Propriedades fitoterápicas do crajiru/pariri (<i>Arrabidaea chica</i>/<i>Fridericia chica</i>): revisão de literatura
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

RESUMO

O estudo abordou as infecções por patógenos resistentes e a relevância das plantas medicinais no âmbito do Sistema Único de Saúde, com foco na espécie Fridericia chica (Arrabidaea chica), conhecida como crajiru. Objetivou-se sintetizar as evidências científicas sobre as propriedades biológicas e o potencial terapêutico dessa espécie vegetal. Realizou-se uma revisão bibliográfica de caráter exploratório e descritivo com abordagem qualitativa. A busca ocorreu nas plataformas SciELO, PubMed, ResearchGate e Google Acadêmico, selecionando dezessete publicações editadas entre 2020 e 2026. As folhas constituíram a parte vegetal mais investigada, apresentando flavonoides como compostos majoritários, destacando-se as antocianinas carajurina e carajurona. Constatou-se ampla atividade antioxidante, cicatrizante, anti-inflamatória, anticolesterol e fotoprotetora nos extratos analisados. Evidenciou-se efeito cardioprotetor frente aos danos induzidos por doxorrubicina, além da potencialização da ação antineoplásica e citotoxicidade em linhagens tumorais. A eficácia antimicrobiana revelou-se expressiva contra Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Aeromonas spp. e fungos, variando conforme o solvente e o método de extração empregados, embora tenha ocorrido ineficácia frente a Staphylococcus aureus em extratos aquosos. Identificou-se baixa toxicidade aguda e subcrônica nos modelos avaliados. Concluiu-se que o crajiru ratificou cientificamente suas aplicações medicinais tradicionais, consolidando-se como importante opção fitoterápica para a Atenção Primária à Saúde.

Palavras–chave: terapêutica, fitoterapia, plantas medicinais, ação antimicrobiana, segurança

ABSTRACT

This study addressed infections caused by drug-resistant pathogens and the relevance of medicinal plants within Brazil’s Unified Health System (Sistema Único de Saúde, SUS), focusing on Fridericia chica (Arrabidaea chica), commonly known as crajiru. The aim was to synthesize the scientific evidence regarding the biological properties and therapeutic potential of this plant species. An exploratory and descriptive literature review with a qualitative approach was conducted. Searches were performed in the SciELO, PubMed, ResearchGate, and Google Scholar databases, resulting in the selection of seventeen publications published between 2020 and 2026. The leaves were the most extensively investigated plant part, with flavonoids identified as the predominant compounds, particularly the anthocyanins carajurin and carajurone. The analyzed extracts exhibited a broad range of antioxidant, wound-healing, anti-inflammatory, cholesterol-lowering, and photoprotective activities. Cardioprotective effects against doxorubicin-induced damage were identified, along with the potential enhancement of antineoplastic activity and cytotoxic effects against tumor cell lines. Antimicrobial efficacy was notable against Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Aeromonas spp., and fungi, varying according to the solvents and extraction methods employed. However, aqueous extracts showed no efficacy against Staphylococcus aureus. Low acute and subchronic toxicity was observed in the evaluated models. It was concluded that crajiru has scientific evidence supporting its traditional medicinal uses, establishing it as a promising herbal medicine for Primary Health Care.

Keywords: Therapeutics; Phytotherapy; Medicinal Plants; Antimicrobial Activity; Safety.

1 INTRODUÇÃO

Entre crianças menores de cinco anos, a malária foi o principal patógeno, responsável por 37,2 milhões de DALYs, seguida pela Staphylococcus aureus e espécies bacterianas Gram-negativas específicas, como Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e Helicobacter pylori. (NAGHAVI et al., 2024). Os estudos de NAGHAVI et al. (2024) demonstraram que, dos 704 milhões de DALYs totais: 415 milhões (58,9%) estavam associados a infecções bacterianas; 178 milhões (25,3%) a infecções virais; 72 milhões (10,2%) a infecções parasitárias; e 18,5 milhões (2,6%) a infecções fúngicas.

