RESUMO
As lesões por pressão (LPP) representam um dos principais desafios para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência em ambiente hospitalar, estando diretamente associadas ao aumento do tempo de internação, aos custos assistenciais e à morbimortalidade. O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais cuidados de enfermagem e as estratégias baseadas em evidências científicas voltadas para a prevenção de lesões por pressão em pacientes hospitalizados. A metodologia consistiu em um levantamento bibliográfico de artigos indexados nas bases de dados SciELO e PubMed/PMC, considerando estudos voltados para a avaliação de risco, aplicação de protocolos institucionais, uso de tecnologias assistenciais e capacitação profissional. Os resultados demonstram que a prevenção eficaz exige uma atuação sistemática do enfermeiro, destacando-se o uso precoce de instrumentos validados de triagem, como a Escala de Braden, a adesão rigorosa a rotinas de mudança de decúbito, o emprego adequado de superfícies de suporte e o investimento contínuo em programas de educação permanente. Conclui-se que a assistência de enfermagem pautada em evidências científicas é o eixo central para a mitigação desse evento adverso, promovendo a segurança, a integridade tissular e a excelência no cuidado ao paciente crítico e hospitalizado.
Palavras-chave: Cuidados de Enfermagem. Prevenção de Lesão por Pressão. Segurança do Paciente. Pacientes Hospitalizados.
ABSTRACT
Pressure injuries (PI) represent one of the major challenges to patient safety and the quality of care in hospital environments, being directly associated with increased hospital length of stay, healthcare costs, and morbidity and mortality. This study aimed to analyze, through an integrative literature review, the main nursing care practices and evidence-based strategies focused on the prevention of pressure injuries in hospitalized patients. The methodology consisted of a bibliographic survey of articles indexed in the SciELO and PubMed/PMC databases, considering studies focused on risk assessment, implementation of institutional protocols, use of assistive technologies, and professional training. The results demonstrate that effective prevention requires systematic nursing action, highlighting the early use of validated screening instruments, such as the Braden Scale, rigorous adherence to repositioning routines, the appropriate use of support surfaces, and continuous investment in permanent education programs. It is concluded that evidence-based nursing care is the central axis for mitigating this adverse event, promoting patient safety, tissue integrity, and excellence in the care of critical and hospitalized patients.
Keywords: Nursing Care. Pressure Injury Prevention. Patient Safety. Hospitalized Patients.
INTRODUÇÃO
As lesões por pressão (LPP) configuram-se como um dos eventos adversos mais frequentes na assistência à saúde, caracterizando-se por danos localizados na pele e/ou nos tecidos subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea, decorrentes de pressão isolada ou associada ao cisalhamento. No contexto hospitalar, especialmente em unidades de internação clínica e de terapia intensiva, a ocorrência de LPP representa um grave indicador de qualidade assistencial, estando diretamente associada ao prolongamento do tempo de permanência no leito, à elevação dos custos com tratamentos complexos (OLIVEIRA et al., 2022), ao sofrimento físico e psicológico do paciente, bem como ao incremento das taxas de morbimortalidade (BLANES et al., 2004; BAHAA et al., 2024).
Historicamente, o manejo das lesões por pressão era focado majoritariamente em condutas curativas e terapêuticas após o surgimento do tecido comprometido. Contudo, o avanço da Enfermagem Baseada em Evidências (EBE) consolidou o entendimento de que a imensa maioria das LPPs é passível de prevenção (BORGES et al., 2023; LI et al., 2023). Diante disso, o papel do enfermeiro assume centralidade e liderança, exigindo não apenas a execução mecânica de procedimentos, mas um raciocínio clínico apurado e fundamentado (SILVA et al., 2018; MOURA et al., 2020). A assistência preventiva abrange desde a avaliação minuciosa do risco na admissão do paciente até o monitoramento contínuo da integridade tissular, exigindo uma abordagem multifacetada e articulada com toda a equipe multiprofissional (GONÇALVES et al., 2017; GIZAW et al., 2025).
