A mediação docente na leitura de histórias: estratégias de interação e participação de crianças de quatro anos na educação infantil
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar como a mediação docente durante a leitura de histórias pode favorecer a interação e a participação de crianças de quatro anos na Educação Infantil. A leitura literária constitui uma importante experiência para o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da escuta e da construção de conhecimentos, especialmente quando realizada de maneira participativa e significativa. Nesse contexto, destaca-se o papel do professor na organização de situações que incentivem as crianças a expressar opiniões, formular perguntas, antecipar acontecimentos e compartilhar suas interpretações sobre as narrativas. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvida a partir da análise de livros, artigos científicos e documentos educacionais relacionados à literatura infantil, à mediação docente e ao desenvolvimento da criança. A discussão da literatura permite identificar estratégias pedagógicas relevantes, como a exploração das ilustrações, a realização de perguntas abertas, o diálogo durante a narrativa, o reconto oral e as atividades de expressão após a leitura. Essas práticas podem ampliar as oportunidades de participação infantil e contribuir para experiências de leitura mais acolhedoras e interativas. Conclui-se que a mediação docente desempenha um papel fundamental na aproximação das crianças com a literatura, sendo importante que o professor valorize suas manifestações, respeite seus diferentes ritmos e promova momentos de escuta, diálogo e construção coletiva de sentidos.

Palavras-Chave: Mediação docente; Literatura infantil; Leitura de histórias; Educação Infantil; Participação infantil.

Abstract

This article aims to analyze how teacher mediation during story reading can promote interaction and participation among four-year-old children in Early Childhood Education. Literary reading provides an important opportunity for the development of language, imagination, listening skills, and knowledge construction, especially when it is carried out in a meaningful and participatory manner. In this context, the teacher plays an important role in organizing activities that encourage children to express their opinions, ask questions, anticipate events, and share their interpretations of stories. Methodologically, this study is characterized as bibliographic research with a qualitative approach and descriptive nature, based on the analysis of books, scientific articles, and educational documents related to children's literature, teacher mediation, and child development. The literature review allows the identification of relevant pedagogical strategies, such as exploring illustrations, asking open-ended questions, encouraging dialogue during storytelling, oral retelling, and expressive activities after reading. These practices can expand opportunities for children's participation and contribute to more welcoming and interactive reading experiences. It is concluded that teacher mediation plays a fundamental role in bringing children closer to literature. Therefore, teachers should value children's expressions, respect their different learning paces, and promote opportunities for listening, dialogue, and the collective construction of meaning.

Keywords: Teacher mediation; Children's literature; Story reading; Early Childhood Education; Child participation.

1 Introdução

A leitura de histórias ocupa um lugar importante na Educação Infantil, pois proporciona às crianças oportunidades de conhecer diferentes personagens, imaginar situações, ampliar o vocabulário e entrar em contato com diversas formas de expressão da linguagem. Além de despertar o interesse pelos livros, as narrativas infantis permitem que as crianças compartilhem sentimentos, expressem opiniões, façam perguntas e estabeleçam relações entre as histórias e suas próprias experiências. Dessa forma, a leitura pode ser compreendida como uma prática educativa que contribui não apenas para o desenvolvimento da linguagem oral, mas também para a socialização, a imaginação e a construção de conhecimentos.

Na Educação Infantil, especialmente com crianças de quatro anos, é importante que o contato com a literatura aconteça de maneira prazerosa, acolhedora e adequada às características dessa faixa etária. Nessa fase, as crianças demonstram curiosidade, apresentam suas próprias interpretações sobre o mundo e buscam participar ativamente das situações vivenciadas no ambiente escolar. Por esse motivo, a leitura de histórias não deve se limitar à apresentação de um livro ou à narração realizada pelo professor, mas precisa oferecer oportunidades para que as crianças observem as ilustrações, levantem hipóteses, comentem os acontecimentos e expressem suas ideias ao longo da atividade.

Nesse contexto, a mediação docente assume um papel fundamental, uma vez que o professor é responsável por organizar experiências que favoreçam a aproximação das crianças com a literatura. Sua atuação envolve a escolha de histórias adequadas à faixa etária, a preparação do ambiente, a utilização de diferentes recursos expressivos e a criação de momentos de diálogo antes, durante e depois da leitura. Perguntas abertas, exploração das imagens, pausas para comentários, incentivo ao reconto e conversas sobre os personagens são exemplos de estratégias que podem estimular a participação infantil. Para que essas experiências sejam significativas, é necessário que o docente considere as manifestações das crianças, respeite seus diferentes ritmos e reconheça que cada uma pode construir sentidos próprios a partir da narrativa.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca as interações e a brincadeira como eixos estruturantes das práticas pedagógicas na Educação Infantil. O documento também valoriza experiências relacionadas à oralidade, à escuta, à imaginação e ao contato com diferentes manifestações artísticas e literárias. Nesse sentido, a leitura de histórias dialoga com os direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, especialmente quando possibilita a participação, a expressão, a exploração e a construção de relações com outras pessoas. Cabe ao professor, portanto, planejar situações que ultrapassem a simples transmissão da narrativa e favoreçam o envolvimento das crianças com o universo literário.

