Atuação do farmacêutico na farmacovigilância hospitalar.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A farmacovigilância hospitalar é fundamental para a identificação e prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos, contribuindo para a segurança do paciente. Nesse contexto, o farmacêutico desempenha papel essencial na análise da terapia medicamentosa, identificação de reações adversas e prevenção de erros de medicação. Este estudo tem como objetivo descrever a atuação do farmacêutico na farmacovigilância hospitalar. Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada a partir de artigos científicos. Os resultados demonstram que a atuação desse profissional contribui para a redução de eventos adversos e para o uso seguro de medicamentos. Conclui-se que a farmacovigilância, aliada à atuação do farmacêutico, é indispensável para a qualidade da assistência e segurança do paciente.

Palavras-chave: Farmacovigilância; Segurança do paciente; Farmácia hospitalar; Reações adversas; Uso racional de medicamentos.

ABSTRACT

Hospital pharmacovigilance is fundamental for the identification and prevention of problems related to medication use, contributing to patient safety. In this context, the pharmacist plays an essential role in the analysis of drug therapy, identification of adverse reactions, and prevention of medication errors. This study aims to describe the pharmacist's role in hospital pharmacovigilance. This is a literature review based on scientific articles. The results demonstrate that the pharmacist's actions contribute to the reduction of adverse events and the safe use of medications. It is concluded that pharmacovigilance, combined with the pharmacist's role, is indispensable for the quality of care and patient safety.

Keywords: Pharmacovigilance; Patient safety; Hospital pharmacy; Adverse reactions; Rational use of medicines.

INTRODUÇÃO

A farmacovigilância constitui uma importante estratégia para a promoção da segurança do paciente, sendo responsável pela identificação, avaliação e prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos. No ambiente hospitalar, onde a utilização de fármacos ocorre de forma intensiva e, muitas vezes, complexa, torna-se essencial a adoção de medidas que garantam a qualidade da assistência e minimizem riscos associados à terapia medicamentosa.

Nesse contexto, a farmacovigilância hospitalar destaca-se como um instrumento fundamental para o monitoramento contínuo dos medicamentos, permitindo a detecção precoce de reações adversas e a prevenção de erros de medicação. Dessa forma, contribui significativamente para a melhoria dos resultados clínicos e para a segurança dos pacientes.

Entre os diversos fatores que impactam essa segurança, os erros de medicação destacam-se como uma das principais causas de eventos adversos evitáveis em hospitais. Esses erros podem ocorrer em diferentes etapas do processo medicamentoso, incluindo prescrição, dispensação, administração e monitoramento, resultando em consequências potencialmente graves para a saúde dos pacientes (SILVA; ALMEIDA, et al 2022).

A prevenção dos erros de medicação é uma estratégia prioritária para melhorar a qualidade da assistência hospitalar e reduzir custos relacionados a complicações e prolongamento da internação. Nesse contexto, o farmacêutico hospitalar assume papel fundamental, visto que suas competências técnicas e clínicas permitem a identificação e correção precoce de falhas, garantindo o uso racional e seguro dos medicamentos (COSTA et al,2023).

A segurança do paciente constitui um dos pilares fundamentais da assistência à saúde, especialmente no que se refere ao uso de medicamentos, que, embora essenciais para o tratamento de diversas condições, podem estar associados a riscos significativos. Nesse contexto, a farmacovigilância surge como uma ferramenta indispensável para a identificação, avaliação, compreensão e prevenção de eventos adversos relacionados a medicamentos. (CUNHA, TORRES, OLIVEIRA, SILVA, BEZERRA, SOUZA et al, 2026).

