Laserterapia utilizada como tratamento de parestesia do nervo alveolar inferior: revisão de literatura
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

Introdução: A parestesia do nervo alveolar inferior representa uma das possíveis complicações neurossensoriais associadas a diferentes procedimentos odontológicos, especialmente cirurgias de terceiros molares inferiores, instalação de implantes, procedimentos endodônticos e aplicação de anestesia local. Tais alterações podem ser transitórias ou permanentes, dependendo da extensão do dano neural, e frequentemente geram desconforto e preocupação aos pacientes, uma vez que interferem em funções cotidianas e na qualidade de vida. Diferentes abordagens têm sido propostas para o manejo dessa condição, destacando-se a laserterapia de baixa potência, também conhecida como terapia com laser de baixa intensidade, que tem sido amplamente estudada nas últimas décadas devido aos seus efeitos biomoduladores sobre os tecidos biológicos. Objetivo: Discutir a indicação, vantagens e desvantagens da laserterapia no tratamento da parestesia do nervo alveolar inferior, bem como identificar como ocorre a parestesia do nervo alveolar inferior, relatar vantagens e desvantagens da utilização de laserterapia em casos de parestesia do nervo alveolar inferior e comparar os resultados da laserterapia e outros métodos de tratamento para parestesia do nervo alveolar inferior. Metodologia: Essa pesquisa trata de uma revisão de literatura do tipo integrativa. A questão norteadora foi: “A laserterapia é, de fato, um método eficaz e cientificamente respaldado para o tratamento de parestesia do Nervo Alveolar Inferior?”. Para obter o material necessário para esse trabalho ser realizado, como artigos, teses e dissertações, ocorreu uma busca na plataforma de bases de dados Google Acadêmico, por meio dos descritores: laserterapia em odontologia, parestesia do nervo alveolar inferior e laserterapia na parestesia do nervo alveolar inferior. Resultado final: encontraram-se resultados cientificamente comprovados da eficácia da laserterapia em casos de parestesia do nervo alveolar inferior.

Palavras-chave: Parestesia; nervo alveolar inferior; laserterapia.

Abstract

Introduction: Paresthesia of the inferior alveolar nerve is one of the possible neurosensory complications associated with various dental procedures, especially lower third molar surgeries, implant placement, endodontic procedures, and local anesthesia application. These changes can be temporary or permanent, depending on the extent of nerve damage, and often cause discomfort and concern for patients, as they interfere with daily functions and quality of life. Different approaches have been proposed for managing this condition, with low-level laser therapy, also known as low-intensity laser therapy, standing out. This therapy has been widely studied over the past decades due to its biomodulatory effects on biological tissues. Objective: To discuss the indications, advantages, and disadvantages of laser therapy in treating inferior alveolar nerve paresthesia, as well as to identify how paresthesia of the inferior alveolar nerve occurs, report the advantages and disadvantages of using laser therapy in cases of inferior alveolar nerve paresthesia, and compare the results of laser therapy and other treatment methods for inferior alveolar nerve paresthesia. Methodology: This research is an integrative literature review. The guiding question was: “Is laser therapy, in fact, an effective and scientifically supported method for treating inferior alveolar nerve paresthesia?” To gather the necessary material for this work, such as articles, theses, and dissertations, a search was conducted on the Google Scholar database platform using the descriptors: laser therapy in dentistry, inferior alveolar nerve paresthesia, and laser therapy for inferior alveolar nerve paresthesia. Final result: scientifically proven results were found for the effectiveness of laser therapy in cases of inferior alveolar nerve paresthesia.

Keywords: Paresthesia; inferior alveolar nerve; laser therapy.

1 Introdução.

A parestesia do nervo alveolar inferior representa uma das possíveis complicações neurossensoriais associadas a diferentes procedimentos odontológicos, especialmente cirurgias de terceiros molares inferiores, instalação de implantes, procedimentos endodônticos e aplicação de anestesia local (Lopes; de Freitas, 2013).

