Palavras-chave
cardiopatia congênita
cuidado humanizado
comunicação; família
“O Papel da Enfermagem no Cuidado ao Recém-Nascido com Cardiopatia Congênita”
Thiago Teodozio Souza Lefkum e Inaê Vitória Negrello
ORIENTADOR: Altair Justus Neto
Resumo
O presente estudo tem como objetivo analisar o papel da enfermagem no cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita, enfatizando a importância do cuidado humanizado, da comunicação com a família e da qualificação profissional frente à complexidade do quadro clínico. A pesquisa, de caráter bibliográfico e descritivo, evidenciou que o enfermeiro desempenha papel central na equipe multiprofissional, atuando como mediador entre o conhecimento técnico e o acolhimento emocional. A revisão das literaturas de Arruda e Souza (2025), Fernandes et al. (2025), Ramos (2010), Lima, Silva e Siqueira (2018), Farias, Resner e Silva (2019), Batista et al. (2005) e Souza et al. (2021) revelou que a assistência humanizada contribui para o fortalecimento do vínculo entre equipe e família, reduz a ansiedade dos cuidadores e promove a recuperação do neonato. Contudo, o estudo também identificou desafios significativos, como a falta de capacitação específica, a sobrecarga de trabalho e a ausência de protocolos padronizados nas unidades neonatais. Observou-se que a prática de enfermagem exige constante atualização técnica e emocional, destacando a Sistematização da Assistência de Enfermagem como ferramenta essencial para a padronização e segurança do cuidado. Além disso, a interdisciplinaridade e a educação continuada surgem como estratégias fundamentais para o aperfeiçoamento profissional e para a melhoria da qualidade assistencial. Conclui-se que a atuação do enfermeiro, pautada na empatia, no conhecimento científico e na comunicação eficaz, é determinante para o bem-estar do recém-nascido com cardiopatia congênita e para o fortalecimento da confiança familiar.
Palavras-chave: enfermagem neonatal; cardiopatia congênita; cuidado humanizado; comunicação; família.
Abstract
The present study aims to analyze the role of nursing in the care of newborns with congenital heart disease, emphasizing the importance of humanized care, family communication, and professional qualification in the face of the clinical complexity involved. This bibliographic and descriptive research revealed that nurses play a central role within the multidisciplinary team, acting as mediators between technical knowledge and emotional support. The review of works by Arruda and Souza (2025), Fernandes et al. (2025), Ramos (2010), Lima, Silva and Siqueira (2018), Farias, Resner and Silva (2019), Batista et al. (2005), and Souza et al. (2021) showed that humanized care strengthens the bond between the team and the family, reduces caregivers’ anxiety, and promotes neonatal recovery. However, the study also identified significant challenges such as the lack of specific training, work overload, and the absence of standardized protocols in neonatal units. The findings highlight that nursing practice requires continuous technical and emotional development, with the Nursing Care Systematization serving as an essential tool for standardization and patient safety. Furthermore, interdisciplinarity and continuing education emerge as key strategies for professional improvement and quality care. It is concluded that nursing performance, guided by empathy, scientific knowledge, and effective communication, is decisive for the well-being of newborns with congenital heart disease and for strengthening family trust.
Keywords: neonatal nursing; congenital heart disease; humanized care; communication; family.
Introdução
O recém-nascido com cardiopatia congênita representa um dos maiores desafios para a equipe de saúde, especialmente para a enfermagem, que assume papel essencial na assistência humanizada e na vigilância contínua do quadro clínico. As cardiopatias congênitas compreendem um conjunto de anomalias estruturais do coração que se originam ainda na vida intrauterina e podem comprometer de forma significativa a oxigenação e a perfusão tecidual do neonato. Diante da vulnerabilidade desse paciente, o cuidado de enfermagem torna-se indispensável, exigindo conhecimento técnico, sensibilidade e preparo para lidar com situações de risco iminente e de alta complexidade.
A atuação da enfermagem é multifacetada nesse contexto, englobando desde o acolhimento familiar até a monitorização constante dos sinais vitais, administração segura de medicamentos, controle de infecções e apoio emocional aos pais. A complexidade da cardiopatia congênita demanda um olhar ampliado e interdisciplinar, no qual o enfermeiro é o elo entre o recém-nascido, a família e a equipe médica. Assim, compreender o papel desse profissional é fundamental para a melhoria da qualidade da assistência e para a redução da mortalidade neonatal associada às cardiopatias.