Apesar da importância dessa prática, a mediação da leitura exige planejamento e sensibilidade pedagógica. Em determinadas situações, a leitura pode ser conduzida de maneira muito direcionada pelo adulto, com poucas oportunidades para que as crianças expressem suas interpretações ou participem da construção dos sentidos da história. Por isso, torna-se relevante refletir sobre as estratégias utilizadas pelos professores e sobre como suas escolhas podem contribuir para tornar a leitura um momento de interação, diálogo e participação. Essa reflexão também permite compreender a importância de uma postura docente que valorize a escuta e considere as crianças como participantes ativas do processo educativo.

Diante dessas considerações, este estudo busca responder à seguinte questão: como a mediação docente durante a leitura de histórias pode favorecer a interação e a participação de crianças de quatro anos na Educação Infantil? A investigação justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre práticas pedagógicas que valorizem a literatura infantil e ampliem as possibilidades de participação das crianças nas experiências de leitura. Além disso, a discussão pode contribuir para a reflexão de professores e futuros professores sobre a organização de momentos literários mais significativos, nos quais as crianças tenham espaço para falar, imaginar, questionar e compartilhar suas percepções.

O objetivo geral deste artigo é analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, como as estratégias de mediação docente durante a leitura de histórias podem contribuir para a interação e a participação de crianças de quatro anos na Educação Infantil. Especificamente, pretende-se compreender a importância da literatura infantil para o desenvolvimento da linguagem e da imaginação, identificar estratégias pedagógicas que incentivem o diálogo e a participação das crianças e discutir o papel do professor na construção de experiências de leitura significativas.

Para alcançar esses objetivos, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e documentos educacionais relacionados à literatura infantil, à mediação docente e ao desenvolvimento da criança. A partir da discussão dessas contribuições, pretende-se reunir elementos que auxiliem na compreensão das possibilidades pedagógicas da leitura compartilhada e da importância de reconhecer a participação infantil como parte essencial das experiências educativas na Educação Infantil.

2 Revisão da Literatura
2.1 A importância da literatura infantil na Educação Infantil

A literatura infantil desempenha um papel significativo no desenvolvimento das crianças, pois oferece experiências que envolvem a linguagem, a imaginação, a criatividade e a compreensão das relações humanas. Por meio das histórias, as crianças entram em contato com diferentes personagens, cenários, sentimentos e situações, ampliando suas possibilidades de interpretar o mundo e expressar suas próprias percepções. Na Educação Infantil, o contato com os livros deve ser incentivado desde cedo, não apenas como preparação para a alfabetização, mas como uma experiência cultural, afetiva e educativa que contribui para a formação integral da criança.

O contato com as narrativas permite que as crianças conheçam palavras novas, acompanhem a organização dos acontecimentos e percebam diferentes maneiras de narrar e representar experiências. Mesmo antes de dominarem a leitura convencional, elas conseguem participar ativamente das situações literárias por meio da observação das ilustrações, da escuta, dos comentários e das relações que estabelecem entre a história e suas vivências. Dessa maneira, a literatura infantil oferece oportunidades para que a linguagem seja desenvolvida em situações contextualizadas, nas quais falar, ouvir, imaginar e compartilhar significados fazem parte de uma mesma experiência.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018), a Educação Infantil deve proporcionar experiências que favoreçam a comunicação, a expressão e a ampliação dos conhecimentos das crianças sobre si mesmas e sobre o mundo. O campo de experiências “Escuta, fala, pensamento e imaginação” apresenta uma relação direta com as práticas de leitura de histórias, uma vez que valoriza experiências envolvendo narrativas, diferentes linguagens e situações de comunicação. Assim, a leitura literária pode contribuir para que as crianças desenvolvam a capacidade de expressar ideias, ouvir outras pessoas e construir interpretações a partir das experiências compartilhadas.

Silva, Mota e Nórte (2024), ao analisarem pesquisas sobre leitura compartilhada na Educação Infantil, identificaram evidências de contribuições positivas dessa prática para o desenvolvimento linguístico infantil. Os autores também demonstram que os resultados das experiências de leitura podem variar conforme as características e a organização das intervenções realizadas. Essa discussão reforça a importância de compreender a leitura não apenas como o ato de apresentar uma história, mas como uma atividade cuja qualidade depende, entre outros aspectos, das oportunidades de interação e participação oferecidas às crianças.

Nessa perspectiva, a literatura infantil precisa ocupar um espaço significativo na rotina pedagógica, com momentos planejados para a apreciação dos livros, a conversa sobre as narrativas e a expressão das interpretações infantis. É importante que a escolha das histórias considere os interesses, a faixa etária e as experiências das crianças, sem limitar a seleção apenas a conteúdos com objetivos moralizantes ou exercícios de aprendizagem. O contato com a literatura também deve preservar o prazer de ouvir histórias, imaginar possibilidades e descobrir diferentes formas de compreender a realidade.

