantir a aprendizagem significativa para todos.

2. EDUCAÇÃO E INCLUSÃO NO BRASIL

A educação é um processo de formação humana que prepara o indivíduo para viver em sociedade e exercer sua cidadania. Esse processo ocorre independente da escolarização. A família, a igreja, os grupos de pessoas dos bairros e a escola também podem ser espaços de formação humana. Depois da família, principal grupo de formação humana, a escola é um dos espaços mais importantes para a formação de um indivíduo.

A educação escolar tem valor fundamental na vida de todos os integrantes da sociedade. Por meio dela, desenvolvemos a autonomia, as habilidades de leitura e escrita, aprendemos a decifrar os códigos alfabético-numéricos e nos tornamos participantes ativos da cultura na qual estamos inseridos. Esses conhecimentos são necessários para o exercício da cidadania e o desenvolvimento das relações socioculturais (Rosa, 2010).

À escola cabe o processo de escolarização, que envolve a sistematização do conhecimento científico. A Lei nº 9.394 de dezembro de 1996 trata da educação, de suas funções e de seus interesses:

Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.

§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social (Lei nº 9.394 de dezembro de 1996).

A escola é um espaço de aprendizagem e socialização dos conhecimentos. É uma instituição dedicada ao processo de ensino e aprendizagem entre alunos e docentes, almejando preparar os alunos para a vida em sociedade, o mundo do trabalho e o desenvolvimento das relações socioculturais.

Como um dos espaços de formação humana, a escola ocupa um lugar central na promoção de uma sociedade mais justa e com mais oportunidades. Deve garantir o direito de cada pessoa à participação social e o respeito às características individuais, sejam elas de gênero, étnicas, socioeconômicas, religiosas, físicas ou psicológicas. A escola é um espaço de formação humana que deve alcançar todos os integrantes da sociedade (Dellani; Morais, 2012).

As discussões quanto à promoção da educação de qualidade, que alcance todos os integrantes da sociedade nos diferentes níveis de escolarização, têm ganhado cada vez mais importância, particularmente no contexto social em que vivemos, no qual a sociedade, de maneira geral, busca mais oportunidades, garantia de direitos e respeito à diversidade em todos os espaços de convivência social.

Porém, nem sempre esta realidade se fez presente. Isso esclarece as dificuldades atuais do desenvolver a inclusão, visto que ainda vivemos em um país que apresenta grandes desigualdades culturais, econômicas e sociais, resultados de um longo processo histórico, marcado pela desvalorização de algumas classes e grupos sociais e privilégio de outros.

O direito ao ensino e à escolarização deve ser garantido aos cidadãos, mas nem sempre foi assegurado a muitas pessoas, principalmente aos alunos com algum tipo de deficiência física, motora ou intelectual.

A história da educação inclusiva no Brasil começa na década de 1970, quando algumas escolas passaram a aceitar alunos com necessidades especiais, contanto que eles conseguissem se adequar ao plano de ensino da instituição, sem que houvesse um planejamento específico para a diversidade presente em sala de aula. Porém, a educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desenvolvida em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação.

Para esses alunos, o ambiente escolar vai além da escolarização, pois abrange também a socialização e a inclusão na sociedade. Nesse contexto, a educação se torna ainda mais necessária, como afirma Rosa (2009):

[...] a educação sempre será o alicerce para o crescimento e a estruturação do indivíduo, e o direito a essa conquista está assegurado e expresso em várias leis que regem nossas vidas, apesar de sabermos que foi longa e dura a trajetória nessa busca, principalmente para aqueles subjugados ao poder exercido pelas minorias que sempre dominaram a sociedade (Rosa, 2009).

Por muito tempo, as pessoas com algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental não tinham direito nem oportunidades de estudo e de interação social de forma positiva. Contudo, as discussões evoluíram e, atualmente, já se reconhece a importância da inclusão nos diversos ambientes de formação humana, incluindo o direito à educação, à reabilitação, à seguridade social, ao trabalho, ao transporte, ao lazer e à cultura.

Para Mantoan (2001), a Educação Inclusiva deve considerar as diversas maneiras de aprender e ensinar. Ela envolve um processo contínuo de pesquisa e estudo sobre diferentes metodologias de ensino, de modo a adequá-las à heterogeneidade dos alunos e aos ideais da educação para todos. A Educação Inclusiva desafia os profissionais da educação a pensar em novas formas de ensinar e aprender, procurando continuamente recursos e metodologias que estimulem o desenvolvimento das crianças em seus diversos estágios de aquisição do conhecimento.