A problemática central deste estudo emerge da necessidade de compreender de que forma o enfermeiro pode otimizar o cuidado ao recém-nascido portador de cardiopatia congênita, garantindo não apenas a estabilidade clínica, mas também a segurança e o bem-estar integral do paciente e de sua família. Nesse sentido, surge a seguinte pergunta norteadora: Como o papel da enfermagem influencia na qualidade e eficácia do cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita? Essa indagação orienta a reflexão sobre práticas assistenciais, formação profissional e estratégias de cuidado humanizado.
A escolha do tema também se justifica pela observação de que, apesar dos avanços tecnológicos e terapêuticos na área da neonatologia, ainda existem lacunas significativas no preparo e na atuação dos profissionais de enfermagem frente a casos de cardiopatia congênita. O desconhecimento sobre o manejo clínico, aliado à carência de protocolos padronizados, compromete a assistência integral e evidencia a urgência de abordagens educativas e científicas voltadas à capacitação da equipe de enfermagem.
Quanto à metodologia, o estudo será desenvolvido com base em uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e exploratório, buscando analisar produções científicas publicadas nos últimos dez anos em bases de dados como SciELO, LILACS e Google Acadêmico. Serão selecionados artigos, dissertações e teses que abordem a atuação da enfermagem no cuidado ao recém-nascido cardiopata, enfatizando aspectos assistenciais, educativos e éticos. A coleta de dados seguirá critérios de inclusão e exclusão que priorizem a relevância, atualidade e confiabilidade das fontes.
A análise dos dados será feita de forma qualitativa, permitindo a interpretação crítica dos achados e a identificação de padrões nas práticas de enfermagem. A sistematização das informações possibilitará a elaboração de uma síntese integrativa, voltada à compreensão das principais estratégias de cuidado, desafios enfrentados pelos profissionais e contribuições para a melhoria da assistência neonatal. Essa abordagem metodológica pretende fornecer uma visão ampla e fundamentada sobre o tema, apoiando-se em evidências científicas para sustentar as discussões.
Como hipótese, considera-se que a atuação qualificada e humanizada da enfermagem contribui significativamente para o prognóstico favorável do recém-nascido com cardiopatia congênita, reduzindo complicações, fortalecendo o vínculo com a família e promovendo a continuidade do cuidado após a alta hospitalar.
A relevância do tema reside na importância de valorizar o papel da enfermagem na área neonatal, especialmente diante do aumento da incidência de cardiopatias congênitas diagnosticadas precocemente. Discutir essa temática contribui para a ampliação do conhecimento científico e para o aprimoramento das práticas assistenciais, com impactos diretos na sobrevivência e na qualidade de vida dos recém-nascidos afetados. Além disso, destaca-se a necessidade de políticas públicas e programas de capacitação contínua voltados à equipe de enfermagem que atua em unidades neonatais.
Outro ponto de relevância é o estímulo à reflexão sobre a integralidade do cuidado, considerando não apenas o tratamento clínico, mas também o apoio emocional e psicológico oferecido às famílias. O enfermeiro desempenha papel essencial na comunicação entre os profissionais e os cuidadores, sendo responsável por traduzir informações médicas complexas e garantir que os pais compreendam o quadro e o tratamento do filho, fortalecendo o vínculo terapêutico e a confiança mútua.
A justificativa do estudo fundamenta-se na necessidade de aprofundar a compreensão sobre o papel do enfermeiro frente às especificidades do cuidado neonatal em cardiopatias congênitas. Diante da complexidade desses casos e da vulnerabilidade do paciente, torna-se imprescindível a presença de um profissional de enfermagem capacitado para reconhecer precocemente sinais de descompensação e agir com eficiência. Assim, estudar o tema é também contribuir para a formação de enfermeiros mais preparados e conscientes de sua responsabilidade ética e técnica.
Por fim, justifica-se ainda pela escassez de pesquisas que abordem de forma detalhada a atuação da enfermagem nesse campo específico. A análise e divulgação de boas práticas podem subsidiar o desenvolvimento de protocolos assistenciais, orientar formações continuadas e fortalecer o papel do enfermeiro como protagonista na equipe multiprofissional que cuida do recém-nascido com cardiopatia congênita.
Os objetivos do estudo são: compreender o papel da enfermagem no cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita; identificar as principais práticas assistenciais utilizadas; analisar os desafios enfrentados pelos profissionais na assistência neonatal; e propor estratégias que contribuam para a qualificação do cuidado e para a humanização do atendimento a esse público.
