Assistência de enfermagem a gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social: uma revisão integrativa.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Introdução: A pré-eclâmpsia é uma importante complicação hipertensiva da gestação e está associada a elevados índices de morbimortalidade materna e perinatal. Em mulheres em situação de vulnerabilidade social, fatores socioeconômicos, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e fragilidade das redes de apoio podem comprometer o acompanhamento pré-natal e aumentar o risco de desfechos desfavoráveis. Objetivo: Analisar a assistência de enfermagem prestada às mulheres com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social no contexto da atenção à saúde materna. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, conduzida conforme a estratégia PICo e as recomendações do PRISMA 2020. As buscas foram realizadas entre julho e setembro de 2026 nas bases SciELO, LILACS, MEDLINE e PubMed, utilizando descritores relacionados à enfermagem e à pré-eclâmpsia. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 10 estudos para análise. Resultados: Os estudos evidenciaram que fatores como baixa escolaridade, limitações socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e fragilidade das redes de apoio interferem no acompanhamento gestacional. Também foram identificadas intervenções de enfermagem voltadas ao monitoramento da pressão arterial, identificação precoce de sinais de risco, classificação de risco, educação em saúde, acolhimento e acompanhamento contínuo das gestantes. Considerações finais: A assistência de enfermagem mostrou-se fundamental para a prevenção de agravos, identificação precoce de riscos e promoção de um cuidado integral e humanizado às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social.

Palavras-chave: Assistência de enfermagem; Pré-eclâmpsia; Enfermagem Obstétrica; Enfermagem.

ABSTRACT

Introduction: Preeclampsia is a significant hypertensive disorder of pregnancy and is associated with high rates of maternal and perinatal morbidity and mortality. Among women experiencing social vulnerability, socioeconomic barriers, difficulties in accessing healthcare services, and fragile support networks may compromise prenatal follow-up and increase the risk of adverse outcomes. Objective: To analyze the nursing care provided to women with preeclampsia in situations of social vulnerability within the context of maternal healthcare. Methodology: This integrative literature review adopted a qualitative and descriptive approach and was conducted according to the PICo strategy and the PRISMA 2020 guidelines. Searches were carried out between July and September 2026 in the SciELO, LILACS, MEDLINE, and PubMed databases using descriptors related to nursing and preeclampsia. After applying the inclusion and exclusion criteria, 10 studies were selected for analysis. Results: The studies showed that factors such as low educational level, socioeconomic limitations, difficulties in accessing healthcare services, and weak support networks interfere with prenatal follow-up. Nursing interventions identified included blood pressure monitoring, early recognition of warning signs, risk classification, health education, patient reception and support, and continuous follow-up of pregnant women. Conclusion: Nursing care proved essential for preventing complications, promoting early risk identification, and ensuring comprehensive and humanized care for pregnant women with preeclampsia in situations of social vulnerability.

Keywords: Nursing care; Preeclampsia; Obstetric nursing; Nursing.

RESUMEN

Introducción: La preeclampsia es una importante complicación hipertensiva del embarazo y está asociada a elevados índices de morbimortalidad materna y perinatal. En mujeres en situación de vulnerabilidad social, las limitaciones socioeconómicas, las dificultades de acceso a los servicios de salud y la fragilidad de las redes de apoyo pueden comprometer el seguimiento prenatal y aumentar el riesgo de resultados desfavorables. Objetivo: Analizar la atención de enfermería brindada a mujeres con preeclampsia en situación de vulnerabilidad social en el contexto de la atención a la salud materna. Metodología: Se trata de una revisión integradora de la literatura, de enfoque cualitativo y carácter descriptivo, realizada de acuerdo con la estrategia PICo y las recomendaciones de PRISMA 2020. Las búsquedas se llevaron a cabo entre julio y septiembre de 2026 en las bases de datos SciELO, LILACS, MEDLINE y PubMed, utilizando descriptores relacionados con la enfermería y la preeclampsia. Tras la aplicación de los criterios de inclusión y exclusión, se seleccionaron 10 estudios para el análisis. Resultados: Los estudios evidenciaron que factores como el bajo nivel educativo, las limitaciones socioeconómicas, las dificultades de acceso a los servicios de salud y la fragilidad de las redes de apoyo interfieren en el seguimiento gestacional. También se identificaron intervenciones de enfermería dirigidas al monitoreo de la presión arterial, la identificación temprana de signos de riesgo, la clasificación de riesgo, la educación para la salud, la acogida y el acompañamiento continuo de las gestantes. Consideraciones finales: La atención de enfermería demostró ser fundamental para la prevención de complicaciones, la identificación temprana de riesgos y la promoción de una atención integral y humanizada a las gestantes con preeclampsia en situación de vulnerabilidad social.

