RESUMO
A ligação entre comunicação e saúde resultou no que, neste artigo, denomina-se Jornalismo em Saúde, que tem a ver com a cobertura mediática de conteúdos relativos à saúde e bem-estar. Tendo como pressuposto que a saúde é um direito do ser humano e que o acesso à informação é igualmente direito de todos, surge esta simbiose que encontra terreno fértil, principalmente pelo advento das tecnologias de informação e comunicação, que favorecem a democratização deste conhecimento em saúde e bem-estar. Portanto, este trabalho discute o tema “Papel do Jornalismo na Democratização do Conhecimento em Saúde e Bem-estar”. Para tal, pautou-se pelo método de pesquisa bibliográfica, focalizada em fontes que discutem a temática, tendo-se como resultado que o Jornalismo é um activo estratégico para que as pessoas, nas suas diversas condições, acedam às informações relativas à saúde e bem-estar, e com isso melhorem a sua qualidade de vida.
Palavras-chave: Jornalismo, democratização do conhecimento, jornalismo em saúde e bem-estar.
ABSTRACT
The connection between communication and health resulted in what, in this article, is called Health Journalism, which justifies the media coverage of content related to health and well-being. With the assumption that health is a human right and that access to information is equally everyone's right, this symbiosis emerges and finds fertile ground, mainly due to the advent of information and communication technologies, which favor the democratization of this knowledge in health. Therefore, this work discusses the topic “Role of Journalism in the Democratization Knowledge in Health and Well-being”. To this end, it was guided by the bibliographical research method, focused on sources that discuss the topic, with the result that Journalism is a strategic asset for people, in their different conditions, to access information relating to health, and this will improve their quality of life.
Keywords: Journalism, democratization of knowledge, Health and well-being Journalism.
- INTRODUÇÃO
Desde os primórdios, a media desempenhou um papel central, ao favorecer a divulgação, em massa, de informações. O Jornalismo, pela sua função, utiliza-se de diferentes media para fazer chegar a diferentes públicos, conteúdos de interesse geral. Pelo seu poder, as informações jornalísticas veiculadas pelos diferentes media ampliam o conhecimento por parte do público, sobre matérias diversas.
Este artigo visa discutir sobre o Jornalismo em Saúde e Bem-estar, especificamente no que concerne ao seu papel na democratização de conhecimentos. Conforme se sabe, um dos direitos básicos de todo o ser humano é a saúde, portanto, aceder a informações sobre saúde individual e pública, prevenção de doenças, entre outras, mostra-se pertinente, principalmente no contexto moçambicano em que questões desta natureza são ainda um grande desafio e privilégio para uma parte da população. Têm sido recorrentes, por exemplo, situações de distúrbios, violência, vandalização de infra-estruturas, mortes ocasionadas por desinformação a respeito de questões ligadas à saúde.
Deste modo, pretende-se discutir esta necessidade de informação, através da lupa do Jornalismo, com o intuito de analisar que papel estes profissionais desempenham ou podem desempenhar na democratização de informações úteis à saúde e bem-estar público. Para este desiderato, pautou-se por uma revisão bibliográfica de fontes que abordam sobre Jornalismo em Saúde e Bem-estar.
O pressuposto nesta pesquisa é o de que os meios de comunicação, devido ao seu poder de divulgação em massa são, por excelência, meios pelos quais as populações, vistas de modo heterogéneo, podem aceder a diferentes conteúdos sobre saúde e bem-estar, através de fontes seguras, o que se poderá traduzir na melhoria de vida das mesmas. Por outro lado, uma cobertura jornalística engajada e responsável pode determinar políticas públicas favoráveis à saúde e bem-estar.
Estruturalmente o artigo é construído em torno de três eixos centrais: revisão da literatura na qual são discutidas as expressões-chave seguintes: Jornalismo como agente de informação; democratização do conhecimento e desafios e oportunidades do Jornalismo na democratização do conhecimento em saúde. Apresenta-se, a seguir, a metodologia e os resultados da pesquisa. Os três eixos referenciados são antecedidos por uma introdução e poscedidos por uma conclusão.
- REVISÃO DA LITERATURA
- Jornalismo como agente de informação
É incontornável a relação entre comunicação e Jornalismo, por esse motivo, consideramos necessário, primeiro, pontuar essa ligação para que, decididamente possamos aflorar o que neste artigo nos propusemos analisar.
Para isso, começaremos pela definição de comunicação, que de acordo com NUNES, et al (2019 é um vocábulo que provém do latim comunicare, que significa pôr em comum, relacionar-se com, ou partilhar, (p.97).
Na óptica do mesmo autor, a comunicação é um direito humano e todos têm direito à informação verdadeira e à liberdade de expressão, (p.112), daí que, ao comunicador compete dar respaldo ao direito à informação, (SILVA e MAINIERI, 2017, p.6).