Referêncial teorico
A Assistência de Enfermagem ao Recém-Nascido com Cardiopatia Congênita
A assistência de enfermagem ao recém-nascido com cardiopatia congênita constitui uma prática complexa e essencial na promoção da sobrevida e da qualidade de vida neonatal. A atuação do enfermeiro na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) demanda habilidades técnicas e científicas para identificar precocemente alterações hemodinâmicas, respiratórias e metabólicas, possibilitando intervenções imediatas e seguras. A monitorização contínua dos sinais vitais, a avaliação da perfusão periférica, da saturação de oxigênio e da resposta clínica ao tratamento são pilares fundamentais dessa assistência. Nesse contexto, o enfermeiro torna-se o elo central da equipe multiprofissional, garantindo a integralidade e a segurança do cuidado prestado ao neonato cardiopata (Arruda e Souza, 2025).
De acordo com Fernandes et al. (2025), a atuação da enfermagem estende-se também ao manejo clínico contínuo e à humanização do cuidado, aspectos indispensáveis ao bem-estar do recém-nascido e de sua família. O enfermeiro é responsável não apenas por procedimentos técnicos, mas também por orientar, acolher e apoiar emocionalmente os familiares, fortalecendo o vínculo de confiança entre equipe e cuidadores. A integração entre a prática assistencial e o suporte familiar permite que o cuidado ultrapasse as barreiras clínicas, promovendo uma abordagem mais holística. Nesse contexto, a comunicação clara, o acompanhamento constante e a escuta ativa constituem ferramentas fundamentais na promoção da qualidade assistencial e na prevenção de intercorrências clínicas.
Na visão de Lima, Silva e Siqueira (2018), a sistematização da assistência de enfermagem é indispensável para direcionar as ações voltadas à prevenção de riscos e à promoção da estabilidade clínica. Entre os principais diagnósticos de enfermagem identificados destacam-se o risco de diminuição do débito cardíaco, alteração no padrão respiratório e infecção, sendo necessário implementar medidas de monitorização de sinais vitais, oximetria de pulso, controle da temperatura e débito urinário. O cuidado deve ser individualizado e pautado em protocolos que garantam a precisão das avaliações e a execução segura dos procedimentos invasivos, como manuseio de cateteres, drenos e dispositivos ventilatórios. A atuação do enfermeiro fundamenta-se na observação rigorosa e na tomada de decisões clínicas rápidas, reduzindo agravos e prevenindo descompensações sistêmicas.
Para Ramos (2010), o manejo clínico do neonato com cardiopatia congênita requer o domínio de procedimentos especializados e o estabelecimento de protocolos de cuidado baseados em evidências. O enfermeiro tem papel essencial na detecção de alterações súbitas no padrão respiratório, na saturação de oxigênio e na perfusão periférica, indicadores críticos do estado circulatório do paciente. A autora destaca que a monitorização contínua deve ser associada à atuação humanizada e comunicativa com a equipe multiprofissional e com a família, favorecendo a tomada de decisões clínicas seguras e a minimização dos riscos decorrentes da instabilidade cardiovascular. Assim, o conhecimento técnico aliado à sensibilidade para o cuidado constitui elemento fundamental para a prática de enfermagem nesse contexto.
A prevenção de complicações e o controle de infecções hospitalares também integram as atribuições da equipe de enfermagem na assistência ao neonato com cardiopatia congênita. A vulnerabilidade imunológica desse paciente, somada à presença de dispositivos invasivos e à imaturidade fisiológica, exige medidas rigorosas de assepsia e vigilância contínua. Conforme salientam Farias, Resner e Silva (2019), a adoção de práticas seguras e a observância das normas de biossegurança são determinantes para reduzir o tempo de internação e a morbimortalidade neonatal. Nesse contexto, o enfermeiro deve atuar de maneira proativa, identificando precocemente alterações clínicas e intervindo de forma assertiva para estabilizar o quadro hemodinâmico.
Desta forma, de acordo com Batista, Silva, Azeredo, Moura e Mattos (2005), o papel do enfermeiro também abrange a prevenção de complicações infecciosas, fator crucial no contexto do cuidado neonatal. A manutenção de técnicas assépticas rigorosas durante os procedimentos invasivos, a higienização adequada das mãos e a orientação aos familiares quanto às medidas de proteção são práticas que reduzem significativamente o risco de infecções hospitalares. O controle ambiental e a observação contínua da evolução clínica são igualmente indispensáveis, visto que o recém-nascido cardiopata apresenta maior vulnerabilidade imunológica. Portanto, a prevenção de infecções torna-se uma das prioridades do cuidado, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade e para a melhora do prognóstico.
