RESUMO
A vulnerabilidade social constitui uma importante dimensão relacionada ao processo saúde-doença, especialmente entre usuários que enfrentam dificuldades econômicas, familiares, territoriais e de acesso às políticas públicas. No ambiente hospitalar, essas condições podem interferir no tratamento, na permanência institucional e na continuidade do cuidado após a alta. O presente estudo teve como objetivo geral analisar a intervenção do assistente social no atendimento hospitalar de usuários em situação de vulnerabilidade social. Como objetivos específicos, buscou-se identificar as principais expressões da vulnerabilidade social presentes no contexto hospitalar; analisar as estratégias e instrumentos utilizados pelo assistente social; e compreender a importância da articulação interprofissional, intersetorial e em rede para a garantia de direitos e continuidade do cuidado. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada mediante levantamento de publicações científicas disponíveis em bases de dados da área da saúde e do Serviço Social. Foram considerados estudos publicados entre 2021 e 2026, relacionados à atuação profissional do assistente social, vulnerabilidade social, atendimento hospitalar, garantia de direitos e continuidade do cuidado. Os resultados foram organizados em três categorias temáticas: expressões da vulnerabilidade social no atendimento hospitalar; estratégias de intervenção profissional; e articulação em rede e continuidade do cuidado. Os estudos demonstraram que o assistente social atua na identificação das demandas sociais, acolhimento, orientação sobre direitos, realização de estudos sociais, encaminhamentos, articulação com serviços da rede e planejamento da alta. Conclui-se que a intervenção profissional contribui para ampliar a compreensão das necessidades dos usuários e fortalecer a integralidade da atenção, embora permaneçam desafios relacionados à fragmentação das redes, às condições de trabalho e à insuficiência de recursos sociais e institucionais.
Palavras-chave: Serviço Social. Vulnerabilidade social. Atendimento hospitalar.
Social vulnerability constitutes an important dimension related to the health–disease process, especially among individuals facing economic, family, territorial, and access-related barriers to public policies. In the hospital setting, these conditions may interfere with treatment, length of stay, and continuity of care after discharge. The general objective of this study was to analyze the intervention of social workers in hospital care for individuals in situations of social vulnerability. The specific objectives were to identify the main expressions of social vulnerability present in the hospital context; analyze the strategies and instruments used by social workers; and understand the importance of interprofessional, intersectoral, and network-based collaboration in ensuring rights and continuity of care. This is an integrative literature review with a qualitative approach, conducted through a survey of scientific publications available in health and Social Work databases. Studies published between 2021 and 2026 related to the professional practice of social workers, social vulnerability, hospital care, rights protection, and continuity of care were considered. The results were organized into three thematic categories: expressions of social vulnerability in hospital care; professional intervention strategies; and network-based collaboration and continuity of care. The studies demonstrated that social workers are involved in identifying social needs, providing support, offering guidance on rights, conducting social assessments, making referrals, coordinating with network services, and planning hospital discharge. It is concluded that professional intervention contributes to a broader understanding of users’ needs and strengthens comprehensive care, although challenges remain regarding network fragmentation, working conditions, and insufficient social and institutional resources.
Keywords: Social Work. Social vulnerability. Hospital care.
1. INTRODUÇÃO
Soares, Correia e Santos (2021) destacam que o trabalho do assistente social na política de saúde está diretamente relacionado às expressões da questão social que atravessam o cotidiano dos usuários. As desigualdades econômicas, as dificuldades de acesso às políticas públicas, a precarização das condições de vida e as diferentes formas de violação de direitos constituem demandas que chegam aos serviços de saúde e exigem respostas profissionais qualificadas. No contexto hospitalar, essas situações podem adquirir maior complexidade, considerando que o adoecimento frequentemente repercute sobre as condições familiares, financeiras e sociais dos indivíduos.
A vulnerabilidade social não deve ser compreendida apenas como ausência de renda, pois envolve diferentes dimensões relacionadas às condições de vida, ao território, aos vínculos familiares, ao acesso às políticas públicas e à capacidade de proteção dos indivíduos. Dessa forma, usuários hospitalizados podem apresentar necessidades que não são solucionadas exclusivamente por procedimentos clínicos, especialmente quando enfrentam dificuldades para garantir alimentação, moradia, transporte, medicamentos ou acompanhamento após a alta (Backes et al., 2023).