Por sua vez, o Jornalismo, na visão de KUCINSKI, (2000, p.182), é visto como uma das formas comunicativas modernas que se tem revelado principal instrumento de construção da democracia e da conquista de direitos de cidadãos, tendo criado instituições, bem como uma cultura interventiva no dia-a-dia. Além do seu papel educativo, LELLIS e MONTEIRO, (2019, p.8), KUCINSKI acrescentam que o Jornalismo tem como tarefa informar, focalizar a violação dos direitos humanos, fazer denúncias ao abuso do poder, fazer face ao segredo de Estado, denunciar a corrupção, impulsionar debates sobre assuntos diversos (, 2000, p.182). Em síntese, é ao jornalista que cabe o papel delicado de contribuir para o processo de construção de uma nova moral através da socialização de diversas discussões, (KUCINSKI, 2000, p.186), razão porque, em complementação, GOMES, (2021) defende a existência de uma relação intrínseca entre o Jornalismo e o interesse público, (p.136).
Neste diapasão, revelam-se imprescindíveis os meios de comunicação que têm responsabilidades na popularização do conhecimento, (TEIXEIRA, 2017, p.61) e estes devem se adaptar às convenções sociais e culturais, para que possam satisfazer as necessidades humanas, (JUKKA, 2017, p.118).
Conforme se referiu, todo indivíduo tem direito à informação e, à comunicação pública compete dar ao cidadão pleno conhecimento da informação, mesmo aquela que ele não busca por não saber que existe, (SILVA e MAINIERI, 2017, p.6).
O Jornalismo, assim, desempenha um papel central como agente de informação, ao permitir que as sociedades acedam, por diversos media, a conteúdos de interesse geral, selecionados a partir de princípios jornalísticos.
NUNES et al, (2019), salientam, por isso, que os media constituem um dos principais motores para a comunicação em saúde, graças ao seu poder de grande disseminação e de persuasão, fortalecendo, assim, as crenças e normativos sociais, (p.99) e operando, tanto conscientemente, como subconscientemente na criação de uma visão do mundo, (JUKKA, 2017, p.119).
Nas linhas dos autores supra, fica saliente o papel central que o jornalista, enquanto profissional dedicado à socialização de informações relevantes, tem, com foco em matérias ligadas à saúde e bem-estar que constitui o objecto da presente pesquisa.
- Focalizando a democratização do conhecimento
O progresso científico no século XX resultou do desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação, registando-se mudanças radicais em muitos aspectos da vida. Neste sentido, o conhecimento passa a ser registado e acessado simultaneamente em diferentes partes do mundo a um ritmo muito veloz, (MONTEIRO, 2019, p.300).
É, pois, por meio deste aparatos tecnológicos que o jornalista opera na sua função de manter as sociedades informadas sobre o que de relevante se dá na arena, tanto local, quanto internacional, garantindo que em tão pouco tempo essas informações sejam acedidas.
Já se tem estado a vincar, neste trabalho, as potencialidades do Jornalismo na democratização do conhecimento, através dos diversos media. TEIXEIRA e BRANDÃO (2003) lembram-nos, por isso, que a democratização, ou seja, a acessibilidade do conhecimento é referente ao acto de prover ao homem, um ambiente rico em informações, cativante, interactivo e desafiante, o qual é capaz de impulsionar o desenvolvimento intelectual e social do mesmo, (p.3).
Na contemporaneidade, em que se proclama o direito à informação, a democratização do acesso à informação, resultante da globalização, tem tido, segundo AZEVEDO (2012), um grande peso no favorecimento do acesso directo a diversos conteúdos desejados, por parte dos leitores ( p.185), daí que é sem precedentes o potencial para disseminar descobertas e discussões científicas para um público curioso e letrado num período de propagação de práticas sociais mediatizadas de produção de sentido e de vinculação social, (LELLIS e MONTEIRO, 2019, p.1).
A democratização da informação, na perspectiva desta pesquisa, é assegurada pelos media, pelo que LONG (2003) pontua que é central apostar estrategicamente nos media, devido à sua capacidade de alcance e carácter democrático para capacitar os cidadãos a vários níveis, (p.6).
Em conformidade com os postulados acima, o Jornalismo utiliza-se de meios diversos no intuído de cumprir a sua função comunicativa e, na actualidade a informação é um recurso estratégico em vários domínios, se bem que neste artigo focalizamos a área da saúde e bem-estar que, por meio do jornalismo, é pautada e disseminada, em massa, para diferentes públicos. De facto, os media têm garantido a circulação da informação médica e de saúde e bem-estar através de diversos meios e canais, (AZEVEDO, 2012, p.187), sendo a comunicação em saúde um campo extremamente vasto e preocupado com a influência da comunicação humana mediada na prestação e promoção de cuidados de saúde à população, (LOPES et al, 2011, p. 103).
