Sistema de gestão InteliTech - Centro da Juventude Aurélio Romancini Netto
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO: Este relato descreve o desenvolvimento e a implantação do Sistema de Gestão InteliTech no Centro da Juventude Aurélio Romancini Netto, ação de extensão de acadêmicos de Engenharia de Software. Após levantamento de requisitos com a equipe da instituição, o sistema foi desenvolvido em três sprints de Scrum, com Next.js, Spring Boot e PostgreSQL, validado pelos profissionais e implantado em servidor local, operando desde 20 de setembro de 2026, com dois dias de treinamento. A experiência evidencia a articulação entre formação acadêmica e demandas da comunidade e registra, como limite, o curto período de operação para medir impactos.

Palavras-chave: Extensão universitária. Transformação digital. Gestão da informação. Engenharia de software. Tecnologia social.

ABSTRACT: This report describes the development and implementation of the InteliTech Management System at the Aurélio Romancini Netto Youth Center, as part of a university extension initiative carried out by Software Engineering students. After gathering requirements with the institution’s staff, the system was developed through three Scrum sprints using Next.js, Spring Boot, and PostgreSQL. It was validated by the professionals and deployed on a local server, where it has been operating since September 20, 2026, following two days of training. The experience highlights the connection between academic education and community needs and identifies, as a limitation, the short period of operation available for measuring impacts.

Keywords: University extension. Digital transformation. Information management. Software engineering. Social technology.

1 INTRODUÇÃO

A extensão universitária constitui um espaço de aproximação entre a formação acadêmica e as demandas sociais, permitindo que conhecimentos produzidos no ensino superior sejam mobilizados em situações concretas e, simultaneamente, que a realidade da comunidade retroalimente a formação dos estudantes. A Política Nacional de Extensão Universitária destaca, entre suas diretrizes, a interação dialógica, a interdisciplinaridade, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o impacto na formação do estudante e o impacto e a transformação social (FORPROEX, 2012). A Resolução CNE/CES nº 7/2018 reforça essa perspectiva ao compreender a extensão como processo interdisciplinar que promove interação transformadora entre as instituições de ensino superior e os demais setores da sociedade (BRASIL, 2018).

Nesse contexto, projetos de Engenharia de Software podem ultrapassar a dimensão estritamente técnica quando partem de necessidades apresentadas por organizações da comunidade e constroem soluções em diálogo com seus usuários. A elaboração de um sistema de informação, nesse caso, não se resume à programação: envolve compreender processos, levantar requisitos, organizar prioridades, validar funcionalidades, preparar a infraestrutura e capacitar as pessoas que utilizarão a solução.

O Centro da Juventude Aurélio Romancini Netto, localizado em Laranjeiras do Sul, Paraná, desenvolve atividades educativas, esportivas, culturais e de convivência voltadas a adolescentes e jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Antes da implantação do sistema descrito neste relato, parte de seus processos administrativos dependia de documentos físicos, planilhas e registros separados. Essa fragmentação dificultava a consulta das informações, favorecia inconsistências e ampliava o retrabalho dos profissionais.

A partir dessa demanda foi concebido o Sistema de Gestão InteliTech, uma plataforma web destinada a centralizar informações e apoiar processos administrativos da instituição. O projeto integra o programa institucional Engenharia Integral e foi desenvolvido por acadêmicos do curso de Engenharia de Software, com orientação docente, articulando aprendizagem prática e atendimento a uma necessidade real da comunidade.

O objetivo geral deste relato é descrever e analisar a experiência de desenvolvimento, validação, implantação e treinamento do Sistema de Gestão InteliTech. Como objetivos específicos, busca-se apresentar o contexto que motivou a ação, registrar as etapas metodológicas adotadas, descrever a arquitetura e as principais funcionalidades da solução, discutir os resultados alcançados e refletir sobre as contribuições e os limites da experiência para a instituição atendida e para a formação acadêmica.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Fundamentação teórica

2.1.1 Extensão universitária e interação com a comunidade

A extensão universitária pressupõe uma relação de troca entre universidade e sociedade. Na Política Nacional de Extensão Universitária, a interação dialógica aparece como uma diretriz que substitui uma lógica unilateral de transferência de conhecimento por uma relação construída com os setores sociais. Nessa perspectiva, a comunidade não é apenas destinatária de uma solução pronta: participa da identificação de problemas, da definição de necessidades e da validação das ações desenvolvidas (FORPROEX, 2012).

