Autoimagem e satisfação com a vida na população masculina: uma análise multidimensional
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Introdução: A satisfação com a vida e a autoimagem masculina podem ser influenciadas por fatores psicossociais e socioculturais, especialmente em um contexto marcado pela pressão estética e pela influência das mídias sociais. Objetivo: Analisar os fatores associados à satisfação com a vida e a autoimagem na população masculina. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, analítico e quantitativo, realizado com 200 homens. Foram utilizados questionário sociodemográfico, a Escala de Satisfação com a Vida e o Body Shape Questionnaire (BSQ). A coleta de dados foi realizada virtualmente, por meio do Google Forms, no ano de 2026. Resultados: Os fatores sociodemográficos e pessoais associados a maiores escores de satisfação com a vida foram idade superior a 50 anos (p=0,0010), viuvez (p=0,0010), renda mensal acima de R$ 9.000,00 (p=0,0010), pós-graduação (p=0,0010) e prática regular de atividade física (p=0,0010). Também apresentaram maiores níveis de satisfação com a vida participantes satisfeitos com a própria saúde (p<0,0001), satisfeitos com o próprio corpo (p<0,0001) e que não realizaram mudanças corporais para melhorar a aparência (p=0,0010). Em relação à autoimagem, observou-se maior comprometimento entre homens insatisfeitos com a própria saúde (p=0,0010), que se comparavam com outros homens nas redes sociais (p<0,0001), que realizavam comparações físicas frequentes com outras pessoas (p<0,0001), que se preocupavam excessivamente com a aparência física (p=0,0008), que já realizaram procedimentos estéticos (p=0,0400) e mudanças corporais para melhorar a aparência (p=0,0010), além daqueles insatisfeitos com o próprio corpo (p<0,0001). Não foi observada correlação estatisticamente significativa entre satisfação com a vida e autoimagem (Rho=0,120; p=0,092). Conclusão: Conclui-se que fatores sociodemográficos, emocionais e relacionados à pressão estética exercem influência significativa sobre a satisfação com a vida e a autoimagem masculina. Destaca-se a importância de uma abordagem ampliada e humanizada na área da saúde e da estética masculina, considerando os impactos das redes sociais, da comparação corporal e dos padrões estéticos sobre o bem-estar psicológico e a percepção corporal dos homens.

Palavras-chave: Autoimagem; Homens; Imagem Corporal; Satisfação com a Vida; Redes Sociais.

ABSTRACT

Introduction: Life satisfaction and male self-image may be influenced by psychosocial and sociocultural factors, especially in a context marked by aesthetic pressure and social media influence. Objective: To analyze the associated factors, as well as the correlation, between life satisfaction and self-image in male population. Methods: This was a cross-sectional, analytical, and quantitative study conducted with 200 men. A sociodemographic questionnaire, the Satisfaction with Life Scale, and the Body Shape Questionnaire (BSQ) were used. Data collection was carried out virtually through Google Forms in 2026. Results: The sociodemographic and personal factors associated with higher life satisfaction scores were age over 50 years (p=0.0010), widowhood (p=0.0010), monthly income above R$ 9,000.00 (p=0.0010), postgraduate education (p=0.0010), and regular physical activity (p=0.0010). Higher levels of life satisfaction were also observed among participants satisfied with their own health (p<0.0001), satisfied with their bodies (p<0.0001), and those who had not undergone body modifications to improve appearance (p=0.0010). Regarding self-image, greater impairment was observed among men dissatisfied with their own health (p=0.0010), who compared themselves with other men on social media (p<0.0001), who frequently made physical comparisons with other people (p<0.0001), who were excessively concerned about physical appearance (p=0.0008), who had undergone aesthetic procedures (p=0.0400), and who had made body changes to improve appearance (p=0.0010), as well as among those dissatisfied with their own bodies (p<0.0001). No statistically significant correlation was found between life satisfaction and self-image (Rho=0.120; p=0.092). Conclusion: It is concluded that sociodemographic, emotional, and aesthetic pressure-related factors exert a significant influence on life satisfaction and male self-image. The importance of a broader and more humanized approach in the fields of men’s health and aesthetics is highlighted, considering the impacts of social media, body comparison, and aesthetic standards on men’s psychological well-being and body perception.

