Importância das boas práticas de ordenha mecânica na prevenção da mastite clínica bovina
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO: A mastite clínica bovina é uma enfermidade de importância para a produção leiteira, caracterizada por alterações visíveis no leite e/ou na glândula mamária, podendo apresentar diferentes níveis de gravidade. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, a importância das boas práticas de ordenha na prevenção da mastite clínica bovina, considerando os fatores de risco relacionados à rotina de ordenha e as evidências disponíveis sobre as principais medidas preventivas. A pesquisa bibliográfica foi realizada entre fevereiro e setembro de 2026 nas bases e plataformas PubMed, ScienceDirect e SciELO, com utilização complementar do Google Acadêmico. Após a aplicação dos critérios de seleção, foram utilizadas 44 publicações na fundamentação do trabalho. A análise demonstrou que as práticas de ordenha apresentam diferentes níveis de evidência conforme o desfecho investigado. A preparação higiênica e a secagem dos tetos, o adequado funcionamento das unidades de ordenha, a retirada no momento oportuno, a desinfecção pós-ordenha e a correta manutenção dos equipamentos contribuem para a prevenção integrada da enfermidade. Conclui-se que a prevenção da mastite clínica depende da aplicação contínua e integrada das boas práticas, adaptadas às condições de cada propriedade, associada ao acompanhamento técnico e à avaliação de indicadores específicos de saúde mamária.

Palavras-chave: mastite clínica bovina; boas práticas de ordenha; manejo de ordenha; prevenção da mastite; higiene de ordenha.

ABSTRACT: Clinical bovine mastitis is a disease of importance to milk production, characterized by visible changes in milk and/or the mammary gland, and can present different levels of severity. This study aimed to analyze, through a narrative literature review, the importance of good milking practices in the prevention of clinical bovine mastitis, considering the risk factors related to the milking routine and the available evidence on the main preventive measures. The bibliographic research was carried out between February and September 2026 in the PubMed, ScienceDirect, and SciELO databases and platforms, with complementary use of Google Scholar. After applying the selection criteria, 44 publications were used to support the work. The analysis demonstrated that milking practices present different levels of evidence according to the outcome investigated. Hygienic teat preparation and drying, proper functioning of milking units, timely cluster removal, post-milking disinfection, and correct equipment maintenance contribute to the integrated prevention of the disease. It is concluded that the prevention of clinical mastitis depends on the continuous and integrated application of good practices, adapted to the conditions of each farm, combined with technical monitoring and the evaluation of specific mammary health indicators.

Keywords: clinical bovine mastitis; good milking practices; milking management; mastitis prevention; milking hygiene.

1 INTRODUÇÃO

A mastite bovina é um processo inflamatório da glândula mamária e pode se apresentar nas formas clínica e subclínica. Neste trabalho, a abordagem concentra-se na mastite clínica, caracterizada pela presença de alterações perceptíveis no leite e/ou na glândula mamária. Segundo Ashraf e Imran (2020), podem ser observadas mudanças na coloração e na consistência do leite, presença de grumos e sinais inflamatórios no úbere. Nos quadros de maior gravidade, também podem ocorrer manifestações sistêmicas (Ruegg, 2017).

Além das alterações mamárias, a mastite clínica pode comprometer o bem-estar das vacas leiteiras. Petersson-Wolfe, Leslie e Swartz (2018) destacam que a dor e o desconforto associados ao processo inflamatório podem provocar mudanças no comportamento dos animais. A prevenção da enfermidade também envolve a atenção às condições presentes na rotina do rebanho, entre elas aspectos de higiene, manejo dos animais e execução da ordenha. Essas condições são relevantes porque parte delas pode ser modificada por meio da adoção de práticas preventivas adequadas (Breen; Green; Bradley, 2009).

Embora diferentes boas práticas de ordenha sejam recomendadas para a manutenção da saúde mamária, as evidências disponíveis não apresentam a mesma força para todas as medidas. Além disso, os estudos adotam diferentes indicadores de avaliação, como contaminação bacteriana da superfície dos tetos, contagem de células somáticas, ocorrência de novas infecções intramamárias e mastite clínica. Esses resultados não são equivalentes e, por isso, a redução de um indicador relacionado à saúde mamária não deve ser interpretada automaticamente como redução da ocorrência de mastite clínica.

Ainda que diferentes práticas de higiene e manejo sejam amplamente recomendadas como componentes dos programas de prevenção e controle da mastite bovina, as evidências disponíveis apresentam variações quanto aos protocolos empregados e aos resultados avaliados. Enquanto alguns estudos investigam diretamente a ocorrência de mastite clínica, outros utilizam indicadores como novas infecções intramamárias, contaminação bacteriana, contagem de células somáticas e condições dos tetos, que não devem ser interpretados como equivalentes à ocorrência da enfermidade clínica.

Diante da ampla recomendação dessas práticas e da diversidade de indicadores considerados nos estudos, torna-se pertinente analisar quais evidências sustentam sua utilização especificamente na prevenção da mastite clínica, considerando os benefícios demonstrados, as limitações das pesquisas disponíveis e as condições em que essas medidas são aplicadas.

