Atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A obesidade infantil constitui importante problema de saúde pública, de origem multifatorial, associado a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e fatores familiares, sociais e ambientais. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel relevante na promoção da saúde e prevenção do excesso de peso. Objetivo: Analisar a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil, identificando estratégias, intervenções e barreiras relacionadas ao cuidado. Metodologia: Revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed/MEDLINE, BVS e LILACS, com estudos publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. A questão norteadora foi estruturada pela estratégia PICO, utilizando descritores DeCS/MeSH combinados pelos operadores AND e OR. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, remoção de duplicidades e leitura dos estudos, 20 artigos compuseram a amostra. Resultados: Os estudos foram organizados em duas categorias temáticas. A primeira reuniu 14 artigos sobre estratégias e intervenções, destacando educação em saúde, avaliação antropométrica, orientação alimentar, atividade física, participação familiar, ações escolares e acompanhamento na Atenção Primária. A segunda reuniu 6 artigos sobre barreiras e desafios, como falta de tempo, recursos, capacitação, dificuldades organizacionais, baixa adesão familiar e fatores socioeconômicos. Discussão: As evidências reforçam a necessidade de atuação contínua, integrada e multiprofissional. Conclusão: O enfermeiro exerce papel essencial na identificação precoce de riscos e na promoção de hábitos saudáveis, contribuindo para a prevenção da obesidade infantil.

Palavras-chave: Obesidade Infantil. Sobrepeso. Enfermagem Escolar. Promoção da Saúde.

ABSTRACT

Childhood obesity is an important public health problem of multifactorial origin, associated with unhealthy eating habits, physical inactivity, and family, social, and environmental factors. In this context, nurses play a relevant role in health promotion and the prevention of excess weight. Objective: To analyze the role of nurses in the prevention of childhood obesity, identifying strategies, interventions, and barriers related to care. Methodology: An integrative literature review with a qualitative approach was conducted in the PubMed/MEDLINE, BVS, and LILACS databases, including studies published between 2022 and 2026 in Portuguese, English, and Spanish. The guiding question was structured using the PICO strategy, with DeCS/MeSH descriptors combined through the Boolean operators AND and OR. After applying the eligibility criteria, removing duplicates, and reviewing the studies, 20 articles comprised the final sample. Results: The studies were organized into two thematic categories. The first included 14 articles on strategies and interventions, highlighting health education, anthropometric assessment, dietary guidance, physical activity, family participation, school-based actions, and follow-up in Primary Health Care. The second included 6 articles on barriers and challenges, such as lack of time, resources, training, organizational difficulties, low family adherence, and socioeconomic factors. Discussion: The evidence reinforces the need for continuous, integrated, and multidisciplinary nursing practice. Conclusion: Nurses play an essential role in the early identification of risk factors and in the promotion of healthy habits, contributing to the prevention of childhood obesity.

Keywords: Childhood Obesity. Overweight. School Nursing. Health Promotion.

1 INTRODUÇÃO

A obesidade infantil constitui um importante problema de saúde pública, caracterizado pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e associado a fatores biológicos, comportamentais, sociais e ambientais. Sua ocorrência durante a infância pode favorecer a permanência do excesso de peso na vida adulta e aumentar o risco de desenvolvimento precoce de doenças crônicas, além de comprometer aspectos emocionais e sociais da criança (Silva et al., 2023; Nabarro et al., 2024).

Entre os principais fatores relacionados à obesidade infantil destacam-se o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, baixa prática de atividade física e aumento do comportamento sedentário. Nesse contexto, a prevenção deve ser iniciada precocemente e envolver não apenas a criança, mas também sua família, escola e comunidade, considerando que esses ambientes influenciam diretamente a formação dos hábitos de vida (Johnson et al., 2024; Nabarro et al., 2024).

A participação da família mostra-se fundamental, uma vez que pais e responsáveis exercem influência sobre as escolhas alimentares, rotina e prática de atividades físicas (Verga et al., 2022; Öztürk; Kolcu, 2023). Zepeda-Ríos et al. (2024) destacam que intervenções relacionadas à alimentação, atividade física, sono e práticas parentais podem contribuir para a prevenção da obesidade desde os primeiros anos de vida.

Sendo assim, o enfermeiro possui papel relevante na prevenção da obesidade infantil, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). Entre suas atribuições estão o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, avaliação antropométrica, identificação precoce de alterações nutricionais, educação em saúde, orientação alimentar, incentivo à atividade física e acompanhamento das famílias. Oliveira et al. (2022) ressaltam a importância da atuação da enfermagem na Estratégia Saúde da Família, embora apontem a necessidade de maior capacitação e organização das ações voltadas ao excesso de peso infantil.

