A importância do trabalho do orientador educacional na gestão escolar
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Este artigo examina a relevância do papel do orientador educacional como elemento essencial na estrutura da gestão escolar atual. O orientador educacional desempenha um papel essencial na gestão escolar ao fomentar o desenvolvimento integral dos estudantes, equilibrando suas progressões acadêmica, emocional e social. Ele desempenha o papel de mediador de conflitos, promovendo a união entre escola e família, combatendo o bullying no ambiente escolar e oferecendo suporte aos professores, assegurando um ambiente escolar saudável, inclusivo e voltado para a aprendizagem. Tradicionalmente percebido como um profissional focado exclusivamente no aconselhamento disciplinar ou vocacional, o orientador, hoje em dia, desempenha a função de mediador entre os diferentes membros da comunidade escolar, como alunos, professores, família e direção. O estudo, de caráter bibliográfico e qualitativo, aborda como a presença desse profissional fortalece a gestão democrática ao promover o desenvolvimento integral do estudante e a articulação pedagógica. Os resultados indicam que a participação do orientador na administração ajuda a: a resolução de conflitos, fomentando um ambiente escolar mais pacífico, o apoio ao trabalho docente, contribuindo para a compreensão dos desafios de aprendizagem e o fortalecimento da relação entre escola e família é fundamental para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem. É fundamental incluir o orientador educacional na equipe de gestão para garantir que as demandas pedagógicas e humanas sejam atendidas em vez de priorizar as decisões administrativas. Isso garante uma educação de qualidade e inclusiva.

Palavras-chaves: Atuação profissional. Educação. Gestão. Orientação Educacional.

ABSTRACT

This article examines the relevance of the role of the educational counselor as an essential element in the structure of contemporary school management. The educational counselor plays a crucial role in school management by fostering the holistic development of students, balancing their academic, emotional, and social progress. The counselor acts as a mediator of conflicts, promoting collaboration between school and family, addressing bullying in the school environment, and providing support to teachers, ensuring a healthy, inclusive, and learning-oriented school environment. Traditionally perceived as a professional focused exclusively on disciplinary or vocational counseling, the educational counselor currently acts as a mediator among different members of the school community, including students, teachers, families, and school administration. This bibliographic and qualitative study discusses how the presence of this professional strengthens democratic school management by promoting students’ integral development and pedagogical articulation. The results indicate that the participation of the educational counselor in school management contributes to conflict resolution, fostering a more peaceful school environment; supports teaching practices by helping to understand learning challenges; and strengthens the relationship between school and family, which is essential for the success of the teaching-learning process. Including the educational counselor in the management team is fundamental to ensure that both pedagogical and human demands are met, rather than prioritizing administrative decisions alone. This contributes to ensuring a high-quality and inclusive education.

Keywords: Professional practice; Education; Management; Educational counseling.

1 INTRODUÇÃO

Este artigo apresenta uma pesquisa bibliográfica e qualitativa na área da educação, com o objetivo de examinar a trajetória histórica do pedagogo especializado em Orientação Educacional, seus progressos e retrocessos, além de refletir sobre o panorama atual na sociedade e nas escolas contemporâneas em relação às expectativas para esse profissional (Erra, 2019).

A Orientação Educacional, entendida como um processo contínuo e interativo na escola, integra o currículo escolar e ações preventivas com os alunos. Essa abordagem deve adotar uma perspectiva holística, na qual a integralidade do aluno vai além do reducionismo da aquisição e transmissão acrítica de conteúdos que não estão relacionados às experiências de vida de todos os estudantes.

Para isso, sua atuação deve englobar os aspectos físico, afetivo, cognitivo, motor e ético como um todo indissociável e harmonioso, além de uma perspectiva política da educação para a cidadania. Isso significa que é capaz de formar cidadãos críticos e participativos, autônomos intelectualmente e, portanto, aptos a enfrentar com competência os desafios impostos pela sociedade atual. O Orientador Educacional precisa ainda, adotar uma atitude inter e transdisciplinar, enunciando um fazer/agir que abarque todos os educadores da escola, mormente o professor, no sentido da construção de profissionais organicamente comprometidos com a emancipação humana de todos os alunos como contributo para a transformação social (Bercho, 2022).