A vivência na Educação Inclusiva expõe desafios aos profissionais da educação e os coloca em situação de desconforto, porque é necessário buscar novas propostas de ensino para desenvolver o conhecimento dos alunos, incorporar diferentes metodologias ao processo de ensino e aprendizagem, incluindo adaptar antigas formas de ensinar. Por outro lado, ela abre espaço para que esses profissionais usem a imaginação e a criatividade na busca de metodologias e soluções para os problemas que surgem em sala de aula. O objetivo é favorecer a aprendizagem e as relações sociais entre os alunos, com ou sem necessidades educativas especiais, tendo como base o direito de cada indivíduo ao ensino e à socialização.

A Educação Inclusiva garante aos alunos com algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental o mesmo direito à educação que outros alunos que compõem a sala de aula, com o intuito de oferecer aos alunos com necessidades educativas especiais condições que favoreçam seu desenvolvimento intelectual e sua integração na sociedade. A educação inclusiva requer alternativas diversificadas de atendimento ao aluno, metodologias especiais, recursos e materiais especializados, com o objetivo de promover o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes nas instituições de ensino regular.

Falar de Educação Inclusiva é falar de igualdade de direitos e reconhecer, por meio da reflexão, que a educação é um dos mais importantes meios de formação humana. Esse processo de interação, aprendizagem e oportunidades é essencial para os alunos.

Ao longo do tempo, as políticas públicas referentes à Educação Inclusiva passaram a ser mais presentes, ocupando cada vez mais espaço nos debates sobre educação, sobre o processo de ensino e aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais. No Brasil, o direito à educação para todos está previsto na legislação desde a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Porém, a Educação Inclusiva sempre foi um desafio.

Em 1977, foi organizada a política de Educação Especial, o que representou um grande passo para a Educação Inclusiva. Essas ações políticas incluíam a criação de classes e escolas especiais para atender alunos com necessidades educacionais especiais. A proposta foi organizada sob a orientação do Ministério da Educação (MEC) e implantada com base, principalmente, nos atendimentos realizados pela Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE) (Rosa, 2019).

A partir dos anos 1980, iniciou-se a nova discussão sobre a inserção de alunos com necessidades especiais no processo de ensino e aprendizagem, fundamentado em uma legislação específica que passou a normatizar a Educação Especial nos estados brasileiros (Rosa, 2009). A Constituição de 1988 esclarece a necessidade de atendimento especializado às pessoas com deficiência, de novas formas de inserção desses alunos e da prática específica e especializada, organizada de acordo com as deficiências de cada estudante. Também prevê sua inclusão no ensino regular, conforme o art. 208: “III – Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (Constituição Federal de 1988, art. 208).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nº 9.394/1996, dedica um capítulo à Educação Especial e assegura aos alunos dessa modalidade o direito à matrícula no ensino regular, considerando as especificidades de cada um. A LDB também prevê a especialização dos profissionais da educação para o atendimento na Educação Especial. Nela, a Educação Especial é entendida como uma modalidade de educação escolar oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino aos educandos com necessidades especiais.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação também estabelece, nos arts. 58 e 59:

1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.

§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições especificas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.

§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I. Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica para atender às suas necessidades; II. Terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. III. Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV. Educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora (Lei de Diretrizes e Bases da Educação, arts. 58 e 59).

Fica claro, no texto da LDB, que o aluno da Educação Especial deve estar inserido no processo regular de ensino e aprendizagem. Cabe ao Estado garantir os equipamentos e materiais necessários à inclusão, bem como oferecer apoio especializado para auxiliar o aluno nesse processo. Somente a partir da LDB, com texto especificamente voltado para a Educação Especial, a inclusão educacional passou a receber maior atenção. Observam-se, então, mais esforços das instituições e dos órgãos responsáveis pela educação básica para garantir os direitos dos alunos com necessidades especiais.

A LDB contribui para a democratização do sistema de educação básica. Inserir alunos com dificuldades e necessidades específicas no ensino regular significa garantir a todos o acesso à educação e a oportunidade de desenvolver habilidades e competências necessárias à vida em sociedade, seja na socialização, no desenvolvimento de valores humanos ou, principalmente, na alfabetização.

A legislação brasileira tem avançado, possibilitando a ampliação dos direitos básicos dos alunos com necessidades especiais, o atendimento à diversidade e a garantia legal de acesso à educação para todos. Apesar disso, ainda se identificam grandes problemas nas instituições de ensino, que acabam comprometendo a inserção desses alunos no processo de ensino e aprendizagem. Um dos grandes desafios é a formação profissional: os docentes que atendem os alunos do ensino regular precisam de capacitação e de novas formas de trabalho para atender também um ou mais alunos com necessidades especiais.

