Resumo
O Abandono escolar é um desafio no ensino brasileiro e que carece de reflexão, para que medidas de solução sejam encontradas, tanto para não prejudicar a regularidade da escola, quanto os alunos. Para tanto, além dos dados relativos às escolas campo de pesquisa, buscou-se dados de estudos empíricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), cujos dados serviram para situar e contextualizar o abandono escolar. A presente pesquisa teve como objetivo principal em analisar os desafios enfrentados pelos alunos para concluir os estudos na Educação de Jovens e Adultos do Ensino Médio na Rede Pública de Ensino do Município de Maraã, procurando identificar as possíveis causas desse Abandono no Ensino Médio bem como conhecer as estratégias pedagógicas utilizadas pelos professores no processo de escolarização do público de EJA.
Palavras-chave: Abandono escolar. Desafios. Escolarização.
Abstract
The school dropout is a challenge in Brazilian education and it needs to be reflected upon, so that solution measures can be found, not only to avoid harming the regularity of the school, but also the students. Therefore, in addition to the data from the schools in the field of research, data from empirical studies of the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and the National Institute of Educational Studies and Research Anísio Teixeira (INEP) were used to contextualize school dropout. The main objective of the present research was to analyze the challenges faced by students to complete their studies in Youth and Adult High School Education in the Public School System of the Municipality of Maraã, seeking to identify the possible causes of high school dropout as well as to understand the pedagogical strategies used by teachers in the process of schooling the public of Youth and Adult Education.
Keywords: School dropout. Challenges. Schooling.
- INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é um direito gratuitamente assegurado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), aos indivíduos que não tiveram acesso na idade considerada como própria e segundo a mesma lei, o poder público deverá estimular o acesso e a permanência do jovem e do adulto na escola, considerando as características do discente, seus interesses, condições de vida e trabalho, mediante cursos e exames. É dever ainda do Poder Público viabilizar e estimular o acesso e a permanência do trabalhador na escola mediante ações integradas e complementares entre si; isto significa também se deve articular, preferencialmente, com a educação profissional, na forma de regulamento. (BRASIL, 1996).
Sendo assim, a referida pesquisa tem como tema Abandono Escolar: Os desafios enfrentados pelos alunos em concluir os estudos na Educação de Jovens e Adultos do Ensino Médio nas Escolas Estaduais Benta Solart e João Bosco Ramos de Lima localizadas no Município de Maraã/ Amazonas, Brasil, 2021/2022, bem como conhecer a realidade dos sujeitos que frequentam essa modalidade, para assim criar possibilidades de enfrentamento dessa problemática junto às escolas campo dessa pesquisa: Escolas estaduais Benta Solart e João Bosco Ramos de Lima localizadas no município de Maraã/ AM.
Inicialmente foi feito um levantamento de estudo desses alunos em pesquisa, cujo objetivo prevaleceu em conhecer a história, cultura e costumes, entendendo-os como sujeitos com diferentes experiências de vida e que por diversos motivos relacionados a fatores de cunho social, políticos e cultural, em algum momento, tiveram que se afastar da escola e ao retornar, enfrentam dificuldades que os limitam a prosseguir seus estudos.
A Educação de Jovens e Adultos representa uma possibilidade de resgate social, dos alunos desta modalidade de ensino. Estudando a história da EJA no Brasil, entende-se que o conceito de educação está conectado com o assunto político e ao momento histórico percorrido, ou seja, o histórico da EJA está relacionado à própria história do Brasil. Nesse contexto, distingue-se a importância em conhecer a história da alfabetização do povo brasileiro como a história de nosso país, o que permite a reflexão sobre as influências que comprovaram todo o processo da Educação de Jovens e Adultos (SOUZA, 2008).
- ABORDAGEM DO PROBLEMA
A Educação Brasileira apresenta diversos problemas, e um dos que mais aflige as escolas públicas no Brasil é o abandono escolar, uma vez que todo ano é grande o número de alunos que iniciam o ano letivo e não o concluem por diversas causas, que em grande parte são desconhecidas. Não é uma temática nova nas discussões e estudos sobre o abandono escolar e infelizmente é um problema que está longe de ser resolvido.