Para Pereira e Lemos (2021), a atuação do assistente social deve considerar a integralidade das necessidades dos sujeitos, reconhecendo as diferentes expressões da questão social presentes nos serviços de saúde. A intervenção profissional exige conhecimento da realidade dos usuários e capacidade de construir respostas que respeitem suas particularidades. No espaço hospitalar, essa perspectiva torna-se relevante porque o usuário pode apresentar demandas relacionadas à violência, discriminação, fragilidade dos vínculos, ausência de recursos materiais ou dificuldade de acesso a outros serviços da rede.
A inserção do assistente social no hospital também está relacionada ao trabalho desenvolvido junto às equipes multiprofissionais. A compreensão ampliada do processo saúde-doença possibilita incorporar à assistência informações sobre as condições sociais dos usuários, contribuindo para que situações que interferem no tratamento sejam identificadas e discutidas pela equipe (Fagundes; Wünsch, 2021).
Gomes e Costa (2023) evidenciam que a atuação do Serviço Social em hospital de alta complexidade envolve diferentes demandas relacionadas à internação, à regulação e à alta hospitalar. No estudo realizado em Belém, os autores identificaram a importância do profissional na equipe interdisciplinar, especialmente pela capacidade de reconhecer particularidades sociais dos pacientes e contribuir para a viabilização de direitos. Nesse sentido, a problemática desta pesquisa está relacionada à necessidade de compreender de que maneira o assistente social intervém diante das situações de vulnerabilidade social identificadas durante o atendimento hospitalar e como essa atuação pode contribuir para a continuidade do cuidado.
Diante dessa problemática, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a intervenção do assistente social no atendimento hospitalar de usuários em situação de vulnerabilidade social, por meio de uma revisão integrativa da literatura. Como objetivos específicos, pretende-se: a) identificar as principais expressões da vulnerabilidade social presentes no atendimento hospitalar; b) analisar as estratégias e os instrumentos utilizados pelo assistente social na intervenção junto aos usuários em situação de vulnerabilidade; e c) compreender a importância da articulação interprofissional, intersetorial e em rede para a garantia de direitos e para a continuidade do cuidado após a hospitalização. A escolha da temática justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão sobre o trabalho profissional diante de demandas sociais que interferem no processo de hospitalização e na efetivação do direito à saúde.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Vulnerabilidade social e atendimento hospitalar
Carvalho (2021) aponta que as competências e atribuições do assistente social no contexto hospitalar precisam ser compreendidas a partir da realidade concreta dos usuários e das demandas sociais que chegam às instituições. O profissional atua diante de situações que podem envolver dificuldades econômicas, familiares, previdenciárias, habitacionais e relacionadas ao acesso às políticas públicas. Dessa forma, o atendimento hospitalar constitui espaço no qual diferentes expressões da questão social se manifestam e exigem intervenção profissional.
As situações de vulnerabilidade podem ser agravadas quando o usuário apresenta dificuldades para acessar recursos indispensáveis à continuidade do tratamento. A hospitalização, nesse sentido, pode revelar problemas que permaneciam ocultos ou intensificar situações anteriormente existentes, fazendo com que a equipe precise considerar aspectos sociais e familiares durante o planejamento da assistência (Martins, 2024).
Para Pereira e Lemos (2021), grupos socialmente vulnerabilizados podem enfrentar barreiras específicas nos serviços de saúde, relacionadas à discriminação, ao preconceito e à dificuldade de reconhecimento de suas necessidades. Embora o estudo das autoras esteja direcionado à população transgênero e travesti, seus resultados demonstram a importância de uma atuação profissional fundamentada na defesa de direitos, no respeito à diversidade e na integralidade do atendimento.
A vulnerabilidade também pode estar associada às dificuldades de comunicação e de acesso à informação, principalmente quando o usuário apresenta necessidades específicas. Nesses casos, a intervenção profissional deve considerar as características individuais e sociais da pessoa atendida, evitando práticas que reduzam a complexidade da situação a uma demanda exclusivamente administrativa ou clínica (Oliveira, 2023).
2.2 Estratégias e instrumentos de intervenção do assistente social
Gonçalves e Moraes (2023) identificaram, no Hospital Federal de Bonsucesso, diferentes estratégias utilizadas pelo Serviço Social durante o período da pandemia de Covid-19. O estudo demonstra que a intervenção profissional foi construída a partir das dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, evidenciando a necessidade de articulação entre conhecimento profissional, princípios éticos e instrumentos de trabalho. Essa perspectiva é aplicável ao cotidiano hospitalar em situações de vulnerabilidade, nas quais a resposta profissional exige análise da realidade e construção de estratégias individualizadas.
