RESUMO
A promoção da saúde bucal, especialmente diante da alta prevalência das neoplasias malignas da cavidade oral e da importância de sua detecção precoce, é compreendida como uma das prioridades na formação profissional e atendimento comunitário; nesse contexto, a pesquisa busca compreender as estratégias de detecção precoce, identificando métodos de triagem, ações educativas, perfil dos pacientes, protocolos de encaminhamento. Para isso, adotou-se como metodologia da pesquisa uma revisão de literatura realizada através de uma extensa busca textual, a partir do levantamento de artigos científicos nas bases de dados: Scielo, Literatura Cinzenta e PubMed. Como resultados, obteve-se um panorama acerca dos principais fatores de risco e formas de prevenção das neoplasias malignas que acometem a cavidade bucal, evidenciando pontos fortes e fragilidades que contribuem para o aprimoramento da qualidade assistencial e do impacto comunitário dessas estratégias.
Palavras-chave: Neoplasias malignas. Prevenção. Odontologia.
ABSTRACT:
Oral health promotion, especially given the high prevalence of malignant oral cavity neoplasms and the importance of their early detection, is understood as a priority in professional training and community care. In this context, the study aims to understand early detection strategies by identifying screening methods, educational initiatives, patient profiles, and referral protocols. To achieve this, the research methodology employed a literature review conducted through an extensive text search, gathering scientific articles from the SciELO, Grey Literature, and PubMed databases. The results provided an overview of the main risk factors and prevention methods for malignant neoplasms affecting the oral cavity, highlighting strengths and weaknesses that contribute to improving care quality and the community impact of these strategies.
Keywords: Malignant neoplasms. Prevention. Dentistry.
INTRODUÇÃO
A promoção da saúde bucal é uma prioridade central na atenção integral à saúde, sobretudo devido à elevada prevalência e gravidade do câncer bucal, uma neoplasia de alta morbidade e mortalidade. Sua detecção precoce é fundamental para melhorar o prognóstico, reduzir o impacto social e diminuir os custos associados ao tratamento tardio (BRASIL, 2014; LIMA et al., 2016). Nesse contexto, estratégias de triagem, diagnóstico precoce e prevenção assumem papel crucial, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que desempenham uma função dupla concomitantemente, isto é, de formação de profissionais qualificados e de prestação de serviços à comunidade (PAIM, 2009; DIAS, 2016).
O câncer bucal, compreendendo neoplasias malignas que afetam principalmente os lábios e a língua, mas também a cavidade oral de modo geral, figura entre as neoplasias mais comuns globalmente e representa uma das principais causas de mortalidade por câncer em países em desenvolvimento (LIMA et al., 2016; CAMPOS et al., 2020). Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores de risco como tabagismo, consumo excessivo de álcool, má higiene bucal, fatores socioeconômicos e ambientais (BRASIL, 2014; ALMEIDA et al., 2020).
A detecção precoce do câncer bucal fundamenta-se em ações sistemáticas de triagem, exame clínico detalhado e acompanhamento regular de populações de risco, apoiadas por evidências científicas que demonstram a redução significativa na mortalidade quando o diagnóstico ocorre em fases iniciais (BRASIL, 2014; SOUZA et al., 2017). Assim, a capacitação contínua dos profissionais de saúde, especialmente aqueles atuantes na Atenção Básica (AB), é essencial para identificação de sinais e sintomas suspeitos, orientação dos pacientes quanto à importância de exames periódicos e estímulo à conscientização sobre fatores de risco. Programas educativos, campanhas de sensibilização e ações de promoção do autocuidado potencializam a eficácia dessas estratégias, ampliando o alcance da intervenção precoce (GONÇALVES et al., 2019; MARTINS et al., 2020).
No âmbito acadêmico, a aproximação com os serviços da AB ou dos Centros Especializados de Odontologia (CEO) do SUS, representam espaços privilegiados para a implementação de ações integradas de detecção precoce e prevenção. Nessas unidades, estudantes de odontologia, sob supervisão de docentes qualificados, realizam atendimentos comunitários, promovendo educação em saúde, conduzindo exames clínicos minuciosos, identificando lesões suspeitas e encaminhando os casos para investigação na atenção especializada. Essa prática não só aprimora a formação técnica dos futuros profissionais, mas também amplia o acesso à atenção odontológica, especialmente em regiões de baixa oferta de serviços especializados, contribuindo para a redução das desigualdades em saúde (BRASIL, 2012; SILVA; FERREIRA, 2016; SANTOS et al., 2021).