Devido a esse cenário, as doenças infecciosas respondem por aproximadamente 50% das mortes em países tropicais, sendo mais frequentes as infecções do trato urinário. Algumas espécies de bactérias apresentam a capacidade genética de adquirir resistência contra agentes antibacterianos, tornando-se multi-resistentes aos medicamentos convencionais disponíveis, o que tem gerado estudos acerca do potencial de empregar plantas como tratamento coadjuvante. Essas infecções bacterianas tendem a ocorrer sobretudo em hospitais, deixando os pacientes ainda mais imunodeprimidos, aumentando os custos de internação e aumentando a mortalidade. As bactérias mais problemáticas e que apresentam maior quantidade de estudos são Escherichia coli e Staphylococcus aureus Rosenbach (Marmitt et al.; 2015).

Nesse sentido, o Global Antibiotic Resistance Surveillance Report 2025 - em resposta à resistência antimicrobiana que está comprometendo a eficácia dos medicamentos no seu objetivo de salvar vidas - divulga, por meio da coleta, análise, compartilhamento e divulgação de dados padronizados resultados sobre o uso de antimicrobianos. Esse relatório monitorou 23 milhões de infecções confirmadas bacteriologicamente e relatadas por 104 países. Foram observados oito patógenos bacterianos comuns, responsáveis por quatro tipos de infecção, resultando em 93 tipos de infecção. Esse amplo documento mostra a relevância do tema, e foi identificado que a resistência a antibióticos essenciais:

“é generalizada, crescente e distribuída de forma desigual [...] O impacto é maior em países de baixa e média renda (PBMR), onde a cobertura da vigilância da resistência antimicrobiana, a capacidade de diagnóstico microbiológico e o acesso a tratamentos alternativos eficazes podem ser limitados, resultando em uma sindemia de resistência e sistemas de saúde frágeis que afeta desproporcionalmente as populações mais vulneráveis.” (WORLD HEALTH ORGANIZATION; 2025, p. 7).

A resistência global apresenta muitas influências tanto por realidades epidemiológicas quanto por limitações sistêmicas, com variação substancial entre patógenos e regiões, e a frequência de resistência antimicrobiana (RAM) demonstra-se maior em países com baixa cobertura de vigilância, demonstrando que a frequência da RAM aumenta quando os sistemas de saúde são mais frágeis.

Práticas de controle de infecção ineficazes, condições sanitárias inadequadas e manipulação imprópria de alimentos também estimulam a propagação da resistência bacteriana. Para reduzir esse problema, é preciso controlar o uso indiscriminado de antibióticos, desenvolver novas pesquisas a fim de compreender melhor os mecanismos genéticos de resistência e investir em estudos para desenvolver novos medicamentos naturais (Marmitt et al.; 2015). Nesse sentido:

A utilidade de extratos vegetais para a terapia antimicrobiana e para combater outras doenças tem (sic) sido promissora desde os tempos antigos […] O efeito sinérgico da associação de antibiótico com extratos de plantas contra bactérias resistentes pode levar a novas opções no tratamento de doenças infecciosas, quando o antibiótico não for mais eficaz por si só, durante o tratamento terapêutico […] Embora muitas espécies de plantas já foram testadas para finalidades terapêuticas diversas, poucos estudos com plantas medicinais têm sido testados com finalidade antibacteriana para determinar a segurança e eficácia terapêutica […] Desde 2007, o sistema público de saúde brasileiro oferece fitoterápicos derivados de plantas. Atualmente, o Ministério da Saúde (MS) disponibiliza a utilização de 12 medicamentos fitoterápicos na rede pública de saúde (Marmitt et al.; 2015, p. 137, 138)

Aplicando um recorte nesse tema, Marmitt et al. (2015) referem que, em sua revisão bibliográfica, a bactéria Staphylococcus aureus foi a que apresentou a maior quantidade de estudos com as plantas medicinais. Trata-se de uma bactéria pertencente à microbiota humana, mas que pode provocar doenças desde uma infecção simples, espinhas e furúnculos, até pneumonia, meningite, endocardite, septicemia, dentre outras. Foi uma das primeiras a serem controladas com a descoberta dos antibióticos, mas, por sua enorme capacidade de adaptação e resistência, tornou-se uma das espécies de maior importância no quadro das infecções hospitalares, com a resistência aos antibióticos aumentando drasticamente, tornando essas infecções cada vez mais difíceis de tratar, ameaçando a saúde pública, aumentando os custos com os cuidados de saúde e tornando-se um desafio para a medicina moderna.