O ambiente escolar também constitui espaço estratégico para a atuação do enfermeiro. Vasconcelos, Freiberg e Mello (2024) destacam ações como educação alimentar, avaliação antropométrica, atividades educativas e orientação aos estudantes e familiares. Além disso, estudos recentes demonstram que intervenções conduzidas por enfermeiros escolares podem favorecer hábitos alimentares mais saudáveis, aumento da atividade física e maior conhecimento sobre prevenção da obesidade (Francis et al., 2025; Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026).

Diante da importância da prevenção e da atuação da enfermagem nos diferentes contextos de cuidado, torna-se necessário reunir as evidências científicas disponíveis sobre o tema. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil, identificando as principais estratégias e intervenções utilizadas para promoção de hábitos saudáveis e redução dos fatores de risco associados ao excesso de peso em crianças e adolescentes.

2 MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, com busca e seleção sistematizadas das evidências científicas. A revisão integrativa possibilita reunir, avaliar criticamente e sintetizar resultados de diferentes estudos sobre determinado tema, contribuindo para a identificação do conhecimento produzido e de possíveis lacunas existentes na literatura (Mendes; Silveira; Galvão, 2008). Para garantir maior rigor metodológico, o processo de busca, seleção e análise dos estudos foi conduzido de forma sistematizada, mediante definição prévia da questão norteadora, das bases de dados, dos descritores, dos critérios de inclusão e exclusão e das etapas de seleção dos artigos.

Para direcionar o estudo, estabeleceu-se a seguinte questão norteadora: “Qual é a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil e quais estratégias de enfermagem têm sido utilizadas para promover hábitos saudáveis e reduzir os fatores de risco para o excesso de peso em crianças e adolescentes?” A condução e a apresentação do processo de identificação, seleção e inclusão dos estudos foram pautadas nas recomendações do protocolo PRISMA (Page et al., 2021).

Com o objetivo de auxiliar na organização da questão de pesquisa e dos elementos envolvidos na revisão, utilizou-se a estratégia PICO, considerando população, intervenção, comparação e resultados. A busca e a seleção dos estudos foram conduzidas de forma sistematizada, considerando a amplitude da questão norteadora e as diferentes estratégias relacionadas à atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil.

Quadro 1 – Estratégia PICO aplicada ao estudo

Componente

Descrição

Aplicação na pesquisa

P – População

Grupo ou população de interesse

Crianças e adolescentes envolvidos em ações de prevenção do sobrepeso e da obesidade infantil.

I – Intervenção

Ação ou estratégia analisada

Atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil, envolvendo educação em saúde, acompanhamento antropométrico, orientação alimentar, incentivo à atividade física, participação familiar e ações escolares e comunitárias.

C – Comparação

Situação utilizada como referência

Cuidados habituais, ausência de intervenção estruturada ou comparação entre diferentes estratégias, quando aplicável.

O – Resultado

Desfechos esperados

Promoção de hábitos saudáveis, redução dos fatores de risco para excesso de peso, identificação precoce de alterações nutricionais e fortalecimento da participação familiar.

Fonte: Elaborado pela autora (2026).

Inicialmente, foi realizada consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e aos termos correspondentes do Medical Subject Headings (MeSH), buscando ampliar a sensibilidade das estratégias de pesquisa. Foram utilizados os descritores e termos relacionados a: “Obesidade Infantil”, “Sobrepeso”, “Enfermagem Escolar” e “Promoção da Saúde”. Para a associação desses descritores, foram empregados os operadores booleanos AND e OR, permitindo ampliar ou restringir os resultados de acordo com o objetivo da revisão.

Como critérios de inclusão, foram considerados artigos publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas português, inglês ou espanhol, com abordagem quantitativa, qualitativa ou mista, incluindo ensaios de intervenção, estudos observacionais e estudos de revisão. Foram selecionadas publicações que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro na prevenção e no manejo precoce da obesidade infantil e que apresentassem informações relevantes para responder à questão norteadora.

Como critérios de exclusão, estabeleceram-se publicações anteriores a 2022; artigos que abordassem exclusivamente obesidade em adultos; estudos sem relação com prevenção, promoção da saúde ou atuação da enfermagem; trabalhos duplicados entre as bases consultadas; editoriais; cartas ao editor; trabalhos apresentados exclusivamente em eventos; teses; dissertações; monografias; e materiais que não apresentassem informações suficientes para responder à questão de investigação.