Sendo assim ao analisar essa realidade tão desafiadora que é a temática em questão no mundo e especificamente no Brasil, é de suma importância destacar que no decorrer do ano de 2020 essa problemática se intensificou devido à pandemia COVID-19, a qual vitimou milhões de pessoas, afetou a saúde pública e a economia em todo o mundo, e trazendo graves consequências para a educação, afetando o calendário escolar e a qualidade de ensino.
No decorrer do ano de 2020 as aulas foram ministradas de forma remota a partir de aplicativos educacionais. No caso das escolas em pesquisa devido à internet não ser de qualidade no município e não ter como acessar as plataformas educacionais digitais ofertadas governo estadual do Amazonas a partir do projeto Aula em casa, foi formado grupos de estudos de cada turma para assim ser ministradas as aulas online conforme um cronograma organizado pela equipe gestora.
3.LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Vergara (2013) menciona que, toda forma de pesquisa, sem exceções, apresenta limitações, tais como método, amostra, coleta de dados e prazo para finalização.
Esta pesquisa identificou dois fatores limitantes:
1. Coleta de dados devido as aulas estarem no início do ano de 2021 de forma semipresencial por conta da pandemia da COVID 19. A pandemia do Coronavírus trouxe uma realidade bastante diferente, algumas dificuldades, limitações físicas, orçamentárias e estruturais e por isso a pesquisa ocorreu de forma lenta devido a baixa participação dos alunos nas aulas ;
2. Com o retorno das aulas de forma presencial, conseguiu-se atingir de fato as metas de pesquisas estabelecidas.
4.REFERENCIAL TEÓRICO
4.1 FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O ABANDONO ESCOLAR
A ruptura com o processo da escolarização, de modo que o indivíduo deixe de frequentar a escola nas etapas obrigatórias, seja por um período curto, prolongado ou definitiva, constitui um fenômeno com impactos na trajetória escolar e da educação básica, podendo gerar a necessidade de oferta posterior de escolarização para jovens e adultos que por ventura, tenham evadido e retornem aos sistemas de ensino. Por isso essa ruptura acarreta obstáculos para a efetividade do direito à educação.
Sendo assim, no Brasil, o direito à educação está definido nos seguinte marcos legislativo:
A relação entre o ano escolar e a idade do indivíduo no sistema educacional brasileiro constitui uma característica da qualidade do fluxo educacional. A trajetória do aluno entre o 1º e o 9º ano do ensino fundamental deve se dar, idealmente, entre os 6 e os 14 anos de idade, se não houver atraso. Já o percurso entre a 1ª e 3ª série do Ensino Médio ocorreria, portanto, dos 15 aos 17 anos de idade. Desse modo, a efetivação do direito do cidadão e o dever do estado com a educação formal dar-se, em um sistema educacional eficiente, mediante a garantia de igualdade de condições para acesso e permanência no sistema e uma trajetória escolar regular na educação básica obrigatória, gratuita e de qualidade, com ingresso aos 4 anos e conclusão aos 17 anos de idade.
O Ensino Médio seja ele regular ou EJA é a etapa mais difícil vivida pelos estudantes, pois é nessa fase que o aluno encontra maiores dificuldades para continuar estudando, são inúmeras as dificuldades que os fazem querer sair da escola, e ainda é nessa etapa que muitos ingressam no mercado de trabalho, principalmente quando vem de uma família de classe baixa, o que leva o estudante a contribuir com a renda familiar. E ao entrar no mercado de trabalho, o jovem vê uma oportunidade de adquirir coisas que antes não poderia ganhar de seus pais, e com isso surge o sentimento de que a escola não está contribuindo com seu futuro, e que o trabalho é mais atraente, e diante das circunstâncias opta em continuar trabalhando, deixando a escola em segundo plano.
Importante ressaltar que embora o país esteja avançando no quesito acesso ao Ensino Médio, é evidente que grande parte das escolas públicas enfrenta um grande problema que é a garantia da permanência do educando nesse nível, pois, o aluno inicia os estudos, mas não conclui, como se pode observar nos dados abaixo (Quadro 4).