2.2 O papel do professor como mediador da leitura

O professor exerce uma função essencial na aproximação das crianças com a literatura, pois sua atuação pode ampliar as possibilidades de compreensão e envolvimento durante a leitura de histórias. Ser mediador significa criar condições para que as crianças tenham contato com os livros, participem das narrativas e construam sentidos a partir daquilo que ouvem e observam. Essa função não se resume à leitura em voz alta, mas envolve a organização do ambiente, a escolha das obras, a utilização de recursos expressivos e a valorização das manifestações infantis.

A mediação docente exige atenção à maneira como as crianças respondem à narrativa. Algumas demonstram interesse por meio de comentários e perguntas, enquanto outras participam observando atentamente as imagens, expressando emoções ou acompanhando os acontecimentos em silêncio. Por esse motivo, o professor precisa reconhecer que a participação pode ocorrer de diferentes formas e evitar que apenas as crianças mais comunicativas tenham suas manifestações valorizadas. Uma prática acolhedora considera os diferentes ritmos, respeita as interpretações individuais e cria oportunidades para que todos se sintam convidados a participar.

Freitas e Ferreira (2020), em um estudo sobre a mediação docente em rodas de leitura na Educação Infantil, investigaram estratégias utilizadas por uma professora para favorecer a compreensão de textos literários. A pesquisa destaca aspectos como o envolvimento das crianças, a discussão sobre os textos e a atenção às falas dos participantes. Essa perspectiva contribui para compreender que a atuação docente durante a leitura influencia a maneira como as crianças se relacionam com a história e participam das conversas construídas coletivamente.

A mediação também envolve a capacidade de formular perguntas que estimulem a reflexão sem transformar a leitura em uma sequência rígida de questionamentos. Perguntas como “O que você acha que vai acontecer?”, “Por que será que o personagem fez isso?” e “Como você imagina que ele está se sentindo?” podem incentivar as crianças a observar detalhes, elaborar hipóteses e expressar suas interpretações. Entretanto, é importante que o professor também permita que a história seja apreciada sem interrupções excessivas, equilibrando os momentos de escuta com as oportunidades de diálogo.

Outro aspecto relevante é a postura do docente diante das respostas infantis. Em vez de corrigir imediatamente toda interpretação diferente daquela esperada, o professor pode incentivar a explicação das ideias, convidar outras crianças a comentar e retomar elementos da narrativa que ajudem o grupo a ampliar sua compreensão. Essa atitude demonstra que as falas das crianças possuem valor no processo educativo e que a leitura pode constituir um espaço de troca, descoberta e construção coletiva de conhecimentos.

Velázquez e Sepúlveda (2023), ao discutirem as práticas de leitura compartilhada na Educação Infantil, chamam a atenção para os desafios relacionados à qualidade das interações entre adultos e crianças e ao tempo destinado à leitura e à conversa em torno dos livros. Essa discussão evidencia que a valorização da literatura no planejamento pedagógico precisa estar acompanhada de condições que permitam sua realização de maneira significativa. Portanto, a mediação docente depende tanto das escolhas pedagógicas quanto da disponibilidade para escutar as crianças e acolher suas contribuições.

2.3 Estratégias de interação durante a leitura de histórias

A interação durante a leitura de histórias pode ser favorecida por diferentes estratégias pedagógicas, desde que sejam utilizadas de maneira intencional e respeitem a dinâmica da narrativa. Antes de iniciar a leitura, o professor pode apresentar o livro, explorar o título e observar a capa junto com as crianças. A partir dessas ações, torna-se possível levantar hipóteses sobre o conteúdo da história e despertar a curiosidade do grupo. Essa preparação não precisa antecipar todos os acontecimentos, mas deve convidar as crianças a imaginar e compartilhar suas expectativas.

Durante a leitura, a utilização de uma entonação expressiva, a realização de pausas e a exploração das ilustrações podem tornar a narrativa mais envolvente. As imagens constituem importantes recursos de interpretação, pois ajudam as crianças a acompanhar os acontecimentos, identificar expressões dos personagens e formular explicações sobre o que observam. Ao abrir espaço para comentários espontâneos, o professor também permite que diferentes percepções apareçam, enriquecendo a experiência coletiva.

A formulação de perguntas é outra estratégia relevante. Pereira, Gabriel e Justice (2019) investigaram o papel das perguntas durante a leitura compartilhada de livros na Educação Infantil, contribuindo para a discussão sobre como a interação verbal pode favorecer o envolvimento das crianças com a narrativa. Perguntas abertas, que admitem diferentes respostas e incentivam a explicação das ideias, podem ampliar as oportunidades de expressão oral. Por outro lado, perguntas que exigem apenas respostas curtas ou a repetição de informações podem limitar a participação quando utilizadas de maneira predominante.

Menotti, Domeniconi e Costa (2020) também estudaram a capacitação de professores para o uso de estratégias de leitura compartilhada e sua relação com atividades de estímulo à linguagem oral. A pesquisa reforça a importância de preparar os docentes para utilizar recursos específicos durante a leitura e incorporá-los às práticas pedagógicas. Dessa forma, a mediação literária pode ser compreendida como uma prática que exige conhecimentos, planejamento e reflexão sobre as interações estabelecidas com as crianças.

