Resumo: Esta revisão narrativa examina os fatores que determinam a naturalidade em restaurações estéticas de dentes anteriores, um dos problemas mais exigentes da odontologia restauradora contemporânea porque envolve muito mais do que acertar a cor do dente. Translucidez, opalescência, fluorescência e textura superficial completam o quadro, cada propriedade óptica interagindo com a luz de um jeito próprio, de modo que fidelidade cromática sozinha não garante um resultado convincente. O escopo cobre os fundamentos ópticos do dente natural, os materiais restauradores disponíveis e suas indicações, as técnicas clínicas empregadas e o papel crescente das tecnologias digitais nesse processo. A busca foi realizada na base PubMed/MEDLINE, abrangendo publicações de janeiro de 2008 a agosto de 2026, com descritores MeSH e termos livres combinados por operadores booleanos em quatro eixos temáticos; dos 4.997 registros recuperados, 43 estudos foram selecionados após leitura de títulos e resumos, dos quais 35 foram analisados em texto completo e 8 apenas pelo resumo. Os principais fatores que sustentam a naturalidade, segundo a literatura revisada, incluem: a seleção adequada do material, o domínio técnico da estratificação e a compreensão das propriedades ópticas intrínsecas ao dente natural. Potenciais de mimetismo variam conforme o material escolhido, resinas policromas ou monocromáticas, cerâmicas feldspáticas ou híbridas, e fluxos de trabalho digitais podem contribuir para tornar os resultados mais previsíveis. Um achado recorrente, porém, chama atenção: a satisfação do paciente nem sempre acompanha a avaliação técnica do clínico, sobretudo entre pacientes jovens, o que sugere a necessidade de rever as prioridades do planejamento e indica que alinhar expectativas desde o início do tratamento pode contribuir para a satisfação com o resultado.
Palavras-chave: Estética dental. Restaurações anteriores. Resina composta. Propriedades ópticas. Naturalidade. Tecnologia digital.
Abstract: This narrative review examines the factors that determine naturalness in aesthetic restorations of anterior teeth, one of the most demanding problems in contemporary restorative dentistry because it involves far more than matching tooth color. Translucency, opalescence, fluorescence and surface texture complete the picture, each optical property interacting with light in its own way, so that color fidelity alone does not ensure a convincing result. The scope covers the optical fundamentals of the natural tooth, the available restorative materials and their indications, the clinical techniques employed, and the growing role of digital technologies in this process. The search was conducted in the PubMed/MEDLINE database, covering publications from January 2008 to August 2026, using MeSH descriptors and free-text terms combined with Boolean operators across four thematic axes; of the 4,997 records retrieved, 43 studies were selected after screening of titles and abstracts, of which 35 were analyzed in full text and 8 based on the abstract only. According to the reviewed literature, the main factors supporting naturalness include: appropriate material selection, technical mastery of the layering technique, and an understanding of the intrinsic optical properties of the natural tooth. The potential for mimicry varies with the chosen material (polychromatic or single-shade composite resins, feldspathic or hybrid ceramics), and digital workflows may help make outcomes more predictable. One recurring finding, however, stands out: patient satisfaction does not always match the clinician's technical assessment, particularly among younger patients. This suggests that planning priorities should be revisited and that aligning expectations from the outset of treatment may contribute to satisfaction with the outcome.
Keywords: Dental esthetics. Anterior restorations. Composite resin. Optical properties. Naturalness. Digital technology.
1 INTRODUÇÃO
Documentada em diferentes contextos culturais, a influência do sorriso sobre identidade social, autopercepção e comunicação não verbal talvez explique por que dentes anteriores saudáveis e esteticamente harmoniosos costumam ser associados a saúde, juventude e atratividade (SAGARE et al., 2025). É compreensível, nesse contexto, que a odontologia estética cresça em ritmo acelerado dentro da prática odontológica, impulsionada por materiais, técnicas e tecnologias que não param de evoluir, todos voltados a um mesmo fim: reproduzir a aparência natural dos elementos dentários.
Reproduzir essa aparência, porém, exige mais do que parece à primeira vista. O dente natural não é uma estrutura de cor uniforme, e sim um objeto óptico complexo formado por dois tecidos mineralizados, esmalte e dentina, com comportamentos luminosos distintos que se complementam. A opacidade responsável pela percepção de profundidade vem da dentina, que também estabelece a cor base; a transmissão e a dispersão da luz, por sua vez, cabem ao esmalte, que acrescenta translucidez, opalescência e fluorescência ao conjunto (DIETSCHI; FAHL, 2016; VILLARROEL et al., 2011). A ausência de uma dessas propriedades pode comprometer o resultado e tornar a restauração perceptível como artificial, mesmo quando a cor está correta.
Com o passar do tempo, os materiais restauradores evoluíram consideravelmente nessa direção. Formulações monolíticas, com integração estética limitada, deram lugar a sistemas policromos de resina composta capazes de aproximar os gradientes de translucidez, opalescência e fluorescência dos observados no dente natural (DIETSCHI; FAHL, 2016; MANAUTA et al., 2014). As cerâmicas percorreram caminho semelhante: da porcelana feldspática convencional ao dissilicato de lítio e à zircônia multitranslucente, cada geração trouxe ganhos em propriedades ópticas, resistência mecânica e integração com fluxos de trabalho digitais (ROJAS-RUEDAS et al., 2026).
Transformação parecida atingiu o planejamento e a execução das restaurações. Digital Smile Design (DSD), impressão 3D e sistemas CAD/CAM contribuíram para resultados mais previsíveis, comunicação mais fácil entre clínico e paciente e fabricação de restaurações com maior precisão em relação às técnicas manuais convencionais (LIU et al., 2024; WU; WU; XU, 2026). A inteligência artificial já figura nesse cenário, embora de forma ainda inicial, com aplicações voltadas ao planejamento estético do sorriso (ABDELHAFEZ; AFIA; SHAALAN, 2026).
Nem todo esse avanço resolve, contudo, um desafio estrutural: clínico e paciente costumam avaliar a restauração por critérios diferentes. Estudos recentes indicam que fatores psicossociais e expectativas individuais pesam na satisfação do paciente (HASSANEIN et al., 2026), por vezes mais do que a correspondência de cor medida instrumentalmente (LUCA; BUZATU; BUMBU, 2026), e que a exposição a sorrisos idealizados na mídia pode interferir na percepção da própria estética dentofacial (LAUS et al., 2020). Naturalidade, portanto, ultrapassa o material e se torna também uma experiência subjetivamente vivida pelo paciente.
Sistematizar os fatores que determinam a naturalidade em restaurações estéticas de dentes anteriores é o propósito desta revisão narrativa, que percorre os fundamentos ópticos do dente natural, os materiais disponíveis, as principais técnicas clínicas, o papel das tecnologias digitais e a forma como o próprio paciente enxerga o resultado.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, modalidade que busca descrever e discutir o estado do conhecimento sobre um tema sob ponto de vista teórico e contextual, sem a pretensão de esgotar as fontes disponíveis nem de realizar síntese quantitativa dos resultados. Ainda assim, para conferir transparência ao processo, as etapas de busca, seleção e análise são descritas a seguir.
A busca foi realizada na base de dados PubMed/MEDLINE em 1º de setembro de 2026, com segunda rodada em 23 de setembro de 2026, e abrangeu publicações de janeiro de 2008 a agosto de 2026. O recorte temporal foi definido para contemplar desde estudos de referência sobre estratificação e propriedades ópticas até as publicações mais recentes sobre materiais restauradores e fluxos de trabalho digitais. Foram considerados artigos publicados em inglês, português e espanhol.