O processo de seleção dos estudos foi organizado em etapas. Inicialmente, foram identificados os registros recuperados nas bases de dados e realizada a remoção das duplicidades. Em seguida, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para análise da pertinência temática. Posteriormente, os estudos potencialmente elegíveis foram avaliados de forma mais detalhada, considerando os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Por fim, os artigos selecionados compuseram a amostra final da revisão. A última busca nas bases de dados foi realizada em 08 de outubro de 2026. O percurso de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos está apresentado no fluxograma a seguir.

Figura 1. Fluxograma do processo de identificação e seleção dos estudos.

Fonte: Elaborado pela autora (2026).

Conforme apresentado no fluxograma, foram identificados inicialmente 80 registros, sendo 38 no PubMed/MEDLINE, 27 na BVS e 15 na LILACS. Em seguida, foram aplicados os filtros operacionais de elegibilidade, considerando publicações entre 2022 e 2026, disponibilidade de texto completo, idiomas português, inglês ou espanhol e relação com a obesidade infantil e a atuação da enfermagem. Após a aplicação desses filtros, foram excluídos 26 registros, sendo 12 do PubMed/MEDLINE, 9 da BVS e 5 da LILACS, permanecendo 54 estudos, dos quais 26 eram provenientes do PubMed/MEDLINE, 18 da BVS e 10 da LILACS.

Posteriormente, realizou-se a remoção das duplicidades entre as bases de dados, resultando na exclusão de 14 registros duplicados e na permanência de 40 estudos únicos para a etapa de triagem. Durante a leitura dos títulos e resumos, foram excluídos 16 estudos, sendo 8 por fuga do tema, 4 por apresentarem população inadequada, composta por adultos ou público incompatível com o objetivo da revisão, e 4 por ausência de enfoque na atuação da enfermagem ou na prevenção da obesidade infantil. Dessa forma, 24 artigos foram pré-selecionados para leitura na íntegra.

Na etapa de elegibilidade, os 24 artigos foram recuperados e avaliados na íntegra. Após essa análise, 4 estudos foram excluídos, sendo 2 por não responderem integralmente à questão norteadora, 1 por não apresentar enfoque específico na atuação do enfermeiro e 1 por apresentar ênfase no tratamento ou manejo da obesidade, sem foco na prevenção. Assim, 20 artigos atenderam aos critérios estabelecidos e compuseram a amostra final desta revisão integrativa, sendo 9 provenientes do PubMed/MEDLINE, 7 da BVS e 4 da LILACS.

Ressalta-se que os 20 artigos selecionados constituíram a amostra desta revisão integrativa. Além desses estudos, foram utilizadas duas referências de caráter metodológico, destinadas à fundamentação da revisão integrativa e à organização do processo de identificação e seleção dos estudos, não sendo consideradas parte da amostra analisada.

A síntese dos resultados ocorreu de forma descritiva, mediante comparação dos achados e identificação de convergências entre os estudos. Posteriormente, as evidências foram agrupadas em duas categorias temáticas: estratégias e intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade infantil e barreiras e desafios para a atuação do enfermeiro, considerando os principais achados dos estudos selecionados.

3 RESULTADOS

Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 20 artigos publicados entre 2022 e 2026 compuseram a amostra final desta revisão. Os estudos abordaram principalmente a atuação da enfermagem no ambiente escolar, na Atenção Primária à Saúde e no contexto familiar.

Quanto ao ano de publicação, foram incluídos 4 artigos de 2022 (20%), 3 de 2023 (15%), 5 de 2024 (25%), 6 de 2025 (30%) e 2 de 2026 (10%). Dessa forma, 65% dos estudos foram publicados entre 2024 e 2026, demonstrando maior concentração de produções recentes.

Considerando a base de origem adotada para a seleção final, 9 estudos (45%) foram provenientes do PubMed/MEDLINE, 7 (35%) da BVS e 4 (20%) da LILACS. Quanto ao idioma, 15 artigos foram publicados em inglês, 4 em português e 1 em espanhol, evidenciando predominância de produções internacionais na amostra analisada.

Os estudos apresentaram diferentes delineamentos metodológicos. Entre os 20 artigos incluídos, 11 corresponderam a pesquisas primárias, incluindo estudos observacionais, qualitativos, métodos mistos, ensaios clínicos randomizados e estudo quase-experimental, enquanto 9 corresponderam a estudos de revisão, entre revisões sistemáticas, revisões de escopo, revisão integrativa, revisão de literatura, overview e revisão clínica. Essa diversidade permitiu reunir evidências provenientes de diferentes perspectivas metodológicas, considerando as características próprias de cada tipo de estudo.