Essa concepção é particularmente relevante em projetos tecnológicos. Um sistema de informação pode ser tecnicamente funcional e, ainda assim, não responder adequadamente às práticas de uma organização se seus requisitos forem definidos sem participação dos usuários. Por isso, o levantamento das necessidades junto à equipe do Centro da Juventude foi tratado como etapa essencial da experiência. A reunião inicial permitiu que os profissionais apresentassem suas demandas e processos, oferecendo aos acadêmicos elementos para transformar problemas cotidianos em requisitos de software.

A Resolução CNE/CES nº 7/2018 estabelece que as ações de extensão devem promover interação transformadora com outros setores da sociedade e estar articuladas ao ensino e à pesquisa (BRASIL, 2018). No projeto InteliTech, essa articulação ocorreu quando conhecimentos de requisitos, desenvolvimento web, banco de dados, testes, implantação e gestão de projetos foram aplicados em uma situação institucional real. Ao mesmo tempo, as particularidades do Centro da Juventude exigiram decisões que não poderiam ser obtidas apenas em atividades simuladas de sala de aula.

O impacto na formação do estudante também é uma das diretrizes da extensão. A participação em um projeto com usuários reais amplia a responsabilidade sobre requisitos, qualidade, comunicação e continuidade da solução. A experiência relatada exigiu contato com a equipe da instituição, organização do trabalho em sprints, validação dos módulos, implantação em infraestrutura local e treinamento dos usuários, aproximando o processo formativo de condições encontradas em projetos profissionais.

2.1.2 Sistemas de informação e transformação de processos

A informatização de processos administrativos pode contribuir para reduzir a dispersão de informações e estabelecer um ponto central de consulta. No caso do Centro da Juventude, a necessidade principal identificada estava associada à coexistência de documentos físicos, planilhas e registros separados. O projeto, portanto, não teve como ponto de partida a adoção de tecnologia por si só, mas a necessidade de organizar dados e apoiar rotinas já existentes.

A centralização proposta pelo InteliTech abrange autenticação e controle de usuários, cadastro e acompanhamento de aprendentes e responsáveis, armazenamento de documentos, organização de oficinas, controle de vagas, vinculação dos participantes às atividades e registro de chamadas e frequência. A integração desses módulos busca reduzir a fragmentação dos registros e facilitar a recuperação do histórico das atividades administrativas.

A transformação digital, em contextos institucionais, envolve também aspectos humanos e organizacionais. A disponibilização de uma aplicação não garante sua incorporação às rotinas. Por essa razão, validação com usuários e treinamento são componentes relevantes do processo de implantação. No presente projeto, a equipe do Centro da Juventude participou dos testes dos módulos e de dois dias de treinamento, nos quais foram apresentadas as funcionalidades e procedimentos para lidar com possíveis erros durante o uso.

2.1.3 Desenvolvimento iterativo com Scrum

O Scrum é definido por Schwaber e Sutherland (2020) como um framework leve para gerar valor por meio de soluções adaptativas para problemas complexos. Seu uso favorece ciclos curtos de trabalho, inspeção do que foi produzido e adaptação conforme o aprendizado obtido ao longo do desenvolvimento. Embora o framework possua papéis, eventos e artefatos próprios, sua aplicação pode ser ajustada ao contexto de equipes pequenas, desde que seus princípios de transparência, inspeção e adaptação sejam preservados.

No projeto InteliTech, o desenvolvimento foi organizado em três sprints. As atividades foram distribuídas entre os dois acadêmicos desenvolvedores, enquanto o professor orientador acompanhou o trabalho. A organização em ciclos permitiu decompor o escopo em entregas progressivas e acompanhar a evolução dos módulos até a etapa de validação com a instituição.