A estratégia de busca combinou descritores do vocabulário controlado MeSH (Medical Subject Headings), como Esthetics, Dental e Patient Satisfaction, com termos livres pesquisados no título e no resumo dos artigos. Os termos foram organizados em um bloco comum, referente à região anterior e aos tipos de restauração, associado pelo operador booleano AND a blocos temáticos correspondentes aos eixos do trabalho; dentro de cada bloco, os termos foram unidos pelo operador OR. O Quadro 1 apresenta os termos utilizados e o número de registros recuperados em cada eixo; as estratégias completas, na sintaxe empregada no PubMed, constam no Apêndice A.
Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e não randomizados, estudos observacionais (prospectivos, retrospectivos e transversais), estudos laboratoriais (in vitro), relatos de caso clínico, revisões narrativas e revisões sistemáticas que abordassem, em dentes anteriores permanentes, ao menos um dos seguintes eixos: propriedades ópticas do dente e dos materiais; desempenho estético de resinas compostas e cerâmicas; técnicas clínicas voltadas à reprodução da naturalidade; tecnologias digitais aplicadas ao planejamento e à execução; e percepção estética do paciente. Foram excluídos estudos restritos a dentes posteriores ou decíduos, trabalhos centrados exclusivamente em propriedades mecânicas ou adesivas sem desfecho estético ou óptico, editoriais, cartas ao editor e resumos de eventos.
A seleção ocorreu em duas etapas sucessivas, leitura dos títulos e leitura dos resumos, após as quais se buscou o texto completo dos estudos selecionados, por acesso aberto ou pelo Portal de Periódicos CAPES. Em conformidade com o caráter narrativo da revisão, a seleção foi intencional e não exaustiva, priorizando estudos que tratassem diretamente de dentes anteriores e de desfechos estéticos ou ópticos, publicações recentes, ensaios clínicos e revisões, além de estudos de referência sobre estratificação e propriedades ópticas. Ao final, 43 estudos compuseram o corpus analisado: 40 provenientes da busca estruturada e 3 identificados por busca manual complementar na mesma base. Desses, 35 foram analisados em texto completo. Para os outros 8, cujo texto completo não pôde ser obtido, a análise se restringiu ao resumo, e as informações a eles atribuídas neste trabalho limitam-se ao que o resumo apresenta.
Os estudos incluídos foram fichados quanto a autoria, ano, objetivo, desenho, amostra ou material avaliado, principais resultados, conclusões e limitações. A síntese seguiu abordagem descritiva e temática: os achados foram agrupados nos eixos que estruturam as seções 3 a 9 deste trabalho e comparados entre si, com destaque para convergências, divergências e limitações apontadas pelos próprios autores. Por se tratar de revisão narrativa, não foi realizada avaliação formal da qualidade metodológica ou do risco de viés dos estudos, o que constitui limitação deste trabalho.
3 O QUE É NATURALIDADE EM ODONTOLOGIA ESTÉTICA
Nenhuma definição simples dá conta de explicar naturalidade em restaurações dentárias. Em linhas gerais, é natural a restauração capaz de se integrar tão bem ao conjunto dos dentes remanescentes e ao rosto do paciente que nem o próprio observador identifica artificialidade nela (Figura 1). A literatura consagrou essa condição sob os nomes "restauração imperceptível" e "invisibilidade clínica", tida como o ideal máximo da odontologia restauradora estética.
Alcançar esse ideal na prática clínica depende da atuação conjunta de quatro dimensões. Matiz, valor e croma compatíveis com os dentes adjacentes sob diferentes condições de iluminação formam a integração cromática. Translucidez, opalescência e fluorescência, fenômenos responsáveis pela vitalidade do dente natural, definem a integração óptica. Contorno, proporções, textura superficial macroscópica e anatomia incisal correspondentes ao dente, ao paciente e à faixa etária compõem a integração morfológica. E a harmonia de cor, contorno e posição entre restauração e tecidos gengivais, sem margens expostas nem desarmonia gengival, caracteriza a integração periodontal.
Todas essas dimensões derivam de um mesmo conceito, o de biomimética, entendida como a imitação, pelos materiais artificiais, das estruturas e propriedades dos tecidos biológicos. Sob essa lógica, reproduzir apenas a aparência não basta. A própria evolução das técnicas de estratificação em resina composta seguiu esse caminho, partindo de abordagens simplificadas, sem base histoanatômica, até conceitos que tomam o dente natural como modelo (DIETSCHI; FAHL, 2016), o que exige escolher materiais com propriedades ópticas próximas às do esmalte e da dentina e aplicar técnicas capazes de reconstruir a histoanatomia dental.
Uma dimensão, no entanto, resiste ao controle de qualquer material ou técnica, por mais sofisticados que sejam: a percepção subjetiva do paciente, moldada por suas expectativas, seu grau de exigência estética e os referenciais de beleza que carrega consigo (HASSANEIN et al., 2026). Negligenciar essa dimensão pode comprometer o planejamento restaurador estético, ainda que o resultado seja tecnicamente adequado.
4 PROPRIEDADES ÓPTICAS DO DENTE NATURAL: A REFERÊNCIA PARA O MIMETISMO
Antes de reproduzir naturalidade, é preciso entender o que se quer reproduzir. O dente natural é uma estrutura óptica de alta complexidade, formada por dois tecidos mineralizados, esmalte e dentina, que interagem com a luz de formas distintas e complementares. O resultado visual que o observador percebe varia conforme a iluminação, o ângulo de observação e o estado de hidratação do elemento.
4.1 COR: MATIZ, VALOR E CROMA
A cor dental, segundo o modelo de Munsell, se decompõe em três parâmetros. A tonalidade em si, seja amarelo, cinza ou alaranjado, corresponde ao matiz (hue). A luminosidade numa escala entre preto e branco define o valor (value). E a saturação, ou intensidade dessa tonalidade, é o croma (chroma).
Entre matiz, valor e croma, o valor costuma ser apontado como o parâmetro de maior influência sobre a percepção de naturalidade: dentes com maior luminosidade tendem a parecer mais jovens, saudáveis e atraentes aos olhos do observador. Curiosamente, esse parâmetro parece ser subestimado pelos sistemas de resina composta comercialmente disponíveis. Diamantopoulou et al. (2023), ao comparar 636 dentes anteriores vitais com todas as combinações esmalte-dentina de três sistemas de resina, encontraram luminosidade (L*) sistematicamente mais alta nos dentes naturais do que nas restaurações, indício de uma lacuna de cobertura que parece intrínseca aos materiais disponíveis (Figura 2).
O croma segue, por sua vez, um padrão regional bem definido: intensifica-se na região cervical, onde uma fina camada de esmalte recobre a dentina saturada, e enfraquece progressivamente rumo à borda incisal, à medida que o esmalte translúcido ganha espessura. Reproduzir esse gradiente constitui etapa relevante para o êxito da estratificação.
4.2 TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE
Relativamente translúcido, o esmalte deixa parte da luz incidente atravessá-lo até refletir na dentina subjacente, mais opaca e saturada, e é dessa interação que nasce o efeito de profundidade visual característico do dente natural. Enquanto a dentina responde pela cor, o esmalte atua como modificador dessa cor (VILLARROEL et al., 2011), modulando o croma e o valor da dentina subjacente (DIETSCHI; FAHL, 2016); quando translucidez e profundidade não são reproduzidas adequadamente, a restauração tende a parecer inexpressiva e sem vida (VILLARROEL et al., 2011).