A literatura científica aponta que o sucesso das medidas preventivas está ligado à sistematização do cuidado. Entre as ferramentas mais consolidadas e amplamente investigadas destaca-se a Escala de Braden, instrumento preditivo fundamental para mensurar o grau de vulnerabilidade do paciente (LOPES et al., 2020). Ademais, a implementação de protocolos assistenciais estruturados (GARCIA et al., 2017), o uso correto de superfícies de suporte redutoras de pressão (SILVA et al., 2021), a identificação de fatores de risco em pacientes críticos (SANTOS. dos et al., 2019; PAIVA et al., 2022) e geriátricos (SANTOS. et al., 2020; BARBOSA et al., 2025) compõem o núcleo das boas práticas de enfermagem. Outrossim, fatores gerenciais e educacionais exercem forte influência direta sobre a incidência desses eventos. Estudos demonstram que a capacitação contínua da equipe por meio de programas de educação permanente (GALVÃO et al., 2019) e o aprimoramento do nível de conhecimento teórico-prático dos profissionais (CHOBE et al., 2019; TESFAYE et al., 2022) refletem-se diretamente na redução das taxas de lesão. A articulação entre o gerenciamento de recursos tecnológicos, o controle de custos efetivos e a utilização de classificações padronizadas de enfermagem, como a mensuração de resultados pela Nursing Outcomes Classification (NOC) (FERREIRA et al., 2019), fortalece ainda mais a autonomia profissional e a segurança assistencial.
Nesse panorama, a relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de sintetizar o conhecimento científico atual acerca das melhores condutas preventivas, fornecendo subsídios teóricos para a prática clínica diária e para a redução de lacunas na assistência hospitalar. Assim, o objetivo geral deste estudo é analisar, por meio da literatura científica recente, os principais cuidados de enfermagem e as estratégias baseadas em evidências voltadas para a prevenção de lesões por pressão em pacientes hospitalizados.
Como objetivos específicos, busca-se: identificar a importância da avaliação precoce e sistemática de risco utilizando instrumentos validados, como a Escala de Braden; verificar o impacto da implementação de protocolos institucionais e de programas de educação permanente na rotina da equipe de enfermagem; e mapear o papel das tecnologias preventivas, das superfícies de suporte e das classificações padronizadas de enfermagem na preservação da integridade tissular do paciente.
METODOLOGIA
Para o levantamento e análise da literatura acerca dos cuidados de enfermagem na prevenção de lesões por pressão em pacientes hospitalizados, optou-se pela realização de uma revisão integrativa da literatura (ou revisão sistemática, conforme a aplicabilidade do seu estudo), método que permite a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis sobre o tema investigado.
A coleta de dados foi realizada por meio de buscas eletrônicas nas bases de dados indexadas na Scientific Electronic Library Online (SciELO) e no repositório biomédico PubMed/PubMed Central (PMC). A seleção buscou contemplar estudos de acesso integral e gratuito que abordassem diretamente as práticas assistenciais, protocolos preventivos, fatores de risco e o papel da equipe de enfermagem. Para assegurar a pertinência dos achados, foram empregados descritores combinados e operadores boleanos relacionados aos cuidados de enfermagem, prevenção e lesões por pressão em ambiente hospitalar.
Foram estabelecidos os seguintes critérios para a inclusão dos artigos na amostra final:
Critérios de Inclusão: Artigos originais e de revisão disponíveis na íntegra nas bases de dados supracitadas; publicados em português ou inglês; com foco direto nas intervenções de enfermagem, avaliação de risco (como o uso da Escala de Braden) e estratégias de prevenção de lesões por pressão voltadas para pacientes hospitalizados.
Critérios de Exclusão: Estudos duplicados, publicações que focavam exclusivamente no tratamento de lesões já instaladas sem abordar a prevenção, teses, dissertações e editoriais que não passaram por revisão por pares.
Após a aplicação das estratégias de busca e filtragem por relevância e escopo, obteve-se um corpus analítico composto por 20 artigos científicos publicados em periódicos especializados da área da saúde e enfermagem. Os estudos selecionados foram organizados e referenciados conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), garantindo a rastreabilidade e a transparência metodológica do processo de revisão.