A esse respeito, o papel do jornalista é salientado por GOMES (2020) ao referir que a sociedade leva em especial consideração as notícias sobre saúde que recebe dos media, utilizando-a como base para a tomada de decisões informadas, (p.132).
Nestes termos, compreende-se a confiança que se tem sobre as matérias veiculadas pelos diferentes meios de comunicação, sendo muitas vezes a fonte de informação confiável sobre diferentes assuntos que marcam a actualidade das sociedades e, de modo concreto, sobre matérias ligadas à saúde e bem-estar.
Secundando este posicionamento, AZEVEDO (2012) assevera que os media têm sido considerados meios importantes para transmitir mensagens de saúde às populações, não só por atingirem um elevado número de pessoas, como também por chegarem justamente àqueles que, de outro modo, mais dificuldades teriam em lhes aceder, quer pelo contacto com profissionais de saúde, quer pela educação formal, (p.188).
Estas ideias remetem-nos à reflexão sobre o direito à cidadania, definido por KUCINSKI, (2000) como “direito a ter direito”. Este é, na actualidade, um discurso organizador das demandas sociais, que tem a ver com o direito de todos a um meio ambiente saudável, (p.181-182), e para que isso se efective, às populações tem de se assegurar o direito à informação em saúde e bem-estar. Não é por acaso que os media tem sido, recorrentemente designados como parceiros estratégicos, tanto para melhorar a literacia de saúde, como para aumentar os resultados na educação para a saúde, (AZEVEDO, 2012, p.188).
Pensando na função comunicacional dos media em geral, esta visa dotar as pessoas de capacitação para poderem agir como plenos cidadãos nas mais diversas áreas do seu dia-a-dia, como é o caso da disseminação de informação sobre saúde, através da qual os cidadãos tornam-se mais capazes de a compreender, utilizar, decidir e agir sobre sua própria saúde, (NUNES, et al, 2019, p.113).
Em jeito de reforço às ideias colocadas neste tópico, importa frisar que a democratização do conhecimento é fulcral numa sociedade que se queira de informação. Isso resultará do posicionamento estratégico do Jornalismo na função que lhe é inerente, manifestando-se através da cobertura engajada de matérias ligadas à saúde e bem-estar e disseminação em massa adequada aos diferentes media. É o que KUCINSKI (2000) concebe como direito à cidadania activa no campo da saúde, que confere à informação jornalística sobre saúde, sobre políticas públicas e terapias de saúde, um valor político na esfera da cidadania, além de seus valores pedagógicos tradicionais em campanhas sanitárias e na Medicina Preventiva, ou de seu entendimento como ‘Jornalismo de serviço’, (p.183).
- Desafios e oportunidades do Jornalismo na democratização do conhecimento em saúde
Se por um lado, o “ser humano preocupa-se com a sua saúde e ao fazê-lo procura prevenir doenças, (GOMES, 2020, p.1)”, por outro, os tratados internacionais e as constituições dos Estados modernos definem a saúde como um direito do cidadão, (KUCINSKI, 2000, p.182). A OMS (2006), por exemplo, considera a saúde como o estado do mais completo bem-estar físico mental e social e não apenas a ausência de enfermidades e, para que se alcance a paz e a segurança, a saúde de todos os povos é essencial, estando dependente da cooperação forte dos indivíduos e dos Estados, (p.1).
Nessa perspectiva, surge a comunicação em saúde, que liga as áreas da comunicação e da saúde, como sendo um campo de pesquisa que ganhou força nos anos 80 e tem sido considerada cada vez mais necessária para melhorar a saúde pública e individual, (AZEVEDO, 2012, p.187). Ainda que LOPES et. al, (2011, p.105) reportem um período distinto, ao afirmarem que a disseminação de informação mediática sobre assuntos de saúde cresceu consideravelmente a partir dos anos 90, dando início a uma tendência que continuou a desenvolver-se nos anos seguintes, a este respeito importa o breve histórico apontado por AZEVEDO (2012), de acordo com o qual:
Os anos 80 podem ser considerados uma época áurea para o campo da comunicação em saúde. Datam desta altura alguns acontecimentos que marcaram este campo. No âmbito sociocultural, verificou-se o crescimento da preocupação individual com o corpo e com a aparência física, caracterizada pela cultura do self; Por outro lado, nota-se o aumento dos registos de casos de SIDA e de consumo de drogas. No campo científico, a intensificação dos estudos a unir as áreas de comunicação e de saúde culminou na criação da revista Health Communication, a 1ᵃ a reunir de forma sistemática pesquisas na área da comunicação em saúde. No campo político, realizou-se no Canadá, a 1ᵃ reunião para definir estratégias comuns entre diversos países com o objectivo de melhorar a saúde mundial. O conjunto dessas estratégias foi reunido na conhecida Carta de Otava, na qual os media são reconhecidos como parceiros na promoção da saúde, (p.190).