É interessante analisar que os dados relativos ao Ensino Médio são bastante preocupantes, pois, na primeira série desse nível, percebem os altos índices de reprovações e abandono, o que acaba ocasionando um decréscimo de demanda nos demais anos a serem ofertados. A reprovação acaba desestimulando o jovem, que sem perspectiva, ou abandona a escola ou migra para o ensino noturno, que também não diminui a desmotivação, adiando, somente por algum tempo, a decisão do abandono. É importante enfatizar que índices altos de reprovação e abandono também podem aumentar a distorção idade-série. Segundo dados oficiais, no Brasil, de 2006 até 2013, de cada 100 alunos, aproximadamente 30 estavam com atraso escolar de 2 anos ou mais (INEP,2014).
Em termos de qualidade se observa poucos avanços, principalmente se considerarmos a rede pública, a que mais atende a população. O IDEB relativo ao Ensino Médio ano de 2013 aponta que a rede pública não atingiu a meta, teve queda e não alcançou 6,0, ficando com o índice 3,4 (INEP, 2014). Para tornar o Ensino Médio em consonância com as necessidades dos jovens e da sociedade atual, evitando o abandono, a evasão e a reprovação, é preciso voltar o olhar para seus cruciais desafios e propor soluções.
Para quebrar essas amarras é preciso ouvir e dar voz ao jovem, o tornando protagonista de suas ações. Para isso, a formação dos professores deve ser alvo de investimentos de atualização tecnológica e didática, para possibilitar uma ampliação de conhecimentos gerais, culturais e práticos, condizentes com os desafios impostos pela sociedade aos jovens estudantes do ensino médio. Esse nível de ensino deve abrir-se para a utilização da tecnologia, possibilitando o uso dos diversos aplicativos para despertar o interesse do aluno, evitando a desmotivação. É urgente reconquistar a atratividade do ensino médio para o jovem.
Considerando a trajetória escolar na educação básica, é importante que defina a diferença entre o “abandono escolar” da “evasão escolar”. O primeiro é relativo às taxas de rendimento dentro de um ano letivo, o segundo ao fluxo/transição entre os anos. Desse modo, em uma situação de abandono, os indivíduos iniciam o ano frequentando a escola, e no decorrer do mesmo ano, deixam de frequentá-la após uma data de referência. Como registra o Inep, o abandono é definido como “a porcentagem de alunos que deixaram de frequentar a escola após a data de referência do censo” (Brasil. Inep, 2018, p. 2), data essa que era estabelecida em 30 de maio para o ano de 2017. Nesse caso, os alunos iniciaram o ano letivo, mas não o concluíram. Como explica Klein (2003, p.110,112), “um aluno afastado por abandono é qualquer aluno que não foi considerado aprovado ou reprovado. Logo, em um sistema fechado, o número deles é a diferença entre a matrícula inicial e a matrícula final”.
Evasão, segundo Riffel e Malacarne (2010), é o ato de evadir-se, fugir, abandonar; sair, desistir; não permanecer em algum lugar. Quando se trata de evasão escolar, entende-se a fuga ou abandono da escola em função da realização de outra atividade. A diferença entre evasão e abandono escolar foi utilizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/Inep (1998). Nesse caso, “abandono” significa a situação em que o aluno desliga-se da escola, mas retorna no ano seguinte, enquanto na “evasão” o aluno sai da escola e não volta mais para o sistema escolar. Já o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica/IDEB (2012) aponta o abandono como o afastamento do aluno do sistema de ensino e desistência das atividades escolares, sem solicitar transferência.
Desta forma, é importante considerar as diferenças conceituais para a medição estatística do abandono e da evasão escolar. De um ponto de vista da relação do direito à educação, todavia ambos expressam rupturas com a trajetória escolar, podendo acarretar prejuízos de aprendizagem e distorção entre idade- série, exigindo ações de correção de fluxo ou um afastamento mais intenso dos vínculos com a instituição escolar.