A espessura do esmalte varia ao longo do dente: é maior na área dos mamelões incisais e diminui em direção ao colo. Esse gradiente de espessura gera gradientes de translucidez, responsáveis pelo aspecto tridimensional que o observador interpreta como "vivo" e "profundo". Quando esse gradiente não é reproduzido, a restauração tende a parecer artificial mesmo com a cor tecnicamente correta (VILLARROEL et al., 2011).
Em cerâmicas CAD/CAM de vidro silicato, Dettlinger et al. (2025) quantificaram essa relação: quanto maior a espessura do material, menor a translucidez e maior a razão de contraste, de forma consistente, enquanto opalescência e fluorescência não acompanham essa proporção. Para a clínica, esses achados sugerem que a espessura de cada camada de material influencia sua contribuição óptica final, o que recomenda um controle deliberado dessa variável.
4.3 OPALESCÊNCIA
Chama-se opalescência o fenômeno pelo qual o esmalte reflete luz avermelhada ou alaranjada e transmite luz azulada ou violácea, resultado da dispersão de Rayleigh nas microestruturas dos prismas de esmalte. É essa propriedade que explica a tonalidade azulada visível na borda incisal de dentes jovens sob retroiluminação, assim como o aspecto leitoso que dá vitalidade ao conjunto.
Assim como o dente natural, materiais restauradores com opalescência adequada mudam de aparência conforme a condição de iluminação. Sem essa propriedade, a restauração tende a parecer opaca e sem vida sob determinadas fontes de luz (DIETSCHI; FAHL, 2016). Os sistemas policromos de alto nível costumam oferecer resinas com opalescência controlada, formuladas especificamente para reproduzir o esmalte incisal, e sua aplicação correta pode contribuir de forma perceptível para o resultado final.
4.4 FLUORESCÊNCIA
Capacidade natural de absorver luz ultravioleta e reemiti-la como luz visível na faixa azul-branco: assim se define a fluorescência, responsável pelo aspecto luminoso e vivo dos dentes sob iluminação fluorescente ou luz negra. Restaurações sem essa propriedade tendem a parecer escuras e "apagadas" nessas condições, denunciando-se como artificiais.
Voltada especificamente para ampliar a fluorescência do material de recobrimento, uma técnica modificada de estratificação em cerâmicas de alumina infiltrada por vidro foi descrita por Komine et al. (2008), reforçando o caráter interdependente de translucidez, opalescência e fluorescência no mimetismo óptico com o dente natural. Já nas resinas compostas, a fluorescência é incorporada às resinas de dentina durante a fabricação, cabendo ao clínico garantir espessura suficiente dessas camadas para que a propriedade se expresse no resultado final.
4.5 TEXTURA SUPERFICIAL E ANATOMIA INCISAL
A percepção de naturalidade não depende só da luz. Textura superficial macroscópica e anatomia incisal também têm peso considerável nessa avaliação. Lóbulos de desenvolvimento, sulcos longitudinais e horizontais, depressões e projeções formam o relevo da superfície vestibular dos dentes anteriores, gerando micro-sombras e refletâncias que o olho humano interpreta como tridimensionalidade.
Correspondentes aos três lóbulos de desenvolvimento, os mamelões são projeções arredondadas presentes na borda incisal, particularmente visíveis em dentes jovens, e sua reprodução na restauração costuma indicar excelência técnica. Como são compostos predominantemente por esmalte, correspondem a regiões de maior translucidez incisal. Como método objetivo para verificar se essa translucidez foi reproduzida na restauração, Sugii et al. (2019) propõem o uso de fotografia com aumento de contraste.
Com o tempo, as superfícies dentárias se desgastam: os mamelões ficam menos pronunciados e a textura, mais homogênea. Reproduzir essas características também integra o trabalho restaurador quando se pretende harmonizar a restauração com os dentes adjacentes, de modo que a textura deve ser compatível com a faixa etária do paciente, aspecto que merece atenção desde o planejamento.
5 MATERIAIS RESTAURADORES E SEU POTENCIAL DE MIMETISMO
A primeira decisão técnica que afeta diretamente a naturalidade do resultado é a escolha do material. Entre os dois grupos principais usados em restaurações estéticas anteriores, resinas compostas e cerâmicas, cada um tem características ópticas próprias, indicações específicas e um grau próprio de complexidade técnica.
5.1 RESINAS COMPOSTAS
Versatilidade, capacidade de reparo, custo acessível e propriedades ópticas cada vez mais sofisticadas colocaram as resinas compostas na posição de material preferencial para restaurações diretas anteriores. Graus variados de opacidade, translucidez, saturação e efeitos especiais, presentes nos sistemas atuais, dão ao clínico condições de estratificar reconstruindo as camadas histoanatômicas do dente natural.
5.1.1 Sistemas policromos e estratificados
Entre as abordagens disponíveis para restaurações diretas, os sistemas policromos são frequentemente apontados como os de maior potencial para reproduzir a naturalidade (DIETSCHI; FAHL, 2016). Suas resinas são organizadas por função óptica (dentina, esmalte, translucente, efeitos especiais), formuladas para se complementarem durante a estratificação.
Essa trajetória, da técnica bilaminar simplificada à estratificação policromática multilaminar baseada na composição óptica do dente natural, foi descrita por Dietschi e Fahl (2016). Um atalho surgiu no meio do caminho: o conceito de natural layering, que reduz a sequência a uma camada de dentina e uma ou mais de esmalte, com efeitos especiais quando necessário, sem perder a integração estética. Manauta et al. (2014) simplificaram ainda mais, propondo tonalidade única de dentina e espessura de esmalte predefinida, o que tornou todo o processo mais reprodutível.
O conhecimento das propriedades ópticas de cada resina do sistema é apontado como condição importante para o êxito da estratificação (VILLARROEL et al., 2011). Na verificação do resultado, o aumento de contraste da fotografia final evidencia se a translucidez dos mamelões foi bem reproduzida (SUGII et al., 2019). Manauta et al. (2024) foram mais longe e integraram um colorímetro digital (OptiShade) a um aplicativo de estratificação (CompoShade), gerando receitas de camadas, materiais e espessuras definidos antes mesmo de o clínico tocar no paciente, fluxo que, segundo os autores, permitiu correspondência de cor precisa nos dois casos clínicos relatados.
5.1.2 Resinas monocromáticas e de sombra única
Espaço considerável no mercado, nos últimos anos, foi conquistado pelas resinas monocromáticas, ou de sombra única (single-shade). Partículas de carga com índice de refração próximo ao da matriz resinosa, dimensionadas para favorecer dispersão de luz compatível com o espectro de cor dental, compõem sua formulação e produzem o chamado "efeito camaleão": a aparência se ajusta à cor dos dentes adjacentes conforme a luz do ambiente clínico.
Cinco fatores condicionam esse efeito, segundo Huang (2026): transparência do material, características de dispersão de luz, distribuição do tamanho das partículas, espessura da camada e condições de iluminação. A simplicidade operacional dessas resinas, contudo, tende a encontrar limites diante de variação cromática acentuada, situação em que o efeito camaleão pode ser insuficiente.
Retrospectivamente, ao longo de dois anos, Korkut, Ünal e Can (2023) acompanharam 159 restaurações anteriores com compósitos monocromáticos, registrando sobrevida cumulativa de 94,6% para a Omnichroma e de 88,6% para a Essentia Universal Shade, sem diferença significativa entre elas. Fechamentos de diastema concentraram mais falhas por discrepância de cor do que facetas diretas, o que sugere desempenho cromático inferior quando falta suporte dental circundante. Na mesma direção, um ensaio clínico randomizado de Doğan e Arslan (2026), testando duas resinas single-shade em lesões cervicais anteriores, encontrou valores de ΔE₀₀ acima do limiar de aceitabilidade clínica em ambos os materiais, reforçando a necessidade de critério na seleção dos casos.