Nesta linha de pensamento, a cobertura de matérias sobre saúde e bem-estar pela media, segundo AROSO (2013), assume grande importância, uma vez que os conteúdos transmitidos à sociedade através dos media, afecta o comportamento dos pacientes, dos médicos, bem como a relação entre as partes, (p.744). No entanto, é essencial que se garanta a correcção e credibilidade dos mesmos conteúdos, (GOMES, 2020, p.3).
Nota-se assim, que o Jornalismo de saúde, através do agendamento, cumpre um importante papel, que é o de garantir a manutenção dos temas de saúde visíveis. É igualmente, por meio das notícias que a opinião pública é formada e, depois incorporada na sociedade, (AZEVEDO, 2012, p.189).
É também a partir da visibilidade dos conteúdos sobre a saúde que políticas públicas poderão ser desenhadas, visando a saúde e bem-estar geral. O mesmo autor imediatamente referido acima atesta que actualmente, o Jornalismo de saúde tem contribuído de um modo muito mais frequente para manter na agenda pública temas relacionados com a saúde pública e individual, alertar para determinados tipos de risco de comportamento e reforçar processos de mudanças, (idem, p.189)
Daí que, o papel do Jornalismo de representação e mediação confere-lhe uma ética que o distingue de outras acções comunicativas, pois caracteriza-se por possuir como padrão referencial o Jornalismo de qualidade das democracias pós-industriais, cujo valor ético transcendental é a busca da verdade, (KUCINSKI, 2000, p.182).
À semelhança de GOMES (op.cit), KUCINSKI, supra, reforça a responsabilidade do jornalista em disseminar informações credíveis que possam, efectivamente fazer diferença na vida das pessoas que a elas ecedem.
Neste processo de democratização do conhecimento em saúde, há-que fazer referência a alguns desafios como é o caso da profissionalização/literacia nesta área, bem como a cobertura rigorosa sobre a mesma; a necessidade de comunicação credível, conforme se atesta em NUNES et al, (2019), que se afigura sendo um grande desafio, cuja solução se traduziria na elevada receptividade e até uma relação custo-benefício mais vantajoso e capacitar os cidadãos para selecionar esta informação e poder aplica-la nas suas decisões sobre saúde (, p.100). Para que isso aconteça, no entanto, não basta que os indivíduos tenham acesso à informação, é preciso que as mesmas sejam sistematizadas, analisadas, discutidas, apropriadas, aplicadas, a fim de que possibilitem a construção efectiva de conhecimento, (TEIXEIRA e BRANDÃO, 2003, p1).
Ressalta-se, assim, o quão a democratização do conhecimento em saúde por parte do Jornalismo é um processo bastante complexo, o que exige dos profissionais de comunicação um aperfeiçoamento de várias competências e estratégias, de modo a que, efectivamente, se tenha um Jornalismo que cumpra, de facto, este desiderato de democratização do conhecimento sobre saúde e bem-estar.
Outros desafios são atinentes ao número reduzido de jornalistas especializados que cobre os assuntos da saúde em vários países, (LOPES et al, 2011, p.104); o aperfeiçoamento das novas competências para comunicar a saúde, tanto para assegurar a continuidade da sua função como ‘corrector das informações de saúde’ e executá-la com rigor, como para controlar a qualidade do conteúdo produzido, com o objectivo de comunicar também a literacia do seu público, (AZEVEDO, 2012, p.196); Aposta em estratégias adequadas, que apoiam e influenciam as decisões e acções do indivíduo com vista a promover a sua saúde e reforçar as atitudes positivas na prevenção e tratamento de doenças, pretendendo melhorar a qualidade de vida individual, familiar e comunitária, (NUNES et al, 2019, p.98); O posicionamento crítico frente aos conteúdos e recuar em relação a abordagens sensacionalistas e ambíguas, (FIGUEIREDO et al, 2020, p.11); Por sua ética, exigência de uma visão holística do processo saúde-doença e a consciência do relativismo da prática médica dominante por parte do jornalista. Para isso necessita de conhecimentos e noções de Filosofia da Ciência, (KUCINSKI, 2000, p.183); Aposta na diversidade de fontes que actuem de forma proactiva no agendamento mediático, (GOMES, 2020, p.4).