Palabras clave: Atención de enfermería; Preeclampsia; Enfermería obstétrica; Enfermería.

INTRODUÇÃO

No Brasil, a atenção à gestante deve ser compreendida no contexto de uma rede de cuidado que articule ações de promoção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo. A Lei nº 8.080/1990 estabelece os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), entre eles a universalidade, a integralidade e a equidade, que são fundamentais para a atenção à saúde da mulher. Nesse contexto, a assistência à gestante deve considerar não apenas suas necessidades clínicas, mas também as condições sociais e as possibilidades de acesso aos serviços de saúde (Brasil, 1990; Brasil, 2004).

A assistência à gestante também está relacionada às políticas públicas voltadas à redução da morbimortalidade materna e à qualificação da atenção obstétrica. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher reconhece a influência de aspectos biológicos, sociais, culturais e econômicos sobre a saúde feminina. Mais recentemente, a Rede Alyne reforçou a necessidade de qualificar a atenção materna e infantil, com ênfase na redução de mortes evitáveis e na ampliação do acesso a cuidados seguros, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade social (Brasil, 2004; Brasil, 2024).

Nesse contexto, a enfermagem ocupa posição estratégica na assistência às gestantes, atuando no acolhimento, na aferição da pressão arterial (PA), na identificação de sinais de gravidade, na classificação de risco e na comunicação com a equipe multiprofissional. Essas ações são fundamentais para o reconhecimento precoce de situações potencialmente graves e para a redução de atrasos no atendimento (Guimarães et al., 2022; Silva et al., 2023).

A vulnerabilidade social resulta da interação entre condições econômicas, sociais, territoriais e institucionais que podem dificultar o acesso aos serviços de saúde e comprometer a continuidade do cuidado (Macedo et al., 2020). Problemas relacionados ao transporte, condições socioeconômicas desfavoráveis e falhas na comunicação com os serviços podem dificultar a identificação oportuna de situações de risco durante a gestação. Nesse sentido, a educação em saúde e a orientação sobre sinais de alerta, como cefaleia intensa, alterações visuais, dor epigástrica, dispnéia e redução dos movimentos fetais, podem ampliar a autonomia da mulher e favorecer a busca oportuna por assistência (Gomes; Marques, 2024; Brito et al., 2023).

Entre as complicações hipertensivas da gestação, a pré-eclâmpsia representa um dos agravos de maior relevância devido ao seu potencial de ocasionar desfechos maternos e perinatais graves. Caracteriza-se, em linhas gerais, pelo surgimento de hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, podendo estar associada à proteinúria e ao comprometimento de órgãos-alvo. Sua evolução pode ocorrer de forma rápida, tornando fundamental o acompanhamento pré-natal, a identificação precoce dos sinais de alerta e o encaminhamento oportuno das gestantes para avaliação e tratamento adequados (Brasil, 2022; Who, 2011).

A pré-eclâmpsia pode ocasionar complicações como eclâmpsia, síndrome HELLP, comprometimento renal, edema pulmonar, restrição do crescimento fetal, prematuridade e óbito materno ou fetal. A prevenção e a identificação precoce dependem do reconhecimento dos fatores de risco e do acompanhamento adequado durante a gestação. Entre os fatores associados estão hipertensão arterial, diabetes, doença renal, obesidade, gestação múltipla e antecedentes obstétricos desfavoráveis. Além disso, estratégias preventivas, como o uso de ácido acetilsalicílico em gestantes elegíveis, podem ser indicadas conforme os protocolos clínicos vigentes (ACOG, 2020; Peixoto Filho et al., 2023; Brasil, 2022).

Dessa forma, a enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento da PA, na identificação de fatores de risco, na avaliação de sinais e sintomas, na educação em saúde e na articulação com os demais profissionais e níveis de atenção. Para as gestantes em situação de vulnerabilidade social, essas ações tornam-se ainda mais relevantes, considerando as barreiras que podem interferir no acesso aos serviços e na continuidade do cuidado (Mai; Kratzer; Martins, 2021; Gomes; Marques, 2024).