A adoção de sprints também foi coerente com a natureza extensionista do projeto, pois possibilitou que o desenvolvimento permanecesse vinculado às demandas levantadas com a equipe externa. Em vez de tratar o sistema como um produto definido apenas pela equipe acadêmica, o processo incorporou momentos de teste e validação com os profissionais que posteriormente utilizariam a aplicação.

2.1.4 Tecnologias utilizadas

O front-end do sistema foi desenvolvido com Next.js, TypeScript e CSS. A documentação oficial do Next.js registra suporte integrado ao TypeScript, recurso que auxilia a construção de aplicações web com verificação estática de tipos (NEXT.JS, 2026). A estilização das interfaces foi realizada com CSS, permitindo adequar a apresentação das telas às necessidades do projeto.

No back-end foi utilizado Java com Spring Boot. O Spring Boot é voltado à criação de aplicações Spring independentes e adequadas a ambientes de produção, oferecendo recursos que simplificam configuração e execução de aplicações Java (SPRING, 2026). Para persistência das informações foi utilizado PostgreSQL como sistema gerenciador de banco de dados relacional.

A implantação foi realizada em um servidor local da própria instituição. Para disponibilizar o acesso ao sistema por uma URL registrada, utilizou-se infraestrutura de conexão apoiada pela Cloudflare. Essa configuração permitiu manter a aplicação executada no ambiente institucional e, ao mesmo tempo, oferecer um endereço de acesso aos usuários autorizados.

2.2 Metodologia

2.2.1 Caracterização da experiência

Este trabalho é apresentado como relato de experiência extensionista, de caráter descritivo e reflexivo. O foco não está em um experimento controlado, mas no registro sistematizado das etapas de uma ação de extensão realizada em parceria com uma instituição da comunidade. O relato compreende desde a identificação da demanda até a implantação e o treinamento dos usuários.

A instituição parceira foi o Centro da Juventude Aurélio Romancini Netto, em Laranjeiras do Sul, Paraná. A equipe acadêmica foi composta por estudantes do curso de Engenharia de Software, sob orientação docente. A ação esteve vinculada ao programa institucional Engenharia Integral.

2.2.2 Levantamento das necessidades e definição do escopo

O levantamento inicial ocorreu por meio de reunião com a equipe do Centro da Juventude. Nesse encontro, os profissionais apresentaram necessidades, dificuldades e demandas relacionadas aos processos administrativos. As informações obtidas foram utilizadas para delimitar o escopo e definir os requisitos da aplicação.

A partir desse levantamento, foram previstas funcionalidades de autenticação e controle de usuários, cadastro de aprendentes e responsáveis, armazenamento de documentos, organização de oficinas, controle de vagas, vinculação dos aprendentes às atividades e registro de chamadas e frequência. Também foram elaborados backlog, protótipos de baixa fidelidade, modelagem do sistema e planejamento da implantação.

2.2.3 Organização do desenvolvimento

O desenvolvimento foi conduzido com base no Scrum e dividido em três sprints. As tarefas foram distribuídas entre os dois acadêmicos desenvolvedores e acompanhadas pelo professor orientador. Essa divisão permitiu organizar o avanço do projeto em ciclos e acompanhar a conclusão dos módulos previstos.

No front-end, foram utilizados Next.js, TypeScript e CSS; no back-end, Java com Spring Boot; e, para persistência dos dados, PostgreSQL. A separação entre interface, regras de negócio e armazenamento de dados permitiu estruturar a aplicação em componentes com responsabilidades distintas, facilitando o desenvolvimento e os testes dos módulos.

2.2.4 Testes, validação e implantação

Após o desenvolvimento, todos os módulos foram submetidos a testes em ambiente controlado. A etapa teve como objetivo verificar o funcionamento das funcionalidades previstas antes da disponibilização no ambiente institucional. Em seguida, os testes também foram realizados em conjunto com a equipe do Centro da Juventude, que utilizou e validou os módulos do sistema.