Os registos acima configuram-se como desafios do Jornalismo para a democratização do conhecimento em saúde e bem-estar, no entanto, a partir dos mesmos revelam-se oportunidades para um posicionamento estratégico do Jornalismo na democratização do conhecimento em saúde e bem-estar: fortalecimento de novas literacias, como, por exemplo a literacia mediática que na óptica de AZEVEDO, (2012) apresenta-se como incontornável na formação de qualquer profissional, particularmente o de comunicação, dadas as transformações impostas pelas tecnologias de comunicação e informação que assim exigem jornalismo em geral, e ao Jornalismo em Saúde e Bem-estar, em particular (p.193); dá mais possibilidades para que investigações nesta área possam ser desenvolvidas, intervindo e gerando mudanças nos comportamentos individuais e nos estilos de vida, pelo poder de dotar a sociedade de capacidade de responder eficazmente, de forma informada e consciente, aos problemas de saúde, através, tanto da prevenção de doenças, quanto da promoção de saúde, (GOMES, 2020, p.2); Mostra-se uma oportunidade para a educação em saúde através do Jornalismo, que é o processo cujo objectivo é de influenciar de forma positiva o conhecimento, as atitudes e comportamentos associados à saúde e bem-estar, (AZEVEDO, 2012, p.188). É com base nessa possibilidade que este autor afirma que fortalecer o Jornalismo em saúde resultará também no fortalecimento da literacia dos cidadãos comuns, (p.195).
Mas é fundamental comentar que nesta busca pela qualidade de vida/saúde, na qual o jornalista, reiteradamente se afirmou ter responsabilidades, mostra-se igualmente indispensável a responsabilidade de outros actores sociais para, por exemplo, o melhoramento de moradia, transporte, saneamento, qualidade do ar e da alimentação como importantes políticas públicas a serem cobradas para o exercício do direito à saúde, (KUCINSKI, 2000, p.183); À sociedade exige-se, tanto literacia de saúde- capacidade que cada indivíduo tem para aceder e usar efectivamente as informações relacionadas com a saúde, (AZEVEDO, 2012, p.188), quanto a literacia mediática, correspondente à capacidade de aceder, analisar, compreender e produzir diferentes tipos de media, tem sido indicada para capacitar jovens, com foco na cidadania, (Idem, p.192).
As consequências da falta destas literacias são graves e, de forma ilustrativa, apresentam-se algumas evidências relativas ao contexto moçambicano, divulgadas radiofonicamente:
“Cinco pessoas morreram e outras vinte e seis ficaram feridas, este ano, em todo o país, em consequência de distúrbios relacionados com a desinformação sobre a origem da cólera. “A população do distrito de Chiúre, Montepuez, Ancuabe, Namuno, na província de Cabo Delgado, a população dos distrito de Moma, Nacala Malema, Memba, Eráti e Mecubúri, na província de Nampula, Guruè, na província da Zambézia para parar de atacar a liderança comunitária, alegadamente, porque eles é que propagam a cólera. Os namaparmas devem colaborar com a Polícia da República de Moçambique, devem colaborar com as autoridades e não atacar, porque quando eles atacam, não estão ao serviço da comunidade e daquilo que nós queremos, para garantir a segurança da população“, disse Bernardino Rafael. (RM, 28/12/ 2023)
“Na província de Cabo delgado prevalece a onda de violência na sequência da desinformação sobre a origem da cólera. Esta segunda-feira um grupo de indivíduos destruiu casas das autoridades administrativas e comunitárias da sede do posto administrativo de Papai, no distrito de Namuno”. (RM, 15/01/ 2024)
Em síntese, a saúde pública deve centrar-se, não somente, na erradicação da doença, como também no bem-estar das populações, (GOMES, 2021, p.136) e a efectivação deste objectivo, na perspetiva deste estudo conta com o impulso do Jornalismo que, por meio da mediatização de matérias sobre saúde e bem-estar, leva a que as populações se informem, pela democratização do conhecimento fortalecido pelos media, e tomem decisões mais acertadas relativas às questões da saúde e bem-estar, o que é fundamental para a melhoria da sua qualidade de vida.
- METODOLOGIA
Do ponto de vista metodológico, neste estudo pautou-se por uma abordagem qualitativa e, como método a pesquisa bibliográfica visando compreender o Papel do Jornalismo na Democratização do Conhecimento em Saúde e Bem-estar. A pesquisa qualitativa mostra-se relevante no estudo das relações sociais, levando-se em conta fundamentalmente a pluralidade da vida em sociedade, a qual resulta em mudanças sociais aceleradas, (FLICK, 2004). No tacante à pesquisa bibliográfica, esta mostra-se pertinente, fundamentalmente neste estudo que é de base eminentemente teórica. É neste contexto que GIL (2002) afirma que, pese embora, quase todos estudos, a princípio, exijam algum tipo de trabalho de pesquisa bibliográfica, há aqueles cujo desenvolvimento se dá em excluso a partir de fontes bibliográficas, como é o caso deste artigo. Há fases apontadas por (MARCONI & LAKATOS, 2003) como sendo aquelas nas quais se deve processar a pesquisa bibliográfica: escolha do tema, elaboração do plano de trabalho, identificação, localização, compilação, fichamento, análise e interpretação e redacção. Portanto, após a definição do tema e projecção do plano de trabalho, através da técnica de palavras/expressões-chave foram pesquisados artigos sobre o tema, tendo se definido os subtemas, discutidos e interpretados resultados com base nos quais se fez a construção da síntese sobre o objecto em estudo. Constituíram palavras/expressões-chave: Comunicação em saúde, Jornalismo em saúde e bem-estar, democratização do conhecimento.