A assistência de enfermagem, segundo Arruda e Souza (2025), ultrapassa os limites técnicos, abrangendo também a dimensão humanística do cuidado. A presença e o acolhimento à família constituem componentes terapêuticos relevantes, pois o diagnóstico de uma cardiopatia congênita gera angústia e insegurança nos pais. O enfermeiro, ao promover comunicação empática e esclarecedora, fortalece o vínculo entre equipe e família, tornando o processo de cuidado mais humanizado. A orientação quanto aos cuidados domiciliares e à importância do acompanhamento ambulatorial após a alta hospitalar reforça o papel educativo da enfermagem, contribuindo para a continuidade do cuidado e a prevenção de reinternações (Arruda; Souza, 2025).
Portanto, a atuação da enfermagem junto ao neonato cardiopata ultrapassa o cuidado técnico, englobando dimensões emocionais e familiares. A presença constante dos pais no processo de hospitalização é vista como componente terapêutico, pois contribui para o bem-estar da criança e fortalece a adesão ao tratamento (Souza et al., 2021). O enfermeiro deve, assim, promover uma comunicação empática e educativa, capacitando os cuidadores para o manejo domiciliar e para o reconhecimento precoce de sinais de descompensação após a alta. Dessa forma, a assistência de enfermagem torna-se um instrumento de continuidade do cuidado e de promoção da qualidade de vida para o recém-nascido com cardiopatia congênita.
A Importância do Cuidado Humanizado e da Comunicação com a Família
O cuidado humanizado representa um dos pilares fundamentais na assistência de enfermagem ao recém-nascido com cardiopatia congênita, pois envolve não apenas a execução de procedimentos técnicos, mas também a valorização da dimensão emocional e relacional que permeia o processo de hospitalização. De acordo com Arruda e Souza (2025), a humanização do cuidado exige sensibilidade, empatia e escuta ativa, permitindo que o enfermeiro compreenda o sofrimento e as angústias da família diante do diagnóstico. Essa abordagem acolhedora contribui para a criação de um ambiente mais seguro e confiante, no qual os pais se sentem amparados e envolvidos nas decisões relacionadas ao tratamento do filho.
A comunicação efetiva entre a equipe de enfermagem, os familiares e o restante da equipe multiprofissional é essencial para garantir a continuidade e a qualidade do cuidado. Fernandes et al. (2025) destacam que o enfermeiro atua como mediador entre os médicos e os cuidadores, sendo responsável por traduzir informações técnicas em linguagem acessível e compreensível. Essa mediação facilita o entendimento sobre o estado clínico do recém-nascido, os procedimentos realizados e as expectativas do tratamento, reduzindo a ansiedade dos pais e fortalecendo o vínculo terapêutico entre a equipe e a família. A clareza na comunicação também contribui para a adesão ao cuidado, tanto durante a internação quanto no acompanhamento domiciliar após a alta.
Segundo Ramos (2010), o processo de hospitalização de um recém-nascido cardiopata é permeado por sentimentos de medo, impotência e incerteza, tornando indispensável o apoio emocional contínuo por parte da enfermagem. O enfermeiro, ao reconhecer a vulnerabilidade dos pais, deve oferecer suporte psicológico e orientações que promovam o enfrentamento da situação de forma mais serena. A empatia, a paciência e a capacidade de acolher as dúvidas e angústias familiares transformam o ambiente hospitalar em um espaço de confiança e parceria, o que impacta positivamente na recuperação do neonato.
Além disso, a humanização do cuidado está diretamente relacionada à construção de vínculos afetivos entre profissionais e familiares. Souza et al. (2021) afirmam que a presença dos pais junto ao recém-nascido é um componente terapêutico que contribui para o bem-estar emocional e fisiológico do bebê. A enfermagem, ao incentivar a participação ativa da família no cuidado diário, fortalece o sentimento de pertencimento e promove a continuidade da assistência no domicílio. Essa interação favorece o desenvolvimento da autonomia dos cuidadores e a detecção precoce de sinais de alerta, reduzindo complicações e reinternações.
Para Farias, Resner e Silva (2019), o cuidado humanizado também se manifesta na forma como a equipe de enfermagem organiza e executa suas práticas, respeitando as particularidades de cada paciente e família. O enfermeiro deve adotar uma postura ética e empática, reconhecendo que cada família vivencia o processo de hospitalização de maneira singular. Assim, o diálogo constante, o esclarecimento de dúvidas e o acolhimento de sentimentos tornam-se instrumentos terapêuticos tão importantes quanto os procedimentos clínicos, contribuindo para o equilíbrio emocional e a confiança dos pais.
Batista et al. (2005) reforçam que a humanização e a comunicação empática são competências indispensáveis para o enfermeiro que atua em unidades neonatais, especialmente diante da complexidade das cardiopatias congênitas. A habilidade de transmitir informações de forma clara e respeitosa, aliada à capacidade de ouvir e compreender as necessidades da família, permite que o cuidado seja mais eficaz e centrado na pessoa. Dessa forma, o enfermeiro consolida seu papel como elo entre o conhecimento técnico-científico e o cuidado humanizado, garantindo que a assistência ao recém-nascido com cardiopatia congênita seja integral, segura e acolhedora.