Diante desse cenário, torna-se relevante compreender como a assistência de enfermagem é desenvolvida diante da associação entre pré-eclâmpsia e vulnerabilidade social. Assim, este estudo apresenta como questão norteadora: Quais são as práticas de enfermagem prestadas às mulheres com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social no contexto da atenção à saúde materna?

O presente estudo tem como objetivo analisar a produção científica sobre a assistência de enfermagem prestada às mulheres com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social, bem como identificar os principais fatores de vulnerabilidade social que interferem no acompanhamento e no manejo da pré-eclâmpsia em gestantes e descrever as intervenções de enfermagem voltadas ao rastreamento, acolhimento, orientação e monitoramento de mulheres com pré-eclâmpsia, considerando sua importância para a prevenção de agravos e para a promoção de um cuidado seguro, integral e humanizado.

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, conduzida conforme as recomendações do PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e estruturada pela estratégia PICO (Patient, Intervention, Comparison and Outcomes), utilizada para orientar a elaboração da pergunta norteadora e o processo de busca dos estudos (Page et al., 2021).

A revisão integrativa foi escolhida por possibilitar a reunião, avaliação e síntese das evidências científicas produzidas sobre a assistência de enfermagem às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social, permitindo compreender as principais práticas assistenciais, os desafios enfrentados pelos profissionais e as estratégias relacionadas ao cuidado prestado durante a atenção materna.

Para a construção da questão de pesquisa foi empregada a estratégia PICo, apresentada na Tabela 1, que orientou a definição dos elementos da pesquisa. Considerando que o objetivo do estudo consiste em analisar práticas assistenciais, o elemento Comparação (C) não foi aplicado. Assim, a pergunta norteadora foi definida como: "Quais são as práticas de enfermagem prestadas às mulheres com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social no contexto da atenção à saúde materna?"

Tabela 1. Estratégia PICO utilizada para formulação da pergunta norteadora

Elemento

Descrição

Aplicação ao tema de pesquisa

P (Paciente / Problema)

Quem é o paciente ou qual o problema de saúde?

Mulheres gestantes em situação de vulnerabilidade social com pré-eclâmpsia

I (Intervenção)

Qual a intervenção ou exposição de interesse?

Assistência de enfermagem no pré-natal, na urgência obstétrica, na internação e no acompanhamento materno

C (Comparação)

Há uma comparação com outra intervenção?

Não se aplica ao presente estudo, por não se tratar de estudo comparativo

o (Outcome / Desfecho)

Qual é o resultado se espera observar ou medir?

Atenção à saúde materna (identificação precoce de riscos, prevenção de agravos, cuidado humanizado)

Fonte: Elaborado pelos autores (2026)

As buscas foram realizadas no período de julho a setembro de 2026 nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e PubMed (National Library of Medicine – NLM). Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) "Cuidado de Enfermagem", "Pré-eclâmpsia", "Enfermagem" e "Enfermagem Obstétrica", além de seus correspondentes em inglês, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, conforme as especificidades de cada base de dados.

Foram incluídos artigos científicos publicados entre os anos de 2021 à 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, e que estivessem relacionados à questão norteadora e aos objetivos da revisão.

Como critérios de exclusão, renovou-se os estudos duplicados, publicados fora do período definido, que não estivessem disponíveis na íntegra e estudos que não abordassem a assistência de enfermagem às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social.

A seleção dos estudos foi realizada seguindo as etapas do PRISMA 2020. Inicialmente, foram encontrados 193 registros, sendo 16 na SciELO, 20 na MEDLINE, 39 na LILACS e 118 na PubMed. Após a retirada de 36 estudos duplicados, restaram 157 registros para a etapa de triagem.

Desses, 136 foram excluídos por não atenderem aos critérios definidos, considerando idioma, período de publicação e relação com o tema da revisão. Assim, 21 registros seguiram para a leitura de títulos e resumos. Após essa etapa de leitura, 11 estudos foram excluídos por não responderem à questão norteadora, restando 10 estudos para a avaliação final.

Ao final, 10 estudos foram incluídos na revisão, conforme apresentado no fluxograma PRISMA 2020 (Figura 1).

Após a definição da amostra final, foi realizada a extração das informações relevantes de cada estudo, considerando autoria, ano de publicação, objetivo, método, principais intervenções de enfermagem e resultados relacionados ao cuidado prestado às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social.