Para demonstrar o processo de rastreio, filtragem e seleção dos estudos que compõem o corpus analítico desta revisão, utilizou-se a estrutura recomendada pelas diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). O percurso metodológico de identificação e elegibilidade dos artigos nas bases de dados SciELO e PubMed/PMC está detalhado na Figura 1.
Figura 1 — Fluxograma de seleção dos estudos adaptado do modelo PRISMA. Manaus, 2026.
Fonte: Autores (2026)
RESULTADOS
Para sintetizar o panorama das evidências científicas levantadas nesta revisão, o Quadro a seguir demonstra o mapeamento dos 20 artigos selecionados nas bases de dados SciELO e PubMed/PMC. A apresentação contempla os autores, o ano de publicação, o título original da obra, o periódico de veiculação (destacado em negrito conforme as normas vigentes), o foco principal da intervenção ou estudo de enfermagem, bem como a base de indexação correspondente.
Tabela 1 —Artigos selecionados sobre os cuidados de enfermagem na prevenção de lesões por pressão em pacientes hospitalizados
Item | Autores / Ano | Título do Artigo | Periódico | Foco Principal / Intervenção de Enfermagem | Base de Dados |
|---|---|---|---|---|---|
1 | SILVA et al. (2018) | Prevenção de lesão por pressão: ações prescritas por enfermeiros de centros de terapia intensiva | Texto & Contexto - Enfermagem | Análise das prescrições de enfermagem voltadas à prevenção de LPP em UTIs. | SciELO |
2 | LOPES et al. (2020) | A Escala de Braden na avaliação do risco para lesão por pressão | Revista Brasileira de Enfermagem | Avaliação da eficácia e aplicabilidade da Escala de Braden na prática clínica. | SciELO |
3 | BORGES et al. (2023) | Medidas de prevenção de lesão por pressão: overview de revisões sistemáticas | Revista da Escola de Enfermagem da USP | Síntese de evidências científicas sobre as principais medidas preventivas. | SciELO |
4 | GARCIA et al. (2017) | Ações de enfermagem antes e após um protocolo de prevenção de lesões por pressão em terapia intensiva | Escola Anna Nery | Impacto da implementação de protocolos assistenciais estruturados. | SciELO |
5 | GONÇALVES et al. (2017) | Prevenção, tratamento e gerenciamento de risco da lesão por pressão | Revista Brasileira de Enfermagem | Diretrizes para gerenciamento de risco e condutas preventivas na enfermagem. | SciELO |
6 | SANTOS et al. (2019) | Incidência e fatores de risco de lesão por pressão em pacientes críticos | Revista Brasileira de Enfermagem | Identificação de fatores de risco associados ao desenvolvimento de LPP em pacientes graves. | SciELO |
7 | BLANES et al. (2004) | Úlcera por pressão em pacientes críticos: incidência e fatores associados | Revista Brasileira de Enfermagem | Análise epidemiológica e fatores predisponentes em unidades de internação crítica. | SciELO |
8 | GALVÃO et al. (2019) | Educação permanente para boas práticas na prevenção de lesão por pressão | Revista Brasileira de Enfermagem | Importância da capacitação contínua da equipe de enfermagem. | SciELO |
9 | SILVA et al. (2021) | Recursos para prevenção de lesões por pressão: estudo em unidades de internação | Acta Paulista de Enfermagem | Disponibilidade e uso de superfícies de suporte e barreiras de proteção. | SciELO |
|---|---|---|---|---|---|
10 | PAIVA et al. (2022) | Desenvolvimento de lesão por pressão e complexidade assistencial em pacientes hospitalizados | Acta Paulista de Enfermagem | Relação entre o grau de dependência do paciente (Patient Score) e o risco de LPP. | SciELO |
11 | MOURA et al. (2020) | Promoção da saúde e prevenção da lesão por pressão na perspectiva da enfermagem | Texto & Contexto - Enfermagem | Abordagem humanizada e educativa do cuidado preventivo de enfermagem. | SciELO |
12 | OLIVEIRA et al. (2022) | Custos e efetividade de tecnologias na prevenção de lesões por pressão | Texto & Contexto - Enfermagem | Custo-efetividade de tecnologias e insumos preventivos utilizados por enfermeiros. | SciELO |
