RESUMO
No início da vida escolar, já na Educação Infantil, é necessário o trabalho com textos que circulam socialmente, a vida da criança. O contato da criança com materiais de leitura deve ser constante para que desperte o gosto por esse ato, tornando-se um hábito e não um momento esporádico. A Literatura Infantil, utilizada de modo adequado, é um instrumento de suma importância na construção do conhecimento do educando, fazendo com que ele desperte para o mundo da leitura não só como um ato de aprendizagem significativa, mas também como uma atividade prazerosa. Sendo assim, o presente artigo é resultado de uma pesquisa bibliográfica e documental que propôs analisar os saberes e procedimentos da prática pedagógica dos professores em relação ao lúdico na Educação Infantil através dos gêneros literários, conforme os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil (RCNEI). Diante disso, concluímos que é de suma importância trabalhar os variados gêneros literários na Educação Infantil, pois contribui para a formação da criança em todos os aspectos, especialmente na formação de sua personalidade, no desenvolvimento de sua capacidade de observação e de reflexão sobre a linguagem oral e escrita, ampliação de seu vocabulário e seu conhecimento linguístico. Nesse sentido, o compromisso do professor da Educação Infantil é fundamental à transformação da educação e ao desenvolvimento da criança.
Palavras-chave: Educação Infantil. Gêneros Literários. RCNEI.
ABSTRACT
In early school life, starting in Early Childhood Education, it is necessary to work with texts that circulate socially in a child's everyday life. Children's contact with reading materials must be constant to foster a love for reading, turning it into a habit rather than an sporadic occurrence. Children's Literature, when used appropriately, is an essential tool in constructing the learner's knowledge, helping them engage with the world of reading not only as an act of meaningful learning, but also as an enjoyable activity. Therefore, this article is the result of a bibliographical and documentary research project aimed at analyzing the pedagogical knowledge and procedures of teachers regarding playfulness in Early Childhood Education through literary genres, in accordance with the National Curriculum Guidelines for Early Childhood Education (RCNEI). In light of this, we conclude that it is of paramount importance to work with various literary genres in Early Childhood Education, as it contributes to the child's overall development, especially in shaping their personality, developing their capacity for observation and reflection on oral and written language, and expanding their vocabulary and linguistic knowledge. In this context, the commitment of early childhood educators is fundamental to transforming education and fostering child development.
Keywords: Early Childhood Education. Literary Genres. RCNEI.
1. INTRODUÇÃO
A criança é um ser social que nasce com capacidades afetivas, emocionais e cognitivas, e possui o desejo de estar próxima às pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. (RCNEI, 1998).
Desde muito cedo as crianças estão inseridas em ambientes que exigem delas diferentes formas de comunicação. Quando bebês vão participando de distintos grupos que lhes ensinam por imitação a emitirem certos sons que são iminentes da linguagem humana e assim a obterem o controle operante da musculatura vocal, pronunciando os diferentes fonemas da nossa voz. Tais aspectos nos remetem à Educação informal que as crianças passam pelos grupos que frequentam. Mas em se tratando do aspecto formal da linguagem nos remetemos à primeira etapa sistematizada de ensino e aprendizagem que as crianças iniciam: a Educação Infantil (SASSO, 2007).
Segundo a LDB, (Lei 9394/96, Capítulo II, Seção II, Art.29º), a Educação infantil é a primeira etapa da educação básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os 6 anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.
Nesta linha, Tedeschi (2007) afirma que a educação infantil tem a função de atender as crianças pequenas em todas as suas necessidades sejam elas: emocionais, sociais, afetivas, físicas, num espaço onde as ações desenvolvidas estejam voltadas também para o desenvolvimento do conhecimento, da criatividade e da autonomia. Para tanto, é preciso que este espaço seja um ambiente estimulante e rico em desafios, um espaço no qual a criança, entre tantas habilidades desenvolvidas, possam também ampliar seu universo cultural por meio do contato com a leitura e a escrita reconhecendo sua função comunicativa. Dentro deste aspecto é importante citar o aprendizado da linguagem na forma oral e escrita e é essencial o reconhecimento em diferenciar ambas.
Dessa forma o presente estudo teve como objetivo analisar, a partir da pesquisa bibliográfica e documental, os saberes e procedimentos da prática pedagógica dos professores em relação ao lúdico na Educação Infantil através dos gêneros literários, conforme os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil (RCNEI).
2. RCNEI: Contextualização da Educação Infantil
As instituições de educação infantil nasceram com o objetivo de atender exclusivamente às crianças de baixa renda e era marcada por características assistencialistas, sem considerar as questões de cidadania ligadas aos ideais de liberdade e igualdade.