- RESULTADOS
Este estudo foi elaborado à luz da questão de pesquisa seguinte: Que papel desempenha o Jornalismo na democratização do conhecimento em saúde e bem-estar? A motivação para a sua elaboração resulta da constatação de que a comunicação em saúde é uma área com uma apreciação crescente, sendo o Jornalismo uma dessas formas de comunicação. Adicionalmente, a saúde é um direito de todo ser humano e o jornalismo, pela sua função de informar e seu poder de divulgação em massa tem um alto potencial para fazer chegar a vários públicos, com localizações geográficas distintas, informações diversas, o que veio a ser galvanizado pelo advento da internet que decididamente alterou o modo como as pessoas se relacionavam.
As discussões levadas a cabo neste estudo apontam como resultados os seguintes: a partir dos anos 80 surgem actividades no campo da comunicação em saúde, tendo sido, igualmente neste período em que os media são reconhecidos como parceiros na promoção da saúde e fundamentais para melhorar a saúde pública e individual, (AZEVEDO, 2012, p.190) e, ao comunicador é-lhe conferida a competência de dar respaldo ao direito à informação, (SILVA e MAINIERI, 2017, p.6).
Os meios de comunicação, devido ao seu poder de divulgação em massa são, por excelência, meios pelos quais as populações, vistas de modo heterogéneo, podem aceder a diferentes conteúdos sobre saúde através de fontes seguras, o que se poderá traduzir na melhoria de vida das mesmas. Por outro lado, uma cobertura jornalística engajada e responsável pode determinar políticas públicas favoráveis à saúde e bem-estar.
Desse modo, KUCINSKI (2000) acrescenta que o Jornalismo tem como tarefa informar, focalizar a violação dos direitos humanos, fazer denúncias ao abuso do poder, fazer face ao segredo de Estado, denunciar a corrupção, impulsionar debates sobre assuntos diversos, p.182).
Na visualização desse papel, NUNES et al (2019) salientam que os media constituem um dos principais motores para a comunicação em saúde, graças ao seu poder de grande disseminação e de persuasão, fortalecendo, assim, as crenças e normativos sociais, (p.99), sendo que Long (2003) pontua a centralidade de se apostar estrategicamente nos media para capacitar os cidadãos a vários níveis, devido à sua capacidade de alcance e carácter democrático, (p.6).
Constata-se ainda como resultado que a cobertura da saúde pela media, segundo AROSO (2013), assume grande importância, uma vez que os conteúdos transmitidos à sociedade através dos media, afecta o comportamento dos pacientes, dos médicos, bem como a relação entre as partes, (p.744), até porque a sociedade leva em especial consideração as notícias sobre saúde que recebe dos media, (GOMES 2020, p.132).
Assim, o jornalismo de saúde garante a manutenção dos temas de saúde visíveis, através do agendamento, cumprindo desse modo um decisivo papel. Reforça este posicionamento afirmando que é por meio das notícias que a opinião pública é formada e, depois incorporada na sociedade, (AZEVEDO, 2012, p.189).
Observa-se no ponto de vista de TEIXEIRA e BRANDÃO (2003) que para uma construção efectiva de conhecimento em saúde e bem-estar não basta que os indivíduos tenham acesso à informação, é preciso que as mesmas sejam analisadas, sistematizadas, discutidas, apropriadas, aplicadas, a fim de que possibilitem a melhoria de saúde individual e colectiva, (p1).
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho foi motivado pela necessidade de se compreender o papel do jornalismo na democratização do conhecimento em saúde e bem-estar. Para tal, começou-se por visualizar a centralidade dos media na transformação das sociedades através da divulgação de informações em massa e, devido à sua omnipresença, constituindo-se como meios através dos quais o Jornalismo se serve para a democratização do conhecimento em saúde e bem-estar, principalmente a partir do advento das tecnologias de informação e comunicação que favoreceram maior disseminação desses conteúdos, ampliando, assim o conhecimento por parte do público, sobre matérias diversas.