Após a leitura, atividades como o reconto oral, a dramatização, o desenho e a conversa sobre os personagens podem ampliar as possibilidades de expressão. Essas propostas devem ser organizadas de maneira que não reduzam a história a uma tarefa obrigatória ou a uma avaliação daquilo que cada criança conseguiu memorizar. O reconto, por exemplo, pode permitir que as crianças reorganizem os acontecimentos conforme sua compreensão, enquanto a dramatização oferece oportunidades de explorar gestos, falas e sentimentos presentes na narrativa.

Silva, Mota e Nórte (2024) apontam contribuições da leitura compartilhada para o desenvolvimento linguístico, embora ressaltem que os resultados dependem das características das experiências investigadas. Por isso, não é adequado considerar uma estratégia isolada como garantia de aprendizagem. O mais importante é compreender como as diferentes ações do professor podem criar oportunidades de participação, respeitando as necessidades do grupo e favorecendo experiências literárias que articulem escuta, diálogo e imaginação.

2.4 A participação de crianças de quatro anos nas experiências de leitura

As crianças de quatro anos estão em uma fase na qual ampliam suas possibilidades de comunicação, demonstram curiosidade sobre as situações ao seu redor e passam a compartilhar com maior frequência suas opiniões, hipóteses e experiências. Na Educação Infantil, essas características precisam ser consideradas no planejamento das práticas pedagógicas, pois as crianças aprendem e se desenvolvem por meio das interações que estabelecem com outras crianças, com os adultos e com os diferentes elementos do ambiente.

A Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018) considera as crianças de quatro a cinco anos e onze meses como integrantes do grupo denominado “crianças pequenas”. Para essa faixa etária, o documento apresenta objetivos relacionados à expressão de ideias, sentimentos e opiniões, à escuta de histórias, à participação em conversas e ao contato com diferentes gêneros textuais. Essas orientações ajudam a compreender que a leitura de histórias pode constituir uma oportunidade para articular experiências de linguagem, imaginação e convivência, sem antecipar exigências próprias da alfabetização formal.

Durante a leitura, a participação infantil pode aparecer de maneiras variadas. Algumas crianças podem antecipar acontecimentos, outras podem comentar as atitudes dos personagens, relacionar a narrativa a uma experiência pessoal ou demonstrar suas impressões por meio de gestos e expressões. Essas manifestações devem ser reconhecidas como possibilidades de envolvimento com a história. O professor, por sua vez, precisa criar um ambiente em que as crianças possam se expressar sem receio de serem ridicularizadas ou de oferecerem uma resposta diferente daquela apresentada pelos colegas.

A organização do espaço e do tempo também influencia a qualidade dessas experiências. Um ambiente confortável, com boa visualização do livro e condições para que as crianças escutem umas às outras, pode favorecer o envolvimento coletivo. Da mesma forma, é importante reservar tempo suficiente para que a narrativa seja apreciada e para que as crianças comentem os acontecimentos sem que a atividade seja constantemente interrompida por outras demandas da rotina. A disponibilidade de livros variados e acessíveis também contribui para aproximar as crianças da cultura escrita e estimular o interesse espontâneo pela leitura.

Entretanto, incentivar a participação não significa exigir que todas as crianças falem durante a atividade ou respondam a todas as perguntas. A escuta atenta e silenciosa também pode representar uma forma de envolvimento, assim como a observação das ilustrações e as manifestações não verbais. A mediação docente precisa considerar essas diferenças e oferecer oportunidades variadas de expressão, evitando comparações entre as crianças ou a imposição de um único modo de participar.

A partir das contribuições discutidas, compreende-se que a leitura de histórias pode favorecer experiências educativas mais participativas quando o professor reconhece as crianças como sujeitos ativos, capazes de formular hipóteses, expressar sentimentos e construir interpretações. Essa compreensão exige que a literatura infantil seja valorizada como experiência cultural e estética, e não apenas como recurso para transmitir conteúdos. Assim, a mediação docente pode contribuir para que as crianças de quatro anos desenvolvam uma relação positiva com os livros, com a linguagem e com as experiências de leitura compartilhada.

3 Metodologia

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, cujo objetivo é analisar as contribuições da mediação docente para a interação e a participação de crianças de quatro anos durante a leitura de histórias na Educação Infantil. A escolha desse tipo de pesquisa justifica-se pela possibilidade de reunir e discutir conhecimentos já produzidos sobre o tema, permitindo compreender diferentes perspectivas teóricas e identificar estratégias pedagógicas que possam contribuir para o desenvolvimento de experiências literárias significativas no contexto escolar.

A pesquisa bibliográfica será desenvolvida a partir da consulta a livros, artigos científicos e documentos educacionais relacionados à literatura infantil, à leitura compartilhada, à mediação docente e ao desenvolvimento da linguagem na primeira infância. Para o levantamento das publicações, serão consideradas bases e fontes acadêmicas, como SciELO, Portal de Periódicos da CAPES e Google Acadêmico, além de documentos oficiais disponibilizados pelo Ministério da Educação, especialmente a Base Nacional Comum Curricular. Serão utilizados descritores como “mediação docente”, “leitura de histórias”, “literatura infantil”, “leitura compartilhada”, “Educação Infantil” e “participação infantil”, combinados conforme a necessidade de ampliar ou delimitar os resultados da busca.