Assim, suas ações não ocorrem à parte do contexto social em que a escola está inserida, nem afastadas de uma conexão real com as famílias, estabelecendo-se como o vínculo entre a sociedade, a escola e a comunidade local.

A motivação para investigar esse assunto surgiu ao perceber a
relevância em entender o papel do orientador diante dos obstáculos na
comunidade escolar e na sociedade em que ela se encontra. A partir dessas questões, surge a indagação: qual é o papel do orientador educacional no contexto escolar?

Com o objetivo principal de "Compreender o Papel do Orientador Educacional em relação às questões educacionais”, que estabeleceu os objetivos específicos; Determinar as responsabilidades e habilidades do Orientador Educacional diante dos obstáculos no desempenho de sua atividade; Examinar a papel do orientador educacional no contexto escolar; Sugerir medidas preventivas ao orientador educacional em relação às questões escolares (Erra, 2019).

Os métodos empregados para a elaboração deste artigo foram por meio de pesquisas bibliográficas com enfoque qualitativo, em que se emprega o método dialético. Essa pesquisa envolveu a coleta de dados publicados em livros, revistas, artigos científicos e na internet.

Portanto, por meio de estudos, destacou-se a relevância de compreender que o Orientador Educacional não só contribui para a formação acadêmica do aluno, mas também em seu crescimento pessoal e social, auxiliando para que o aluno se torne um cidadão capaz de refletir sobre os valores éticos e morais, adquirindo a habilidade de resolver problemas e resolver conflitos, ou seja, capacitar essa pessoa na formação de suas ações, ciente de sua função na sociedade em que habita (Erra, 2019).

Esta análise busca questionar a separação entre o administrativo e o pedagógico, sugerindo uma reflexão sobre como a valorização e a autonomia do orientador educacional podem mudar o clima organizacional da escola, fazendo dela um ambiente mais inclusivo, participativo e em sintonia com as demandas sociais contemporâneas.

2 A ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A GESTÃO ESCOLAR

2.1 A Evolução do Papel do Orientador: do Controle à mediação

Historicamente, a orientação educacional no Brasil surgiu com um viés tecnicista e fiscalizador. No entanto, com a redemocratização e a promulgação da LDB 9.394/96, o foco mudou para a formação integral do cidadão.

O orientador deixou de ser aquele que "pune o aluno difícil" para se tornar o articulador do processo pedagógico. Na gestão escolar, esse profissional atua como elo entre a subjetividade do aluno e as exigências do currículo, garantindo que o olhar humanizado não se perca em meio às demandas burocráticas da administração (Bercho, 2022).

O papel de orientador nutre um dos fundamentos da gestão escolar composta
também por meio da supervisão, gestão e coordenação. Considerando as demandas e a relevância de esclarecer as responsabilidades dos profissionais da educação, ao contrário da rede privada, os sistemas públicos de ensino, através de decretos que regulam as escolas de cada rede (municipal, estadual ou federal). Por outro lado, os estabelecimentos privados têm a liberdade de adicionar, em seus regimentos internos, responsabilidades de acordo com a visão de cada instituição de ensino (Erra, 2019).

Assim, o Orientador Educacional pode selecionar e organizar seu planejamento de acordo com a legislação que regulamenta essa função específica, dependendo do contexto educacional em que está inserido. Refere-se à Lei n.º 5.564, de 21 de dezembro de 1968, regulamentada pelo Decreto n.º 72.846, de 26 de setembro de 1973. Os artigos 8º e 9º estabelecem com mais especificamente, no contexto nacional, as responsabilidades desse papel (Queiroz, 2019).

Para Nascimento (2023), o papel do Orientador Educacional na administração escolar é muitas vezes subestimado, sendo frequentemente visto como um "bombeiro" que apaga incêndios disciplinares ou burocráticos. Entretanto, uma análise crítica indica que, sem essa função, a administração escolar pode acabar se transformando em um modelo estritamente administrativo e tecnicista, desprovido de seu caráter pedagógico e humano.