Keywords: Self-image; Men; Body Image; Life Satisfaction; Social Media.

1 INTRODUÇÃO

A determinação da autoimagem é complexa, pois requer instrumentos capazes de capturar a valoração corporal a partir da percepção e/ou atitudes do indivíduo. Considerando a multidimensionalidade da imagem corporal e a diversidade de instrumentos disponíveis para mensurá-la, estudos futuros que visem avaliar diferentes componentes da imagem corporal simultaneamente tornam-se cada vez mais relevantes (Grogan, 2021).

O crescimento da insatisfação corporal entre homens vem sendo relacionado à constante exposição a imagens idealizadas, associado à influência das redes sociais, reforçando padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis. Essas representações acabam por naturalizar ideais pouco realistas e evidenciar a distância entre tais modelos e a aparência real dos indivíduos (Schmitt et al., 2025).

A percepção negativa da imagem corporal pode desencadear sérios problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão e transtornos dismórficos corporais. Esse impacto pode afetar relacionamentos e interações interpessoais. A insatisfação com o próprio corpo tende a reduzir a autoconfiança, dificultar o engajamento em atividades sociais e comprometer a qualidade dos vínculos (Wahi et al., 2024).

Cada vez mais a população masculina tem recorrido à área da estética em busca de rejuvenescimento, definição corporal e correção de aspectos que geram insatisfação, incluindo o crescente interesse por procedimentos genitais. Apesar desse avanço, ainda persistem barreiras culturais que dificultam a procura por apoio emocional e psicológico, levando muitos a priorizar mudanças visíveis no corpo em detrimento da saúde mental (Sharp et al., 2022).

As relações entre o uso de mídias sociais, a vergonha corporal e a vigilância, assim como os impulsos voltados aos ideais corporais masculinos, especialmente o impulso por musculatura e por magreza, constituem fatores centrais na vivência dos homens em relação ao corpo (Piatkowski et al., 2022). A insatisfação corporal de homens pode ser influenciada pela crescente exposição a imagens de corpos masculinos idealizados e pelas pressões socioculturais relacionadas à aparência física (Galhardo et al., 2026).

Na área da estética, percebe-se que os homens têm um crescente interesse na maioria dos principais procedimentos de cirurgia plástica cirúrgica e não cirúrgica ao longo de quase 20 anos, e mais notavelmente nos últimos dez anos. Durante muito tempo, houve na população masculina uma opinião desfavorável sobre procedimentos estéticos devido ao preconceito social que estes implicam (Lem et al., 2023).

Em se pensando em autoimagem, é necessário integrar a perspectiva da satisfação com a vida, entendida como um componente subjetivo do bem-estar relacionado à percepção da própria saúde, realização pessoal e qualidade de vida. Esse conceito influencia diretamente a forma como o indivíduo se percebe e se relaciona consigo mesmo e com a sociedade (Nowak; Rogowska; Kwaśnicka, 2024).

Nesse sentido, o foco da análise da problematização empreendida situa-se na avaliação de fatores associados à satisfação com a vida e autoimagem em homens. Assim, o presente estudo teve por objetivo analisar os fatores associados à satisfação com a vida e a autoimagem na população masculina.

2 MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Este é um método de pesquisa que coleta informações de um grupo específico de participantes em uma visão momentânea das características ou resultados mais comuns em uma população específica naquele instante (Pérez-Guerrero et al., 2024).

A pesquisa foi realizada por meio de questionários aplicados à população masculina, de forma virtual, utilizando plataformas digitais para o envio e coleta das respostas. O link contendo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o questionário foi compartilhado a essa população virtualmente com o auxílio das redes sociais das pesquisadoras, como o WhatsApp, Telegram, Facebook e Instagram.