Resultado esteticamente satisfatório e paciente satisfeito foram os desfechos relatados por Ramos, Barquete e Pinhão (2025) ao combinar resina bloqueadora e resina de sombra única num veneer direto sobre dente com descoloração. Para os autores, a associação entre resina de sombra única e resina bloqueadora constitui alternativa viável para restaurar dentes com descoloração, além de simplificar a técnica restauradora.
5.1.3 Técnica de injeção por camadas
Índices de silicone transparentes fabricados digitalmente guiam a injeção sucessiva de resina composta fluida (flowable) em camadas, técnica descrita por Liaropoulou et al. (2025) como abordagem mais recente. Os índices impressos em 3D separam o volume de dentina do de esmalte, o que, segundo os autores, favorece a transferência do planejamento digital para a boca do paciente, com controle do volume de cada camada e menor invasividade do procedimento. Utsumi et al. (2026) refinaram a técnica com índices de dupla camada, casca rígida externa e revestimento flexível interno, reduzindo o excesso de material e facilitando a remoção após a fotopolimerização.
5.2 CERÂMICAS
Semelhante ao esmalte na forma como interage com a luz, a estrutura vítrea das cerâmicas odontológicas confere a esse grupo de materiais elevado potencial de reprodução das propriedades ópticas do dente natural. Décadas de evolução dos sistemas cerâmicos resultaram em equilíbrio progressivamente melhor entre qualidade estética e resistência mecânica.
5.2.1 Cerâmica feldspática
Por sua estrutura essencialmente vítrea, a cerâmica feldspática apresenta elevado potencial de integração óptica com o dente natural, sobretudo quando há esmalte preservado. Translucidez elevada, opalescência natural e fluorescência próxima à da dentição humana a consagraram, historicamente, como referência para facetas laminadas em dentes anteriores.
Mais de 12 anos de seguimento em laminados de porcelana feldspática fina corroboram esse desempenho, segundo Reis et al. (2025): planejamento criterioso, preparo limitado ao esmalte e cimentação adesiva adequada sustentaram longevidade e propriedades estéticas ao longo de todo o período. Os mesmos autores, contudo, apontam como limitação técnica a baixa resistência à flexão da porcelana feldspática antes da cimentação adesiva, de aproximadamente 70 a 90 MPa (REIS et al., 2025), fragilidade que motivou o desenvolvimento de alternativas como as cerâmicas híbridas (NAJI et al., 2025).
5.2.2 Dissilicato de lítio
O dissilicato de lítio é descrito como um dos materiais cerâmicos mais versáteis para restaurações estéticas anteriores, por combinar resistência à flexão de aproximadamente 360 a 400 MPa com propriedades ópticas favoráveis (ROJAS-RUEDAS et al., 2026).
Numa revisão sistemática de facetas de dissilicato fabricadas por prensagem a quente e por fresagem CAD/CAM, Sudharson et al. (2025) constataram vantagem das prensadas em adaptação marginal e sobrevida a longo prazo, contra maior eficiência de fluxo de trabalho nas CAD/CAM. Em ambas, contudo, a correspondência de cor (ΔE) ficou dentro de limites clinicamente aceitáveis.
É o substrato escurecido que representa o ponto mais delicado do dissilicato em casos estéticos. Num estudo in vitro, Wayakanon et al. (2025) calcularam que 87,82% da variância no resultado cromático final das facetas vêm da cor do substrato, valor muito superior à influência da translucidez cerâmica (9,15%) e da tonalidade do cimento resinoso (3,03%). Diante de descoloração dentária severa, portanto, a modificação prévia do substrato, por clareamento interno, agente opacificador ou cimento de alta opacidade, pode ser necessária.
Seis anos de seguimento de dez dentes anteriores superiores reabilitados com laminados de dissilicato planejados via Digital Smile Design permitiram a Dang et al. (2026) constatar integridade marginal e correspondência de cor mantidas pelos critérios USPHS modificados, com o enceramento diagnóstico e o mock-up apontados como etapas decisivas para a naturalidade do resultado. Wang et al. (2025) demonstraram, por outro lado, que facetas ultrafinas de dissilicato, de apenas 0,3 mm, ainda produzem transformações cromáticas substanciais em diferentes tonalidades.
5.2.3 Zircônia multitranslucente
Restringiu, por muito tempo, a indicação da zircônia para a região anterior: sua opacidade. Versões multicamadas de alta translucidez (gradient ou multilayer) superaram parcialmente essa limitação, incorporando ao bloco variações composicionais que reproduzem o gradiente de translucidez entre esmalte e dentina.
Num ensaio clínico randomizado de 18 meses, Elkady, Taymour e Anwar (2026) compararam laminados de zircônia multilaminada ultratranslucente e de dissilicato de lítio e não encontraram diferença estatisticamente significativa quanto a retenção, integridade, correspondência de cor e adaptação marginal. Os resultados sugerem a zircônia multitranslucente como alternativa possível ao dissilicato em facetas conservadoras, com a ressalva de que estudos de longo prazo ainda são necessários para confirmar a estabilidade óptica do material.
O protocolo de sinterização pode representar um aspecto crítico para a naturalidade dessas restaurações. Em estudo in vitro, Rahawi et al. (2026) observaram que a sinterização em alta velocidade (high-speed) levou a desvios de cor clinicamente inaceitáveis e reduziu significativamente a translucidez, o que levou os autores a recomendar a sinterização convencional quando a integração estética máxima for prioridade.
5.2.4 Facetas sem preparo e mínimo preparo
Até 97,4% de sucesso em casos bem selecionados: essa é a taxa que Chandode et al. (2026) documentaram para facetas sem preparo cimentadas sobre esmalte. Preservação do esmalte, menor sensibilidade pós-operatória e baixo custo biológico: essas são as vantagens apontadas pelos autores. Há, porém, uma limitação importante: sem desgaste, a possibilidade de alterar cor, forma ou posição é reduzida, o que tende a restringir sua indicação em casos de discromia intrínseca ou discrepâncias morfológicas relevantes.
Ao longo de 12 meses, Naji et al. (2025) compararam laminados de cerâmica feldspática policroma com laminados de cerâmica híbrida multicor e encontraram, em ambos os grupos, adaptação marginal aceitável, correspondência de cor adequada e alta satisfação, sem diferença estatisticamente significante entre os materiais.
6 TÉCNICAS CLÍNICAS PARA ALCANÇAR NATURALIDADE
Bons materiais, por si sós, podem não ser suficientes para resultados naturais, pois a naturalidade depende também de como o material é aplicado, ao longo de um fluxo clínico que se inicia no diagnóstico e só termina no polimento final.
6.1 SELEÇÃO E ANÁLISE DE COR
Recomenda-se que a seleção de cor preceda qualquer procedimento que altere a hidratação dental, como isolamento absoluto prolongado ou tentativas de estratificação, já que a desidratação pode distorcer a leitura cromática. Também se recomenda que os dentes sejam mantidos umedecidos e afastados de luz intensa durante a avaliação.
Tonalidade (matiz) sozinha não conta a história toda. Valor (luminosidade) e croma (saturação) precisam de igual atenção, assim como translucidez da borda incisal, presença de mamelões, manchas brancas, caracterizações internas. O valor, embora apontado como parâmetro de grande influência sobre a percepção de naturalidade, pode receber menos atenção do que o matiz na prática clínica.