Já Rempel et al. (2019; p. 58) afirmam que as “enfermidades mais comuns que acometem a população brasileira decorrem de infecções por microrganismos no ambiente, como bactérias e fungos, e seus tratamentos dependem de compostos inibidores, como os antibióticos”, de forma a promover a recuperação do indivíduo. Entretanto, o uso frequente de antibióticos pode causar um aumento da resistência dos microrganismos que causam as doenças, o que pode aumentar os custos e demandar bem mais tempo para a obtenção de resultados eficazes (Rempel et al.; 2019).

Dentro desses estudos encontramos a Arrabidaea chica/ Fridericia chica, popularmente chamado de Crajiru, que integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), que direciona pesquisas de espécies especialmente nativas brasileiras, possibilitando a produção de medicamentos, fitoterápicos por laboratórios públicos e/ou privados, publicações técnico-científicas e inclusive a criação de nova legislação. Outra ação da RENISUS é a promoção da segurança e eficácia de plantas medicinais e fitoterápicas, a serem usadas na atenção básica em saúde. Esse reconhecimento justifica o interesse científico e social no tema. Esse programa do Governo do Brasil está embasado em 3 monografias publicadas, 51 monografias sendo finalizadas e 21 monografias a serem elaboradas (Ministério da Saúde, 2022).

Importante notar que o gênero Fridericia possui cerca de 60 espécies espalhadas do México à Argentina - passando pelo Brasil - tendo sido descobertas 84 substâncias, e sendo de interesse do Sistema Único de Saúde (SUS) (Henrique et al., 2024). A planta apresenta pigmentos flavonóides característicos - carajurina e carajurona - que possuem potencial ação biológica.

Essa espécie é encontrada principalmente na Região Amazônica, e seu uso popular na medicina foi descrito para o tratamento de leucemia, diarreias sanguinolentas, banho de assento e enfermidades da pele, demonstrando capacidade cicatrizante do seu extrato bruto e atividade antimicrobiana.

Das plantas do gênero Fridericia estudadas, a que tem maior destaque sobre seu uso popular é a F. Chica […] conhecida também pelos nomes populares:[…]Crajiru”, […] muito comum na região amazônica e é utilizada como analgésico, anti-inflamatório, antianêmico, adstringente, no tratamento de cólica intestinal, diarreia, leucorreia, leucemia, afecções da pele e cicatrização de feridas. […] empregada também no tratamento de queixas geniturinárias, queixas de saúde da mulher, febre, dores e reumatismo [...] aplicadas em lavagem de feridas, anemia, diarreia, pele amarelada e corpo inchado de gestante. […] indicações terapêuticas observadas também foram para malária, distúrbios cardiovasculares, parasitas, distúrbios renais, hepáticos e biliares e doenças metabólicas. (Henrique et al., 2024, p.1)

Novamente Rempel et al. (2019) afirmam que é possível “concluir também que para todas (sic) espécies o efeito medicinal é comprovado, visto que estas estão citadas nas listas oficiais de uso no Sistema Único de Saúde (SUS), RENISUS”, que é o caso da Arrabidaea chica/ Fridericia chica.

1.1 OBJETIVO GERAL

Realizar uma revisão de literatura sobre as propriedades biológicas e o potencial terapêutico do crajiru/pariri (Arrabidaea chica/Fridericia chica), sintetizando as evidências científicas relacionadas às suas atividades cicatrizante, anti-inflamatória, antioxidante e antimicrobiana, bem como suas principais aplicações na saúde.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1.2.1 Mapear e comparar a eficácia do uso de diferentes partes da planta (folhas, ramos e galhos) no combate a microrganismos e na inibição do crescimento bacteriano.

1.2.2 Identificar os principais compostos fitoquímicos majoritários descritos na literatura para a espécie relacionando-os com as ações terapêuticas validadas

1.2.3 Contextualizar o papel e a relevância científica do Crajiru/Pariri dentro das políticas públicas de saúde do Brasil, com foco em sua inclusão na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) para o fortalecimento da Atenção Primária.