A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96, definiram a Educação Infantil no Brasil como primeira etapa da Educação Básica. Em 2009 a Emenda Constitucional nº 59, entre outros temas, tornou obrigatória a educação para a faixa etária de 4 a 17 anos. No ano de 2010 o Projeto de Lei 8.035/2010 aprovou o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2021. A meta 01 do referido Plano diz: “Meta 1: universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população até 3 anos”.
A educação infantil está dividida em creche atende crianças de 0 a 3 anos e pré-escola atende crianças de 4 a 5 anos, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade e deve estar acessível a todas as crianças indiscriminadamente.
As particularidades da faixa etária de zero a cinco[1] anos exigem que a educação infantil cumpra duas funções indissociáveis e complementares: cuidar e educar. Contemplar o cuidar na esfera da instituição de educação infantil significa compreendê-lo como parte integrante do educar.
Entende-se por educação infantil como um espaço pedagógico que pauta suas intervenções no sentido de compreender a criança enquanto sujeito histórico e localizado culturalmente. A criança ao longo da história humana vem sendo percebida como cidadãs de direitos que precisam ser respeitadas nas suas especificidades.
A criança como todo ser humano, é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca (RCNEI, 1998).
2.1 RCNEI: Os Gêneros Literários
No início da vida escolar, já na Educação Infantil, é necessário o trabalho com textos que circulam socialmente, a vida da criança. O contato da criança com materiais de leitura deve ser constante para que desperte o gosto por esse ato, tornando-se um hábito e não um momento esporádico. A Literatura Infantil, utilizada de modo adequado, é um instrumento de suma importância na construção do conhecimento do educando, fazendo com que ele desperte para o mundo da leitura não só como um ato de aprendizagem significativa, mas também como uma atividade prazerosa.
É muito importante que a Literatura Infantil esteja inserida no contexto de ensino e aprendizagem, para que seja despertado na criança, tanto o mundo mágico da criatividade como um importante hábito de leitura. Além do ensino didático e valores morais, a literatura infantil desperta prazer, emoção e pensamento crítico. Diante disso, o RCNEI (BRASIL, 1998) ressalta a importância do contato com vários gêneros textuais pela a criança:
A ampliação do universo discursivo das crianças também se dá por meio do conhecimento da variedade de textos e de manifestações culturais que expressam modos e formas próprias de ver o mundo, de viver e pensar. Músicas, poemas, histórias, bem como diferentes situações comunicativas, constituem-se num rico material para isso. Além de propiciar a ampliação do universo cultural, o contato com a diversidade permite conhecer e aprender a respeitar o diferente” (BRASIL, RCNEI, 1998, p.139).
Dessa forma, o RCNEI (BRASIL, 1998) considera que o contato com o maior número possível de situações comunicativas e expressivas resulta no desenvolvimento das capacidades lingüísticas das crianças. Para que isso ocorra o papel do professor de mediador dessas situações torna-se fundamental nesse processo, assim favorecendo algumas situações, tais como: apresentar desde cedo os livros para a criança, montar ou propiciar o acesso a uma biblioteca, contar e incentivar a leitura de contos clássicos, modernos ou outros, ajudar a criança na interpretação das histórias, presenteá-la com livros, dentre outras.
Segundo o RCNEI (BRASIL, 1998) é de suma importância o papel do professor como mediador ao acesso a diversos tipos de gêneros literários para as crianças.
É de grande importância o acesso, por meio da leitura pelo professor, a diversos tipos de materiais escritos, uma vez que isso possibilita às crianças o contato com práticas culturais mediadas pela escrita. (...) As poesias, parlendas, trava-línguas, os jogos de palavras, memorizados e repetidos, possibilitam às crianças atentarem não só aos conteúdos, mas também à forma, aos aspectos sonoros da linguagem, como ritmo e rimas, além das questões culturais e afetivas envolvidas (BRASIL, RCNEI, 1998, p.141).
Percebemos, assim que a leitura de histórias é um momento em que a criança pode conhecer a forma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não o seu. E ter acesso à boa literatura é dispor de uma informação cultural que alimenta a imaginação e desperta o prazer pela leitura. O RCNEI (BRASIL, 1998) dispõe que:
A intenção de fazer com que as crianças, desde cedo, apreciem o momento de sentar para ouvir histórias exige que o professor, como leitor, preocupe-se em lê-la com interesse, criando um ambiente agradável e convidativo à escuta atenta, mobilizando a expectativa das crianças, permitindo que elas olhem o texto e as ilustrações enquanto a história é lida (BRASIL, RCNEI, 1998, p.143).