Entre os instrumentos utilizados pelo assistente social encontram-se entrevistas, estudos sociais, relatórios, pareceres, reuniões com equipes, contatos com familiares e encaminhamentos para outros serviços. Esses recursos permitem sistematizar informações sobre a realidade dos usuários e favorecer a articulação entre a demanda apresentada e os recursos disponíveis na rede de proteção social (Martins, 2024).
Soares, Correia e Santos (2021) ressaltam que as demandas direcionadas ao Serviço Social durante situações de crise sanitária exigiram reorganização das formas de atendimento e desenvolvimento de novas estratégias profissionais. O contexto evidenciou a necessidade de preservar o acesso aos direitos e manter a comunicação entre usuários, familiares e serviços, mesmo diante de limitações institucionais. A experiência demonstra que os instrumentos profissionais precisam ser utilizados de maneira crítica, articulados às necessidades concretas da população.
A orientação sobre direitos constitui outra dimensão importante da intervenção. O usuário hospitalizado pode desconhecer os recursos existentes ou não saber quais serviços procurar diante de determinada necessidade social. Nessa perspectiva, a informação torna-se instrumento de fortalecimento da autonomia, enquanto os encaminhamentos possibilitam estabelecer conexões entre o usuário e as políticas públicas disponíveis (Pereira; Lemos, 2021).
2.3 Trabalho interprofissional e articulação em rede
Fagundes e Wünsch (2021) demonstram que a inserção do assistente social nas equipes de saúde contribui para dar visibilidade às dimensões sociais do processo saúde-doença. O trabalho coletivo possibilita a articulação de diferentes saberes e favorece a construção de respostas mais abrangentes às necessidades dos usuários. No ambiente hospitalar, essa atuação interprofissional pode ser fundamental para identificar situações que interferem na recuperação e na continuidade do cuidado.
A articulação em rede torna-se particularmente importante quando a demanda identificada durante a internação não pode ser solucionada exclusivamente pelo hospital. Questões relacionadas à assistência social, saúde mental, habitação, previdência, documentação, transporte e proteção contra violência podem exigir o envolvimento de diferentes serviços e políticas públicas (Tierling; Oliveira, 2024).
Gomes e Costa (2023) evidenciam que a participação do assistente social no processo de regulação hospitalar pode contribuir para a construção de uma alta mais qualificada. A análise das condições sociais dos pacientes permite identificar obstáculos que podem interferir na saída do hospital e na continuidade do acompanhamento. Dessa forma, o Serviço Social atua como elemento articulador entre as demandas sociais do usuário e os recursos existentes na rede.
A continuidade do cuidado exige, portanto, comunicação entre os diferentes níveis de atenção e articulação com os serviços existentes no território. Quando essa integração é insuficiente, o usuário pode enfrentar dificuldades após a alta, inclusive retornando ao hospital em razão de demandas que poderiam ser acompanhadas por outros serviços (Oliveira, 2024).
3. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo. A escolha desse método ocorreu por possibilitar a reunião e análise de diferentes produções científicas relacionadas a determinado problema de pesquisa, permitindo identificar conhecimentos consolidados, diferentes perspectivas e lacunas existentes na literatura. A revisão integrativa tem sido utilizada em pesquisas da área da saúde por possibilitar a síntese de estudos com diferentes delineamentos metodológicos (Leite et al., 2021).
Sousa, Bezerra e Santos do Egypto (2023) ressaltam que a revisão integrativa requer organização sistemática das etapas de elaboração, incluindo definição do problema, estabelecimento dos critérios de seleção, busca das publicações, análise dos estudos e síntese dos resultados. Dessa forma, a presente pesquisa foi desenvolvida a partir de uma questão norteadora: como ocorre a intervenção do assistente social no atendimento hospitalar de usuários em situação de vulnerabilidade social?
A busca bibliográfica foi planejada considerando as bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed. Foram utilizados termos relacionados a “Serviço Social”, “assistente social”, “vulnerabilidade social”, “atendimento hospitalar”, “saúde hospitalar”, “garantia de direitos”, “alta hospitalar” e “continuidade do cuidado”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR.
Para Page et al. (2021), a apresentação transparente das etapas de identificação, seleção e inclusão dos estudos constitui elemento importante para o relato de revisões da literatura. Assim, o percurso de seleção foi organizado segundo as recomendações do PRISMA 2020, considerando identificação dos registros, remoção de duplicidades, análise de títulos e resumos, avaliação dos textos completos e inclusão dos estudos pertinentes. A utilização dessas recomendações favorece maior clareza na descrição do processo de seleção.