2 METODOLOGIA

O foco desse trabalho foram as propriedades do Crajiru (Arrabidaea chica ou Fridericia chica), sobretudo as que combatem microrganismos, consistindo em uma revisão bibliográfica de caráter exploratório e descritivo, com uma abordagem qualitativa, sobretudo sobre - mas não se limitando às - as propriedades antimicrobianas da espécie Arrabidaea chica/ Fridericia chica. A estruturação da pesquisa seguiu os seguintes passos:

Foram incluídos artigos científicos, dissertações e teses publicados entre 2020 e 2026, em português, em plataformas como a Scielo, PubMed, Research Gate e Google Acadêmico. Foram identificados 27 artigos. Após a exclusão daqueles fora do período da pesquisa e da leitura exploratória dos títulos e resumos, foram selecionadas 17 publicações para análise no presente trabalho. Os artigos selecionados foram submetidos a uma leitura analítica para a identificação de informações, com ênfase na eficácia antimicrobiana. Os resultados foram organizados de forma a comparar a eficácia da planta, discutindo os possíveis mecanismos de ação na inibição do crescimento bacteriano.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a leitura dos artigos selecionados, e para melhor compreensão dos achados, segue o Fluxograma Prisma (2020), e na sequência o quadro 1 elaborado pela autora com os principais resultados encontrados.

Fonte: Page MJ, et al. BMJ 2021;372:n71. doi: 10.1136/bmj.n71.

Quadro 1: Comparativo dos resultados dos artigos analisados

Fonte: Elaborado pela autora (2026).

De acordo com os artigos selecionados, as partes do vegetal mais utilizadas nos estudos foram as folhas, seguidas pelos galhos e hastes. Os compostos majoritários identificados foram, com maior ênfase, os flavonoides, principalmente as antocianinas - carajurina (carajurin) e carajurona (carajurone) -, seguidos por quinonas, luteolina, apigenina e escutelarina.

Os principais resultados encontrados referem-se ao seu efeito cardioprotetor, reduzindo de forma significativa a morte celular em cardiomiócitos provocada pela doxorrubicina (dox) e demonstrando um efeito preventivo contra a cardiotoxicidade, bem como a preservação da ação da atividade antitumoral, potencialização antineoplásica, pois em determinadas concentrações os extratos potencializaram a morte das células cancerígenas quando associados à dox, em comparação ao uso isolado do medicamento.

A planta também demonstrou influenciar positivamente o tratamento do câncer de mama e, além disso, quando utilizada como adjuvante em terapias de câncer (quimioterapia/radioterapia), auxilia no aumento das células sanguíneas (plaquetas, hemoglobina, hemácias e leucócitos), reduzindo enjoos, debilidades e doenças oportunistas causadas pela queda dessas células. Foi identificada também ação antioxidante e antitumoral, em que os flavonoides da planta demonstram grande eficiência para absorver e neutralizar radicais livres, combatendo danos no DNA e a promoção de tumores.

A fração em diclorometano obteve melhor eficácia antioxidante, o que foi atribuído à alta concentração de luteolina, além da escutelareina e apigenina. Relatou-se também atividade de citotoxicidade contra várias linhas de células tumorais humanas (mama, ovário, pulmão, próstata, cólon, rim e leucemia). A atividade antitumoral/anticancerígena foi verificada através de evidências científicas que sugerem ação antiproliferativa contra tumores específicos e citotoxidade benéfica, com destaque para estudos envolvendo casos de leucemia.

Outros achados referem-se ao tratamento de infecções e herpes. Na seção de medicina popular, menciona-se o uso tradicional da infusão e decocto de suas folhas para tratar infecções em geral e o vírus do herpes.

O extrato por ultrassom (Etanólico) demonstrou eficácia antimicrobiana positiva (formação de halos de inibição) contra as bactérias Gram-negativas Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae. Não obteve resultados positivos contra Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Já o extrato estático (Etanólico) apresentou halos de inibição significativos e eficazes especificamente contra a bactéria Escherichia coli, porém não obteve resultados positivos contra Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella pneumoniae. Outro texto destaca, quanto à que a ação antimicrobiana e antifúngica, que os flavonoides presentes no extrato elaborado com diclorometano apresentaram atividade contra a levedura Candida albicans, o fungo Trichophyton mentagrophytes e as bactérias Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Em testes avaliados pelos estudos, o extrato etanólico das folhas apresentou atividade antibacteriana contra a bactéria Staphylococcus aureus, estabelecendo uma concentração inibitória de 62,5 mg/ml. Também demonstrou atividade antimicrobiana eficaz contra a Enterococcus faecalis.

Estudos relataram que atividade antimicrobiana promissora no que se refere ao fungo Botryosphaeria mamane CF2-13 (isolado das folhas), sobre o qual foi o mais ativo, inibindo bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, além de leveduras. Destacou-se especialmente contra Staphylococcus aureus e Candida parapsilosis, apresentando uma Concentração Inibitória Mínima (CIM) de 0,312 mg/mL. Foi identificada também atividades antimicrobiana e antiparasitária, antifúngica (anticandida), além de atividade contra parasitas tropicais como Leishmania (leishmanicida) e Trypanosoma cruzi (tripanocida).