2.1.1 Função do orientador

O orientador educacional desempenha um papel diversificado, servindo como a conexão entre o projeto pedagógico da instituição e a realidade experimentada por estudantes, docentes e famílias. Para entender a extensão dessa função, é fundamental observar como esse profissional se relaciona com os diversos pilares da comunidade escolar.

O orientador educacional tem várias responsabilidades, incluindo: guiar o aluno em seu crescimento pessoal; auxiliar no desenvolvimento de competências comportamentais entre os estudantes; atuar como mediador de conflitos no contexto escolar; estabelecer um ambiente seguro para conversas; auxiliar os docentes; converter o ambiente escolar em um espaço amigável e receptivo; ajudar na orientação profissional. Assim, fica evidente que o orientador tem muitas responsabilidades e precisa estar adequadamente preparado para que ele possa desempenhar seu papel de maneira eficaz, buscando o desenvolvimento integral do aluno (Queiroz, 2019).

O orientador desempenha um papel ativo na identificação dos obstáculos que dificultam o sucesso escolar. Além de abordar o conteúdo acadêmico, ele também considera os fatores biopsicossociais que impactam o estudante. Desta forma, o orientador é responsável pelo acompanhamento personalizado, sendo necessário identificar estudantes em risco (acadêmico ou social) e sugere ações em conjunto com os docentes, e ainda disponibiliza apoio ao professor a ajuda necessária para o professor, sendo fundamental criar métodos de ensino mais inclusivos e que atendam às demandas específicas de cada grupo (Bercho, 2022).

O orientador ajuda o estudante a elaborar seu Projeto de Vida, principalmente nos estágios finais da Educação Básica, como o Ensino Médio. Isso inclui a consideração sobre decisões futuras, o autoconhecimento e o planejamento de carreiras, auxiliando o jovem a dar propósito à sua trajetória acadêmica (Nascimento, 2019).

É responsabilidade do Orientador Educacional encontrar elementos que incentivem discussões sobre temas que afetam o aluno, direta ou indiretamente, no contexto do processo de ensino-aprendizagem. O objetivo é fomentar a reflexão de toda a equipe escolar, composta por docentes, supervisores e equipe de direção (Alves & Garcia, 1999). Para isso, esse profissional deve estar presente em todas as reuniões da escola, sejam elas voltadas para pais, formação de turmas, planejamento, avaliação ou organização de eventos.

A participação do Orientador Educacional na busca de metodologias adequadas ao tipo de clientela é essencial. É preciso refletir sobre como os conteúdos devem ser apresentados e qual é sua finalidade. Além disso, é fundamental que a escola transmita o máximo de conteúdos a todos os alunos, em vez de reduzi-los. É importante considerar que a escola tem sido o único meio de acesso ao conhecimento socialmente valorizado para as classes populares (Queiroz, 2019).

A Orientação está focada no entendimento do progresso do aluno em termos de cognição, afetividade, tomada de decisões e integração social. O orientador deve manter um diálogo franco e cordial com a direção e o corpo docente e nunca promover uma luta entre os funcionários. Atualmente, o especialista busca atuar como um parceiro do educador e, apesar de todas as inovações, ainda desempenha o papel de fiscalizador, servindo como intermediário entre o trabalho do professor e a estrutura escolar. A mediação escolar acontece através do contato imediato entre educador e educando. O trabalho docente possibilita o encontro formativo entre o aluno e a matéria de ensino. A função mais importante do professor é ensinar de uma maneira que todos os seus alunos aprendam (Bercho, 2022).

2.2 O Orientador como Articulador da Gestão Democrática

A gestão democrática, estabelecida pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/96), vai além de processos eleitorais para posições de liderança ou da mera presença de conselhos escolares. Em essência, trata-se de uma prática política voltada para a construção coletiva. Nesse ecossistema, o Orientador Educacional desempenha um papel único: ele é o profissional encarregado de converter as diretrizes gerais da gestão em diretrizes específicas para a subjetividade dos indivíduos escolares (Brasil, 1996).