Essa condição caracteriza-se por alterações na sensibilidade da região inervada pelo nervo afetado, podendo manifestar-se por meio de sintomas como dormência, formigamento, sensação de choque ou diminuição da percepção tátil em áreas como lábio inferior, mento e mucosa vestibular (Arai, 2022). Tais alterações podem ser transitórias ou permanentes, dependendo da extensão do dano neural, e frequentemente geram desconforto e preocupação aos pacientes, uma vez que interferem em funções cotidianas e na qualidade de vida (Benevides et al., 2018).

Do ponto de vista clínico, a ocorrência de lesões no nervo alveolar inferior está relacionada, principalmente, à sua proximidade anatômica com estruturas dentárias e ósseas da mandíbula, o que aumenta o risco de comprometimento durante procedimentos cirúrgicos ou invasivos (Gomes et al., 2024).

Nesse contexto, diferentes abordagens têm sido propostas para o manejo dessa condição, destacando-se a laserterapia de baixa potência, também conhecida como terapia com laser de baixa intensidade, que tem sido amplamente estudada nas últimas décadas devido aos seus efeitos biomoduladores sobre os tecidos biológicos (Rodrigues et al., 2023; Vieira, Reis, Sommer, 2023).

A aplicação do laser de baixa intensidade está associada à estimulação do metabolismo celular, à redução do processo inflamatório e ao estímulo à regeneração tecidual, fatores que podem contribuir para a recuperação de estruturas nervosas lesionadas (Pinto et al., 2021). Assim sendo, discorrer sobre a utilização da laserterapia em casos de parestesia do nervo alveolar inferior dará possibilidade de cooperar para uma prática clínica mais segura, atualizada e baseada em evidências, além de contribuir com a comunidade acadêmica com informações importantes a respeito desse tema.

Dessa forma, este trabalho propõe-se a identificar como ocorre a parestesia do nervo alveolar inferior, que, embora não esteja presente em todos os procedimentos odontológicos, representa uma complicação que desperta significativa preocupação tanto para o paciente quanto para o cirurgião-dentista (Lopes; de Freitas, 2013). Portanto, o objetivo do trabalho foi discutir a indicação, vantagens e desvantagens da laserterapia no tratamento da parestesia do nervo alveolar inferior.


2 Revisão da Literatura
2.1 Parestesia do Nervo Alveolar Inferior

A parestesia do nervo alveolar inferior é uma alteração sensorial relativamente comum na prática odontológica e costuma gerar bastante preocupação tanto no profissional quanto no paciente (Lopes; De Freitas, 2013). Ela se manifesta, na maioria das vezes, como uma sensação de dormência, formigamento ou diminuição da sensibilidade em regiões como o lábio inferior, o queixo e os dentes inferiores (Benevides et al., 2018). Embora nem sempre esteja associada à dor, pode causar grande desconforto e impactar atividades simples do dia a dia, como falar, se alimentar ou até perceber estímulos táteis (Benevides et al., 2018).

Para entender melhor essa condição, é importante considerar a anatomia do nervo alveolar inferior. Ele é um ramo do nervo mandibular, que por sua vez faz parte do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face (Rocha, 2021). Esse nervo penetra no forame mandibular e percorre todo o interior do osso da mandíbula por meio do canal mandibular, passando muito próximo às raízes dos dentes inferiores (Queiroz et al., 2015). Ao longo do seu trajeto, ele emite ramos que inervam os dentes e, mais anteriormente, dá origem ao nervo mentual, que é responsável pela sensibilidade do lábio inferior e da região do mento (Queiroz et al., 2015). Justamente por esse percurso íntimo com estruturas ósseas e dentárias, o nervo alveolar inferior fica bastante suscetível a lesões durante diversos procedimentos odontológicos (Paccola, 2014).

A etiologia da parestesia é variada, mas, na prática clínica, o trauma mecânico é o principal fator envolvido (Farias, 2017). Procedimentos como a extração de terceiros molares inferiores são frequentemente associados a esse tipo de complicação, especialmente quando há proximidade entre as raízes dentárias e o canal mandibular (Farias, 2017). Além disso, a instalação de implantes, cirurgias na região posterior da mandíbula e até tratamentos endodônticos podem, em determinadas situações, causar compressão, estiramento ou até lesão direta do nervo (Paccola, 2014). Outro ponto importante é a possibilidade de lesão química, relacionada à técnica anestésica, principalmente quando ocorre deposição do anestésico muito próximo ao feixe nervoso (Farias, 2017).