Scanner intraoral e escala visual foram testados lado a lado por Sunitha et al. (2025) em 40 participantes: o scanner apresentou maior repetibilidade (κ = 0,83 vs. κ = 0,25), mas o acordo entre os dois métodos revelou-se quase nulo (κ = 0,03 a 0,05), o que levou os autores a concluir que os métodos não são intercambiáveis e a recomendar a combinação da ferramenta digital, pela consistência, com a avaliação visual, pela correlação clínica. Já Manauta et al. (2024) integraram colorímetro clínico e aplicativo de estratificação (CompoShade) num fluxo digital que possibilita try-ins digitais realistas e ajustes de prescrição antes de iniciar a execução, o que, segundo os autores, amplia a previsibilidade do resultado.
6.2 PLANEJAMENTO PRÉVIO E MOCK-UP
O planejamento prévio é amplamente recomendado nas restaurações estéticas anteriores. Feito sobre modelos de estudo, o enceramento diagnóstico (wax-up) possibilita ao clínico e ao técnico em prótese definir forma, tamanho, proporções e relações oclusais antes de qualquer intervenção, servindo de referência para os mock-ups: restaurações de prova em material provisório que o paciente aprova intraoralmente antes da etapa definitiva.
A acurácia do mock-up também merece atenção. Em estudo in vitro, Ntovas et al. (2025) mostraram que a bandeja de suporte manufaturada por adição (impressão 3D) reduz significativamente a discrepância entre a restauração de prova e o enceramento virtual, quando comparada ao suporte convencional, o que sugere que a padronização do processo contribui para que o planejamento efetivamente chegue à boca do paciente. Em dois anos de acompanhamento clínico, Higashi et al. (2025) relataram que a combinação entre mock-up digital e fabricação aditiva das restaurações provisórias contribuiu para a previsibilidade do resultado final.
6.3 ÍNDICE DE SILICONE E TÉCNICAS DE TRANSFERÊNCIA
Na estratificação direta, o índice de silicone palatino funciona como guia de volume e de forma. Fabricado a partir do enceramento diagnóstico ou do modelo digital, ele define com precisão o limite incisal e a superfície palatina da restauração, orientando cada camada de resina no momento da aplicação.
Num caso de incisivo lateral conóide (peg lateral), Kurundkar et al. (2024) aplicaram a técnica com resultado estético satisfatório e abordagem minimamente invasiva. Já Gao et al. (2021) exploraram um caminho digital, fabricando por impressão 3D, a partir do planejamento virtual, uma réplica do dente restaurado que serve de base para os índices de silicone palatino e vestibular, o que, segundo os autores, favoreceu a reprodução do contorno do dente contralateral.
6.4 TÉCNICA DE ESTRATIFICAÇÃO
Teoria óptica e prática clínica convergem na etapa de estratificação, onde uma sequência convencional costuma guiar a restauração anterior direta: dentina em croma adequado à região, reproduzindo forma e volume naturais; caracterização com resinas de efeito, quando indicada, para manchas brancas, hipercalcificações ou mamelões translúcidos; esmalte em translucidez crescente rumo à borda incisal; e, se necessário, uma última camada translúcida ou opalescente fechando o trabalho na borda incisal.
O controle da espessura de cada camada é apontado como fator relevante para a qualidade do resultado. Esmalte excessivamente espesso tende a reduzir o valor e deixar a restauração opaca, enquanto esmalte excessivamente fino tende a expor a dentina, elevar o croma e prejudicar a integração. Villarroel et al. (2011) apontam a análise incorreta das propriedades ópticas dos materiais como uma das principais causas de insucesso estético nessas restaurações.
6.5 ACABAMENTO E POLIMENTO
O acabamento e o polimento também contribuem de forma importante para a percepção de naturalidade pelo observador. A textura macroscópica surge primeiro, com instrumentos abrasivos de forma (brocas de acabamento, pedras, tiras abrasivas), e só então vem o polimento progressivo, feito com borrachas e pastas abrasivas.
A escolha do protocolo depende da composição do material. Em compósito nanoparticulado (Filtek XTE Supreme), Tosco et al. (2020) mostraram que sistemas baseados em pasta diamantada produzem melhores resultados de rugosidade e brilho. Já AlKahtani et al. (2026) observaram que, em resinas bulk-fill esculpíveis nanoparticuladas, o sistema de uma etapa à base de diamante (Opti1Step) atingiu rugosidade (Sa de até 0,06 µm) e brilho (até 89,4 GU) comparáveis, e em alguns casos superiores, aos de protocolos de duas etapas, o que pode simplificar o procedimento sem comprometer a qualidade superficial.
Discrepâncias de translucidez ou opalescência que passariam despercebidas sob uma única fonte de luz podem se revelar apenas ao avaliar o resultado sob diferentes condições de iluminação, como luz incidente, luz transmitida e flash fotográfico. A fotografia com contraste aumentado, proposta por Sugii et al. (2019), pode auxiliar na verificação objetiva da qualidade óptica da restauração já finalizada.
7 PERCEPÇÃO DO PACIENTE VERSUS AVALIAÇÃO DO CLÍNICO
Raramente explicitado, um pressuposto sustenta a clínica estética: o de que paciente e clínico compartilham os mesmos critérios de avaliação. Estudos recentes, contudo, indicam que esse pressuposto nem sempre se confirma.
Avaliando 126 pacientes divididos em dois grupos etários, adolescentes e adultos jovens (15 a 25 anos) contra adultos e idosos (50 a 75 anos), por meio de espectrofotometria, escala visual analógica (EVA) e questionário OHIP-14, Luca, Buzatu e Bumbu (2026) identificaram um paradoxo: apesar da melhor correspondência de cor instrumental (ΔE*ab menor), o grupo mais jovem relatou menos satisfação subjetiva (VAS paciente: 72,4 vs. 81,6) e mais impacto psicossocial negativo (OHIP-14: 7,2 vs. 4,0), com concordância fraca entre paciente e clínico (ICC = 0,26) contra moderada nos adultos (ICC = 0,58). Esses achados sugerem que a qualidade técnica, isoladamente, pode não garantir a satisfação do paciente.
Estudo multicêntrico com 150 adultos em tratamento protético estético anterior validou o Dental Esthetic Screening Index (DESI), conduzido por Hassanein et al. (2026), que se revelou forte preditor de impacto psicossocial (r = 0,89) e de satisfação do paciente (r = −0,84), discriminando com precisão pacientes de alta carga psicossocial (AUC = 0,947). Aproximadamente um terço do efeito total foi explicado pela percepção social, mediadora parcial da relação entre resultado objetivo e satisfação.
Isso não significa, porém, que o impacto positivo de uma restauração bem executada seja irrelevante; os estudos avaliados indicam benefícios consistentes. Sagare et al. (2025), em estudo prospectivo com 84 pacientes tratados para discromia dental anterior, registraram elevação significativa nos escores de satisfação após o tratamento (VAS pré: 4,3 vs. pós: 8,7; p < 0,001), com 92,8% relatando ganho de autoconfiança. No Radboud Tooth Wear Project, que reúne 15 anos de pesquisa com pacientes portadores de desgaste dental, Loomans et al. (2026) relatam que os 78 pacientes reabilitados com restaurações diretas em resina composta apresentaram melhora significativa na qualidade de vida relacionada à saúde bucal e na estética orofacial após um ano (p < 0,001), mantida por pelo menos cinco anos, segundo instrumentos respondidos pelos próprios pacientes (OHIP e escala de estética orofacial).