Uma das principais justificativas deste estudo é o facto de se atestar que um dos direitos básicos de todo o ser humano é a saúde, portanto, aceder a informações sobre saúde individual e pública, prevenção de doenças, entre outras, bem como reflectir sobre a função do jornalista enquanto agente de informação sobre saúde e bem-estar mostra-se bastante pertinente.
A revisão bibliográfica que se constituiu como método nesta pesquisa contribui para o entendimento de que muitos aspectos podem ainda ser aflorados nesta temática, porém em todo o trabalho de revisão, os autores analisados tiveram em comum a demonstração de que o Jornalismo tem um papel fundamental na democratização do conhecimento em saúde e bem-estar devido ao seu poder de divulgação em massa, garantindo que as populações, vistas de modo heterogéneo, acedam a diferentes conteúdos sobre saúde, através de fontes seguras, o que se poderá traduzir na melhoria de vida das mesmas.
Esta realidade impera que a cobertura jornalística seja engajada e responsável de modo a que possa determinar políticas públicas favoráveis à saúde e bem-estar. Embora tenham ficado evidentes alguns desafios nesta matéria do Jornalismo em Saúde e Bem-estar, como seja a profissionalização dos jornalistas, credibilidade da informação, adequação dos meios, a literacia, igualmente dos leitores, bem como o reforço das políticas de saúde, em síntese, o Jornalismo configura-se como um activo estratégico ao garantir a democratização do conhecimento em saúde e bem-estar para que as pessoas, nas suas diversas condições, acedam às informações relativas à saúde, e com isso melhorem a sua qualidade de vida, revelando-se a oportunidade para a transformação, inovação no fazer jornalístico, processo no qual as tecnologias de informação e comunicação terão um papel vital.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AROSO, Inês. Jornalismo e Saúde 2.0. In: Livro de atas do 8º Congresso SOPCOM: Comunicação Global, Cultura e Tecnologia. 2013. p. 742-748. https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/80462023/3748-libre.pdf?164431083, acessado a 20/09/2025
MEGA, Helena; DE MELO SILVA, André Chaves. Ciência, jornalismo e saúde: a judicialização em pauta. Revista Extraprensa, v. 13, n. 1, p. 277-291, 2019. <https://doi.org/10.11606/extraprensa2019.164114>, acessado a 20/09/2025.
DE AZEVEDO, Ana Paula Margarido. Jornalismo de saúde: novos rumos, novas literacias. Comunicação e Sociedade, p. 185-197, 2012. https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/31321825/Jornalismo_de_saude_novos_rumos__novas_literacias-libre.pdf?, acessado a 20/09/2025
FLICK, Uwe. Uma introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre, RS: Bookman, 2004.
FIGUEIREDO, Miréia Arruda; CRUZ, Fernanda Volchan; PESCHANSKI, João Alexandre. O papel do jornalismo no combate à desinformação científica: uma revisão de literatura. Intercom–Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2020, https://portalintercom.org.br/anais/nacional2020/resumos/R15-1292-1.pdf> acessado a 20/09/2025
FREITAS, Juscilene Heloisa Marcello; GONÇALVES, Júlia Virginio. Divulgação Científica, Democratização da Ciência e Fake News. Anais da Semana Internacional da Física do IFSP-Câmpus Votuporanga, v. 2, n. 01, 2022. Recuperado de <http://publicacoes.vtp.ifsp.edu.br/index.php/fisica/article/view/101>, acessado a 15/09/25
GIL, António Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo, SP: Atlas, 2002.
GALLAS, Débora. A contribuição do jornalismo para o saber social. En esta edición. <https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/server/api/core/bitstreams/49ce181a-c600-4358-bb7a-36f6284b2eaa/content#page=49>, acessado a 15/09/2025.
GOMES, Emiliana Sofia. O Jornalismo em saúde e as fontes de informação: o caso da covid-19 em Portugal. Revista de la Asociación Española de Investigación de la Comunicación, v. 7, n. 14, p. 127-149, 2020. https://revistaeic.eu/index.php/raeic/article/view/263>, acessado a 15/10/2025
GOMES, Sofia. A mediatização da COVID-19 em Portugal: Os primeiros meses da pandemia nos jornais online. 2021. https://repositorium.uminho.pt/entities/publication/f68ee034-610e-4ff9-877a-efb95c1408be, acessado a 08/10/2025.