1.1 Justificativa

Este trabalho justifica-se pela necessidade de analisar criticamente as evidências sobre as boas práticas de ordenha na prevenção da mastite clínica bovina. Embora diferentes medidas sejam recomendadas, os estudos apresentam variações nos protocolos e nos resultados avaliados. Uma prática pode demonstrar redução da contaminação bacteriana ou de infecções intramamárias sem que isso represente, necessariamente, redução comprovada da mastite clínica. Assim, a análise da literatura é relevante para compreender os resultados e suas limitações, evitando que evidências relacionadas a indicadores intermediários sejam interpretadas como comprovação direta da prevenção da enfermidade.

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo geral

Analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, a importância das boas práticas de ordenha na prevenção da mastite clínica bovina, considerando os fatores de risco relacionados à rotina de ordenha e as evidências disponíveis sobre as principais medidas preventivas.

1.2.2 Objetivos específicos

  • Caracterizar os principais aspectos clínicos da mastite clínica bovina necessários à contextualização da enfermidade;
  • Identificar os principais fatores de risco relacionados à higiene, ao manejo e ao funcionamento dos equipamentos durante a ordenha;
  • Analisar as evidências disponíveis sobre as principais boas práticas de ordenha utilizadas na prevenção da mastite clínica bovina;
  • Discutir a atuação do médico-veterinário na implementação, no acompanhamento e na avaliação das medidas preventivas adotadas nos rebanhos leiteiros.

2 METODOLOGIA

O estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura sobre as boas práticas de ordenha e sua relação com a prevenção da mastite clínica bovina. A pesquisa foi realizada no período de fevereiro a setembro de 2026, utilizando as bases e plataformas PubMed, ScienceDirect e SciELO. O Google Acadêmico foi utilizado de forma complementar para auxiliar na localização de publicações relacionadas ao tema.

Para a busca das publicações, foram utilizados descritores e termos livres em inglês, a saber: “clinical bovine mastitis”, “clinical mastitis”, “milking practices”, “milking hygiene”, “mastitis prevention” e “udder health”. Os termos foram empregados isoladamente e em diferentes combinações, com o auxílio dos operadores booleanos AND e OR, com estratégias adaptadas às características de cada base consultada.

Foram selecionados artigos científicos publicados em língua inglesa, prioritariamente no período de 2016 a 2026 e diretamente relacionados à mastite clínica bovina e às práticas realizadas durante a ordenha. Também foram incluídos estudos anteriores a esse período considerados relevantes para a fundamentação de práticas consolidadas de prevenção da mastite, entre eles Galton et al. (1982), Galton, Petersson e Merrill (1986), Pankey et al. (1987), Oliver et al. (1990), Nickerson et al. (1990), Baxter et al. (1992) e Barkema et al. (1999). Revisões científicas foram utilizadas de forma complementar.

Foram incluídos artigos científicos publicados em língua inglesa que apresentassem relação com a mastite clínica bovina e com os objetivos do trabalho, abordando fatores de risco associados à ordenha, higiene e preparação dos tetos, procedimentos realizados antes, durante e após a ordenha, funcionamento e manutenção dos equipamentos, capacitação dos trabalhadores e medidas relacionadas à prevenção e ao controle da enfermidade. Estudos que avaliaram infecções intramamárias, contaminação bacteriana, condições dos tetos ou outros indicadores de saúde mamária foram considerados quando seus resultados apresentavam relação com as práticas analisadas nesta revisão.

A busca bibliográfica resultou inicialmente na identificação de 128 publicações. Após a leitura dos títulos e resumos, 61 estudos foram excluídos por não apresentarem relação direta com a mastite bovina ou com as práticas de ordenha investigadas. Os 67 artigos potencialmente elegíveis foram submetidos à leitura na íntegra, sendo posteriormente excluídos 23 estudos por não atenderem aos critérios de idioma e período estabelecidos, não apresentarem relação com os objetivos da revisão ou não abordarem os fatores de risco, as práticas de ordenha e os indicadores de saúde mamária considerados no estudo. Ao final do processo de seleção, 44 publicações atenderam aos critérios estabelecidos e foram utilizadas na revisão.

As informações selecionadas foram organizadas de acordo com os principais eixos abordados no referencial teórico: mastite clínica bovina, fatores de risco associados à enfermidade, boas práticas de ordenha e atuação do médico-veterinário na prevenção e no controle da mastite clínica. Os estudos foram analisados de forma narrativa e comparativa, considerando-se os resultados avaliados em cada pesquisa, especialmente mastite clínica, infecção intramamária, contaminação bacteriana e outros indicadores relacionados à saúde mamária.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Mastite clínica bovina

A mastite clínica bovina caracteriza-se pela presença de sinais visíveis que permitem reconhecer o processo inflamatório da glândula mamária. Conforme Ashraf e Imran (2020), sua manifestação pode envolver alterações no leite e sinais inflamatórios no úbere, cuja intensidade varia de acordo com a gravidade do quadro. Nos casos mais graves, podem ocorrer manifestações sistêmicas, como febre, redução do apetite, desidratação, fraqueza e alterações cardiovasculares, indicando comprometimento do estado geral do animal (Ruegg, 2017).