Os dados foram organizados em tabelas-síntese e submetidos à análise descritiva, buscando identificar convergências, divergências e lacunas nas evidências encontradas. Posteriormente, os achados foram agrupados em categorias temáticas, permitindo uma interpretação crítica da produção científica e sua relação com os objetivos desta revisão integrativa.

Figura 1 - Fluxograma PRISMA - Busca e seleção dos estudos

Fonte: Elaborado pelos autores (2026)

RESULTADOS

Mediante a seleção e definição dos estudos incluídos para embasamento da pesquisa, (n=10) estudos foram adicionados para a obtenção dos resultados e desenvolvimento da discussão desta pesquisa, realizou-se a etapa de caracterização dos artigos selecionados. Os mesmos foram sintetizados conforme descrito no Tabela 2, considerando descrever os seguintes dados: Título; Autor; Ano; Objetivos; e Resultados. Desta forma foi possível obter uma visão geral das características e dos principais achados das produções científicas analisadas.

Tabela 2 - Identificação dos estudos incluídos na pesquisa

IDENTIFICAÇÃO

TÍTULO

AUTOR

ANO

OBJETIVOS

RESULTADOS

1

Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco

Soares, L. G. et al.

2021

Traçar o perfil demográfico, socioeconômico e clínico de gestantes classificadas como de alto risco.

Predominaram mulheres de 20–34 anos, com companheiro e baixa escolaridade. Foram observadas doenças crônicas, obesidade e hipertensão gestacional, além de gestações não planejadas, fragilidades no acompanhamento pela atenção primária e baixa participação em ações educativas.

2

Acceptability and adoption of clinical practice guidelines and treatment protocols on preeclampsia/eclampsia in the Dominican Republic

De la Rosa, A. et al.

2021

Avaliar a aceitabilidade e adoção de diretrizes clínicas e protocolos para pré-eclâmpsia/eclâmpsia e identificar barreiras e facilitadores à implementação.

A maioria dos profissionais conhecia as diretrizes e seus conteúdos. A aceitação foi favorável, porém a implementação foi limitada principalmente pela indisponibilidade de medicamentos, insumos e equipamentos necessários para seguir as recomendações.

3

O papel da enfermagem nas síndromes hipertensivas da gravidez: revisão integrativa

Damasceno, A. A. A.; Cardoso, M. A.

2022

Identificar evidências científicas sobre o papel da enfermagem na assistência às gestantes com síndromes hipertensivas.

Os estudos foram organizados em três eixos: conhecimento dos profissionais; cuidados de enfermagem às gestantes e neonatos; e sistematização da assistência de enfermagem. Evidenciou-se a importância da enfermagem na identificação, acompanhamento e manejo das síndromes hipertensivas, além de desafios relacionados à qualificação profissional e à organização da assistência.

4

Logical model of reception and risk classification for women with pre-eclampsia and eclampsia

Silva SC de SB. et al.

2023

Descrever a validação de um modelo lógico de acolhimento e classificação de risco para mulheres com pré-eclâmpsia e eclâmpsia em maternidade de alto risco.

O modelo apresentou elevada validade de conteúdo, com Índice de Validação de Conteúdo = 0,99. A validação possibilitou estabelecer relações entre elementos de estrutura e processo, oferecendo subsídios para organização da assistência e tomada de decisão dos gestores.

5

Nurses’ knowledge to identify, prevent and manage hypertensive disorder of pregnancy

Mkhize, P. Z. et al.

2024

Avaliar o conhecimento dos enfermeiros para identificação, prevenção e manejo dos transtornos hipertensivos da gestação.

O conhecimento apresentou níveis distintos entre os participantes. A maioria identificou corretamente pré-eclâmpsia e eclâmpsia, porém foram observadas lacunas relacionadas à hipertensão crônica, reconhecimento de sinais de gravidade e aspectos do manejo. Os resultados indicam necessidade de educação permanente.

6

Utilization of technology to provide on-the-job trainings on Emergency Obstetric and Neonatal Care: Perspectives of nurses and midwives working in Rwanda’s remote health facilities

Uhawenimana, T. C. et al.

2024

Explorar perspectivas de enfermeiros e parteiras sobre o uso de tecnologias para capacitação profissional em cuidados obstétricos e neonatais de emergência.