GOMES, Sofia. A saúde, o jornalismo e a COVID-19. 2020. https://repositorium.uminho.pt/entities/publication/3ad7aa6d-f975-451e-92c2-c4da71cd7362, acessado a 08/10/2025
GOMES, Emiliana Sofia. O Jornalismo em saúde e as fontes de informação: o caso da covid-19 em Portugal. Revista de la Asociación Española de Investigación de la Comunicación, v. 7, n. 14, p. 127-149, 2020. https://revistaeic.eu/index.php/raeic/article/view/263>, acessado a 08/10/2025.
https://www.rm.co.mz/cabo-delgado-onda-de-violencia-na-sequencia-da-desinformacao-sobre-a-origem-da-colera/, acessado a 25/01/2024
https://www.rm.co.mz/pais-5-mortos-e-26-feridos-devido-a-disturbios-relacionados-com-a-desinformacao-sobre-a-colera/, acessado a 25/01/2024
JUKKA K. (2017), A história dos media e a mediatização da vida quotidiana, História dos Media, 23:1, 115-129, DOI: 10.1080/136888804.16.1207509.
KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo, saúde e cidadania. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 4, p. 181-186, 2000. <https://www.scielosp.org/pdf/icse/2000.v4n6/181-186/pt>, acessado a 12/10/2025
LANGBECKER, Andrea et al. A cobertura jornalística sobre temas de interesse para a Saúde Coletiva brasileira: uma revisão de literatura. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 23, p. e1800095, 2019. <https://www.scielo.br/j/icse/a/jJ5qXgZZcpLdcpXF5HP84qy/?lang=pt>, acessado a 12/10/2025
LELLIS, Mirian B.; MOREIRA, Benedito D. Cultura Científica e o papel do Jornalismo Científico frente às Fakes News na ciência. In: Anais 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação–Intercom. 2019.
LONG, Kathleen Ann. The Institute of Medicine report: Health professions education: A bridge to quality. Policy, Politics, & Nursing Practice, v. 4, n. 4, p. 259-262, 2003. https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1527154403258304, Acessado a 06/09/2025.
LOPES, Felisbela et al. Jornalismo de saúde e fontes de informação, uma análise dos jornais portugueses entre 2008 e 2010. 2011. https://www.researchgate.net/profile/Sandra-Marinho/publication/268223453, acessado a 09/10/2025
MARCONI, M. de A. & LAKATOS, E. M., Fundamentos da Metodologia Científica, 5ᵃ edição, São Paulo, Editora Atlas, S.A., 2003.
MONTEIRO, Nercilene Santos da Silva. Democratizar a informação para o desenvolvimento do conhecimento: a ampliação do acesso ao acervo documental das ciências e da saúde na Fiocruz. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v. 26, n. 1, p. 299-318, 2019, < https://www.scielo.br/j/hcsm/a/6rpb3X47JDGXJdMf3YgPcnh/?lang=pt>, acessado a 07/09/2025
NUNES, Cecília; BARROCA, Marta; MARINO, Paula. Promoção da literacia em saúde através dos media. Literacia em saúde na prática, p. 4, 2019. https://justnews.pt/documentos/2015/image/file/19z/2020-%20LiteraciaSaude-2019.pdf#page=97, acessado a 07/09/2025
Organización Mundial de la Salud. Constitución de la Organización Mundial de la Salud. (2006).Disponível em: <https://www.who.int/governance/eb/who_ constitution_sp.pdf?ua=1>, acessado a 25/10/2025.
SILVA, Stephanie; MAINIERI, Tiago. O papel do comunicador que atua segundo os princípios da Comunicação Pública. In: Anais do XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste-Cuiabá–MT–12 a. 2017. <https://portalintercom.org.br/anais/centrooeste2017/resumos/R56-0158-1.pdf>, Acessado a 10/09/2025
TEIXEIRA, Danielle Tavares. Uma análise da ciência e tecnologia como pauta de jornais de Mato Grosso. Revista Comunicação, Cultura e Sociedade, v. 5, n. 1, p. 60-74, 2017.pp. 60–74. <https://doi.org/10.30681/rccs.v1i1.2669>, acessado a 09/11/2025.
TEIXEIRA, Adriano; BRANDÃO, Edemilson Jorge Ramos. Internet e democratização do conhecimento: repensando o processo de exclusão social. Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 1, n. 1, 2003 https://doi.org/10.22456/1679-1916.13635, acessado a 18/09/2025.
Licenciada em Ensino de Português pela Universidade Pedagógica de Moçambique
Mestre em Jornalismo e Médias Digitais pela Universidade Pedagógica de Moçambique
Doutoranda em Ciências da Comunicação na Universidade Católica de Moçambique- Nampula
Docente na Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade Save- Moçambique
E-mail: nzevute@gmail.com / nzevute@unisave.ac.mz ↑
Doutor pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
Professor Associado do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná
Departamento de Comunicação Social
E-mail: toniandre@gmail.com
Doutor em Ciências de Comunicação, com especialidade em Comunicação e Marketing
Docente na Universidade Católica de Moçambique
E-mail: lchuva@ucm.ac.mz ↑

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Nélia Marisa Francisco Zevute Macaringue, Toni André Scharlau Vieira, Longo Pedro Chuva (Autor)