Do ponto de vista clínico, a parestesia pode se apresentar de diferentes formas, variando de uma leve alteração na sensibilidade até uma perda mais significativa (Castro, Ana Luisa Fonseca et al., 2015). Alguns pacientes relatam apenas um “amortecimento” na região, enquanto outros descrevem sensações mais incômodas, como choques ou queimação. A intensidade e a duração desses sintomas estão diretamente relacionadas ao tipo de lesão sofrida pelo nervo (Castro, Ana Luisa Fonseca et al., 2015). Em casos mais leves, como na neuropraxia, há apenas uma interrupção temporária da condução nervosa, e a recuperação tende a ocorrer de forma espontânea (Da Silva et al., 2021). Já em situações mais complexas, como na axonotmese ou neurotmese, o processo de recuperação é mais lento e, em alguns casos, pode não ser completo (Oliveira, 2020).

O diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico e depende de uma boa anamnese associada a testes simples de sensibilidade, como avaliação ao toque e à temperatura (Arai, 2022). É fundamental que o profissional esteja atento ao relato do paciente, principalmente no período pós-operatório, para identificar precocemente qualquer alteração (Arai, 2022). Em alguns casos, exames de imagem podem auxiliar na investigação, especialmente quando há suspeita de compressão ou lesão estrutural (Dodo et al., 2015).

Em relação ao tratamento, a conduta inicial costuma ser conservadora, com acompanhamento periódico e uso de medicamentos que auxiliem na redução do processo inflamatório e na regeneração neural (Benevides et al., 2018). No entanto, a evolução nem sempre é previsível, o que tem levado à busca por terapias complementares mais eficazes (Benevides et al., 2018). Nesse contexto, a laserterapia de baixa intensidade tem ganhado destaque, principalmente por sua capacidade de estimular a regeneração dos tecidos e melhorar a resposta inflamatória, favorecendo a recuperação da sensibilidade (De Jesus Bastos et al., 2021).

2.2 Laserterapia de Baixa Potência no Tratamento da Parestesia no NAI (Nervo Alveolar Inferior)

A utilização da laserterapia de baixa intensidade no tratamento da parestesia do nervo alveolar inferior tem ganhado espaço na odontologia nos últimos anos, principalmente por oferecer uma abordagem conservadora e com bons resultados clínicos (Rodrigues et al., 2023). Diante das limitações de algumas terapias tradicionais, como o uso isolado de medicamentos ou a simples conduta expectante, o laser surge como uma alternativa que busca não apenas aliviar os sintomas, mas também favorecer a recuperação funcional do nervo afetado (Rodrigues et al., 2023).

A laserterapia de baixa intensidade atua por meio de um processo conhecido como bioestimulação (De Jesus Bastos et al., 2021). Ao entrar em contato com os tecidos, a luz emitida pelo laser promove uma série de reações celulares que contribuem para a regeneração tecidual (Do Nascimento Santos et al., 2024). No caso específico das lesões nervosas, esse estímulo está relacionado ao aumento da atividade metabólica das células, melhora da circulação sanguínea local e modulação do processo inflamatório (Do Nascimento Santos et al., 2024). Esses efeitos, quando somados, criam um ambiente mais favorável para a recuperação das fibras nervosas lesionadas (Do Nascimento Santos et al., 2024).

Na prática clínica, observa-se que pacientes submetidos à laserterapia frequentemente relatam uma melhora gradual da sensibilidade, com redução das áreas de dormência e diminuição de sensações desagradáveis, como formigamento ou choques (Bezerra et al., 2024). Esse processo, no entanto, não costuma ser imediato. A resposta ao tratamento depende de diversos fatores, como o tempo decorrido desde a lesão, a extensão do dano nervoso e a regularidade das aplicações (Bezerra et al., 2024).

Entre as principais vantagens da laserterapia, destaca-se o fato de ser um método não invasivo, indolor e com baixo risco de efeitos adversos (Pinto et al., 2021). Essas características fazem com que o tratamento seja bem aceito pelos pacientes e facilmente incorporado à rotina clínica (Costa, 2011). Além disso, pode ser utilizado como terapia complementar, associado a outras abordagens, potencializando os resultados obtidos. Em comparação com intervenções mais invasivas, como procedimentos cirúrgicos, o laser apresenta uma abordagem mais conservadora, o que é especialmente interessante em casos onde há possibilidade de recuperação espontânea do nervo (Almeida, 2025).