Foram estabelecidos como critérios de inclusão: artigos científicos publicados entre 2021 e 2026, disponíveis integralmente, relacionados à temática estudada e publicados em português, inglês ou espanhol. Foram excluídos artigos duplicados, editoriais, cartas, resumos de eventos, trabalhos sem relação direta com o objeto e publicações que não apresentassem informações suficientes para responder aos objetivos. Após a seleção, os estudos foram organizados em três categorias analíticas: vulnerabilidade social no atendimento hospitalar; estratégias de intervenção profissional; e articulação interprofissional, intersetorial e em rede.
4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Principais expressões da vulnerabilidade social no atendimento hospitalar
Gomes e Costa (2023) identificaram que o atendimento hospitalar pode envolver demandas sociais que interferem diretamente na permanência do usuário na instituição e no processo de alta. No hospital de alta complexidade analisado pelos autores, o Serviço Social participa da identificação das particularidades dos pacientes e da articulação necessária para a efetivação de direitos. Esses resultados demonstram que a vulnerabilidade social pode interferir nos fluxos hospitalares e exigir intervenção para além da assistência clínica.
As situações de vulnerabilidade podem envolver ausência de recursos financeiros, fragilidade dos vínculos familiares, dificuldades de transporte, ausência de moradia adequada, violência, discriminação e obstáculos para acessar outros serviços públicos. Dessa maneira, o diagnóstico social realizado durante a hospitalização pode revelar necessidades que precisam ser consideradas no planejamento do cuidado (Martins, 2024).
Pereira e Lemos (2021) demonstram que determinadas populações podem enfrentar formas específicas de vulnerabilização dentro dos serviços de saúde. A população transgênero e travesti, por exemplo, pode vivenciar discriminação e desrespeito às suas identidades, o que evidencia a necessidade de práticas profissionais orientadas pela integralidade e pela defesa de direitos. No hospital, o reconhecimento dessas particularidades é necessário para que o atendimento não reproduza situações de exclusão.
Outro aspecto identificado na literatura refere-se às desigualdades territoriais. Usuários residentes em localidades distantes ou com menor disponibilidade de serviços podem apresentar maiores dificuldades para realizar consultas, exames e acompanhamentos após a alta. Assim, o território de origem precisa ser considerado durante o planejamento da continuidade do cuidado (Tierling; Oliveira, 2024).
Soares, Correia e Santos (2021) demonstraram que situações de crise podem ampliar demandas sociais e produzir novas dificuldades de acesso aos serviços. A experiência da pandemia evidenciou que grupos em condições mais vulneráveis são afetados de maneira diferenciada pelas mudanças na organização da assistência. Esses resultados permitem compreender que a vulnerabilidade deve ser analisada de maneira dinâmica, considerando as condições sociais e institucionais que podem agravá-la ou reduzi-la.
4.2 Estratégias profissionais e garantia de direitos
Gonçalves e Moraes (2023) identificaram que o Serviço Social hospitalar desenvolve estratégias fundamentadas nas dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa. Essa articulação possibilita que o profissional não se limite à execução de encaminhamentos, mas desenvolva análise crítica das demandas apresentadas. A intervenção passa a envolver identificação das necessidades, planejamento das ações, comunicação com a equipe e articulação com usuários e familiares.
O acolhimento constitui uma das estratégias importantes no atendimento social hospitalar, pois permite conhecer a realidade do usuário e identificar situações que podem interferir na assistência. A escuta realizada pelo profissional pode revelar necessidades relacionadas à família, moradia, renda, documentação, transporte e proteção social, possibilitando o direcionamento das ações conforme cada situação (Martins, 2024).
Carvalho (2021) destaca que as competências profissionais no contexto hospitalar envolvem diferentes dimensões do atendimento social. A atuação requer capacidade de realizar estudos, orientações, encaminhamentos e articulações institucionais, considerando os direitos sociais dos usuários. Assim, os instrumentos técnico-operativos precisam estar vinculados a uma leitura crítica da realidade e não apenas à resolução imediata de demandas.
A orientação sobre direitos também representa importante estratégia profissional. O usuário e sua família podem desconhecer os caminhos institucionais necessários para acessar benefícios, serviços e recursos. Nesse sentido, a informação oferecida pelo assistente social pode favorecer maior compreensão sobre as possibilidades existentes e contribuir para a autonomia dos sujeitos (Pereira; Lemos, 2021).