O uso racional de medicamentos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), envolve a administração de fármacos de maneira apropriada, considerando a condição clínica do paciente, a posologia correta, o tempo de tratamento adequado e a disponibilidade do medicamento com o menor custo possível. Para que esse princípio seja aplicado de maneira eficaz, é essencial que o tratamento prescrito leve em conta tanto os fatores clínicos do paciente quanto a viabilidade econômica, permitindo o acesso ao fármaco mais adequado e acessível. Entretanto, a implementação dessas diretrizes ainda é dificultada por barreiras relacionadas à prescrição médica inadequada, falta de orientação profissional e desigualdade no acesso aos medicamentos (Serafini, 2022). O uso irracional de medicamentos continua sendo um dos principais desafios na saúde pública global. A OMS estima que mais da metade dos medicamentos são utilizados de forma inadequada, seja por prescrição incorreta, automedicação ou não adesão ao tratamento. Entre os principais exemplos desse problema estão o uso excessivo de antimicrobianos sem necessidade, dosagens inadequadas, o consumo exagerado de medicamentos injetáveis quando a administração oral seria mais apropriada e a automedicação sem a devida orientação profissional. Tais práticas podem resultar em efeitos adversos graves, resistência antimicrobiana e agravamento do estado de saúde dos pacientes, tornando-se um problema crítico para os sistemas de saúde (Melo; Pauferro, 2020).

Mapa conceitual do uso racional de medicamentos.


Fonte: Elaborado pela autora, 2026, com base nos princípios da Organização Mundial da Saúde.

Além da atuação direta na cadeia medicamentosa, o farmacêutico hospitalar participa ativamente de comissões de segurança do paciente e programas institucionais de farmacovigilância. Tais ações contribuem para a construção de protocolos, auditorias e monitoramento contínuo, essenciais para a detecção e prevenção de eventos adversos (OLIVEIRA; PEREIRA, 2022).

Considerando a necessidade global de ações voltadas para a segurança do paciente, é fundamental destacar as amplas oportunidades de atuação do farmacêutico clínico nesse cenário, sendo assim o presente estudo objetiva identificar e descrever o impacto da implementação de farmácias clínicas na segurança do paciente hospitalizado. (FONSECA el at, 2025).

Nos últimos anos, a importância do farmacêutico hospitalar ganhou destaque, sobretudo após a pandemia de COVID-19, que demandou adaptações rápidas nos protocolos e um controle mais rígido do estoque de medicamentos (BARROS et al.,2022). Essa situação evidenciou a necessidade de profissionais qualificados para gerenciar crises e garantir a continuidade do atendimento seguro aos pacientes (SILVA; RIBEIRO, 2021).

Com a evolução da Farmácia Clínica, a prática farmacêutica passou a centrar-se não apenas no medicamento, mas no cuidado direto com o paciente. Essa mudança de direção trouxe para o farmacêutico clínico o status de pilar para segurança do paciente, no que diz respeito à garantia da qualidade da assistência prestada. Em ambientes hospitalares não é diferente, a contribuição se dá por meio da implantação da farmacovigilância (ANVISA, 2020).

O farmacêutico, ao atuar como mediador entre o medicamento e o paciente, pode contribuir para modificar hábitos de consumo, prevenindo o uso indevido de fármacos isentos de prescrição e reduzindo eventos adversos que comprometem a segurança do paciente (VULCÃO et al., 2024). Dessa forma, o cotidiano profissional nesse cenário revela-se multifacetado, exigindo habilidades técnicas, éticas e de comunicação. (Moraes; Azevedo; Senna Junior; Silva; Silva et al 2025).

A pesquisa justifica-se pelo aumento indiscriminado de erros relacionados à prescrição, dispensação e administração de medicamentos por parte da equipe multidisciplinar no âmbito hospitalar. É preciso reconhecer que ações simples de serem implantadas, como a intervenção farmacêutica a partir da análise de prescrições, podem identificar problemas relacionados a medicamentos, prevenindo eventos adversos, agregando imensurável valor na segurança do paciente. (SILVA; OLIVEIRA; MORAIS, et al 2021).