Apesar dos avanços na legislação nacional, a Educação Inclusiva no Brasil sempre esteve marcada pela exclusão, motivada por fatores como a formação profissional dos educadores, o ambiente de ensino e as metodologias utilizadas. É importante ressaltar que a Educação Especial abrange diversos tipos de deficiência e necessidades especiais, incluindo alunos com deficiência visual, auditiva, motora e intelectual. É necessário garantir a todos um ensino de qualidade: a inclusão não consiste apenas em colocar o aluno em uma sala de aula regular. Como afirma Pessotti (2001), assegurar oportunidades iguais não significa garantir tratamento idêntico a todos. É necessário considerar as necessidades de cada pessoa e oferecer os meios para que ela desenvolva suas habilidades. Somente assim desenvolveremos, de fato, uma educação inclusiva e democrática.

2.1 AUTISMO E EDUCAÇÃO INFANTIL

A educação deve garantir o acolhimento de alunos em todos os níveis de desenvolvimento. Atualmente, identificamos um número maior de alunos autistas e de alunos com outros transtornos do desenvolvimento nos espaços de escolarização. A Educação Infantil, fase inicial do processo de alfabetização e socialização da criança, tem um papel importante, pois representa seu primeiro contato com o espaço escolar e com a aprendizagem de letras, números, formas geométricas e outros conhecimentos.

A educação, de maneira geral, enfrenta grandes desafios relacionados às metodologias de aprendizagem, à motivação de alunos e professores e a outros fatores que demandam mudanças nas metodologias e nos recursos educacionais tradicionais. A educação inclusiva e a inserção de alunos autistas estão entre esses desafios. Para muitos profissionais, a educação inclusiva é difícil de praticar, pois exige mudanças nas metodologias tradicionais de alfabetização. Além disso, ela não fazia parte da realidade de muitos desses profissionais, e ainda se identifica uma formação deficiente no que diz respeito à educação de alunos com necessidades especiais. O atendimento a esses alunos estimula a busca por novas propostas para ensinar e aprender, impõe a necessidade de inovar no processo de ensino e aprendizagem e de buscar métodos alternativos e atividades diferenciadas.

Os alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam atrasos no desenvolvimento decorrentes de um distúrbio neurológico, como explicam Wellichan e Faleiro (2017, p. 1):

O TEA é classificado em três graus: autismo leve, moderado e severo. Etimologicamente falando, autismo vem da palavra de origem grega "autos" cujo significado é "próprio ou de si mesmo", sendo caracterizado como um distúrbio neurológico que surge ainda na infância causando atrasos no desenvolvimento (na aprendizagem e na interação social) da criança (Wellichan; Faleiro, 2017, p. 1).

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado um distúrbio do desenvolvimento que se manifesta desde os primeiros anos de vida, quando a criança começa a estabelecer relações sociais, passa a frequentar espaços diferentes e tem maior contato com outras pessoas. O autismo pode afetar a criança de diferentes formas e envolve condições associadas a alterações no desenvolvimento neurológico. Geralmente, essas alterações estão relacionadas à comunicação, à interação social, à aprendizagem e à capacidade de adaptação a diferentes espaços. Abrangem três características principais: dificuldade de comunicação, associada a limitações no domínio da linguagem e no uso da imaginação em jogos simbólicos; dificuldade de socialização; e padrões de comportamento restritos e repetitivos (Rosa, 2009).

A inclusão do aluno autista deve ocorrer de maneira saudável e tranquila, incentivando a vivência da pessoa autista no ambiente escolar, desde os primeiros anos de escolarização. Para muitos profissionais da educação e para a própria pessoa autista, a inserção no ambiente escolar é um grande desafio, mas para o aluno pode ser uma grande oportunidade de crescimento sociocultural e intelectual.

Frequentemente, identificam-se problemas relacionados às metodologias de ensino. O maior desafio da inclusão para os profissionais da educação é criar estratégias que produzam bons resultados e contribuam para o desenvolvimento intelectual dos alunos.

Em muitos casos, a escola se mostra despreparada para receber alunos autistas por não dispor de espaços adequados que garantam segurança nem de recursos didáticos que professores e auxiliares possam utilizar no atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais. A falta de recursos e equipamentos sobrecarrega o professor, que precisa atender vários alunos durante a aula e garantir um ensino de qualidade para todos. É importante ressaltar que a educação inclusiva é dever de todos os que integram o sistema de ensino, desde os estados até os profissionais da unidade escolar.

São muitos os desafios para a educação inclusiva, tanto para alunos autistas quanto para alunos com outras necessidades especiais. A lei garante o direito ao ensino, porém ainda não temos um sistema que assegure efetivamente a educação inclusiva. Faltam investimentos, infraestrutura nas escolas, profissionais especializados, profissionais auxiliares e recursos didáticos.