A seleção das publicações considerará a relação direta com o problema e os objetivos do estudo, priorizando materiais que discutam a leitura literária na Educação Infantil, as estratégias de interação entre professores e crianças e as possibilidades de participação infantil durante as narrativas. Serão considerados livros e documentos de referência, bem como artigos científicos publicados em diferentes períodos, dando preferência a estudos recentes quando abordarem diretamente o tema investigado. Serão excluídos materiais sem relação significativa com os objetivos da pesquisa, textos sem informações suficientes para identificação bibliográfica e publicações cujo conteúdo não contribua para a discussão proposta.

Após o levantamento e a seleção das fontes, será realizada uma leitura exploratória para identificar os materiais potencialmente relevantes, seguida de uma leitura analítica dos textos escolhidos. As informações serão organizadas de acordo com os principais aspectos abordados pelos autores, considerando as contribuições da literatura infantil para o desenvolvimento da criança, o papel do professor como mediador e as estratégias utilizadas para estimular o diálogo e a participação durante a leitura. Essa organização permitirá comparar as ideias apresentadas nas publicações e reconhecer aproximações, diferenças e aspectos que merecem maior reflexão.

A análise dos materiais será conduzida de forma qualitativa e descritiva, buscando interpretar as contribuições teóricas encontradas e relacioná-las ao problema de pesquisa. Para isso, serão considerados três eixos principais: a importância da literatura infantil na Educação Infantil; as estratégias de mediação docente antes, durante e depois da leitura; e as formas de interação e participação das crianças de quatro anos. Esses eixos orientarão a discussão dos resultados da revisão, permitindo compreender como as práticas de leitura compartilhada podem favorecer experiências educativas mais dialógicas e significativas.

Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica baseada em publicações e documentos de acesso público, o estudo não prevê a realização de entrevistas, aplicação de questionários ou observação direta de crianças. Dessa maneira, as considerações apresentadas serão fundamentadas nas fontes selecionadas, respeitando as contribuições dos autores consultados e os limites próprios desse tipo de investigação.

4 Resultados e Discussão

A análise da literatura relacionada à mediação docente na leitura de histórias permite compreender que a participação das crianças na Educação Infantil está diretamente relacionada às oportunidades de interação oferecidas durante as experiências literárias. Os estudos consultados apontam que a leitura compartilhada pode ultrapassar a simples escuta de uma narrativa, constituindo um momento de diálogo, imaginação e construção de sentidos. Nesse processo, a atuação do professor assume importância especial, pois suas escolhas e intervenções podem ampliar ou limitar as possibilidades de envolvimento das crianças com os livros.

Micarello e Baptista (2018), no artigo Literatura na educação infantil: pesquisa e formação docente, discutem a formação de professores como mediadores da leitura literária e apresentam experiências desenvolvidas com docentes e crianças da Educação Infantil. As autoras destacam a importância de compreender a literatura como uma manifestação artística e cultural, que possibilita experiências estéticas e diferentes formas de atribuir significado ao mundo. A discussão também chama a atenção para práticas que utilizam as histórias exclusivamente como instrumentos para ensinar conteúdos ou transmitir lições morais, reduzindo as possibilidades de apreciação e interpretação das narrativas.

Essa contribuição é relevante para o presente estudo, pois evidencia que a leitura de histórias precisa preservar seu caráter literário e, ao mesmo tempo, possibilitar a participação das crianças. Quando o professor permite que elas observem as ilustrações, comentem os acontecimentos e apresentem interpretações próprias, a narrativa deixa de ser apenas uma atividade conduzida pelo adulto e passa a constituir uma experiência compartilhada. Dessa maneira, a mediação docente não significa controlar todas as respostas, mas criar condições para que diferentes ideias sejam expressas e consideradas durante a leitura.

4.1 A mediação docente como condição para a interação

Os estudos analisados permitem destacar que a mediação docente envolve um conjunto de decisões pedagógicas que começam antes da leitura e continuam após o encerramento da história. A escolha do livro, a organização do espaço, a maneira de apresentar a narrativa e a disponibilidade para escutar as crianças são aspectos que podem influenciar a qualidade da experiência literária. Por essa razão, a leitura compartilhada exige planejamento, conhecimento sobre literatura infantil e sensibilidade para reconhecer as manifestações do grupo.

Micarello e Baptista (2018) apresentam situações de leitura com crianças de quatro anos nas quais as ilustrações, as perguntas da mediadora e os comentários infantis contribuem para a construção de interpretações sobre a narrativa. As experiências descritas demonstram que as crianças podem formular hipóteses, relacionar informações visuais aos acontecimentos e compartilhar impressões sobre os personagens. Esses elementos reforçam a compreensão de que a criança participa ativamente da leitura, mesmo quando ainda não realiza a decodificação convencional das palavras.