Concluída a validação, a aplicação foi implantada em servidor local na instituição. A infraestrutura de acesso utiliza a Cloudflare para realizar o apontamento para uma URL registrada. O Sistema de Gestão InteliTech tornou-se operacional no Centro da Juventude em 20 de setembro de 2026.

2.2.5 Treinamento e acompanhamento inicial

A implantação foi acompanhada por dois dias de treinamento com a equipe da instituição. Durante esse período foram apresentadas as funcionalidades do sistema, a forma de utilização dos módulos e procedimentos para lidar com possíveis erros. Essa etapa buscou reduzir dificuldades de adoção e oferecer maior autonomia aos profissionais no uso cotidiano da plataforma.

O projeto original também previu um período de uso assistido para identificação de dificuldades e realização de ajustes. Como o sistema entrou em operação recentemente em relação à elaboração deste relato, a avaliação apresentada concentra-se na conclusão, validação e implantação da solução, não sendo possível atribuir indicadores quantitativos de longo prazo ao uso do sistema sem um período maior de observação.

2.3 Resultados e discussão

2.3.1 Conclusão dos módulos e entrega da solução

O principal resultado técnico foi a conclusão de todos os módulos previstos no escopo. O sistema passou a reunir em uma única aplicação funcionalidades relacionadas a login e controle de acesso, aprendentes, responsáveis, documentos, oficinas, vagas, participantes, chamadas e frequência. A conclusão integral do escopo diferencia o estágio atual daquele registrado no documento inicial do projeto, no qual implantação, testes e treinamento ainda eram apresentados como etapas futuras.

A solução foi efetivamente instalada na instituição e encontra-se operacional desde 20 de setembro de 2026. Esse resultado é relevante para a natureza extensionista da experiência porque a entrega não se limitou a protótipos ou documentação: houve disponibilização da aplicação no ambiente em que a demanda foi identificada.

2.3.2 Validação com a equipe do Centro da Juventude

A validação dos módulos com a equipe do Centro da Juventude representou uma etapa de aproximação entre desenvolvimento técnico e uso institucional. Os profissionais participaram dos testes e validaram as funcionalidades, permitindo verificar o sistema no contexto de seus futuros usuários. Essa participação está alinhada à interação dialógica proposta pelas diretrizes nacionais de extensão, na medida em que a instituição parceira não foi tratada apenas como receptora do produto final (FORPROEX, 2012).

A validação também reduziu o risco de uma entrega desconectada dos processos reais. Em projetos de software extensionistas, a adequação funcional depende da capacidade de traduzir demandas da comunidade em requisitos e, posteriormente, confrontar o que foi implementado com a experiência dos usuários. No InteliTech, esse ciclo ocorreu desde a reunião de levantamento até os testes realizados com a equipe.

2.3.3 Implantação e acesso

A implantação em servidor local permitiu que o sistema fosse incorporado à infraestrutura da instituição. O uso da Cloudflare para o apontamento a uma URL registrada criou uma camada de acesso ao serviço hospedado localmente. Essa solução atendeu à necessidade de disponibilizar a aplicação aos usuários sem desvincular sua execução do ambiente institucional.

Do ponto de vista da experiência acadêmica, a implantação ampliou o escopo de aprendizagem. Além de desenvolver funcionalidades, a equipe precisou considerar aspectos de ambiente, disponibilidade, acesso e continuidade operacional. Essa etapa evidencia que a Engenharia de Software aplicada a uma demanda real envolve atividades que ultrapassam a codificação e incluem decisões de infraestrutura e suporte.

2.3.4 Treinamento e apropriação pelos usuários

Os dois dias de treinamento constituíram um resultado importante da implantação. A equipe recebeu orientações sobre as funcionalidades, os fluxos de uso e a resolução de possíveis erros. A capacitação buscou apoiar a apropriação da ferramenta pelos profissionais e reduzir a dependência imediata da equipe de desenvolvimento para tarefas rotineiras.