A presença de estudos de revisão na amostra foi considerada durante a análise, uma vez que esses trabalhos podem reunir pesquisas primárias também presentes em outras revisões ou na própria amostra. Dessa forma, reconhece-se a possibilidade de sobreposição de evidências entre os estudos incluídos, aspecto considerado na interpretação dos resultados.

A partir da análise dos estudos incluídos, os achados foram organizados em duas categorias temáticas: estratégias e intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade infantil e barreiras e desafios para a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil. Os artigos foram distribuídos entre as categorias conforme o enfoque predominante de seus objetivos e resultados.

Quadro 2 – Estratégias e intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade infantil:

Artigo e Autores/ano

Objetivo

Metodologia

Conclusão

School nurse-led interventions for the prevention and management of childhood obesity: a scoping review.

Lotito; Maffeo; Fiorini (2026)

Mapear intervenções lideradas por enfermeiros escolares para prevenção e manejo da obesidade infantil.

Revisão de escopo.

As intervenções de enfermagem escolar podem favorecer hábitos alimentares saudáveis, atividade física e redução do IMC.

Nurse-involved policy, systems, and environmental school-based interventions for supporting healthy nutrition and obesity prevention among children and adolescents: a systematic review.

Francis et al. (2025)

Examinar intervenções escolares envolvendo enfermeiros para promoção da alimentação saudável e prevenção da obesidade.

Revisão sistemática.

As intervenções apresentaram resultados positivos em indicadores antropométricos e conhecimentos sobre saúde e nutrição.

Effectiveness of a capacity-building program for adolescent obesity prevention on perceived skills, professional attitudes, and challenges among school nurses in a lower-middle-income community: a randomized controlled trial.

Chaieb et al. (2025)

Avaliar um programa de capacitação de enfermeiros escolares para prevenção da obesidade em adolescentes.

Ensaio clínico randomizado.

A capacitação aumentou habilidades, confiança e motivação dos enfermeiros para ações preventivas.

Implementation of a childcare-based obesity prevention program for vulnerable families during the COVID-19 pandemic: lessons for school nurses.

Park et al. (2025)

Analisar a implantação de um programa de prevenção da obesidade para famílias vulneráveis.

Estudo qualitativo.

Estratégias digitais podem contribuir para a educação em saúde quando adaptadas às necessidades das crianças e famílias.

Adopting national recommendations for clinical management of pediatric obesity in primary care.

Davila et al. (2025)

Apresentar recomendações para identificação, avaliação e manejo da obesidade pediátrica na Atenção Primária.

Revisão clínica.

Identificação precoce, orientação sobre estilo de vida e acompanhamento familiar são fundamentais para prevenção e manejo.

A family-based and mobile-assisted intervention for lifestyle behaviors in youths: a randomized controlled trial.

Tsai et al. (2024)

Avaliar uma intervenção familiar apoiada por dispositivos móveis em crianças com sobrepeso ou obesidade.

Ensaio clínico randomizado.

A intervenção reduziu IMC e percentual de gordura, reforçando a importância da participação familiar e da tecnologia.

Intervenções do enfermeiro escolar no combate da obesidade infantil.

Vasconcelos; Freiberg; Mello (2024)

Apresentar intervenções de enfermagem para promoção da saúde e alimentação saudável no ambiente escolar.

Revisão integrativa.

A escola constitui espaço importante para educação em saúde, sendo necessárias intervenções de enfermagem sistemáticas e fundamentadas em métodos efetivos para estimular o autocuidado relacionado à saúde e à alimentação

Interventions to prevent obesity in the first 1000 days: scoping review.

Zepeda-Ríos et al. (2024)

Identificar intervenções realizadas nos primeiros 1.000 dias capazes de prevenir sobrepeso e obesidade.

Revisão de escopo.

Intervenções envolvendo alimentação, atividade física, sono e parentalidade apresentaram resultados promissores.

Early childhood (1-5 years) obesity prevention: a systematic review of family-based multicomponent behavioral interventions.

Johnson et al. (2024)

Avaliar intervenções familiares multicomponentes na prevenção da obesidade em crianças pequenas.

Revisão sistemática.

A maioria das intervenções não apresentou efeitos significativos sobre os indicadores de peso, embora tenham sido observadas melhorias principalmente nos comportamentos alimentares.