A partir dessa perspectiva, observa-se que a qualidade da mediação não depende da quantidade de perguntas realizadas pelo professor, mas da maneira como elas são incorporadas à narrativa. Perguntas que incentivam a observação, a imaginação e a explicação das ideias podem abrir espaço para diferentes interpretações. Da mesma forma, acolher comentários espontâneos permite que o professor reconheça os interesses das crianças e estabeleça relações entre suas contribuições e os acontecimentos da história.

Outro aspecto identificado na literatura é a importância da formação docente. Menotti, Domeniconi e Costa (2020), no estudo Capacitação de professores do ensino infantil para o uso de estratégias bem-sucedidas de leitura compartilhada, investigaram os efeitos de uma capacitação voltada à utilização de estratégias específicas durante a leitura. A pesquisa envolveu professores da Educação Infantil e examinou mudanças na utilização de recursos destinados a estimular a linguagem oral. Os resultados indicaram que a formação contribuiu para ampliar o uso das estratégias trabalhadas, destacando a relevância da preparação dos professores para desenvolver práticas de leitura compartilhada.

Essa discussão demonstra que a mediação literária não deve depender apenas da experiência pessoal ou da iniciativa individual do docente. A formação inicial e continuada pode oferecer conhecimentos que auxiliem na seleção de obras, na formulação de perguntas e na organização de situações de diálogo. Além disso, a reflexão sobre as próprias práticas permite identificar dificuldades e buscar alternativas para tornar a leitura mais participativa, sem comprometer a apreciação da história.

4.2 Estratégias pedagógicas e possibilidades de participação infantil

Entre as estratégias discutidas nas publicações consultadas, destacam-se a exploração da capa e das ilustrações, as perguntas abertas, as pausas durante a narrativa e o incentivo à troca de ideias. Essas práticas podem favorecer o envolvimento das crianças porque reconhecem suas experiências anteriores e oferecem oportunidades para que expressem o que pensam sobre os acontecimentos. Entretanto, sua utilização precisa considerar o ritmo da leitura e as características da turma, evitando que a história seja constantemente interrompida ou transformada em uma atividade exclusivamente voltada a responder perguntas.

Menotti, Domeniconi e Costa (2020) investigaram cinco estratégias de leitura compartilhada: realizar pausas, estimular a alternância de turnos nas conversas, formular perguntas abertas, explicar o significado de palavras e retomar a conversa sobre o livro em outros momentos do dia. O estudo mostrou que a capacitação dos professores favoreceu mudanças na utilização dessas estratégias. Embora os resultados pertençam ao contexto específico da pesquisa realizada, eles oferecem elementos relevantes para refletir sobre a importância de intervenções planejadas na promoção da linguagem oral.

A realização de pausas, por exemplo, pode permitir que as crianças observem uma imagem, expressem surpresa ou formulem hipóteses sobre o que acontecerá em seguida. As perguntas abertas, por sua vez, possibilitam respostas variadas e incentivam a elaboração das ideias. Já a alternância dos turnos de fala contribui para que a conversa não fique restrita ao professor e às crianças que costumam falar com maior frequência. Essas estratégias podem ampliar as oportunidades de participação, desde que sejam utilizadas com equilíbrio e respeito às manifestações infantis.

A exploração das ilustrações também merece destaque, especialmente porque as crianças de quatro anos podem atribuir significados às imagens antes mesmo de compreenderem convencionalmente o texto escrito. Ao observar expressões faciais, cores, cenários e ações dos personagens, elas formulam interpretações que podem ser compartilhadas e discutidas com o grupo. Nesse sentido, o livro ilustrado oferece diferentes possibilidades de leitura, e cabe ao professor valorizar tanto as informações apresentadas verbalmente quanto aquelas percebidas pelas crianças nas imagens.

Depois da leitura, o reconto oral, a dramatização e a conversa coletiva podem ampliar a experiência com a narrativa. Essas propostas permitem que as crianças reorganizem os acontecimentos, expressem sentimentos e explorem diferentes formas de linguagem. Contudo, é importante que as atividades posteriores não sejam utilizadas apenas para verificar se elas memorizaram a história. Seu valor pedagógico está também na possibilidade de reinterpretar a narrativa, imaginar outros desfechos e compartilhar impressões pessoais.

Os resultados discutidos por Menotti, Domeniconi e Costa (2020) reforçam a importância de estratégias específicas para estimular a linguagem oral, enquanto Micarello e Baptista (2018) contribuem para compreender a dimensão cultural e estética da leitura literária. Consideradas em conjunto, essas pesquisas indicam que uma prática pedagógica consistente precisa articular a intencionalidade docente ao respeito pela experiência literária das crianças. Não se trata de aplicar uma sequência fixa de técnicas, mas de criar condições para que a leitura favoreça a escuta, o diálogo e a construção de sentidos.

4.3 A participação de crianças de quatro anos e a construção de sentidos

A participação das crianças de quatro anos pode se manifestar por meio da fala, dos gestos, das expressões faciais, da observação das imagens e das relações que estabelecem entre a história e suas experiências. Reconhecer essas diferentes formas de envolvimento é fundamental para evitar uma compreensão limitada da participação infantil, como se somente as crianças que respondem verbalmente às perguntas estivessem acompanhando a narrativa.

A Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018) destaca, no campo de experiências “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, a importância de proporcionar situações que favoreçam a comunicação, a escuta de histórias, a expressão de ideias e a criação de narrativas. Para as crianças pequenas, essas experiências devem contribuir para a ampliação das possibilidades de expressão e para o contato significativo com a cultura escrita. Assim, a leitura compartilhada encontra respaldo nas orientações curriculares quando promove experiências de linguagem adequadas à faixa etária e respeita as características do desenvolvimento infantil.

A participação também depende da forma como o professor acolhe as contribuições das crianças. Quando uma criança apresenta uma interpretação diferente daquela imaginada pelo adulto, a situação pode se transformar em uma oportunidade de diálogo, desde que sua manifestação seja considerada com respeito. O professor pode convidar o grupo a observar novamente a ilustração, retomar um trecho da narrativa ou compartilhar outras possibilidades de interpretação. Dessa maneira, as diferenças entre as respostas não precisam ser tratadas como erros imediatos, mas podem contribuir para ampliar a compreensão coletiva da história.

Outro ponto importante é garantir que todas as crianças tenham oportunidades de envolvimento, sem exigir que participem da mesma maneira. Algumas podem demonstrar maior facilidade para falar diante do grupo, enquanto outras precisam de mais tempo ou preferem expressar suas impressões por meio de gestos, desenhos e brincadeiras. Uma mediação acolhedora reconhece essas diferenças e evita comparações, criando um ambiente em que as manifestações infantis sejam valorizadas de acordo com suas possibilidades.

A discussão da literatura também permite compreender que a participação não deve ser confundida com a interrupção constante da leitura. A criança precisa ter oportunidades de comentar e perguntar, mas também de acompanhar a continuidade da narrativa, apreciar a linguagem literária e experimentar emoções despertadas pela história. O professor enfrenta, portanto, o desafio de equilibrar os momentos de escuta e diálogo, mantendo o interesse coletivo e respeitando as contribuições que surgem espontaneamente.

4.4 Síntese dos resultados e implicações para a prática pedagógica

A análise das publicações e dos documentos educacionais utilizados nesta discussão permite organizar as principais contribuições em três aspectos complementares. O primeiro refere-se à valorização da literatura infantil como experiência cultural e estética, que amplia as possibilidades de imaginação, expressão e interpretação. O segundo diz respeito à mediação docente, compreendida como uma prática que exige planejamento, formação e atenção às interações estabelecidas durante a leitura. O terceiro envolve o reconhecimento das crianças como participantes ativas, capazes de elaborar hipóteses, compartilhar experiências e construir sentidos a partir das narrativas.

Esses aspectos demonstram que a leitura de histórias pode assumir diferentes funções na rotina da Educação Infantil, mas sua contribuição depende da maneira como é organizada. Quando o livro é utilizado apenas para introduzir conteúdos ou transmitir mensagens previamente definidas, as possibilidades de interpretação podem ficar reduzidas. Em contrapartida, quando o professor valoriza a experiência literária e oferece oportunidades de diálogo, as crianças podem estabelecer relações mais amplas com a narrativa e com os demais participantes da atividade.

Os estudos discutidos também apontam que o desenvolvimento de práticas de leitura compartilhada requer investimento na formação dos professores e na organização de condições adequadas para o contato com os livros. A disponibilidade de obras de qualidade, a inclusão de momentos de leitura na rotina e o acesso das crianças aos acervos são elementos importantes para que a literatura esteja presente de forma contínua no cotidiano escolar. Essas condições precisam ser acompanhadas por uma postura docente que reconheça a leitura como experiência de encontro, escuta e construção de significados.

É necessário considerar, entretanto, que os estudos analisados apresentam contextos, objetivos e procedimentos próprios, não permitindo afirmar que uma única estratégia produzirá os mesmos efeitos em todas as turmas. As características das crianças, as obras escolhidas, a experiência dos professores e as condições de realização das atividades podem influenciar as interações estabelecidas. Por esse motivo, as estratégias discutidas devem ser compreendidas como possibilidades pedagógicas fundamentadas na literatura, e não como soluções universais.

Em síntese, os resultados da discussão bibliográfica sustentam a compreensão de que a mediação docente pode contribuir para ampliar a interação e a participação das crianças de quatro anos durante a leitura de histórias. Para isso, é importante que o professor planeje experiências que articulem escuta, perguntas, exploração das imagens, expressão oral e apreciação literária. Mais do que conduzir a atividade para alcançar respostas previamente estabelecidas, sua atuação deve favorecer um ambiente no qual as crianças possam imaginar, questionar, compartilhar interpretações e desenvolver uma relação significativa com a literatura infantil.


5 Conclusão

O presente artigo teve como objetivo analisar como a mediação docente durante a leitura de histórias pode contribuir para a interação e a participação de crianças de quatro anos na Educação Infantil. A partir da discussão bibliográfica, foi possível compreender que a leitura literária representa uma experiência importante para o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da escuta e da expressão infantil, especialmente quando realizada de maneira participativa e respeitosa às características das crianças.