Portanto, é fundamental que o professor utilize em sua prática diária o hábito da leitura demonstrando naturalidade, de tal maneira que acostume seus alunos a se aproximar do material escrito e trabalhar com livros. E a literatura infantil tem essa forma lúdica de trazer uma lição de vida, contribuindo para a formação da criança no processo de construção da sua personalidade. Pois, a literatura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático no trabalho da linguagem e na formação da criança.
Estamos em pleno século XXI, vivendo em um mundo totalmente globalizado, onde as pessoas cada vez mais vem perdendo o tempo e o hábito para a leitura.
Hoje a maioria dos pais não têm tempo e nem o hábito de ler, de contar ou simplesmente ler história, contos, causos etc. para as crianças como faziam os nossos avós devido à vida atribulada que levam.
Sabendo da importância e da contribuição da literatura para a “formação da criança em todos os aspectos, especialmente na formação de sua personalidade” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.62) e “no desenvolvimento de sua capacidade de observação e de reflexão sobre a linguagem oral e escrita e na ampliação do seu vocabulário e seu conhecimento linguístico” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.60). Nós enquanto, educadores têm o dever de proporcionar às crianças a contação de histórias, contos, fábulas, poemas e os demais gêneros literários, a fim de despertar o gosto e o interesse pela literatura, pois de acordo com OLIVEIRA & SPINDOLA (2008) a “criança que ouve histórias desde pequenina adquire muito cedo o gosto pela leitura” (2008, p.60).
Devemos apresentar os gêneros literários às crianças, más apresentá-los com entusiasmo para encantar e envolvê-las. Ao contar uma história, por exemplo, o professor deve se “movimentar", dar entonações diferentes à voz. Todo o corpo deve participar desse momento por meio da gestualidade” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.61).
Ao proporcionarmos um momento de leitura devemos ter sempre uma intencionalidade, não podemos ler somente para passar o tempo “sem desenvolver nenhum tipo de atividade que ajude na construção de conhecimento e que contribua para o desenvolvimento da criança” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.59).
Diante do exposto percebemos que é fundamental o papel do professor no desenvolvimento da leitura literária, já que é nas instituições de educação infantil que a maioria das crianças tem (ou deveria ter) a oportunidade de entrar em contato com os diversos gêneros literários. Porém para “favorecer o gosto pelas histórias, textos, poesias, entre outras obras implica a determinação do professor em promover momentos apropriados ao ato de contar e ler histórias” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.61), sem nos esquecer de que “o professor somente conseguirá que a criança goste de ler, se tiver o hábito de ler e escutar histórias. É preciso ter experimentado para saber estimular o outro” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.63).
2.2 RCNEI: Os gêneros literários como referências a serem desenvolvidos na educação infantil.
Toda cultura tem sua forma de viver construída e constituída ao longo dos anos, que é repassada por meio de desenhos, escrita, fala, como através de contos de histórias, que tem como propósito conservar e preservar aquela cultura. Luckesi (1995) afirma:
Todo este cabedal de conhecimento, ciência e técnica, no entanto, não foi conquistado individualmente por nós, nem como pessoas, nem como povo, nem como época. Esse cabedal é produto da raça humana a que pertencemos e foi produzido em um longo processo de história... e se hoje usufruímos do conhecimento resultante desse processo, é porque cada pessoa, cada grupo, povo, se tem preocupado constantemente em transmitir aos pósteros o próprio conhecimento sobre o homem e o mundo. (LUCKESI, 1995, p.121).
A contação de histórias tem sido usada por diferentes povos, visando não só a distração, como também a formação moral.
O RCNEI sugere o desenvolvimento dos diferentes gêneros textuais na prática pedagógica na Educação Infantil. E as categorias mais conhecidas da literatura Infantil são:
*Prosa: que são os contos, fábulas, lendas, histórias do cotidiano.
*Poesia: que são as canções de ninar, acalantos, parlendas, trava-línguas, versos, poemas, adivinhas...
Dentre essas duas categorias, podemos perceber os diferentes gêneros textuais do nosso folclore. A palavra folclore significa saber ou conhecimento tradicional de um povo. São as tradições ou crenças populares que foram transmitidas oralmente pelas antigas gerações, através destes diferentes gêneros textuais. Essas crenças, contos, transformaram-se em textos escritos e em objeto cultural.
O folclore literário pode ser dividido da seguinte forma:
A) Folclore Narrativo: são os contos, mitos, lendas, fábulas, casos e o anedotário popular.