No que se refere à revisão teórica, o conceito de uso racional de medicamentos envolve a prescrição adequada às necessidades clínicas do paciente, em doses corretas, por período apropriado e ao menor custo possível para o indivíduo e a comunidade (OMS, 2002). Além disso, a segurança do paciente é definida como a redução do risco de danos desnecessários associados ao cuidado em saúde (WHO, 2009). Estudos apontam que intervenções farmacêuticas, como a revisão da farmacoterapia, a conciliação medicamentosa e o acompanhamento farmacoterapêutico, contribuem significativamente para a prevenção de erros de medicação e eventos adversos (Cipolle; Strand; Morley, 2012; Hepler; Strand, 1990).

Figura – Intervenção farmacêutica no ambiente hospitalar.

Fonte: Adaptado de imagens

OBJETIVO GERAL

Analisar a atuação do farmacêutico na farmacovigilância hospitalar e sua contribuição para a promoção da segurança do paciente e prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos.

OBJETIVO ESPECÍFICOS

  • Conceituar farmacovigilância e sua aplicação no contexto hospitalar.
  • Identificar a importância da farmacovigilância na prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos.
  • Analisar a importância da farmacovigilância para a segurança do paciente e prevenção de eventos adversos.

JUSTIFICATIVA

A crescente preocupação com a segurança do paciente tem impulsionado a adoção de medidas voltadas à prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos. Nesse cenário, a farmacovigilância destaca-se como uma estratégia fundamental para a identificação e o monitoramento de reações adversas e outros eventos relacionados à terapia medicamentosa. A atuação do farmacêutico nesse processo é indispensável, uma vez que esse profissional contribui para a detecção de riscos, a notificação de eventos adversos e a promoção do uso seguro e racional dos medicamentos. Assim, este estudo justifica-se pela importância de compreender o papel da farmacovigilância hospitalar e evidenciar a contribuição do farmacêutico para a melhoria da qualidade da assistência e para a segurança dos pacientes.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, realizada por meio do levantamento e da análise de artigos científicos e documentos relacionados à farmacovigilância hospitalar. Foram selecionadas publicações científicas e trabalhos acadêmicos publicados no período de 2019 a 2026, considerando materiais relevantes para os objetivos propostos. A abordagem qualitativa possibilitou a compreensão e a interpretação das informações encontradas na literatura, permitindo uma análise mais aprofundada sobre a atuação do farmacêutico e sua contribuição para a segurança do paciente. O estudo buscou reunir informações sobre a importância da farmacovigilância na identificação, no monitoramento e na prevenção de eventos adversos relacionados ao uso de medicamentos no ambiente hospitalar. Os conteúdos selecionados foram interpretados de acordo com os objetivos propostos, contribuindo para uma compreensão ampla sobre o tema estudado.

DESENVOLVIMENTO

A farmacovigilância é a ciência responsável por detectar, avaliar, compreender e prevenir eventos adversos aos medicamentos já introduzidos no mercado, ou seja, na fase pós-comercialização (Sauma et al., 2022). Essa prática surgiu como resposta à necessidade de reduzir os riscos associados ao uso de medicamentos, sendo o farmacêutico um profissional essencial nesse processo (Silva; Cornélio; Araújo, 2014).

A farmacovigilância é considerada uma atividade multiprofissional e de extrema importância para a população, sendo que no âmbito hospitalar, possui um regimento abrangente e tem como objetivo a segurança do paciente, bem como à análise de problemas relacionados ao uso dos medicamentos, riscos que podem ser prejudiciais à saúde durante o período de internação, sendo o processo de vigilância realizado desde a internação até a alta hospitalar.(SANTOS et al, 2026).

A correlação entre um evento adverso e um medicamento apresenta desafios, especialmente quando o fármaco é pouco conhecido ou o evento está relacionado a fatores individuais. Para lidar com essas dificuldades, foram desenvolvidos algoritmos e tabelas de decisão, sendo o algoritmo de Naranjo um dos mais utilizados atualmente (Pereira; Menezes; Vendruscolo et al, 2026).