Um fator escapa ao controle direto do clínico: a referência estética que o paciente já traz consigo antes de sentar na cadeira. Em estudo experimental, Laus et al. (2020) observaram que a exposição a imagens de sorrisos esteticamente ideais pode inibir a adaptação psicológica à própria condição dentária, particularmente entre indivíduos com maloclusão mais severa e maior capacidade cognitiva. Por extensão, é possível que pacientes muito expostos a referências estéticas midiáticas avaliem o próprio resultado de forma mais crítica, independentemente da qualidade objetiva da restauração. A Figura 3 ilustra esse contraponto: restaurações de alto valor, cor uniforme e superfície lisa se afastam do gradiente de croma, da translucidez incisal e da textura descritos na seção 4, mas podem corresponder ao que parte dos pacientes entende por sorriso ideal.
Em conjunto, essas evidências sugerem que o planejamento restaurador pode se beneficiar de levantar expectativas antes de qualquer etapa clínica, usar ferramentas de visualização prévia do resultado (DSD, mock-ups, modelos digitais), documentar fotograficamente o estado inicial para comparação futura e discutir com realismo o que é possível e o que não é.
8 TECNOLOGIAS DIGITAIS NO SUPORTE À NATURALIDADE
Dados intraorais, faciais, tomográficos e de movimento mandibular podem ser integrados num fluxo digital completo para a reabilitação estética anterior, o que, segundo Wu, Wu e Xu (2026), torna o planejamento do tratamento mais claro e melhora a comunicação entre as especialidades envolvidas.
8.1 DIGITAL SMILE DESIGN (DSD)
O Digital Smile Design, metodologia de planejamento estético criada por Christian Coachman, usa fotografias e vídeos do paciente para simular digitalmente o resultado do tratamento antes de qualquer intervenção, projetando o sorriso planejado sobre o rosto real, dentes, lábios, linha do sorriso e dinâmica facial integrados, o que permite avaliar proporções e posicionamento da borda incisal ainda sem tocar no paciente.
Com 62 pacientes, o estudo clínico randomizado de Liu et al. (2024) mostrou que o uso de guias digitais de aumento de coroa, no contexto da restauração estética anterior, reduziu significativamente o número de consultas e o tempo operatório em comparação à abordagem convencional; os índices de forma, cor, textura e transparência das restaurações também foram superiores nos grupos digitais ao longo do acompanhamento (1, 3 e 6 meses).
Em estudo clínico prospectivo com 80 pacientes, Qadiri et al. (2026) observaram que o DSD aumentou significativamente a compreensão do plano de tratamento, a confiança no resultado e a satisfação geral com a consulta (p < 0,001), a ponto de 85% dos pacientes aceitarem o tratamento proposto depois de visualizar digitalmente o sorriso simulado. Antecipar visualmente o resultado pode, assim, contribuir para reduzir a lacuna entre expectativa e percepção pós-tratamento.
Avaliando a acurácia dimensional de facetas provisórias projetadas por dois softwares de DSD e fabricadas por impressão 3D ou por fresagem CAD/CAM, Feriz et al. (2026) constataram que o método de fabricação, mais do que a plataforma de DSD utilizada, influenciou os desvios dimensionais, sendo a impressão 3D responsável pelos menores desvios lineares.
8.2 IMPRESSÃO 3D E PLANEJAMENTO VIRTUAL
A associação entre planejamento digital e impressão 3D tende a conferir maior precisão a guias, índices e provisórios. Ao comparar restaurações de prova fabricadas por impressão 3D (SLA) e por fresagem CAD/CAM, Ortensi et al. (2022) verificaram maior acurácia e melhor adaptação clínica nas impressas, o que reforça o valor de fabricar digitalmente provisórios fiéis ao planejamento para que o paciente aprove a estética antes da intervenção definitiva.
A qualidade do suporte utilizado também influencia a acurácia da etapa de prova. Ntovas et al. (2025) mostraram que bandejas impressas em 3D, usadas como suporte para índices de silicone, reduzem consideravelmente a discrepância entre o mock-up e o enceramento virtual, enquanto Higashi et al. (2025), em dois anos de acompanhamento, relataram estabilidade clínica satisfatória de facetas em resina impressas em 3D.
Um modelo de paciente virtual 4D, resultado da integração entre DSD, análise facial, escaneamento intraoral e dados de movimento mandibular, fundamenta o protocolo inteiramente digital para reabilitação estética anterior descrito por Wu, Wu e Xu (2026), o que, segundo os autores, favoreceu um planejamento interdisciplinar mais preciso e menos invasivo.
8.3 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO PLANEJAMENTO ESTÉTICO
Voltados ao planejamento estético odontológico, softwares baseados em inteligência artificial vêm sendo utilizados para auxiliar no planejamento estético, podendo apoiar o design do sorriso, sugerir proporções dentárias e simular resultados, embora a evidência ainda seja incipiente, o que pode reduzir o tempo de planejamento e amplia o acesso a recursos avançados, ainda que se trate de uma área incipiente, porém de evolução rápida.
AbdelHafez, Afia e Shaalan (2026) compararam projetos de sorriso gerados por IA (Smilefy) com os do método convencional digital (exoCAD). Na satisfação dos pacientes, nenhuma diferença significativa entre os dois (p > 0,05). Já os clínicos preferiram o convencional para anatomia secundária (p < 0,05). O erro médio do software de IA, 0,29 ± 0,095 mm, ficou dentro de uma acurácia clinicamente aceitável para o planejamento anterior. A conclusão dos autores é cautelosa: a IA já ajuda na triagem e na comunicação com o paciente, mas ainda não substitui o julgamento clínico nas dimensões de refinamento estético mais fino.
É provável que, nos próximos anos, a IA se integre cada vez mais a escaneamento intraoral, fotografia facial padronizada e bancos de dados de referências dentárias, o que poderá gerar propostas de planejamento estético mais individualizadas e influenciar a prática contemporânea do planejamento restaurador.
9 DESAFIOS CLÍNICOS E CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS
Nem todo o avanço em materiais e tecnologias eliminou os desafios que ainda persistem no cotidiano clínico, dificultando a busca pela naturalidade em restaurações estéticas anteriores.
Estabilidade de cor a longo prazo. Duas frentes ameaçam a estabilidade cromática das resinas compostas: a pigmentação extrínseca, provocada por alimentos, bebidas cromógenas e tabaco, e a alteração de cor intrínseca, decorrente da degradação da matriz orgânica. As resinas monocromáticas, em particular, tendem a manchar quando expostas a bebidas como vinho tinto, café e chá (HUANG, 2026). Já as cerâmicas, mais estáveis por natureza, podem ter suas propriedades ópticas comprometidas por falhas no protocolo de processamento, como a sinterização (RAHAWI et al., 2026).
Mascaramento de substrato escurecido. Em estudo in vitro, Wayakanon et al. (2025) atribuíram quase 90% da variação do resultado cromático final em facetas de dissilicato de lítio à cor do substrato. Diante de descoloração dental intensa, portanto, a modificação prévia do substrato, seja por clareamento interno, agente opacificador ou cimento de alta opacidade, pode ser necessária.
Técnica-dependência e reprodutibilidade. Estratificação policromática manual depende fortemente da habilidade do operador, e a variabilidade tende a persistir mesmo entre clínicos experientes, especialmente em restaurações extensas ou com múltiplos elementos. Enceramento diagnóstico, índices de silicone e fluxos digitais reduzem essa variabilidade, embora não a eliminem por completo. Nesse contexto, a padronização progressiva por meio de tecnologia digital pode contribuir para ampliar a reprodutibilidade (LIAROPOULOU et al., 2025).
Integração marginal. A interface entre restauração e dente pesa tanto na naturalidade quanto na longevidade clínica. Infiltração, pigmentação ou desgaste diferencial nas margens podem evidenciar a restauração e comprometer a integração cromática; em facetas de dissilicato de lítio, a descoloração marginal é relatada com maior frequência quando há pouco esmalte remanescente (ROJAS-RUEDAS et al., 2026). Daí a ênfase dada à preservação do esmalte e a protocolos adesivos criteriosos, realizados sob isolamento absoluto (FERRARIS, 2026).