Vemos cada vez mais profissionais da educação buscando contribuir com esse processo por meio de metodologias, estratégias, práticas pedagógicas que facilitem a aprendizagem e outras ações voltadas ao desenvolvimento dos alunos e à educação inclusiva. A escola tem um papel importante na vida do indivíduo, e são necessários estudos constantes e trocas de experiências na busca por um ensino de qualidade para todos.

3. METODOLOGIA

O presente estudo adota a abordagem qualitativa e analisa os desafios e as possibilidades do processo de alfabetização e inclusão de alunos autistas na Educação Infantil, segundo vivências dos indivíduos envolvidos nesse processo.

A pesquisa incluiu estudos de campo realizados no Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, localizado em Rondonópolis-MT. Foram aplicados questionários e realizadas entrevistas abertas e conversas com profissionais da educação, a fim de obter informações sobre a realidade vivenciada no processo educacional de alunos autistas na Educação Infantil.

O questionário (Apêndice – A) foi organizado de forma objetiva, com questões claras e diretas para obter dados sobre metodologias pedagógicas, recursos didáticos, dificuldades, infraestrutura da escola, preparação profissional de professores e auxiliares, participação dos pais, interação entre alunos autistas e professores e interação entre os alunos em geral. A coleta de dados consistiu em uma pesquisa de opinião com participação voluntária e respostas totalmente anonimizadas, sem captação de dados pessoais, institucionais ou de contato, enquadrando-se nas hipóteses de dispensa de submissão ao sistema CEP/CONEP nos termos da Resolução CNS nº 510/2016.

Os questionários foram aplicados em 5 de agosto de 2019 a professoras, auxiliares de turma e responsáveis por alunos autistas. As turmas envolvidas no estudo eram da pré-escola, com crianças de 4 a 5 anos. Os alunos autistas que participaram da pesquisa tinham 5 anos.

Após a coleta dos dados, foi realizada a análise detalhada das informações, buscando cumprir os objetivos propostos para a pesquisa.

3.1 ALUNO AUTISTA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

A Educação Infantil marca o início da escolarização da criança. É um período desafiador, no qual ela começa a desenvolver habilidades cognitivas, físicas e motoras e a conhecer letras, números e outros códigos. Para os alunos autistas, não é diferente: os desafios também estão presentes ao longo do desenvolvimento cognitivo e da alfabetização.

Esse tema tem recebido maior atenção de pesquisadores, principalmente nas áreas da educação e da psicologia, que buscam contribuir para o desenvolvimento e o processo de ensino dos alunos autistas, promovendo sua inclusão e aprendizagem. As discussões apresentadas apoiaram-se em informações coletadas por meio de questionários aplicados a professoras, auxiliares de turma e responsáveis por alunos autistas do Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles.

A inclusão de alunos autistas é um processo desafiador que deve ser conduzido com cuidado, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada aluno, pois apresentam alterações qualitativas das interações sociais e restrições ligadas à comunicação (Camargo; Bosa, 2009). A integração da pessoa autista ao ambiente escolar desde a Educação Infantil pode contribuir para seu desenvolvimento, estimulando suas capacidades de interação, reduzindo comportamentos característicos de isolamento contínuo e promovendo o desenvolvimento de habilidades sociais por meio da aprendizagem em grupo.

No Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, a interação social dos alunos autistas ocorre de maneira positiva. Foi identificado um bom desenvolvimento das relações sociais entre alunos e professores. Porém, alguns desafios do sistema educacional atual interferem diretamente nas relações sociais e na aprendizagem das crianças autistas.

3.2 PROFESSORES, ESTRUTURA DA ESCOLA E DESAFIOS PARA A INTERAÇÃO E ALFABETIZAÇÃO

O ambiente escolar é importante para a socialização e a integração das crianças. A escola deve garantir sua segurança e favorecer a qualidade das relações e das atividades desenvolvidas, estimulando o interesse das crianças pela escola.

O Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles garante a qualidade da estrutura física do espaço escolar. Segundo relato registrado em questionário, essa estrutura possibilita a interação dos alunos autistas com outras crianças (Figura 1), pois a escola dispõe de espaços de recreação e brincadeiras nos quais eles interagem constantemente com os demais alunos.

Figura 1. Aluno autista em momento de interação com outros alunos.

Fonte: Autora, 2019.

A falta de recursos didáticos tem sido um dos grandes problemas da educação pública. Embora tenham ocorrido melhorias ao longo dos anos, identificou-se que o Centro dispõe de poucos materiais didáticos, principalmente recursos voltados para a fase inicial da alfabetização, além de jogos com letras e números que favorecem a interação social dos alunos autistas. Os professores relataram que buscam criar, de forma criativa e independente, jogos e atividades que estimulem a interação entre as crianças.