B) Folclore poético: engloba o cancioneiro materno com os acalantos, cantigas infantis, com uma coletânea de brincadeiras cantadas, os abecês, as quadrinhas e a literatura de cordel, entre outros.
As histórias que contamos às crianças apresentam os mais diferentes temas:
*Histórias reais- fatos da vida da criança. Temos o exemplo da história de João e Maria.
*Histórias de animais que agem e vivem como se fossem seres humanos. Temos o exemplo da história dos Três Porquinhos.
*Histórias fantásticas- são histórias cheias de suspense e fantasia: fadas, bruxas, gigantes, anões, gnomos...
Todos esses gêneros literários favorecem e garantem a riqueza e desenvolvimento da linguagem oral e escrita das crianças, preparando-as para futuras aprendizagens.
Existe uma diversidade de gêneros textuais do folclore poético infantil que pode enriquecer o trabalho pedagógico em sala de aula.
- Acalantos- são cantigas com o propósito de acalmar, consolar, cantadas pelas mães ou amas para fazer a criança adormecer. Na letra da música é presente a monotonia, com frases longas e chorosas, provocando o sono por enfado. Um exemplo disso é a música: Boi, boi, boi da carinha preta...
- Canções infantis- em nosso folclore há uma infinidade de músicas que vieram com os portugueses, franceses, africanos e dos povos indígenas que aqui habitavam, são elas:
Cantigas de roda: são as brincadeiras de roda e nos jogos folclóricos onde a criança exercita o raciocínio e a memória, estimulando o gosto pelo canto e desenvolvendo os músculos ao ritmo dessas danças ingênuas. Exemplos: Ciranda, cirandinha..., Fui à Espanha, A canoa virou etc. (RCNEI, 1998, p.156).
Podem ser desenvolvidas diversas atividades diversas atividades com cantigas de roda.
Cantiga de escolha: nelas é selecionada a criança que fica no meio da roda ou é o pegador. Exemplo: O trem maluco.
- Brincadeiras cantadas: envolve movimentos corporais e cantos, como: bater palmas, marchar, colocar-se em fileiras ou sentadas. Exemplos: Escravos de Jó, Marcha soldado.
- Cantigas de Ensino: serve para ensinar nomes, números. A criança memoriza ao repetir, pois é muito rica em jogos sonoros. Servem para o aprendizado do alfabeto, da tabuada. Exemplos: 1, 2, 3 indiozinhos 4, 5, 6 indiozinhos... , um, dois, feijão com arroz... , eu vi uma barata na careca do vovô... , dó, ré, mi, fá...
Outro gênero literário que é o conto, conforme afirma Carvalho (1989) “o conto infantil é uma chave mágica que abre as portas da inteligência e da sensibilidade da criança, para sua formação integral.” (Carvalho, 1989, p.18).
A forma mais evidente do conto é o conto de fadas, que fascinam e encantam muito as crianças. Eles são contos maravilhosos das histórias folclóricas orientais e europeias que vieram da longa tradição oral.
A palavra fada significa destino, fatalidade, ela é a mediadora da realização dos desejos, as fadas interferem na vida das pessoas para ajudá-las em situações adversas.
São conhecidos como seres fantásticos, nascidos de uma cultura. Normalmente são mulheres de muita beleza, virtudes e poderes sobrenaturais.
Outra faceta das fadas são as bruxas, que são más, onde simbolicamente representa uma dualidade do ser mulher: fada e bruxa.
Os contos de fadas garantem uma vida compensadora e feliz que está ao alcance de todos, apesar das lutas e adversidades que surgem.
Os contos de fadas nos falam de tristezas, de desconfortos, da vida e da morte, da dificuldade de ser criança ou jovem. E de como todas as turbulências internas podem ser compreendidas ou resolvidas através do encantamento, da magia, falam de pessoas e de suas buscas de felicidade. (ABRAMOVICH, 1995, p. 56).
A Fábula é um gênero literário que se originou no Egito e Índia e significa falar, contar algo. São acontecimentos fictícios representados por animais e homens, cujo objetivo é divertir e instruir, como transmitir certa moralidade.
O introdutor da fábula foi Esopo no séc.VI a.C. na Grécia. Outros surgem como Fedro em 30 a. C. a 44d. C. que viveu em Roma e também em La Fontaine no séc. XVIII, poeta francês, que usava a seguinte frase: “sirvo-me dos animais para instruir os homens”. No Brasil, Monteiro Lobato foi o criador da fábula contemporânea.