Destaca-se que torna-se evidente que o fortalecimento das práticas de farmacovigilância depende não apenas da estrutura dos sistemas de notificação, mas também da conscientização e capacitação contínua dos profissionais de saúde. A integração entre equipes multidisciplinares e o incentivo à cultura de segurança são fatores determinantes para a efetividade dessas ações e para a melhoria da qualidade da assistência prestada (Brasil, 2014).

Portanto, a atuação do farmacêutico em farmacovigilância e melhoria contínua, aliada a intervenções baseadas em evidências como as destacadas por Bakshi et al.,(2021), garantem mudanças comportamentais duradouras, reduzem erros de medicação e consolidam uma cultura de segurança, características essenciais para uma gestão de risco eficaz.

A segurança do paciente tornou-se uma prioridade nas instituições de saúde brasileiras. Nesse contexto, a Portaria nº 529/2013 instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), reforçando a necessidade de núcleos de segurança hospitalar e estratégias como a farmacovigilância para reduzir eventos adversos (Brasil, 2014).

A formação do profissional farmacêutico também vem sendo adaptada a essas novas exigências, com a inclusão de disciplinas voltadas para a atenção farmacêutica, farmacologia clínica, segurança do paciente e farmacovigilância (Melo & Oliveira, 2021; Miasso et al., 2006). Esse movimento visa capacitar os egressos para atuarem de forma crítica e colaborativa na construção de um modelo de atenção centrado no paciente, com foco na integralidade e humanização do cuidado em saúde. (MARIM; LORETO; FERREIRA; PEDRO et al, 2025).

A atuação da farmácia hospitalar é fundamental para garantir o uso seguro e eficaz dos medicamentos. Segundo a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH), a Farmácia Hospitalar é uma unidade clínica, administrativa e econômica, liderada por um farmacêutico e ligada à direção do hospital, funcionando de maneira integrada com outras áreas do hospital. Esse modelo favorece a segurança e a qualidade do tratamento dos pacientes, especialmente no uso de medicamentos. Nos últimos anos, a farmácia hospitalar tem experimentado uma mudança significativa, fortalecendo cada vez mais a prática da farmácia clínica, voltada para o atendimento direto ao paciente e a integração das funções clínicas do farmacêutico no ambiente hospitalar (Farias Leal, 2022).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

De acordo com as diretrizes da Anvisa (2024), a farmacovigilância é estabelecida como o conjunto de procedimentos essenciais para garantir a segurança contínua dos medicamentos disponíveis à população brasileira. O foco central dessa área é a identificação precoce de eventos adversos, falhas terapêuticas e erros de medicação que não foram detectados durante as fases de testes clínicos.

Dessa forma, verifica-se que a farmacovigilância constitui uma ferramenta importante para a melhoria da qualidade da assistência em saúde. Por meio do monitoramento contínuo dos medicamentos, torna-se possível identificar problemas, minimizar riscos e contribuir para um tratamento mais seguro e eficaz aos pacientes.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a farmacovigilância desempenha papel fundamental na promoção da segurança do paciente no ambiente hospitalar. Apesar do reconhecimento de sua importância pelos profissionais de saúde, ainda existem desafios que dificultam a notificação de eventos adversos, como a falta de capacitação específica, a complexidade dos sistemas de notificação e as limitações da rotina de trabalho.

Nesse contexto, a atuação do farmacêutico mostra-se essencial para fortalecer as práticas de farmacovigilância, contribuindo para a identificação de riscos, prevenção de eventos adversos e promoção do uso seguro dos medicamentos. Dessa forma, o investimento em treinamento e na cultura de segurança pode favorecer a melhoria da qualidade da assistência prestada aos pacientes.

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Copyright (c) 2026 Lorena Muniz Resende, Fabiana Pugliese (Autor)

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