13 | BARBOSA et al. (2025) | Diagnóstico de enfermagem em pessoa idosa com risco para lesão por pressão | Revista da Escola de Enfermagem da USP | Mapeamento de diagnósticos NANDA-I direcionados à população idosa hospitalizada. | SciELO |
14 | SANTOS et al. (2020) | Incidência e fatores de riscos associados à queda e lesão por pressão em idosos hospitalizados | Escola Anna Nery | Correlação de riscos geriátricos integrados (quedas e LPP). | SciELO |
15 | FERREIRA et al. (2019) | Indicadores da Nursing Outcomes Classification para avaliação de pacientes com lesão por pressão | Escola Anna Nery | Uso de resultados de enfermagem (NOC) para monitoramento da integridade tissular. | SciELO |
16 | TESFAYE et al. (2022) | Pressure injury prevention practice and associated factors among nurses | PubMed Central | Avaliação das práticas preventivas adotadas por enfermeiros em ambiente hospitalar. | PubMed / PMC |
17 | LI et al. (2023) | Summary of best evidence for prevention and control of pressure injury in clinical practice | PubMed Central | Compilação de melhores evidências clínicas para controle e prevenção de LPP. | PubMed / PMC |
18 | GIZAW et al. (2025) | Impact of multifaceted interventions on pressure injury prevention: a systematic review | PubMed Central | Efeito de intervenções multifacetadas na redução de taxas de incidência de LPP. | PubMed / PMC |
19 | BAHAA et al. (2024) | Point prevalence and risk factors for pressure ulcers in hospitalized patients | PubMed Central | Estudo de prevalência pontual e rastreio de fatores de risco em leitos hospitalares. | PubMed / PMC |
20 | CHOBE et al. (2019) | Nurses' knowledge to pressure ulcer prevention in public hospitals | PubMed Central | Avaliação do nível de conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre prevenção. | PubMed / PMC |
Fonte: Autores (2026)
A análise do corpus bibliográfico composto pelos 20 estudos selecionados permite observar um panorama abrangente e multifacetado acerca dos cuidados de enfermagem direcionados à prevenção de lesões por pressão (LPP) em pacientes hospitalizados. Os dados extraídos demonstram que a assistência de enfermagem preventiva não se resume a uma conduta isolada, mas exige um processo sistemático que engloba desde a avaliação rigorosa de risco até a implementação de protocolos institucionais e programas de educação permanente.
Dentre os achados recorrentes na literatura nacional (indexada na SciELO) e internacional (indexada no PubMed/PMC), destaca-se o protagonismo do uso sistemático de instrumentos validados de triagem de risco, com forte ênfase na aplicação da Escala de Braden para identificar pacientes vulneráveis em unidades de internação clínica e de terapia intensiva. Ademais, os estudos apontam que intervenções baseadas em mudanças frequentes de decúbito, uso adequado de superfícies de suporte redutoras de pressão, manutenção da integridade cutânea e o envolvimento ativo da equipe de enfermagem são cruciais para a redução significativa das taxas de incidência de LPP.
Outro ponto de convergência evidenciado pelos artigos é a necessidade de capacitação contínua dos profissionais e o gerenciamento rigoroso de custos e efetividade de tecnologias preventivas. Os resultados reforçam que a atuação do enfermeiro, pautada em evidências científicas e no uso de diagnósticos e classificações padronizadas de enfermagem (como NANDA-I e NOC), impacta diretamente na segurança do paciente, diminuindo o tempo de internação, os custos hospitalares e elevando a qualidade da assistência prestada.
DISCUSSÃO
A análise crítica da literatura científica acerca dos cuidados de enfermagem na prevenção de lesões por pressão (LPP) em pacientes hospitalizados demonstra que a assistência pautada em evidências é o pilar central para a segurança do paciente e a qualidade dos serviços de saúde. Os estudos compilados evidenciam que a prevenção exige uma abordagem multifacetada, englobando a avaliação de risco, a aplicação de protocolos, a educação continuada e o uso de tecnologias assistenciais.