A realização do treinamento também reforça a sustentabilidade da ação extensionista. Uma solução tecnológica somente produz efeitos institucionais quando os usuários conseguem utilizá-la de forma consistente. Nesse sentido, a transferência de conhecimento sobre operação e resolução de problemas faz parte da própria entrega, e não deve ser tratada como atividade secundária.

2.3.5 Público alcançado e impacto social

Conforme a estimativa apresentada no projeto, aproximadamente 15 profissionais do Centro da Juventude são diretamente alcançados pela solução, especialmente aqueles envolvidos em atividades administrativas, matrículas, oficinas e registros de frequência. Indiretamente, cerca de 200 adolescentes e jovens atendidos pela instituição podem ser beneficiados pela organização e pelo acompanhamento de suas informações e atividades, totalizando aproximadamente 215 pessoas alcançadas.

O impacto social esperado está relacionado à melhoria das condições de organização das informações que dão suporte ao atendimento. A centralização de cadastros, documentos, oficinas e frequência tende a facilitar a consulta e a preservação de históricos. Entretanto, como o sistema entrou em operação em 20 de setembro de 2026, este relato não apresenta percentuais de redução de tempo, retrabalho ou uso de papel, pois esses indicadores ainda não foram mensurados de forma sistemática. A ausência desses dados é tratada como limite da avaliação e como oportunidade para acompanhamento futuro.

2.3.6 Contribuições para a formação acadêmica

Para os acadêmicos, o projeto proporcionou contato com etapas completas do ciclo de desenvolvimento: levantamento de requisitos, planejamento, prototipação, implementação, banco de dados, testes, validação, implantação e treinamento. A necessidade de dialogar com usuários reais também exigiu competências de comunicação, interpretação de demandas e tomada de decisão.

A experiência concretiza a diretriz de impacto na formação do estudante indicada pelo FORPROEX (2012), pois o aprendizado ocorreu em interação com uma organização externa e sob responsabilidade de entrega de uma solução operacional. O trabalho em três sprints permitiu ainda exercitar organização, divisão de tarefas e acompanhamento incremental das entregas.

2.4 Reflexão crítica: avanços, limites e possibilidades de continuidade

Entre os principais avanços da experiência estão a transformação de uma demanda institucional em um sistema operacional, a conclusão dos módulos previstos, a validação com usuários, a implantação no ambiente do Centro da Juventude e a realização de treinamento. Esses elementos mostram que a ação percorreu um ciclo que vai da escuta inicial à disponibilização efetiva da solução.

Outro avanço foi a participação da equipe da instituição em diferentes momentos. As necessidades foram apresentadas em reunião, os módulos foram testados com os profissionais e o treinamento ocorreu após a implantação. Essa sequência favoreceu a construção de uma solução vinculada ao contexto de uso e se aproxima da perspectiva dialógica da extensão universitária.

O principal limite para a análise de impacto é temporal. O sistema entrou em operação em 20 de setembro de 2026 e, portanto, ainda não existe uma série histórica suficiente para afirmar quantitativamente redução de retrabalho, ganho de produtividade ou diminuição do uso de documentos físicos. Fazer essas afirmações sem medição poderia superestimar os efeitos do projeto. Por isso, este relato diferencia resultados efetivamente observados – conclusão, testes, validação, implantação e treinamento – de benefícios que deverão ser acompanhados ao longo do uso.

Como continuidade, recomenda-se registrar indicadores simples, como número de cadastros realizados, frequência de uso dos módulos, quantidade de oficinas acompanhadas, ocorrências de suporte, tempo médio de tarefas selecionadas e percepção dos usuários. Esses dados podem subsidiar futuras avaliações da efetividade da solução e orientar novas melhorias.

A sustentabilidade técnica também depende de manutenção, atualização e acompanhamento da infraestrutura. Como a aplicação opera em servidor local e utiliza uma camada de acesso por URL, é necessário preservar rotinas de atualização, cópias de segurança, controle de usuários e monitoramento do ambiente. Essas atividades podem ser incorporadas ao plano de continuidade da instituição e a futuras ações acadêmicas de extensão.