4.1.2 Os possíveis Fatores que contribuem para o Abandono Escolar dos estudantes pertencentes a Educação de jovens e Adultos do Ensino Médio
O crescente índice do abandono escolar no ano de 2020 tem sido apontado por especialistas como uma das principais consequências desse período prolongado de paralisação das atividades escolares presenciais. Embora as redes de ensino venham buscando reduzir os prejuízos na aprendizagem do educando, por meio de ofertas de atividade a partir do ensino remoto, os desafios de mantê-los nos estudos é grande e esse problema pode se intensificar por anos futuros por se tratar de muitas incertezas insegurança, e visto que este é uma temática que a anos vem sendo um problema por se tratar de um tema complexo que apesar de várias pesquisas ainda não se tem uma solução.
De acordo com os estudos já realizados anteriormente sobre o tema em questão, sabe-se que são muitas as causas de abandono escolar e estas envolvem não só a escola em si, mas diversos setores da sociedade, e põe em questão o papel de cada no diz respeito à educação.
A figura acima faz o questionamento dos principais motivos do abandono escolar para isso, antes de adentrar na revisão de literatura de alguns autores que embasam a presente pesquisa, é de suma importância apresentar as várias causas de abandono já conhecidas na unidade escolar em estudo. Sabe-se que este é um tema complexo que envolve não só uma, mas várias causas que refletem na tomada de decisão do estudante de deixar de frequentar a escola. Sendo assim, destacam-se algumas causas conhecidas na escola em estudo:
- Família: Desestruturação familiar, pais displicentes quanto aos estudos dos filhos, falta de autoridade;
- Ausências de políticas públicas adequadas;
- Desemprego;
- Escola: Professores despreparados, má qualidade do ensino e estrutura física;
- Problemas de saúde
- O desinteresse do próprio aluno;
- Gravidez indesejada;
- Fatores econômicos;
- Criminalidade;
- Moradia distante da escola e em área de risco;
- Drogas;
- Violência doméstica;
- Problemas psicológicos;
- Garimpo (alunos estão deixando os estudos para irem em busca de para o garimpo na cidade vizinha);
- Alunos que no período de aulas remotas foram para outras cidades e com a volta das aulas presenciais não tiveram como voltar a estudar.
De fato as razões para o abandono escolar são inúmeras, e a solução para essas questões está longe do contexto escolar, pois engloba problemas sociais que o país ainda não conseguiu combater.
O abandono à escola é composto então pela conjugação de várias dimensões que interagem e se conflitam no interior dessa problemática. Dimensões estas de ordem política, econômica, cultural e de caráter social. Dessa maneira, o abandono escolar não pode ser compreendido, analisado de forma isolada. Isto porque, as dimensões socioeconômicas, culturais, educacionais, históricas e sociais entre outras, influenciam na decisão tomada pela pessoa em abandonar a escola. (BATISTA, SOUZA, OLIVEIRA, 2009, p.4)
- METODOLOGIA
Esta pesquisa teve uma abordagem que buscou – se analisar o quadro de professores e alunos, das escolas estaduais, da cidade de Maraã. participou desta pesquisa um total de 20 professores que compreende todo o quadro docente atuante na EJA e 120 alunos estudante da EJA da rede pública estadual de Maraã- amazonas que é composta por duas unidades de ensino médio, no ano de 2021 e 2022 as estratégias que foram adotadas no decorrer desta pesquisa constituiu –se nas seguintes etapas:
1- A profundamente teórico com seleção de leitura de textos que contemplem literatura condizente com o tema, enfatizando as teorias, conceitos e ideias atuais na área de química ,tais como: Diretrizes Curriculares da Educação Básica, livros de química ,sites da internet , revistas, artigos e outros.
2 – Os questionários aconteceram com os professores de química e ciências naturais da Educação Básica do município de Maraã. A aplicação de entrevistas com os professores foram durante o horário de trabalho (na hora atividade do professor), em momentos de reuniões pedagógicas (com prévia autorização da Direção da Escola).
3 – Levantamento bibliográfico busca- se referências teóricas com base nos conceitos: função da escola e dos professores; formação inicial, continuada e atuação do professor e novas tendências para o ensino da EJA .