Portanto, o cuidado humanizado e a comunicação efetiva com a família configuram-se como elementos essenciais na prática da enfermagem neonatal. O enfermeiro, ao integrar aspectos técnicos, emocionais e educativos, promove não apenas a recuperação clínica do recém-nascido, mas também o fortalecimento do vínculo familiar e a humanização do ambiente hospitalar. Essa abordagem integral, pautada na empatia e no diálogo, reafirma a importância da enfermagem como protagonista no cuidado ao neonato cardiopata e como mediadora entre a ciência, o afeto e a vida.
Desafios e Estratégias para o Aperfeiçoamento da Prática de Enfermagem
O cuidado de enfermagem ao recém-nascido com cardiopatia congênita envolve um conjunto de desafios que exigem do profissional não apenas competência técnica, mas também preparo emocional, atualização constante e capacidade de atuação em equipe. Conforme destacam Fernandes et al. (2025), a complexidade do quadro clínico desses pacientes requer atenção contínua, rapidez nas decisões e domínio de tecnologias específicas utilizadas na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). No entanto, a falta de capacitação adequada e a sobrecarga de trabalho representam obstáculos significativos para a prática assistencial de qualidade, comprometendo, muitas vezes, a segurança e o bem-estar do neonato.
Arruda e Souza (2025) apontam que a escassez de treinamentos específicos e de protocolos padronizados nas unidades neonatais é um dos principais entraves à assistência qualificada. Muitos enfermeiros enfrentam dificuldades para reconhecer precocemente sinais de descompensação cardíaca ou respiratória, o que reforça a necessidade de investimentos em educação continuada e em programas de atualização voltados à cardiologia neonatal. A ausência de diretrizes claras pode gerar condutas heterogêneas entre os profissionais, comprometendo a uniformidade e a eficácia do cuidado prestado. Assim, torna-se fundamental que as instituições hospitalares promovam capacitações periódicas, baseadas em evidências científicas e adaptadas à realidade da equipe de enfermagem.
Segundo Lima, Silva e Siqueira (2018), o aprimoramento da prática assistencial deve estar alicerçado na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), instrumento que orienta a tomada de decisões e a implementação de cuidados personalizados. Entretanto, a efetivação da SAE ainda enfrenta resistência em muitos ambientes clínicos, seja pela falta de tempo, pela carência de recursos humanos ou pela ausência de suporte institucional. A implantação de protocolos de boas práticas e de fluxos assistenciais específicos para cardiopatias congênitas pode otimizar o trabalho da equipe e reduzir riscos relacionados a falhas na comunicação e nas intervenções clínicas.
Ramos (2010) enfatiza que outro desafio importante é o desgaste emocional vivenciado pelos enfermeiros que atuam em unidades neonatais. A rotina intensa, associada ao convívio diário com situações de risco de morte e sofrimento familiar, pode gerar estresse, ansiedade e fadiga emocional. Por essa razão, estratégias de cuidado voltadas também ao profissional de enfermagem são indispensáveis. A promoção de espaços de diálogo, acompanhamento psicológico e valorização do trabalho da equipe contribuem para a saúde mental do profissional e refletem diretamente na qualidade do atendimento prestado aos recém-nascidos e às suas famílias.
De acordo com Souza et al. (2021), o trabalho interdisciplinar surge como uma estratégia indispensável para o enfrentamento dos desafios assistenciais no contexto das cardiopatias congênitas. A integração entre enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais favorece a troca de saberes e a elaboração de planos de cuidado mais amplos e eficazes. Essa abordagem multiprofissional, centrada na colaboração e na comunicação, fortalece a rede de apoio ao paciente e amplia a capacidade da equipe em lidar com a complexidade do cuidado neonatal. O enfermeiro, nesse contexto, exerce papel articulador e coordenador, garantindo a coerência entre as ações desenvolvidas pelos diferentes profissionais.
Farias, Resner e Silva (2019) destacam ainda a importância de incorporar ferramentas tecnológicas e metodologias ativas de ensino no processo de formação e capacitação dos enfermeiros. Simulações clínicas, treinamentos práticos e uso de recursos digitais podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades críticas e para a atualização contínua do conhecimento técnico-científico. Além disso, a criação de protocolos de boas práticas, alinhados às recomendações de sociedades científicas, possibilita uma assistência mais segura e padronizada, reduzindo a incidência de erros e eventos adversos durante o cuidado ao recém-nascido cardiopata.
