Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta características que podem dificultar o atendimento em serviços de saúde, especialmente em contextos de urgência e emergência. Este artigo tem como objetivo discutir a importância da identificação por meio de pulseiras em pacientes com TEA nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais, tanto no sistema público quanto privado, destacando sua relevância para a segurança, comunicação e priorização no atendimento. A análise é fundamentada em evidências científicas e práticas adotadas em instituições de saúde dos Estados Unidos. Os resultados indicam que a identificação adequada pode reduzir erros, melhorar a comunicação clínica e promover um cuidado mais inclusivo e humanizado.
Palavras-chave: TEA, Identificação do paciente; Segurança do paciente, Inclusão em saúde, Atendimento prioritário.
Abstract
Autism Spectrum Disorder (ASD) presents characteristics that may hinder care in health services, especially in urgent and emergency contexts. This article aims to discuss the importance of identification through wristbands for patients with ASD in Primary Health Care Units and hospitals, in both the public and private systems, highlighting their relevance to safety, communication, and prioritization of care. The analysis is based on scientific evidence and practices adopted in healthcare institutions in the United States. The results indicate that proper identification can reduce errors, improve clinical communication, and promote more inclusive and humanized care.
Keywords: ASD; Patient identification; Patient safety; Health inclusion; Priority care.
1. Introdução
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação social, padrões comportamentais repetitivos e alterações sensoriais. Em ambientes hospitalares, essas características podem gerar desafios significativos no atendimento.
Estudos internacionais apontam que indivíduos com TEA apresentam maior vulnerabilidade em serviços de saúde, especialmente devido à dificuldade
em expressar sintomas e compreender procedimentos médicos . Além disso, o ambiente hospitalar pode intensificar quadros de ansiedade e sobrecarga sensorial.
Nesse contexto, estratégias de identificação rápida e eficaz tornam-se fundamentais, sendo a pulseira de identificação um recurso simples, porém altamente relevante.
2. Identificação por Pulseiras como Estratégia de Segurança
A identificação do paciente por pulseiras é uma prática consolidada mundialmente. Seu principal objetivo é garantir a correta identificação do indivíduo durante todo o processo assistencial.
Estudos demonstram que o uso de pulseiras hospitalares pode reduzir erros médicos em até 57,5%, contribuindo diretamente para a segurança do paciente. Além disso, experiências em hospitais norte-americanos mostram redução significativa de erros de identificação quando tecnologias como códigos de barras são incorporadas.
Para pacientes com TEA, essa identificação ganha uma dimensão ainda mais importante, pois:
• Permite reconhecimento imediato da condição clínica
• Facilita adaptações no atendimento
• Reduz riscos de intervenções inadequadas
3. Relevância da Identificação no TEA
O TEA é considerado uma condição “invisível”, ou seja, não apresenta sinais físicos evidentes. Isso dificulta o reconhecimento por profissionais de saúde em situações emergenciais.
De acordo com organizações e estudos baseados nos Estados Unidos, identificações médicas (como pulseiras) são fundamentais para:
• Alertar equipes sobre dificuldades de comunicação
• Informar comorbidades e uso de medicação
• Auxiliar em situações de emergência, especialmente quando o paciente não consegue se expressar.
Além disso, essas ferramentas ajudam a evitar interpretações equivocadas de comportamentos, como agitação ou ausência de resposta verbal, que podem ser confundidos com resistência ou desobediência.
4. Impacto na Inclusão e Humanização do Atendimento
A literatura recente destaca que a criação de ambientes “autism-friendly” é essencial para garantir qualidade no atendimento. Fatores como comunicação adequada, redução de estímulos sensoriais e flexibilidade no cuidado são determinantes para melhores desfechos clínicos.
Nesse sentido, a pulseira de identificação funciona como um gatilho clínico, permitindo que a equipe:
• Adapte sua abordagem comunicativa
• Reduza estímulos ambientais
• Priorize o atendimento quando necessário
Essa prática contribui diretamente para a humanização da assistência e para a equidade no acesso à saúde.
5. Aplicação nas UBS e Hospitais (Público e Privado)
A implementação de pulseiras identificadoras para pacientes com TEA pode ser realizada tanto em UBS quanto em hospitais, com benefícios como:
5.1. Na Atenção Primária (UBS)
• Organização do fluxo de atendimento
• Redução de tempo de espera (prioridade)
5.2. No Ambiente Hospitalar
• Segurança em procedimentos
• Comunicação eficaz entre equipes multidisciplinares
• Redução de eventos adversos
Além disso, experiências internacionais indicam que identificadores visuais (como pulseiras coloridas) aumentam a segurança e auxiliam na tomada de decisão clínica rápida.
6. Discussão
Apesar dos benefícios evidentes, a implementação dessa estratégia ainda enfrenta desafios, como:
• Falta de padronização
• Necessidade de treinamento profissional
• Questões éticas relacionadas à exposição da condição
Entretanto, quando aplicada com consentimento e protocolos claros, a identificação por pulseiras se mostra uma ferramenta eficaz, de baixo custo e alto impacto.
7. Conclusão
A identificação de pacientes com TEA por meio de pulseiras representa uma estratégia fundamental para promover segurança, inclusão e qualidade no atendimento em saúde.
Baseado em evidências internacionais, especialmente de instituições dos Estados Unidos, conclui-se que essa prática:
• Reduz erros clínicos
• Melhora a comunicação
• Favorece o atendimento humanizado
• Garante maior equidade no acesso aos serviços
Recomenda-se, portanto, a implementação de protocolos institucionais que incluam o uso de pulseiras identificadoras para pacientes com TEA em todos os níveis de atenção à saúde.
Referências
• Hoffmeister, L. V. et al. Uso de pulseiras de identificação em pacientes hospitalizados.
• CDC – Centers for Disease Control and Prevention.
• MedicAlert Foundation. Autism Medical IDs.
• Springer – Journal of Autism and Developmental Disorders.
• Massachusetts General Hospital – estudos sobre identificação por código de barras.
• Hamdan, S. Z.; Bennett, A. Autism-Friendly Healthcare (2024).

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Lucas Marques de Brito Lisboa (Autor)