A literatura tem demonstrado uma tendência positiva em relação ao uso do laser no tratamento da parestesia, especialmente quando utilizado de forma precoce e associado a um diagnóstico adequado (De Jesus Bastos et al., 2021). O acompanhamento clínico contínuo também desempenha um papel fundamental, permitindo ajustes no plano de tratamento conforme a evolução do paciente (De Jesus Bastos et al., 2021).

2.3 Protocolos de Laserterapia em Lesões do Nervo Alveolar Inferior

A aplicação da laserterapia de baixa intensidade no tratamento das lesões do nervo alveolar inferior exige não apenas o conhecimento dos seus efeitos biológicos, mas também uma adequada padronização dos protocolos clínicos (Martins, 2016). A eficácia do tratamento está diretamente relacionada a fatores como o comprimento de onda utilizado, a dose de energia aplicada, a frequência das sessões e a localização dos pontos de aplicação (Miloro; Criddle, 2018). Logo, a definição de um protocolo bem estruturado é fundamental para potencializar os efeitos terapêuticos e favorecer a recuperação neurossensorial do paciente.

Os lasers mais utilizados na prática clínica para esse tipo de tratamento estão na faixa do vermelho e do infravermelho próximo, com comprimentos de onda que variam, em média, entre 660 nm e 830 nm (Cavalcanti et al., 2011). O laser na faixa do vermelho apresenta maior afinidade com tecidos mais superficiais, enquanto o infravermelho possui maior capacidade de penetração, sendo mais indicado para estruturas mais profundas, como o trajeto do nervo alveolar inferior no interior do osso mandibular (Cavalcanti et al., 2011). Por essa razão, muitos protocolos sugerem o uso do laser infravermelho em casos de parestesia relacionada ao NAI, visando atingir de forma mais eficaz as áreas lesionadas (De Souza et al., 2011).

Outro aspecto essencial diz respeito à dosimetria. A energia aplicada por ponto costuma variar entre 2 e 6 J/cm², podendo ser ajustada conforme a extensão da lesão e a resposta clínica do paciente (Cavalcanti et al., 2011). Doses muito baixas podem não produzir o efeito terapêutico desejado, enquanto doses excessivas podem reduzir a efetividade do tratamento, o que reforça a importância do equilíbrio na aplicação. Além disso, o tempo de irradiação por ponto geralmente varia entre 20 e 60 segundos, dependendo da potência do aparelho utilizado (De Souza et al., 2011).

A frequência das sessões também desempenha um papel importante no sucesso da terapia. Em muitos casos, recomenda-se a realização de duas a três sessões semanais, especialmente nas fases iniciais do tratamento, quando o processo inflamatório e a resposta tecidual estão mais ativos (Martins, 2016). Com a evolução clínica e a melhora dos sintomas, esse intervalo pode ser ajustado. O número total de sessões não é fixo, podendo variar de acordo com a gravidade da lesão, mas, em geral, observa-se que tratamentos com duração entre 10 e 20 sessões apresentam resultados satisfatórios na maioria dos pacientes (Schulz; Rogalski; Yamashita, 2021).

Quanto aos pontos de aplicação, é fundamental que o profissional considere o trajeto anatômico do nervo alveolar inferior. A irradiação pode ser realizada de forma extraoral e intraoral, abrangendo regiões estratégicas como o forame mandibular, o trajeto do canal mandibular e o forame mentual (Do Nascimento Santos et al., 2024). Em alguns protocolos, também se recomenda a aplicação direta sobre a área onde o paciente relata maior alteração de sensibilidade, buscando estimular localmente a regeneração neural. A distribuição dos pontos deve ser feita de maneira uniforme ao longo do trajeto do nervo, garantindo uma cobertura adequada da área afetada (Do Nascimento Santos et al., 2024).