Os professores utilizam os poucos recursos didáticos disponíveis na escola para produzir materiais que promovem a interação entre as crianças, incluindo os alunos autistas. No entanto, muitos relatam que a busca por metodologias, atividades diferenciadas e recursos didáticos adequados aos alunos da Educação Infantil frequentemente exige investimentos financeiros, nem sempre disponibilizados pela escola.

Muitos professores fazem esses investimentos por conta própria, embora isso nem sempre seja possível. Ainda assim, os profissionais que responderam ao questionário relataram que o trabalho desenvolvido no Centro inclui ações e metodologias que favorecem a integração e o desenvolvimento dos alunos autistas.

Foi identificado que muitos profissionais da instituição não se sentem totalmente preparados para o trabalho com crianças com necessidades especiais. Segundo os relatos, a maior parte deles considera sua preparação insuficiente. A insegurança quanto à formação e ao trabalho docente está presente em todas as etapas da alfabetização. A formação do professor não garante convicção diante da diversidade de personalidades e dos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças no ambiente escolar. Essa insegurança é natural diante de situações novas e desafiadoras. Ainda assim, o professor deve desenvolver suas habilidades para atuar com mais confiança ao aplicar suas metodologias.

Os profissionais da escola demonstram disposição para buscar novos conhecimentos. Todos relataram participar constantemente de formações e estudos para superar as dificuldades encontradas em sala de aula, tanto no trabalho com crianças autistas quanto com as demais crianças. Também afirmaram que o professor deve estar em formação contínua, construir seus conhecimentos, buscar novas metodologias e aprimorar sua prática para favorecer a aprendizagem dos alunos.

Outro grande desafio para a Educação Inclusiva é o número de alunos por sala de aula. Muitas vezes, o número máximo de alunos por turma não é respeitado, inclusive nas turmas com crianças com necessidades educacionais especiais. Isso dificulta o trabalho do professor, que precisa acompanhar, dar atenção a todas as crianças e observar o desenvolvimento da aprendizagem de cada uma.

Para os profissionais do Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, os professores conseguem acompanhar e dar atenção aos alunos autistas em sala de aula, mesmo com outros alunos em sala. Atualmente, as turmas do Centro têm entre 25 e 28 alunos, incluindo alunos autistas em algumas salas. A escola conta com auxiliares de turma para os alunos com necessidades educacionais especiais, o que contribui para o desenvolvimento das atividades. A atuação dos auxiliares é importante porque os professores também precisam oferecer atendimento individualizado a outras crianças.

Os auxiliares desempenham um papel importante na socialização e no desenvolvimento dos alunos autistas. Por isso, é importante que tenham conhecimentos básicos sobre Educação Inclusiva e sobre os diferentes tipos de necessidades educacionais especiais. No município de Rondonópolis, a Secretaria de Educação define uma formação básica para esses profissionais, que devem ter formação, ainda que incompleta, em áreas de licenciatura, com especificidades em algumas áreas, ou em psicologia. No Centro estudado, os auxiliares possuem formação básica e buscam ampliar seus conhecimentos por meio de estudos e palestras para melhorar sua prática cotidiana.

Professores e responsáveis pelos alunos autistas relataram que os auxiliares da unidade desenvolvem um bom trabalho e buscam promover a integração e o desenvolvimento das habilidades desses alunos (Figura 2). Auxiliares com formação e preparação adequadas contribuem para o desenvolvimento e a socialização dos alunos autistas no espaço escolar. Entretanto, também é comum encontrar auxiliares sem formação ou preparação suficiente para trabalhar com crianças autistas, o que pode prejudicar sua socialização, a construção de uma imagem positiva do ambiente escolar e seu desenvolvimento cognitivo. Essa é uma das principais dificuldades da Educação Inclusiva nessa fase inicial.

Figura 2. Aluno autista e auxiliar desenvolvendo atividades.

Fonte: Autora, 2019.

O trabalho com crianças autistas, ademais, impõe desafios de acontecimentos inesperados, alunos autistas incomodam-se facilmente com barulhos, ruídos e alguns podem apresentar irritabilidade. Esses fatores podem motivar ações inesperadas, o que obriga o profissional da educação a estar atento a essas situações. No Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, os profissionais relataram que em muitos casos os professores se mostram pouco preparados para lidar com imprevistos que aparecem no momento da aula em relação à turma e aos alunos autistas, mas o inesperado sempre pode nos colocar em situação de insegurança no momento de tomar decisões em relação às crianças.