A gestão democrática requer a participação de todos. O principal mediador de conflitos e promotor do diálogo é o orientador educacional. Sua relevância na administração se evidencia em três aspectos: apoio à direção, o que contribui para a tomada de decisões estratégicas que impactam o ambiente organizacional, apoio ao corpo docente, isto é, auxílio os docentes a entender as questões biopsicossociais que dificultam o aprendizado, atuando como suporte emocional e técnico e, a relação com a família que pode transformar-se no intermediário que integra a comunidade à escola, interpretando o projeto pedagógico para os pais e responsáveis (Nascimento, 2019).

A escola é um local onde ocorrem conflitos de interesses entre famílias, professores e a burocracia governamental. Na gestão, o orientador não atua como um pacificador passivo, mas como um articulador de um projeto compartilhado. O trabalho crítico do orientador envolve: desconstruir muros: trabalhar para que a autoridade seja exercida por meio da mediação, e não do medo e articular o PPP de modo a assegurar que o Projeto Político Pedagógico não seja somente um documento guardado na diretoria, mas uma atividade cotidiana compartilhada (Queiroz, 2019).

Como mencionado anteriormente, o orientador desempenha um papel fundamental no auxílio à formação do aluno, tanto em sua formação pessoal quanto social. Ele oferece suporte e orientação nas áreas necessárias e adota medidas preventivas por meio de reuniões, palestras e feiras culturais, além de buscar conhecer a comunidade escolar em sua totalidade. Vasconcellos (2022) discute a relevância de colaborar com a comunidade. Embora mencione o diretor, podemos aplicar essas palavras ao orientador educacional.

Desta forma,

Alguns diretores tratam os equipamentos da escola como se fossem objetos pessoais, propriedades privadas; outros, ao contrário, estabelecem relações de parceria com a comunidade e, com isto, não só passam a contar com ela como elemento de apoio para as mudanças, como ainda obtém diminuição do vandalismo, da violência; os alunos se sentem acolhidos, experimentam a escola como território aliado. Queremos deixar claro que estamos nos referindo à abertura tanto no que diz respeito às instalações e equipamentos, quanto, no sentido mais sutil, de se deixar sensibilizar pelas exigências colocadas pela sociedade (Vasconcellos, 2022, p. 63).

O Orientador Educacional, também chamado de Orientador Pedagógico ou Coordenador Pedagógico, deve estar sempre atento às questões pedagógicas no processo de ensino-aprendizagem. Isso inclui a busca por novas metodologias e abordagens didáticas para engajar os alunos, além de incentivar os professores a aprimorar suas práticas e investir na formação continuada (Bercho, 2022).

Silva et al. (2018) enfatiza a relevância de que os profissionais da educação, não somente os gestores escolares, pesquisem e busquem a formação continuada, o que pode trazer resultados positivos nas práticas educacionais no futuro para atuação pessoal, bem como para ajudar e disseminar conhecimentos no local de trabalho. Devem ser capazes de aplicar o que aprenderam e usar essas novas abordagens para melhorar o processo de ensino-aprendizagem da comunidade escolar.

Assim, percebe-se a relevância de buscar uma formação continuada, buscando se qualificar e abordando o tema de maneira inovadora para atrair a atenção dos estudantes. A busca por uma formação continuada deve ser estendida a todos os docentes, especialmente encorajada pela equipe de gestão, tornando a busca por conhecimento contínua introduzindo novas oportunidades, abordagens e avanços ao processo de ensino e aprendizagem (Nascimento, 2019).

Na gestão democrática, o papel do orientador é fundamental, pois ele consegue administrar a variedade de interesses sem perder o foco na educação. Em uma administração autoritária, o conflito é suprimido; já na administração democrática, o conflito é o ponto de partida para a discussão. Ao adotar a função de mediador, o orientador converte o conflito — seja entre um docente e um discente, ou entre a instituição de ensino e a família — em uma chance para refletir sobre o Projeto Político Pedagógico (PPP).