3 Metodologia
Essa pesquisa tratou de uma revisão de literatura do tipo integrativa de caráter descritivo. A questão norteadora foi: “A laserterapia é, de fato, um método eficaz e cientificamente respaldado para o tratamento de parestesia do Nervo Alveolar Inferior?”. Para obter o material necessário para esse trabalho ocorreu uma busca na plataforma de bases de dados Google Acadêmico em artigos, teses e dissertações. Foram usados os seguintes descritores: laserterapia em odontologia, parestesia do nervo alveolar inferior e laserterapia na parestesia do nervo alveolar inferior, aplicando-os isolados ou por meio dos operadores booleanos “AND” ou “OR”.

Os critérios de inclusão utilizados foram: livros e artigos que possuam título e conteúdo condizentes com a proposta do presente trabalho, que apresentem versões em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, revisões sistemáticas, integrativas, dissertações de mestrado, teses de doutorado, meta-análises, estudos de caso clínico com pacientes que fizeram uso do laser de baixa potência, estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados.

Os critérios de exclusão foram: artigos que não possuam acesso gratuito e na íntegra, artigos em que os pacientes abandonaram o tratamento, artigos que não forneçam informações claras sobre a utilização do laser de baixa potência, estudos in vitro.

A análise dos dados ocorreu por meio da obtenção dos artigos por meio das combinações de palavras-chave e operadores booleanos, removendo as duplicatas que apareceram nas bases de dados. Depois, foi realizada a leitura do título e do resumo do trabalho. Se estivesse coerente com o propósito da pesquisa, a leitura do artigo na íntegra era realizada. Após a leitura, os dados foram analisados por meio de um quadro contendo nome dos autores, ano em que foi publicado e a(s) principal(is) conclusão(ões) desse estudo. Feito esse processo, a escrita do artigo foi iniciada.

Figura 1: Fluxograma das etapas da pesquisa, seguindo o modelo PRISMA.

Fonte: Os autores (2026)


4 Resultados e Discussão
O Quadro 1 permite verificar o autor (autores) do estudo, ano de publicação, e resultados dos estudos utilizados para elaboração de discussão.

Fonte: Os Autores (2026)

A parestesia do nervo alveolar inferior constitui uma complicação relevante na prática odontológica, principalmente por estar relacionada a procedimentos realizados em uma região anatômica de grande proximidade entre estruturas dentárias, ósseas e nervosas. Conforme apresentado na literatura, o trajeto do nervo alveolar inferior pelo canal mandibular o torna suscetível a diferentes tipos de lesão durante procedimentos odontológicos, podendo resultar em alterações sensitivas que variam desde uma discreta diminuição da sensibilidade até manifestações mais incômodas, como formigamento, choques e sensação de queimação (Queiroz et al., 2015; Paccola, 2014; Castro, Ana Luisa Fonseca et al., 2015). Dessa forma, embora a parestesia nem sempre esteja associada à dor, sua ocorrência pode interferir significativamente na qualidade de vida do paciente, tornando necessária uma abordagem clínica cuidadosa desde a identificação dos primeiros sinais.

A etiologia da parestesia apresenta caráter multifatorial, porém o trauma mecânico é apontado como um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da alteração sensorial. Farias (2017) destaca a relação dessa complicação com procedimentos como a exodontia de terceiros molares inferiores, sobretudo quando existe uma relação anatômica próxima entre as raízes dentárias e o canal mandibular. Paccola (2014), por sua vez, amplia essa discussão ao considerar que procedimentos como instalação de implantes, cirurgias na região posterior da mandíbula e tratamentos endodônticos também podem provocar alterações no nervo por mecanismos como compressão, estiramento ou lesão direta. Essa diversidade de possíveis causas demonstra que a prevenção da parestesia depende não apenas do domínio técnico do procedimento, mas também do conhecimento da anatomia individual do paciente e da avaliação cuidadosa das estruturas envolvidas.

Outro aspecto que merece atenção é a possibilidade de ocorrência de lesões relacionadas à própria técnica anestésica. Segundo Farias (2017), a deposição do anestésico muito próxima ao feixe nervoso pode estar associada a lesões de natureza química. Nesse sentido, a parestesia não deve ser compreendida exclusivamente como uma complicação decorrente de procedimentos cirúrgicos, uma vez que diferentes etapas do atendimento odontológico podem apresentar algum risco de comprometimento neural. Esse aspecto reforça a necessidade de que o profissional conheça adequadamente as técnicas anestésicas e esteja atento às alterações sensitivas relatadas pelo paciente após o atendimento.

