Preditores morfofuncionais de disfunção da mão em crianças com síndrome congênita do Zika Vírus (estilo JBJS).
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

Antecedentes: A síndrome congênita do zika vírus (SCZV) leva a comprometimento neuromuscular grave com disfunção substancial dos membros superiores. Métodos: Estudo transversal incluindo 23 crianças com SCZV confirmada. Foram realizadas avaliações morfológicas e funcionais de mãos e punhos. Resultados: A hipotrofia tenar, as deformidades do punho e a rigidez passiva foram associadas à redução do controle motor ativo. Conclusões: As anomalias morfofuncionais da mão são determinantes chave do comprometimento funcional, apoiando estratégias ortopédicas e de reabilitação precoces.

Palavras-chave: Atrofias ; zika vírus : síndrome.

Abstract

Background: Congenital Zika Virus Syndrome (CZVS) leads to severe neuromuscular impairment with substantial upper limb dysfunction. Methods: Cross-sectional study including 23 children with confirmed CZVS. Morphological and functional assessments of hands and wrists were performed. Results: Thenar hypotrophy, wrist deformities, and passive rigidity were associated with reduced active motor control. Conclusions: Morphofunctional abnormalities of the hand are key determinants of functional impairment, supporting early orthopedic and rehabilitative strategies.

Keywords: Atrophies; Zika virus; syndrome.

Introdução

A síndrome congênita do Zika vírus (SCZV) é caracterizada por lesão do sistema nervoso central com repercussões motoras relevantes. Embora o comprometimento neurológico seja amplamente descrito, as consequências ortopédicas distais, especialmente nas mãos e punhos, permanecem subexploradas. A função manual é essencial para independência funcional, e alterações estruturais e neuromusculares podem comprometer significativamente o desempenho.

Métodos

Estudo observacional transversal com 23 crianças (3–7 anos) com diagnóstico confirmado de SCZV. Foram avaliados trofismo muscular (tênar/hipotênar), deformidades estruturais, desvios de punho, mobilidade ativa e passiva e amplitude de movimento por goniometria. A análise estatística incluiu teste de Mann-Whitney, teste exato de Fisher e regressão linear simples (p<0,05).

Resultados

Variável

n

%

Hipotrofia tênar

10

43,5

Hipotrofia hipotênar

9

39,1

Deformidades estruturais

11

47,8

Desvio ulnar

8

34,8

Desvio radial

2

8,7

Observou-se elevada prevalência de alterações estruturais, com predominância de desvios ulnares, sugerindo padrão biomecânico associado à hipertonia.

Mobilidade ativa

n

%

Sem movimento

8

34,8

Sem controle

11

47,8

Com controle

4

17,4

A maioria das crianças apresentou comprometimento motor significativo, com baixa taxa de controle funcional.

Mobilidade passiva

n

%

Com rigidez

13

56,5

Sem rigidez

10

43,5

A rigidez articular foi frequente, correlacionando-se com menor amplitude de movimento e maior risco de deformidades fixas.

Discussão

A disfunção da mão na SCZV está fortemente associada a alterações estruturais e neuromusculares decorrentes de lesão central. A espasticidade promove desequilíbrio muscular e deformidades progressivas. A hipotrofia tênar compromete a oposição do polegar e a função de pinça, enquanto o desvio ulnar altera a biomecânica, reduzindo eficiência de preensão. A rigidez passiva indica evolução para contraturas. Comparativamente à paralisia cerebral, observa-se envolvimento distal mais precoce e frequentemente mais grave. Clinicamente, os achados sustentam intervenção precoce com terapia ocupacional, uso de órteses e seguimento ortopédico para prevenção de deformidades.

Conclusão

As alterações morfofuncionais das mãos são determinantes importantes de incapacidade funcional em crianças com SCZV. A identificação precoce desses fatores deve orientar estratégias terapêuticas e ortopédicas.

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  1. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia, Recife, Brasil.

  2. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia, Recife, Brasil.

  3. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia, Recife, Brasil.

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