2.3 A Intervenção no Sucesso Acadêmico e na Evasão Escolar

A busca pela qualidade do ensino e a diminuição de índices negativos são fundamentais para a gestão escolar. O papel do orientador é fundamental para detectar precocemente indícios de desmotivação ou problemas de aprendizagem.

Por meio de um acompanhamento contínuo, ele aconselha a administração sobre a necessidade de ajustes no currículo ou programas de reforço, contribuindo diretamente para a prevenção da evasão escolar. Ele não se concentra somente na nota, mas também no "porquê" de o estudante não estar atingindo as metas, possibilitando que a administração escolar atue de maneira precisa e eficiente (Bercho, 2022).

Uma crítica pertinente é notar que, em diversas instituições, o orientador acaba sendo consumido pela burocracia da própria escola, transformando-se em um "assistente de direção". Nesse caso, a escola deixa de ter um olhar clínico sobre as dificuldades de aprendizagem e a escuta ativa. A verdadeira relevância deste profissional reside em sua independência. Uma administração escolar que prioriza tarefas administrativas em detrimento da orientação educacional está, efetivamente, sacrificando a qualidade pedagógica em prol da eficiência operacional (Queiroz, 2019).

2.4 A Gestão como Fato Social, não Apenas Técnico

A orientação educacional é o processo que ajuda o aluno a sua total evolução nas áreas intelectual, educacional, social e vocacional. Sua linha de atuação é baseada no Art. 2º da LDBEN 9.394/96, que afirma: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, visa ao pleno desenvolvimento do educando e à sua preparação para
a prática da cidadania e sua capacitação para o trabalho.

O orientador é um dos profissionais integrantes da equipe de gestão da escola, e como já discutimos, esse profissional desempenha um papel fundamental no contexto escolar, auxiliando tanto na resolução de conflitos quanto na formação integral do estudante, permitindo que ele se enxergue e enxergue o outro, ver o mundo, ver sua posição atual e seu potencial futuro (Nascimento, 2019).

Ao realizarmos pesquisas e análises sobre a Orientação Educacional no Brasil nota-se que houve muitas mudanças ao longo do tempo e que esse profissional acaba assumindo novas responsabilidades, sem abrir mão de sua função principal, que é agir e encontrar soluções para os desafios que aparecem. O orientador também deve ser considerado um parceiro dos professores como pessoas que vieram para facilitar, apoiar e ajudar o corpo professor da instituição de ensino (Moraes, 2023).

Apesar de a direção escolar ser responsável pela viabilidade administrativa e financeira, o orientador desempenha o papel de "consciência crítica" dessa administração. Ele é quem lembra que a escola é um organismo dinâmico, formado por indivíduos em constante evolução. Quando a gestão se concentra apenas em números, o orientador introduz a subjetividade: ele converte as necessidades do aluno em ações pedagógicas, impedindo que a administração veja a evasão ou a indisciplina apenas como estatísticas, mas como indícios de um processo educacional que necessita de revisão (Queiroz, 2019).

2.5 A ESCOLA E A GESTÃO DEMOCRÁTICA

A escola é um recurso valioso para todos que desejam melhorar sua qualidade de vida e desenvolver-se como indivíduos conscientes. A educação busca esse objetivo como trabalho, sendo, portanto, um tema de reflexão contínua na organização do trabalho de gestão e da equipe pedagógica. Dessa forma, torna-se uma estratégia para democratizar o processo de ensino-aprendizagem, pois está intrinsecamente relacionada a um contexto social, político e econômico que requer o envolvimento de toda a sociedade na conscientização e formação dos indivíduos que a constituem.

As instituições de ensino são espaços culturais e têm a responsabilidade social de estruturar e orientar as práticas educativas por meio de um planejamento político-pedagógico, a fim de preparar os cidadãos para exercerem a cidadania na sociedade. Dessa forma, a escola, em parceria com a comunidade escolar, desempenha um papel fundamental na participação social dos alunos, no desenvolvimento de suas identidades, autonomia, responsabilidade e consciência dos direitos e deveres. Isso transforma os alunos em indivíduos capazes de ter uma visão crítica do mundo e conscientes do poder transformador que possuem na sociedade (Moraes, 2023).