Os profissionais relataram necessidade de atualização, particularmente sobre pré-eclâmpsia. O treinamento presencial ainda era predominante, mas o uso de aplicativo para smartphone foi considerado aceitável. Foram apontadas barreiras relacionadas à familiaridade com tecnologias, acesso à internet e obtenção de créditos de educação continuada.

7

Cuidado transcultural de enfermagem à mulher imigrante na gestação e parto: experiências e vulnerabilidades

Zartha, M. D. et al.

2024

Compreender experiências e vulnerabilidades relacionadas ao cuidado transcultural de enfermagem às mulheres imigrantes durante a gestação e o parto.

Foram identificadas vulnerabilidades sociais e programáticas relacionadas às condições socioeconômicas, acesso ao trabalho, suporte familiar/social, barreiras de comunicação e organização dos serviços. Como aspectos positivos, destacaram-se o atendimento recebido, a atuação da equipe multiprofissional e a valorização do conhecimento profissional.

8

Strengthening maternal: preparedness of maternity nurses for clinical emergencies and deterioration

Al Obieat, H. D. et al.

2026

Avaliar conhecimento, atitudes e preparação dos enfermeiros para reconhecer e manejar situações de deterioração materna e emergências clínicas.

Os resultados evidenciaram a relevância do conhecimento e das atitudes profissionais para a preparação dos enfermeiros diante da deterioração materna. O estudo reforça a necessidade de capacitação para reconhecimento precoce e resposta adequada às emergências obstétricas.

9

Computerized predictive models in hospital settings for detecting severe maternal complications: a systematic review protocol

Vieira, G. T. et al.

2026

Avaliar evidências sobre a efetividade de modelos preditivos computadorizados utilizados em hospitais para identificação precoce de complicações maternas graves.

Por se tratar de protocolo, não apresenta resultados da revisão. O estudo prevê avaliação da qualidade metodológica e síntese dos resultados, podendo contribuir para decisões clínicas, planejamento dos serviços e estratégias de educação profissional.

10

Acceptability and feasibility of the 4P care tele-nursing approach: perceptions of risk and needs of urban pregnancies at risk of preeclampsia.

Nuampa, S.; Srimoragot, M.; Payakkaraung, S.; Meekusol, S.; Sudphet, M.; Wamuk, T.

2026

Explorar a aceitabilidade e a viabilidade da abordagem 4P Care Tele-Nursing entre gestantes urbanas em risco de pré-eclâmpsia e seus cuidadores, considerando percepção de risco, necessidades de cuidado e expectativas em relação ao suporte digital de enfermagem.

Foram identificados seis temas: percepção de risco e vulnerabilidade emocional; busca de informações em situações de incerteza; confiança e continuidade com enfermeiros; automonitoramento e registro de dados; facilitadores do engajamento digital; e barreiras à utilização contínua. As mulheres valorizaram segurança, confiança e continuidade do cuidado, enquanto os cuidadores destacaram a responsabilidade compartilhada. A viabilidade dependeu de simplicidade do sistema, capacidade de resposta e feedback oportuno.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

A análise dos 10 estudos selecionados permitiu identificar aspectos relacionados à assistência de enfermagem prestada às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social. Os estudos abordaram fatores que interferem no acompanhamento gestacional, ações de enfermagem direcionadas ao rastreamento da doença e estratégias voltadas à qualificação do cuidado (Soares et al., 2021; Damasceno; Cardoso, 2022; Silva et al., 2023).

Os resultados demonstraram que condições socioeconômicas desfavoráveis, baixa escolaridade, limitações de acesso aos serviços de saúde e fragilidade das redes de apoio estão associadas a dificuldades no acompanhamento pré-natal. Essas condições favorecem atrasos na identificação da pré-eclâmpsia e aumentam o risco de complicações maternas e fetais (Soares et al., 2021; Zartha et al., 2024).

As publicações também destacaram a importância da atuação da enfermagem no monitoramento da PA, na identificação precoce de sinais de agravamento, na classificação de risco e na orientação das gestantes durante o pré-natal. Essas ações contribuíram para o encaminhamento oportuno dos casos e para a continuidade do cuidado (Damasceno; Cardoso, 2022; Silva et al., 2023).

Parte dos estudos identificou limitações relacionadas à capacitação profissional e à implementação de protocolos assistenciais. Foram descritas dificuldades no reconhecimento de sinais de gravidade, bem como barreiras estruturais que interferem na assistência prestada às gestantes com síndromes hipertensivas da gestação (SHG) (De la Rosa et al., 2021; Mkhize et al., 2024; Al Obieat et al., 2026).