No que se refere à Escherichia coli, houve a formação de halos na placa de Petri, indicando inibição bem-sucedida da bactéria. Quanto à Klebsiella pneumoniae, houve a formação de halos na placa de Petri, indicando inibição bem-sucedida da bactéria. Desta forma, analisando a ação antimicrobiana geral, os textos apontam de forma ampla que a planta possui efeitos antimicrobianos já relatados na literatura.

Porém a eficácia inibitória variou consideravelmente de acordo com o método de extração do solvente e a bactéria testada. Importante ressaltar que o experimento feito com o extrato obtido pelo método de Soxhlet falhou em obter resultados positivos para todas as bactérias utilizadas. Quanto ao Staphylococcus aureus, o microrganismo cresceu livremente nas placas, indicando total ausência de inibição. Já o Pseudomonas aeruginosa cresceu livremente nas placas, indicando total ausência de inibição. Um dos estudos demonstrou ineficácia antimicrobiana no ensaio atual, pois nos experimentos laboratoriais in vitro realizados pelos autores, o extrato aquoso por decocção de Arrabidaea chica não se mostrou eficaz frente às cepas bacterianas testadas (Escherichia coli e Staphylococcus aureus), apresentando um halo de inibição igual a zero em todas as concentrações avaliadas.

Quanto à cicatrização e atividade anti-inflamatória, o extrato etanólico e metanólico das folhas demonstrou forte atividade cicatrizante de feridas e propriedades anti-inflamatórias (contra inflamações e dores, como dores musculares e de cabeça) e analgésicas significativas. A avaliação de feridas com o uso de extrato metanólico comprovou que a planta estimula o crescimento de fibroblastos e aumenta a produção/síntese de colágeno in vitro. O crajiru apresentou resultados positivos ao acelerar a cicatrização de lesões, psoríase e feridas em pessoas com problemas imunológicos ou diabetes. Em modelos experimentais in vivo, a aplicação tópica do extrato bruto reduziu em 96% a área cutânea ulcerada após dez dias de tratamento, estimulando a biossíntese de colágeno e fibroblastos. Foram identificadas propriedades cicatrizantes e antissépticas no auxílio à regeneração tecidual, fechamento de feridas e prevenção de infecções devido ao caráter adstringente e antimicrobiano dos taninos. Na medicina tradicional da região amazônica, a decocção das folhas é amplamente utilizada para limpar feridas crônicas e como um agente desinfectante geral para higiene vaginal por meio de banhos de assento.

No que se refere ao potencial antioxidante e fotoprotetor, os extratos foliares revelaram excelente capacidade antioxidante e efeito fotoprotetor contra radiação UV. No quesito segurança e outros efeitos, demonstrou baixa toxicidade aguda e subcrônica nos modelos testados, além de ação antiviral, hepatoprotetora, e efeitos antigenotóxicos e protetores contra os danos de quimioterápicos.

É relatada também atividade antimalárica pelo uso tradicional das folhas (na forma de chá ou maceração), atividade antiviral pelo uso etnofarmacológico consolidado de tinturas das folhas, pomadas e cremes para aplicação tópica direta no tratamento de lesões causadas pelo vírus do herpes, e atividade leishmanicida (Anti-leishmania) pelo extrato hexânico das folhas, que induz danos nas mitocôndrias e inibição de peptidases em espécies de Leishmania spp. Há menção direta a estudos anteriores que relataram a eficácia da planta contra parasitas do gênero Leishmania, através da demonstração do potencial leishmanicida da planta contra a Leishmania amazonensis e a Leishmania infantum.

Há estudos que citam o uso tradicional da planta e revisões voltadas ao tratamento de sintomas relacionados à tuberculose causados pela Mycobacterium tuberculosis, embora sem uma especificação numérica de dose/extrato isolado nessa linha metodológica específica, além de indicação do uso tradicional da infusão ou banho das folhas para mitigar sintomas de sarampo e varíola. Ademais, é registrado o uso das folhas de Fridericia chica na confecção de sabonetes com efeito antiacne, atuando no controle microbiológico e inflamatório de infecções da pele, além de ação fotoprotetora tanto física quanto química.