A escola é um espaço para a construção de conhecimentos em seus diversos segmentos e possui autonomia e liberdade de ação. Nesse sentido, é democrática, oferecendo oportunidades e acesso a todos que têm necessidades educativas especiais. Isso favorece seu desenvolvimento e aprendizado, permitindo o contato com as diferenças e o trabalho em suas próprias dificuldades, além de prepará-los para a convivência em sociedade (Nascimento, 2019).

A democratização da escola a torna mais receptiva às comunidades, destacando a relevância da participação nas decisões cruciais para o desenvolvimento de seus filhos, que representam o nosso futuro. Em uma gestão democrática essa relação com a comunidade assistida propicia as discussões sobre questões como o orçamento da escola e suas dificuldades, fortalecendo os pilares dessa convivência escola/comunidade, formando melhores líderes políticos e comunitários.

A qualidade da educação contribui para a construção e emancipação dos indivíduos na sociedade. Nesse contexto, está profundamente envolvida na mudança da realidade, dedicada à transformação social e à educação libertadora (Moraes, 2023).

Nesse sentido, Rodrigues (1985) afirma que a educação deve permitir a todos uma compreensão aprofundada da realidade econômica, social e política do sistema em que a escola está inserida, e aos educadores, o desenvolvimento de suas habilidades físicas e intelectuais para que possam intervir nessa realidade.

Um bom educador leva em conta as diferenças, respeita e observa a realidade, instiga a investigação e a dúvida, e acredita em uma educação democrática fundamentada no diálogo.

Lück (2006) destaca que a gestão educacional envolve o gerenciamento das dinâmicas do sistema de ensino e a coordenação das escolas, em conjunto com as políticas públicas educacionais. Isso inclui diretrizes para a implementação de políticas educacionais e projetos pedagógicos nas escolas, alinhados aos princípios e métodos de organização que favorecem um ambiente educacional caracterizado por autonomia, participação, compartilhamento e transparência. Isso deve ser interpretado como um processo dedicado à aprendizagem dos estudantes e à criação de um trabalho de qualidade, em conformidade com os pilares da educação, sendo democrática em todas as suas dimensões (Nascimento, 2019).

3 METODOLOGIA

A metodologia empregada foi a de revisão de literatura de caráter descritivo e exploratório. Segundo Sousa, et al. (2007) a pesquisa exploratória adota estratégia sistemática com vias de gerar e refinar o conhecimento quantificando relações entre variáveis. A adoção desse modelo qualitativo objetiva compreender as questões que envolvem o processo de entendimento do papel e função do orientador educacional na gestão escolar.

Já a revisão bibliográfica é um método que proporciona a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática. Determinando o conhecimento atual sobre uma temática específica, já que é conduzida de modo a identificar, analisar e sintetizar resultados de estudos independentes sobre o mesmo assunto (Souza, et al. 2010).

Foram elencadas e analisadas as publicações acerca do tema, a fim de compreender as dificuldades enfrentadas pelo orientador educacional no processo de realização das suas funções e garantia da gestão democrática da unidade escolar. A seleção das literaturas foi restrita a trabalhos realizados no Brasil, por tratar da Política Nacional Educação à distância (PNEAD) e ser um modelo adotado em nosso sistema educacional, foram utilizados como critérios de inclusão os trabalhos publicados no período de 2015 a 2015, sendo excluídos os materiais publicados fora do período considerado e aqueles que não corroboravam com a temática proposta.

Para elaboração do presente estudo foi realizada consulta às indicações formuladas pelo Ministério da Educação, livros científicos e busca direcionada pelos descritores “Atuação profissional". Educação. Gestão. Orientação Educacional.” que apontaram ocorrências Scientific Electronic Library Online (SCIELO), CAPES, Google Acadêmico, Núcleo do Conhecimento e repositórios universitários.