No Centro Municipal de Educação Infantil, a relação entre os alunos autistas e as demais crianças é muito positiva. Há boa interação com a turma, e muitos alunos ajudam os colegas autistas na socialização e na realização das atividades. A interação entre as crianças é um passo importante para garantir a Educação Inclusiva, pois, além de contribuir para o desenvolvimento dos alunos autistas, ajuda a construir uma sociedade mais justa e livre de preconceitos, principalmente quando ocorre nas fases iniciais da educação.

Por isso, o trabalho desenvolvido pelos profissionais da Educação Infantil é indispensável para promover a socialização positiva e a formação humana sem preconceitos. Como afirmam Cunha, Zino e Martins (2015, p. 12), “as crianças com desenvolvimento típico também são favorecidas, na medida em que convivam e aprendam com as diferenças, diminuindo o preconceito e a discriminação”. Esse é um dos compromissos da Educação Inclusiva: contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e sem discriminação.

3.3 A CRIANÇA AUTISTA E A EDUCAÇÃO INFANTIL, DESENVOLVIMENTO E INTERAÇÃO

A pessoa autista vivencia o mundo de forma particular e apresenta características que ajudam na identificação e no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como dificuldades de interação social e de comunicação por meio da linguagem, além de comportamentos restritos e repetitivos. Essas características podem variar de acordo com o grau do autismo, que pode ser leve, moderado ou severo.

A dificuldade de interação social do autista é um grande desafio para os profissionais de educação, visto que a escola deve promover a socialização. No Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, esses alunos têm apresentado avanços na interação social. Nesse processo, são respeitados os momentos e as particularidades de cada um, pois, em algumas ocasiões, eles se mostram apáticos em relação às outras crianças.

As auxiliares relataram que alguns alunos se mostram pouco à vontade com as atividades realizadas pelos professores em sala de aula. Dependendo de seu estado emocional e das situações vivenciadas no dia a dia, demonstram menos disposição e interesse para participar, deixando de realizar algumas atividades propostas. Diante disso, o professor precisa ser cada vez mais criativo e buscar novas alternativas (Figura 3).

As auxiliares ainda relataram que os alunos realizam apenas o básico do que é proposto em sala de aula e deixam de fazer algumas atividades, pois a política adotada é respeitar o momento de cada aluno. Ainda assim, todos os profissionais da educação e responsáveis por alunos autistas que responderam aos questionários afirmaram que os alunos apresentam bom desenvolvimento na aprendizagem com as metodologias utilizadas pelos professores.

Figura 3. Aluno autista desenvolvendo atividade.

Fonte: Arquivo da Autora, 2019.

É significativo ressaltar que os alunos autistas têm um ritmo de desenvolvimento diferente do das crianças com desenvolvimento típico, ou seja, das crianças que não apresentam transtornos globais do desenvolvimento. Assim, o desenvolvimento de cada aluno deve ser avaliado individualmente, considerando suas especificidades.

Os professores devem estar atentos ao comportamento das pessoas autistas em sala de aula, analisando quais metodologias mais chamam sua atenção e as que não estimulam seu desenvolvimento, para assim desenvolver estratégias para melhorar a prática pedagógica e o aprendizado da criança. Foi identificado pelos professores e pelos responsáveis que as crianças autistas não gostam de salas de aulas com muitos estímulos visuais e locais com muitos ruídos.

Foi identificado que os alunos autistas necessitam de constante atenção dos profissionais da educação, principalmente cuidados relacionados à segurança e variação emocional, que pode ocorrer em autistas que apresentam grau severo. Outrossim, foi relatado pelos auxiliares e professores que os alunos autistas apresentam autonomia para se expressar, locomover-se e que quando as atividades despertam o interesse dos alunos, eles apresentam autonomia para desenvolvê-las.

As famílias dos alunos autistas têm grande importância para o desenvolvimento e socialização da criança, estas devem auxiliar e adaptar-se ao ritmo da criança autista, objetivando estimular suas habilidades de forma positiva, sem causar alterações desnecessárias com a criança. O autista identifica o mundo de um jeito diferente. Por isso, a família deve compreendê-la, respeitá-la e ajudá-la gradualmente a interagir com o mundo ao seu redor (Cunha; Zino; Martins, 2015). Muitas vezes, a própria família lida com sentimentos de incerteza e angústia quanto ao desenvolvimento da criança.

Segundo Gómez e Terán (2014 apud Cunha; Zino; Martins, 2015, p. 21), ao receberem o diagnóstico de TEA, os pais passam a lidar com várias dificuldades, “tanto no campo emocional quanto no campo prático, ou seja, no desenrolar da educação e socialização”. No espaço escolar também há desafios. Por isso, escola e famílias devem atuar juntas para desenvolver as habilidades das crianças.

No Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles, foi identificado que os pais ou responsáveis colaboram com a interação e desenvolvimento dos alunos autistas e acompanham constantemente o aluno no Centro Educacional.

Os responsáveis aprovam as atividades e os recursos didáticos usados pelos professores em sala de aula. Estes concordam com a proposta metodológica utilizada na unidade escolar e afirmam estar sempre em contato com a escola, trocando ideias e informações na busca pela melhor socialização e aprendizado dos alunos autistas.

Os pais demonstram solidariedade com a escola e compreendem as dificuldades relacionadas à falta de recursos didáticos e de formação específica dos profissionais da educação para o trabalho direto com alunos autistas. A parceria entre pais e professores é fundamental para superar essas dificuldades.

As demais crianças que convivem diariamente com os alunos autistas compreendem a personalidade dos colegas e agem com naturalidade. Essa convivência proporciona experiências e interações importantes para o desenvolvimento da educação inclusiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo busca discutir os desafios, as possibilidades da alfabetização e da socialização de alunos autistas na Educação Infantil. O tema tem recebido maior atenção nos últimos anos, pois os desafios relacionados à educação inclusiva estão cada vez mais presentes no espaço escolar.

O desenvolvimento dos alunos autistas apresenta grandes desafios aos profissionais da educação, que muitas vezes se veem diante de uma formação insuficiente, sem preparação adequada e com poucos recursos didáticos para o trabalho com essas crianças.

A pessoa autista percebe o mundo de maneira diferente, nem sempre manifesta afetividade da forma considerada típica e pode apresentar hipersensibilidade e dificuldades de interação social. Essas características reforçam a necessidade de o professor ser criativo e inovador na elaboração de metodologias de ensino atrativas e estimulantes.

É importante considerar as condições dessas crianças, buscando compreender e respeitar suas particularidades. Os profissionais da educação e as famílias devem atuar em conjunto para compreender as condições relacionadas ao TEA e construir estratégias adequadas para superar os desafios.

O Centro Municipal de Educação Infantil Joana Maria Dos Anjos Meireles enfrenta muitos desafios relacionados ao desenvolvimento das crianças autistas. Ainda assim, seus profissionais criam possibilidades de interação e estratégias para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Os professores aplicam, com dedicação, metodologias voltadas a esse objetivo, criam espaços de socialização, desenvolvem atividades interativas e estimulam as habilidades dos alunos autistas mesmo com materiais escassos.

Conclui-se que são muitos os desafios no processo de aprendizagem e socialização de crianças autistas no espaço escolar, mas também são muitas as possibilidades de desenvolvimento e interação. A escola vem desenvolvendo ações para garantir a todas as crianças o direito ao processo de ensino e aprendizagem, respeitando suas particularidades e estimulando suas habilidades na construção de uma escola democrática, justa e inclusiva.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases: Lei nº 9394/96 – 24 de dezembro de 1996. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: MEC, 1997.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 jul. 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. Acesso em: 6 jul 2026.

CAMARGO, S. P. H.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: revisão crítica da literatura. Psicologia & Sociedade. Porto Alegre, v. 21, n.1, p. 65-74, 2009.

CUNHA, I. A. M; ZINO, N. M. A; MARTIM, R. C. de O. A inclusão de crianças com espectro autista: a percepção do professor. Monografia, UNISALESIANO: Lins-SP, 2015.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ªed. São Paulo: Atlas, 2002.

LÜDKE, J. P. R; Autismo e Inclusão na Educação Infantil: Um estudo sobre as crenças dos educadores. Monografia, UFRGS: Porto Alegre, 2011.

MAIA, M. dos S. Um diagnóstico sobre a educação inclusiva: organização escolar,

concepções de professores e desafios. Monografia. João Pessoa, PB: UFPB 2015.

MANTOAN, M. T. E. Caminhos pedagógicos da inclusão: como estamos implementando a educação (de qualidade) para todos nas escolas brasileiras. São Paulo: Memnon, 2001.

PESSOTI, Isaias. Sobre a gênese e evolução histórica do conceito de deficiência mental. In: Revista Brasileira de Deficiência Mental. Vol. 16, Nº 1, Florianópolis, 2001.

ROSA, G. dos S. O gestor escolar em uma perspectiva da prática democrática e inclusiva. Monografia de especialização, UFSM, Santa Maria, 2010.

ROSA, Â. C. Educação inclusiva no Brasil e Políticas Públicas de Educação Inclusiva. In: [organizado pela] Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Educação Inclusiva. Curitiba: Editora Ibpex, 2009.