Os achados evidenciaram a relevância das ações educativas, do acolhimento e da comunicação entre profissionais e usuárias. Tais estratégias favoreceram a adesão ao acompanhamento e ampliaram a compreensão das gestantes acerca dos sinais de alerta e da necessidade de seguimento clínico (Damasceno; Cardoso, 2022; Zartha et al., 2024; Nuampa et al., 2026).

Também foram identificadas iniciativas relacionadas ao uso de tecnologias digitais e tele-enfermagem para acompanhamento de gestantes em risco de pré-eclâmpsia. Os estudos apontaram potencial para fortalecimento do monitoramento clínico, ampliação do suporte profissional e incentivo à participação ativa das gestantes no cuidado, embora persistam desafios relacionados ao acesso às tecnologias e à capacitação dos usuários (Uhawenimana et al., 2024; Nuampa et al., 2026).

DISCUSSÃO

A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu compreender que a assistência de enfermagem às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social envolve múltiplas dimensões que ultrapassam os aspectos clínicos da doença. Os achados evidenciam que fatores sociais, econômicos e institucionais influenciam diretamente no acesso aos serviços de saúde, a continuidade do acompanhamento pré-natal e a adesão às condutas terapêuticas.

Além disso, os estudos destacaram a relevância da atuação da enfermagem no rastreamento precoce dos fatores de risco, no monitoramento das condições maternas, na educação em saúde e na promoção de um cuidado humanizado. Dessa forma, para melhor compreensão dos resultados encontrados, a discussão foi organizada em três eixos temáticos, sendo eles: fatores de vulnerabilidade social e seus impactos no manejo da pré-eclâmpsia; atuação da enfermagem no rastreamento e monitoramento da pré-eclâmpsia; e educação em saúde e cuidado humanizado como estratégias para adesão ao tratamento.

Fatores de vulnerabilidade social e seus impactos no manejo da pré-eclâmpsia

Os estudos selecionados trouxeram a compreensão que a vulnerabilidade social exerce influência direta sobre o acompanhamento gestacional e o manejo da pré-eclâmpsia. Entre os principais fatores identificados destacam-se a baixa escolaridade, as condições socioeconômicas desfavoráveis, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a fragilidade das redes de apoio. Esses elementos podem comprometer a realização adequada do pré-natal, dificultar a identificação precoce de sinais de agravamento e aumentar o risco de complicações maternas e fetais (Soares et al., 2021; Zartha et al., 2024).

Soares et al. (2021) identificaram, entre gestantes de alto risco, baixa escolaridade, fragilidades no acompanhamento pela atenção primária e reduzida participação em ações educativas. De forma semelhante, Zartha et al. (2024) observaram vulnerabilidades relacionadas às condições socioeconômicas, ao suporte familiar e social, à comunicação e à organização dos serviços de saúde.

A baixa escolaridade merece atenção especial por influenciar a compreensão das orientações fornecidas durante o pré-natal e o reconhecimento dos sinais de alerta associados à pré-eclâmpsia. Entretanto, essa dificuldade não deve ser atribuída exclusivamente à gestante. A comunicação estabelecida pelos profissionais de saúde também interfere diretamente na assimilação das informações. Nesse sentido, a utilização de linguagem acessível, adequada ao contexto sociocultural da mulher, pode favorecer a compreensão das orientações e fortalecer sua participação no processo de cuidado (Soares et al., 2021; Gomes; Marques, 2024).

As dificuldades de acesso aos serviços de saúde constituem outro aspecto relevante identificado nos estudos. Barreiras relacionadas ao transporte, à distância entre a residência e os serviços especializados, às limitações financeiras e à própria organização da rede de atenção podem dificultar a realização de consultas, exames e encaminhamentos necessários para o acompanhamento adequado da gestação. Esses fatores evidenciam que a continuidade do cuidado não depende apenas da adesão da gestante, mas também das condições oferecidas pelos serviços de saúde (Gomes; Marques, 2024; Zartha et al., 2024).