4 – Organização de todas as informações e dados obtidos durante o desenvolvimento do projeto acerca do perfil do professor, dificuldades de atuação e necessidades de formação continuada. Utilizou–se como instrumento de pesquisa o questionário com perguntas abertas e fechadas. As perguntas foram utilizadas para levantar o perfil dos participantes, suas metodologias utilizadas em sala de aula e formação continuada. Estas perguntas foram utilizadas com a finalidade de perceber qualitativamente e quantitativamente o objeto de estudo. Segundo Flick (2009), a aplicação das perguntas abertas vislumbra as expressões e ações das pessoas inseridas em um determinado contexto espacial, tendo em conta, sua relevância no estudo das relações sociais.
5.1 TIPO DE INVESTIGAÇÃO
No desenho exploratório sequencial, o pesquisador tem como objetivo explorar um contexto com alguns participantes por meio de coleta e análise qualitativa. Os resultados dessa primeira fase de pesquisa são utilizados – explorados – para elaboração de uma intervenção quantitativa. Assim, “os resultados do primeiro, o método qualitativo, podem ajudar a desenvolver ou informar o segundo, o método quantitativo” (CRESWELL & CLARK, 2018, p. 84). A terceira fase compreende a coleta e análise quantitativa, em que todos os participantes são abordados
6.RESULTADOS E DISCUSSÃO
O estudo teve como público-alvo 120( cento e vinte) alunos regularmente matriculados na EJA- Ensino Médio do turno noturno e 20 (vinte) docentes, que ministram aulas para esse público alvo. De acordo com a gestão das ambas as escolas, os alunos pertencentes ao EJA Ensino Médio Noturno são as turmas que apresentam um índice maior de abandono, principalmente no período de 2020 à 2022, devido a pandemia da Covid 19 .
A escolha desse público foi intencional e de acordo com a pesquisa a grande maioria abandonaram os estudos por várias vezes, mas que retornaram à instituição. Quanto aos professores, a escolha também se deu de forma intencional, pois foram escolhidos para a pesquisa aqueles docentes que têm maior carga horária com esse público em pesquisa .
Inicialmente, realizou-se contato prévio com a gestão das 2 ( duas ) escolas em pesquisa a fim de formalizar a finalidade do estudo, a partir de documentos e/ou arquivos onde se pudessem obter esses dados, bem como obter autorização para realizar a pesquisa.
Após a autorização, houve um momento de conversa com os alunos e professores a fim de averiguar a aceitação e disponibilidade destes em participarem da pesquisa, informar a finalidade desta, e fazer uma socialização das questões a serem respondidas, para que os mesmos tivessem conhecimento da temática abordada em estudo, e de que forma iria ocorrer o processo de coleta de dados
6.2 Perfil dos participantes da pesquisa
Diante do exposto para melhor organização do trabalho, cada bloco, oriundo das variáveis desta pesquisa, foram organizadas em categorias, conforme demonstrado no Quadro 3 , a seguir:
No Quadro 4, abaixo, é possível observar algumas ações que as instituições de ensino podem realizar para evitar ou minimizar a evasão do aluno na sala de aula. Quando as escolas identificam e analisam as causas geradoras da evasão, ela se torna capaz de planejar e implementar ações que promovam o acesso e a permanência dos alunos nas instituições.
4.3.1 BLOCO 1-Entrevista realizada com os alunos
Neste bloco serão apresentadas o percentual do resultado da pesquisa por meio de tabelas. Logo após as respostas obtidas a partir das entrevistas semiestruturadas a partir de gráficos e citações com a fala dos entrevistados. Métodos realizados com 120 (cento e vinte) discentes, pertencentes às escolas campo, no município de Maraã/AM.
- Perfil dos alunos participantes da pesquisa
Para análise do perfil destes alunos foram analisados: Gênero, Idade, Estado Civil, Membros da familia, Renda familiar.
A maioria dos alunos é do gênero Feminino, com 60%, um total de 72 alunos. Com 40% da pesquisa, se encontram 48 alunos do sexo Masculino. Como é possível notar, a diferença de gênero é quase que insignificante para a procura do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), assim como quando os alunos deixam as escolas.
Geralmente, os alunos do sexo masculino não frequentam a escola para poder ajudar a família com algum trabalho, se tornando homens adultos mais cedo, tendo que assumir a ausência de um pai para ajudar a mãe e os irmãos mais novos, por exemplo. Já, a inserção das mulheres na educação brasileira ainda é muito recente, mesmo com as mudanças do século passado, a modernização da sociedade não garantiu a total participação efetiva das mulheres no sistema educacional, muitas ainda tem que ficar em casa para poder cuidar dos filhos.