Alinhamento de expectativas. Expectativas irrealistas podem fazer com que até resultados tecnicamente excelentes sejam recebidos como insatisfatórios (LUCA; BUZATU; BUMBU, 2026). Nesse sentido, a documentação fotográfica do estado inicial, o uso de ferramentas de visualização prévia e a conversa franca sobre possibilidades e limitações podem contribuir para prevenir a insatisfação pós-operatória.
Integração interdisciplinar. Posição gengival, proporção coroa-comprimento, eixo dental e relação oclusal definem o ponto de partida estético, e dificilmente material ou técnica compensam adequadamente esses fatores quando comprometidos (DANG et al., 2026). A integração com periodontia, ortodontia e endodontia pode, por isso, ser necessária para alcançar a naturalidade em muitos casos.
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Convergência de múltiplos fatores, entre eles conhecimento das propriedades ópticas do dente natural, domínio técnico da estratificação, escolha criteriosa do material e atenção às expectativas individuais do paciente, é o que, segundo os estudos avaliados, sustenta a naturalidade em restaurações estéticas de dentes anteriores.
Um repertório de materiais sem precedentes está hoje à disposição do clínico contemporâneo: resinas policromas, compósitos monocromáticos, dissilicato de lítio, zircônia multitranslucente, sistemas CAD/CAM. Nenhum deles, contudo, substitui o domínio dos fundamentos ópticos, translucidez, opalescência, fluorescência, textura superficial, que continua sendo apontado como determinante para resultados naturais. Sem essa base teórica, mesmo materiais avançados tendem a ter seu potencial subaproveitado.
Previsibilidade maior, comunicação mais fácil com o paciente e menor dependência da variabilidade do operador sobre o resultado: esses são os ganhos associados às tecnologias digitais, DSD, impressão 3D, CAD/CAM, inteligência artificial. Conforme essas ferramentas se integram em fluxos completos e interdisciplinares, a prática restauradora tende a se aproximar de alcançar naturalidade estética com consistência cada vez maior.
Segundo a literatura recente, nenhum material garante, isoladamente, a naturalidade percebida: trata-se também de experiência subjetiva, moldada por expectativas, contextos culturais e referências estéticas que o paciente já carrega antes de sentar na cadeira. A excelência técnica, por isso, pode não ser suficiente sozinha, e saber ouvir se torna igualmente relevante: compreender o que o paciente espera, alinhar essa expectativa ao que é tecnicamente viável e construir um tratamento clinicamente sólido e, ao mesmo tempo, significativo para quem o recebe.
REFERÊNCIAS
ABDELHAFEZ, M.; AFIA, A.; SHAALAN, O. Artificial intelligence versus conventional methods in digital smile designing: an accuracy study. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 38, n. 4, p. 828-836, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.70075. Acesso em: 23 set. 2026.
ALKAHTANI, R. N. et al. The effect of reduced-step finishing and polishing protocols on roughness, gloss, and surface quality of bulk-fill resin-based composites. BMC Oral Health, [S.l.], v. 26, n. 1, art. 1296, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12903-026-08619-6. Acesso em: 23 set. 2026.
CHANDODE, A. et al. No-preparation and conventional veneers in esthetic dentistry: clinical considerations. Bioinformation, [S.l.], v. 22, n. 3, p. 1560-1563, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.6026/973206300221560. Acesso em: 23 set. 2026.
DANG, A. T. et al. Digital smile design-driven minimally invasive lithium disilicate laminate veneers in the aesthetic zone: a 6-year follow-up case report. Frontiers in Dental Medicine, [S.l.], v. 7, art. 1746318, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fdmed.2026.1746318. Acesso em: 23 set. 2026.
DETTLINGER, H. S. et al. Optical properties and microstructure of CAD/CAM silicate glass-ceramics with different levels of translucency. Dental Materials, [S.l.], v. 41, n. 11, p. 1454-1464, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.dental.2025.08.001. Acesso em: 23 set. 2026.
DIAMANTOPOULOU, S. et al. Coverage error of three resin composite systems to vital unrestored maxillary anterior teeth. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 35, n. 2, p. 352-359, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.12913. Acesso em: 23 set. 2026.
DIETSCHI, D.; FAHL, N. Shading concepts and layering techniques to master direct anterior composite restorations: an update. British Dental Journal, London, v. 221, n. 12, p. 765-771, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1038/sj.bdj.2016.944. Acesso em: 23 set. 2026.
DOĞAN, A. N.; ARSLAN, S. Baseline color-matching in anterior non-carious cervical lesions of patients of two single-shade resin composites: a randomized clinical trial. Odontology, [S.l.], 2026. Publicação eletrônica antecipada. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10266-026-01349-9. Acesso em: 23 set. 2026.
ELKADY, M. A.; TAYMOUR, M. A.; ANWAR, E. M. Clinical assessment of teeth restored with ultra-translucent multilayered zirconia vs lithium disilicate laminates: 18-month follow-up: a randomized controlled trial. The Journal of Contemporary Dental Practice, [S.l.], v. 27, n. 2, p. 105-116, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.5005/jp-journals-10024-4020. Acesso em: 23 set. 2026.
FERIZ, M. et al. Two-dimensional accuracy of provisional laminate veneers designed using two digital smile design platforms and fabricated by additive and subtractive manufacturing. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 38, n. 8, p. 1574-1585, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.70178. Acesso em: 23 set. 2026.
FERRARIS, F. Direct or indirect veneers? Overview with a focus on ceramic restorations. The International Journal of Esthetic Dentistry, Berlin, v. 21, n. 5, p. 52-72, 2026. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42187259/. Acesso em: 23 set. 2026.
GAO, Y. et al. Direct composite resin restoration of a class IV fracture by using 3D printing technology: a clinical report. The Journal of Prosthetic Dentistry, [S.l.], v. 125, n. 4, p. 555-559, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.prosdent.2020.02.017. Acesso em: 23 set. 2026.
HASSANEIN, F. E. A. et al. Validation of the dental esthetic screening index in relation to patient-reported psychosocial outcomes and social perception ratings: a cross-sectional multicenter study. The Journal of Prosthetic Dentistry, [S.l.], v. 136, n. 2, p. 430-437, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.prosdent.2026.04.029. Acesso em: 23 set. 2026.
HIGASHI, C. et al. Enhancing esthetics with digital dentistry: a 2-year follow-up of 3D-printed restorations. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 37, n. 9, p. 2050-2059, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.13491. Acesso em: 23 set. 2026.
HUANG, W. Factors influencing color match of monochromatic resin composites: a narrative review. Frontiers in Dental Medicine, [S.l.], v. 6, art. 1742283, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fdmed.2025.1742283. Acesso em: 23 set. 2026.
KOMINE, F. et al. A modified layering technique to enhance fluorescence in glass-infiltrated aluminum oxide ceramic restorations: case report. Quintessence International, Berlin, v. 39, n. 1, p. 11-16, 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18551211/. Acesso em: 23 set. 2026.
KORKUT, B.; ÜNAL, T.; CAN, E. Two-year retrospective evaluation of monoshade universal composites in direct veneer and diastema closure restorations. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 35, n. 3, p. 525-537, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.12992. Acesso em: 23 set. 2026.
KURUNDKAR, S. et al. Restoration of a peg lateral incisor using the putty index technique: a case report. Cureus, [S.l.], v. 16, n. 9, e68964, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.7759/cureus.68964. Acesso em: 23 set. 2026.