Além dos fatores individuais e sociais, a vulnerabilidade institucional também se mostrou relevante. De la Rosa et al. (2021) relatam que, embora os profissionais conhecessem as diretrizes e protocolos relacionados à pré-eclâmpsia e à eclâmpsia, sua implementação era limitada pela indisponibilidade de medicamentos, insumos e equipamentos. Esse achado demonstra que a existência de protocolos assistenciais, por si só, não garante a efetividade do cuidado, sendo necessária a disponibilidade de recursos e condições adequadas para sua aplicação.

Assim, os resultados evidenciam que a vulnerabilidade social interfere significativamente no acompanhamento e no manejo da pré-eclâmpsia. O enfrentamento dessas barreiras exige ações que ultrapassem a dimensão clínica da assistência, contemplando também os determinantes sociais que influenciam o acesso, a permanência e a continuidade do cuidado durante a gestação.

Atuação da enfermagem no rastreamento e monitoramento da pré-eclâmpsia

Os materiais incluídos nesta revisão e analisados reforçam o papel central da enfermagem no rastreamento e monitoramento da pré-eclâmpsia, especialmente por meio da identificação precoce de fatores de risco e sinais de agravamento. Entre as principais intervenções destacam-se a aferição da pressão arterial, a avaliação clínica sistemática, a investigação de sinais e sintomas sugestivos de complicações, a classificação de risco e o encaminhamento oportuno das gestantes para níveis de atenção compatíveis com suas necessidades (Damasceno; Cardoso, 2022; Silva et al., 2023).

Nesse contexto, a utilização de instrumentos estruturados para acolhimento e classificação de risco representa importante estratégia para qualificar a assistência. Silva et al. (2023) validaram um modelo lógico voltado ao atendimento de mulheres com pré-eclâmpsia e eclâmpsia, apresentando elevado índice de validade de conteúdo. Os autores destacam que a utilização de ferramentas organizadas contribui para a tomada de decisão clínica, padronização das condutas e melhoria dos fluxos assistenciais, favorecendo a identificação precoce de situações de risco.

Os achados também demonstram que o monitoramento adequado da pré-eclâmpsia depende da integração entre conhecimento técnico, protocolos assistenciais e organização dos serviços. A existência de fluxos bem definidos e de critérios claros para encaminhamento contribui para reduzir atrasos diagnósticos e possibilita intervenções oportunas, fundamentais para a prevenção de complicações maternas e fetais (Silva et al., 2023).

Outro aspecto amplamente discutido nos estudos refere-se à qualificação profissional. Mkhize et al. (2024) identificaram diferenças no conhecimento dos enfermeiros sobre os transtornos hipertensivos da gestação, especialmente quanto ao reconhecimento dos sinais de gravidade e ao manejo adequado dessas condições. Já, Al Obieat et al. (2026) destacou a importância da preparação dos profissionais para reconhecer precocemente situações de deterioração materna e responder adequadamente às emergências obstétricas.

Esses resultados evidenciam a necessidade de fortalecimento das ações de educação permanente nos serviços de saúde. A atualização contínua dos profissionais favorece a incorporação de evidências científicas à prática assistencial e contribui para a segurança do cuidado prestado às gestantes com pré-eclâmpsia.

Assim, a enfermagem ocupa posição estratégica no acompanhamento dessas mulheres, atuando desde a identificação dos fatores de risco até o monitoramento contínuo da condição clínica, desempenhando papel essencial na prevenção de agravos e na promoção da saúde materna (Mkhinze et al., 2024; Al Obieat et al., 2026).

Educação em saúde e cuidado humanizado como estratégias para adesão ao tratamento

A educação em saúde foi identificada como uma das principais estratégias utilizadas pela enfermagem para fortalecer a adesão ao tratamento e promover a autonomia das gestantes. Os estudos demonstram que a orientação adequada contribui para ampliar o conhecimento sobre a pré-eclâmpsia, favorecer o reconhecimento precoce dos sinais de alerta e estimular a busca oportuna por assistência diante de possíveis complicações (Brito et al., 2023; Gomes; Marques, 2024).

Entretanto, para que essas ações sejam efetivas, é necessário considerar as particularidades socioculturais das mulheres atendidas. A adaptação da linguagem técnica para formas mais acessíveis de comunicação favorece a compreensão das informações e amplia a capacidade da gestante de participar ativamente do cuidado. Dessa forma, a educação em saúde deve ser compreendida como um processo dialógico, que valoriza os conhecimentos prévios da mulher e suas condições de vida (Soares et al., 2021; Gomes; Marques, 2024).