O primeiro eixo de destaque na literatura refere-se à identificação precoce de pacientes vulneráveis. Lopes et al. (2020) ressaltam a eficácia e a ampla aplicabilidade da Escala de Braden na prática clínica diária. No mesmo sentido, Borges et al. (2023), por meio de um overview de revisões sistemáticas, consolidam que o rastreio sistemático de risco é indispensável. Complementando essa premissa, Paiva et al. (2022) demonstram que o desenvolvimento de LPP está diretamente atrelado à complexidade assistencial e ao grau de dependência do paciente internado. A investigação de Barbosa et al. (2025) reforça a importância do mapeamento precoce de diagnósticos de enfermagem voltados à população idosa, enquanto Santos, I. R. et al. (2020) correlacionam os riscos geriátricos integrados, como a associação entre quedas e o surgimento de lesões cutâneas em idosos hospitalizados.
Em ambientes de alta complexidade, como unidades de terapia intensiva (UTIs), o desafio preventivo torna-se ainda mais evidente. Silva et al. (2018) analisam as ações e prescrições específicas realizadas por enfermeiros nesses centros. Corroborando com a necessidade de padronização, Garcia et al. (2017) evidenciam o impacto positivo e a redução estatística nas taxas de LPP após a implementação de protocolos institucionais estruturados. A dimensão epidemiológica e os fatores predisponentes em pacientes graves são amplamente abordados por Santos, C. T. dos et al. (2019) e Blanes et al. (2004), que identificam os principais preditores clínicos de risco na internação prolongada.
Ampliando o escopo para o panorama internacional, Bahaa et al. (2024) avaliam a prevalência pontual de úlceras por pressão em leitos hospitalares, reforçando que os índices permanecem como um desafio global que demanda vigilância constante.
Outro aspecto crucial apontado pelos autores é a capacitação dos profissionais. Galvão et al. (2019) e Chobe et al. (2019) destacam que programas de educação permanente e o nível de conhecimento teórico-prático da equipe de enfermagem influenciam diretamente na eficácia das medidas preventivas adotadas. No que tange aos recursos materiais, Silva, A. C. da et al. (2021) investigam a disponibilidade e a utilização correta de superfícies de suporte e barreiras de proteção nas unidades de internação. Essa linha de cuidado tecnológica e gerencial é aprofundada por Oliveira et al. (2022), que discute a relação de custo-efetividade das tecnologias preventivas aplicadas pelos enfermeiros. Sob a perspectiva de evidências globais, Li et al. (2023) sintetizam as melhores práticas clínicas internacionais para o controle de LPP, enquanto Gizaw et al. (2025) demonstram, por meio de uma revisão sistemática recente, que intervenções multifacetadas reduzem drasticamente as taxas de incidência de lesões.
Por fim, o gerenciamento geral do risco e o tratamento preventivo são debatidos por Gonçalves et al.
(2017). A vertente humanizada e educativa do cuidado de enfermagem é enfatizada por Moura et al.
(2020). Para mensurar a evolução clínica, Ferreira et al. (2019) apontam a utilidade dos indicadores da Nursing Outcomes Classification (NOC) na avaliação da integridade tissular. No âmbito internacional, estudos como o de Tesfaye et al. (2022) avaliam as práticas preventivas cotidianas dos enfermeiros, consolidando o panorama de que a autonomia profissional e a liderança na assistência são determinantes para mitigar esse evento adverso evitável.
Portanto, infere-se que a prevenção de lesões por pressão transcende a simples mudança de decúbito, exigindo do enfermeiro competência gerencial, embasamento científico rigoroso e adesão coletiva aos protocolos institucionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento deste estudo possibilitou evidenciar que a prevenção de lesões por pressão (LPP) em pacientes hospitalizados constitui um dos pilares fundamentais para a segurança do paciente e a excelência na assistência de enfermagem. A análise da literatura demonstrou que a ocorrência de LPP não deve ser tratada como um evento inevitável, mas sim como um indicador sensível à qualidade do cuidado prestado pela equipe de saúde, com destaque para a atuação autônoma e liderada pelo enfermeiro.