Também foi reportado que a planta atua como anti-inflamatório e regenerador em casos de toxicidade e doenças no fígado, além de seu efeito diurético, havendo o chá da planta demonstrado resultados positivos no estímulo à micção, chegando a aumentar o volume de urina em mais de 80% em testes realizados, sendo indicado para casos de cistite ou insuficiência renal.

Os estudos demonstraram também os efeitos no tratamento de disfunções estomacais, intestinais e hepáticas, além de redução do colesterol devido à presença de fitoesteróis, que competem com o colesterol no intestino delgado, auxiliando na redução de sua absorção e diminuindo riscos cardiovasculares.

A planta apresenta uma ampla gama de outras propriedades antimicrobianas e antiparasitárias contra diferentes agentes etiológicos.

Quanto à segurança e toxicidade, a maioria dos testes indicou que a toxicidade do crajiru é baixa, sem apresentar sinais clínicos ou histopatológicos de efeitos tóxicos em mucosas gástricas, pleura, queimaduras ou feridas abertas em humanos.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Fridericia chica destaca-se como a espécie mais estudada do gênero, integrando inclusive a lista do RENISUS no Brasil. Os ensaios biológicos com seus extratos confirmaram diversas propriedades terapêuticas atribuídas ao seu uso tradicional.

A planta teve ações medicinais comprovadas através dos estudos revisados, que identificaram que o extrato bruto da planta possui eficácia terapêutica com ação cicatrizante, antiulcerogênica, antimicrobiana, antioxidante, anti-inflamatórias, anti-hipertensivas, anti-hepatotóxicas e diuréticas. Também foram identificados seus efeitos cardioprotetores, antitumorais, antifúngicos, antiinfecciosos, anticolesterol, no tratamento de herpes, de disfunções estomacais, intestinais e hepáticas.

Os estudos concluem que, devido a essas propriedades validadas cientificamente e ao seu baixo custo, o crajiru se consolida como uma excelente opção fitoterápica para ser integrada e distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no âmbito da Atenção Primária.

REFERÊNCIAS

BARRETO, M. S. O.; CARVALHO, J. L.; MICHEL, A. F. R. M.; CORRÊA, N. C. R.; SILVA, F. C.; GOMES, D. A.; GOES, A. M.; MELO, M. M. Extrato das folhas de Arrabidaea chica (Fridericia chica) demonstra ação preventiva na mitigação da cardiotoxicidade induzida por doxorrubicina. Arq. Bras. Med. Veterinária Zootec., v. 73, n. 2, p. 513-516, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/QgybSnhhzNpb9pn7tJH8qWm/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 1 jul. 2026.

BATALHA, A. D. S J.; SOUZA, D. C. M.; UBIERA, R. D.; CHAVES, F. C. M.; MONTEIRO, W. M.; SILVA, F. M. A.; KOOLEN, H. H. F.; BOECHAT, A. L.; SARTIM, M. A. Potencial terapêutico das folhas de Fridericia chica (Bonpl.) LG Lohmann: aspectos botânicos, fitoquímicos e biológicos, ação anti-inflamatória, antioxidante e cicatrizante. Biomoléculas, 31 ago. 2022; 12(9):1208. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36139047/. Acesso em: 1 jul. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Plantas medicinais e fitoterápicos no SUS, 2018c. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-plantas-medicinais-efitoterapicos-ppnpmf/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus. Acesso em: 23 jun. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/ppnpmf/renisus. Acesso em: 22 abr. 2026.

CAMPOS, N. F. Atividade antimicrobiana do extrato seco e frações de Fridericia chica (Bonpl.) L.G. Lohmann frente a Aeromonas móveis isoladas de Colossoma macropomum (Cuvier, 1816) oriundos de cultivos da Ilha do Maranhão. 2024. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade) – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), São Luís, 2024. Disponível em: https://ppgecb.uema.br/wp-content/uploads/2025/08/Dissertacao_de_mestrado_-_NAYANNE_FRANCA_CAMPOS_CORRIGIDA_assinado_29_assinado_29_assinado_assinado_compressed.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

DANTAS, A. E. M.; CORAZZAM, P. F. L.; DANTAS, H. B.; FERREIRA, M. C.; SANTOS, E. M.; MENDES, G. D.; MAGALHÃES, J. C. A.; ZAFFALON, G. T.; FURLAN, G. M.; GUEDES JÚNIOR, R. O.; SILVA, D. F.; ALBUQUERQUE, A. C. L.; DUARTE, M. T.; BAEDER, F. M. Fotobiomodulação versus Arrabidaea chica no manejo da mucosite oral: revisão integrativa da literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 8, n. 6, p. 1210-1228, 2026. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/7560/7329. Acesso em: 9 jul. 2026.