Por fim, Batista et al. (2005) reforçam que o aperfeiçoamento da prática de enfermagem exige comprometimento ético, sensibilidade e busca constante por conhecimento. O enfermeiro deve reconhecer-se como protagonista do cuidado, assumindo uma postura reflexiva e proativa diante das demandas do ambiente hospitalar. A implementação de políticas institucionais voltadas à formação continuada, à valorização profissional e à melhoria das condições de trabalho constitui um passo essencial para garantir a qualidade da assistência e o fortalecimento da enfermagem como ciência e como prática humanizadora.
Em síntese, os desafios enfrentados pela enfermagem neonatal no cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita evidenciam a necessidade de um processo contínuo de aperfeiçoamento técnico, científico e emocional. A combinação entre capacitação, protocolos de boas práticas, interdisciplinaridade e valorização do profissional é o caminho para consolidar uma assistência integral, segura e verdadeiramente humanizada.
Resultados e discussões
A análise das referências selecionadas permitiu compreender que o papel da enfermagem no cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita ultrapassa o campo técnico, abrangendo dimensões éticas, emocionais e educativas que refletem diretamente na qualidade da assistência. Observa-se, nas obras de Arruda e Souza (2025) e Fernandes et al. (2025), uma ênfase na importância do cuidado humanizado como instrumento de fortalecimento do vínculo entre equipe e família. Ambos os autores convergem ao afirmar que o acolhimento e a escuta ativa constituem práticas terapêuticas essenciais, capazes de reduzir a ansiedade dos pais e favorecer o bem-estar do neonato. Essa perspectiva teórica se confirma na prática assistencial, onde o enfermeiro, ao estabelecer uma comunicação empática e transparente, torna-se um mediador eficaz entre o saber técnico e o cuidado sensível.
Contudo, apesar dos avanços na compreensão da importância da humanização, ainda persistem desafios estruturais e organizacionais. Fernandes et al. (2025) apontam a sobrecarga de trabalho e a carência de capacitação como fatores que dificultam a aplicação plena das práticas humanizadas. Esses achados dialogam com a realidade observada em diversas unidades neonatais, nas quais o número reduzido de profissionais e a alta complexidade dos casos limitam o tempo destinado à comunicação e ao apoio emocional. Tal cenário revela uma discrepância entre o ideal preconizado na teoria e as condições concretas de trabalho, o que reforça a necessidade de políticas institucionais que garantam melhores condições para o exercício da enfermagem.
Ramos (2010) contribui para essa discussão ao enfatizar a relevância da preparação técnica e emocional do enfermeiro frente às situações de alta complexidade. A autora ressalta que o manejo clínico de neonatos cardiopatas exige domínio de procedimentos específicos e tomada de decisão rápida, mas também equilíbrio emocional diante do sofrimento familiar. Essa dualidade entre a técnica e a sensibilidade revela a essência do cuidado de enfermagem, que se apoia tanto na ciência quanto na empatia. A prática demonstra que o profissional que consegue integrar esses aspectos exerce uma influência positiva sobre a estabilidade clínica do paciente e sobre a confiança dos cuidadores.
No campo da prevenção e segurança do paciente, Farias, Resner e Silva (2019) e Batista et al. (2005) reforçam a necessidade de protocolos padronizados e do cumprimento rigoroso das medidas de biossegurança. Tais recomendações encontram respaldo prático na rotina hospitalar, onde o controle de infecções e o uso adequado de técnicas assépticas são determinantes para a redução da morbimortalidade neonatal. A sinergia entre teoria e prática, nesse aspecto, é evidente: quando os princípios técnicos são aliados a uma postura vigilante e consciente, o cuidado torna-se mais seguro e eficiente. No entanto, a ausência de capacitação contínua ainda representa um ponto negativo, limitando a consolidação dessas práticas como rotina padronizada nas UTINs.
Lima, Silva e Siqueira (2018) destacam, por sua vez, que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é o principal instrumento para alinhar o cuidado prático às diretrizes teóricas. Essa metodologia possibilita o planejamento individualizado, o registro das intervenções e a avaliação dos resultados, promovendo maior consistência no processo assistencial. No entanto, a literatura e a prática indicam que a SAE ainda é subutilizada em muitas instituições, seja por falta de conhecimento técnico, seja pela carência de apoio gerencial. Essa lacuna constitui um dos principais pontos de melhoria, pois a sistematização não apenas organiza o cuidado, mas também fortalece a autonomia e o reconhecimento do enfermeiro como profissional científico.