A gravidade dos casos pode ser organizada em três níveis: leve, moderada e grave. Nos casos leves, as alterações permanecem restritas ao leite; nos moderados, somam-se sinais inflamatórios evidentes no úbere; e, nos graves, surgem manifestações sistêmicas. Wenz et al. (2001) avaliaram sinais sistêmicos em vacas com mastite coliforme aguda e demonstraram que a observação padronizada do estado clínico auxilia a diferenciar animais com maior comprometimento. Posteriormente, Wenz, Garry e Barrington (2006) compararam sistemas de classificação e reforçaram a utilidade da avaliação de gravidade para orientar o acompanhamento. Esses estudos não investigaram práticas preventivas, mas fornecem critérios necessários para reconhecer e registrar adequadamente as manifestações clínicas analisadas nesta revisão.

A distinção entre mastite clínica e infecção intramamária é indispensável para interpretar os resultados dos estudos. Conforme Ruegg (2017), uma infecção pode estar presente sem alterações visíveis, enquanto a mastite clínica pressupõe sinais perceptíveis no leite, na glândula ou no estado geral. Assim, pesquisas que demonstram redução de novas infecções intramamárias, contagem bacteriana ou contagem de células somáticas oferecem evidências relevantes sobre saúde mamária, porém não comprovam, por si mesmas, redução de casos clínicos. Essa diferença de resultados explica por que práticas semelhantes podem apresentar resultados aparentemente distintos entre os trabalhos.

As repercussões da enfermidade também ultrapassam as alterações do leite. Medrano-Galarza et al. (2012) e Fogsgaard, Bennedsgaard e Herskin (2015) observaram mudanças comportamentais em vacas acometidas por mastite, incluindo redução da atividade e alterações no comportamento de repouso. Embora os estudos tenham sido realizados em diferentes condições, seus resultados indicam que a manifestação clínica da doença pode interferir no comportamento dos animais. Leslie e Petersson-Wolfe (2012) relacionam essas alterações à dor associada ao processo inflamatório. Dessa forma, além de seus efeitos sobre a saúde mamária, a prevenção da mastite clínica também contribui para reduzir as repercussões da enfermidade sobre os animais.

3.2 Fatores de risco associados à mastite clínica bovina

A ocorrência da mastite clínica bovina resulta da interação entre características individuais das vacas, condições ambientais e práticas de manejo. Por esse motivo, os fatores de risco não devem ser interpretados de forma isolada. A análise é especialmente relevante quando permite distinguir fatores não modificáveis, como paridade e estágio da lactação, daqueles que podem ser corrigidos por meio da higiene, da organização da ordenha e do adequado funcionamento dos equipamentos (Barkema et al., 1999; Breen; Green; Bradley, 2009).

Breen, Green e Bradley (2009) acompanharam 1.677 vacas holandesas em oito propriedades comerciais durante 12 meses e observaram maior risco de mastite clínica associado ao aumento da paridade, ao início da lactação, à presença de úberes muito sujos e à hiperqueratose grave da extremidade dos tetos. Os autores constataram que vacas com úberes classificados como muito sujos apresentaram aproximadamente 1,5 vez maior chance de desenvolver mastite clínica no mês seguinte em comparação às vacas com úberes limpos. Além disso, alterações leves ou moderadas na extremidade dos tetos não apresentaram a mesma relação observada nos casos graves. Esses resultados evidenciam a relação entre condições de higiene do úbere, alterações mais acentuadas dos tetos e ocorrência de mastite clínica.

Em condições brasileiras, Oliveira et al. (2015) observaram maior ocorrência de mastite clínica no primeiro mês de lactação, em vacas com contagem de células somáticas elevada e naquelas com histórico recente da enfermidade. A estação chuvosa também esteve associada à maior ocorrência de casos. Em comparação com Breen, Green e Bradley (2009), os resultados convergem quanto à maior vulnerabilidade no início da lactação e à importância de reconhecer animais com características de risco. O estudo brasileiro acrescenta a associação com a sazonalidade, uma vez que a estação chuvosa esteve relacionada à maior ocorrência de casos de mastite clínica (Oliveira et al., 2015).

A relação entre a condição dos tetos e a enfermidade foi aprofundada por Pantoja et al. (2020), que revisaram sistematicamente 152 registros e incluíram 18 estudos na síntese final. Entre eles, apenas três avaliaram a ocorrência de mastite clínica, e todos identificaram associação positiva com hiperqueratose grave, embora a magnitude dessa associação e sua significância estatística tenham variado. Alguns trabalhos incluídos sugeriram possível efeito distinto para alterações leves, o que impede tratar todos os graus de hiperqueratose como equivalentes. A comparação com Breen, Green e Bradley (2009) reforça, portanto, que são as alterações mais acentuadas que apresentam relação mais consistente com mastite clínica.