FIGUEIREDO-MUNIZ, V. R. G.; FREITAS, A. S.; HONORATO, K. R.; RORATO, A. C.; SOUSA, I. M. O.; RUIZ, A. L. T. G.; IDARASHI-MAFRA, L.; FOGLIO, M. A.; MATHIAS, A. L.; MAFRA, M. R. Extrato de Fridericia chica (Bonpl.) microencapsulado e seco por aspersão: um ingrediente funcional estável para aplicações em alimentos da cadeia de frio. Food Chemistry, v. 516, p. 149422, jul. 2026. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814626015803?ref=pdf_download&fr=RR-2&rr=a18c7a0619e828f8. Acesso em: 8 jul. 2026.

FONTES, B. R. A.; MILHOME, W. S. S.; MELO, J. D. G. Avaliação da atividade antimicrobiana das plantas medicinais Arrabidaea chica, Caesalpinia ferra var e Hancornia speciosa Gomes. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR, v. 35, n. 2, p. 10-15, jun./ago. 2021. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20210711_102610.pdf. Acesso em: 7 jul. 2026.

GAMA, Y. T. da S.; MARTINS, E. da C. Potencial farmacológico da Arrabidaea chica (crajiru): uma revisão integrativa da literatura. In: Saúde em Debate: estudos e evidências científicas. [S. l.]: Aurum Editora, 2026. p. 270-278. Disponível em: https://doi.org/10.63330/aurumpub.049-026. Acesso em: 13 jul. 2026.

GURGEL, R. S.; PEREIRA, D. Í. M.; GARCIA, A. V. F.; SOUZA, A. T. F.; SILVA, T. M.; ANDRADE, C. P.; SILVA, W. L.; NUNEZ, C. V.; FANTIN, C. F.; PROCÓPIO, R. E. L.; ALBUQUERQUE, P. M. A. Atividades antimicrobianas e antioxidantes de fungos endofíticos associados a Arrabidaea chica (Bignoniaceae). Journal of Fungi, v. 9, n. 8, p. 864, 2023. Disponível em: https://www.mdpi.com/2309-608X/9/8/864. Acesso em: 10 jun. 2026.

HENRIQUE, C. Y.; ALVES, O. J. A.; SILVA, M. L. A.; CUNHA, W. R.; JANUARIO, A. H.; PAULETTI, P. M. O gênero Fridericia (Bignoniaceae): composição química e potencial biológico. Química Nova, v. 47, n. 1, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.21577/0100-4042.20230088. Acesso em: 22 abr. 2026.

LIMA, S. N. A.; COSTA, M. E.; FREIRE, A. K. da S.; LIMA, A. M. de; FLORENTINO, B. G. M.; MARCELINO, A. D. A. de L.; SILVA, C. R. C. da; SANTOS, I. L. V. de L. Investigação das propriedades medicinais da Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl). Caderno Pedagógico, [S. l.], v. 22, n. 13, p. e21992, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv22n13-329. Acesso em: 13 jul. 2026.

MOREIRA, J. de B.; HOLANDA, N. A. de S.; SANTIAGO, S. R. S. da S.; SOARES, E. R.; ALMEIDA, R. A. de; OHSE, K. C.; SANTIAGO, P. A. L. Levantamento bibliográfico dos compostos químicos com atividade antioxidante e antimicrobiana presentes em Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verlot (Bignoniaceae). Revista Foco, v. 17, n. 1, p. e4141, 19 jan. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n1-073. Acesso em: 11 jul. 2026.

MOURA, L. P. R.; FREITAS, A. D. G. de; NOBRE, J. C. N.; MONTEIRO, A. G. M.; ALBUQUERQUE, I. R.; SOUSA, M. L. R.; FARIAS, M. N.; ANDRADE, G. F.; SILVA JÚNIOR, J. P. P.; OLIVEIRA, I. C. Avaliação de antimicrobiano atividade de extratos de Crajiru (Arrabidae Chica) contra patógenos e bactérias. Revista de Pesquisa em Ciências Agrícolas, v. 3, n. 1, 2023. Disponível em: Evaluation of antimicrobial activity of extracts of Crajiru (Arrabidae chica) against pathogenic bacteria (2).pdf. Acesso em: 5 jul. 2026.