Outro ponto de convergência entre os autores, especialmente Fernandes et al. (2025) e Souza et al. (2021), é o reconhecimento da família como parte integrante do processo de cuidado. A presença dos pais no ambiente hospitalar e sua inclusão nas atividades de cuidado são fatores que contribuem para o desenvolvimento emocional do recém-nascido e para a continuidade da assistência no domicílio. Na prática, essa integração ainda enfrenta barreiras, como a falta de estrutura física adequada e a resistência de alguns profissionais em compartilhar responsabilidades. No entanto, quando efetivada, a participação familiar promove resultados positivos tanto na recuperação clínica quanto na adaptação emocional dos envolvidos.
A interdisciplinaridade, apontada por Souza et al. (2021) e reforçada por Arruda e Souza (2025), emerge como uma estratégia eficaz para otimizar a qualidade assistencial. A prática interdisciplinar permite a troca de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas, ampliando o olhar sobre o paciente e fortalecendo a integralidade do cuidado. Essa cooperação entre profissionais de enfermagem, medicina, fisioterapia e psicologia demonstra, na prática, o que a teoria propõe: o cuidado ao recém-nascido cardiopata deve ser um processo coletivo, pautado no diálogo e na corresponsabilidade.
Em síntese, os resultados da revisão evidenciam uma forte sinergia entre a teoria e a prática, especialmente no que se refere à importância do cuidado humanizado, da comunicação eficaz e da atuação interdisciplinar. Todavia, persistem limitações relacionadas à infraestrutura, à escassez de recursos humanos e à necessidade de educação continuada. Como ponto positivo, destaca-se o reconhecimento crescente do enfermeiro como protagonista do cuidado neonatal e mediador entre a equipe e a família. Como ponto negativo, observa-se a distância entre as recomendações teóricas e sua aplicação efetiva em alguns contextos hospitalares. Já os pontos de melhoria incluem o investimento em capacitação profissional, a implantação de protocolos baseados em evidências e o fortalecimento de políticas institucionais que valorizem a humanização e a sistematização do cuidado.
Portanto, a integração entre prática e teoria, evidenciada pelos autores analisados, confirma que a excelência na assistência ao recém-nascido com cardiopatia congênita depende de uma enfermagem tecnicamente competente, emocionalmente sensível e cientificamente embasada. O equilíbrio entre esses elementos representa o caminho para a construção de um cuidado mais seguro, humanizado e transformador, tanto para o paciente quanto para sua família.
Considerações finais
A análise dos estudos e reflexões apresentados ao longo desta monografia permitiu compreender que o papel da enfermagem no cuidado ao recém-nascido com cardiopatia congênita é essencial, tanto pela complexidade técnica exigida quanto pela sensibilidade necessária para lidar com as dimensões emocionais e familiares envolvidas. Os resultados revelam que o enfermeiro atua como figura central no processo assistencial, integrando a prática científica ao cuidado humanizado, o que o torna mediador entre a equipe multiprofissional, o neonato e seus familiares. A humanização, a comunicação empática e o acolhimento mostraram-se elementos fundamentais para o fortalecimento do vínculo terapêutico e para a promoção do bem-estar físico e emocional do recém-nascido. Tais aspectos, destacados por autores como Arruda e Souza (2025) e Fernandes et al. (2025), confirmam que a qualidade do cuidado de enfermagem depende da capacidade do profissional em unir conhecimento técnico, empatia e escuta ativa.
A partir da interpretação dos resultados, observa-se que, apesar do avanço das práticas assistenciais e do reconhecimento da importância do cuidado humanizado, persistem lacunas significativas na formação e na capacitação dos profissionais. A carência de protocolos específicos, a sobrecarga de trabalho e a ausência de programas permanentes de educação continuada foram apontadas como fatores que limitam a efetividade das ações de enfermagem em unidades neonatais. Essa constatação reforça a necessidade de que gestores hospitalares e instituições de ensino promovam estratégias de aprimoramento profissional baseadas em evidências científicas, visando o fortalecimento técnico e emocional da equipe de enfermagem. Nesse contexto, as contribuições de Lima, Silva e Siqueira (2018) são especialmente relevantes, ao destacarem a Sistematização da Assistência de Enfermagem como ferramenta indispensável para organizar, planejar e avaliar o cuidado prestado ao neonato cardiopata, promovendo segurança e continuidade nas intervenções.