Barkema et al. (1999) investigaram fatores de manejo em 274 rebanhos leiteiros holandeses. Entre as variáveis relacionadas à exposição, destacaram-se o pastejo, o alojamento conjunto de vacas secas e novilhas e a higiene da área de parto. Nos rebanhos com baixa contagem de células somáticas no leite de tanque, a desinfecção dos tetos após a ordenha apresentou associação positiva com a incidência de mastite clínica; nesse grupo, os rebanhos que não utilizavam a desinfecção pós-ordenha apresentaram menor incidência da enfermidade que os demais. Como o estudo foi observacional, a associação identificada não permite estabelecer relação causal entre o uso do post-dipping e o aumento da ocorrência de mastite clínica.

Em conjunto, os estudos demonstram que vacas no início da lactação, com histórico recente da enfermidade, úberes muito sujos ou hiperqueratose grave exigem acompanhamento mais atento. Ao mesmo tempo, estão associados à variação do risco observado no rebanho. Para esta revisão, a prioridade recai sobre os fatores modificáveis durante a ordenha, sem desconsiderar que seus efeitos dependem das características dos animais e da propriedade (Breen; Green; Bradley, 2009; Oliveira et al., 2015; Pantoja et al., 2020).

3.3 Conceito geral e caráter integrado das boas práticas de ordenha na prevenção da mastite clínica

As boas práticas de ordenha abrangem procedimentos de higiene, manejo dos animais e utilização adequada dos equipamentos antes, durante e após a retirada do leite. Ruegg (2017) insere a rotina higiênica e a desinfecção dos tetos em programas integrados destinados a limitar novas infecções e reduzir a permanência das existentes. Nesse contexto, a interpretação das evidências requer atenção aos protocolos empregados e ao que foi efetivamente avaliado em cada estudo, especialmente porque resultados relacionados à contaminação bacteriana ou às infecções intramamárias não correspondem, necessariamente, à redução da mastite clínica. A seguir, as práticas são analisadas de acordo com as diferentes etapas da rotina de ordenha.

3.3.1 Manejo pré-ordenha

O manejo pré-ordenha compreende procedimentos destinados à preparação dos tetos e à identificação de alterações antes da colocação das unidades de ordenha. Entre essas medidas, a limpeza e a secagem apresentam importância para a redução da contaminação bacteriana. Galton et al. (1982) verificaram que procedimentos que mantinham maior umidade estavam relacionados a maiores níveis de contaminação bacteriana do leite. Posteriormente, Galton, Petersson e Merrill (1986) observaram que a limpeza seguida de secagem manual reduziu as contagens bacterianas nos tetos e no leite. Os resultados indicam que a preparação deve assegurar tetos efetivamente limpos e secos antes do início da ordenha.

A retirada dos primeiros jatos também integra essa etapa. Rasmussen, Bjerring e Skjøth (2005) demonstraram que a observação do leite inicial auxilia na identificação de alterações compatíveis com inflamação mamária. Wieland et al. (2020), por sua vez, analisaram essa prática como estímulo pré-ordenha e observaram efeitos relacionados à estimulação tátil e à ejeção do leite. Dessa forma, a retirada dos primeiros jatos pode contribuir para a identificação de alterações clínicas e para a preparação fisiológica da vaca, embora esses resultados não demonstrem, isoladamente, efeito preventivo sobre a mastite clínica.

Em relação à desinfecção pré-ordenha (pre-dipping), as evidências devem ser interpretadas considerando o que foi efetivamente avaliado em cada estudo. Baumberger, Guarín e Ruegg (2016), ao compararem dois protocolos de preparação pré-ordenha em dez propriedades comerciais, verificaram redução das populações bacterianas da superfície dos tetos. Embora os protocolos tenham apresentado desempenho variável entre propriedades e grupos bacterianos, os resultados sustentam o efeito da prática sobre a carga bacteriana da pele dos tetos, sem demonstrar diretamente redução da mastite clínica.

Em relação às novas infecções intramamárias (IMI), Pankey et al. (1987) observaram que a preparação adequada do úbere associada ao pre-dipping reduziu em aproximadamente 54% a taxa de novas IMI causadas por patógenos principais. O efeito variou conforme o grupo de microrganismos, não sendo observado o mesmo controle para infecções causadas por estafilococos coagulase-negativos. O estudo fornece, portanto, evidência de benefício sobre novas infecções intramamárias, desfecho relacionado à saúde mamária, mas distinto da ocorrência de mastite clínica.

Quanto à ocorrência de mastite clínica, Oliver et al. (2001) encontraram resultado favorável ao comparar a desinfecção pré e pós-ordenha com a utilização apenas da desinfecção pós-ordenha. Os autores observaram redução tanto de novas infecções intramamárias quanto da ocorrência de mastite clínica no grupo submetido às duas etapas de desinfecção. Esse achado constitui evidência direta de benefício do protocolo sobre a mastite clínica nas condições avaliadas pelo estudo.

Entretanto, o benefício clínico do pre-dipping não foi reproduzido de maneira consistente em outros contextos. Morton et al. (2014) avaliaram cinco propriedades comerciais mantidas a pasto e registraram 98 vacas com mastite clínica no grupo submetido ao pre-dipping e 97 no grupo controle, sem diferença significativa na análise conjunta dos rebanhos. Apenas uma propriedade apresentou redução da incidência, demonstrando variação do resultado entre as condições estudadas.