Além das orientações educativas, o acolhimento e a escuta qualificada destacam-se como componentes fundamentais da assistência humanizada. Os estudos evidenciam que relações baseadas na confiança fortalecem o vínculo entre profissional e usuária, favorecendo a expressão de dúvidas, medos e dificuldades enfrentadas durante a gestação. Esse vínculo contribui para o planejamento de intervenções mais adequadas às necessidades individuais de cada mulher (Silva et al., 2023; Zartha et al., 2024).

A comunicação efetiva também possibilita a identificação de fatores sociais que frequentemente permanecem invisíveis durante o atendimento, como dificuldades de transporte, limitações financeiras, ausência de suporte familiar e barreiras para o acesso aos serviços de saúde. Nesse sentido, o acolhimento ultrapassa a dimensão relacional e passa a constituir uma ferramenta importante para o reconhecimento das vulnerabilidades que interferem na continuidade do cuidado (Soares et al., 2021; Gomes; Marques, 2024).

Os estudos também apontaram o potencial das tecnologias digitais e da tele-enfermagem como estratégias complementares de acompanhamento. Uhawenimana et al. (2024) e Nuampa et al. (2026) destacam que recursos digitais podem ampliar o suporte profissional, facilitar o monitoramento e fortalecer a comunicação entre equipe e gestantes. Contudo, sua efetividade depende das condições de acesso à internet, da disponibilidade de dispositivos tecnológicos e da capacitação dos usuários.

Portanto, a educação em saúde, o acolhimento e a comunicação qualificada configuram estratégias fundamentais para favorecer a adesão ao tratamento e a continuidade do acompanhamento pré-natal. Quando desenvolvidas de forma integrada e sensível às condições sociais das gestantes, essas ações contribuem para a promoção de um cuidado mais humanizado, seguro e centrado nas necessidades da mulher.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão integrativa permitiu analisar a produção científica sobre a assistência de enfermagem às gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social. Os estudos mostraram que o cuidado não envolve apenas os aspectos clínicos da doença, mas também as condições sociais e econômicas que podem interferir no acompanhamento da gestação.

Entre os principais fatores identificados estão a baixa escolaridade, as dificuldades financeiras, as barreiras de acesso aos serviços de saúde e a fragilidade das redes de apoio. Essas condições podem dificultar a realização do pré-natal, a compreensão das orientações e a continuidade do cuidado. Também foram identificadas dificuldades relacionadas à organização dos serviços, à disponibilidade de recursos e à preparação dos profissionais.

Em relação à atuação da enfermagem, destacaram-se o acompanhamento da pressão arterial, a identificação de fatores de risco e sinais de agravamento, o acolhimento, a classificação de risco, a educação em saúde e a articulação com outros serviços da rede de atenção. Essas ações são importantes para identificar alterações precocemente, orientar as gestantes e favorecer a continuidade do cuidado.

Os estudos também mostraram que a educação em saúde e a comunicação com linguagem acessível podem contribuir para a compreensão das orientações e para uma maior participação da gestante no próprio cuidado. As tecnologias digitais também foram apontadas como possibilidades de apoio ao acompanhamento, embora seu uso dependa das condições de acesso e da familiaridade das gestantes e dos profissionais com esses recursos.

A revisão também evidenciou uma lacuna na produção científica, principalmente pela quantidade limitada de estudos que relacionam diretamente pré-eclâmpsia, vulnerabilidade social e assistência de enfermagem. Além disso, as diferenças entre os estudos analisados indicam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Nesse sentido, são necessárias novas pesquisas que aprofundem essa relação e avaliem estratégias de cuidado em diferentes contextos sociais.

Conclui-se que a enfermagem desempenha papel importante no acompanhamento de gestantes com pré-eclâmpsia em situação de vulnerabilidade social, especialmente na identificação de alterações clínicas, no acolhimento, na orientação e no monitoramento. Ao mesmo tempo, a qualidade desse cuidado depende não apenas da atuação profissional, mas também das condições de vida das gestantes e da organização dos serviços de saúde. Considerar esses diferentes aspectos pode contribuir para uma assistência mais segura, integral e humanizada, voltada às necessidades de cada mulher e à promoção da saúde materna.

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Copyright (c) 2026 Dandara Fernandes Nascimento, Kamilla Santana Soares, Mirna Glícia da Silva Sobreira, Evanilda de Andrade Venâncio de Lima, Luana Duarte Rodrigues (Autor)

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