Foi solicitado aos participantes que compartilhassem o link do estudo em redes sociais, adotando a técnica de amostragem por bola de neve (snowball sampling), na qual os próprios participantes indicam novos respondentes a partir de suas redes de contato. A coleta de dados ocorreu entre fevereiro e abril de 2026, sendo obtida uma amostra por conveniência composta por 200 participantes.

Critérios de inclusão: população masculina com 18 anos ou mais de idade. Critérios de exclusão: Indivíduos que não se consideram masculinos e aqueles que não preencherem integralmente os questionários.

Para o desenvolvimento da pesquisa foram utilizados três instrumentos. O primeiro foi um questionário sociodemográfico e pessoal, estruturado de forma objetiva, elaborado pelas pesquisadoras com variáveis, com o objetivo de caracterizar a amostra e identificar fatores associados à autoimagem e à satisfação com a vida.

O segundo foi a Escala de Satisfação com a Vida, que tem por objetivo avaliar como a pessoa julga sua própria satisfação com a vida. Foi proposto por Diener et al. (1985), adaptado e validado no Brasil por Fleck et al. (1999). É composto por 5 itens, com respostas graduadas de acordo com escala tipo Likert. Varia de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). O escore total varia de 5 a 35, de forma que quanto maior a pontuação, melhor a pessoa considera sua satisfação com a vida.

O terceiro foi o Body Shape Questionnaire (BSQ), que tem por objetivo avaliar a preocupação com a autoimagem corporal de jovens e adultos. Foi desenvolvido por Cooper et al. (1987). Foi adaptado e validado no Brasil por Di Pietro e Silveira (2009). É uma escala composta por 34 itens que são autopreenchidos. A escala é do tipo Likert em que os participantes são solicitados a informar qual o seu grau de concordância/discordância. A análise adotada foi pela unidimensionalidade do fenômeno. Sendo assim, a pontuação foi obtida pela somatória da cotação dos itens que variam de 1 para nunca, até 6 que corresponde o sempre. O escore final varia entre 34 e 204. Maiores escores indicam pior percepção da autoimagem (Pimenta et al., 2012).

Com os dados coletados foi confeccionado um banco de dados utilizando o software IBM SPSS Statistics 18. Posteriormente, foi realizada estatística descritiva com o cálculo de medidas de tendência central para as variáveis contínuas, como média, mediana e desvio padrão e cálculo das frequências absoluta e relativa percentual para as variáveis discretas.

Na sequência foi aplicado teste de normalidade (Kolmogorov-Smirnov) para distinguir as distribuições paramétricas e não paramétricas, com o intuito de comparação dos resultados do questionário estratificado pelas variáveis sociodemográficas e pessoais. Foram utilizados, para as distribuições paramétricas, os testes t de Student e ANOVA. Além disso foi utilizado o teste de correlação de Spearman entre os níveis de satisfação com a vida e de autoimagem. Para todos os testes comparativos foi assumido p-valor menor ou igual a 0,05 como significativo. 

Antes de iniciar a coleta de dados, o presente trabalho foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), sendo aprovado com o parecer n. 8.055.813 de 14 de dezembro de 2025.

3 RESULTADOS

A amostra foi composta predominantemente por participantes da população masculina com idade entre 18 e 30 anos (51,0%), heteroafetivos (90,5%), solteiros (53,0%), com renda pessoal mensal de até R$ 3.000,00 (41,5%) e nível de escolaridade correspondente ao ensino médio (41,5%) (Tabela 1).

Tabela 1. Caracterização dos dados sociodemográficos da amostra, com determinação das frequências absolutas e relativas. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: n: frequência absoluta; f(%): frequência relativa percentual.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Em relação aos dados pessoais da amostra, observou-se maior frequência de participantes satisfeitos com a vida (71,5%), que acreditavam que procedimentos estéticos podem melhorar a autoimagem (69,5%) e que já realizaram mudanças corporais com o objetivo de melhorar a aparência (68,5%). Também se destacou o elevado uso frequente de redes sociais (90,0%), além da predominância de participantes satisfeitos com a própria saúde (56,0%) e que costumavam se preocupar com a aparência física (59,5%) (Tabela 2).