De forma semelhante, Gleeson, Flynn e O'Brien (2018) verificaram redução das populações de estafilococos e estreptococos na pele dos tetos, porém não encontraram diferença significativa nas novas infecções nem nos casos de mastite clínica entre os protocolos avaliados. Esses resultados, juntamente com os de Morton et al. (2014), demonstram que a redução da carga bacteriana promovida pelo pre-dipping não corresponde necessariamente à redução da ocorrência clínica da enfermidade.

Assim, as evidências referentes ao manejo pré-ordenha apresentam resultados distintos conforme o aspecto avaliado em cada estudo. A limpeza e a secagem adequada dos tetos contribuem para a redução da contaminação bacteriana, enquanto o pre-dipping apresenta evidências favoráveis para redução da carga bacteriana e de novas infecções intramamárias. Embora Oliver et al. (2001) tenham demonstrado redução de mastite clínica nas condições avaliadas, Morton et al. (2014) e Gleeson, Flynn e O'Brien (2018) não encontraram benefício clínico consistente em outros rebanhos. Portanto, os resultados não sustentam a generalização de um efeito uniforme do pre-dipping sobre a ocorrência de mastite clínica.

3.3.2 Manejo durante a ordenha

Durante a ordenha, a unidade deve permanecer corretamente posicionada e funcionar com o mínimo possível de entrada de ar, deslizamento das teteiras e variações desnecessárias de vácuo. Esses eventos podem alterar a dinâmica de retirada do leite e aumentar a exposição dos tetos aos efeitos mecânicos do equipamento. Por isso, a equipe deve observar o conjunto durante todo o procedimento e corrigir imediatamente unidades tortas, com vazamentos ou instabilidade (Baxter et al., 1992; Odorčić et al., 2019).

Baxter et al. (1992) observaram maior taxa de novas infecções intramamárias em vacas submetidas a maior frequência de deslizamento das teteiras (0,49 versus 0,27 caso por 100 vacas-dia). Os casos de mastite clínica também foram numericamente superiores nesse grupo (0,35 versus 0,20), embora esse resultado não permita afirmar aumento significativo da doença.

Wieland e Sipka (2023) avaliaram o desempenho da ordenha e os fatores associados ao deslizamento das teteiras, relacionando o evento principalmente a características das vacas, como estágio de lactação e presença de quarto não lactante. Como não investigaram mastite clínica ou novas infecções intramamárias, seus resultados não permitem confirmar ou refutar a associação observada por Baxter et al. (1992).

A higiene dos trabalhadores também integra essa etapa. Dufour et al. (2012) identificaram 305 novas infecções intramamárias por Staphylococcus aureus e observaram que o uso de luvas durante a ordenha e a desinfecção pré-ordenha estiveram associados a menor chance de aquisição dessas infecções. Por se tratar de um estudo observacional, os resultados indicam associação, mas não permitem estabelecer relação causal.

Outro ponto crítico é o momento de retirada das unidades. Edwards et al. (2013) avaliaram 181 vacas submetidas a quatro períodos de sobreordenha: aproximadamente 5 segundos, 2, 5 ou 9 minutos após o fluxo cair para 0,2 kg/min. Ao final de seis semanas, dois minutos adicionais não pioraram a condição dos tetos em relação ao controle, mas cinco minutos produziram condição mais desfavorável que dois minutos, e nove minutos foram piores que os períodos menores. A produção e a contagem de células somáticas apresentaram poucas diferenças, indicando que a deterioração da extremidade dos tetos pode ocorrer antes de mudanças evidentes nesses indicadores.

Jago, Burke e Williamson (2010) acompanharam aproximadamente 94 vacas por tratamento e observaram que a elevação do limiar de fluxo para retirada automática das unidades de 0,2 para 0,4 kg/min reduziu o tempo de ordenha sem alterar a produção de leite, a condição dos tetos ou a proporção de vacas com mastite clínica. Estratégias que combinaram o limiar de fluxo com tempo máximo de permanência também reduziram a duração da ordenha sem aumentar a ocorrência da enfermidade. Assim, os resultados demonstram que determinadas estratégias de retirada podem melhorar a eficiência da ordenha sem aumentar a mastite clínica.

Quando um caso clínico é identificado, a vaca deve ser manejada de acordo com o protocolo estabelecido para o rebanho. Barkema et al. (2009) incluem a segregação dos animais e a organização da ordem de ordenha entre as medidas utilizadas no controle da transmissão de infecções intramamárias contagiosas. Essas medidas integram o manejo destinado a limitar a transmissão entre animais durante a rotina de ordenha.

Assim, o manejo durante a ordenha deve combinar vigilância do equipamento, higiene das mãos ou luvas, retirada das unidades no momento adequado e organização dos animais com alterações clínicas. As evidências demonstram efeitos sobre novas infecções, integridade dos tetos e eficiência da ordenha; a relação direta com mastite clínica é mais limitada e deve ser apresentada apenas quando esse resultado foi efetivamente mensurado (Dufour et al., 2012; Edwards et al., 2013; Jago; Burke; Williamson, 2010; Barkema et al., 2009).