Effects of school nurse-led interventions in collaboration with kinesiologists in promoting physical activity and reducing sedentary behaviors in children and adolescents: a systematic review.

Longobucco et al. (2023)

Avaliar intervenções lideradas por enfermeiros escolares para aumentar atividade física e reduzir sedentarismo.

Revisão sistemática.

Intervenções escolares multiprofissionais podem reduzir comportamentos sedentários e promover hábitos mais saudáveis.

Intervenções não farmacológicas no manejo da obesidade infantil: uma overview.

Silva et al. (2023)

Analisar a efetividade de intervenções não farmacológicas no manejo da obesidade infantil.

Revisão sistemática do tipo overview.

As intervenções não farmacológicas podem promover mudanças positivas no comportamento alimentar, IMC e estilo de vida, embora seus resultados geralmente necessitem de tempo para serem observados.

Are child and parent health behaviors associated with childhood obesity? A descriptive and methodological study.

Öztürk; Kolcu (2023)

Avaliar a relação entre os comportamentos de saúde de crianças e pais e a obesidade infantil.

Estudo descritivo e metodológico.

As intervenções devem considerar conjuntamente criança e família, com participação do enfermeiro escolar e equipe multiprofissional.

Effect of health screening and School Nurse Interventions on primary school students' knowledge, behavior, and status in Turkey: a quasi-experimental Omaha System study.

Ilgaz (2022)

Avaliar os efeitos do rastreamento e das intervenções do enfermeiro escolar sobre os estudantes.

Estudo quase-experimental.

O rastreamento e as intervenções melhoraram conhecimentos, comportamentos e estado de saúde dos estudantes.

O sistema familiar buscando a transformação do seu comportamento alimentar diante da obesidade infantil.

Verga et al. (2022)

Compreender comportamentos e práticas alimentares das famílias diante da obesidade infantil.

Estudo qualitativo.

A família deve ser incluída nas intervenções de enfermagem por exercer influência direta sobre os hábitos alimentares da criança.

Fonte: Elaborado pela autora (2026).

Os estudos agrupados na categoria de estratégias e intervenções demonstraram que a atuação da enfermagem na prevenção da obesidade infantil envolve diferentes abordagens, com destaque para educação em saúde e nutricional, avaliação antropométrica, incentivo à alimentação saudável, estímulo à prática de atividade física, redução do comportamento sedentário e identificação precoce do excesso de peso. No ambiente escolar, o enfermeiro apresentou papel relevante na realização de ações educativas, rastreamento de alterações nutricionais e promoção de comportamentos saudáveis (Tsai et al., 2024; Öztürk; Kolcu, 2023; Verga et al., 2022).

Já a participação da família também se mostrou importante, uma vez que os hábitos alimentares e comportamentais das crianças estão diretamente relacionados ao contexto familiar, sendo observadas estratégias centradas nos pais e responsáveis, uso de tecnologias móveis e acompanhamento dos comportamentos de saúde (Vasconcelos; Freiberg; Mello, 2024; Ilgaz, 2022; Francis et al., 2025; Longobucco et al., 2023).

Também foram identificadas intervenções multicomponentes que associaram alimentação, atividade física, sono, mudanças comportamentais e participação familiar, demonstrando a importância de uma abordagem integrada na prevenção da obesidade infantil. Além disso, os estudos destacaram a capacitação dos profissionais, a utilização de estratégias digitais, o acompanhamento na APS e as intervenções lideradas por enfermeiros escolares como recursos capazes de ampliar o alcance das ações preventivas e fortalecer a articulação entre criança, família, escola e serviços de saúde (Zepeda-Ríos et al., 2024; Johnson et al., 2024; Silva et al., 2023; Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026; Chaieb et al., 2025; Park et al., 2025; Davila et al., 2025).

Quadro 3 – Barreiras e desafios para a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil:

Artigo e Autores/ano

Objetivo

Metodologia

Conclusão

Development and initial validation of the nursing practices, perceptions and barriers questionnaire for childhood obesity: a cross-sectional observational study.

Miguel-Atanes et al. (2026)

Avaliar práticas, percepções e barreiras enfrentadas por enfermeiros da Atenção Primária no manejo da obesidade infantil.

Estudo observacional transversal.

O instrumento apresentou evidências iniciais satisfatórias de validade e consistência interna, podendo contribuir para identificar práticas, percepções e barreiras dos enfermeiros, embora sejam necessárias novas etapas de validação.

A comparison of early childhood obesity prevention in Australian general practice and child and family health settings: a mixed methods study.