Foram apreciados 25 estudos, dos quais foram excluídos: duplicatas, textos indisponíveis, artigos não relacionados ao tema, teses e dissertações, além de textos excluídos pelo título e leitura de resumo, dentre esses estudos “13” foram selecionadas de acordo com a relevância dos dados para o estudo proposto.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No ambiente escolar, o orientador atua como intermediário entre professores, alunos e a sociedade, encarregado de apresentar oportunidades para o crescimento cultural e indicar as mudanças necessárias para que a escola se torne um reflexo de uma sociedade justa e humana. O orientador educacional mencionado na lei integra a equipe pedagógica e tem a função de contribuir para a melhoria da qualidade de ensino. É na escola que o estudante aprende a autoconhecimento e a conhecer os outros, além de desenvolver habilidades de comunicação e interação.

Assim, a escola deve respeitar a individualidade de cada aluno, oferecendo experiências e vivências que tornem o processo de aprendizagem atraente e prazeroso. Deve proporcionar um ensino de alto padrão, uma vez que é o local onde os estudantes procuram as diretrizes necessárias para a realização de suas construções e desenvolvimentos.

A escola desempenha um papel fundamental na formação de alunos pesquisadores, que são capazes de aprender continuamente, além de contribuir para a reconstrução da identidade. Houve uma ampla reconfiguração do papel do orientador educacional e de suas práticas enquanto profissional. No momento, todas as atividades desenvolvidas no ambiente escolar necessitam de um profissional com uma visão ampla e atual dos processos ensino-aprendizagem, das relações interpessoais e sociais da escola, o que implica em uma atuação de forma coletiva e participativa, visando a formação de uma sociedade crítica e justa, democrática para cidadãos conscientes do espaço em que vivem e atuam.

Também se observou que a equipe de gestão, coordenadores e orientadores educacionais são essenciais para o bom desempenho das atividades escolares e seus componentes. É fundamental valorizar cada um e seus valores, sem hierarquizar funções, uma vez que nenhuma se consolida isoladamente, mas sim coletivamente, por meio das articulações dos diversos papéis dos integrantes da equipe pedagógica. A orientação educacional é essencial no contexto escolar atual, atuando como uma aliada e parceira disposta a colaborar e apoiar a escola, especialmente os estudantes, na formação da cidadania.

Dessa forma, permite que todos os participantes do processo de ensino-aprendizagem sejam agentes do próprio conhecimento, assumindo a corresponsabilidade nas relações libertadoras e na autonomia e independência de serviços e indivíduos.

É imprescindível a capacitação constante e a reestruturação da identidade do orientador enquanto profissional que atua na mediação de conflitos e relações sociais, orientando, assistindo e coordenando as ações dos indivíduos da escola, a fim de que ele possa criar um sistema de relações participativas em todas as esferas da comunidade educacional.

A escola, como espaço de aprendizado, conquistas e construções da comunidade escolar, necessita de um profissional de orientação ativo, que tenha uma abordagem crítica e reflexiva, e esteja disposto a adquirir novas competências e habilidades, promovendo oportunidades para si mesmo e para todos os envolvidos, a fim de aprender em conjunto na coletividade.

No entanto, é evidente que o papel do orientador educacional é fundamental, pois ele atua como um mediador que orienta, apoia e conduz as ações dos participantes importantes no contexto escolar, fomentando a verdadeira integração para que haja uma gestão democrática eficaz na escola. O objetivo das instituições que buscam qualidade de ensino e bom atendimento à comunidade é que a gestão e a orientação caminhem juntas em um ambiente escolar democrático.

Em suma, a importância do orientador educacional na gestão escolar reside em sua capacidade de humanizar as relações dentro do ambiente educativo. Em uma era marcada por desafios emocionais crescentes e pela busca constante por qualidade educacional, o papel deste profissional é estratégico para que a escola cumpra seu papel social de formação de cidadãos críticos e preparados para a vida.

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  1. Licenciada em Educação Especial pelo Centro Universitário Cidade Verde – UNICV. Pós-graduanda em Orientação Educacional pela Faculdade Educaminas. E-mail: elvirapinheiro16@gmail.com

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