3.3.3 Manejo pós-ordenha

O manejo pós-ordenha inicia-se imediatamente após a retirada das unidades. Sua prática mais estudada é a desinfecção dos tetos, ou post-dipping, destinada a reduzir a população microbiana presente na pele e a limitar o estabelecimento de novas infecções intramamárias. A eficácia depende da formulação, da concentração, da cobertura de toda a superfície do teto e da aplicação consistente em todas as ordenhas (Oliver et al., 1990; Martins et al., 2017; Vasquez et al., 2026).

Oliver et al. (1990) demonstraram que a desinfecção pós-ordenha com clorexidina reduziu novas infecções intramamárias por diferentes agentes. De forma semelhante, Nickerson et al. (1990) observaram efeito preventivo variável conforme a formulação utilizada, indicando que diferentes produtos não apresentam necessariamente a mesma eficácia.

Nickerson et al. (1990) evidenciaram que produtos diferentes não apresentam desempenho equivalente. Um iodóforo a 0,18% preveniu 90% das novas infecções do canal do teto por Staphylococcus aureus e reduziu em 95,6% a progressão para infecção intramamária. Já uma formulação à base de ácidos graxos e lático não preveniu a colonização inicial, embora tenha reduzido em 43,8% a progressão e em 39% a persistência das infecções do canal. A comparação mostra que a indicação genérica de “usar desinfetante” é insuficiente sem considerar o produto e o resultado demonstrado para sua formulação.

Williamson e Lacy-Hulbert (2013) realizaram dois experimentos em cinco rebanhos comerciais. No primeiro, 230 vacas receberam desinfecção pós-ordenha com produto iodado e 239 permaneceram sem essa etapa durante uma lactação; o grupo tratado apresentou menor incidência de novas infecções intramamárias, menor contagem de células somáticas e menos alterações de pele dos tetos. No segundo experimento, 239 vacas receberam apenas desinfecção pós-ordenha e 235 receberam desinfecção pré e pós-ordenha com produto à base de cloramina-T; a adição do pre-dipping não produziu redução adicional das novas infecções nem da contagem de células somáticas. A comparação demonstra que o post-dipping apresentou efeito consistente, enquanto acrescentar uma etapa extra não garantiu benefício adicional nas condições avaliadas.

Martins et al. (2017) avaliaram 385 vacas de dois rebanhos durante 18 semanas, comparando um desinfetante iodado convencional sem efeito de barreira com uma formulação de barreira e maior disponibilidade de iodo livre. Os tetos tratados com a formulação de barreira apresentaram 46% menor chance de mastite clínica. Para novas infecções intramamárias, a vantagem também foi observada em momentos específicos: 54% menor chance na oitava semana e 37% menor chance na décima sexta semana, enquanto nos demais momentos as incidências foram semelhantes. O resultado confirma que formulação e concentração interferem na proteção obtida e que diferenças observadas em um produto não devem ser extrapoladas para todos os desinfetantes. A revisão de Vasquez et al. (2026) reforça essa cautela ao demonstrar ampla heterogeneidade entre formulações, protocolos e qualidade metodológica dos estudos.

Um resultado aparentemente contrário foi descrito por Barkema et al. (1999): em determinados rebanhos com baixa contagem de células somáticas, o uso de desinfecção pós-ordenha esteve associado a maior incidência de mastite clínica. Por ser associação observacional, o achado não demonstra que o post-dipping tenha causado a enfermidade. É possível que propriedades com problemas prévios tenham adotado o procedimento como medida corretiva ou que outros fatores de manejo tenham influenciado a relação. A comparação com ensaios controlados evidencia a necessidade de diferenciar associação de causalidade.

A recomendação de manter as vacas em pé após a ordenha deve ser interpretada com cautela. Watters et al. (2014) observaram menor ocorrência de novas infecções intramamárias em determinado período de permanência em pé, porém o efeito não foi uniforme com o aumento desse tempo. A oferta de alimento após a ordenha pode estimular as vacas a permanecerem em pé por mais tempo (DeVries; von Keyserlingk, 2005), mas esse estudo não avaliou mastite clínica. Assim, essa estratégia pode integrar o manejo pós-ordenha, porém as evidências apresentadas não permitem atribuir a ela efeito direto na prevenção da mastite clínica.

Em síntese, o post-dipping apresenta evidências consistentes para redução de novas infecções intramamárias e, em determinados ensaios, para menor ocorrência de mastite clínica. A intensidade do efeito depende da formulação e da aplicação. Outras medidas pós-ordenha, como o estímulo para permanência em pé, possuem evidência mais indireta e devem complementar, e não substituir, a desinfecção correta e a manutenção de ambiente limpo (Oliver et al., 1990; Williamson; Lacy-Hulbert, 2013; Martins et al., 2017).