Gomes e Costa (2023) demonstram ainda que o Serviço Social pode participar de processos relacionados à alta hospitalar, contribuindo para identificar condições que precisam ser consideradas antes da saída do usuário. A alta, portanto, não deve ser compreendida exclusivamente como encerramento da internação, mas como momento que exige planejamento e articulação com os recursos existentes no território.
4.3 Articulação em rede e continuidade do cuidado
Tierling e Oliveira (2024) identificaram fragilidades na continuidade do cuidado após a alta hospitalar, evidenciando a necessidade de maior integração entre os serviços. Os autores demonstram que a atuação do assistente social pode contribuir para conectar diferentes níveis de atenção, especialmente em situações nas quais as necessidades do usuário ultrapassam a capacidade de resposta do hospital.
A articulação interprofissional permite reunir conhecimentos diferentes para compreender situações complexas. O trabalho conjunto entre assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais pode favorecer uma avaliação mais ampla das necessidades dos usuários e contribuir para a construção de estratégias de cuidado (Fagundes; Wünsch, 2021).
Gomes e Costa (2023) demonstram que a articulação entre Serviço Social e processos de regulação hospitalar pode contribuir para uma alta mais qualificada. Ao considerar aspectos sociais que interferem na permanência e na saída do paciente, o profissional participa da construção de estratégias que podem reduzir dificuldades relacionadas à continuidade do tratamento.
A rede de proteção social também possui papel importante diante de situações de violência, abandono, negligência e fragilização dos vínculos familiares. Nesses casos, o encaminhamento precisa ser acompanhado de comunicação adequada entre os serviços envolvidos, evitando que a responsabilidade pelo usuário seja simplesmente transferida de uma instituição para outra (Aragão; Otoni, 2024).
Gonçalves e Moraes (2023) mostram que as experiências desenvolvidas no ambiente hospitalar exigem reorganização permanente das estratégias de trabalho diante das demandas apresentadas. A articulação com familiares, equipes e serviços externos constitui parte desse processo. Dessa maneira, os resultados da revisão indicam que a continuidade do cuidado depende da capacidade institucional de estabelecer relações efetivas entre o hospital e a rede de atenção e proteção social.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os usuários em situação de vulnerabilidade podem apresentar dificuldades que ultrapassam a dimensão clínica, interferindo no tratamento, na permanência hospitalar e na possibilidade de continuidade do cuidado após a alta.
A intervenção do assistente social apresenta-se relacionada à identificação dessas demandas, ao acolhimento, à escuta qualificada, à orientação sobre direitos, ao estudo social, aos encaminhamentos e à articulação com diferentes serviços. O profissional contribui para inserir a dimensão social no processo de cuidado e para aproximar as necessidades dos usuários dos recursos disponíveis nas políticas públicas.
Os resultados também demonstraram que o trabalho em rede é fundamental para o atendimento das situações complexas identificadas durante a hospitalização. A articulação entre equipe multiprofissional, família, hospital, atenção básica, assistência social e demais serviços pode favorecer uma alta planejada e reduzir a fragmentação do cuidado. Entretanto, a literatura evidencia que ainda existem dificuldades relacionadas à comunicação entre os serviços, às condições de trabalho e à disponibilidade de recursos.
Conclui-se que o Serviço Social possui importante espaço de intervenção no atendimento hospitalar de usuários em situação de vulnerabilidade social, especialmente na perspectiva da garantia de direitos e da integralidade da atenção. A atuação profissional, entretanto, precisa estar acompanhada de condições institucionais adequadas, fortalecimento das redes de proteção social e valorização do trabalho multiprofissional. Novas pesquisas podem contribuir para aprofundar a compreensão dessas práticas, especialmente em hospitais públicos e na realidade amazônica, considerando as particularidades territoriais e sociais que influenciam o acesso e a continuidade do cuidado.
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Graduada Bacharel em Serviço social, pela UNIP, pós-graduação em Gestão e Políticas públicas Municipais, pela Uniasselvi – mariaft928@gmail.com ↑
Graduada Bacharel em Serviço social, pela Universidade Anhanguera, pós-graduação em Gestão e Políticas públicas Municipais, pela Uniasselvi – maragatinho17@gmail.com ↑
Graduada Bacharel em Serviço social, pela Universidade UNIDERP Anhanguera, pós-graduação em Lato Sensu em Gestão hospitalar, pela Universidade UNICESUMAR – selda.carvalho@hotmail.com ↑

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