Para que tais estratégias sejam efetivas, é imprescindível que estejam embasadas em uma abordagem multidisciplinar, envolvendo ações educativas, acompanhamento psicológico, articulação com outros níveis de atenção à saúde e ações comunitária, na medida em que essas estratégias potencializam a precisão e a eficiência das intervenções, ampliando o alcance das ações preventivas, tendo em vista o cuidado integral, que propõe uma assistência holística, centrada na pessoa, voltada à promoção da qualidade de vida e na redução dos fatores de risco (PAIM, 2009; OLIVEIRA; RIBEIRO, 2020).
Assim, investir na promoção, prevenção e detecção precoce do câncer bucal, especialmente por meio de ações nas Redes de Atenção à Saúde (RAS) representa uma estratégia de grande impacto social. Essa iniciativa fortalece o princípio do SUS de promover a equidade, amplia o acesso às redes de atenção e contribui para a construção de uma sociedade mais justa, saudável e consciente de seus direitos (BRASIL, 2012; FREITAS; CAMPOS, 2019; COSTA et al., 2020). Desse modo, a prevenção do câncer bucal transcende o âmbito técnico, configurando-se como uma responsabilidade social que visa à dignidade, à saúde e à cidadania de toda a população.
MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa foi, essencialmente, fundamentada em uma sistemática revisão bibliográfica. Para a realização desta pesquisa bibliográfica foi feita uma extensa busca textual, a partir do levantamento de artigos científicos nas bases de dados: Scielo, Literatura Cinzenta e PubMed, utilizando palavras-chaves, seguindo os Descritores de Saúde (Desc): Prevenção do câncer bucal; Detecção precoce de câncer de boca e odontologia; Estratégias e tratamentos de câncer de boca. Foram considerados livros, teses e dissertações devidamente indexados, em bibliotecas de universidades reconhecidas, bem como artigos integrais redigidos em língua portuguesa e inglesa, dentre eles: revisões de literatura, ensaios clínicos randomizados, casos clínicos e séries de casos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES:
A abordagem do câncer bucal exige compreensão ampla que abrange desde os mecanismos de desenvolvimento da doença até estratégias de diagnóstico, manejo clínico e atuação interdisciplinar. Trata-se de uma condição de grande relevância em saúde pública, sobretudo em países como o Brasil, onde sua incidência permanece significativa e frequentemente associada a diagnósticos tardios (LIMA et al., 2016; CAMPOS et al., 2020; ALMEIDA et al., 2020). .
O câncer bucal corresponde, majoritariamente, ao carcinoma espinocelular (CEC), responsável por cerca de 90% dos casos. Outras neoplasias malignas menos frequentes incluem os adenocarcinomas de glândulas salivares, linfomas e melanomas orais. O carcinoma espinocelular desenvolve-se a partir do epitélio de revestimento da cavidade oral, sendo mais comum em regiões como língua, assoalho bucal e lábio inferior (BRASIL, 2014; LIMA et al., 2016).
Do ponto de vista epidemiológico, a doença apresenta maior prevalência em indivíduos do sexo masculino, com idade superior a 40 anos, embora haja aumento progressivo em faixas etárias mais jovens, especialmente associado a infecções pelo papilomavírus humano (HPV) (BRASIL, 2014; LIMA et al., 2016; ALMEIDA et al., 2020). Entre os principais fatores de risco destacam-se o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a exposição solar (no caso de câncer de lábio), infecções virais, má higiene bucal, traumas crônicos e dieta pobre em nutrientes antioxidantes. A associação entre tabaco e álcool potencializa significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
O diagnóstico precoce constitui um dos principais determinantes do prognóstico. Ele se baseia, inicialmente, em exame clínico criterioso da cavidade oral, com inspeção e palpação das estruturas. Lesões suspeitas incluem úlceras que não cicatrizam em mais de 15 dias, manchas brancas (leucoplasias), manchas vermelhas (eritroplasias), áreas endurecidas ou massas exofíticas. A confirmação diagnóstica é realizada por meio de biópsia e análise histopatológica, considerada padrão-ouro (BRASIL, 2014; SOUZA et al., 2017).