3.3.4 Higiene, manutenção e funcionamento dos equipamentos

A higiene de equipamentos, utensílios e superfícies de contato deve prevenir o acúmulo de matéria orgânica e a formação de biofilmes. Latorre et al. (2020) identificaram Staphylococcus aureus em 87,5% das superfícies de equipamentos avaliadas após higienização, além da presença de biofilmes e de perfis genéticos semelhantes aos encontrados no leite e em infecções intramamárias. Esses achados demonstram que superfícies inadequadamente higienizadas podem atuar como reservatórios bacterianos, reforçando a importância de protocolos eficazes de limpeza e desinfecção.

O funcionamento mecânico também pode interferir na condição dos tetos. Odorčić et al. (2019) demonstram que parâmetros como nível e estabilidade do vácuo, pulsação, características das teteiras e momento de retirada influenciam a condição dos tecidos e a eficiência da ordenha. Entretanto, o estudo não demonstra diretamente que essas alterações resultem em maior ou menor ocorrência de mastite clínica.

Melvin et al. (2019), por meio de avaliação ultrassonográfica, observaram aumento de aproximadamente 11% no comprimento do canal do teto imediatamente após a ordenha mecânica, alteração que permaneceu presente durante o período de acompanhamento. O estudo demonstra que a ordenha pode produzir alterações mensuráveis no canal do teto, reforçando a importância do adequado funcionamento do equipamento e do controle das condições de ordenha. Entretanto, como não foi avaliada a ocorrência de mastite clínica, esses resultados não permitem estabelecer relação direta entre as alterações observadas e o desenvolvimento da doença.

Stauffer, Feierabend e Bruckmaier (2020) compararam níveis de vácuo e estratégias de redução durante períodos de baixo fluxo. O vácuo mais elevado aumentou o fluxo de leite e diminuiu o tempo de ordenha, porém também aumentou a espessura do tecido dos tetos quando mantido durante o baixo fluxo. A redução do vácuo nesse momento evitou esse efeito. Assim, uma regulagem que melhora velocidade pode produzir consequência desfavorável para o tecido, e o melhor ajuste deve equilibrar desempenho e integridade dos tetos.

A manutenção periódica permite identificar desgaste de teteiras, falhas de pulsação, instabilidade de vácuo, entradas de ar e problemas de limpeza antes que se tornem permanentes na rotina. Watters e Virkler (2025) recomendam avaliação sistemática da instalação, das regulagens e dos componentes, incluindo sistemas automáticos. Essa avaliação deve combinar testes técnicos com observação durante a ordenha, pois um equipamento dentro dos valores estáticos pode apresentar falhas apenas quando submetido ao fluxo real de leite.

Portanto, limpeza e manutenção não devem ser apresentadas apenas como recomendações gerais. As evidências demonstram contaminação de superfícies, alterações ultrassonográficas dos tetos e efeitos mensuráveis das estratégias de vácuo. Embora esses estudos sustentem mecanismos relacionados à saúde mamária, a maioria não avaliou diretamente a ocorrência de mastite clínica. A conclusão adequada é que o equipamento limpo, regulado e monitorado reduz condições potencialmente prejudiciais e preserva a integridade dos tetos, compondo a prevenção integrada da enfermidade (Latorre et al., 2020; Melvin et al., 2019; Stauffer; Feierabend; Bruckmaier, 2020; Watters; Virkler, 2025).

3.4 Atuação do médico-veterinário na prevenção e no controle da mastite clínica bovina

A atuação do médico-veterinário na prevenção e no controle da mastite clínica começa pela investigação estruturada do problema. Ruegg (2003) propõe que a avaliação considere o padrão dos casos, os registros, a rotina de ordenha, as condições dos animais e o funcionamento dos equipamentos. Essa abordagem evita recomendar protocolos genéricos sem identificar os pontos críticos presentes na propriedade e permite relacionar cada intervenção a um indicador que possa ser acompanhado posteriormente.

O registro dos episódios clínicos é indispensável para reconhecer mudanças ao longo do tempo. Santman-Berends et al. (2015) demonstraram que dados coletados rotineiramente podem ser utilizados para estimar a incidência de mastite clínica por 100 vacas-ano. Para que essa informação seja válida, é necessário padronizar a definição de caso, identificar animal e quarto afetado, registrar data, gravidade, conduta e evolução.

A observação direta da ordenha permite comparar o protocolo escrito com a prática executada. Rodrigues, Caraviello e Ruegg (2005) avaliaram 180 rebanhos de Wisconsin e encontraram diferenças importantes entre rotinas. Em rebanhos com sistema freestall, a taxa mensal estimada de mastite clínica foi de 6,0% entre os que utilizavam pre-dipping e de 19,0% entre os que não utilizavam essa prática; entre aqueles que executavam uma rotina completa — retirada dos primeiros jatos, predipping, secagem e post-dipping — a taxa foi de 5,5%, contra 10,3% nos que não adotavam a sequência completa. Como o estudo foi observacional, esses valores não provam causalidade, mas mostram que a padronização das etapas esteve associada a melhores indicadores de saúde mamária. Para o médico-veterinário, isso reforça a necessidade de observar a execução real e não apenas confirmar a existência de um protocolo escrito.