Diante disso, os alunos possuem motivos distintos e individuais para retornarem à escola, como a aquisição de conhecimentos, a garantia de um emprego melhor, a busca por melhorias na condição de vida própria e para sua família, entre outros fatores. Ou seja, o retorno ao ensino é uma experiência que entram ações de valores, projetos de vida e expectativas, seja para o aluno do gênero feminino ou masculino.
Tabela acima, que o público de alunos da educação de jovens e adultos está cada vez mais rejuvenescido, uma vez que há alguns anos anteriores era comum nessa etapa encontrar um público com idade mais avançada com mais de 30 anos. Diante desta realidade é importante que se repense a prática pedagógica para esse novo público que retornam à escola cheios de sonhos e expectativas, que essa prática motive-os a permanecer no âmbito escolar e que vise o aprimoramento educacional desses alunos os preparando para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.
Desta forma, diante dessa realidade diversificada de causas que contribuem para o abandono do estudo por esses jovens e adultos matriculados na Escola Estadual Benta Solart, é importante que mediante a essas problemáticas a escola como um todo crie mecanismos de acolhimento a esses alunos, sabe-se que essas questões estão além do alcance da escola, mais mediante a isto não podemos deixar esses alunos a mercê de sua própria sorte, enquanto escola temos que assistir esses jovens e possibilitar da melhor forma possível mecanismos para que esse aluno volte a escola e conclua seus estudos.
Com isto faz- se necessário o bom acolhimento desde a entrada deste aluno, a valorização das particularidades destes pelo educador da Educação de Jovens e Adultos, isso pode garantir uma auto confiança e a aprendizagem pode ocorrer com maiores possibilidades de êxito. É importante que o professor valorize suas experiências cotidianas, sua bagagem cultural, isso com certeza tem contribuído para que estes resgatem uma autoimagem positiva de valorização do seu ser fortalecendo desta maneira a sua autoconfiança e auto estima.
Em síntese, sabe-se que as classes de EJA são bastante diversificadas, sendo comum o fato de grande parte deste público trabalharem em atividades não qualificadas e trazerem histórias de fracasso escolar. Portanto, a iniciativa da escola em conhecer a realidade de seus alunos, bem como os motivos que contribuíram para o abandono à escola foi fundamental para que em um trabalho conjunto as instituições tenham desenvolvido ações que possibilitou obter melhores resultados e êxito no processo de ensino e aprendizagem e na minimização do abandono escolar dos jovens e adultos.
Analisando o Gráfico 03, o tempo de 3 a 5 anos tem maior índice, sendo 49 alunos, ficaram sem estudar por esse período somando uma porcentagem 40,83%, logo após com a segunda maior porcentagem os alunos que estão sem estudar no período de 5 à 7 anos uma somatória de 30 alunos que corresponde 25% dos estudantes, após verificou-se que 29 discentes somando 24,17% estão afastados da escola no período de 1ª 3 anos, e 10% desses alunos ficaram basicamente mais de 8 anos sem estudos.
Geralmente, os alunos que são inseridos do EJA, não retornam recentemente, como foi abordado na pesquisa, onde apenas 29 alunos optaram pelo retorno entre 1 a 3 anos depois de terem se distanciado da escola.
A décima segunda pergunta, questiona os alunos sobre a forma em que os professores ministram as aulas, se a metodologia é atrativa e contribui para sua permanência em sala de aula.
De acordo com o Gráfico 04, para 81 alunos as aulas contribuem com seu avanço educacional, totalizando 81 discentes com uma porcentagem de 67,50% da pesquisa. Os outros alunos que acreditam na não contribuição das aulas para o avanço educacional são optados por 32,50 %, ou seja, 39 alunos.
Os dados apontam que apesar de a maioria está satisfeito com as práticas dos docentes, Alguns alunos acreditam que os professores precisam reconstruir sua metodologia em sala de aula, de forma que, as mesmas se tornem atrativas, que tenham uma abordagem mais clara e que motive o aluno a ponto de fazer com que ele queira participar e fazer parte daquela aula.