Lesões potencialmente malignas merecem atenção especial, pois podem evoluir para câncer. Entre elas, destacam-se a leucoplasia, eritroplasia, líquen plano oral (em alguns casos), queilite actínica e fibrose submucosa oral. O acompanhamento sistemático dessas condições é fundamental, incluindo controle dos fatores de risco e, quando indicado, intervenção cirúrgica (BRASIL, 2014; MARTINS et al., 2020).
O tratamento do câncer bucal depende do estadiamento da doença, envolvendo diferentes modalidades terapêuticas. Em estágios iniciais, a cirurgia é frequentemente suficiente, podendo incluir excisão da lesão com margens de segurança. Em casos mais avançados, associa-se radioterapia e/ou quimioterapia. A reabilitação funcional e estética do paciente, incluindo próteses e acompanhamento fonoaudiológico, também integra o plano terapêutico (BRASIL, 2014; OLIVEIRA; RIBEIRO, 2020) .
O manejo do paciente com câncer bucal deve ser multidisciplinar.
Cirurgiões-dentistas, especialmente estomatologistas e cirurgiões bucomaxilofaciais, atuam no diagnóstico e tratamento cirúrgico. Oncologistas clínicos e radioterapeutas conduzem terapias complementares. Fonoaudiólogos auxiliam na reabilitação da fala e deglutição, enquanto nutricionistas contribuem para manutenção do estado nutricional. Psicólogos oferecem suporte emocional, essencial diante do impacto psicossocial da doença. Enfermeiros e profissionais da atenção básica desempenham papel central no acompanhamento contínuo e na educação em saúde (PAIM, 2009; OLIVEIRA; RIBEIRO, 2020).
Nesse contexto, as clínicas-escola assumem papel estratégico ao integrar ensino, serviço e comunidade. Elas possibilitam a formação prática dos estudantes, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso da população a serviços de triagem e prevenção. A atuação nesses espaços reforça a importância da atenção primária como porta de entrada para o diagnóstico precoce, alinhando-se aos princípios do Sistema Único de Saúde, especialmente no que se refere à integralidade e equidade do cuidado (BRASIL, 2012; SILVA; FERREIRA, 2016; GONÇALVES et al., 2019).
A prevenção do câncer bucal envolve ações educativas voltadas à redução dos fatores de risco, incentivo ao abandono do tabagismo e etilismo, promoção de hábitos saudáveis e estímulo à realização de exames periódicos. Campanhas públicas e estratégias comunitárias são fundamentais para ampliar o conhecimento da população e favorecer o autocuidado (BRASIL, 2014; MARTINS et al., 2020; COSTA et al., 2020).
Dessa forma, o enfrentamento do câncer bucal requer articulação entre políticas públicas, formação profissional qualificada e participação ativa da sociedade. A detecção precoce, aliada a um manejo adequado e integrado, contribui significativamente para a redução da morbimortalidade e para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos afetados (BRASIL, 2012; COSTA et al., 2020; SANTOS et al., 2021).
CONCLUSÃO
Conclui-se que o câncer bucal representa um importante problema de saúde pública, cujo enfrentamento depende da integração entre prevenção, diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar. A identificação de fatores de risco e de lesões potencialmente malignas, associada à realização de exames clínicos periódicos e à confirmação histopatológica, é fundamental para favorecer melhores prognósticos. Nesse contexto, a atuação conjunta dos diferentes profissionais de saúde, da atenção primária à especializada, contribui para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e à assistência integral. Assim, ações educativas, políticas públicas e estratégias de promoção da saúde são essenciais para reduzir a morbimortalidade, minimizar os impactos da doença e proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes.
REFERÊNCIAS:
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PAIM, Jairnilson Silva. O que é o SUS. Rio de Janeiro. Fiocruz, 2009.
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Docente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
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Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Discente UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
Graduado em UNINASSAU, Odontologia, Recife, Pernambuco. ↑
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