A manifestação clínica da parestesia também apresenta grande variabilidade, estando relacionada, entre outros fatores, à extensão e à natureza da lesão nervosa. A literatura diferencia situações como a neuropraxia, caracterizada por uma interrupção temporária da condução nervosa, de lesões mais graves, como a axonotmese e a neurotmese, nas quais o processo de recuperação pode ser mais prolongado e eventualmente incompleto (Da Silva et al., 2021; Oliveira, 2020). Essa classificação é importante para compreender por que pacientes submetidos a condições aparentemente semelhantes podem apresentar evoluções diferentes. Assim, a ausência de recuperação imediata da sensibilidade não necessariamente representa uma lesão permanente, mas deve ser acompanhada de maneira criteriosa para que a evolução clínica seja devidamente observada.

Nesse contexto, o diagnóstico precoce assume papel fundamental. Arai (2022) destaca que a avaliação clínica, associada à anamnese e aos testes de sensibilidade, constitui uma etapa importante para a identificação da alteração. A realização de testes relacionados ao toque e à temperatura pode auxiliar na determinação da área afetada e no acompanhamento da evolução do quadro. Além disso, em situações nas quais existe suspeita de comprometimento estrutural, os exames de imagem podem contribuir para uma investigação mais aprofundada (Dodo et al., 2015). Portanto, o acompanhamento não deve se limitar à percepção subjetiva do paciente, sendo importante que o profissional realize avaliações periódicas e registre a evolução da sensibilidade ao longo do tratamento.

Em relação ao tratamento, a literatura apresentada indica que a conduta inicial geralmente é conservadora, envolvendo acompanhamento clínico e recursos medicamentosos voltados para o controle do processo inflamatório e auxílio à recuperação neural (Benevides et al., 2018). Entretanto, a imprevisibilidade da recuperação em determinados casos contribui para a busca por terapias complementares. É nesse cenário que a laserterapia de baixa intensidade aparece como uma possibilidade terapêutica não invasiva, especialmente em situações nas quais se pretende favorecer a regeneração do tecido nervoso sem recorrer inicialmente a procedimentos cirúrgicos.

Os possíveis efeitos da laserterapia estão relacionados ao processo de bioestimulação. De Jesus Bastos et al. (2021) e Do Nascimento Santos et al. (2024) descrevem que a aplicação da luz laser pode estimular processos celulares associados ao aumento da atividade metabólica, à melhora da circulação local e à modulação da resposta inflamatória.


5 Conclusão

É possível observar que a parestesia do nervo alveolar inferior constitui uma complicação relevante na prática odontológica, podendo comprometer a sensibilidade e a qualidade de vida dos pacientes. A literatura apresentada demonstra que a laserterapia de baixa intensidade tem se destacado como uma alternativa conservadora e promissora, devido aos seus efeitos sobre a regeneração neural, a circulação local e a modulação do processo inflamatório.

Entretanto, apesar dos resultados favoráveis descritos, ainda existem diferenças entre os protocolos utilizados, principalmente em relação ao comprimento de onda, dosimetria, frequência e número de sessões. Dessa forma, o diagnóstico precoce, o acompanhamento clínico e a escolha adequada dos parâmetros de aplicação são fundamentais, sendo necessários novos estudos para contribuir com uma maior padronização dos protocolos e ampliar a segurança e previsibilidade dessa abordagem no tratamento da parestesia do nervo alveolar inferior.

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  1. Faculdade Independente do Nordeste – Vitória da Conquista – Bahia – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0009-9838-9045 ↑

  2. Faculdade Independente do Nordeste – Vitória da Conquista – Bahia – Brasil
    ORCID: https://orcid.org/0009-0005-1250-2483 ↑

  3. Faculdade Independente do Nordeste – Vitória da Conquista – Bahia – Brasil
    ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2545-9152 ↑

  4. Faculdade Independente do Nordeste – Vitória da Conquista – Bahia – Brasil
    ORCID: https://orcid.org/0009-0002-4263-5736 ↑

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    ORCID: https://orcid.org/0009-0005-2447-2082 ↑

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