Relato de uma experiência vivenciada durante a pandemia, no ano de 2021, no interior do Amazonas
An experience report from the pandemic period in 2021 in the countryside of Amazonas
Davilla de Paula Batista
Elizabete Silva de Oliveira
Hethiana da Cruz Pereira
Jorge Eugenio Rivera Sigura
Kayne Oliveira Santana
Marilza Andrade Ribeiro
Universidade paulista UNIP
Resumo
Este artigo consiste em um relato de experiência vivenciado por uma profissional de saúde durante a pandemia da COVID-19, no ano de 2021, no interior do Amazonas. Trata-se de um estudo descritivo que objetiva compartilhar as vivências, dificuldades e aprendizados no contexto da assistência em saúde na linha de frente. A experiência evidenciou a importância do fortalecimento de práticas assistenciais humanizadas, do apoio psicológico aos profissionais e da necessidade de uma cultura institucional baseada no feedback construtivo. Os resultados apontaram transformações significativas no trabalho em saúde, com destaque para a digitalização de processos, a reorganização do trabalho e a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento da crise sanitária. Conclui-se que, apesar dos desafios e perdas, a pandemia impulsionou mudanças estruturais importantes e reforçou a necessidade de sistemas de saúde mais resilientes e integrados.
Palavras-Chave: COVID-19; Profissionais de saúde; Pandemia; Saúde mental; Assistência em saúde.
Abstract
This article is an experience report lived by a health professional during the COVID-19 pandemic in 2021, in the countryside of Amazonas, Brazil. It is a descriptive study that aims to share the experiences, difficulties, and lessons learned in the context of frontline healthcare. The experience highlighted the importance of strengthening humanized care practices, providing psychological support to health professionals, and fostering an institutional culture based on constructive feedback. The results revealed significant transformations in healthcare work, particularly in the digitalization of processes, the reorganization of work, and the role of the Brazilian Unified Health System (SUS) in addressing the health crisis. It is concluded that, despite the challenges and losses, the pandemic drove important structural changes and reinforced the need for more resilient and integrated health systems.
Keywords: COVID-19; Health professionals; Pandemic. Mental health; Health care.
Introdução
A pandemia de COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, representou um dos maiores desafios sanitários da história recente, impactando significativamente os serviços de saúde em todo o mundo. No Brasil, a Atenção Primária à Saúde (APS) e os serviços hospitalares enfrentaram alta demanda, sobrecarga profissional e necessidade de reorganização dos fluxos assistenciais. TEIXEIRA, C. F. S. et al. A saúde dos profissionais de saúde no enfrentamento da pandemia de COVID-19. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, 2020. Nesse contexto, os profissionais de enfermagem assumiram papel fundamental na linha de frente, atuando tanto na assistência direta quanto no acolhimento e orientação da população. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada durante a pandemia no ano de 2021, destacando desafios, estratégias adotadas e aprendizados adquiridos .SOUZA, N. V. D. O. et al. Trabalho de enfermagem na pandemia da COVID-19 e repercussões para a saúde mental dos trabalhadores. Revista Gaúcha de Enfermagem, 2021
Revisão da Literatura
A pandemia de COVID-19 provocou profundas transformações nos sistemas de saúde em escala global, exigindo respostas rápidas e eficazes diante de uma crise sanitária sem precedentes. No Brasil, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenhou papel estratégico na organização do cuidado, atuando na triagem, monitoramento de casos e educação em saúde da população (BRASIL, 2020). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a COVID-19 apresentou alta transmissibilidade e potencial de agravamento, especialmente em populações vulneráveis, o que contribuiu para a sobrecarga dos serviços de saúde e aumento da demanda por atendimento (OMS, 2020). Nesse cenário, os profissionais de enfermagem destacaram-se como protagonistas na linha de frente, assumindo funções essenciais na assistência direta ao paciente. Estudos evidenciam que a atuação da enfermagem durante a pandemia foi marcada por desafios significativos, incluindo jornadas exaustivas, risco elevado de contaminação e impacto psicológico decorrente do contato constante com o sofrimento e a morte (TEIXEIRA et al., 2020). Além disso, a escassez de recursos materiais, como equipamentos de proteção individual (EPIs), agravou as condições de trabalho desses profissionais. Segundo Souza et al. (2021), a pandemia intensificou problemas já existentes no cotidiano da enfermagem, como a sobrecarga de trabalho e a desvalorização profissional, refletindo diretamente na saúde mental dos trabalhadores. Sintomas como ansiedade, estresse e esgotamento físico foram frequentemente relatados. Dessa forma, a literatura aponta que, apesar dos inúmeros desafios, a pandemia proporcionou aprendizados significativos, contribuindo para o fortalecimento das práticas assistenciais e para a valorização do papel da enfermagem no sistema de saúde.
Metodologia
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, vivenciado no ano de 2021, durante o período pandêmico da COVID-19, no interior do Amazonas. O estudo foi desenvolvido a partir da vivência profissional de uma instrumentadora cirúrgica atuante na assistência direta a pacientes acometidos pela doença, inserida no contexto hospitalar de média e alta complexidade. A coleta das informações ocorreu por meio da observação direta, da prática assistencial cotidiana e da reflexão crítica acerca das experiências vivenciadas durante o período. Foram considerados aspectos relacionados à organização do serviço de saúde, às condições de trabalho, aos desafios enfrentados pela equipe multiprofissional, bem como às repercussões emocionais e psicológicas decorrentes da atuação na linha de frente. A análise foi realizada de forma descritiva, buscando compreender os impactos da pandemia na prática profissional e na humanização do cuidado.