LAUS, I. et al. Effects of visual stimuli from media on the perception of dentofacial esthetics. Acta Stomatologica Croatica, Zagreb, v. 54, n. 3, p. 283-293, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.15644/asc54/3/6. Acesso em: 23 set. 2026.
LIAROPOULOU, Y. M. et al. The multilayer flowable injection technique for highly esthetic restorations. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 37, n. 10, p. 2161-2170, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.13500. Acesso em: 23 set. 2026.
LIU, J. et al. A comparative study of the use of digital technology in the anterior smile experience. BMC Oral Health, [S.l.], v. 24, n. 1, art. 492, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12903-024-04228-3. Acesso em: 23 set. 2026.
LOOMANS, B. A. C. et al. Evidence-based, patient-centred management of tooth wear: 15-years insights from the Radboud Tooth Wear Project. Journal of Dentistry, [S.l.], v. 170, art. 106673, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jdent.2026.106673. Acesso em: 23 set. 2026.
LUCA, M. M.; BUZATU, R.; BUMBU, B. A. Age-related aesthetic outcomes of anterior direct composite restorations: color match, patient-clinician concordance, and oral health-related quality of life. Journal of Clinical Medicine, [S.l.], v. 15, n. 12, art. 4610, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.3390/jcm15124610. Acesso em: 23 set. 2026.
MANAUTA, J. et al. Stratification in anterior teeth using one dentine shade and a predefined thickness of enamel: a new concept in composite layering: part I. Odonto-Stomatologie Tropicale, [S.l.], v. 37, n. 146, p. 5-16, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25223143/. Acesso em: 23 set. 2026.
MANAUTA, J. et al. Precision layering techniques: integrating digital tools for accurate color matching and realistic try-ins in anterior composite restorations. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 36, n. 12, p. 1638-1650, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.13297. Acesso em: 23 set. 2026.
NAJI, K. F. et al. Marginal adaptation, shade matching, and patient satisfaction of polychromatic feldspathic porcelain vs polychromatic hybrid ceramic laminate veneers. The Journal of Contemporary Dental Practice, [S.l.], v. 26, n. 5, p. 433-447, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.5005/jp-journals-10024-3864. Acesso em: 23 set. 2026.
NTOVAS, P. et al. Impact of material and silicone index support using additively manufactured trays on the reproducibility of diagnostic trial restorations (mock-up): a comparative in-vitro study. Journal of Dentistry, [S.l.], v. 162, art. 106013, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jdent.2025.106013. Acesso em: 23 set. 2026.
ORTENSI, L. et al. Accuracy of trial restorations from virtual planning: a comparison of two fabrication techniques. The Journal of Prosthetic Dentistry, [S.l.], v. 127, n. 3, p. 425-429, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.prosdent.2020.08.040. Acesso em: 23 set. 2026.
QADIRI, S. Y. et al. Impact of digital smile design on patient satisfaction and treatment acceptance in esthetic dental practice: a clinical study. Cureus, [S.l.], v. 18, n. 4, e106350, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.7759/cureus.106350. Acesso em: 23 set. 2026.
RAHAWI, O. S. et al. Optical properties of multi-yttria-layered zirconia: influence of "high-speed" sintering protocol. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 38, n. 9, p. 1848-1853, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.70186. Acesso em: 23 set. 2026.
RAMOS, A. B.; BARQUETE, C. G.; PINHÃO, M. J. B. Can a single-shade resin composite mask darkened teeth in a veneer restoration? A clinical case report. British Dental Journal, London, v. 239, n. 1, p. 31-33, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41415-025-8661-z. Acesso em: 23 set. 2026.
REIS, J. M. S. N. et al. Minimally invasive ceramic laminate veneers for maxillary anterior esthetic rehabilitation: a 12+ years follow-up. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 37, n. 10, p. 2171-2179, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.70001. Acesso em: 23 set. 2026.
ROJAS-RUEDAS, S. et al. Narrative review of lithium disilicate veneers in esthetic dentistry: current perspectives and clinical case report. Case Reports in Dentistry, [S.l.], v. 2026, n. 1, art. 8167075, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1155/crid/8167075. Acesso em: 23 set. 2026.
SAGARE, S. V. et al. Patient satisfaction and acceptance with dental esthetics after endodontic and prosthodontic treatment of dental dyschromia. Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences, [S.l.], v. 17, supl. 4, p. S3150-S3152, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.4103/jpbs.jpbs_1225_25. Acesso em: 23 set. 2026.
SUDHARSON, N. A. et al. Clinical performance and survival outcomes of milled versus pressed lithium disilicate veneers: a systematic review. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 37, n. 12, p. 2590-2600, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jerd.70038. Acesso em: 23 set. 2026.
SUGII, M. M. et al. Utilizing the optical properties of composite resins to improve esthetics: a layering technique for anterior restorations. General Dentistry, Chicago, v. 67, n. 1, p. 55-60, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30644833/. Acesso em: 23 set. 2026.
SUNITHA, M. et al. Digital precision vs. visual perception: a comparative evaluation of shade selection reliability using intraoral scanning and conventional shade guides. Cureus, [S.l.], v. 17, n. 11, e97890, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.7759/cureus.97890. Acesso em: 23 set. 2026.
TOSCO, V. et al. Effect of four different finishing and polishing systems on resin composites: roughness surface and gloss retention evaluations. Minerva Stomatologica, Torino, v. 69, n. 4, p. 207-214, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.23736/S0026-4970.19.04310-3. Acesso em: 23 set. 2026.
UTSUMI, Y. et al. Direct composite injection molding with bilayered three-dimensional-printed clear index: a fully digital workflow case report of post-orthodontic anterior tooth wear. Restorative Dentistry & Endodontics, [S.l.], v. 51, n. 3, e36, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.5395/rde.2026.51.e36. Acesso em: 23 set. 2026.
VILLARROEL, M. et al. Direct esthetic restorations based on translucency and opacity of composite resins. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, [S.l.], v. 23, n. 2, p. 73-87, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1708-8240.2010.00392.x. Acesso em: 23 set. 2026.
WANG, Y. et al. Final shade and whiteness: impact of various ultra-thin CAD/CAM veneers and tooth-colored resin substrates. BMC Oral Health, [S.l.], v. 25, n. 1, art. 504, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12903-025-05901-x. Acesso em: 23 set. 2026.
WAYAKANON, K. et al. Masking discolored substrates with lithium disilicate veneers and resin cements: an in vitro quantitative analysis. Journal of Dentistry, [S.l.], v. 162, art. 106038, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jdent.2025.106038. Acesso em: 23 set. 2026.
WU, Y.; WU, Y.; XU, C. Prosthodontic-oriented multidisciplinary esthetic rehabilitation with a fully digital workflow: a case report. The International Journal of Prosthodontics, [S.l.], v. 39, n. 3, p. 405-414, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.11607/ijp.9293. Acesso em: 23 set. 2026.
Graduanda do Curso de Odontologia, Centro Universitário Mario Pontes Jucá (UMJ). E-mail: gleycinhapaixao2@gmail.com ↑
Graduanda do Curso de Odontologia, Centro Universitário Mario Pontes Jucá (UMJ). E-mail: gleycinhapaixao2@gmail.com ↑
Professora do Curso de Odontologia, Centro Universitário Mario Pontes Jucá (UMJ); Especialista em Saúde da Família pela Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNICISAL); Especialista em Gestão do Trabalho e da Educação e Saúde pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Graduação em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). E-mail: erikaholanda2012@hotmail.com ↑

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Gleyciane dos Santos Paixão, Laudenir da Silva Santos, Érika Holanda de Araújo (Autor)