WELLICHAN, D. S. P; FALEIRO; R. M.C. O autismo na Educação Infantil. Disponível em: <https://www.pedagogia.com.br/artigos/autismoinfantil/>. Acesso em: 07 de ago de 2019.

APÊNDICE A - INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS (QUESTIONÁRIO) APLICADO AOS PROFESSORES, AUXILIARES DE TURMA E RESPONSÁVEIS DE ALUNOS AUTISTAS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

A criança autista na educação infantil: desafios e possibilidades da educação inclusiva

Data: ____________________________ Função: _________________________

Escola: _____________________________________________________________

1. CONHECIMENTO PESSOAL

  1. As informações que você tem sobre a integração de alunos com necessidades educativas especiais são:

( ) nula ( ) pouca ( ) suficiente ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Você conhece pessoalmente alguma criança com necessidades educativas especiais (autista) integrada em escolas?

( ) sim ( ) não

  1. Você gosta ou gostaria de trabalhar com crianças com necessidades educativas especiais (autista)?

( ) sim ( ) não ( ) indiferente ( ) muito

2. ESTRUTURA DA ESCOLA

  1. A estrutura da escola, espaço físico, possibilita a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouca ( ) suficiente ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. A escola apresenta materiais e recursos didáticos que possibilitam a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. A instituição escolar possui profissionais preparados para receber os alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Cada aluno com necessidades educativas especiais (autista) possui uma auxiliar:

( ) Sim ( ) Não

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

3. PROFESSORES

  1. Os professores apresentam formação que lhes possibilita contribuir com a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouca ( ) suficiente ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores utilizam os recursos didáticos que possibilitam a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores têm realizado ações que objetivam a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores de classe regular têm preparação suficiente para ensinar as crianças com necessidades especiais:

( ) nula ( ) pouca ( ) suficiente ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores conseguem acompanhar e dar atenção aos alunos autistas em sala de aula mesmo com outros alunos em sala:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores sabem lidar com os imprevistos que aparecem no momento da aula em relação à turma e aos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os professores são criativos ao planejar suas aulas e atividades para os alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:____________________________________________________

4. ALUNOS

  1. Os alunos autistas se mostram à vontade com as atividades propostas e desenvolvidas pelos professores:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os alunos autistas desenvolvem na maioria das vezes as atividades propostas pelo professor:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os alunos autistas apresentam desenvolvimento na aprendizagem com as metodologias usadas pelos professores:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os alunos autistas necessitam de constante atenção do professor:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os demais alunos da turma colaboram com a integração do aluno autista:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES: ________________________________________________________

  1. Os demais alunos da turma colaboram com a aprendizagem do aluno autista:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________
Os demais alunos da turma entendem a personalidade, os desafios e as habilidades do aluno autista:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:________________________________________________

5. AUXILIARES DE TURMA

  1. Os auxiliares apresentam formação que lhes possibilita contribuir com a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouca ( ) suficiente ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os auxiliares têm realizado ações que objetivam a integração e desenvolvimento dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouca ( ) básico ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os auxiliares têm preparação para ensinar as crianças com necessidades especiais:

( ) nula ( ) pouca ( ) básico ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os auxiliares sabem lidar com os imprevistos que aparecem no momento da aula em relação à turma e ao aluno autista:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os auxiliares contribuem com o desenvolvimento das atividades para os alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) básico ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

6. PAIS OU RESPONSÁVEIS

  1. Os pais ou responsáveis colaboram com a integração e aprendizagem dos alunos autistas:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os pais ou responsáveis concordam com as atividades realizadas com os alunos autistas em sala de aula:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os pais acompanham constantemente os alunos autistas na escola:

( ) nula ( ) pouco ( ) suficiente ( ) muito

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

  1. Os pais ou responsáveis trocam ideias e informação com a equipe da escola buscando melhorar o aprendizado e integração do aluno autista:

( ) nula ( ) pouca ( ) básico ( ) muita

OBSERVAÇÕES:_____________________________________________________

7. Em sua opinião e de acordo com suas observações a respeito da temática, qual(is) é(são) o(s) desafio(s) enfrentados pelos PROFESSORES de escola regular no processo de integração de alunos autistas em escola regular?

  1. Artigo acadêmico apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso - TCC ao Instituto Albert Einstein – ISALBE como requisito para o título de Pedagoga. ↑

  2. Acadêmica do curso de Pós-Graduação da Faculdade Albert Einstein – FALBE. ↑

  3. Professora da Educação Básica da Rede Pública Municipal e Estadual- SEMED/SEDUC/MT. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação – Universidade Metodista de Piracicaba/ UNIMEP – Núcleo Trabalho Docente, Formação de Professores e Políticas Educacionais. ↑

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