Tabela 2. Caracterização dos dados pessoais da amostra, com determinação das frequências absolutas e relativas. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: n: frequência absoluta; f(%): frequência relativa percentual.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Na comparação dos dados sociodemográficos da amostra com os níveis de satisfação com a vida, identificou-se, com significância estatística, maior escore entre participantes com mais de 50 anos (p<0,0001), viúvos (p=0,0019), com renda pessoal mensal acima de R$ 9.000,00 (p<0,0001), com pós-graduação (p=0,0051) e que praticavam atividade física regularmente (p=0,0060) (Tabela 3).

Tabela 3. Comparação dos dados sociodemográficos da amostra com os níveis de satisfação com a vida. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: DP – desvio padrão.

Testes estatísticos: t de Student e ANOVA One Way.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na comparação dos dados pessoais da amostra com os níveis de satisfação com a vida, identificou-se, com significância estatística, maior escore entre participantes satisfeitos com a própria saúde (p=0,0010), satisfeitos com o corpo (p<0,0001), satisfeitos com a vida (p<0,0001) e entre aqueles que não realizaram mudanças corporais para melhorar a aparência (p=0,0230) (Tabela 4).

Tabela 4. Comparação dos dados pessoais da amostra com os níveis de satisfação com a vida. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: DP – desvio padrão.

Testes estatísticos: t de Student e ANOVA One Way.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na comparação dos dados sociodemográficos da amostra com os níveis de autoimagem, identificou-se, com significância estatística, maior escore entre participantes homoafetivos (p=0,0103) (Tabela 5).

Tabela 5. Comparação dos dados sociodemográficos da amostra com os níveis de autoimagem. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: DP – desvio padrão.

Testes estatísticos: t de Student e ANOVA One Way.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na comparação dos dados pessoais da amostra com os níveis de autoimagem, identificou-se, com significância estatística, maior escore entre participantes insatisfeitos com a própria saúde (p=0,0010), que se comparavam com outros homens nas redes sociais (p<0,0001), insatisfeitos com o corpo (p<0,0001) e que já realizaram procedimentos estéticos (p=0,0400). Também foram observados maiores escores entre participantes que costumavam se comparar fisicamente com outras pessoas (p<0,0001), indiferentes quanto à satisfação com a vida (p=0,0259), que se preocupavam com a aparência física (p=0,0008) e que já realizaram mudanças corporais para melhorar a aparência (p=0,0010) (Tabela 6).

Tabela 6. Comparação dos dados pessoais da amostra com os níveis de autoimagem. Goiânia, Goiás, Brasil, 2026.

Legenda: DP – desvio padrão.

Testes estatísticos: t de Student e ANOVA One Way.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na análise de correlação de Spearman entre os níveis de satisfação com a vida e autoimagem na população masculina, não foi observada associação estatisticamente significativa entre as variáveis analisadas (Rho = 0,120; p = 0,092).

4 DISCUSSÃO

Os achados do presente estudo demonstraram que a satisfação com a vida esteve associada principalmente a fatores relacionados às condições sociodemográficas, percepção positiva da saúde e do próprio corpo, enquanto a pior percepção da autoimagem esteve mais relacionada à insatisfação corporal, comparação social e preocupação com a aparência física. Observou-se ainda influência de aspectos ligados às redes sociais, procedimentos estéticos e vulnerabilidades psicossociais, evidenciando a complexidade e multidimensionalidade dos fenômenos investigados.