Outro ponto de grande relevância identificado nesta pesquisa é a importância da comunicação eficaz e do envolvimento familiar no processo de hospitalização e tratamento. Os estudos de Ramos (2010) e Souza et al. (2021) evidenciam que a presença da família e o apoio emocional prestado pelos enfermeiros têm impacto direto no processo de recuperação do recém-nascido e na adaptação dos pais à nova realidade. Assim, a comunicação humanizada, quando aliada à orientação educativa, transforma-se em um recurso terapêutico que contribui para a redução da ansiedade e para o fortalecimento do vínculo entre família e equipe de saúde. Essa prática, quando integrada ao cotidiano hospitalar, amplia o alcance da enfermagem como promotora não apenas da recuperação física, mas também da estabilidade emocional e social dos pacientes e de seus cuidadores.
As implicações dos achados desta monografia apontam para a necessidade de uma reestruturação no modelo de atenção neonatal, de modo a valorizar o enfermeiro como protagonista na condução de cuidados complexos e na mediação entre ciência e humanidade. A interdisciplinaridade, defendida por autores como Farias, Resner e Silva (2019), emerge como ferramenta essencial para ampliar o olhar sobre o paciente e promover ações conjuntas e integradas, capazes de atender de forma holística às demandas do recém-nascido cardiopata. O trabalho colaborativo entre profissionais de diferentes áreas não apenas qualifica o cuidado, mas também distribui responsabilidades e fortalece o sentimento de pertencimento da equipe.
Sob o ponto de vista prático, os resultados deste estudo possuem ampla aplicabilidade nas unidades de terapia intensiva neonatal, servindo de base para a criação de protocolos de boas práticas e para o desenvolvimento de programas de capacitação contínua. As evidências indicam que o investimento em formação especializada e em políticas institucionais de valorização da enfermagem impacta diretamente na redução de complicações clínicas e na melhoria da qualidade de vida dos neonatos e de suas famílias. Da mesma forma, o fortalecimento da humanização e da comunicação como princípios norteadores do cuidado representa um avanço significativo na consolidação de uma assistência mais ética, empática e eficiente.
Em síntese, esta pesquisa reafirma que o cuidado de enfermagem ao recém-nascido com cardiopatia congênita deve ser compreendido como uma prática científica e humanizada, que exige atualização constante, sensibilidade e comprometimento ético. A articulação entre teoria e prática, evidenciada ao longo do estudo, revela que a excelência do cuidado depende do equilíbrio entre o conhecimento técnico e o olhar compassivo. Portanto, os achados aqui discutidos reforçam a relevância da enfermagem como ciência que transforma o conhecimento em cuidado e o cuidado em esperança, reafirmando sua importância na promoção da vida, da dignidade e da integralidade do ser humano desde os primeiros instantes de sua existência.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARRUDA, Maria Dhescyca Ingrid Silva; SOUZA, Kelly Alencar de. Assistência de enfermagem ao recém-nascido com cardiopatia congênita na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Bioethics Archives, Management and Health, v. 5, n. 2, p. 1-16, 2025.
BATISTA, janaína fernandes cerqueira; silva, aline cerqueira santos santana da; azeredo, andréa nunes de; moura, stelmar molas; mattos, valéria zadra de. A enfermagem no cuidado integrado ao recém-nascido com cardiopatia congênita cianótica – relato de caso. Online Brazilian Journal of Nursing, Universidade Federal Fluminense, 2005.
FARIAS, patrícia; resner, celenira; silva, bruno wischral da. O papel da enfermagem no diagnóstico de cardiopatias congênitas. Anhanguera – Jaraguá do Sul, SC, 2019.
FERNANDES, Hellen Maria de Lima Graf; SILVA, Ariella Cristina da; SOUZA, Cinthia Gonçalves da Silva; SILVA, Larissa Stefany Elias da; RODRIGUES, Thayryne Haluane Alfredo; TARIFA, Rosana Ribeiro; MASSON, Valéria Aparecida; RIBEIRO, Maria Andreia da Silva. Atuação da equipe de enfermagem nos cuidados dos neonatos com cardiopatia congênita em terapia intensiva. Revista Caderno Pedagógico, Curitiba, v. 22, n. 1, p. 01-21, 2025.
LIMA, Tábita Gesteira; SILVA, Maira de Almeida; SIQUEIRA, Samylla Maira Costa. Diagnósticos e cuidados de enfermagem ao neonato com cardiopatia congênita. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, 2018.
RAMOS, carolina anunciação. A assistência de enfermagem à criança hospitalizada por cardiopatia congênita. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
SOUZA, beatriz fernandes rocha; buck, eliane cristina da silva; souza, ilana vanina bezerra de; souza, carolina rocha; oliveira, regina cérlia de; morais, camila abrantes cordeiro. Cardiopatias congênitas: desafios e perspectivas para o cuidado de enfermagem. Saúde Coletiva, 2021.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Thiago Teodozio Souza Lefkum, Inaê Vitória Negrello, Altair Justus Neto (Autor)