Rodriguez et al. (2025) observaram que a capacitação dos trabalhadores melhorou o conhecimento e a execução de etapas da rotina de ordenha, incluindo a preparação e a desinfecção dos tetos. Entretanto, essa melhora operacional não se traduziu imediatamente em redução demonstrável da mastite clínica, indicando que os efeitos da capacitação sobre a ocorrência da doença devem ser avaliados separadamente.

Alanis et al. (2022) observaram que a capacitação dos trabalhadores por meio de e-learning contribuiu para melhorar a identificação e a comunicação de problemas relacionados aos equipamentos de ordenha. Entretanto, o estudo não avaliou a ocorrência de mastite clínica, de modo que seus resultados demonstram benefícios sobre a capacitação dos trabalhadores, mas não permitem afirmar efeito direto sobre a prevenção da enfermidade.

O manejo dos animais identificados com mastite clínica também deve integrar os protocolos da propriedade. Barkema et al. (2009) destacam a segregação e a organização da ordem de ordenha como medidas de controle de infecções contagiosas. Nesse contexto, o médico-veterinário deve acompanhar tanto a adesão aos protocolos estabelecidos quanto os indicadores de saúde mamária, uma vez que melhorias na execução das práticas de ordenha não significam, necessariamente, redução da ocorrência de mastite clínica.

Assim, o médico-veterinário atua na avaliação, padronização e acompanhamento das medidas adotadas, contribuindo para a aplicação das evidências científicas à realidade de cada propriedade e para a interpretação dos resultados obtidos (Ruegg, 2003; Alanis et al., 2022; Rodriguez et al., 2025).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise comparativa da literatura demonstrou que as boas práticas de ordenha estão relacionadas à prevenção da mastite clínica bovina, embora os estudos apresentem resultados distintos conforme os indicadores avaliados e as condições em que as práticas foram aplicadas. Alguns estudos avaliaram diretamente a ocorrência de casos clínicos, enquanto outros mediram novas infecções intramamárias, contaminação bacteriana, contagem de células somáticas, condição dos tetos ou desempenho da ordenha. A interpretação adequada depende de manter essas diferenças explícitas.

No manejo pré-ordenha, a limpeza seguida de secagem reduz a contaminação dos tetos e do leite. O pre-dipping também diminui a população bacteriana e pode reduzir novas infecções, porém os ensaios realizados em rebanhos a pasto mostraram que o benefício adicional sobre mastite clínica não é uniforme. A resposta depende das condições de higiene, do produto, da execução e do nível inicial de exposição do rebanho.

Durante a ordenha, deslizamentos frequentes das teteiras, sobreordenha prolongada e regulagens inadequadas podem aumentar novas infecções ou deteriorar a condição dos tetos. Os estudos demonstram que a retirada oportuna e o controle do vácuo preservam a integridade dos tecidos e podem melhorar a eficiência. Entretanto, como grande parte dessas pesquisas não avaliou diretamente a ocorrência de mastite clínica, seus resultados sustentam mecanismos relacionados à prevenção, mas não permitem estimar diretamente a redução de casos da doença.

No período pós-ordenha, a desinfecção dos tetos apresentou a evidência mais consistente para prevenção de novas infecções intramamárias. Ensaios com clorexidina e iodóforos demonstraram reduções mensuráveis, e determinados produtos de barreira também apresentaram menor risco de mastite clínica. A variabilidade entre formulações impede considerar todos os desinfetantes equivalentes, tornando necessária a escolha de produtos avaliados e a verificação da cobertura e da regularidade de aplicação.

A higiene, a manutenção e o funcionamento dos equipamentos completam essas medidas. A presença de perfis bacterianos semelhantes em superfícies e infecções, as alterações do canal do teto após a ordenha e os efeitos do vácuo sobre os tecidos demonstram que falhas de limpeza e regulagem não são apenas problemas operacionais. Ainda assim, a relação direta com mastite clínica deve ser afirmada somente quando o estudo mensurou esse resultado.

A atuação do médico-veterinário é necessária para reconhecer os fatores predominantes em cada rebanho, padronizar os registros, observar a rotina, capacitar a equipe e verificar se as recomendações são cumpridas. Os treinamentos analisados melhoraram conhecimento, percepção de falhas e conformidade de etapas da ordenha, mas a avaliação final deve incluir também indicadores clínicos acompanhados ao longo do tempo.

Conclui-se que a prevenção da mastite clínica bovina depende da aplicação integrada e contínua das boas práticas, adaptadas às condições da propriedade. O conjunto de evidências sustenta a preparação higiênica e seca dos tetos, o funcionamento estável das unidades, a retirada no momento adequado, a desinfecção pós-ordenha, a manutenção dos equipamentos e o acompanhamento técnico. A efetividade deve ser verificada por registros padronizados e interpretada com cautela, distinguindo melhora de indicadores intermediários de redução efetiva da ocorrência clínica.

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  1. Acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Uninassau de Palmas.
    E-mail: annelopes006@gmail.com ↑

  2. Professor(a) orientador(a) Ms. em Biodiversidade Ecologia e Conservação.
    E-mail: profyohanaiansen@gmail.com ↑

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