Observou-se que indivíduos com idade superior a 50 anos, viúvos, renda acima de 9 mil reais, com pós-graduação e que faziam atividade física regularmente apresentaram maiores níveis de satisfação com a vida. O avanço da idade pode favorecer o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de regulação emocional, maior estabilidade psicológica e melhor capacidade de enfrentamento diante das adversidades cotidianas. Nesse contexto, a literatura aponta associação positiva entre envelhecimento saudável, pensamento positivo e níveis elevados de bem-estar subjetivo. Ademais, indivíduos mais velhos, especialmente homens, tendem a apresentar menor necessidade de validação social e estética, bem como menor influência de pressões socioculturais relacionadas à aparência e ao desempenho social, fatores que podem contribuir para uma percepção mais positiva da própria vida e para maiores índices de satisfação pessoal (Taherkhani et al., 2023).

Condições socioeconômicas favoráveis exercem influência significativa sobre o bem-estar subjetivo e a percepção de satisfação com a vida. A estabilidade financeira está associada à redução dos níveis de estresse psicológico, maior sensação de segurança e melhores indicadores de saúde mental e emocional. Além disso, tendem a apresentar maior acesso a serviços de saúde, alimentação adequada, atividades de lazer e práticas de autocuidado, elementos fundamentais para a promoção do bem-estar global. O bem-estar financeiro é um relevante preditor de boa saúde física e mental (Cardoso; Machado; Guilherme, 2026).

Condições econômicas favoráveis invariavelmente estão associadas a maior escolaridade. Maiores níveis de escolaridade estão associados a melhores indicadores de bem-estar subjetivo, especialmente devido à relação com estabilidade profissional, autonomia individual e melhores condições socioeconômicas. Pessoas com maior escolaridade relatam níveis mais elevados de emoções positivas e melhor percepção de satisfação global com a vida, reforçando a influência da educação sobre aspectos psicológicos e sociais relacionados ao bem-estar (Möwisch; Brose; Schmiedek, 2021).

No que se refere à viuvez, embora esteja frequentemente relacionada a impactos emocionais negativos e redução da satisfação com a vida, especialmente nos períodos iniciais após a perda conjugal, fatores como adaptação emocional, suporte social e reorganização da rotina podem contribuir para melhor percepção de bem-estar ao longo do tempo (Yang; Sun; Duan, 2022).

Um dos fatores importantes para enfrentar a viuvez é a prática regular de atividade física. Esta pode exercer influência significativa sobre aspectos físicos, emocionais e psicossociais relacionados ao bem-estar durante o envelhecimento. Indivíduos fisicamente ativos tendem a apresentar melhor percepção da própria saúde, maior autonomia funcional e maior participação social, fatores que contribuem diretamente para a qualidade de vida e satisfação pessoal. Além disso, a atividade física está associada à redução de sintomas ansiosos e depressivos, melhora da autoestima e fortalecimento da sensação de independência, aspectos importantes para o bem-estar subjetivo em indivíduos acima de 50 anos (Sánchez et al., 2021).

O presente estudo encontrou evidências de que satisfação com a própria saúde, a satisfação com o corpo e a não realização de mudanças corporais para melhorar aparência estão associados a maiores níveis de satisfação com a vida. Tanto a satisfação com a vida quanto a autoimagem masculina são influenciadas por fatores pessoais, ambientais e socioculturais que contribuem para a forma como os homens percebem o próprio corpo. Assim, uma percepção positiva do corpo e da saúde podem favorecer a autoestima, a autoconfiança, bem como engendrar maiores níveis de satisfação pessoal (Linardon et al., 2022).

A imagem corporal corresponde à percepção e à compreensão que o indivíduo desenvolve acerca do próprio corpo, envolvendo aspectos como tamanho, forma, estrutura e contorno corporal, além dos sentimentos associados a essas características. A imagem corporal é influenciada por elementos externos, incluindo opiniões de familiares e amigos, padrões culturais e meios de comunicação. Dessa forma, trata-se de uma construção social dinâmica, moldada continuamente pelas experiências e interações vividas ao longo da vida, não sendo, portanto, um conceito fixo ou imutável (Duarte et al., 2021).