2.5 Orientações para replicação da experiência

A experiência pode contribuir com projetos semelhantes em outras organizações sociais que enfrentem dispersão de informações administrativas. A primeira orientação é iniciar pelo diagnóstico com os usuários, evitando definir a solução exclusivamente a partir de pressupostos técnicos. Reuniões de levantamento, observação dos processos e validações intermediárias ajudam a aproximar requisitos e realidade institucional.

A segunda orientação é dividir o desenvolvimento em ciclos curtos e manter um backlog compreensível para a equipe. Em projetos acadêmicos com prazo delimitado, essa organização facilita a priorização do que é essencial e torna mais visível o progresso. A terceira orientação é reservar tempo para testes com usuários reais, implantação e treinamento, pois essas etapas frequentemente concentram problemas que não aparecem durante o desenvolvimento local.

Por fim, recomenda-se planejar desde o início como a solução continuará funcionando após a entrega. Infraestrutura, acesso, manutenção, documentação, capacitação e acompanhamento de indicadores devem fazer parte do projeto. A replicação do InteliTech em outro contexto exigiria adaptações aos processos, perfis de usuários e regras da instituição atendida; portanto, o modelo deve ser entendido como referência de processo extensionista, e não como solução universal.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento do Sistema de Gestão InteliTech demonstrou a possibilidade de articular conhecimentos de Engenharia de Software a uma demanda concreta de uma instituição da comunidade. A experiência partiu da identificação de processos fragmentados no Centro da Juventude Aurélio Romancini Netto e avançou até a entrega de uma plataforma web com todos os módulos previstos no escopo.

A utilização de Scrum em três sprints apoiou a organização do desenvolvimento, enquanto a participação da equipe do Centro da Juventude no levantamento, nos testes e na validação aproximou a solução das necessidades institucionais. A implantação em servidor local, o acesso por URL registrada e os dois dias de treinamento completaram o processo de disponibilização do sistema, operacional desde 20 de setembro de 2026.

Como ação de extensão, o projeto produziu resultados técnicos e formativos. Para a instituição, disponibilizou uma ferramenta voltada à centralização de processos administrativos; para os acadêmicos, proporcionou experiência com usuários reais, requisitos, desenvolvimento, testes, infraestrutura, implantação e capacitação. Ao mesmo tempo, o curto período de operação ainda não permite medir de forma responsável efeitos quantitativos de longo prazo.

A continuidade do acompanhamento será importante para identificar melhorias, registrar indicadores e avaliar a sustentabilidade da solução. A experiência reforça que projetos tecnológicos de extensão alcançam maior relevância quando combinam competência técnica, diálogo com a comunidade, validação no contexto real e compromisso com a continuidade após a entrega.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Brasília, DF: CNE/CES, 2018.

FORPROEX - FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRAS. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: FORPROEX, 2012.

NEXT.JS. TypeScript. 2026. Disponível em: https://nextjs.org/docs/app/api-reference/config/typescript. Acesso em: 6 out. 2026.

SCHWABER, Ken; SUTHERLAND, Jeff. O Guia do Scrum: o guia definitivo para o Scrum: as regras do jogo. [S. l.]: Scrum Guides, 2020. Disponível em: https://scrumguides.org/. Acesso em: 6 out. 2026.

SPRING. Spring Boot. 2026. Disponível em: https://spring.io/projects/spring-boot. Acesso em: 6 out. 2026.

  1. Acadêmico, Engenharia de Software, 8° período, Centro Universitário Campo Real. ↑

  2. Acadêmico, Engenharia de Software, 8° período, Centro Universitário Campo Real. ↑

  3. Especialista, Engenharia de Software, Professor Orientador, Centro Universitário Campo Real. ↑

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Copyright (c) 2026 Ruan Kysa Mendes Bueno, Renann Felipe Volff, Gabriel Christopher Dall'pozzo (Autor)

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