A lenda significa legenda; o que deve ser lido; ler. Era costume ser lida nos mosteiros na era cristã, à hora das refeições, geralmente sobre a vida dos santos. Sendo uma narrativa anônima, supostamente verídica, guardada pela tradição oral e escrita, mescla de real e imaginário, que atrapalha de saber o que é real ou fantasia.
Caracteriza-se pelo final maravilhoso com personagens sobrenaturais e fatalidade. Ex. as cruzadas ambientadas na idade média e as lendas indígenas, como a lenda do guaraná e do saci.
Mitos são nascidos da imaginação popular. Significa fábula, narração instrutiva, de natureza religiosa, poética ou mágica.
O mito é uma lenda localizada em regiões ou tempo fora do alcance humano com personagens divinos. Podemos citar: o cavalo de Tróia; Macunaíma, o minotauro (de monteiro lobato).
A parábola é uma narrativa breve de uma situação vivida por seres humanos. É uma comparação, um ensinamento moral. Ex. o filho pródigo.
Paródia. Narrativa cômica sobre pessoas, atitudes ou acontecimentos, com o propósito de ridicularizar ou criticar por meio de exagero dos traços originais.
O apólogo é uma narrativa breve de uma situação personificada por seres inanimados e elementos da natureza. Ex. o sol e o vento, de La Fontaine.
A parlenda. Conforme Weitzel (1995, p. 147), “É um palavreado em versos de poucas sílabas destinado a acalentar ou distrair crianças. Serve para jogos de palavras, em que é preciso memorizar”. Ex. Hoje é domingo, pé de cachimbo...
Poesia. A poesia é uma atividade do pensamento humano que se expressa por meio da palavra. Ela nos chama a fantasiar, imaginar e sonhar refletindo nossos desejos.
A poesia deve atuar mais sobre as emoções, sensações e sentimentos do que sobre o entendimento, o que virá através do convívio com a leitura do texto poético. Por isso não deve ser imposto, mas oferecido.
Para que o professor desenvolva o gosto pela poesia, primeiro tem de gostar de poesia. A poesia na educação infantil é apenas para desenvolver no leitor a apreciação e sensibilidade do texto poético. Por isso a poesia não deve ter caráter didático. Mas deve ser vivenciada como um momento lúdico de emoção e alegria que conduzirá à aquisição e ampliação de conhecimento.
Há uma série de autores contemporâneos que escreveram belas poesias: Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, José Paulo Paes, Sérgio Caparelli, Carlos Drummond de Andrade, Ricardo Azevedo, Sidônio Muralha.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao chegarmos no final deste trabalho, concluímos que é de suma importância trabalhar os variados gêneros literários na Educação Infantil, pois contribui para a formação da criança em todos os aspectos, especialmente na formação de sua personalidade, no desenvolvimento de sua capacidade de observação e de reflexão sobre a linguagem oral e escrita, ampliação de seu vocabulário e seu conhecimento linguístico.
Diante do exposto, é dever dos educadores proporcionar a contação de histórias, contos, fábulas e os demais gêneros literários, sendo este um dos objetivos da Educação Infantil “participação das crianças em situações de leitura de diferentes gêneros textuais feitos pelo adulto, como por exemplo, contos, poemas, parlendas etc.” (RCNEI, 2002, p.141).
Nesse sentido, “o compromisso do professor de Educação Infantil é fundamental à transformação da educação e ao desenvolvimento da criança” (OLIVEIRA & SPINDOLA, 2008, p.7).
REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. Editora Scipione, 1989.
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 2002.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Tendências pedagógicas na prática escolar. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 2005.
OLIVEIRA, Ana Arlina de; SPINDOLA, Arilma Maria de Almeida. Linguagem na Educação Infantil III: Literatura Infantil. Cuiabá:Edufmt, 2008.
SASSO, E. C. A linguagem oral e escrita na educação infantil: contribuições da análise experimental do comportamento na releitura dos objetivos- Pós Graduação em Psicologia do Desenvolvimento da Aprendizagem- Universidade Estadual Paulista (UNESP), 2007.
TEDESCHI, J. M. de P. P. A professora da educação infantil e a alfabetização: relação entre a teoria e a prática. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, 2007.
WEITZEL, Antônio Henrique. Folclore literário e linguístico. Ed. da UFJF, 1995.
Cabe aqui ponderar que embora o RCNEI (Brasil. 1998) defina a faixa etária para atendimento na Educação Infantil seja de 0 a 6 anos, a partir de maio de 2005, com a Lei 11.114, a Educação Infantil passa a atender a criança de até cinco anos e as de 6 anos passam a ingressar no ensino fundamental com duração de nove anos. ↑

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