As contribuições dos estudos analisados indicam que a atuação do professor exerce um papel significativo na organização dessas experiências. Estratégias como a exploração das ilustrações, a formulação de perguntas abertas, as pausas durante a narrativa, o incentivo aos comentários espontâneos e as atividades de reconto podem ampliar as oportunidades de interação entre as crianças, o professor e a história. Entretanto, essas estratégias precisam ser utilizadas de maneira equilibrada, considerando o ritmo da narrativa e o interesse do grupo, para que a leitura não se transforme apenas em uma atividade de perguntas e respostas.

Em relação ao problema de pesquisa, compreende-se que a mediação docente pode favorecer a interação e a participação infantil ao criar oportunidades para que as crianças expressem suas ideias, formulem hipóteses, compartilhem sentimentos e construam interpretações sobre as narrativas. Para isso, é fundamental que o professor valorize as diferentes formas de participação, reconhecendo que nem todas as crianças se manifestam verbalmente com a mesma frequência ou desenvoltura. A escuta atenta, o acolhimento e o respeito às manifestações infantis são aspectos importantes para a construção de experiências literárias significativas.

O estudo também evidencia a importância da formação docente e do planejamento pedagógico para a realização de práticas de leitura que valorizem a literatura como experiência cultural, estética e educativa. A escolha de obras adequadas, a disponibilidade de livros e a organização de momentos de leitura na rotina escolar podem contribuir para aproximar as crianças do universo literário e despertar seu interesse pelas histórias. Nesse sentido, a leitura não deve ser compreendida somente como um recurso para ensinar conteúdos, mas como uma oportunidade de imaginação, descoberta, convivência e construção de sentidos.

Como limitação, destaca-se que a pesquisa bibliográfica permite discutir as contribuições presentes nas publicações consultadas, mas não possibilita afirmar que determinada estratégia produzirá os mesmos resultados em todos os contextos educativos. As características das crianças, as condições de trabalho dos professores e a organização das experiências de leitura podem influenciar as formas de participação observadas em cada situação.

Conclui-se, portanto, que a mediação docente constitui um elemento relevante para promover experiências de leitura mais interativas e significativas na Educação Infantil. Espera-se que as reflexões apresentadas contribuam para o aprimoramento das práticas pedagógicas e incentivem os professores a reservar um espaço significativo para a literatura no cotidiano escolar. Como possibilidade para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas de campo que investiguem como diferentes estratégias de mediação são desenvolvidas na prática e como as crianças participam dessas experiências, respeitando os princípios éticos aplicáveis à pesquisa com crianças.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 16 out. 2026.

FREITAS, Keilla Rebeka Simões Oliveira de; FERREIRA, Sandra Patrícia Ataíde. A mediação docente na roda de leitura: ensinando a ler para compreender. Revista Leitura, Maceió, n. 66, p. 271-284, 2020. DOI: https://doi.org/10.28998/2317-9945.202066.271-284. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/revistaleitura/article/view/10055. Acesso em: 16 out. 2026.

MENOTTI, Ana Rubia Saes; DOMENICONI, Camila; COSTA, Aline Roberta Aceituno da. Capacitação de professores do ensino infantil para o uso de estratégias bem-sucedidas de leitura compartilhada. CoDAS, v. 32, n. 1, e20180294, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/2317-1782/20192018294. Disponível em: https://www.scielo.br/j/codas/a/mT3QsDc4qwRFYP58gvpgLHC/. Acesso em: 16 out. 2026.

MICARELLO, Hilda; BAPTISTA, Mônica Correia. Literatura na educação infantil: pesquisa e formação docente. Educar em Revista, Curitiba, v. 34, n. 72, p. 169-186, nov./dez. 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0104-4060.62731. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/62731. Acesso em: 16 out. 2026.

PEREIRA, Aline E.; GABRIEL, Rosângela; JUSTICE, Laura M. O papel da formulação de questões durante a leitura compartilhada de livros na Educação Infantil. Ilha do Desterro, Florianópolis, v. 72, n. 3, p. 201-221, 2019. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-8026.2019v72n3p201. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/desterro/article/view/2175-8026.2019v72n3p201. Acesso em: 16 out. 2026.

SILVA, Carmen Lucia Martins da; MOTA, Márcia Maria Peruzzi Elia da; NÓRTE, Carlos Eduardo. Impactos da leitura compartilhada no desenvolvimento linguístico na Educação Infantil: revisão sistemática. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 49, n. 96, p. 17-33, set./dez. 2024. DOI: https://doi.org/10.17058/signo.v49i96.19320. Disponível em: https://seer.unisc.br/index.php/signo/article/view/19320. Acesso em: 16 out. 2026.

VELÁZQUEZ, Silvanne Ribeiro; SEPÚLVEDA, Angélica. Práticas de leitura compartilhada na Educação Infantil: entre o dito e o efetivado. Revista Brasileira de Alfabetização, n. 19, p. 1-13, 2023. DOI: https://doi.org/10.47249/rba2023733. Disponível em: https://www.revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/733. Acesso em: 16 out. 2026.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Aparecida Bocardo, Livia Maria Quaresemin (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.