MUNIZ, V. R. G. F.; NEGÓCIOS, A. P.; SOUZA, I. M. O.; MAFRA, L. I.; FOGLIO, M. A.; MATHIAS, A. L.; MAFRA, M. R. Fridericia chica (Bonpl.) L.G. Lohmann: An Overview of Medicinal Plant Studies. Journal of Medicinal Food, v. 28, n. 8, p. 727-742, aug. 2025. Disponíbel em: https://www.researchgate.net/publication/392468061_Fridericia_chica_Bonpl_LG_Lohmann_An_Overview_of_Medicinal_Plant_Studies. Acesso em: 15 jul. 2026.

NAGHAVI, M. et al. Global burden associated with 85 pathogens in 2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet Infectious Diseases, [s. l.], v. 24, n. 8, p. 868-895, 2024. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S1473-3099%2824%2900158-0. Acesso em: 29 jul. 2026.

NASCIMENTO, J. R.; MIRANDA, A. J.; VIEIRA, F. C.; RODRIGUES, C. D. P.; VASCONCELOS, L. N.; PEREIRA FILHO, J. L.; LOPES, A. C. C. B.; TANGERINA, M. M. P.; VILEGAS, W.; ROCHA, C. Q. Uma revisão da fitoquímica e das propriedades farmacológicas do gênero Arrabidaea. Pharmaceuticals, v. 15, n. 6, p. 658, 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/1424-8247/15/6/658. Acesso em: 9 jul. 2026.

PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, Londres, v. 372, n. 71, p. 1-9, 2021. DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.n71. Acesso em: 28 ago. 2026.

PEDROSO, R. dos S.; ANDRADE, G.; PIRES, R. H. Plantas medicinais: uma abordagem sobre o uso seguro e racional. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, e310218, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/physis/a/kwsS5zBL84b5w9LrMrCjy5d/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 abr. 2026.

PAGE, M. J.; McKENZIE, J. E.; BOSSUYT, P. M. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, Londres, v. 372, n. 71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71. Disponível em: https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71. Acesso em: 29 jul. 2026

SILVA, A. M. G.; NASCIMENTO, O. V.; ASTOLFI FILHO, S.; ACHO, L. D. R.; ALVES, P. P.; SOUZA, T. P.; LIMA, E. S. A suplementação com crajiru [Fridericia chica (Bonpl.) LG Lohmann] altera os parâmetros de desempenho físico em ratos. Journal of Physical Education and Sport (JPES), v. 24, n. 11, art. 297, p. 1992-2000, nov. 2024. Disponível em: file:///C:/Users/Secrataria%20MHN/Downloads/Fridericia_chica.pdf. Acesso em: 7 jul. 2026. (Nota: O link original aponta para um arquivo local do seu computador).

SOUSA, I. M. O.; FREITAS, A. S.; FAVERO, F. F.; BRAGA, L. E. O.; FIGUEIREDO, M. C.; PINTO, D.; OLIVEIRA, M. B P. P.; FEIRIA, S. N. B.; QUEIROZ, N. C. A.; RUIZ, A. L. T. G.; HOFLING, J. F.; CARVALHO, J. E.; FOGLIO, M. A. Filme mucoadesivo de álcool polivinílico contendo extrato de Fridericia chica para o tratamento da mucosite: farmacológico Avaliação e Liberação de Compostos Ativos. Chemistry & Biodiversity, v. 23, e02095, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1002/cbdv.202502095. Acesso em: 10 jul. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global antibiotic resistance surveillance report 2025: WHO Global Antimicrobial Resistance and Use Surveillance System (GLASS): summary. Geneva: World Health Organization, 2025. 24 p. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/B09585. Acesso em: 25 ago. 2026.

  1. Estudante do Curso de Especialização em Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde e Segurança do Paciente. e-mail: <ivanilza.silva@academico.uncisal.edu.br> ↑

  2. Docente da Especialização em Controle de Infecções Relacionadas á Assistência á Saúde ao Paciente na Universidade de Saúde de Alagoas (UNCISAL), Dra. em Biotecnologia em Saúde (UFAL). E-mail: ana.amancio@uncisal.edu.br ↑

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Ivanilza Araujo da Silva, Ana Amancio Santos da Silva (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.