A próxima pergunta, contida no Gráfico 05, questiona os alunos sobre suas futuras perspectivas quanto ao estudo atual.
Conforme os dados do Gráfico 05, 65,83% dos alunos responderam que o ensino oferecido na instituição favorece o seu desenvolvimento de aprendizagem para a vida profissional. Essa resposta foi optada por 79 estudantes. Apenas 34,17%, somando 41 alunos, não acreditam nesse favorecimento.
Toda a pesquisa foi realizada para abordar os assuntos que mais são enfatizados nas questões da inserção no Ensino de Jovens e Adultos. Abordagens pessoais e escolares foram feitas para poder entender o que a maioria dos estudantes pensa em relação ao abandono precoce do ensino.
A realização deste trabalho consistiu em apresentar os resultados de uma pesquisa realizada na modalidade da EJA sobre o abandono escolar, os desafios dos alunos jovens e adultos em concluir os estudos nas Escolas Estaduais Benta Solart e João Bosco, onde observou-se que são diversos os desafios que contribuem na tomada de decisão para que o aluno deixe de frequentar o espaço escolar, assim, comprovadas como o fato de muitos discentes necessitarem de trabalhar para ajudar na renda familiar, e devido a este fato, outras mulheres precisam assumir a maternidade, outros alunos justificam sua infrequência por problemas familiares, dentre outros desafios enfrentados por esses jovens que muitas das vezes enfrentam uma realidade para qual estes não estão preparados e assim terminam por abandonar a escola.
Para tanto inicialmente, pôde-se traçar uma verificação mais aprofundada do perfil dos jovens e adultos mais vulneráveis ao abandono, e a partir deste diagnóstico, evidenciou-se que as causas são variadas e não é diferente daquelas encontradas em outras escolas de todo o país e do mundo afora. Falta de interesse, gravidez indesejada, não ter com quem deixar os filhos, horas de trabalho intensa, problemas familiares, foram mencionadas na pesquisa, sendo que a carga horária intensa de trabalho é a principal causa, contribuindo para que 35% dos estudantes participantes da pesquisa deixem os estudos.
Diante disto, é evidente que os educandos que são de famílias estruturadas, onde há incentivo dos familiares quanto aos seus estudos possivelmente tem mais chances de permanecer nos estudos do que aquele jovem e adulto que trabalha o dia todo para contribuir com a renda da família, que muitas das vezes ao chegar em casa não tem o apoio devido dos seus familiares, principalmente quando esse jovem mesmo morando com os pais já tem sua própria família as coisas se tornam muito mais difíceis.
Para Barros & Mendonça (2009), às condições econômicas das famílias, com certeza tem efeitos na vida escolar dos filhos. Quanto mais desigualdades econômicas e sociais existirem na sociedade, mais desigual serão os resultados educacionais. “Numa sociedade em que todas as crianças e jovens vivem em famílias com mesmas características socioeconômicas, mesmo que estas estejam fortemente relacionadas com os resultados educacionais, não há desigualdade de oportunidade”.
Sendo assim a partir destas soluções assumidas na pesquisa sobre o tema abandono escolar na EJA, evidenciou-se a importância de todos os agentes envolvidos no processo educacional, ou seja cada um tem uma papel fundamental diante dos desafios desta problemática a destacar:
A escola precisa estar atenta e comprometida com seu alunado, e a partir da análise da pesquisa realizada com a gestão, evidenciou-se a grande preocupação frente a solução desses problemas que na maioria das vezes, é de origem socioeconômica. Embora reconheça as dificuldades, a equipe gestora vê no contato com a família, a possibilidade de reduzir suas taxas de abandono. Além disso, a gestão acredita que um trabalho conjunto, acompanhamento da frequência, a oferta de proposta pedagógica pautada no avanço educacional e na permanência do estudante. Para essa equipe, “a gestão deve assumir o problema do abandono escolar como um desafio a superar, pois o papel da escola é incluir e não excluir”.
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Graduação em pedagogia -UEA, Pós-graduação em Letramento digital – UEA, Mestrado em Ciências da Educação - UNIMES

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