Uma imagem corporal positiva tende a rejeitar padrões estéticos difundidos pela mídia como única forma de valorização pessoal (Linardon et al., 2022). A imagem corporal apresenta caráter multifacetado, exercendo um papel protetor e diferenciado em relação aos aspectos negativos associados à percepção do corpo. Suas diferentes dimensões se relacionam de maneira independente com diversos construtos associados a maiores níveis de bem-estar, positividade e menor sofrimento psicológico (Linardon et al., 2022).

Os resultados deste estudo demonstraram que homens que se comparavam com outros nas redes sociais, que se comparavam fisicamente com outras pessoas, que estavam preocupados com a aparência, que já realizaram procedimentos estéticos, bem como mudanças corporais para melhorar a imagem apresentaram piores níveis de autoimagem. A exposição frequente a conteúdos relacionados ao corpo masculino ideal favorece a internalização de padrões estéticos associados à muscularidade e definição corporal. Nesse contexto, as redes sociais atuam como importantes meios de reforço de padrões corporais muitas vezes inalcançáveis, intensificando comportamentos comparativos e sentimentos de inadequação física. Sabe-se que homens mais expostos a conteúdos corporais tendem a desenvolver maior vigilância corporal e necessidade de validação social relacionada à aparência (Piatkowski et al., 2022; Schmitt et al., 2025).

A comparação corporal frequente está associada ao aumento da insatisfação com a aparência e ao comprometimento do bem-estar psicológico, especialmente entre homens expostos constantemente a conteúdos relacionados ao corpo ideal nas redes sociais. A valorização de corpos musculosos, definidos e associados à masculinidade favorece a construção de padrões estéticos frequentemente difíceis de alcançar, contribuindo para sentimentos de inadequação e frustração com a própria aparência (Beos; Kemps; Prichard, 2025).

Há uma crescente valorização da aparência masculina especialmente impulsionada pelas mídias digitais e pela cultura da estética. Homens que sentem mais a pressão estética tendem a desenvolver um monitoramento excessivo da aparência e da forma física. Há também uma busca por aceitação social e reconhecimento por meio da aparência que pode aumentar níveis de ansiedade estética e insatisfação corporal (Piatkowski et al., 2022; Wahi et al., 2024).

Embora procedimentos estéticos sejam frequentemente associados à melhora da autoestima e da satisfação pessoal, muitos indivíduos recorrem a essas intervenções motivadas por insatisfação corporal prévia. Entre os homens, observa-se crescimento progressivo da procura por procedimentos voltados à harmonização facial, rejuvenescimento e definição corporal. Dessa forma, os procedimentos estéticos podem representar uma tentativa de adequação aos padrões corporais socialmente impostos, refletindo inseguranças relacionadas à autoimagem e à percepção corporal (Lem et al., 2023; Sharp et al., 2022).

Nesse sentido, a busca pelo corpo idealizado pode persistir mesmo após modificações físicas, mantendo níveis elevados de insatisfação corporal. Nesse sentido, a influência das mídias digitais contribui significativamente para o fortalecimento do ideal estético masculino e para a intensificação da pressão estética, impactando negativamente a relação dos indivíduos com o próprio corpo e sua autoimagem (Beos; Kemps; Prichard, 2025; Truasheim; Bonell, 2024).

Fatores como ter orientação homoafetiva, estar insatisfeito com a própria saúde e com o corpo, bem como indiferente quanto à satisfação com a vida apresentaram pior percepção de autoimagem. A valorização da aparência física é observada em determinados contextos sociais, especialmente entre homens expostos a padrões corporais rígidos e frequentemente associados à atratividade e aceitação social. Homens homoafetivos tendem a apresentar maior preocupação com o corpo e níveis mais elevados de insatisfação corporal, principalmente devido à pressão estética relacionada à magreza, definição muscular e aparência física considerada ideal (Cordes; Vocks; Hartmann, 2021; Muzi et al., 2023).