4 Resultados e Discussão
A experiência vivenciada durante a pandemia evidenciou a importância do Sistema Único de Saúde como principal suporte no enfrentamento da crise sanitária, sendo responsável pela assistência à maior parte da população acometida por casos graves da doença. Observou-se uma reorganização significativa dos serviços de saúde, marcada pela adaptação rápida às demandas emergenciais, incluindo a ampliação de leitos, intensificação das medidas de biossegurança e uso rigoroso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Além disso, houve sobrecarga de trabalho, escassez de recursos em determinados momentos e exposição constante ao risco de contaminação. No âmbito emocional, destacaram-se sentimentos de medo, insegurança, ansiedade e exaustão física e mental entre os profissionais de saúde. A vivência de perdas frequentes, associada ao distanciamento social e ao isolamento de familiares, contribuiu para o desgaste psicológico da equipe. Paralelamente, foram observados avanços importantes, como a incorporação de tecnologias digitais, reorganização dos processos de trabalho e fortalecimento das práticas de cuidado. A implementação da vacinação representou um marco fundamental na redução dos casos graves e óbitos, trazendo maior segurança aos profissionais e à população. Também se evidenciou o impacto da pandemia na sociedade, com mudanças nos hábitos cotidianos, maior adesão aos serviços digitais, trabalho remoto e intensificação dos cuidados com a saúde. Os achados deste estudo corroboram a literatura ao evidenciar que a pandemia da COVID-19 impôs desafios sem precedentes aos sistemas de saúde, especialmente em regiões com limitações estruturais, como o interior do Amazonas. O protagonismo do Sistema Único de Saúde foi essencial para garantir o acesso universal e equitativo à assistência, reafirmando sua relevância no cenário nacional. A sobrecarga de trabalho e os riscos ocupacionais enfrentados pelos profissionais de saúde refletem a fragilidade estrutural pré-existente, agravada pela alta demanda de pacientes. Estudos apontam que o impacto psicológico sobre esses profissionais foi significativo, sendo necessário o desenvolvimento de estratégias de suporte emocional e valorização da equipe. A experiência relatada evidencia ainda a importância da humanização no cuidado, mesmo em contextos adversos. A empatia, o acolhimento e o compromisso com a vida foram elementos fundamentais para a manutenção da qualidade assistencial. Ademais, a pandemia impulsionou transformações tecnológicas e organizacionais que tendem a permanecer no pós-pandemia, contribuindo para a modernização dos serviços de saúde. A vacinação, por sua vez, consolidou-se como a principal estratégia de controle da doença, reduzindo significativamente a morbimortalidade. Dessa forma, o relato reforça a necessidade de investimentos contínuos na qualificação profissional, na infraestrutura dos serviços de saúde e no fortalecimento de políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho e assistência à população.
5. Conclusão
A experiência vivenciada durante a pandemia de COVID-19, no interior do Amazonas, permitiu compreender, de forma aprofundada, os impactos diretos e indiretos dessa crise sanitária no cotidiano dos profissionais de saúde, especialmente da enfermagem, que atuaram na linha de frente do cuidado. Evidenciou-se que, além das limitações estruturais já existentes nos serviços de saúde, a pandemia intensificou desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, à escassez de recursos materiais, à necessidade de rápidas adaptações nos processos assistenciais e ao aumento significativo das demandas por atendimento. Esses fatores contribuíram diretamente para o desgaste físico e emocional dos profissionais, refletindo em sintomas como ansiedade, estresse,
medo e exaustão, amplamente descritos ao longo deste estudo. Adicionalmente, a vivência relatada reforça que o enfrentamento da pandemia exigiu não apenas competências técnicas, mas também habilidades socioemocionais, como empatia, resiliência e capacidade de tomada de decisão em contextos adversos. Nesse sentido, destaca-se a importância do fortalecimento das práticas de humanização no cuidado, que se mostraram fundamentais para garantir a qualidade da assistência, mesmo diante de um cenário de incertezas e limitações. A atuação integrada das equipes multiprofissionais também se apresentou como um elemento essencial para a reorganização dos fluxos de atendimento e para a manutenção da assistência segura e eficaz à população. Outro aspecto relevante evidenciado foi o papel estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS), que se consolidou como principal suporte no enfrentamento da crise sanitária, garantindo o acesso universal e equitativo aos serviços de saúde. Apesar das fragilidades estruturais observadas, o SUS demonstrou capacidade de adaptação e resposta, por meio da ampliação de leitos, intensificação das medidas de biossegurança, reorganização dos serviços e implementação de campanhas de vacinação. Tais ações contribuíram significativamente para a redução da morbimortalidade e para o controle da disseminação do vírus. Paralelamente, a pandemia impulsionou transformações importantes no âmbito organizacional e tecnológico dos serviços de saúde, com destaque para a digitalização de processos, a incorporação de novas ferramentas de comunicação e a reestruturação das práticas de trabalho. Essas mudanças, embora motivadas por um contexto emergencial, tendem a permanecer no período pós-pandêmico, contribuindo para a modernização e maior eficiência dos sistemas de saúde. Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de investimentos contínuos na qualificação dos profissionais de saúde, na melhoria das condições de trabalho, no fortalecimento da infraestrutura dos serviços e, sobretudo, na implementação de estratégias voltadas à promoção da saúde mental dos trabalhadores. A valorização profissional, aliada a políticas públicas eficazes, é fundamental para garantir a sustentabilidade e a qualidade da assistência prestada. Por fim, conclui-se que a experiência relatada não apenas evidencia os desafios enfrentados durante a pandemia, mas também ressalta os aprendizados e avanços decorrentes desse período, contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais resiliente, integrado e preparado para enfrentar futuras crises sanitárias. Assim, o presente estudo reforça a importância de refletir continuamente sobre as práticas assistenciais e de promover melhorias estruturais e organizacionais que assegurem condições adequadas de trabalho e atendimento à população.
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