House et al. (2025)

Comparar conhecimentos e práticas dos profissionais e identificar barreiras à prevenção da obesidade infantil.

Estudo de métodos mistos.

Os profissionais da Atenção Primária necessitam de capacitação e mudanças organizacionais para incorporar de forma efetiva a prevenção da obesidade infantil à prática cotidiana.

Pediatric obesity management practices and needs: a survey of primary care providers.

Biggs et al. (2025)

Identificar práticas, recursos, barreiras e necessidades dos profissionais da Atenção Primária.

Estudo transversal.

A implementação das recomendações para o manejo da obesidade pediátrica requer maior disponibilidade de intervenções abrangentes e estratégias efetivas para o envolvimento das crianças e famílias.

Promoción de la salud y obesidad infantil en el cotidiano de los escolares y familias.

Nabarro et al. (2024)

Compreender as experiências familiares relacionadas à prevenção da obesidade e promoção da saúde.

Estudo qualitativo descritivo-exploratório.

É necessário implementar estratégias de prevenção da obesidade infantil com foco na promoção da saúde e na adoção de uma vida saudável.

Manejo do sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes por enfermeiras: estudo de métodos mistos.

Oliveira et al. (2022)

Analisar como enfermeiras da Estratégia Saúde da Família realizam o manejo do sobrepeso e obesidade.

Estudo de métodos mistos.

É necessária a capacitação dos enfermeiros para o manejo do sobrepeso e da obesidade na Atenção Primária, visando qualificar a assistência e prevenir comorbidades.

Barriers to health promotion with overweight or obese children, young people and their families.

Johns; Brimble (2022)

Identificar barreiras enfrentadas por enfermeiros pediátricos nas ações de promoção da saúde.

Revisão da literatura.

Educação, treinamento profissional e desenvolvimento de habilidades para abordar o excesso de peso de forma sensível são fundamentais para melhorar as ações de promoção da saúde.

Fonte: Elaborado pela autora (2026).

Já na categoria de barreiras e desafios, os estudos evidenciaram limitações relacionadas à organização dos serviços e às condições de trabalho, como falta de tempo, insuficiência de profissionais e recursos, necessidade de capacitação específica e dificuldade de incorporar ações preventivas de forma contínua à rotina assistencial (Miguel-Atanes et al., 2026; House et al., 2025; Biggs et al., 2025; Johns; Brimble, 2022).

Também foram identificadas dificuldades relacionadas à participação familiar, às condições econômicas e à manutenção de hábitos saudáveis, além de fragilidades na avaliação antropométrica, investigação de comorbidades, orientações e acompanhamento dos encaminhamentos. Esses achados reforçam a necessidade de fortalecer a capacitação dos enfermeiros e a organização do cuidado voltado à prevenção da obesidade infantil (Nabarro et al., 2024; Johns; Brimble, 2022; Biggs et al., 2025; Oliveira et al., 2022).

Dessa forma, os estudos reforçam a importância da atuação contínua do enfermeiro, associada à capacitação profissional, ao envolvimento familiar e à articulação com a escola e com outros profissionais de saúde, visando ampliar as possibilidades de prevenção e identificação precoce do excesso de peso na infância e adolescência (Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026; Francis et al., 2025; Oliveira et al., 2022; Johns; Brimble, 2022).

4 DISCUSSÃO

A obesidade infantil apresenta caráter multifatorial, o que exige intervenções que considerem não apenas o estado nutricional da criança, mas também aspectos comportamentais, familiares, sociais e ambientais. Os estudos analisados convergem ao reconhecer o enfermeiro como profissional estratégico para prevenção e identificação precoce do excesso de peso, embora as formas de atuação variem conforme o contexto assistencial, especialmente entre o ambiente escolar e a Atenção Primária à Saúde (APS) (Oliveira et al., 2022; Vasconcelos; Freiberg; Mello, 2024; Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026).

Os achados também demonstram que os efeitos das intervenções não foram uniformes. Enquanto algumas estratégias apresentaram melhora de comportamentos de saúde e de indicadores antropométricos, outras produziram mudanças principalmente nos hábitos alimentares, conhecimentos e níveis de atividade física, sem necessariamente resultar em redução significativa do peso ou do IMC. Dessa forma, a efetividade das ações deve ser analisada considerando tanto os desfechos comportamentais quanto os antropométricos e o tempo de acompanhamento das intervenções (Tsai et al., 2024; Johnson et al., 2024; Longobucco et al., 2023).