Assim, a forma como o indivíduo percebe sua condição de vida e sua condição de saúde pode influenciar diretamente a relação com a autoimagem. Percepções negativas sobre saúde frequentemente estão associadas à redução da autoestima, aumento do sofrimento emocional e maior preocupação com características físicas. Assim, tendem a desenvolver percepção corporal mais negativa, o que pode impactar também aspectos emocionais (Lem et al., 2023).

Homens insatisfeitos com o próprio corpo apresentam maiores níveis de ansiedade relacionada à aparência, baixa autoestima e sofrimento psicológico. Muitos passam a desenvolver preocupação excessiva com a aparência física, principalmente quando realizam comparações frequentes com modelos corporais socialmente valorizados (Gerrard et al., 2021; Piatkowski et al., 2022).

Embora a satisfação com a vida, o bem-estar emocional e a percepção da autoimagem possam estar relacionados, no presente estudo não foi observada essa associação estatisticamente significativa. Aspectos diversos podem impactar a construção da autoimagem, especialmente em contextos marcados por pressão estética e comparação social. Mesmo assim reforça-se a importância de considerar uma vasta complexidade de fatores sociais, emocionais e identitários na compreensão da autoimagem masculina (Muzi et al., 2023; Wahi et al., 2024).

5 CONCLUSÃO

Os fatores sociodemográficos e pessoais da amostra investigada associados a melhor satisfação com a vida incluíram idade superior a 50 anos, estado civil de viuvez, renda pessoal mensal acima de R$ 9.000,00, nível de escolaridade correspondente à pós-graduação e prática regular de atividade física.

Evidenciou-se que fatores psicossociais e emocionais exercem influência significativa sobre a autoimagem masculina. Aspectos relacionados à identidade sexual, percepção da saúde, satisfação corporal e bem-estar emocional demonstraram associação com pior percepção da autoimagem, evidenciando que a construção da imagem corporal vai além das características físicas. Além disso, a pressão estética contemporânea e os padrões corporais disseminados socialmente podem intensificar sentimentos de inadequação, comparação social e sofrimento psicológico.

Embora os resultados obtidos sejam relevantes, algumas limitações devem ser consideradas, especialmente em relação à composição da amostra. Por ter sido realizado de maneira online e com amostragem por conveniência, o estudo apresenta restrições quanto à extrapolação dos achados para a população geral. Assim, recomenda-se a realização de novas pesquisas com amostras mais amplas e representativas da população.

Os achados reforçam a importância de considerar que a satisfação com a vida e a percepção da autoimagem masculina são influenciadas por múltiplos fatores sociais, emocionais, econômicos e culturais, que nem sempre se apresentam de forma diretamente associada. Torna-se fundamental ampliar o olhar para além das características físicas e estéticas, considerando aspectos relacionados ao bem-estar psicológico, à pressão social, à construção da identidade e às vulnerabilidades emocionais presentes na população masculina.

Portanto, espera-se que as evidências aqui apresentadas contribuam para o desenvolvimento de estratégias de cuidado mais humanizadas e integrativas, promovendo maior conscientização sobre os impactos psicossociais envolvidos na relação da população masculina com a própria imagem e satisfação com a vida.

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  1. Faculdade de Princípios Militares (FPM) – Goiânia, Goiás, Brasil. ↑

  2. Faculdade de Princípios Militares (FPM) – Goiânia, Goiás, Brasil. ↑

  3. Faculdade de Princípios Militares (FPM) – Goiânia, Goiás, Brasil. ↑

  4. Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) – Goiânia, Goiás, Brasil. ↑

  5. Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás); Faculdade de Princípios Militares (FPM) – Goiânia, Goiás, Brasil. ↑

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Copyright (c) 2026 Izadora Dourado Lima, Jéssica Silva de Alencar, Lara Ferreira Silva, Antonio Márcio Teodoro Cordeiro Silva, Rogério José de Almeida (Autor)

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