Constatou-se que as estratégias preventivas mais eficazes exigem uma abordagem multifacetada e sistemática. Isso inclui a avaliação precoce e rigorosa do risco por meio de instrumentos validados, como a Escala de Braden, a implantação e adesão estrita a protocolos institucionais padronizados, a utilização adequada de tecnologias e superfícies de suporte, além de manutenções frequentes da integridade cutânea e mudanças de decúbito.
Ademais, os estudos analisados reforçam a imprescindibilidade da educação permanente. O aprimoramento contínuo do conhecimento teórico-prático dos profissionais de enfermagem impacta diretamente na redução das taxas de incidência de lesões, otimizando os custos hospitalares e minorando o sofrimento do paciente e de seus familiares.
Por fim, conclui-se que o sucesso na prevenção de lesões por pressão transcende a execução mecânica de procedimentos. Ele demanda uma prática clínica fundamentada em evidências científicas, raciocínio clínico apurado e uma cultura institucional voltada à segurança. Sugere-se que novos estudos continuem a investigar o impacto de tecnologias inovadoras e o custo-efetividade de protocolos assistenciais na rotina hospitalar brasileira.
REFERÊNCIA
SILVA, J. M. et al. Prevenção de lesão por pressão: ações prescritas por enfermeiros de centros de terapia intensiva. Texto & Contexto - Enfermagem, Florianópolis, v. 27, n. 4, e4180017, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/Z9CwyVqcD8MJqtqhy8gYjMG/. Acesso em: 14 set. 2026.
LOPES, C. M. et al. A Escala de Braden na avaliação do risco para lesão por pressão. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 73, n. 6, e20190399, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/Cn4CDBzVQMbXf64ZZLB6xJC/. Acesso em: 14 set. 2026.
BORGES, E. L. et al. Medidas de prevenção de lesão por pressão: overview de revisões sistemáticas.
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GARCIA, R. T. et al. Ações de enfermagem antes e após um protocolo de prevenção de lesões por pressão em terapia intensiva. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, e20170020, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/f66m674NhqxSCMhrFwy6DDR/. Acesso em: 14 set. 2026.
GONÇALVES, F. A. et al. Prevenção, tratamento e gerenciamento de risco da lesão por pressão. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 70, n. 6, p. 1306-1313, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/nTWn65rm7y3YyFwV9dXpd8x/. Acesso em: 14 set. 2026.
SANTOS, C. T. dos et al. Incidência e fatores de risco de lesão por pressão em pacientes críticos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, n. 2, p. 484-490, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/PHLnvJDVdzbF88rzGXVCMgr/. Acesso em: 14 set. 2026.
BLANES, L. et al. Úlcera por pressão em pacientes críticos: incidência e fatores associados. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 57, n. 4, p. 420-424, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/9fxyf6GssK6fpN643Fh8H7J/. Acesso em: 14 set. 2026.
GALVÃO, N. M. et al. Educação permanente para boas práticas na prevenção de lesões por pressão.
Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, n. 5, p. 1297-1304, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/k8TLfjT3htdFfVc9NG3T3jq/. Acesso em: 14 set. 2026.
SILVA, A. C. da et al. Recursos para prevenção de lesões por pressão: estudo em unidades de internação.
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PAIVA, E. D. et al. Desenvolvimento de lesão por pressão e complexidade assistencial em pacientes hospitalizados. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 35, eAPE02352, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/tyB8Xzpc3gdMX7TyL5NXy4w/. Acesso em: 14 set. 2026.
MOURA, M. L. et al. Promoção da saúde e prevenção da lesão por pressão na perspectiva da enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem, Florianópolis, v. 29, e20180432, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/6zsFqCkRtG75SMQhrcJxdSw/. Acesso em: 14 set. 2026.
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BAHAA, M. et al. Point prevalence and risk factors for pressure ulcers in hospitalized patients. PubMed Central, PMC11460998, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11460998/. Acesso em: 14 set. 2026.
CHOBE, S. et al. Nurses' knowledge to pressure ulcer prevention in public hospitals. PubMed Central, PMC6528293, 2019. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6528293/. Acesso em: 14 set. 2026.

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