4.1 Estratégias e intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade infantil

As intervenções realizadas no ambiente escolar apresentaram resultados particularmente favoráveis em relação aos comportamentos de saúde. Ilgaz (2022) observou melhora no conhecimento, comportamento e estado de saúde dos estudantes após ações de rastreamento e intervenção de enfermagem, enquanto Longobucco et al. (2023) identificaram melhora em pelo menos um dos desfechos avaliados na maioria dos estudos envolvendo atividade física e redução do comportamento sedentário. Francis et al. (2025) também encontrou efeitos positivos em conhecimentos, atitudes e alguns indicadores antropométricos, reforçando a escola como espaço estratégico para intervenções educativas e comportamentais.

Apesar desses resultados, os efeitos sobre peso e IMC não foram consistentes entre todos os estudos. Tsai et al. (2024) identificaram redução significativa do IMC e do percentual de gordura corporal em uma intervenção familiar associada ao uso de tecnologias móveis. Em contrapartida, Johnson et al. (2024) verificaram que a maioria das intervenções familiares multicomponentes analisadas não produziu alterações significativas nos indicadores de peso, embora tenha promovido melhora nos comportamentos alimentares. Essa diferença sugere que benefícios comportamentais podem ocorrer antes de mudanças antropométricas e que intervenções de curto prazo não devem ser avaliadas exclusivamente pela redução do peso corporal (Tsai et al., 2024; Johnson et al., 2024).

As intervenções multicomponentes também apresentaram maior amplitude ao integrar alimentação, atividade física, sono, comportamento e participação familiar. Zepeda-Ríos et al. (2024) identificaram resultados promissores em intervenções realizadas nos primeiros anos de vida, enquanto Silva et al. (2023) demonstraram benefícios associados a estratégias comportamentais, nutricionais, educativas, familiares e tecnológicas. Entretanto, Silva et al. (2023) ressalta que os efeitos dessas intervenções podem necessitar de maior tempo para se tornarem evidentes, o que reforça a importância do acompanhamento longitudinal.

A participação da família mostrou-se especialmente relevante nas ações voltadas à mudança de hábitos. Verga et al. (2022) e Öztürk e Kolcu (2023) evidenciaram que comportamentos alimentares e de saúde das crianças estão associados às práticas familiares, enquanto Tsai et al. (2024) demonstraram melhores resultados quando pais e crianças participaram conjuntamente da intervenção. Esses achados indicam que a atuação do enfermeiro tende a ser mais efetiva quando inclui os responsáveis, em vez de direcionar as orientações exclusivamente à criança.

Também foram observadas diferenças importantes de acordo com o cenário de atuação. No ambiente escolar, as ações estiveram mais relacionadas à educação em saúde, rastreamento, avaliação antropométrica, alimentação saudável, atividade física e redução do sedentarismo, com forte participação do enfermeiro escolar na articulação com estudantes e famílias (Vasconcelos; Freiberg; Mello, 2024; Ilgaz, 2022; Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026). Na APS, por outro lado, destacou-se a identificação precoce do excesso de peso, avaliação clínica, orientação sobre estilo de vida, acompanhamento de possíveis comorbidades e encaminhamento para outros profissionais quando necessário (Davila et al., 2025; Oliveira et al., 2022).

O uso de recursos tecnológicos apareceu como estratégia complementar, mas seus benefícios também dependem do contexto em que são aplicados. Tsai et al. (2024) encontrou resultados positivos com uma intervenção apoiada por dispositivos móveis, enquanto Park et al. (2025) ressaltou que o uso de estratégias digitais exige considerar acesso à tecnologia, condições sociais das famílias e preparo das instituições. Portanto, recursos digitais podem ampliar o acompanhamento, mas não substituem a necessidade de adaptação das intervenções às características da população atendida (Tsai et al., 2024; Park et al., 2025).

4.2 Barreiras e desafios para a atuação do enfermeiro na prevenção da obesidade infantil

As barreiras identificadas nos estudos podem ser compreendidas em três dimensões principais: profissionais, institucionais e familiares ou socioeconômicas. Entre as barreiras relacionadas ao profissional, destacam-se necessidade de maior capacitação, insegurança para abordar o excesso de peso e dificuldades na condução de intervenções complexas. Miguel-Atanes et al. (2026) identificaram atitudes favoráveis entre os enfermeiros, mas também necessidades relacionadas ao manejo da obesidade infantil, enquanto Chaieb et al. (2025) demonstraram que programas de capacitação podem aumentar habilidades, confiança e motivação profissional.

As barreiras institucionais estão relacionadas principalmente à falta de tempo, número insuficiente de profissionais, recursos limitados e baixa disponibilidade de serviços especializados. House et al. (2025) demonstraram que essas condições dificultam a incorporação das ações preventivas à rotina da APS, enquanto Biggs et al. (2025) identificaram limitações na oferta de intervenções abrangentes e nos recursos disponíveis para encaminhamento. Assim, mesmo profissionais capacitados podem encontrar dificuldades para implementar ações contínuas quando o serviço não oferece estrutura adequada (House et al., 2025; Biggs et al., 2025).

No contexto brasileiro, Oliveira et al. (2022) identificaram fragilidades na avaliação antropométrica, investigação de comorbidades, orientações e acompanhamento dos encaminhamentos realizados por enfermeiros da Estratégia Saúde da Família. Esses achados diferem das barreiras exclusivamente estruturais por demonstrarem também limitações relacionadas à sistematização da própria prática assistencial, indicando a necessidade de protocolos mais claros e educação permanente para o acompanhamento de crianças e adolescentes com excesso de peso (Oliveira et al., 2022).

As barreiras familiares e socioeconômicas, por sua vez, ultrapassam a capacidade de intervenção direta do profissional. Nabarro et al. (2024) demonstraram que o custo dos alimentos saudáveis, o sedentarismo e a preferência por alimentos menos saudáveis dificultam mudanças de comportamento mesmo quando as famílias possuem conhecimento sobre práticas adequadas. Johns e Brimble (2022) também identificaram dificuldades relacionadas à resposta dos responsáveis e à normalização social do excesso de peso, mostrando que informação e orientação, isoladamente, podem ser insuficientes para modificar comportamentos estabelecidos.

Ao comparar essas diferentes barreiras, observa-se que algumas podem ser enfrentadas por meio de capacitação e aperfeiçoamento da prática profissional, enquanto outras dependem de mudanças na organização dos serviços e de ações mais amplas sobre as condições sociais das famílias. Portanto, responsabilizar exclusivamente o enfermeiro pela efetividade das intervenções seria inadequado, uma vez que os resultados também dependem da estrutura institucional, da disponibilidade de recursos, da participação familiar e das condições socioeconômicas da população atendida (Johns; Brimble, 2022; House et al., 2025; Nabarro et al., 2024).

De modo geral, a comparação entre os estudos evidencia que as intervenções de enfermagem apresentaram resultados mais consistentes na melhoria de conhecimentos, comportamentos alimentares, prática de atividade física e participação familiar do que propriamente na redução uniforme do peso ou do IMC. Assim, o ambiente escolar favorece ações educativas e de promoção da saúde, enquanto a APS assume papel relevante na identificação precoce, avaliação, acompanhamento e coordenação do cuidado. A integração entre esses contextos, associada ao envolvimento familiar e à atuação multiprofissional, apresenta-se como caminho importante para ampliar a efetividade das estratégias de prevenção da obesidade infantil (Francis et al., 2025; Davila et al., 2025; Lotito; Maffeo; Fiorini, 2026).

5 CONCLUSÃO

A presente revisão permitiu compreender que o enfermeiro desempenha papel importante na prevenção da obesidade infantil, atuando na identificação precoce dos fatores de risco, no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e na promoção de hábitos de vida saudáveis. As estratégias identificadas envolveram principalmente educação em saúde, orientação alimentar, avaliação antropométrica, incentivo à atividade física, participação familiar e ações desenvolvidas no ambiente escolar e na APS.

Também foram evidenciadas barreiras relacionadas à falta de tempo, recursos, capacitação profissional, organização dos serviços e adesão familiar, o que pode limitar a continuidade das ações preventivas. Dessa forma, torna-se necessário fortalecer a qualificação dos enfermeiros, ampliar a integração entre saúde, escola e família e garantir melhores condições para o desenvolvimento de intervenções contínuas e multiprofissionais, contribuindo para a prevenção do excesso de peso e de possíveis complicações ao longo da infância e adolescência.

Como limitação, destaca-se a heterogeneidade dos delineamentos dos estudos incluídos, além da delimitação das bases de dados e do período pesquisado, o que pode restringir a abrangência dos achados.

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  1. Discente do curso de bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado. E-mail: thaís.f.afonso@alunos.unicerrado.edu.br. ↑

  2. Docente e Coordenadora de prática e estágios do curso de bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado. E-mail: katiarodrigues@unicerrado.edu.br. ↑

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